História Divididos pelas Cores - Capítulo 3


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Categorias Originais
Exibições 16
Palavras 1.908
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Escolar, Fantasia, Ficção, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Amarelos - Estudantes
Vermelhas - Donas de casas
Azuis - Trabalhadores
Pratas - Donos de empresas
Dourados - Estudantes (porém filhos dos Pratas)
Entre outras demais cores.

Capítulo 3 - O Promovimento


─ Vocês não estão sendo exagerados? – dei uma risada sem vida – é apenas uma pergunta.

Rebeca me repreendeu com os olhos castanhos e apertou minhas mãos. Ouvimos um ruído sair da minha cozinha, o que fez Shay pular de susto e me jogar pra cima de Rebeca que caiu no chão me levando junto,  Rebeca xingava Shay por ter batido o cotovelo na madeira da minha cama, sem tirar a parte que eu a prensei na parede. Eu parti para a parte agressiva, pulei no pescoço de Shay que bateu a cabeça no meu pequeno armário.

─ Ai, Giovanna! O que você tem na cabeça menina? – ele gritava, mas parou se levantou e comprimentou alguém com uma balançada de cabeça – sr. Dickers.

─ Olá Shay, Rebeca. Acho que já é hora de vocês irem – meu pai aguardava encostado na porta escura, suas mãos trêmulas estavam no bolso do terno amarrotado. Olhei ao redor do quarto, mas só havia eu lá, meus amigos já haviam sumido. A camada grossa da noite inundava o pequeno quarto, o único sinal de luz era da lâmpada imunda – precisamos conversar.

─ Quando pais dizem isso, não é nenhum bom sinal – brinquei, mas seu rosto estava sólido, não queria mostrar nenhum tipo de sentimento.

─ Marry, pode vir pra cá? – meu pai chamou minha mãe, que num estante já estava sentada na ponta da minha cama. Meu pai abriu a boca, mas nada saiu. Ele suspirou algumas vezes, estavamos nos encarando fazia ao menos dois minutos, o vestido florido de minha mãe roçava na minha mão, ela tamebém não entendia o que estava acontecendo – Então… amanhã começaram a escolher as novas pessoas para o Promovimento – ele gaguejou.

Minha visão ficou turva, senti uma grossa lágrima deslizar pela minha bochecha até pingar na minha perna. Fechei os olhos implorando para qualquer um que ouvisse que nada acontecesse com meu pai. Precisava dele. Alguém começara a me abraçar, o braço forte do meu pai me esmagava contra seu peito, mas era exatamente isso do que eu precisava. Quando minha visão voltou a ficar nítida, olhei para  minha mãe que sorria.

─ Ele não será escolhido. Tenho certeza.

Sorrimos juntos com o bom senso de minha mãe, precisava me manter de pé. Ele não seria escolhido. Ele não pode ser.

─ Preciso de você aqui pai! Não precisamos de dinheiro, mas sim de uma família – sussurrei.

Minha mãe já tirava minhas botas e jogava no canto do quarto, meu pai me posicionava na cama, me preparavam para ir dormir. Como se eu fosse ainda a garotinha deles. A pequena e indefesa Amarela.

                                                                                                                                                                                                          

Uma luz clara batia no meu rosto, o que me fez acordar, sentei na cama e encostei a cabeça na parede. Mais um dia começando. Levantei e enfiei o pé dentro da bota, coloquei a alça da bolsa sobre o ombro, penteei meu cabelo embaraçado com os dedos em quanto caminhava até a porta da cozinha. O clima de Inverno estampava-se em todas as janelas e escadas. Esperei a Rebeca, mas ela não aparecia, então decidi ir sozinha. Olhei para a rua estreita e longa que dava para a escola. A rua de pedras esburacadas com a mistura de casas roxas para todos os lados me dava enjoo, caminho com o peso do vento frio que deixava minha pele rosada e pontas dos dedos vermelhos.

Ao longe vi o portão pesado de ferro, chacoalhei a minha pulseira de elástico, onde no centro prendia uma pedrinha amarelada que parecia uma perola.

─ Oi Josh – exclamei vendo o porteiro, que usava uma blusa cor laranja.

─ Olá Giovanna – ele acenou levemente com a cabeça e apertou um botão que abriu uma plaquinha com sensor, passei a pulseira sob a placa preta o que fez o portão gritar e rugir enquanto abria – pode sair.

Voltei a andar, passei pela primeira escola, a pública, que tinha interligado as ruas dos condomínios de Casas-Cores Laranja, Rosa e Roxa. Sempre que passava nesta parte, agradeço a Rebeca, porque sempre vejo a escola lotada de gente, ela me ajudou a estar na particular, temos bolsas escolares. Andando mais em frente, vejo o parque público com enormes árvores e bancos pichados, era interligado aos condomínios de Casas-Cores Azuis e Marrons, os favoritos de Rebeca, ela adora escrever e quer muito virar uma Marrom. Quando finalmente chego na minha escola interligada com os Brancos e Verdes, também ligada a ponte que leva para o comércio e Casas-Cores Pratas.

Empurrei a porta pesada. Mas ela não se abriu, estava trancada. Na verdade, não parecia ter ninguém nas ruas. Olhei na direção da torre enorme com um relógio grudado nela, horário de aula, era uma plena quarta, onde estavam todos?

                                                                                                                                                                                                          

Estava em frente a porta velha da casa de Rebeca, suspirei e toquei na porta que gemeu de velhice e depois foi escancarada pela minha amiga sorridente. Fui recebida com um abraço e um beijo na bochecha.

─ Por que não tem ninguém na escola? – perguntei entrando na casa de três cômodos dela e sentando em um colchão verde e fino jogado no chão. Rebeca ria da minha cara.

─ Você foi pra escola?

─ Fui, mas não havia ninguém lá.

─ Vão abrir as vagas do Promovimento – ela sussurrou quase chorando.

─ Fiquei sabendo – retribuí com um sussurro ainda mais baixo – quer ir ao parque?

─ Claro. Mãe! Vou ao parque! – gritou correndo corredor a dentro. Quando voltou, estava com uma blusa amassada cor amarelo sujo – ela pediu para a gente comprar alguns pães – concordei com a cabeça.

 

Estavamos na frente da ponte de pedregulhos e muros altos, que dava na outra civilização. Caminhei correndo as mãos pelo muro de gesso. O vento de inverno embaraçavam meus cabelos compridos, minha estação favorita. Começou aparecer todo tipo de  pessoas que usavam blusas, vestidos e ternos de diversas cores tornando a parte de vendas um arco-íris cintilante. Rebeca rodava e corria entre as pessoas me levando junto, segurava meu pulso com tanta força que eu temia quebrar. Paramos para respirar um pouco, encostei na parede de uma loja de roupas quando senti uma mão em volta de minha cintura nos meus braços gélidos. Olhei para Rebeca que conversava com o dono da loja tentando descobrir algum lugar que vende pães, acho que ela não percebeu que alguém estava me agarrando. Braços fortes começaram a me puxar para trás da loja, eu nem ousava olhar para trás.

─ Calada, passe tudo o que você tem – a pessoa sussurrou em meu ouvido. Escorreguei as mãos pelos bolsos, quando percebi que ele havia afrouxado um pouco meus braços, dei uma cotovelada na barriga dele que começou a gemer de dor, o empurre prendendo-o na parede da loja. Nossos rostos estavam praticamente colados.

─ Shay, para de brincadeira – sussurrei no seu ouvido aparentemente fazendo cósquinha – você sabe que não tenho nada para lhe dar. Sou pobre.

─ Essa doeu – ele suspira apontando para a barriga e se aproximando da minha bochecha – mas… você tem algo que eu queira – mandou uma piscadela para mim.

─ Estou enterrompendo algo? – Rebeca perguntou apoiando os braços na cintura.

─ Não mesmo – disse saindo de perto dele e o soltando.

─ Está sim! – Shay reclamou.

Entrelacei meu braço no de Rebeca e com o outro braço puxava Shay pela camiseta amarelada esfolada.

                                                                                                                                                                                                          

Já haviamos saido da parte de vendas, Rebeca saltitava com uma sacola em um dos seus braços. Eu agarrada nos braços de Shay.

─ Posso te perguntar uma coisa? – ele sussurrou em meu ouvido.

─ Claro.

─ O que acha da Lana Walli? – aquela pergunta foi como um tapa na cara. Ele estava gostando dela? Se sim, por que me importo? Somos apenas amigos certo?

─ Por que?

─ Perguntei primeiro – disse com um sorriso estampado no rosto e voltou a atenção para Beca que cantava, ou melhor, gritava uma música que havia criado.

─ Depende o por que – rebati.

Ele abriu a boca, mas fechou rápidamente percebendo  a aproximação de Beca:

Olhe para lua, corra na rua

mas não se desespere 

eu vou estar com você! 

Diga te amo, mude seus planos

mas não se desespere 

eu vou te proteger!

Andamos em silêncio, absorvendo as letras da música que minha amiga cantava, minha cabeça estava a mil. Não parava em uma pergunta, uma rebatia outra, que emendava outra. Ela já havia se distânciado o suficiente para que continuassemos a nossa conversa.

─ Ela disse que gostava de mim. Queria sair comigo – outro tapa na cara, cada vez mais forte. Eu não sabia mais o que fazer, queria esconder o rosto no buraco mais fundo que achar. Tinha que evitar ficar vermelha para que ele não percebesse.

─ Ela é bonita…

─ Então você acha que eu devo… aceitar?

─ Você é quem sabe… ─ gaguejei. Estava travada – tenho que ir pra casa.

Acenei com a cabeça para Rebeca e Shay. Precisava sair de lá o mais rápido possível. Quero desaparecer. Sumir.

Por que está preucupação toda? Não sei. Não sei mesmo.

Cheguei em casa batendo o pé e bufando. Minha mãe não estava em casa, devia estar na casa de Merela ouvindo as notícias e novelas de rádio. Me joguei na cama do meu quarto consumido pelo escuridão. Coloquei uma música e deixei o ritmo me levar para o meu lugar favorito, meus sonhos. A música Treat you better ecoava no meu cérebro, quero que a música me una novamente com os outros.

                                                                                                                                                                                                          

A noite crescia, a lua se exibia no alto. Quero estar lá em cima, onde todos me vejam, mas não me julguem. Minha cabeça não estava mais na Terra, Estava em todos os lugares pensando em tudo que me acontecia, estava na mesma posição desde que cheguei em casa. Dormia tentando me esconder de Lana e Shey juntos no parque rindo. Igual nós fazíamos. A porta fez um barulho estrondoso, eles chegaram. Me coloquei de pé e fui até a cozinha, minha mãe chorava. Conforme andava o choro ia ficando mais alto, meu pai agarrado com minha mãe chorava junto. Ele vai para o Promovimento. Vi pelas lágrimas grossas que rolavam olho abaixo. Cheguei perto deles e em um movimento rápido, meu pai colou seus braços em mim, estavamos abraçados no meio da pequena cozinha. Nosso choro explodia em vários sentimentos. Eu esperava que aquelas lágrimas expulsassem a dor de Lana e meu pai, mas não, ela apenas expremia a dor a intensificando goela abaixo.

Meu pai abria a boca, mas nada saia. E eu não ia ficar enfurnada dentro de casa vendo todos chorarem. Escorreguei dos braços de meus pai que tentaram me segurar.

─ Onde vai? – minha mãe sussurrou.

Não respondi. Precisava sair dali. Precisava fugir. De novo.

Corri quarteirões, caçava a familiar casa de Rebeca, o vento me apunhalava a cada passo que dava. Rebeca abriu a porta, também em prantos, ela foi me abraçar mas me esquivei segurando em seu pulso e a levando comigo até o parque. O úncio lugar seguro, onde o Shay sairia com Lana. Sentamos no banco de madeira todo pichado, ela me segurava com força e eu retribuia, ela era meu chão. Eu sabia que  eu era o dela.

─ Meu pai vai para o Promovimento – dissemos em coro.

─ Shay vai sair com Lana – terminei.

Nossas expressões eram de assutadas. Por cima do ombro vi uma silhueta escura com a neblina da noite.

─ Devia ter me contado que tinha ciúmes de mim – Shay disse segurando a mão de Lana Walli.

 


Notas Finais


Espero que gostem <3


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