História Divididos pelas Cores - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Originais
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Palavras 2.419
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Escolar, Fantasia, Ficção, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Amarelos - Estudantes
Vermelhas - Donas de casas
Azuis - Trabalhadores
Pratas - Donos de empresas
Dourados - Estudantes (porém filhos dos Pratas)
Entre outras demais cores.

Capítulo 6 - Escravidão


O salto deixa minhas pernas duras e doloridas, eu estou tropeçando a cada bloco de pedra que aparece em minha frente, sempre que tropeço o meu óculos pula e vem na ponta do meu nariz ameaçando cair e quebrar. Eu, Rebeca e Shay andávamos devagar, estávamos perto do portão para sair do condomínio Cinza, respirávamos fundo, devagar e assustados para o que nos aguardava a frente. E se descobrissem a gente? E se o porteiro visse falsas Douradas em um local Cinza?

E se? E se? E se?

Essas palavras me assustam, muitas frases podem se construir com e se.

─ Escondam-se no beco. Vou fazer um teatro – Shay mostrou os dentes brancos em um sorriso animado.

Ele marchou até o portão com peito estufado e nariz empinado, ficou na frente da saída e começou a bater as palmas.

─ Abre, abre! É para hoje cara – gritou Shay.

─ Hum? Falou comigo? – porteiro não parecia bravo, apenas confuso.

─ Tem mais alguém aqui companheiro?

O portão começou a gritar e ruiu; começara a abrir. O porteiro não tão mais amigável observou meu amigo desfilar para fora.

─ Valeu cara, você respeita sua cor e sabe abrir um portão – em seguida ele soltou uma gargalhada assustadora e maldosa.

Greg, nome que se destacava no pequeno crachá exposto em seu peito, saiu de sua cabina e empurrou Shay na parede da escada, levantou o punho se preparando para enfia-lo no meio do rosto de Shay. Aquele era o momento exato para nós duas correr para fora do condomínio.

Fomos às pontas dos pés para não ficar fazendo toc, toc, toc com o barulho do salto.

─ Pelo menos sei que meus pais estão em suas casas, no condomínio azul e não aqui – grunhiu Greg. Não vi o rosto de Shay, mas sei que aquilo o machucou, de verdade – você acha que é quem maluco? – Greg estava com a mão espalmada.

Eles agora estão grudados no portão, uma virada que Shay para que passássemos por eles sem que o porteiro nos visse. Shay estava com a cabeça no ferro fino. Greg segurava na gola dele. Estava de costas para a escada, não viu quando chegamos por trás.

─ Licença – Rebeca forçou uma voz horrível e enjoada – dá para soltar ele – exigiu – precisamos dele para terminar nossas lições, certo Aline?

─ Sim Alane – concordei tomando o braço de Shay e puxando para mim. Forçando o porteiro a solta-lo.

O porteiro soltou devagar a gola, assim que solto saímos de lá rebolando e levando Shay como um cachorro indefeso sentiu um olhar sobre mim. Um olhar confuso de Greg.

─ Ufa! – suspirei arrumando os meus óculos.

─ Adorei quando me puxou pelo braço escada a cima – Shay piscou carinhosamente para mim, fazendo Rebeca cair na risada.

─ Desculpa só gosto de Dourados  - pisquei de volta para ele.

Começamos a andar pela ponte, estava aterrorizada, sair de lá era a parte fácil, como vou fazer para entrar no castelo?

Minha vez de fazer o teatro. A saia grudada atrapalha quando ando, parece que tem cordas amarrando minhas pernas, o sapato já está me deixando com calos e bolhas nos pés e o corpete pareciam uma armadura quente e pesada. O som abafado do salto alto, por causa da neblina, me acalmava.

─ Vamos lá Alana – eu disse.

Alana e Aline são nossos apelidos dado por amigos nossos. Falam que somos parecidas, pensamos parecido e também temos que ter nomes parecidos. Sorri ao lembrar-se de alguns dias atrás. Pensar que não conhecíamos de tudo.

Chegamos à parte de venda, mas agora não éramos invisíveis, todos olhavam para nós duas, odiando nós duas. Sempre gostei da feira, as tendas coloridas me divertem, fico curiosa em saber o que eles vendem e quanto cobram por seus objetos. As crianças sujas e barulhentas pulam e brincam com bonecas ou carrinhos em suas mãos, depois os jogam na lama do parquinho que tem apenas dois balanços. Também não podemos ignorar os garotos. Todos os Dourados piscam e sorriem, preparando-se para atacar as inofensivas Douradas falsas. Retribuímos com frieza, nunca saindo do papel que nos deram.

─ Aline estou assustada, tem tantos predadores olhando suas duas presas.

─ Alane, confie em mim, logo nós seremos as predadoras.

─ Viu os garotos? Tinha um babando.

─ Imagine Shay aqui – disse rindo com desdém.

─ Ele morreria de ciúmes de você – Rebeca disse me acompanhando na risada sinistra.

O enorme portão exibia a bandeira de Kolour, mostrando que ali era o lugar especial onde morava a família real.

─ Finalmente – sussurramos em coro ao chegar perto da cabine do porteiro.

─ O-olá senhori-ritas! – enrolou-se Dillan. O porteiro.

─ Oi – murmurei, Rebeca optou por ignora-lo.

─ Vã-Vão entrar?

─ Se estamos aqui…

─ Ah si-sim. Po-podem passar a-as jó-jóias – ele clicou no único botão vermelho do painel que fez o scanner pular para fora.

Passei o braço rapidamente, o aparelho apitou, Dillan permitiu minha entrada. Suspirei aliviada. Rebeca imitou meus passos. Quando estávamos do outro lado do portão percebi que a Rebeca estava lívida, parecia um papel.

A cidade Prata era diferente do que eu imaginei. Pensei que seriam coloridas, com parques e fontes, árvores que exibissem seus frutos, só que não, parecia que tinha nevado por anos. Era tudo branco, prata, azul, rosa; cores claras e depressivas. As pessoas pareciam formigas procurando comida e colocando-as dentro do formigueiro, o que dava coloração no lugar espaçoso deprimente  eram as roupas douradas. No final da rua estava o castelo azul-claro, continha duas torres nas laterais com tetos brincos e pontiagudos. No topo tinha duas bandeiras conhecidas por todos. A de Amaidom, um arco-íris redondo com um pássaro branco no centro. E a de Kolour, um pássaro colorido que usa uma coroa prata. A porta no centro era vigiada por Pretos, três em cada lado da porta e um no meio, conferindo as pessoas que exigiam falar com o rei.

─ Uou – Rebeca sussurrou para si mesma.

─ Vamos logo.

Seguimos em frente ignorando qualquer um, menos os Pretos. Enfiava as unhas na palma da mão sempre que um Preto vinhal em nossa direção. Meu estômago dançava ameaçando me fazer vomitar tudo o que comi no almoço.

─ Olá lindas – um par de garotos; um ruivo de olhos azuis e o outro moreno de olhos cor de mel vieram puxar assunto.

O ruivo usava uma jaqueta estilos de couro, uma sarja preta, blusa social azul-marinho e um tênis dourado, olhos azuis e sardas espalhavam-se pelo rosto inteiro. Até o acharia fofo se não fosse um deles.

O moreno usava uma blusa dourada, uma calça preta e tênis vinho que combinava com uma blusa de frio que ele usava olhos mel e dentes pérola. Ele parecia ser um modelo, provavelmente era.

─ Vão encher o saco de outras – eu implorei, mas na hora me repreendi.

─ Opa! Essa é minha – disse o ruivo apontando para mim.

─ Sua? Lamento. Mas garotos com cabelo cor “molho de salsicha” – desafiei.

─ Estou apaixonado – ele ignorou-me.

─ Certo, fiquei com a mais bonita e mais educada – disse o moreno.

─ Quem disse que era a sua mais bonita? – gritou o ruivo.

Rebeca assustada segurou minha mão.

─ Parem de latir, já temos namorados, vem irmãzinha. O príncipe nos espera.

Eles nos encararam e deram um sorriso malicioso. Empurramo-los e apressamos o passo para chegar ao castelo logo.

─ Nome? – perguntou o homem que conferia em sua lista.

─ Não estamos na lista, mas o príncipe sabe de nós duas.

─ Sério? Então por que não estão na lista?

─ Se não acredita chame-o.

Ele sussurrou algo para um empregado que entrou no castelo, voltou tempos depois concordando que poderíamos entrar. O príncipe o acompanhava, assim que nos viu deu um sorriso que fez o coração de Rebeca pular.

─ Entrem, por favor – disse ele – temos muito que conversar.

Entramos saltitando, ele nos acompanhou devagar até chegar a uma biblioteca. Estávamos todos curiosos.

─ Preciso ir ao banheiro, ela te explica às coisas – eu disse.

Sentia que diva isso a ela, então corri entre as estantes apenas ouvindo a conversa deles.

─ Eu não te fiz minha pergunta.

─ Vai me explicar como conseguiram essas roupas e joias? E tudo isso só para me fazer uma pergunta?

Passei os dedos nas lombadas coloridas dos livros até que um título me chamou atenção.

─ É só deixa eu te fazer a pergunta?

─ Faça.

Peguei o livro com o nome de Promovimento.

─ Para onde vão as pessoas do Promovimento?

Fui à primeira página que tinha um parágrafo grifado de verde que dizia: Promovimento? O nome verdadeiro deveria ser “Escravidão”!

Rebeca agarrou meu braço e me arrastou porta afora do castelo, o livro de capa de couro, lombada preta e muita história para nos contar caiu no chão. Pude ver e ouvi-lo caindo, mas não consegui segura-lo, pois minha amiga estava aparentemente com pressa de chegar sabe-se lá onde.  Ela galopava com facilidade no meio de tanto de gente.

─ Rebeca? – chamei baixinho, mas ela não ouviu, estava com a mente em outro lugar.

Os dois garotos ainda estavam lá e quando nos viram deram sorrisos maliciosos.

─ Olá lindas – disse o moreno.

Eu estava de costas, não consegui enxergar o que aconteceu, mas os meninos em um passe de mágica nos deram caminho e Rebeca correu portão a fora.

 

Estávamos em frente à porta de minha casa, onde foi combinado. Ela me jogou na cadeira, tomou folego e se preparou para falar.

─ Ele disse que não tinha certeza, mas acha que vão trabalhar para os Pratas, pera pegar minérios… essas coisas. Então perguntei como eles pegam essas coisas e ele disse…

─ Usam máquinas – terminei a frase dela.

Ela concordou com a cabeça.

─ Ele disse que fazem isso longe das cidades de Amaidom para não provocar guerra.

─ Tudo conversa – disse Shay – eles provavelmente não querem que os de Casas-Cores baixas vejam como eles fazem.

─ Escravidão – sussurrei – eles dão dinheiro, mas as pessoas não são bem alimentadas, cuidadas…

Os dois olharam para mim querendo entender minhas palavras.

─ Eu vi um livro que dizia isso. Eles são escravos – lágrimas rolaram minha bochecha.

─ Nossa – ele sussurrou.

Rebeca não tinha palavras, mas eu tenho.

─ Já sei, vamos buscar aquele livro. Vamos atrás deles. Vou deixar para o Shay a missão de fazer um plano.

─ Já sei – ele sorriu – amanhã darão: uma blusa, calça, – ou vestido, opção de Rebeca – cobertor e um sapato. Vamos usar isso ao nosso favor, pois vamos ter que dormir fora – ele soltou uma risada – depois iram ao castelo. Peguem o livro, enquanto fazem isso, eu irei arrumar nossas bolsas para a viagem.

─ Como vamos sair da cidade? Qualquer lado que precisarmos seguir…

─ Lembre-se do que Rebeca disse, eles fazem longe da cidade. Iremos provavelmente pela floresta que é bem mais fácil de acessar. Só precisaremos de um alicate e ir a hora certa.

─ Amanhã os Pretos estarão ocupados… - disse Rebeca – estarão protegendo a família real e arrumando a “doação”.

─ O que terá amanhã? – perguntamos em coro.

─ Aniversário do rei. Darão uma festa. Foram idiotas de fazer duas datas históricas no mesmo dia. Pretos estarão lá para que ninguém agrida a família real por causa do Promovimento.

─ Algo que eu provavelmente faria – eu disse para descontrair.

Eles riram e voltaram a ficar sérios em um piscar de olhos.

─ E onde conseguiremos um alicate?

─ Deixe comigo – disse Rebeca.

─ Falta mais alguma coisa? – perguntou Shay.

─ Eu preciso saber como a Rebeca espantou os dois Dourados.

─ Que Dourados – perguntou Shay. Mas ignoramos ele.

─ Olhei para eles com cara de morte e sussurrei algo tipo: saíam da minha frente se não quiserem apanhar de salto.

Rimos juntas.

─ Que Dourados Giovanna? – perguntou Shay novamente.

Rimos mais alto.

─ Eu disse que ele ia ficar com ciúmes – disse Rebeca.

─ Me respondam – ele nos agarrou duas e jogou-nos em cima da cama – me digam se não apanharam de salto!

Começamos a gritar e correr, sem parar de rir. Como viver sem eles?

Comecei a dormir, Rebeca estava do meu lado direito da cama e Shay dormia no chão.

─ Giovanna – ele sussurrou.

─ Fala.

Ele me puxou de uma forma silenciosa. Provavelmente para não acordar minha mãe e a Rebeca.

─ Ai! – eu sussurrei.

Antes que pudesse bater nele ele roubou um beijo meu, me apertou contra seu peito. Seu cabelo preto fazia cosquinha na minha testa, mas não me importei. Ele segurava meu rosto como se estivesse se recarregando.

Fiquei sem ar depois de ter passado um minuto, me soltei dele.

─ Que fraca, não aguenta – ele disse brincalhão.

Bati nele duas vezes.

─ A primeira por ter me puxado no chão, a segunda por ter me roubado um beijo e esse – tasquei um beijo nos lábios dele – por ser você.

Deitei na minha cama, vi que a Rebeca me olhava.

─ Belo beijo – ela disse sorrindo.

─ Obrigado – disse o Shay.

Rebeca me empurrou e cai em cima de Shay.

─ Pode deitar com ele.

Fui me levantar, mas o Shay me agarrou com os braços e pernas de um modo que não conseguia sair.

─ Dorme comigo – ele sussurrou e começou a dormir.

Adormeci pensando na nossa missão, lembrei-me de uma coisa que me fez acordar assustada, cutuquei as costelas de Shay que se recusava a acordar.

─ Acorda garoto – disse para ele remexendo o braço dele.

─ O que foi? – disse sonolento.

─ Parem de gritar – Rebeca disse virando-se em nossa direção – daqui de cima escuto vocês.

Ela voltou a se arrumar na cama, olhei para Shay que quase dormia novamente.

─ Meninas, esquecemos que quando vamos pegar as novas roupas, cobertores e sapatos… temos que devolver as coisas antigas.

Os dois prestavam atenção em mim agora. Pareciam refletir bastante sobre o que fazer.

─ Meninas – disse Shay, o que provocou uma risada minha.

─ E se pegássemos as roupas e saíssemos correndo? – sugeriu a Rebeca.

─ A menina boazinha quer roubar? – provoquei.

─ Não, tem seguranças nas portas – disse Shay balançando a cabeça.

─ Pensaremos algo na hora – murmurou Rebeca.

─ Vamos dormir – disse o garoto ao meu lado se encolhendo no colchão para dormir.

Minha melhor amiga entendeu meu olhar de súplica e foi para a beira da cama, permitindo que eu voltasse a dormir com ela.

─ Chata – sussurrou Shay bravo.

─ Vá se cata.

Rebeca riu.

─ Boa noite – ela disse.

─ Boa noite – respondemos em coro.

 


Notas Finais


Espero que gostem <3
Boa leitura.


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