História Division of the heart - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Não deu tempo de revisar, então se tiver algum erro, peço desculpas desde já. Espero que gostem do capítulo!

Boa leitura 💙

Capítulo 4 - You're my kryptonite


Fanfic / Fanfiction Division of the heart - Capítulo 4 - You're my kryptonite

Você não tem que tentar muito
Você não tem que provar nada
Você me ganhou no "Olá!"

 

22h54min

O resto da tarde passou rápido, e a noite já havia caído a um bom tempo quando começamos a nos preparar para fechar. Carter ficou comigo o dia todo e aprendeu tudo o que eu o ensinei bem rápido. Ele era fofo, engraçado e tinha o dom de me fazer ficar sem graça. Nós recebemos várias pessoas ao longo do dia e ele foi ótimo com todas elas. Tirando algumas cantadas, ele havia sido uma companhia maravilhosa pra mim.

- Você desligou tudo? – Alex perguntou, pela milésima vez.

- Eu já te disse, desliguei tudo. – Afirmei e ela me analisou com os olhos semicerrados, desconfiada.

- Emma, você tinha deixado um dos projetores ligados. – Carter diz, saindo da sala de projeções. Alex me olha com as sobrancelhas arqueadas.

- Ah, até parece que você nunca esqueceu nada! – Reclamei.

- Eu, não! – Ela diz e começa a se dirigir até a porta dos fundos.

- E o incidente do filme? – Digo, enquanto eu e Carter a seguimos para fora do cinema.

- Qual foi o incidente do filme? – Carter pergunta rindo, com interesse novo na conversa.

- Aquilo foi um acidente! – Ela grita e continua andando, sem olhar para trás.

- Ela deixou um rolo de filme dentro do projetor depois que ele já havia acabado. – Contei, passando com Carter por Alex que estava parada no corredor nos esperando sair.  – Só que o projetor era pré-histórico e ela também havia se esquecido de desligá-lo e na manhã seguinte..

- O filme tinha derretido e a gente perdeu o rolo e o projetor. – Ela fala, continuando. – Era a minha primeira semana, como eu poderia saber que aquilo ia acontecer? - Começamos a rir e Alex bufa, se virando para trancar a porta atrás de si.

- Eu te entendo, Alex. – Carter diz entre risos, dando tapinhas no braço da mesma.

- É.. – Diz, rindo e checando algo no celular. – Crianças, eu preciso ir andando.. – Ela brinca e me dá um abraço, fazendo o mesmo com o moreno. – Boa noite pra vocês!

Observamos Alex sair andando e Carter se vira para mim.

- Vai a pé? – Perguntou.

- O quê?

- Para a sua casa, - Ele se explicou. – Vai a pé?

- Vou, - Lhe dirigi um pequeno sorriso. - Minha casa é a uns três quarteirões daqui.

- Quer que eu te acompanhe até lá?

- Não vai te incomodar? – Indaguei.

- Não, claro que não. – Ele sorriu e começamos a andar.

As ruas estavam movimentadas e tudo estava iluminado como sempre. Essa era a beleza de Nova York, ela nunca dormia, em cada rua, beco ou estabelecimento, não importasse o horário, sempre haveria alguém, alguma luz, em qualquer horário. Era impossível estar sozinho. Eu sempre fui apaixonada por essa cidade. Ela guardava tantos segredos dentro de suas fronteiras e se mostrava perfeita para o mundo. 

Carter e eu, caminhávamos lado a lado, ombros encostando. O vento batia no meu cabelo e eu andava com os braços cruzados na frente do corpo. 

- E então, - Carter chamou minha atenção para si. – Você mora sozinha?

- Não.. – Respondi, me afastando um pouco para olhá-lo.

- Com seus pais? – Ele tentou de novo.

- Não, também. – Torci minhas mãos, desconfortável. O mencionar dos meus pais me deixava nervosa.  – Meus pais me abandonaram a uns bons anos atrás. – Sussurrei.  

- E-eu sinto muito. – Ele diminuiu o tom de voz, envergonhado.

- Tudo bem.. – Tentei sorrir. – Eu moro com a mulher que me criou e alguns outros.. – Irmãos? Amigos? Eu não sabia como descrevê-los. Por que eu não sabia como descrevê-los? – Minha família é complexa. – Eu ri, tentando concluir.

- Disso eu entendo. – Ele soltou uma risada sem humor.

- Problemas familiares? – Perguntei.

- Você não tem ideia de quantos. – Carter fitou a calçada, chutando uma pedrinha fora do caminho. – Mas vamos falar de assuntos melhores.

- Okay, - Vasculhei minha mente em busca de algo, mas tudo parecia inadequado. – Por que resolveu trabalhar em um cinema? – Meu Deus, isso foi horrível. Repreendi-me mentalmente, Carter riu e passou a andar de costas, na minha frente, me encarando.

- Eu precisava de dinheiro, saí da casa dos meus pais há algumas semanas, a situação estava apertando. E Carlos foi o único que concordou em me dar um adiantamento. – Ele explicava, dando algumas olhadas por cima do ombro de vez em quando, verificando se não havia nada no caminho com qual ele pudesse esbarrar.

- Você vai acabar caindo, andando desse jeito. – Avisei.

- Não vou, não. Esse é meu superpoder.  – Ele argumentou, dando mais uma olhada sobre o ombro.

- Andar de costas?

- Sim, não ria do meu superpoder, Emma. – Brincou. – Nem todos nós podemos dar choque nas pessoas, como você.

Eu tentei rir, mas meu corpo todo se enrijeceu. E a mínima possibilidade de que ele pudesse saber me assustou de uma maneira absurda. Encarei o chão, a fim de me acalmar. Ele não sabia, não tinha como saber. Nunca saberia.

- Mas e você, - Carter pigarreou e tentou continuar. – Por que foi trabalhar num cinema?

- Eu estava entediada. – Dei um meio sorriso e olhei para ele, que tinha a mesma expressão brincalhona de antes.

- Você arrumou um trabalho, sete dias da semana, por que estava entediada? – Ele perguntou, parecendo desacreditado.

- É! – Afirmei, rindo de forma nasalada.

- Você é realmente.. – Aquela sentença nunca chegou a ser terminada, Carter tropeçou em uma lata de tinta, que estava ao pé da escada de entrada de uma casa.

Ele foi ao chão, e ao tentar buscar apoio, levou-me junto. Me fazendo cair em cima de si.  As mãos dele estavam nas minhas costas, nossos rostos tão perto, que eu podia sentir sua respiração contra a minha bochecha. Olhares presos um no outro.

Ele deu um sorriso de lado e eu retribui, minhas mãos começaram a formigar e eu sentia a pele dos braços queimando. Um trovão se fez ouvir por todo o lugar. Agora? Sério mesmo? Controle seus poderes, Emma.

A chuva começou a cair e eu me coloquei de pé, ajudando Carter a se levantar também. Então ele me puxou pelo braço. Ainda ria, quando achamos refugio debaixo da varanda de alguém.

- De onde veio essa chuva? – Ele perguntou e olhou o céu, indignado, encostando-se à parede da casa.

Carter fitou o próprio braço e o mexeu, parecendo desconfortável.

- Você se machucou? – Perguntei.

- Não.. – Respondeu, mas ele não parecia estar falando a verdade. – E você, se machucou?

- Não, você amorteceu minha queda. – Ele arqueou as sobrancelhas e sorriu – A propósito, eu avisei, não avisei? – Disse e comecei a amarrar meu cabelo num coque.

- Você me fez perder meu superpoder. – Brincou, enquanto tirava a jaqueta molhada. – Emma Stuart, você é minha kriptonita!

. . .

Ficamos acobertados naquela varanda, até eu conseguir fazer aquela queda d’água parar. Quando o fiz, retomamos o caminho. Tentei fazer Carter desistir da ideia de me acompanhar, mas ele insistiu e andou comigo mais dois quarteirões.

- É aqui. – Eu parei, quando chegamos até a frente de casa.

- Nos vemos amanhã, certo?

- É, eu acho que sim. –Torci as mãos e ponderei um minuto se deveria chamá-lo para entrar. - Você não quer entrar? – Perguntei

- Obrigada, mas por mais que eu tenha gostado de andar, correr, cair e pegar chuva com você, eu ainda tenho que caminhar até em casa. - Ele se aproximou e depositou um beijo na minha bochecha. – Boa noite, Emma!

- Boa noite, Carter! – Eu o sorri e ele piscou pra mim, antes de girar nos calcanhares e se por a andar.

Dirige-me até a porta e entrei, encontrando Sofia e Luke em volta da mesinha de centro da sala de estar, na qual havia duas caixas de pizza.

- Emma! – Sofia exclamou. – Até que enfim, achei que tinha se perdido por aí.

- Eu nem demorei tanto assim, - Disse, jogando o celular e a bolsa no sofá e me sentando ao lado de Luke. – Demorei?

- Demorou, - Ela pegou o celular, que estava apoiado na mesa, e checou o horário. – É quase uma e meia da manhã.

- Sério?! – Me surpreendi, não parecia ser tão tarde. – Não havia notado.  

- E o que você estava fazendo para perder a noção assim? – Luke perguntou me olhando de um modo brincalhão.

- Tentando fugir da minha própria chuva. – Murmurei alto o suficiente para que fosse ouvida e me servi de um pedaço de pizza. – Mas e vocês, o que ficaram fazendo?

- Dormindo – Eles responderam em uníssono e eu não pude evitar rir.

- Acordamos era umas dez horas. – Sofia comentou.

- E ficamos ouvindo histórias sobre a viagem do Dylan. – Luke completou.

- Então foi um dia produtivo para todos nós. – Disse rindo e Luke se inclinou para pegar um guardanapo, nossas mãos se encostaram por um segundo, me fazendo sentir uma dorzinha no local. Ele parou por um instante e depois voltou a se acomodar.

– Ei, esse Carter parece gostar de você. – Disse e passou a me olhar de modo malicioso.

- Luke, o que eu já disse sobre me ler? – O repreendi.

- Desculpa! – Ele disse, levantando as mãos ao alto, num sinal de rendição, ainda rindo. – Mas acontece, ué.  – O encarei, com os olhos semicerrados e mordi mais um pedaço da minha pizza.

- Quem é Carter? – Sofia perguntou.

- O namoradinho da Emma. – Ele respondeu.

- O quê? Não! – Minha voz subiu uma oitava. – Ele é um amigo. – Fulminei Luke com os olhos. – Ele começou a trabalhar no cinema hoje.

- Aham, e ele tá a fim de te dar um trabalho. – Ele brincou.

- Cala a boca! – Bufei, lhe dando um tapa no braço.

- Ele é bonito? – Sof indagou. – Luke, ele é bonito?

- Ela achou ele bonito!

- Ai meu Deus! Querem parar? – Os dois começam a rir, me ignorando por completo.  

- Eu pensei ter escutado sua voz. – Dylan aparece, vindo da cozinha com algumas de refrigerante na mão.

Ele colocou as latas sobre a mesa e se sentou ao lado de Sofia. Nem ela, nem Luke continuaram as brincadeiras sobre Carter.

- E eu achei que te encontraria dormindo uma hora dessas. – Falei e peguei uma das latas, abrindo a mesma. – Você fez uma viagem longa, não está cansado?

- Por incrível que pareça, não. – Ele diz.

- Não consigo entender isso, se fosse eu, estaria por aí, desmaiada, o dia todo.  – Disse, já me levantando de novo.

- Aonde vai? – Luke perguntou, enquanto eu pegava minhas coisas no sofá.

- Tomar um banho e dormir. – Respondi, mordendo mais um pedaço de pizza e tomando um último gole de refrigerante, largando a borda e a lata dos mesmos em cima da mesa. 

– Dyl, eu sei que prometi ficar acordada, mas eu estou morta. Me desculpa? – Disse, indo até ele e o abraçando.

- Não tem problema! – Ele sorriu. – Daqui a pouco eu já vou subir também.

– Eu saio mais cedo do trabalho amanhã e terei todo o tempo do mundo pra você, juro – Baguncei o cabelo dele com uma das mãos e comecei a caminhar em direção a escada. – Boa noite, seus lindos! – Gritei por cima do ombro e subi os degraus até o corredor do meu quarto.

. . .

Eu havia tomado um banho extremamente longo, até para os meus padrões. E o ato de deitar na minha cama, nunca foi tão maravilhoso. Não me lembrava de ter ficado tão cansada, quanto me sentia. Minhas pálpebras pesaram assim que encostei a cabeça no travesseiro e tão rápido quanto me deitei, eu adormeci.

Flashback on: Emma não olhava para cima ou para frente, andava pelos corredores da escola de cabeça baixa, para evitar chamar atenção. Sua mãe não viria buscá-la hoje, teria que fazer o caminho até a casa sozinha, mas tudo bem era só uma rua. Seguia a rua, virava a esquina e estaria em casa, Certo? Certo.

A garota temia, com todos os ossos do corpo, encontrar Mike e as outras crianças no caminho. Murmurava baixinho consigo um desejo, enquanto andava até os portões. “Que ele não venha atrás de mim, não de novo. De novo não”.

- Ei aberração! – A voz a fez se arrepiar por inteiro, mas ela continuou andando de cabeça baixa. – Não está me ouvindo?

A pequena girou nos calcanhares e passou a encarar o menino a sua frente.

- Por favor, Mike, me deixa ir. – Ela pediu baixinho.

- Eu deixo você ir, pro buraco do inferno de onde saiu. – Emma fechou as mãos em punho, mas não disse ou fez nada, somente se virou e continuou andando.

- Sabe o que eu não entendo Emeralda? – Ele gritava enquanto a seguia. – É por que seus pais ficaram com você.

As pontas dos dedos da pequena queimavam. O céu acima deles passou de um azul claro para cinza escuro, e um raio cruzou o céu. Ela começou a correr, estava quase em casa, só mais alguns passos e podia estar em casa. De repente sentiu algo em suas costas e a dor se instalou por todo o lugar. A menina se virou para procurar Mike e foi atingida mais uma vez. Aos seus pés, viu pedras tomarem lugar. Cada pequena rocha que a atingia deixava uma marca, e alguns pontos em seu rosto e braços começaram a sangrar. Mas ela não correu.

Emma encarou o céu e ergueu os braços. Ao abrir uma das mãos, o céu se iluminou com um relâmpago. Quando abriu a outra, o firmamento também se abriu, e a chuva veio tão forte quanto a raiva da pequenina. Raios começaram a cair nas calçadas e um atingiu a árvore atrás da qual Mike se escondia. Alguns dos galhos começaram a pegar fogo e caírem, o menino correu para longe. E pela primeira vez, Emma viu nos olhos dele, o medo que ela sentia a apavorar todos os dias.

Flashback off.  


Notas Finais


(Música: Had Me At Hello by Olivia Holt)

(Para quem quiser, os links abaixo são fotos de como eu imagino a casa da Emma)
http://migre.me/vAmhT
http://migre.me/vAmip
http://migre.me/vAmj4
http://migre.me/vAmjM
http://migre.me/vAmkG

Até a próxima, amores! 🌸


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