História Do Brasil, Para Você - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens D.O, Kai, Sehun
Tags Kaihun, Kaisoo
Visualizações 8
Palavras 2.735
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Musical (Songfic), Romance e Novela, Shonen-Ai
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - Sessenta e dois vírgula cinco


Jongin estava fora há dois dias e nós quase não havíamos nos falado. Parte de mim compreendia que os ensaios estariam mais intensos àquela altura do campeonato uma vez que a apresentação final se aproximava e Nini era uma das pessoas mais competitivas que eu já conhecera. Por outro lado, algo remoía dentro de mim que ele estava em outra cidade, outro país, com Sehun em um quarto de hotel. Mais de uma vez, às vésperas de sua partida, considerei cancelar meus compromissos e viajar com eles, mas um par de vozes em minha mente me trazia de volta à realidade, dizendo que eu deveria confiar em Jongin e que seria loucura além da conta se eu largasse meu trabalho por conta de algo que eu precisava acreditar ser infundado.

Chovia suavemente uma porção de pingos gelados quando saí da loja de conveniência carregando aquelas sacolas repletas de comidas instantâneas e energéticos em latas; eu precisava de energia e estômago cheio para terminar o rascunho do planejamento da minha turnê e, ao mesmo tempo, assistir a primeira apresentação da WD2016.

Ajeitei o capuz sobre a cabeça e aumentei o volume da música que saía pelos fones de ouvido antes de guardar o celular no bolso. Com o ruído da chuva sobre a minha cabeça abafado, enfiei as mãos nos bolsos, estrategicamente posicionando as sacolas de forma que ficassem presas em meu pulso. E então, andei.

Eu não poderia dizer quanto tempo se passara, nem quantos passos eu dera quando um toque em meu ombro chamou minha atenção. E quando me virei, me deparei com…

– Não faça nenhum barulho – o homem disse, uma máscara sobre o torno tornando sua voz difícil de compreender. O cano da pistola apontado certeiramente entre os meus olhos. – Se você fizer qualquer movimento, eu te dou um olho no meio da testa, entendeu?

O sangue pulsou em minhas têmporas e descargas de adrenalina desceram pelo meu corpo. O homem pressionou mais a arma contra a minha pele.

– Me dê o seu telefone – ele ordenou, puxando o aparelho pelo fio do fone de ouvido antes que eu pudesse entrega-lo de fato –, e a sua carteira. Tira as mãos dos bolsos agora.

Sua voz era ainda mais assustadora por ser tão calma, apesar de alta. Lentamente puxei as mãos para fora do bolso do moletom, as sacolas caindo aos meus pés, espalhando a comida. O homem tomou a carteira dos meus dedos, rapidamente deslizando-a para suas vestes sem tirar os olhos de mim.

– Preciso dos meus… dos meus documentos… – gaguejei de forma patética, sem saber o que dera em mim.

– Eu não mandei você ficar calado?

Engoli em seco e assenti.

– O que mais você tem aí? – O homem perguntou, apertando o cano no meio das minhas sobrancelhas. Tudo o que eu conseguia pensar era em como aquilo deixaria uma marca grotesca na minha pele. Quando sacudi a cabeça negativamente, sincero, senti finalmente o aperto afrouxar, e permiti que algum ar entrasse em meus pulmões.

Eu só pedia à qualquer divindade que ainda estivesse acordada àquela hora da noite que findasse aquilo logo.

– Você vai seguir o seu caminho – o assaltante falou, recolhendo a pistola. – Não olhe para trás, não diga uma palavra, ou não serei tão bonzinho mais. Entendeu?

Tornei a assentir. Ele abaixou a arma até meu tórax e a pressionou contra minhas costelas. Antes que ele precisasse dizer qualquer coisa a mais, me virei mecanicamente.

Uma nova descarga de adrenalina percorreu meu corpo inteiro quando, de algum lugar metros à frente, uma figura vinha correndo na chuva sob a luz amarelada dos postes. Sem pensar muito, dei um passo em direção ao estranho misterioso e, no momento em que o fiz, veio a primeira pancada em minha cabeça, no lado direito.

– Eu disse para não se mexer…

E antes que eu pudesse sentir qualquer dor, uma nova pancada me atingiu, do lado direito, dessa vez, quando minha cabeça bateu de encontro ao chão.

Escutei passos apressados por poças d’água no asfalto e um par de tênis se aproximou dos meus olhos.

Hyung! – E apaguei.

Eu sempre fora um homem excelente com palavras, desde quando ainda era uma criança. Mas, pela primeira vez em toda a minha existência, eu não conseguia encontrar uma definição sequer para a dor que percorria cada milímetro da minha cabeça.

Mesmo de olhos fechados, eu sentia a luz branca entrando pelas minhas pálpebras cerradas e aquilo por si só já causava ondas longas e torturantes de ecoarem pelos ossos do meu corpo. Puxei um pouco de ar e o prendi nos pulmões e, com a pouca coragem que eu não saberia dizer de onde viera, finalmente me permiti enxergar o que havia à minha volta.

A dor foi lancinante e quis gritar, mas a garganta estava por demais seca, e tudo o que saiu foi um sopro mudo. Levei a mão à garganta e, quando o fiz, senti-a restrita por um tubo plástico e fino que, ao acompanhá-lo mais atentamente, levava à uma bolsa de soro que pingava preguiçosamente naquele acesso. Olhando com mais atenção, me dei conta de que estava em um hospital e respirei fundo novamente, recostando a cabeça no travesseiro. Tornei a fechar os olhos, tentando amenizar a dor com isso.

Mexi a mão esquerda e senti um aperto suave, apesar de seguro, quando o fiz. Senti-me agitar à ideia de que Nini estivesse ali…

– Sehun?… – sussurrei, a voz ainda falha.

Ele levantou a cabeça, que estivera apoiada no colchão da minha cama. Pelo seu rosto inchado, eu tive certeza de que estivera dormindo por algum tempo. – O que você está fazendo aqui?

– Hyung – Sehun respondeu entre um bocejo. – Como você está se sentindo?

– Com dores. Muitas dores – respondi. – Um pouco de sede também.

De prontidão. Sehunnie me passou um copo amarelo de plástico, com um canudo listrado que, com sua ajuda, levei aos lábios e puxei um pouco de água. Ainda que a dor não houvesse passado, o alívio fora instantâneo em minha voz. Pigarreei.

– Obrigado – falei, finalmente me sentindo como eu mesmo. – O que você está fazendo aqui, Hunna? Você deveria estar em Tóquio com… os outros.

Outra onda de dor cortou meu raciocínio e minha mandíbula travou.

– Hyung, por favor, não se esforce demais. Você passou por um trauma sério, segundo o médico. Por favor, só descanse.

A dor me obrigou a assentir.

– Só… me conte o que houve, sim? – Pedi, esperando que aquela pulsação nas minhas têmporas parasse.

E, assim, no que pareceram horas, Sehun me contou em voz baixa que estava correndo na véspera da partida para o campeonato, tentando aplacar a ansiedade pela viagem – adiada por alguns problemas com seu cachorro, Vivi –, e, no fim, acabara me enxergando de longe, com alguém suspeito atrás de mim. Fora Sehun quem me socorrera e ficara comigo a noite toda.

– Eu sei – ele prosseguiu, repentinamente envergonhado – que eu não sou quem você gostaria de ter ao seu lado em um momento tão complicado. Talvez em momento algum, mas… eu não poderia deixá-lo sem saber que você estava bem, hyung.

– Eu fico feliz por ter sido você, Sehunna – falei por fim, descobrindo que não havia uma mentira sequer nas minhas palavras. – Não sei como agradecê-lo.

Um silêncio confortável se abateu sobre nós enquanto, nem por um segundo sequer, Sehun soltou minha mão.

– Kyungsoo-hyung, você não pode dormir – a voz de Hunnie era longe, quase um sussurro na escuridão. Mas então sua mão me sacudiu e se fez luz outra vez.

– Eu sei – respondi, falhando em suprimir um bocejo. Minhas pálpebras pesavam uma tonelada cada, e o cobertos quentinho da cama do hospital parecia me abraçar confortavelmente. – Quanto tempo falta?

– Segundo a médica de plantão, só mais algumas horas.

– Seria mais fácil se eu pudesse tomar algo para ficar acordado.

– Eu sei, hyung, mas…

– Tudo bem, Sehun. – Suspirei, outro bocejo acompanhando. – Você ligou para Jongin?

– Não. Você pediu que eu não ligasse.

– Obrigado. Não preciso que ele se preocupe com alguma coisa que não a competição. Isso já está pesando demais em seus ombros.

– Você não é “mais alguma coisa”, hyung.

– Nesse momento, eu sou.

Apesar do sono e da dor, eu precisava manter a mente firme. Se Jongin soubesse onde eu estava e o que acontecera, eu tinha certeza que ele estaria no próximo avião e a sua chance de classificação para a final ficaria para trás. Eu não podia deixar que aquilo acontecesse. De qualquer forma, se eu passasse por aquelas horas sem nenhuma alteração, já seria liberado para ir para casa.

– Hyung – chamou Sehun –, preciso atender essa ligação. Yixing-hyung está chegando para ficar com você.

Assenti, levando a mão entubada ao olho e o cocei, buscando afastar a outra onda de sono que vinha me assolar mais uma vez. E, assim que Sehun saiu, dois homens se projetaram para dentro do quarto branco, a porta cuidadosamente fechada atrás deles.

Precisei de algumas piscadelas para focalizar o rosto dos dois hyungs parados à minha frente.

– Obrigado por virem – falei. – E me desculpe por tirá-lo do seu tour particular por Seul, Lu-ge. Mas eu não pude confiar nos outros de não contarem para Jongin.

– Não se desculpe – o mais velho disse, virando-se para mim. – Eu não conhecia esse lado da cidade mesmo – e riu daquela forma que eu ainda não conseguira decidir se era apenas linda ou também assustadora. – Fico feliz que você esteja bem.

Remexi-me desconfortável na cama, o puxão do tubo em meu braço me lembrando que deveria ser mais cuidadoso. Levei a mão até a bandagem que circulava minha cabeça e, com um suspiro dolorido, senti os pontos no lado direito voltarem a latejar.

– Eu não diria bem… – resmunguei infeliz. – Mas pelo menos estou inteiro, de certa forma. Penso nisso como um consolo.

– Exatamente – ele concordou antes de lançar outro olhar daqueles e, após um leve aperto em minha perna, o hyung se virou. – Vou pegar um café, Yixing. Volto já.

O outro hyung esperou alguns segundos até que a porta se fechasse completamente e nossa única companhia fosse o silêncio, para se sentar na poltrona outrora ocupada por Sehun e tomar minha mão na sua. Seus olhos escuros e estreitos fitaram os meus longamente e pude nota-los pulando da faixa em minha cabeça para meu rosto repetidas vezes.

– Eu estou bem, hyung – falei. – Só um pouco dolorido, porém bem.

– Você me assustou, Kyungsoo. Sehunna e eu não somos muito próximos, então eu estranhei quando ele me ligou. Mais estranho ainda foi quando ele disse que estava com você em um hospital. – Ele deu uma risadinha. – Fico feliz por não ter sido nada mais grave.

– Obrigado – falei. Ponderei por um tempo antes de continuar. – Parte de mim agradece por ter sido Sehun a me encontrar. Acho que eu o evitei por todo esse tempo por saber que eu ainda o estimava. Olhar em seus olhos e pensar em tudo o que pode ter acontecido enquanto estive fora seria… bom… – Pigarreei. – Ainda mais depois de Jongin ter me contado que…

– Soo-ya – começou Yixing-hyung, mas me apressei em continuar.

– Está tudo bem. Acho que eu precisava vê-lo para encerrar esse capítulo. Se eu quero ter a vida com Jongin de volta, preciso aceitar que Sehun sempre fez e fará parte dela.

– Tenho certeza que Sehun…

– Desculpe – pediu uma terceira voz que não havíamos notado. – Desculpem por interromper. Só vim avisar que estou de saída.

Nos viramos para Sehun parado à porta, ligeiramente ruborizado. Eu não sabia o quanto ele havia escutado da conversa, mas esperava que fosse o suficiente para saber que estava tudo bem ou, ao menos, caminhando para isso.

– Está bem – respondi. – Obrigado por tudo, Sehunnie. Yixing-hyung cuidará de mim a partir de agora.

– Obrigado por ter me ligado – disse o hyung. – Não se atrase, senão você pode perder o seu voo.

– Posso fazer uma coisa antes de sair? – Ele perguntou.

Assenti em resposta.

Então Sehunna se adiantou em passos largos e me abraçou fortemente.

– Soo-yeobo! – A voz de Jongin era animada e estridente do outro lado, e minha cabeça voltou a doer. – Eu já estava para te ligar. Por que você está usando o celular de Yixing-hyung?

– Jonginnie… – respondi, hesitante. – Por favor, por favor… não grite nem fale alto. Está bem?

Uma curta pausa precedeu o silêncio de Jongin e o escutei engolir em seco e suspirar longamente.

– Hm – resmungou.

– Eu estou sem telefone – comecei. – E sem documentos… talvez até sem um pedaço da cabeça.

– Como?

– Um sujeito me abordou enquanto eu saía da loja de conveniência e levou os meus pertences. Ele me deu uma coronhada e, quando caí no chão, bati a cabeça também. Por sorte, Sehun me encontrou e me trouxe ao hospital. Já estão me dando alta agora e vou ficar com o hyung até estar melhor.

– Como? – Nini repetiu, a confusão audível.

– Você escutou o que eu disse?

– Por que você não me disse antes? Eu já estaria aí!

– Por isso mesmo – respondi. – Eu não queria atrapalhar o seu campeonato.

– Isso não é relevante – o tom de Jongin era severo; eu não conseguia me lembrar se algum dia o havia escutado falar daquela forma. – Você deveria ter me dito. Sehun deveria ter me ligado quando vocês chegaram ao hospital. Foi muita irresponsabilidade de vocês por não me avisarem.

– Pare de gritar – pedi, afastando o telefone da orelha –, minha cabeça ainda está doendo um pouco. Nós não fomos irresponsáveis. Eu pedi ao Sehun para que não te ligasse quando acordei.

– Ele deveria ter me ligado antes.

– Fico feliz que ele não o tenha feito – tentei soar tão severo quando Jongin. – Olhe, Nini, não vamos brigar. Eu te liguei para dizer que eu estou bem. Nada mais grave aconteceu, e logo que eu recuperar meu número, eu vou lhe avisar.

– Amanhã cedo eu compro a passagem para casa, Soo-ya.

– Por favor, Jongin – senti um desconforto enorme quando limpei a garganta para continuar. – Eu não quero que você venha – menti. – Falta a apresentação de vocês e eu sei que você vai conseguir. Só volte para casa com a classificação em mãos. – Engoli em seco mais uma vez.

Tudo em mim parecia ter fugido da coleira que eu havia colocado para manter o controle dos meus sentimentos. Eu só queria pedir a Jongin que viesse para o meu lado. Suspirei, aguardando que ele interrompesse o novo silêncio que se instalou entre nós. Alguns minutos se passaram antes que Nini soltasse um som frustrado e, finalmente, prosseguisse.

– Você pode vir para cá?

– Por agora, não – falei. – Eu já perguntei ao médico.

– Então não fique sozinho, está bem?

– Yixing-hyung e Lu-ge estão cuidando de mim, Nini. Amanhã eu vou para a casa de Baekhyun ficar com ele. Estou me sentindo uma criança sem lar, jogada por aí.

– Não se sinta assim, yeobo – uma risadinha soou do outro lado. O som conhecido trouxe um pouco de paz à minha mente. – Logo mais estarei de volta.

– Tome o tempo que for preciso – volte logo para casa, pensei. – Boa sorte, Nini.

– Obrigado, yeobo. Me dê notícias sempre, está bem?

– Pode deixar – respondi. – Eu te amo, Jongin

– Eu também o amo, yeobo. Muito, muito, muito. Durma bem.

– Soo-ya, posso lhe fazer uma pergunta?

– Claro, Han-hyung – respondi, a xícara quente de chá entre meus dedos.

Um grosso cobertor envolvia minhas pernas ao que eu sentia meu corpo ser sugado pelo sofá macio além da conta de Yixing-hyung. Estávamos os três sentados, a televisão ligada em um canal aleatório, o volume quase no mudo, apenas como som de fundo. Depois de ser liberado pelo médico, meu sono magicamente desaparecera.

– Se não for muito inconveniente da minha parte – ele continuou, aprumando o corpo na poltrona –, aquele rapaz que o encontrou… qual o seu nome?

– Ele se chama Sehun, hyung… trabalha com Jongin no estúdio.

– Hm… – o hyung resmungou, os olhos misteriosos fixos nos meus, forçando-me a olhar para o outro lado. – Ele não foi para o campeonato?

Troquei um olhar rápido com Yixing-hyung, que limitou-se a dar de ombros, a xícara em seus lábios lançando nuvens de condensação em seus óculos meia-lua.

– Ele foi logo que vocês chegaram. Algo com Vivi o atrasou. – Dei de ombros. – Foi o que ele me disse.

– Vivi?

– Seu cachorro – disse Yixing-hyung, a voz baixa. – Por que o interesse em Sehunna, Lu-ge?

– Cruzei com ele no corredor rapidamente. Ele é… interessante.

Troquei mais um olhar silencioso com o outro hyung enquanto um estranho sentimento apertava meu coração como uma mão fria.


Notas Finais


O assalto aconteceu de verdade comigo. Não precisei de hospital, mas foi bem punk, haha. Reviver isso por conta de escrever foi tenso porque é uma lembrança que eu tento suprimir. Enfim, acho que isso deixou a narrativa um pouco mais verossímil. ^^

Obrigada por lerem!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...