História Do I Wanna Know!? - Norminah - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Ally Brooke, Camila Cabello, Camren, Dinah Jane, Lauren Jauregui, Normani Kordei, Norminah, Trolly
Exibições 123
Palavras 5.068
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hey Sweets 💙

Lá vem a listinha para vocês 😂. Primeiramente, queria dizer que estou tentando manter uma ordem para postar os capítulos, em média, três dias. Gostaria da opinião de vocês sobre isso, pois realmente prefiro demorar mais um pouco e trazer capítulos maiores. Me sinto bem assim, porém qualquer opinião é válida.

Estou também um pouco abalada em relação a Mani 💔, é pedir muito para guardar aquele 'pequeno' ser em um potinho e proteger de qualquer perigo?

Enfim. Sem delongas pois ninguém merece. Enjoy 😋

Capítulo 6 - Darkness


Fanfic / Fanfiction Do I Wanna Know!? - Norminah - Capítulo 6 - Darkness


Normani Kordei Point Of View
Miami, Flórida, 30 de Março de 2016.

'E fisicamente estava bem. Era só que todo o resto, emocionamente, psicologicamente, romanticamente, não poderia estar pior.' 

Em muitos momentos colocamos expectativas demais sobre as pessoas. É algo doloroso e inexplicável quando não correspondidos a algo. Muitas vezes essa dor insiste em ficar, trazendo lembranças da pessoa que amamos. Claramente, quando acontece ficamos perdidos e sem saber o que houve. Nossa mente a todo o momento busca um jeito de por fim ao sofrimento. Ás vezes nós somos enganados por nosso psicológico, ele nos leva a achar que entrar em uma nova relação seria a solução. Procurando por pessoas que saibam resolver problemas conversando, e não, se afastando ou agindo de forma infantil. 

Amar é como dirigir numa rua sem saída, mais rápido que o vento, apaixonando-se como o pecado.  Acaba tão de repente. Amar é como tentar mudar de ideia, uma vez que você já está voando em queda livre como as cores no outono. Tão fortes, antes de esmaecerem.
Perder foi azul, como se eu nunca tivesse conhecido. Sentir a sua falta foi cinza escuro, completamente sozinha. Esquecer foi como tentar saber sobre alguém que nunca conheci. Mas amar foi vermelho, lhe amar foi vermelho. 

Oh, vermelho

Vermelho ardente

Seu toque me fez perceber que tudo o que eu queria, estava na minha frente. Memorizar seu rosto, foi tão fácil quanto saber todas as palavras, da sua velha canção favorita. Brigar foi como tentar resolver palavras-cruzadas e perceber que não há resposta certa.

Lamentar foi como desejar que você nunca tivesse descoberto, que o amor pudesse ser tão forte. 

A lembrança dele vem em flashes, em ecos, timbres e risos.  Digo a mim mesma que agora é a hora, tenho de deixar rolar. Mas seguir em frente depois de tudo isso é impossível, quando ainda vejo tudo na minha cabeça em seus monótonos vermelhos.

Ou até em seus momentos mais importunos, quando a bipolaridade sobe ao psicológico e deixa os vermelhos, azuis e cinzas escuros, transformarem-se em uma arte entre tintas sobre tela, escorrendo em proporções duradouras. 

Arte essa de machucar o que já está quebrado em milhares de pedaços pontiagudos, que ferem internamente, de deixar sem estribeiras para me apoiar, pois me queria fora dos trilhos.

Sem equilíbrios. 

Os ventos que às vezes levam algo que amamos, são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar. Por isso não devemos chorar pelo o que nos foi tirado, e sim, aprender a amar o que fica á nossa presença. Pois o que realmente é verdadeiro, não se deixa fluir, nem mesmo nas tempestades mais fortes. 

Palavras são poucas quando o tema é direcionado a Dinah Jane, ela sem duvida alguma, era o tipo de pessoa capaz de lhe fazer prender em seus pensamentos como imã e magnetismo. Foram poucas as vezes que tive um 'momento' com Jane, mas foi tempo suficiente para analisá-la de todas as formas possíveis, era uma mania minha. 

A elegância dela é algo que sempre vai surpreender as pessoas. Pode estar havendo uma guerra bem na sua frente, ou o que seja, ela sempre haverá de estar de cabeça erguida e usando palavras aveludadas e em tom calmo. É aquela elegância genuinamente feminina, sem deixar de ser forte, seu olhar sempre tão intenso, recepcionando á todos, independente de quem seja, com sua ampla e brilhante fileira de dentes, quando seus lábios se encontram curvados. 

Capaz por me causar sensações estranhas. Porém de um modo bom, jamais sentido antes. 

A loira tinha seus ombros tensos, um sorriso capaz de romper seus lábios, sorriso esse que tomou minha atenção por poucos segundos, segundos gloriosos. Alcancei sua mão e gentilmente a peguei sentindo-á gélida e macia, talvez fosse típico de Dinah, elevei aos lábios curvando levemente minha coluna, podendo assim, beijar uma pequena proporção das costas de sua mão. Apoiou sua mão livre sobre o peito sorrindo abertamente, enquanto seus olhos tão intensos penetravam ardentemente minha alma ao visivelmente observar a vivacidade e o brilho entre eles. 

Quem precisa de um vermelho ardente, quando se tem aquele imenso oceano castanho em sua frente!? 

:- Tem alguma preferência? - Lhe conduzi até o centro da enorme sala onde nos encontrávamos. 

:- Me surpreenda. - Piscou e eu ri. 

O espaço era consideravelmente bom para nós, não iria arriscar algo avançado demais com a mesma, não queria ser a responsável por alguma queda ou algo do gênero. Queria apenas aproveitar aquele momento.

Me afastei, deixando-a encarar o espelho que moldava suas curvas, como quem que conversa com seu próprio reflexo. Peguei o pequeno controle, facilitava minha vida em todas as aulas, apertei o botão principal, aquele mesmo detalhado em vermelho, deixando assim, ecoar a melodia tão bem conhecida por mim em todos os cantos daquela sala. 

:- Vejo que facilitaram as coisas por aqui. - Comentei percebendo a mais alta reconhecer tais notas sonoras.

Afirmou sem tirar a atenção do espelho, ainda com um sorriso que encobria seu rosto de tanta vivacidade. Me posicionei por trás da mesma, que rapidamente me encarou, agora, frente a frente com a minha presença. 

:- São acordes bem conhecidos por mim. - Disse radiante enquanto peguei novamente em sua mão. - Afinal, são os meus prediletos. - Riu quando girei seu corpo em seu próprio eixo. 

Parou tão próxima, que poderia sentir seu tronco colidir contra o meu, seu peito pressionado ao meu corpo, sua respiração unir-se junto a minha, formando uma única. Devidamente ruborizadas estavam suas maçãs do rosto, seu olhar que intercalava entre o meu e minha boca, um sorriso de canto, e agora dava as costas mais uma vez, encaixando perfeitamente seu corpo a estrutura do meu. 
Enquanto ambos meus braços envolveram seu quadril, pude sentir o modo descompensado da sua respiração. Passei a cantar de modo baixo os versos singelos que refletiam contra as paredes, ecoando em toda a extensão daquele cômodo, na esperança de lhe acalmar. 


Mama said, you're a pretty girl
( Mamãe disse 'você é uma garota linda' ) 
What's in your head it doesn't matter
( O que você tem na cabeça não importa )
Brush your hair, fix your teeth
( Penteie o seu cabelo, corrija os seus dentes ) 
What you wear is all that matters
( O que você veste é tudo o que importa )

 

Cada palavra que saía por minha boca, tomava uma certa atenção da loira que tinha seu corpo ao meu e os olhos devidamente fechados relaxando seus ombros, que antes se encontravam tensos. Nesse mesmo momento, deixei-me por sussurrar ao pé do ouvido, vendo-a sorrir através de nossos reflexos.

Não sabia se as pessoas se tornavam desinteressantes, ou se proporcionei a mim mesma, desinteressada pelas mesma histórias. Mas Dinah parecia diferente diante meus olhos, aquela que não guarda nada, mas ao mesmo tempo, esconde tudo. Parece dizer na cara, e no mesmo momento, calar-se. Como um artista, aquele que é capaz de transformar a solução num enigma. 

Um enigma inofensivo que se torna terrível pela nossa própria tentativa furiosa em interpretá-lo como se ele tivesse uma verdade secreta. Mas aquele parecia ser o jeito de Jane, aquele que queria estudar, assim como os detalhes de sua face, como as constelações mais desejadas.


Just another stage
( Apenas mais uma etapa )
Pageant the pain away
( O concurso tira a dor )
This time I'm gonna take the crown
( Desta vez, vou ganhar a coroa )
Without falling down, down
( Sem cair, cair )

 

Queria saber de suas manias, todas elas, de suas histórias mais loucas e aventuras mais perigosas. Queria também descobrir o que seus olhos queriam me dizer, quando me fitavam e analisavam cada proporção do negro dos meus. 

Olhar esse que que agora me encarava. 

Havia desvencilhado rapidamente seu corpo, fazendo com que tivesse meu cenho franzido. Tudo se esclareceu, envolveu meu pescoço de modo aconchegante, tinha uma de suas mãos afagava meus cabelos próximos á nuca, provocando-me ondas de eletricidade subindo pela espinha de modo vasto, arrepios

Entreabri meus lábios, decidida em continuar, porém o sussurrar de sua voz tornou-se presente, podendo admirar não somente o rosto de traços angelicais com os olhos fechados, assim como o timbre de sua voz. 
 
Pretty hurts
( A beleza machuca )
We shine the light on whatever's worse
( Evidenciamos o que temos de pior )
Perfection is the disease of a nation
( A perfeição é a doença da nação )
Pretty hurts
( A beleza machuca )
We shine the light on whatever's worse
( Evidenciamos o que temos de pior )
Tryna fix something
( Tente reparar algo )
But you can't fix what you can't see
( Mas você não pode reparar o que não consegue ver )
It's the soul that needs the surgery
( É a alma que precisa de cirurgia )

 

A cada palavra, parecia ter algo direcionado á mim, a cada pronuncia, parecia colocar todo e qualquer sentimento, como se liberasse todos de uma única vez. Apertei seu corpo contra o meu, que prontamente retribuiu, apoiei seu queixo sobre meu ombro direito, deixando que seu perfume, fosse mais conhecido por minha pessoa ao invadir minhas narinas sem pudor algum. Sem antes deixar um pequeno beijo sobre seus cabelos. 

Tinha um aroma único. 

Dinah Jane era única.


Blonder hair, flat chest
( Cabelo loiro, seios pequenos )
Tv says bigger is better
( A Tv diz que quanto maior, melhor )
South Beach, sugar free
( Praia do Sul, sem açúcar )
Vogue says
( A moda diz )
Thinner is better
( Que mais magra é melhor )

 

Sorriu.

Aquilo tirava meu fôlego. 


Just another stage
( Apenas mais uma etapa )
Pageant the pain away
( O concurso tira a dor )
This time I'm gonna take the crown
( Desta vez, vou ganhar a coroa )
Without falling down, down
( Sem cair, cair )

 

Deixe-me observar o modo no qual nos encontrávamos, o sussurrar de sua voz ecoando em meus ouvidos, enquanto nossos quadris se chocavam lentamente em uma sintonia lenta.


Pretty hurts
( A beleza machuca )
We shine the light on whatever's worse
( Evidenciamos o que temos de pior )
Perfection is the disease of a nation
( A perfeição é a doença da nação )
Pretty hurts
( A beleza machuca )
We shine the light on whatever's worse
( Evidenciamos o que temos de pior )
Tryna fix something
( Tente reparar algo )
But you can't fix what you can't see
( Mas você não pode reparar o que não consegue ver )
It's the soul that needs the surgery
( É a alma que precisa de cirurgia )

 

Sussurramos no mesmo tom, sintonia, ritmo e melodia. Os versos simples, de grande efeito.

Dinah tinha um grande efeito sobre mim, algo que nem ao menos sabia descrever.

Imprevisível até certo ponto.

Tais atos fizeram com que a loira tivesse seu olhar sobre o meu, em meio a diferença de altura, tinhamos nossas testas praticamente coladas.


Ain't got no doctor or pill that can take the pain away
( Não há médico ou remédio que tire essa dor )
The pain's inside
( A dor está lá no fundo )
And nobody frees you from your body
( E ninguém te liberta do seu corpo )
It's the soul that needs surgery
( É a alma que precisa de cirurgia )
It's my soul that needs surgery
( É a minha alma que precisa de cirurgia )
Plastic smiles and denial
( Sorrisos de plástico e negação )
Can only take you so far
( Podem somente te levar para mais longe )
And you break
( E você se destrói )
When the paper sign leaves you in the dark
( Quando o contrato te deixa na escuridão )
You left a shattered mirror
( Você deixou o espelho estilhaçado )
And the shards of a beautiful girl
( E os cacos de uma garota bonita )

 

Poderíamos prosseguir, se não fosse seu rosto tão próximo ao meu, nesse momento suas esferas amendoadas e castanhas me fitavam com o doce olhar somente seu, contestei mentalmente o modo no qual encarava-me sem pudor, sem barreira que nos afastasse. Como se perigosamente seus braços alinhavam-se junto as rédias do futuro, tão sublime que me perdia naquele transe. Nossos lábios que pareciam se encaixar perfeitamente estavam tão próximos a ponto de me fazer esquecer qual é a razão de eu estar naquele lugar.

Como se o nossos mecanismos motoros estivessem interligados, aclamava por maior contato.

Mas o que estava fazendo? Eu não sabia de basicamente NADA de Dinah, o nada que poderia se resumir a muita coisa. Porém em vão. 

Seus lábios, que pareciam ser tão doces e suculentos como pêssego, pareciam atrair mais ainda minha atenção. Teria tomado os mesmos para mim em um beijo de completo desejo, se não fosse o apagão que nos cercou, nossos corpos se afastaram bruscamente devido ao susto. 

:- O-o que aconteceu? - Perguntou receosa.

Movimentei meus ombros indicando a mesma dúvida que a mais nova ali presente. Coçei a nuca me afastando mais alguns passos indo ao encontro do interruptor, que parecia fazer perfeitamente seu trabalho. Quando tentava ao menos acender as luzes, a passagem de um sinal em um circuito elétrico eram rompida, assim, deixando ambas naquela escuridão desprezível. 

Maldita escuridão. 

A mais nova olhava simultaneamente para os lados, na esperança de encontrar algo em meio ao escuro. Não hesitaria em me aproximar, embora não estivesse completamente em plena noite, o enorme nada podia muito bem vir a nossa presença, toquei lentamente seu ombro, quebrando qualquer outro susto que poderia sentir.

Pareceu funcionar pois não ouvi suspiros, muito menos gritos agudos. 

:- Por favor, fique aqui. Vou ver o que posso fazer. - Ela afirmou.

Deixei que minha mão, antes em seu ombro, deslizasse sobre seu antebraço, e quando já pronta para partir daquela sala. Pude sentir novamente a mesma maciez e temperatura gélida. 

Meu olhar caiu sobre nossas mãos devidamente encaixadas, subindo pelo corpo escultural, indo a encontro daquele imenso oceano castanho que Dinah tinha em seus olhos.

Era um prazer contempla-lo.

:- Não dem-more, e-eu imploro. - Ditou trêmula.

Aquilo de alguma forma tocou o fundo do meu peito. Seus olhos transmitiam medo. Deduzia não ser do escuro por si próprio, mas da ideia na qual apresentava quando se está presa em lugar, e nem ao menos poder enxergar seu próprio corpo. Apenas ouvir respirações, sem saber se está sendo observada, ou é apenas sua mente lhe pregando mais uma de suas tantas travessuras.

:- Eu não irei. - Disse firme e pressionei meus lábios contra sua testa em um pequeno beijo. 

Ela sorriu amarelo enquanto me via fora de seu campo de visão a cada passo monótono. Mesmo perto, era complicado observar cada detalhe de seu corpo.

E que corpo. 

Girei a maçaneta da porta envidraçada, deixando-a dobrar as dobradiças que lhe sustentavam na batente. Acelerei alguns passos que seguiam pelo corredor, todas as portas devidamente fechadas, as fechaduras já não supriam mais minhas esperanças de encontrar alguém por aquele ambiente silencioso. Passos lentos, porém com expectativa de que aquilo tudo se normalizasse, foi em vão, pois sabia que quanto mais os minutos se passassem, mais a noite viria a cair.

E o escuro prevalecer. 

Me encontrei ao topo da escada, podendo enxergar em perfeito ângulo, o saguão daquele estabelecimento, apoiei ambas minhas mãos, sobre os corrimões, evitando qualquer queda, por mais difícil de acontecer. Bastaram alguns degraus, para que ao tocar a ponta do meu pé direito na estrutura amadeirada - agora pela metade, havia descido uma boa parte. - para ouvir o ruído da madeira por baixo de mim, fazendo-me assustar com o barulho importuno até demais. 

:- Finalmente. - Murmurei ao encontrar as lanternas desejadas.

Estava a pelo menos cinco torturantes minutos, procurando pelas demais gavetas daquele balcão, algo que facilitasse nossa situação naquele momento. Sabia que a senhora antipática de todos os dias, poderia servir em algum momento. 

Não sabia qual.

Porém a diversidade de coisas dentro dos compartimentos do balcão, poderiam resolver muitos dos prolemas da localidade. Girei meus calcanhares pronta para voltar ao encontro de Dinah, porém me apressei quando ouvi o grito da mesma ecoar distante. Foi o suficiente para subir aqueles mesmos degraus anteriores como uma bala após disparada pelo gatilho. 

:- O que houve? - Perguntei me aproximando da loira que tinha sua cabeça baixa.

 

Encarou-me com os olhos marejados, em meio a soluços baixos e os joelhos envolvidos em seus próprios braços. 
Atos possivelmente vistos devido a luz da lanterna em mãos.

Me aproximei em passos lentos, confesso ter o receio me torturando mentalmente, não sabia o motivo de suas lágrimas nem dos soluços involuntários, da face abatida ou até mesmo da ponta de seu nariz avermelhado. 

Sentei-me ao seu lado deixando que minhas costas fossem apoiadas contra a parede branca. Meu primeiro ato foi abraçar sua cintura, não sabia o motivo, pensei rápido o demais, e estava rezando mentalmente para que não recuasse ou me xingasse por algum ato involuntário.

Embora a segunda opção fosse um pouco impossível aos meus olhos, realmente não lembrava de nada que havia feito, ou dito, para deixá-la naquele estado. Porém sentir seu corpo recuar, seria doloroso e apenas floresceria minha curiosidade. 

Mas indiferente de todos os conceitos, ela não recuou, xingou, afastou-se ou até mesmo virou seu rosto. Era sim imprevisível, isso me torturava. Apoiou sua cabeça em meu ombro enquanto pouca de suas lágrimas escorriam, deixando seu rosto com um certo brilho.

Um brilho doloroso, aquilo trincava meu coração de uma forma que nem eu mesma sabia explicar.

Beijei o topo da sua cabeça sentindo mais uma vez o aroma do seu perfume. Aquilo enchia meu pulmão, inflando meu peito, com um sorriso bobo nos lábios. Sorriso esse que cedeu quando o vento forte do lado de fora, batia contra as janelas, dando a sensação de algo se quebrando, por sorte uma pequena ilusão. A força poderia levar as paredes  tremerem tanto quanto as estruturas de uma balada com o som ao último volume.

:- Como consegue se manter firme em meio a essa tempestade? - Percebi que seus olhos avermelhados me fitavam exigindo alguma explicação. 

Suspirei. 

Miami costumava ter um clima quente e o ar abafado. Levando a algumas tempestades quando a mudança climatica é precóce, o que vinha acontecendo nos últimos dias. Em meio aos botões que se abriam, a primavera tomava conta de toda extensão da cidade, o calor era presente, a chuva mais ainda. Era comum, muito comum desastres climáticos, podendo atrair até mesmo pequenos ou grandes tornados ou tufões. 

Por nossa sorte, eram apenas ventos fortes, sem nos causar algum risco fora do comum.

:- Costumavam me dizer, que quando a pedra está no caminho, significa que há esperança de lhe fazer tropeçar e cair alguns degraus da escada da vida...

:- Um obstáculo. 

:- Exatamente. - Sorri amarelo e sem vida.

:- Mas até quando eles podem nos testar? Nem sempre somos firmes para permanecer em pé. 

:- Eles estão por toda parte. - Afirmou em concordância secando suas próprias lágrimas com as costas da mão. - Quem apenas enxerga a superfície, não consegue ver o que acontece nas profundezas. 

:- Assim como quem vê sorrisos, não imagina a dor que sente o coração. - Encarou o chão que nos acolhia. 
Suspirei.

Mais uma vez suas palavras pareciam ser direcionadas para mim, em uma intensidade jamais entendida por mim. Deveria estudar mais sobre quem se nomeia Dinah Jane.

:- Por isso apenas vão querer seu pior, vão querer que sinta a dor, que chore e que grite. Os obstáculos não se importam se você irá cair, ou continuar, eles estarão no seu passado, presente e futuro. - Limpei minha garganta tomando sua atenção. 

:- E as palavras que imploram para que tudo isso termine? 

:- Atos podem desmentir quando provam o contrário. - Franziu o cenho. - Creio que começar um livro e ler poucas páginas pode levar a curiosidade se não prosseguir ao final da história. 

Umedeceu seus lábios passando a ponta de sua língua entre eles, ressacados por sua respiração desconpensada anteriormente devido ao choro preso em sua garganta. Meu olhar caiu sobre os mesmos rapidamente.

:- Seria em vão, pois iriamos criar expectativas, ou até finais felizes. Porém não saberíamos se é a verdadeira história escrita em meio aquelas páginas. - Completou.

:- Então qual o motivo de começar algo e não ir até o fim? - Coloquei uma mecha de seu cabelo para trás de sua orelha, podendo observar mais claramente seu rosto. 

Ela se calou, parecia pensar. 

Estava distante daquela realidade.

Nota mental, Dinah conseguia me surpreender apenas com o silêncio.

:- Ficar na curiosidade e suprir a dor sentida com doses de uma bebida, ou até mesmo, em um novo recomeço. - Disse incerta.
Parecia transmitir dúvida. 

:- É assim que vê seu futuro? Tentando suprir a dor? Viver na curiosidade? - Afirmou. - Não seria melhor tentar um novo caminho?

Sem atalhos ou sinais cruzados?. No meio dessas pedras que lhe atrapalham, existe um caminho.
Seus olhos que me fitavam, transfomaram-se em um opaco constante quando abaixou sua cabeça. Aquilo estava me machucando de alguma forma. 

:- Mas coisas do gênero apenas acontecem com pessoas boas, eu nunca fiz mal a algo ou alguém. - Suspirou. - Droga... - Pude lhe ouvir sussurrar e encobrir seu rosto com ambas as mãos. 

Seus atos me fizeram questionar-me mentalmente enquanto juntava as sobrancelhas em confusão. 

:- O que aconteceu? - Deslizei minha mão que antes abraçava sua cintura, por toda estrutura de suas costas.

Arqueou a mesma ainda de cabeça baixa.

:- Esse é o meu defeito, falar demais, entender demais, agir demais, me entregar demais, amar demais e por fim...Me ver no fundo do poço mais uma vez. - Respirou fundo.

O modo embargado que soava sua voz, me fez colocar-me em seu lugar. Lhe abracei novamente, um abraço aconchegante e reconfortante, aquilo estava me matando por dentro. 

Ela se aninhou em meu peito, parecia querer segurar o choro. Quando passou seus braços por baixo dos meus deixando suas mãos apoiadas sobre meus ombros, parecia um tanto quanto confortável. 

:- Gosto de incentivar, o mundo já está cheio de críticos... - Sussurro deixando meu nariz passar sobre sua bochecha em uma carícia, parecia estranho, mas causava uma boa sensação.

Sabia pois novamente pude ver um sorriso em seus lábios.

Fraco, mas um sorriso, certo!? 

Afundou seu rosto em meu peito respirando fundo enquanto proporcionava seu corpo a sentir a carícia que ainda fazia sobre suas costas. Deixando que o silencio novamente viesse a tona. 

Levei uma de minhas mãos ao chão, iluminando tal área com a única lanterna entre nós, pude pegar o aparelho portátil, que consiste de uma caixa de material transparente ou translúcido no interior da qual se acha de uma pequena lâmpada elétrica. Num cilindro de metal, sua base. 

Entreguei a loira, que se divertiu acendendo e apagando a mesma involuntariamente.

Gostava de lhe ver descontraída. 

:- Veja isso. - Apontou a fonte de luz em direção ao teto, podendo iluminar aquela área, encarando o forro artesanal. Optei assim. Levou uma de suas mãos, aquela que na qual não segurava a base metálica deixando-a em frente a luz, não muito próxima, nem muito distante.

Uma distância parcial, mediana.

Ri quando movimentou a mesma sem sair da fosca luminosidade que se mantinha na mesma direção. A sombra lhe divertia, provocando gargalhadas gostosas, contagiantes. 

Dinah podia ser comparada com um bebê de acordo a sua mentalidade muitas vezes infantil. Tinha bochechas gordas e geralmente rosadas, nem que seja por sua camada matinal de maquiagem, os olhos brilhantes e um sorriso capaz de provocar olhares e atenção de todos. 

Perdidamente perfeita. Não tinha palavras capazes de descrever quando o assunto é a mulher que se encontrava ao meu lado. Mulher essa tão cheia de fases quanto a lua, uma hora pode ser uma criança encoberta pelo medo, de olhar baixo e face assustada. Tão rapidamente, poderia ser aquela de pose adulta - embora mal soubesse sua idade - e queixo erguido, olhar frio e seriedade provocadora de calafrios.

As vezes me questionava como alguém poderia ser tão bipolar.

Ou se eram meus olhos capazes de me deixar em dúvida. 

:- Normani? - Chamou minha atenção, o que me causou certa duvida.

Ela abaixou seu olhar, e por nítida curiosidade, o segui, parando sobre minha mão, que pousava sobre sua coxa coberta pelo justo tecido de sua calça social. Rapidamente me recompus, tendo meus olhos levemente arregalados.

Respirei fundo e pude ouvir sua risada soar novamente, pegou tão sutilmente minha mão, que pousou a mesma sobre a pele coberta de sua coxa, deixando agora, sua mão sobre a minha e seus lábios sobre minha bochecha.

Mesmo em meio ao escuro e minha pele negra, pude perceber que notou minhas bochechas devidamente vermelhas.

Apoiei minha cabeça na parede, enquanto me perdia em seus atos. Ela parecia se divertir. 


... 

 

Estávamos naquela situação, a pelo menos uma hora, o vento e a chuva forte haviam passado, porém a escuridão ainda era presente. Eu temia para a bateria daquelas lanternas durasse pelo menos até tudo voltar ao comum. 

Porém cheguei a minha principal questão. Nada é comum perto de Dinah, nem mesmo minha própria respiração. Gostava da aproximação que tinhamos em tão pouco tempo, ela parecia ser confiável a ponto de poder guardar meus maiores segredos. Mas, eu não seria capaz de desvendá-los nem a mim mesma.

Porque com uma 'estranha'?

Até o momento entretida, sombras indecifráveis, sem sentido algum. Talvez algo significativo para Jane, mas aos meus olhos, eram apenas suas mãos transparecidas no teto através das singela sobras.

Mistura da escuridão e luminosidade.

Tudo ou nada.

Sem energia, o censor da porta principal não funcionava. Embora com a cabeça desnorteada, e pensamentos além, nem ao menos imaginei o fato de poder seguir pela porta dos fundos.

Eu não seria louca de sair em meio a aquela tempestade, e muito menos deixaria Dinah partir naquele momento.

Apenas me importava.

Apenas...

Havia me contado que o motivo de sua presença, era buscar sua irmã mais nova, Regina. Eu estava certa em questão ao sobrenome, eram sim as mesmas pessoas. A mãe de ambas que viria lhe buscar, mas convenhamos, Miami aos fins de tarde era terrívelmente congestionada. Deveria ter repensado em seus conceitos, Srta.Hansen. 

Não consegui prestar total atenção, pois meus olhos estavam caídos aos seus olhos, de modo discreto, enquanto as palavras dançavam em sincronia nas quais eram pronunciadas. Estava tão distante que mal poderiam ser ouvidas por mim. 

Ela gargalhou quando lhe contei o verdadeiro motivo de não encontrar a mais nova quando botou os pés dentro de minha sala, pelo visto Dinah não teria mais nenhuma torta de amora em seu refrigerador. Comentou o quanto amava degustar os frutos avermelhados. 

Era a real razão de sua pele ter o aroma de Framboeza. 

Fiquei feliz, pois ao menos, não havíamos ficado naquele silêncio um tanto quanto constrangedor. 

Me encontrava com a cabeça sobre seu ombro esquerdo, ela que tinha sua principal diversão, a lanterna em mãos, ainda no monótono jogo de sombras, brincando contra seu corpo, seus atos e suas risadas quando via algo engraçado o suficiente em meio a movimentos em frente a fonte de luz. Com a mão curvada, formando um 'meio coração', franzi meu cenho vendo-a que automaticamente parou com qualquer som que pudesse sair de sua boca.

Havia reprimido seus próprios lábios.

Ela estava intacta, analisando a curvatura e os detalhes de sua própria mão. Saiu de um pequeno transe quando completei aquela sombra com minha mão livre, formando assim, um coração quase perfeito. 

Ergueu uma das sobrancelhas, no mesmo momento nos entreolhamos, o que levou ao contato total de ambos nossos lábios.

Arregalei levemente meus olhos, enquanto imaginava que suas bochechas se encontravam em seu tom corado, estavam normalizadas, sua face séria, agora com um sorriso entre os lábios, me proporcionando aquele sorriso que tanto idolatrava em tão pouco tempo.

Ela me encarou nos olhos, naquele momento pude me ver perdida na escuridão, sem saída, ou escapatória. E estava achando aquilo...

Bom!? 

:- Ow... - Sussurrou percebendo todo o ambiente se iluminar, fazendo-me fechar os olhos com força.

A mesma sensação de acordar com o sol refletido sobre sua face, queimando suas pálpebras, quase lhe deixando cega, exagero, eu sei, mas doloroso. Foi exatamente o que havia sentido.

Ela riu.

Desliguei as estruturas metálicas, não seriam mais necessárias.

Senti seu corpo distante, quando usou o chão como apoio para suas mãos, tornou a levantar lentamente evitando qualquer queda.

Assim feito, estendeu suas mãos em minha direção, nas quais encarei por longos segundos até reagir e segurar em ambas, tomando impulso para me ter em pé. 

E mais uma vez ela podia ser capaz de me surpreender com poucas atitudes, envolveu tão forte minha cintura em seus braços, que poderia sentir meus ossos se estalarem, e meu pulmão queimar devido ao oxigênio que aos poucos me faltava. Retribuí de tal modo e ficamos ali por alguns minutos enquanto negava seus agradecimentos.

Nada que palavras e alguns atos pudessem lhe ter sorrindo. Eu me julgaria em ver suas lágrimas e fazer absolutamente nada.

Sentia que era necessário reagir.

Iria fazer algum sentido daqui para frente, talvez. 

:- Irei ligar, gosto da sua presença e não me agrado quando deixada de lado. - Riu jogando suas madeixas para trás do ombro, falando enquanto fazia gestos com as mãos. - Sinto que é diferente e gostaria de ir além. 

Sorri.

:- Estarei a disposição, qualquer coisa, pode vir me procurar por aqui. - Pisquei coçando minha testa em nervoso, vendo-a se afastar. 

Pegou sua bolsa ao canto da sala, ajustou sobre seu ombro enquanto arrumava alguns fios rebeldes em frente ao grande espelho.

Vaidosa como uma flor. 

Jogou um beijo antes de sair por a fora, sorri acenando brevemente enquanto tentava controlar minha respiração, com os olhos fechados, ao centro da sala, as mãos no peito e os cachos negros caindo sobre minha face.

Estava eu delirando. Aquilo seria mais um sonho conturbante de uma madrugada incomum!? 



Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que,  somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. 


Notas Finais


Queria pedir desculpas se o capítulo não foi o que esperavam, é que não me sinto bem psicologicamente, tentei ao máximo não transmitir no capítulo e afetar a história de alguma forma. O motivo da demora.

A música usada no capítulo foi 'Pretty Hurts' da Beyoncé, o link estará abaixo.

[ https://www.youtube.com/watch?v=LXXQLa-5n5w ]

Até a próxima, XoXo 💙💜


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