História Doce Vingança - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Pain, Sasuke Uchiha
Tags dvd, Lemon, Naruto, Sasuke, Sasunaru, Yaoi
Exibições 344
Palavras 6.666
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Capítulo 9 - Que os deuses estejam conosco


Pain lambeu os lábios após beber um gole do vinho. Sasuke olhou para a bebida e depois para ele, como se quisesse a resposta para uma pergunta um tanto quanto óbvia. Sorriu minimamente, cruzando os braços sobre a mesa e fitando o chão por um tempo antes de responder:

— Não irá te matar se é o que está pensando.

Sasuke arqueou a sobrancelha, debochando da informação inútil. Era óbvio que qualquer que fosse o veneno naquela taça não iria o matar; se Pain o quisesse morto, já teria tomado as providências, não precisaria arrastá-lo até o clã para aquilo. A boca seca pela viagem o atormentou e riu sem humor ao constatar o quão bem planejado tudo aquilo fora. Apesar de aguentar são passar dois dias sem beber ou comer, Pain o havia feito andar de um clã ao outro e, no último trecho da viagem, havia lhe privado de água ou comida. Não desconfiara, achara que era pressa apenas, uma vez que ninguém mais comeu, contudo, bem à sua frente estava a razão da atitude. Seu estômago se contorcia em súplica por comida, e a saliva que chegava à boca só reforçava a sede que o atormentava. Ver Pain beber tranquilamente o vinho também não ajudava em nada!

O que faria?

Tinha certeza que sua estada no clã Akatsuki levaria bem mais do que dois dias, uma hora ou outra teria que comer ou beber alguma coisa e duvidava que conseguisse ajuda de alguns dos servos da mansão já que os soldados sempre fiscalizavam suas atividades.

— Disseram-me que carneiro é uma das carnes que seu clã mais aprecia, Sasuke — Pain falou, tão natural que qualquer um que visse a cena imaginaria que nada mais era que um almoço entre bons amigos. — Pedi que preparassem para... hum... comemorarmos a sua chegada.

— Gentil da sua parte comemorar um sequestro — Sasuke debochou e virou o rosto, descrente, quando Pain descobriu o prato onde a carne assada estava.

— Só será sequestro enquanto não quiser ficar aqui ou enquanto não concordar com minhas ideias, Sasuke. Importa-se? Não comemos muito desse animal, creio que saberá melhor como cortar — perguntou ao estender-lhe as facas.

Sasuke pegou os talheres e encarou Pain. O sorriso mínimo que ele lhe direcionava era a certeza de que não poderia ataca-lo mesmo com armas em mãos, não enquanto Himawari ainda estivesse prisioneira em algum canto da mansão.

Levantou-se e cortou o carneiro como já vira tantas vezes Itachi fazer quando se tratava de um jantar especial.

— Obrigado.

Sasuke respirou fundo e fincou as facas de qualquer forma na carne para então mirar Pain.

— Disponha. Não vai beber?

— Está envenenado.

— É claro que está, mas, como eu já disse, não irá te matar.

— Ainda assim, é um veneno. Prefiro não tomar.

Pain limpou a boca com um guardanapo e respirou fundo antes pousá-lo sobre o colo. Os olhos roxos ficaram sérios, e Sasuke soube que a paciência dele deveria ter chego ao fim naquele momento.

— Sasuke, você não tem escolha. Se não beber agora por vontade própria, meus soldados te segurarão enquanto te forço a beber. Tenho grande estima por você e, por isso, estou te dando a alternativa de nos poupar desse momento vexaminoso e tomar seu vinho por vontade própria.

Tudo era assim pelo que Sasuke pode perceber. Toda vez que Pain sugeria algo, dando-lhe a impressão de escolha, era somente impressão mesmo... Conseguia tirar algumas coisas disso, conseguia saber, por exemplo, que o líder Akatsuki sempre andava com dois ou três passos bem planejados à frente, o que dificultaria pegá-lo de surpresa. Também era nítido a obsessão por controle, por ser obedecido, por ver seus planos sendo executados tal como planejados.

A taça sobre a mesa esperava, pacientemente, e a sede crescia quando mirava o líquido rubro à sua disposição.

Orgulhoso, pegou a taça assim dois cinco soldados entraram na sala ao estalar de dedos de Pain.

— Ótima escolha. — Ouviu-o dizer, calmo, sem sequer parecer estar debochando.

Bebeu um único pequeno gole, mas o simples contato do líquido com sua língua o fez fechar os olhos e se amaldiçoar por não querer parar de beber.

— Toda a taça.

A ordem o irritou, e o sharingan despertou sozinho. Os soldados deram um passo para frente, porém Pain nem ao menos se mexeu. Ele esperava, segurando os talheres e comendo do carneiro enquanto assistia a Sasuke lutar entre o orgulho e o medo. Sorriu abertamente quando a taça vazia foi posta na mesa e, então, gesticulou para que os soldados os deixassem a sós.

— Pode comer. Como vê, a comida não está envenenada.

— O que bebi? — Sasuke questionou, abrindo e fechando as mãos sem notar diferença alguma no corpo.

— Apenas algo para deixá-lo mais... dócil.

Sasuke arqueou a sobrancelha, e o modo divertido com que a palavra “dócil” tinha sido pronunciada não o deixava muito contente.

— Se se comportar, se seguir minhas regras, deixarei que jante junto de Himawari a cada dois dias. Devo confessar que ela é uma Uchiha agradável, Madara deve se orgulhar, ela será uma alfa incrível.

— Himawari ainda tem algum tempo antes de descobrir se será ou não alfa. Como ela está? Já acordou?

— Já sim. Conversei um pouco com ela — comentou enquanto Sasuke se servia e começava a comer. — Interessante o modo como vocês Uchihas são, ela, apesar de se parecer muito com Hinata, possui a genialidade peculiar de seu Clã, Sasuke. É fascinante.

— Se gosta tanto do meu clã, não deveria querer atacá-lo.

— Mas eu não quero. — Pain pareceu ofendido. — Vocês me obrigaram. Vocês, os Hyugas e os Uzumakis, ao fazerem uma aliança e ao decretarem que os ômegas são... iguais, vocês me obrigaram a tomar uma decisão. Imagine o caos que seria se todos os clãs decidissem segui-los, se abandonassem nossas tradições, ignorassem nossa hierarquia, desrespeitassem nossos deuses! Vocês me obrigaram a agir, Sasuke, eu nunca desejaria mal aos Uchihas se não fosse por seu irmão começar a mudar as leis do seu clã. Tentei ser sutil, deixei que seu próprio Conselho tirasse Itachi do poder e colocasse alguém de minha confiança, mas eles falharam e, por isso, sou obrigado a tomar as rédeas da situação.

Sasuke arregalou os olhos e limpou a boca, deixou o guardanapo sobre o solo e cerrou os punhos.

— Você mandou o Conselho recrutar Kurenai? Aquela batalha estúpida que custou a vida de Obito foi você que arquitetou? — rosnou, liberando sua presença sem perceber. A faca na mesa pareceu atraída por sua mão, e Pain nem mesmo se mostrou intimidado com aquilo.

— Aprenda a ouvir, Sasuke. Eu disse que queria Itachi fora da liderança e que deixei isso a critério de seu Conselho. Foram eles que causaram aquela batalha sem explicação e que mataram o bastardo ômega de Madara. Pelo pouco que me conhece, acha mesmo que eu declararia guerra a Minato Uzumaki naquela época? Seu Conselho estava tão cego de ódio pelos Uzumakis que aqueles estúpidos acharam que podiam tirar Itachi do poder e, ao mesmo tempo, derrotar os Uzumakis logo quando estavam sob a liderança de Minato e Kushina.

As palavras pareciam verdadeiras, e Sasuke se perguntou se realmente havia motivo para Pain mentir naquela situação. Sua presença retrocedeu, e soube que aquele era um dos efeitos do veneno ao tentar parar o retorno e expandi-la, sem sucesso. Assim que ela voltou ao normal e seu sharingan se desativou, ofegou e soltou a faca.

O que era aquilo? Parecia que tinha corrido por dias, estava exausto. De relance, observou Pain voltar a encher sua raça e fechou os olhos para tentar recuperar o controle. Tudo bem, já havia entendido que usar sua presença ou o sharingan seria extremamente desgastante.

Pain não teve pressa ao abrir um pequeno frasco de líquido incolor e despejar na taça de Sasuke. Ofereceu-a a ele assim que os olhos negros se abriram e voltaram a fita-lo, assistindo-o com prazer todo o volume sumir da taça. Queria continuar ali para conversar, mas as três batidas na porta e a presença de Konan o lembravam de seus compromissos para com o clã. Desse modo, levantou-se e ajeitou as vestes. Com seu próprio guardanapo, aproximou-se de Sasuke e recebeu um tapa na mão ao tentar limpar-lhe a boca. Sorriu, divertido.

— Coma. Mais tarde, voltaremos a conversar.

Sasuke sentiu a cabeça pesar e não conseguiu responder. A sensação de exaustão confundia-se com a fome, e teve que se esforçar para comer e não desmaiar. Se tivesse que tomar aquele veneno todo dia para selar sua presença e sua força, nunca conseguiria sair daquele clã. Precisava pensar em algo, precisa urgentemente pensar em algo...

Pain encontrou Konan assim que saiu do quarto. Ela o esperava com dois rolos de pergaminhos nos braços e estendeu um assim que começaram a andar.

— Como nosso exército está? — ele perguntou ao ler sobre os estragos que a nevasca tinha causado em seu clã.

— Tsunade está terminando de organizá-los. Como somos um clã militar e emprestamos nossos soldados para a proteção pessoal de outros líderes ou comerciantes ricos, temos muitos ainda nos outros clãs. Tsunade se encarregou de escrever mensagens, exigindo que voltassem por você. Alguns já responderam e estão a caminho. Outros ainda não deram notícias.

— E o Conselho?

— Calados. — Ela sorriu. — Foi difícil convencê-los, mas, quando viram Sasuke atravessar nossos portões, decidiram se reunir novamente para repensarem sobre a guerra. Embora já estejam lá a horas, ainda não deram nenhum pronunciamento nem mesmo para Tsunade.

— E onde ela está?

— Treinando as tropas.

— Ótimo. Preciso que Tsunade continue com nossas tropas, treinando e fortalecendo nosso exército. Conseguiu o que te pedi?

— Sim — Kona assentiu. — Antes mesmo de chegarmos aqui, enviei uma mensagem para Tsunade para que e o Conselho começassem a explicar a todos como as atitudes do clã Uzumaki, Hyuga e Uchiha podem nos afetar negativamente. Basta sair nas ruas para ver que está dando certo. Soube que tudo que veio desses clãs, inclusive livros e obras de arte, foram queimados pela própria população. Organizaram uma fogueira na praça central e queimaram qualquer coisa que tinha a assinatura ou fizesse referência a nossos inimigos.

Pain parou de andar e virou-se, sério, para Konan.

— Nossa biblioteca está intacta suponho — ele disse baixo e estreitou o olhar.

— Sim. Todos os nossos documentos estão seguros e bem guardados, ninguém entra em nossa biblioteca sem autorização.

— Ótimo. Peça ao Conselho e a Tsunade que continuem, mas avise que não quero que o ódio da população caia sobre os Uchihas da mesma forma que os outros dois.

— Senhor? — Ela o olhou, confusa.

— Faça-os odiar os Uzumakis e os Hyuga principalmente, o ódio contra os Uchihas pode me ser um pouco inoportuno.

Konan franziu o cenho, sem entender o significado daquelas palavras, mas, ainda assim, concordou.

— E quanto ao nosso outro assunto? Precisarei enviá-la para convencê-lo?

— Talvez fosse melhor assim.

— Entendo. Preciso de você aqui para ajudar o Conselho por enquanto, mas fique preparada para partir, no máximo, amanhã à noite.

Konan assentiu e fez uma pequena reverência antes de sair quando Pain a dispensou.

Perto de uma das janelas do segundo andar da mansão, Pain parou para observar as ruas do clã, os portões, a floresta e o horizonte que abrigava o clã Uchiha. Sorriu, frio, cruel, e abriu as janelas para gritar:

— E então, Morte? Como estou me saindo contra seus preferidos?

O vento frio que entrou na mansão de repente cortou-lhe um pouco a pele do rosto e quase o fez cair para trás. Limpou o rosto e recuperou o equilíbrio. A imagem fraca da deusa o fitava, e Pain viu nitidamente a raiva que Morte quase nunca demonstrava.

— Harmonia é essencial para que o mundo continue a girar. Você pagará por a ter abalado — a deusa sussurrou e desapareceu rapidamente.

Pain fechou as janelas com força, ignorando os soldados que, distantes, encaravam-no, curiosos.

— Veremos, Morte, veremos...

* * *

Naruto sempre soube que Hinata era emotiva, mas Shisui? Não, ele era um beta! Não tinha cabimento a proposta que lhe fazia! Onde já se viu Shisui concordar com a ideia insana de Hinata?!

— Madara me matará assim que souber... — Naruto resmungou e tentou descer as escadas da mansão, mas Hinata passou rapidamente por si e parou à sua frente enquanto Shisui estava ao seu lado.

— É nossa única chance, Naruto — ela falou novamente. —Itachi não vai aguentar essa guerra terminar, não podemos esperar todo esse tempo para fazer o antídoto.

— Hinata, eu não ten-

— Ele vai morrer! — Shisui gritou, desesperado.

Hinata abaixou a cabeça, e Naruto suspirou e fechou os olhos. Entendia o desespero deles, pelos deuses como entendia! Itachi era alguém querido por todos, também se importava com ele e estava ciente de que metade do clã morreria junto se soubessem que o líder que mais amavam tinha os deixado. Mas deixar Hinata e Shisui saírem do clã em uma aventura para colher uma flor para o antídoto era outra história.

— Naruto, meu alfa vai morrer enquanto eu estou aqui, parado, sem utilidade alguma — Shisui falou, pausadamente. — Itachi vai morrer enquanto conversamos. Eu posso ser muito mais útil tentando buscar esse antídoto. Não me negue isso, você iria até o inferno se fosse por Sasuke, então não me peça para ficar aqui e simplesmente assistir Itachi morrer.

— Você tem ideia de onde estão essas flores, Shisui? — Naruto perguntou, apreensivo.

— Montanhas que cercam o clã Akatsuki.

— Vocês terão que contornar o clã deles para chegar às montanhas, vão ter que ignorar Sasuke e Himawari presos lá, terão que ir e voltar deixando os dois para trás. — Naruto olhou para Hinata e segurou as mãos dela. — Você consegue isso? Consegue ir ao lugar onde sua filha está presa e sair de lá sem tentar recuperá-la? — O silêncio dela o fez se virar a Shisui. — Viu? É por isso que não posso deixar que saiam.

Hinata ouviu os passos de Naruto se afastando, e o peso sobre seus ombros pareceu triplicar ao perceber o desespero nos olhos de Shisui. Himawari era sua filha, mas Shisui também era sua família assim como Itachi, e ela havia prometido sempre proteger sua família.

Você ainda está sob minha proteção, Hinata, não se esqueça disso.

Sim, era isso, tinha a benção de Justiça, tinha a proteção dela, não falharia.

— Naruto! Naruto, espere! — Correu pela escada e o parou antes que chegasse a porta.

— Hinata, por favor, pare...

— Não, me ouça. — Ela segurou as mãos dele em prece junto das suas. — Eu juro...

— Não faça isso... — ele pediu e tentou retirar as mãos das delas.

— Eu juro — Ela elevou a voz. — por todos os deuses, por Equilíbrio e pela balança de Justiça, juro pelo meu byakugan, que Equilíbrio pode tomar de volta para si caso eu falhe com minha palavra, eu juro por nossa família que eu e Shisui iremos às montanhas, colheremos as flores e voltaremos ao nosso clã sem nos desviarmos para tentativas vãs de resgaste a Sasuke e Himawari.

Os olhos perolados brilhavam pelas lágrimas contidas e encaravam Naruto, decididos e firmes. Uma voz no interior da cabeça dele dizia que era loucura, que não podia concordar com aquilo, que Madara organizaria as tropas assim que soubesse que sua ômega e seu filho haviam saído em uma missão que podia facilmente custar-lhes as vidas; no entanto, um calor o abraçava, um vento quente e conhecido o envolvia e parecia afagar seu coração como se sussurrasse de modo maternal que tudo estava bem, que Hinata deveria mesmo ir, que era a decisão correta a se tomar.

Além disso, Hinata havia jurado pelos deuses, por Equilíbrio e Justiça, e os deuses eram extremamente rigorosos com os juramentos que lhes eram oferecidos. Hinata não só perderia o byakugan se falhasse, Justiça e Equilíbrio podiam ir mais além na punição dela... Não, não queria nem imaginar o que aconteceria caso Hinata quebrasse sua palavra.

— Naruto... — ela sussurrou. — Por favor...

Engoliu em seco e olhou para Shisui, que aguardava impacientemente.

— Não poderei mandar tropas para ajudá-los ou resgatá-los — explicou, pesaroso.

— Não será preciso. Temos que ser discretos e em grande número isso não seria possível — Shisui respondeu. — Além disso, o exército precisa ficar aqui, Naruto, sabe bem disso. Precisamos ter uma casa para onde voltar com o antídoto.

— O que direi a Madara?

— Eu cuidarei de Madara — Hinata respondeu, hesitante. — Shisui, arrume nossas coisas, sairemos ao anoitecer. E, Naruto, preocupe-se com o clã apenas, você precisa ser um líder agora, não meu amigo, não o ômega de Sasuke, um líder, entende? Não se preocupe conosco quando já sabe o que estamos fazendo e por que, preocupe-se com seu exército, com os abrigos que terá que construir para a população, com o estoque de alimentos, com nossas fronteiras.

— Como posso governar um clã quando minha família está sendo morta ou separada de mim, Hinata?

— Você não está sozinho nessa, mas também não pode se preocupar com cada um de nós. Somos fortes. — Ela sorriu, doce. — Todos nós. E você precisa confiar na gente. Quando sairmos por essa porta nesta noite, prometa que nos esquecerá até voltarmos. Sua atenção precisa estar focada aqui, não em nós ou em Sasuke. Ele odiaria descobrir que perdemos a guerra porque privilegiamos seu resgate, não é?

Naruto concordou e sentiu os lábios de Hinata em seu rosto.

— Que os deuses estejam conosco.

— Que os deuses estejam conosco — ele repetiu assim que ela saiu e o deixou sozinho, porém, na verdade, em seu interior, ele sabia que os deuses não poderiam interferir ou ajudá-los daquela vez.

Respirou fundo, tinha compromissos com os conselheiros, mostrar-lhes seu plano de defesa. Saiu da mansão e caminhou pelo clã. As pessoas o cumprimentavam, amáveis, embora a preocupação estivesse visível em seus rostos. Sorriu para elas. Como líder, tinha que transmitir segurança, precisava ser um pilar para sustentar cada Uchiha sob sua proteção.

Com o fim da nevasca e o clima mais ameno, a neve cedia um pouco e deixava o caminho livre para o trânsito de pessoas e animais. Assim, não demorou a chegar no campo de treinamento onde Madara e os conselheiros estavam reunidos.

Madara... O alfa iria matá-lo quando soubesse que tinha autorizado Hinata e Shisui a saírem do clã. Só de pensar, seus instintos formigavam, alertando-o a recuar.

Madara franziu o cenho ao notá-lo na entrada do campo e caminhou até ele calmamente.

— Está tudo bem? — Madara perguntou ao parar ao lado de Naruto.

— Sim. E eles? — perguntou referindo-se aos conselheiros.

Madara bufou. Havia passado a manhã toda ouvindo os conselheiros e seus temores, estava cansado de tudo aquilo. A última vez que participara de um conselho de guerra daquele tipo havia sido na época de Fugaku e não tinha saudades daquela época.

— Na mesma. Se tivermos sorte, conseguiremos acabar com essa reunião antes do pôr do sol — Madara falou, cansado. — Só não entendo por que não nos esperou na sala de reuniões, Naruto. Não precisava vir aqui.

— Digamos que faz parte — respondeu ao avistar três soldados se aproximarem ao seu sinal.

Os conselheiros estavam inquietos, Naruto percebeu a racionalidade deles impedindo-os de pensar no todo em vez de só no clã Uchiha. E foi por isso que, depois de ouvir cada um, de considerar cada argumentação, chamou os três soldados e cruzou os braços.

— Precisamos de aliados — disse convicto. — Se os clãs Haruno, Inuzuka, Akatsuki e Névoa formarem uma aliança, nós, os Hyugas e Uzumakis estaremos cercados. Precisamos recorrer a mais aliados.

— Os clãs do sul não vão se envolver nessa guerra, Naruto, eles não se importam porque há o deserto Inuzuka entre todos nós e eles. A guerra não vai afetá-los — Madara contra-argumentou.

— Mas os Naras não se manifestaram... — Naruto explicou, um tom mais abaixo, ciente de que a ideia não era das melhores. — O líder novo está reerguendo o clã, e boa parte deles acha que Shikamaru Nara quase os matou por nada na última guerra. Há a possibilidade de conseguirmos trazê-los para nosso lado.

— Eles não ouvirão um Uchiha sendo que foi um Uchiha que matou o antigo líder deles — Madara interviu. — Não sei se lembra, Naruto, mas fui eu que matei Shikamaru.

— É por isso que acho que tem que ser você a ir até lá negociar essa aliança. Se conseguirmos, os Naras impedirão que nos cerquem, eles ficam entre o clã de Pain e de Orochimaru, é uma posição estratégica valiosa, Madara. Eu enviei uma mensagem para eles ontem. São um clã pouco numeroso e estão tentando reestabelecer os acordos diplomáticas que Shikamaru quebrou. Propus a eles uma discussão sobre um novo acordo e disse que talvez enviasse um representante de minha escolha para esse encontro.

— E é aí onde entro? — Madara levou a mão à testa, massageando a região enquanto tentava ver as chances de sucesso daquele plano.

— Exatamente. Quero que vá lá com três alfas de escolta para as negociações e para tentar trazê-los para nosso lado da guerra.

Não era um mau plano, Madara pensou, quer dizer, não seria um bom plano se Naruto não fosse o ômega que aceitou ser marcado por um Uchiha sob o teto dos Naras quando se discutia o casamento dele com Shikamaru; se não fosse Madara a ir negociar quando ele que matou Shyikamaru... A decisão estava na sorte, completamente na mão da sorte ou no bom senso do novo líder.

— Eles responderam sua mensagem, Naruto? — um dos conselheiros se manifestou enfim.

— Sim. Disseram que aguardarão nosso representante e juraram pelos deuses que o receberão de boa fé.

— Ou seja, que não vão nos prender em uma armadilha ou nos matar — Madara explicou rapidamente. — Quando quer que eu vá?

— Quanto antes, melhor. Não podemos dar a chance de Pain fazer uma proposta antes — Naruto respondeu, ansioso.

— Tudo bem, eu vou. Parto hoje à noite pela madrugada.

Madara quase pode ouvir Naruto agradecê-lo. Pediu permissão para se retirar e deixou Naruto conversando com os conselheiros. Entrou na mansão e seguiu direto para o quarto de Itachi. A luz entrava pela janela, e a presença do sobrinho estava harmonicamente fraca em todo o cômodo. Caminhou até ele e ouviu a porta sendo aberta atrás de si.

— Ele dormiu — Shisui explicou, breve.

Menos mal, Madara pensou.

— Antes disso, estava consciente. Falou um pouco comigo, mas logo a febre voltou e agora ele dormiu. O que Naruto decidiu, pai?

Shisui estava sentado ao lado da cama de Itachi, abatido, e Madara não quis dizer que teria que os abandonar justo naquele momento para ir atrás de alianças para a guerra. Bateu dois dedos na testa do filho e sorriu minimamente.

— Saberia se estivesse lá com os conselheiros. Não negligencie suas funções com o clã, Shisui.

Tinha ido ali para conversar com Itachi; para explicar a situação embora achasse que o sobrinho estivesse mal demais para entender o que dizia; para se despedir. Mas não o faria na frente de Shisui, apesar de admitir que o filho estava estranhamente mais calmo naquele dia.

O cheiro doce de Hinata se aproximou, e Madara olhou para porta, esperando que a ômega entrasse no quarto. Tinha que falar com ela, sabia que Hinata estava ansiosa e com medo de alguma coisa, sentia pela marca isso e estava esperando que ela viesse lhe contar o que tanto a afligia. Não era Himawari. Sabia que não. Ainda que nenhum dos dois conseguisse dormir bem sabendo que a filha estava longe e sendo mantida refém, os sentimentos que a marca transmitia de um para o outro quando pensavam em Himawari eram outros, mais leves, mais calmos, mais mornos.

— Ele dormiu? — Hinata perguntou, aliviada, ao não ouvir os gritos de dor de Itachi. — Que bom...

Ela caminhou até perto da cama e, com cuidado, tocou a testa de Itachi. Sem febre. Sorriu mais calma e virou-se para Madara. As mãos foram para trás do corpo enquanto ela se aproximava do alfa. Decidida, mas receosa, com medo, mas firme na decisão que havia tomado.

— Achei a cura para Itachi — falou quando as mãos de Madara pousaram em sua cintura. — O veneno é feito com a Flor de Éden. Basta eu ter a flor para que faça o antídoto.

Madara sorriu e olhou diretamente para Shisui, esperando ver no filho a felicidade que começava a surgir em si, contudo, foi a indiferença de Shisui à notícia que o fez perceber que ele já sabia. Franziu o cenho e olhou novamente para Hinata enquanto colocava as mechas do cabelo dela atrás da orelha. Como sempre, ela corou e sorriu, doce, porém os olhos perolados tinham algo diferente naquele dia.

— Nós não temos a flor, não é? — perguntou baixo.

— Não. Temos que a buscar — ela respondeu e deixou que seu aroma fosse liberado aos poucos. Tocou o peito do alfa com as duas mãos e as subiu lentamente, passando os braços pelo pescoço dele.

Madara suspirou, e seus instintos se acalmaram quando o cheiro característico lhe atingiu. Sorriu de canto. Hinata estava tentando convencê-lo de algo e estava jogando sujo para isso. Ela só se esquecia que ele era mais velho, que já conhecia aqueles truques.

— Hinata... — sussurrou em advertência. — Fale logo o que tem a dizer.

— Eu e Shisui vamos buscar as flores. Partiremos amanhã cedo para isso. Ou então Itachi morrerá.

Madara arregalou levemente os olhos e sua atenção foi de Hinata para Shisui para Itachi, como se aquilo fosse ajudá-lo a pensar melhor. Antes que falasse alguma coisa, Hinata colocou a mão em seu rosto e o virou para ela.

Os olhos negros mergulharam nos perolados, e a marca permitiu que Madara lesse a ômega como um livro aberto. Apertou-a, inconscientemente, mantendo-a parada e próxima a si.

— Não... — sussurrou tão baixo que achou que não tivesse dito.

Não. Já havia perdido Obito, Sasuke e Himawari sequestrada, Itachi envenenado, não arriscaria Hinata e Shisui na busca pelo antídoto, não aguentaria ter que se preocupar com eles também, não conseguiria...

— Não — repetiu enfático.

— Seu sobrinho vai morrer — Hinata segurou-lhe o rosto com as duas mãos. — O alfa do seu filho vai morrer, Madara. Nós temos a chance de salvá-lo, e é isso que vamos fazer.

Flor de Éden... Éden... O livro que Hinata lia falava algo sobre essa flor, e Madara sabia exatamente onde ela nascia. Soltou-se de Hinata, Shisui já estava de pé, a expressão suplicante... Não.

— Não me sigam — falou, sério, ao sair do quarto.

Eles iriam, não havia nada que pudesse fazer para impedi-los, conhecia bem sua ômega e seu filho para saber que nada os impediria. Não respondeu a ninguém, continuou andando pelo clã e não demorou a chegar na floresta.

Precisava de auxílio. Sem Itachi ali, precisava de alguém com quem pudesse conversar para entender melhor a própria mente e a situação em que o clã estava. Ele partiria à noite, Hinata e Shisui pela manhã, Naruto ficaria sozinho. Era muita responsabilidade nas costas de alguém que mal havia assumido a liderança.

Olhou ao redor, precisava dos deuses, necessitava ouvi-los! Mas qual? Destino nunca ouviu ninguém que não oferecesse um sacrifício de sangue, Vida provavelmente odiava seu clã, Equilíbrio nunca se importou com os Uchihas, Morte estava inacessível, Amor era sádico e nunca o aconselharia e Justiça, apesar de prometer proteger Hinata, ele e Himawari, havia deixado que levassem sua filha!

O ar frio o irritava e começava a entrar em seu corpo, repreendendo-o por não ter pego um casaco.

Marchou, sem pensar, e grunhiu ao se ver diante do templo de Morte como muitos de seu clã faziam. Inacessível, mas, ainda assim, a deusa protetora dos Uchihas. O cântico louvado à deusa era lindo, e quis fechar os olhos e ficar ouvindo apenas, entretanto, as portas do templo, para a surpresa de todos, abriram-se completamente, e cristais de gelo se uniram em um espiral antes de assumirem a forma da deusa.

Com a mão erguida à frente do corpo e os cabelos cacheados trançados rente a raiz até o meio da cabeça onde a trança acabava e deixava os cachos caírem soltos e belos para trás, Morte se fez presente e sorriu melancólica ao chamar:

— Madara, entre, meu querido.

A reverência que deveria fazer à deusa foi esquecida pois os pés já o levavam direto ao templo pelo caminho que as pessoas abriam para si. Subiu os degraus aos pulos praticamente, e as portas se fecharam assim que as velas e os incensos do templo se ascenderam.

Morte andou pelo templo e tocou sua estátua com ternura. Havia grama no chão e flores que se entendiam até onde os olhos podiam ver. Nas paredes, rosas trepadeiras de várias cores cobriam as pedras, entrelaçando-se e brilhando à luz das chamas. Borboletas voavam e, hora ou outra, pousavam na cabeça da deusa, formando uma tiara belíssima e só saindo quando Morte levava a mão aos cabelos para retirá-las com cuidado. O canto dos pássaros vinha ao longe, mas Madara não conseguiu ver nenhum, e Morte sorriu ao responder-lhe:

— São lembranças, o canto deles, por isso não verá animal algum embora os ouça. Eles estão aqui. — Ela levou a mão ao coração. — E, por isso, se materializam no templo. Alguns são pequenos e conseguem aparecer por completo, como as borboletas e as flores, outros são grandes ou complexos demais para reunirem força e, assim, só materializam partes de si. Interessante, não? — Ela puxou a cadeira de madeira que lhe servia de trono e se sentou. — As criações de Vida ficaram mais complexas à medida que o tempo passou.

Madara sentiu as flores se moverem em seus pés, e raízes de árvores surgiram de repente. Elas se entrelaçaram, unindo-se e subindo da terra até formarem uma cadeira improvisada. Com o aceno de Morte, Madara se sentou, e o ar que saiu de seus pulmões pareceu levar consigo toda sua agitação interior.

— Himawari e Sasuke estão bem, e não culpe Justiça. Ela disse que protegeria vocês, então acredite nela, mas saiba que nem sempre a nossa forma de cuidar condiz com a forma que vocês, nossas crias, esperam que cuidemos — ela explicou, calma. — Naruto está fazendo o certo. Você deve partir assim como Hinata e Shisui. É difícil, eu sei — Sorriu-lhe, triste. —, mas, como Obito deve lhes ter mostrado, sacrifícios são necessários para se manter o equilíbrio.

— Não posso perdê-los... — Madara suplicou.

— Ninguém perde alguém nesse mundo, Madara. Pensei que tivesse entendido isso ao ver Naoto.

— Ele não é Obito.

— Não, mas é a alma dele, ou não a reconheceu? Não sentiu nada ao tocá-lo, ao abraçá-lo? Sei que sim, Madara. A vida é um ciclo belo e interminável, e eu existo para garantir isso — ela falou ao fechar os olhos e sorrir de leve enquanto as borboletas voltavam a rodeá-la. — Sei que estão perdidos, que se sentem abandonados com nosso silêncio, mas é necessário esse período de reclusão dos deuses. Estamos pagando por termos interferido demais nos últimos anos, e acredite que dói em mim assisti-los de longe sem poder fazer nada.

— Eu só quero paz... Já vivi muito na guerra e não suporto mais essa sensação angustiante que é ter que esperar pela próxima batalha, pelo próximo inimigo, pelo próximo combate, pela próxima morte.

Morte se levantou e caminhou até Madara. O vestido azul claro arrastava a longa cauda no chão, e as flores ao redor abriam caminho para os pés descalços da deusa.

— Aproveite sua família hoje, aconselhe Naruto no que ele precisa e faça o seu melhor com o clã Nara. E nunca se esqueça que eu olho por vocês. Quando achar que está perdido, ore a mim e sabia que estou ouvindo. Não posso ajudar vocês, mas posso impedir que os outros deuses lhes façam mal.

— Vida ­— Madara sussurrou, e as borboletas no cabelo de Morte voaram para longe ao som do nome.

A deusa ficou séria, como Madara nunca a tinha visto, e a luz no templo diminuiu. As flores perderam parte do brilho, e as rosas encolheram-se, voltando a ser meros botões.

— Não se preocupe com Vida, ela receberá o que merece. Agora, vá. Aproveite sua família neste momento.

As raízes que sustentavam Madara recuaram um pouco, e ele se levantou para que elas retornassem a terra. Reverenciou a deusa, e paz se espalhou por seu corpo quando uma das borboletas pousaram em seu rosto por alguns segundos.

Morte sorriu-lhe e esperou que ele saísse do templo para fechar as portas. As velas se apagaram todas juntas e, em um piscar, a deusa se encontrava ao lado de Destino, de frente para a tela que ele pintava em frenesi.

Ele não a olhou. Os vários pincéis que segurava não eram problema nem a tinta que lhe sujava o rosto e as vestes, nada o atrapalharia.

— Está com pressa para retratar os próximos eventos? — Morte perguntou, acompanhando Destino à medida que ele avançava pelo corredor. — Possui outra obrigação a cumprir, Destino? Onde está a alma de Sasori?

A voz soou mais rude do que o habitual, e Destino sentiu frio quando os olhos negros de Morte o encaravam fixamente.

— Enjoei dele. O cristal quebrou. Justiça o está mantendo preso para você.

— Enjoou? — Morte inclinou para poder segurá-lo pelo queixo. — Você causou uma guerra por ele e agora me diz que enjoou? Rápido demais até mesmo para você, Destino, não minta para mim. Os outros deuses podem ter acreditado que você protegeu Sasori apenas porque queria um fantoche, mas eu não... pareceu-me uma desculpa criada de última hora para esconder a verdade que lhe custaria todos os pincéis e sua liberdade.

Antes que ele respondesse, a voz de Vida ecoou pelo corredor:

— O que está fazendo aqui, Morte?

Destino engoliu em seco e recuou um passo quando as duas deusas ficaram uma de frente à outra.

— Pensei ter sido clara ao dizer que não quero vê-la, Vida, não até me contar o que vocês dois estão tramando. Ah, acha que não notei?

Vida não se manifestou. A expressão gélida permaneceu imutável à medida que Morte se aproximava.

— Por que faz tanto mal às suas próprias criações, Vida?

— Minhas criações? — Vida franziu o cenho, e o nojo moldou as palavras que saíam de sua boca. — Eles não são minhas criações, Morte, são suas. Eu dei-lhes vida, mas foi você que concebeu a ideia.

— Então é isso? — Morte piscou, confusa. — Não gosta deles por ter sido eu a idealizá-los? Isso é um absurdo!

— Não discutirei com você, Morte, criá-los foi um erro, e as guerras ininterruptas que travam, as mortes que provocam deveriam convencê-la disso! Não me toque! — Vida recuou, batendo na mão que vinha acariciar seu rosto. — Gosta tanto deles, então observe o espetáculo que estão protagonizando no mundo que eu criei. Depois me diga se valeu a pena.

Os olhos de Morte lacrimejaram, e as mãos apertaram o tecido fino do vestido enquanto Vida lhe dava as costas para partir.

— Eu te perdoei quando descobri que foi você que fez Fugaku iniciar a primeira grande guerra — Morte sussurrou, dolorida — Te perdoei quando sussurrou ao Conselho Uchiha para que matassem Itachi, mas não vou perdoá-la se continuar a incentivar Pain em sua loucura.

Vida ergueu o queixo e virou-se. O olhar de cima, a expressão fria, os cabelos ruivos presos em um coque alto e perfeito, o vestido negro como se fosse feito das penas de corvos, tudo transmitia poder e superioridade, mas Morte via além, via a instabilidade e o ódio na outra deusa, e isso a feriu mais que as palavras que saíram da boca tão amada.

— Não preciso do seu perdão. Se ama tanto suas criaturas imperfeitas, sofra com elas.

* * *

Hanabi estava incomodada. As mensagens de Naruto e Ino sobre a mesa a incomodavam, e Neji via isso. Nem mesmo Naoto correndo de um lado para o outro e rindo alegremente tiravam a alfa de seu estado pensativo e preocupado.

— Devíamos entrar, está ficando mais gelado aqui fora — Neji sugeriu ao pegar Naoto no colo e se aproximar de Hanabi.

A neve caía levemente no jardim de inverno, mas a beleza da natureza que cercava Hanabi não chamava tanto a atenção dela para fazê-la tirar os olhos das mensagens e do mapa sobre a mesa.

— O que tanto a incomoda?

— Estamos em desvantagem. De nossa aliança, somos o único clã sem preocupações, estamos prontos para a guerra, os Hyugas sempre estão, mas é inútil. Eles nos isolaram, vê? — Ela mordeu o lábio, e Neji franziu o cenho. — Naruto e Ino não perceberam isso ainda... Pain nos separou. Ele conseguiu quebrar nossa aliança.

— Duvido que Naruto ou Ino desfaçam a aliança entre os clãs — Neji respondeu rapidamente.

— Neji, pense como militar, não como diplomata e olhe para o mapa. Se Orochimaru atacar Ino agora, não posso mandar tropas para lá porque os Harunos nos atacarão, e Naruto também se torna inútil porque os Akatsukis o atacarão caso mande reforços a Ino. Se Pain atacar os Uchihas, a mesma coisa. A aliança se tornou inútil porque não temos uma batalha que decidirá a guerra, temos várias. Ele nos separou...

Neji arregalou os olhos ao entender as palavras dela. Devia ter notado isso antes, mas nem mesmo sendo um beta conseguia ter a visão de guerra que Hanabi tinha. Colocou Naoto no chão e recebeu um olhar irritado da criança, mas não podia se distrair naquele momento.

— Precisamos avisar Naruto e Ino — Neji disse, apesar de imaginar que Hanabi já faria isso. — Se for assim, vamos ter problemas.

— Já temos problemas, Neji... O líder do clã Inuzuka se casou com uma das líderes do clã Haruno, isso já é um problema. Precisamos mandar uma tropa para a fronteira do deserto. Kiba pode não saber muito sobre guerra, mas Ten-Ten é filha de Kakashi, antigo líder do exército de Sasori, e ela lutou com ele. Além disso, quero entender como não fui comunicada que tínhamos antigos conselheiros Hyugas governando e escravizando o clã Inuzuka — ela cuspiu com raiva. — Quando isso aconteceu?

— Hiashi determinou que o clã ficasse sob nosso comando depois que você o conquistou, Hanabi... — Neji explicou, confuso. — Mas eu não sabia que eles ainda estavam lá depois da morte dele.

— Bem, agora não estão mais... Kiba Inuzuka nos mandou os corpos, ele os executou. E, se esse for o motivo para o clã Inuzuka nos declarar guerra, como posso lutar contra eles? Nós os levamos à escravidão e à miséria, Neji, impomos líderes estrangeiros a eles, como posso lutar contra quem está com a razão?

Neji contornou a mesa e parou ao lado de Hanabi. Os olhos perolados dela estavam tristes, e os lábios tremiam de leve. Mais uma vez, ela voltava a ser a mesma menina que se escondia em seu quarto durante as brincadeiras com Hinata na infância... Inocente demais para uma líder, doce demais para uma militar tão brilhante. Segurou a mão dela e a puxou para si com carinho, afundou os dedos nos cabelos castanhos e sorriu quando a presença dela o abraçou. Acariciou a face preocupada e quis tirar todo o peso que a alfa carregava nos ombros, mas quem era ele para isso? Não tinha esse poder... Podia somente confortá-la um pouco, dar-lhe uma esperança, pensar racionalmente em uma saída embora reconhecesse que a situação não era das melhores.

— Envie uma mensagem a Kiba — ele disse.

— Para quê? Ele não acreditará em mim.

— Tente — insistiu. — Escreva exatamente o que pensa e o que aconteceu. Pelo menos, terá tentado resolver esse conflito na pena e não na espada. Kiba não é líder há muito tempo, ainda está aprendendo, ele pode acreditar em você.

Hanabi sorriu, não convencida, mas sorriu apenas para tranquilizar o beta.

— Obrigada — sussurrou.

Ele assentiu e inclinou-se para beijá-la, mas, assim que os lábios se tocaram, tão ternos e carinhosos, os rostos receberam em cheio uma bola de neve, e os ouvidos foram preenchidos pela risada infantil.

Hanabi encarou Naoto, divertida, e Neji revirou os olhos quando ela simplesmente começou a correr atrás da criança. Não sabia dizer quem era o mais infantil da cena, Naoto que não podia vê-los juntos que aprontava alguma coisa, Hanabi que sempre acabava se esquecendo que era uma líder e que não devia simplesmente correr pelo clã atrás de Naoto, ou ele que assistia, irresponsavelmente, divertido a tudo isso e se esquecia dos problemas que os cercavam cada vez mais...  


Notas Finais


Oi, cap mega atrasado, eu sei, desculpem. Espero que agora as coisas melhores =)

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