História Doce Vingança - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Pain, Sasuke Uchiha
Tags dvd, Lemon, Naruto, Sasuke, Sasunaru, Yaoi
Exibições 236
Palavras 5.350
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Capítulo 10 - Frágil Lealdade


Hanabi acordara assustada com as batidas em sua porta. Sentou-se rapidamente, e os instintos a fizeram colocar-se entre a porta e o beta que acordava também alarmado.

— Fique — mandou ao se abaixar e pegar a katana que deixava debaixo da cama. Sacou a lâmina e correu para abrir a porta, temendo que alguma coisa tivesse acontecido.

— Invadiram uma de nossas fronteiras — o comandante do exército disse, breve. — Nossas tropas estavam se dirigindo aos limites com o deserto quando a população os cercou para contar o ocorrido.

— Aguarde um momento — ela pediu e assentiu para que os servos atrás do comandante entrassem no quarto.

Massageou as têmporas e fechou a porta assim que as duas bacias de prata com água fresca foram depositadas sobre o móvel de madeira ao canto.

Neji se levantou e caminhou até ela. Suspirou, sonolento, e a abraçou pelas costas antes de prender com as duas mãos os cabelos de Hanabi para que ela lavasse o rosto sem os molhar.

— Parece que agimos um pouco tarde — comentou ao estender-lhe uma toalha.

Hanabi assentiu e contou com a ajuda do beta para se vestir rapidamente. Pegou a katana e algumas kunais e sorriu, cansada, ao parar perto da porta.

— Mantenha os conselheiros reunidos e verifique se alguma nova notícia chegou de Ino ou de Naruto — pediu om urgência.

Infelizmente, não esperou que ele respondesse. Saiu apressada e seguiu junto de alguns soldados para o local da invasão. Como já imaginava que fosse acontecer, a fronteira com o deserto havia sido usada. Um aviso? Uma ameaça? Uma declaração de guerra? Reverenciou brevemente com a cabeça a estátua de Equilíbrio no centro do clã e ousou imaginar se o deus a havia abandonado.

O silêncio dos deuses a incomodava, e o dia de Equilíbrio se aproximava. Desde a última guerra travada ali em território Hyuga, ele não havia ouvido qualquer desejo nem se manifestado durante a cerimônia. Seria um sinal de que aquela guerra os destruiria e, por isso, o deus os abandonara? Não. Equilíbrio tinha lhe alertado sobre os perigos que ainda viriam e também tinha lhe falado, um pouco antes do sumiço dos deuses, que Morte e Vida estavam tão furiosas que não permitiam mais qualquer intervenção. Mesmo assim, sentia-se renegada, e tal sentimento se intensificou quando pode ver uma fumaça negra ao longe.

— Eles incendiaram algumas casas e mataram alguns camponeses — o comandante explicou breve.

A presença de Hanabi se expandiu em resposta.

— Relatório — ordenou.

— Invasão rápida durante o nascer do sol. Um grupo de dez pessoas, alfas e betas, todos com máscaras coloridas. Eles atacaram o carregamento de armas que você havia solicitado há alguns dias para as tropas iniciantes, felizmente só kunais e poucas lanças. Depois disso, o grupo se dividiu. Nos disseram que parte levou o carregamento para o deserto e outra parte começou a matar os camponeses e incendiar as casas.

— Quem fez o relato?

— As crianças, senhora. Por ainda não serem alfas, betas ou ômegas, acho que os invasores nãos as notaram e partiram achando que tinham matado a todos.

— Não. — Hanabi parou ao chegar ao local do incêndio que suas tropas tentavam conter. — Eles as deixaram vivas. Eram alfas, a audição com certeza conseguiria captar o choro ou os passos apressados enquanto elas tentavam fugir. Queriam que soubéssemos.

A despeito da confusão no rosto do comandante, ela suspirou ao se aproximar do limite entre o clã e o deserto. Fixou seus sentidos no horizonte e fechou os olhos. Sua presença expandiu livremente como se com ela tentasse sentir algum invasor.

— Já estão longe. — Suspirou, pesarosa.

Eram poucas armas, mas ainda assim eram parte de seu exército, e armas nas mãos das pessoas erradas nunca resultaram em boa coisa.

— Desculpe, senhora, mas quem queria que soubéssemos?

Ela se virou para o comandante e sinalizou para que os soldados trouxessem as crianças para si. Cinco, todas pequenas demais para continuarem naquela região árida sem família.

— Eles usavam máscaras coloridas? — perguntou ao se abaixar para ficar na altura delas. — Coloridas como o arco-íris que Vida criou para Morte como presente de aniversário?

As crianças assentiram, abraçadas umas às outras, e Hanabi sussurrou para que os soldados a levassem para o orfanato do clã.

— Lembro-me de Neji me explicar as tradições mais antigas de cada clã. Máscaras em ataques são uma piada. O clã Haruno fazia muito isso antes de Sasori assumir a liderança. É um costume antigo, como se esses soldados mascarados fossem um mau presságio para os clãs que invadiam.

— Kakashi não nos atacaria assim de repente! Ele sabe que somos mais fortes no momento!

— Não, ele não faria, e os conselheiros não aceitariam que eu declarasse guerra por esse episódio me baseando apenas no que Neji me falou sobre costumes antigos. Foi uma provocação. Sabiam que não poderíamos responder à altura e, por isso, fizeram. Como uma criança que faz algo errado de propósito porque sabe que o pai não pode repreendê-la já que a mãe a defenderá. — Suspirou. — E eu achando que conseguiríamos um acordo... Vamos voltar.

* * *

Orochimaru acordou com o sol entrando pela janela do quarto. Os ômegas em sua cama esconderam o rosto em seu pescoço para fugir da luminosidade, e ele respirou fundo ao afastá-los, primeiro a mulher, depois o homem. Levantou-se e vestiu o roupão para sair do quarto.

Não pretendia passar no clã antes de ir para as fronteiras encontrar suas tropas, mas o aviso de que seu herdeiro estava doente o fizeram repensar seus planos. Felizmente, não era nada demais, e o garoto agora era tratado devidamente pelos curandeiros do clã.

Perda de tempo, pensou, irritado.

Caminhou para o quarto de banho onde sua ômega o aguardava. De pé ao lado da banheira, cabeça baixa e mãos trêmulas. Havia se casado apenas para conseguir o apoio de alguns comerciantes do clã, mas nem ao menos sabia o nome da ômega que agora o banhava. Esperou, impacientemente, que ela o lavasse, secasse e vestisse, e não lhe dirigiu uma palavra sequer. Saiu dali da mesma forma que entrara: quieto, pensativo, com um sorriso perigoso nos lábios.

Quando entrou em seu quarto, os ômegas já não estavam lá, tal como havia ordenado aos servos. Sentou-se diante à penteadeira e penteou os cabelos demoradamente. Trançou-os rente à nuca até as pontas e separou a maquiagem. No clã Haruno, não havia retirado todo o trabalho em seu rosto para que não tivesse que refazer a maquiagem por inteira e, com isso, acabasse mostrando mais do que deveria da face, mas ali, em casa, o rosto estava livre de qualquer máscara, e a cicatriz que a kunai de Minato Uzumaki havia feito nele, bem como a que Kushina fizera anos depois, estava visível.

Dois cortes, um profundo, outro nem tanto. Um descia-lhe da sobrancelha ao nariz e o outro horizontal na bochecha. Separou os pós e os pincéis, molhou-os um pouco como aprendera há muito tempo e misturou os grãos para criar a pasta ideal. Cobriu as cicatrizes cuidadosamente, lembrando-se, como sempre acontecia quando era obrigado a reparar o próprio rosto, do quanto odiava os Uzumakis. O pó extremamente branco disfarçava a maquiagem usada e não causava muito espanto já que a falta de sol no clã justificava a pele clara. Ainda era possível ver levemente o corte próximo à sobrancelha. Então, pegou a tinta roxa e traçou um risco, contornando a região próxima ao nariz, subindo aos olhos, que destacou para ser o foco da atenção. Depois de algum tempo, o reflexo o encarava, satisfeito com o resultado, irritado com o motivo que o fazia se sentar ali todo o dia e ter aquele trabalho pela manhã.

Ajeitou mais uma vez as roupas e ordenou aos servos que colocassem suas armas e armadura dentro de um baú para a viagem. A tropa que iria com ele até a fronteira já o aguardava nos portões do clã, e Orochimaru não disse nada antes de começar a marchar na escuridão que precedia o amanhecer. O sol já surgia no horizonte quando avistou o acampamento montado, e aproveitou para ouvir as recentes notícias sobre os Uzumakis.

Ino havia sido desafiada pelo líder do exército, e isso indicava-lhe duas coisas: que ela estava ferida, como já haviam lhe informado, e que o clã, assim como os Uchihas, estava dividido. Podia tirar proveito de ambas. Deu ordens para partida e esperou os trinta minutos necessários para que todos se organizassem.

O primeiro passo no território Uzumaki já o surpreendeu. Havia escolhido entrar no clã pelo portal de Destino, um portal simbólico oferecido ao deus. Eram duas árvores grandes e antigas, troncos grossos e raízes que se arrastavam sobre a terra, que se inclinavam uma em direção à outra. As copas se misturavam e, se não fosse pela diferença entre as folhagens amarela e vermelha, não se veria onde começava uma e terminava a outra. Ali era o então chamado portal, e Orochimaru arregalou os olhos quando, ao passar por ele, os betas Uzumakis apareceram em grande número atrás de Gaara.

Reconhecia o bastardo de Minato e Kushina, ele já era vivo quando Kushina o havia enfrentado e lhe dado a cicatriz mais recente. Sorriu-lhe, com falsa amizade, e abriu os braços para que o alfa se aproximasse e o cumprimentasse.

— Não sou o líder do clã — Gaara explicou ao ignorar o pedido de abraço e se contentar com uma reverência formal. — Nossa líder me mandou para saber o que suas tropas, bem armadas tropas segundo nossos betas, fazem tão perto das fronteiras, Orochimaru.

Orochimaru ajeitou a postura e gesticulou com descaso.

— São tempos difíceis, não posso entrar em seu clã sem proteção, nunca se sabe quando alguém pode decidir simplesmente te atacar, não é? Eles estão à vista, melhor do que Sasori fez ao entrar sozinho nos Hyugas e deixar todo o exército pronto para uma invasão, não acha?

— Não poderá passar com todos eles. Sabe muito bem que os clãs têm regras. Apenas um terço da sua tropa será aceita em nosso território. O resto pode permanecer antes do portal de Destino.

E era por isso que Orochimaru estava surpreso em ver Gaara ali. Já esperava ser recepcionado, mas, se fosse por um beta ou alguém de posição inferior dentro do clã, não teria problema em ameaçá-lo e convencê-lo a deixar todos passarem. Manteve-se calma e sorrindo polidamente ao dar às costas para Gaara.

— Tropa alfa um e dois comigo, o resto espera aqui por notícias minhas. Mandarei uma mensagem todo dia ao anoitecer. Caso isso não aconteça por duas noites seguidas, o Conselho está autorizado a declarar guerra aos Uzumakis — gritou, e as tropas responderam em uníssono.  — Assim está melhor? — Virou-se para Gaara quando as tropas chamadas pararam ao seu lado.

— Muito. Bem-vindo ao clã Uzumaki, Orochimaru, irei te escoltar até nossa líder.

Orochimaru riu quando Gaara se virou junto com metade dos betas e começaram a escoltá-lo pela floresta.

— Da última vez que estive aqui, Naruto ainda era o herdeiro de Minato — falou, sabendo que Gaara estava atento a si. — Depois que ele envergonhou o clã ao se descobrir ômega, soube que Minato te nomeou o novo herdeiro. Achei justo, um alfa no comando sempre é a melhor decisão. Contudo, quando Kushina deu a liderança para uma estrangeira... não acreditei. Difícil aceitar que Kushina passaria o posto para uma ômega Yamanaka e, então, sumir e aparecer morta. Suspeito, não acha?

Gaara revirou os olhos e agradeceu por estar de costas para Orochimaru. Controlou sua presença e viu o sorriso debochado de seus betas. Orochimaru nem se dera ao trabalho de criar uma justificativa melhor para os convencer de suas razões. Entretanto, ignorar um líder era desrespeito e, por isso, respirou fundo antes de falar:

— Para quem não é Uzumaki e não conhece nosso clã, pode parecer, mas Kushina deixou claro para todos que Ino a sucederia. Além disso, para provar que era digna, nós disputamos a liderança, e ela venceu.

— Ainda assim, deve ter sido horrível perder o posto para a própria ômega, não é?

— Ino sabe governar melhor do que eu, o clã está em boas mãos — repetiu a resposta padrão para aquele tipo de comentário e se esforçou para que o orgulho não fosse atingido como todos pareciam querer.

— É isso que quero ver e agradeço por terem aceitado me receber.

Como se tivéssemos escolha, Gaara pensou ao cerrar o punho discretamente.

Avistou as primeiras moradias do clã, o retiro dos ômegas, e passou longe junto de Orochimaru enquanto acenava para os betas que cuidavam do local. Depois, chegou até a parte habitada. Pelo horário, os comércios já estavam abertos e as ruas se lotavam aos poucos apesar da neve que caía suavemente. As pessoas os olhavam e cochichavam, mas sorriam para Gaara e, então, para os visitantes. Sempre receptivos... Ino estava certa ao afirmar que deveria ser ele a buscar Orochimaru justamente para que as pessoas se sentissem seguras ao ver o líder do clã da Névoa ali consigo.  

Assim que se aproximou da mansão, viu Tobirama à frente das portas. O líder do exército contraiu a feição em uma careta de desagrado ao ver Orochimaru e não a disfarçou enquanto ia de encontro a eles. Gaara parou de andar e esperou, trocando um olhar com Tobirama antes de seguir sozinho para a mansão e deixar Orochimaru ali, do lado de fora.

— Algum problema? — Orochimaru estranhou a movimentação.

Tobirama cruzou os braços à frente do corpo, e os soldados que o acompanhavam abriram espaço quando, enfim, Ino abriu as portas da mansão.

Orochimaru nunca havia visto Ino, não tinha contato com o clã Yamanaka antes de ele ser anexado pelos Uzumakis, e o máximo que pode dizer da ômega que se aproximava era que ela, de alguma forma, tinha o mesmo olhar decidido de Kushina, e a lembrança da beta o deixou incomodado ao parar frente a frente com Ino.

— Bem-vindo, Orochimaru — ela disse com um sorriso discreto nos lábios. — Terei que pedir para que deixe seus soldados nos alojamentos que Tobirama irá lhes mostrar. Dentro da mansão, apenas um será aceito.

— Não será preciso que ninguém me acompanhe no momento.

— Ótimo. Imagino que estejam com fome. Tobirama, peça aos servos que os sirvam, sim? Enquanto isso, Orochimaru, aceita me acompanhar no desjejum?

Sorriu felinamente e concordou. Seguiu Ino à certa distância enquanto entravam na mansão e não deixou de reparar no modo como a presença de Gaara havia oscilado suavemente ao passar o braço pela cintura de Ino para lhe sussurrar algo no ouvido. Ela pareceu não gostar e observou, preocupada, enquanto o alfa se afastava. Orochimaru anotou aquilo na mente e anotaria tudo mais que visse ou ouvisse. Quanto mais coisa soubesse, mais fácil seria tomar aquele clã. Só precisava tirar Ino da liderança primeiro.

* * *

Pain andou pelo clã, seguido pelo Conselho. Ouvia as queixas, as informações sobre as alianças que estavam perdendo por terem raptado Sasuke e a filha de Madara, “uma inocente criança”, a quantidade de estragos que a nevasca causara em seu clã, dentre outras coisas. A nevasca... Ali estava seu maior problema. O estoque de alimentos estava nulo, salvo apenas por uma pequena produção que os manteria bens por algumas semanas se consumida moderadamente. O rio estava congelado e os poços também. O clã estava praticamente sem água e sem comida, e Pain tinha certeza de que aquilo era a vingança de Morte pelo assassinato de Kushina e dos ômegas que usara para se recuperar. Com o rompimento de algumas alianças, suas opções de suprimentos estavam limitadas. Tinha feito uma boa escolha em ter Kakashi como aliado e, assim, ordenou que enviassem uma mensagem ao líder Haruno com uma breve explicação da escassez de alimentos enquanto que uma tropa de betas deveria procurar por poços ao redor do clã.

Retornou à mansão e explicou brevemente ao Conselho que queria notícias sobre os clãs traidores que lhe viraram as costas e sobre o clã Uchiha, principalmente os Uchihas. Era de suma importância que soubesse o que Naruto estava planejando e as movimentações do inimigo.

— Eles duvidam de você — Konan sussurrou assim que o Conselho se retirou. — Duvidam que vençamos a guerra nas situações atuais.

— Situações atuais? — Pain repetiu, analisando as palavras. — São velhos medrosos. Não lhes dê importância. Já está de partida?

— Sim. Acabei de levar a refeição da filha de Madara e estou pronta para partir.

— Como a garota está?

— Mais calma do que imaginei que uma criança pudesse estar — Konan respondeu séria. — Ou Madara a treinou para situações desse tipo ou a garota tem coragem. Ela estava dormindo quando levei sua refeição, comeu em silêncio como se minha presença não a assustasse mais e depois sentou em lótus e começou a orar.

— Orar? — Pain sorriu, irônico. — A quem? Morte?

— Não sei. Ela não verbalizou nada nem pediu incensos ou para ir a algum templo, contudo, adotou uma postura estranha para orar.

— Postura estranha? Refere-se à uma oração antiga? Curioso. Irei vê-la antes de Sasuke, e você deve ir agora. Conquiste o que desejo e terá a glória que almeja ao regressar — disse, e Konan o reverenciou antes de partir.

Como dito, foi ao quarto onde mantinha a filha de Madara, e os soldados logo o deixaram passar. Sentada na posição de lótus no centro do quarto vazio, sobre os panos e almofadas que lhe serviam de leito, a criança estava de olhos fechados. Um dos braços estava levemente erguido, dois dedos estendidos com a palma da mão voltada para cima; o outro repousava no coração enquanto os lábios moviam-se sem emitir qualquer som. Reconhecia aquilo, era uma oração antiga, talvez, algo dos Hyugas se estava correto, o que fazia sentido já que Hinata era uma Hyuga antes de casar-se com Madara.

Será que ela estava em contato com Morte? Apesar dos deuses verem tudo e puderem interferir dessa forma, era ainda mais perigoso quando um deles escolhia privilegiar alguém, uma pessoa em específico, porque, quando isso acontecia, eles ignoravam as regras e causavam calamidades! Não foi à toa que Sasori trouxe tantos problemas depois que Destino o escolhera. Se aquela criança conseguisse que Morte a ouvisse diretamente, se conseguisse a convencer a intervir, se conseguisse comovê-la, imaginava que a deusa não seria nem um pouco piedosa consigo.

— Para quem ora? — perguntou ao se aproximar.

Os olhos perolados dela se abriram lentamente, e, dessa vez, Pain não viu medo neles. Ela lhe sorriu, doce e calma, e voltou a fechar os olhos.

— Meu pai vai acabar com você.

Pain se agachou, ajoelhando-se em uma única perna e fitando com seriedade a criança, embora ela não o visse.

— Como eu disse, quero ver Madara tentar. Aliás, já está na hora de eu mandar um presente a ele, o que acha disso?

Himawari permaneceu de olhos fechados, e o coração acelerou, com medo, quando ouviu um barulho metálico e afiado. Respirou fundo e fechou os olhos com ainda mais força enquanto a voz em sua mente cantava docemente para que se acalmasse. Como alguém podia pedir que ficasse tranquila, que não temesse quando estava tão longe de casa? Estava com saudades, queria Sasuke, queria seu pai e sua mãe, queria todos, queria correr pela neve no clã Uchiha enquanto Naruto tropeçava nas pedras escondidas ao tentar segui-la, queria assustar seu irmão pela manhã e rir quando ele resmungava e lhe fazia cócegas! Queria ir para casa...

Acalme-se, minha criança, ele não lhe fará mal, eu garanto.

Garantia? Então por que Pain continuava tão perto a ponto de fazê-la querer chorar só de sentir a presença que emitia? Mesmo não convencida, manteve a postura da oração e engoliu em seco quando o frio de uma lâmina lhe tocou a nuca.

Sasuke..., pensou e ouviu uma risada baixa em resposta.

Preocupe-se somente com você nesse momento, minha criança.

— Pronto. — Ouviu a voz de Pain se distanciar.

Não se moveu, sentiu a pressão dos olhos em si, mas se manteve quieta, controlando-se para não chorar pelo cabelo cortado tão curtinho. Quando pareceu que ele havia se cansaço de aguardar por alguma resposta dela, deixou-a, e o ar que prendia nos pulmões foi solto de uma vez só enquanto as mãos infantis passavam pelo cabelo, lamentando a perda.

Crescerá de novo, não chore por isso, há coisas mais valiosas pelas quais derramar lágrimas. Madara não receberá aquilo, já tomei providências para isso. Ele não sofrerá, minha criança, Justiça olha por ele nesse momento.

As palavras quentes a reconfortaram, mas, ainda assim, o choro veio silencioso e as mangas do quimono foram usadas para limpá-las. Braços invisíveis a envolveram em um terno abraço e mãos acariciavam seus cabelos até que o sono fosse assim induzido. Agarrou-se à imagem que começava a se solidificar, aconchegou-se naquele colo e suspirou contra o tecido fino das vestes.

— Durma, minha criança, durma e sonhe. Não tenha medo de sonhar. E fique tranquila... — Pousou as mãos sobre as dela que seguravam firmemente sua veste. — Prometo não te soltar tão cedo.

Pain parou na frente no quarto de Sasuke, desconfortável, após mandar que enviassem os cabelos de Himawari ao clã Uchiha. Havia sentido um frio apossar-se de seu corpo assim que dera a ordem e olhou na direção da porta do quarto da criança. Morte... Se ela interferisse, estaria perdido. Tinha que rezar à Vida para que Morte continuasse leal a seus princípios, para que nenhum deus intervisse!

— Ele já se alimentou, senhor — um dos soldados de guarda avisou.

Menos mal, pensou ao abrir a porta.

Encontrou Sasuke no chão, sentado de frente ao espelho e mirando o objeto com estranha curiosidade. Viu-o sorrir de forma apaixonada para o próprio reflexo e se perguntou se aquele era um dos efeitos da Lacrimosa, a bebida que lhe vinha dando para beber desde o episódio da travessia do rio Uchiha. Teria que perguntar a Orochimaru, ele saberia lhe responder já que era criador da substância.

— Sasuke?

Sua voz pareceu assustar o outro que se virou como se pego fazendo algo muito suspeito, contudo, não deu importância, outro fato tinha sua atenção: não havia sido notado ao entrar. Mesmo com sua presença livre, com os passos, com a conversa do lado de fora do quarto, com a abertura da porta, Sasuke não havia lhe percebido: seus instintos estavam mesmo sendo controlados e suprimidos.

E o Uchiha percebeu isso e arregalou os olhos, incrédulo.

— Então era isso o que queria dizer com “dócil”? — Sasuke perguntou irritado ao se levantar. — Tirar meus instintos?

— Tirar? Nunca. Apenas domar enquanto for meu inimigo — Pain o corrigiu. — Como se sente?

Sasuke soltou o ar pelo nariz e deixou um riso de escárnio escapar por entre os lábios. Virou as costas para Pain e sentou-se de frente ao espelho novamente. Se Pain não havia comentado nada sobre ele ao entrar no quarto era porque não conseguia enxergar o que se passava na superfície refletora. Infelizmente, também já não via nada além do próprio rosto ali.

Mais uma vez, Pain atrapalhara seu momento com Naruto. Pelo menos havia visto algo útil e até tinha conseguido ler a conversa que Shisui tivera com seu ômega. Madara tinha partido à noite para os Inuzukas, e Hinata e Shisui estavam em uma busca pela cura de Itachi, o que também lhe mostrava que seu irmão ainda estava vivo. Entretanto, alguma coisa no modo como o sorriso que Naruto morreu quando Hinata e Shisui partiram lhe dizia que as coisas não iam tão bem assim. Sentia, pela marca, uma preocupação nova, e o olhar que Naruto direcionou aos conselheiros, como se compartilhassem um segredo, foi sua certeza.

O que estava acontecendo? Era tão ruim não saber nada, estar longe e tão... impotente!

O barulho de Pain arrastando a cadeira e se sentando trouxe sua atenção para o momento presente. Apoiou a cabeça contra o vidro, rogando por paciência como nunca havia feito antes.

— O que quer aqui, Pain? Não tem uma guerra para organizar?

— Você faz parte dessa guerra, Sasuke, ou eu não perderia meu tempo aqui. — Os olhos violetas brilharam.

— Se sou parte dela, sou sua peça mais inútil no momento.

— Sua prima perguntou por você há pouco. Ela está assustada. Konan precisou sedá-la para que parasse de gritar — mentiu calmamente e esperou enquanto analisava Sasuke enfim prestar atenção em si.

Captou uma levíssima oscilação da presença do alfa e se surpreendeu quando o sharingan se ativou. Durou apenas alguns segundos. Mesmo que a raiva de Sasuke fosse palpável, a presença dele desapareceu, os olhos voltaram a ficar negros e sangue escorreu pelo olho direito. A respiração ficou cansada, e os braços tiveram que servir Sasuke de apoio, mesmo que já estivesse sentado.

Pain sorriu com aquilo e se levantou da cadeira. Orochimaru duvidou quando disse que seriam necessárias mais do que três doses para que Sasuke ficasse sob seu controle, mas ali estava a prova. Ele era forte, tal como imaginava. Saiu do quarto sem dizer mais nada. O dia, que começara tão ruim, havia melhorado exponencialmente naquele momento.

* * *

Naruto não acreditou no que os conselheiros lhe falavam. Óbvio que ele mesmo já tinha ouvido um ou outro boato, mas não naquele nível. Assim que Hinata e Shisui saíram pela porta, a reunião começara e a notícia fora dada.

— Já dissemos que te apoiamos, Naruto, mas não é mais questão de ter ou não nosso apoio! — um dos conselheiros voltava a falar a mesma frase de segundos atrás. — As pessoas estão com medo, morrendo de medo! E isso deixa tudo instável, até mesmo a confiança e a lealdade que têm por você.

Não quis mais ouvir.

Saiu da mansão sem esperar qualquer outro argumento. Não acreditava naquilo! Não depois de tanto tempo ali como um Uchiha!

Como Madara havia mandado antes de partir de viagem, os soldados que o protegeriam logo o cercaram com um raio de distância de um metro e meio de si. Caminhou apressadamente pelas ruas e percebeu a mudança que não queria aceitar.

As casas estavam mais fechadas, poucas pessoas saíam, muitos dos comércios ainda se mantinham fechados apesar da alta hora do dia. Medo. Dava para sentir nitidamente o medo que fazia com que o inverno parecesse ainda mais rigoroso. E, além disso, tinha os sussurros, os olhares de canto, a incerteza.

Duvidavam de si como líder, como Uchiha.

Apesar de já ter sido desafiado quando assumira o posto, tinha achado que o haviam enfim aceitado, que poderia contar com o apoio do clã enquanto se organizava para a guerra, mas não era bem assim. Não tinha a lealdade do exército, apenas da parcela ômega dele, e não poderia exigir nada dela sem que rachasse a união que tanto havia lutado para conseguir. Não tinha a lealdade da população comum, eles não confiavam em alguém que não conheciam.

Afinal, o que sabiam de Naruto? Eles apenas o viam com bons olhos porque era o ômega de Sasuke. Não havia nascido ali, não tinha as características do clã e ainda tinha o episódio de que demorara a se juntar com eles na oração à Morte.

Estava com um péssimo pressentimento. E piorou quando, desprevenido e imerso em pensamentos, sentiu algo contra seu rosto. Piscou, incrédulo, alheio à movimentação de dois dos soldados enquanto observava o tomate que havia sido arremessado contra si.

— Senhor.

As crianças que os soldados seguravam não deviam ter mais do que dez anos, e Naruto as reconheceu do dia da nevasca. Foram as crianças que ele encontrara durante a tempestade quando estava procurando por Sasuke.

— Me solta! Me solta! Já disse para me soltar! — elas gritavam, e as janelas das casas foram se abrindo, olhos curiosos pelas frestas, ouvidos atentos ao que acontecia na rua.

— Solte-as — Naruto pediu.

Os soldados obedeceram, mas não deixaram que elas corressem.

— Por que fizeram isso?

— Você não é nosso líder — a maior gritou. — Itachi é nosso líder!

— Você está roubando o posto dele! Usurpador!

Os soldados se olharam alarmados e tencionaram segurar as crianças, mas Naruto conseguiu apenas negar com a cabeça enquanto elas corriam para longe gritando-lhe repetidamente a ofensa.

Ergueu a cabeça. Ao redor, as janelas voltavam a se fechar em uma concordância muda. Era líder de um clã que achava que tinha roubado o posto de Itachi e de Sasuke. E agora que mandara Madara para os Naras e Shisui para as montanhas Akatsukis, todos deveriam estar achando que estava se livrando daqueles que podiam reivindicar a liderança.

Arregalou os olhos com a constatação. Tinha que tomar alguma atitude, conversar com os conselheiros sobre o que fazer. Alertaria Madara, ele precisava saber para poder voltar o mais rápido que desse ao clã. Sabia que a presença de Madara ao seu lado acalmaria, como sempre fez, o ânimo do povo.

Como se tivessem ouvido ou presenciado a cena anterior, os comerciantes deram-lhe as costas assim que tornou a passar por eles no caminho de volta à mansão. Os conselheiros já lhe esperavam na porta quando enfim chegou.

Deixou-se guiar para dentro, e o corpo desabou na cadeira que momentaneamente lhe pertencia na sala de reuniões. Mirou cada conselheiro e suspirou ao notar o óbvio: estava sozinho. Por mais que eles falassem com o povo, por mais que tentassem defende-lo, Naruto sabia que isso só adiaria o estopim e poderia ainda por cima desacreditar os conselheiros, fazer com que as pessoas perdessem a confiança neles.

— Talvez tivesse sido melhor ter deixado Madara na liderança, Naruto.

Sim, ele concordava com aquilo.

— Ou até mesmo Shisui. Ele poderia ficar com o posto, mas você poderia aconselhá-lo.

De novo nas sombras, sussurrando o que um líder deveria fazer, mas nunca na liderança?

— Não entendo por que Madara não nos lidera. Ele certamente é o que mais tem experiência em guerras.

Sim, mas não precisava apenas vencer a guerra, precisava garantir a paz.

— Sim, ele com certeza seria mais útil aqui do que indo atrás de um acordo com um clã que já nos traiu.

Sim, Madara seria um grande líder se quisesse.

— Em tempos de guerra, um estrangeiro na liderança sempre causa tumulto.

— O quê? — Naruto perguntou ao encarar fixamente o conselheiro que fizera o último comentário.

— Só estou dizendo que em tempos de guerra é inevitável que as pessoas se sintam desconfortáveis com líderes que não são do clã.

— Eu sou um Uchiha como qualquer um nessa sala — falou mais alto do que pretendia. — Estou aqui há anos e já dei provas mais do que suficientes de que minha lealdade é a esse clã. O que mais preciso fazer para ser aceito como um de vocês afinal? Até Hinata já é considerada Uchiha por todos! Por que eu não?

— Hinata deu uma herdeira a Madara.

Naruto levantou-se e apoiou os braços na mesa.

— Então porque eu não tive um filho com Sasuke, não sou parte do clã? — rosnou, sentindo ele mesmo o próprio aroma se espalhar perigosamente pela sala. — Isso é um absurdo! Estamos em guerra! Sabíamos que teríamos essa maldita guerra! Como podem querer que eu tivesse um filho sabendo que todos podíamos morrer em breve?

— Você é filho de Kushina e Minato, Naruto, sabe muito bem é o que se espera de um casamento. Quando você teve que deixar o posto de herdeiro dos Uzumakis, a maior preocupação era que sua mãe engravidasse novamente, não era? Isso só não ocorreu porque Gaara, por ter crescido no clã, fora aceito como Uzumaki e herdeiro. Apesar da liderança não ser hereditária, a força é, e espera-se que aqueles que compartilham o sangue dos líderes sejam os mais fortes candidatos a herdeiros. Assim, você ter um filho de Sasuke é para assegurar que o próximo herdeiro do clã tenha a força de vocês. É a tradição, Naruto.

Os olhos azuis faiscaram de raiva, e os conselheiros, mesmo querendo continuar falando, preferiram ouvir sua racionalidade tão característica e se calarem quando o aroma do ômega ficou ainda mais forte. As únicas opções de Naruto eram reivindicar o posto a um dos conselheiros ou a um Uchiha ou conseguir que Itachi melhorasse, isso se ele não quisesse lidar com uma revolta populacional. Contudo, pelo olhar decidido do ômega ao sair da sala e pela forma enojada que cuspiu a palavra “tradição”, sabiam que ele não cederia o posto.


Notas Finais


Aeeee
Atualização rápida dessa vez =))

Seguinte, tá rolando sorteio do Livro Doce Veneno lá no meu face: https://www.facebook.com/mypieceofdream/

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