História Doce Vingança - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Itachi Uchiha, Sasuke Uchiha
Tags Hinata, Sasuhina, Sasuke
Exibições 247
Palavras 7.037
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Meus amoresss, boa noite!!! Todos bem??? Vivos? Animados? Não? Então anima essa po@#$ que chegou capítulo novo!!! Tuts tuts

Enfim, eu nem ia postar hoje, achei grande demais :/

Porém o capítulo de hoje será somente SasuHina, ItaIno, isso mesmo, sem tretas. Mas vale pela quebra de ritmo, afinal o próximo terá muita tensão, tiro porrada e bomba. Então finalmente, boa leitura e até o próximo ♡♡♡♡

Capítulo 11 - You are...










     -- Se sente melhor?


  Sasuke olhava o copo suado d'água tremendo entre os dedos da perolada enquanto as lágrimas caíam pouco a pouco pelos olhos da mesma. Os soluços antes mais presentes agora se perdiam na respiração molhada que ela mantinha sentada no sofá diante do moreno que abrira os dois primeiros botões de sua camisa. Mantinha o silêncio apenas tendo em mente que ele lhe olhava, e sentia até mesmo estúpida por estar tão frágil diante dele, mas aparentemente, Sasuke sabia tocar em suas feridas, mas não de maneira ruim, até porquê sentia um alívio aos poucos tomando seu corpo por enfim desabafar. Caso fosse para casa manteria isso em sua mente lhe martirizando, e apenas aumentando sua incessante raiva com os erros motores que mantinha sem qualquer capacidade de controle.


     -- Sabe o que eu penso? -- Hinata sentiu o mesmo sentando ao seu lado enquanto passara o braço direito sobre seu ombro o balançando de maneira amigável, como se a tirasse do transe em meio a tanta dor. -- Essa orquetra acabou de perder a chance de alcançar a perfeição.

     -- Para de bobeira... -- Sorriu passando os dedos pela mecha azulada que caía frontalmente aos ombros. Escutar a maneira rouca e um tanto calma dele falar acabava lhe deixando anestesiada aos poucos. O sorriso saía em meio ao choro a cada balançar que ele dava acompanhado da risada baixa e contida na voz rouca e gostasa de escutar tão rente ao corpo.

     -- Não é bobeira. Mas ainda não acabou pra ficar se lamentando desse jeito. -- Se afastou inclinando no braço do sofá enquanto instintivamente Hinata olhava a cama posta no meio da sala com a mulher dormindo. Haviam chegado há pouco mais de vinte minutos, e Sasuke continuava agindo como se não houvesse nada.

     -- Como assim?

     -- Pelo que entendi, faltam onze dias pro espetáculo, e oito pra audição final, certo?

 

 

  Se mantinha com um sorriso meio frouxo na extremidade lateral dos lábios enquanto ela sem entender apenas assentiu com o copo entre as duas mãos. Era estranho às vezes se pegar tremulando frente a ele e notar o mesmo sequer dando atenção a isso, ele realmente parecia mais interessado em olhar fundo nos seus olhos a todo segundo.

 

  Sasuke pareceu ponderar algos nos cinco segundos que sucederam. Ele mordia o lábio meio focado em seu pensamento enquanto a Hyuuga apenas esperava algo vindo dele, sua visão desceu apenas um pouco para algo que ela tentava olhar desde que chegaram, mas somente agora obteve um espaço pela brecha que ele dera pensando. O peito alvo era aparentemente bem definido dando espaço aquelas marcas profundas e bem medonhas nas laterais do trapézio para o pescoço. O tecido flanelado da camisa caía bem calmamente pela pele branca e de ótimo cheiro que ele deixava evidente a cada movimento que dava exalando uma fragrância humilde e auto-suficiente.


     -- Isso.


  Hinata pontuou percebendo que ele nem dera atenção quando assentira. Sasuke finalmente saiu de seus pensamentos com um sorriso cínico de quem havia bolado um plano extenso mentalmente, ainda não entendia, somente olhava o moreno passando as mãos pela nuca e afagando os cabelos como se dissesse a si mesmo " você é o melhor ". Os fios negros pareciam mais rebeldes a cada balançar que ele dava, e era atraente de uma maneira peculiar quando a franja cobria um pouco os olhos negros.


     -- Já que amanhã não vai estar na Juilliard, o que fará de tarde? -- Perguntou mantendo o corpo mais próximo ao dela enquanto a mesma ruborizou um pouco com a subida repentina que o rosto dele dera. Se virou escondendo a vermelhidão pouca e apenas limpou a garganta fazendo o mesmo se afastar meio envergonhado pela própria atitude. Chegou até a estranhar, até porquê nunca fora de ser tão intrusivo em suas atitudes.

     -- Eu não sei. Em casa provavelmente. -- Hinata comentou meio acanhada com as pernas fechadas ao máximo. Sentia até um pouco de frio pela chuva que pegara, e usar saia não facilitou em nada essa sensação gélida na pele.

     -- Me espera quatro da tarde, na Times Square -- O moreno disse quando enfim o gemido protestante de Mikoto se fez presente no ambiente. Tentaria até perguntar o porquê da atitude dele, mas não teve forças de perguntar pela pressa repentina dele em se levantar e rumar até a cozinha preparando o remédio que deveria ser dado assim que ela acordasse.



  Sasuke mantinha toda a sua atenção nas gotas do remédio enquanto a perolada olhava aquilo meio pensativa quanto ao que ele dissera, e mais ainda pela mulher que se endireitava na cama totalmente coberta por alguns fios e máquinas ao redor. Olhava a beleza da mulher, realmente Sasuke teve a quem puxar, mesmo em estado plangente ela era radiante e adorável, aparentemente cansada pela situação em que se encontrava, mas ainda impecável por tamanha exuberância.


     -- Toma, com cuidado... isso. -- Sasuke mais parecia um pai de primeira viagem com tanta preocupação, e Hinata levou as mãos a boca segurando o sorriso. Ele segurava o copo nas mãos de Mikoto que o olhava como se dissesse "eu consigo sozinha". Era cômico, ainda mais por ele sempre parecer um ser humano totalmente despreocupado.

     -- Qual seu nome?

     -- Hinata! -- Sasuke cortou a voz da perolada que até mesmo se assustou com a prontidão do moreno em responder a indagação feita de maneira fraca pela voz doce da mulher. Somente assentiu olhando de soslaio para ele que aparentava estar meio receoso.

     -- Obrigada, filho. -- Mikoto comentou meio debochada enquanto a Hyuuga se levantou andando até ela. Sasuke colocou o copo na pia estranhando a perolada silenciosa que apenas tocou a barra da cama.



  Seus olhos desceram de maneira instintiva até as coxas que eram evidentes pela saia usada. Eram grossas e tão brancas que aparentavam ser como o leite posto em sua geladeira, se julgou alguns minutos até finalmente subir onde os fios lisos paravam, pouco acima da cintura fina e mais volumosa abaixo na região das nádegas salientes cobertas pela saia. Seu olhar parou alguns segundos até balançar a cabeça um pouco se voltando aos remédios e os guardando.

  Lembrara vagamente de um rosto parecido ao dela. Mikoto era estranhamente familiar, talvez a tivesse visto quando criança, esbarrado nela em algum ambiente, até porquê tendo em vista Sasuke, sua habilidade em tropeçar nas pessoas enquanto andava era enorme, alguns diriam ser atrapalhada, mas ela sabia perfeitamente como era não ter o domínio perfeito do andar, suas pernas ficavam mais rígidas em certos momentos, acabava por ter movimentos involuntários em certas ações, tropeços, pernas trêmulas, e até mesmo o pior, sua perda de equilíbrio constante.

  Sorriu de maneira tímida com o levantar das mãos da Uchiha até a sua, estranhou de pronto, a mão dela era um tanto fria por assim estar, fraca também, mas fora amparada pela mão da Hyuuga que manteve o toque. Mikoto sentiu as mãos dela tremulando aos poucos, entendeu de imediato, os músculos da mão dela tremiam lentamente enquanto aparentavam estar calejados e mais rígidos. Percebera desde quando ela se levantou, a maneira como disfarçava o andar, arrastava de maneira suava uma das pernas, enganava alguns, mas quem realmente conhecia a situação poderia diferenciar um erro natural de uma atitude impossível de se segurar.



     -- Você é filha de Hyuuga Hikari... não é? -- Hinata falhou nas mãos de maneira rápida puxando os dedos de Mikoto um tanto mais para baixo. Desentendeu. Conseguia olhar nos olhos da mesma que aparentava uma espécie de nostalgia, olhando ainda mais para seus olhos, mas era até compreensível, somente ela puxara esse traço se sua falecida mãe.

 

     -- So... Sou. -- Respirou fundo com a falha vocal. Certamente sua doença estava um pouco mais adiantada, ainda mais por ter ficado nervosa com o olhar acompanhado do nome que ela dissera. Dificilmente sua doença tremulava a laringe, acontecia apenas quando estava demasiadamente preocupada ou em uma situação não compreendida. Porém acontecia, e isso somente lhe deixava mais triste.


     -- Tem os olhos, e os cabelos dela.


  O copo que Sasuke segurava era apertado de maneira firme enquanto se esforçava a escutar aquele diálogo baixo entre as duas. Escutara sua mãe dizer o nome Hyuuga, impossível. Pensara antes de chegar em casa que sua mãe jamais pensaria em tal coisa, até mesmo se sentia mal nesse instante por fazer sua mãe presenciar a imagem de alguém daquela família após tudo o que o fizeram passar. Odioso. Talvez estando no lugar de Mikoto acabaria expulsando a herdeira de Hiaishi, mas estranhamente vira sua mãe sorrir e apertar ainda mais a mão da perolada.


     -- Como a conhece? -- Sasuke apenas se mantinha em silêncio arrumando propositalmente as coisas de sua mãe para escutar a conversa. Hinata indagou fazendo a Uchiha se endireitar na cama limpando a garganta para elevar ao máximo sua voz ultimamente bem fraca.

     -- Éramos amigas anos atrás, quando trabalhava em sua empresa. Ela estava grávida de você. -- O moreno rangeu os dentes com os ombros rígidos, como sua mãe conseguia falar disso de maneira tão calma? Ser amiga de Hikari? Não conhecia essa mulher, mas obviamente era esposa de Hiaishi. -- Olha só a mulher que se tornou, tão linda quanto ela.

     -- Obrigada. -- Hinata sorriu meio tremula por ainda segurar a mão da mesma. Lembrava de fato da mulher, mas não dessa forma, era algo mais para frente, talvez quando sua mãe já estivesse morta, em sua infância talvez, provavelmente com uns treze ou onze anos. Era algo vago, muito vago, além de ser uma lembrança evidentemente conturbada.

      -- E como está seu pai? -- Sasuke trincou os dentes ao escutar sua mãe o mencionar. Onde ela estava com a cabeça? Dentre tudo, a última coisa que queria era um assunto sobre Hiaishi sendo endereçado aos ouvidos de sua mãe.

     -- Está tarde! -- Sua voz saiu iminente enquanto a perolada parou as palavras na garganta o olhando. O moreno nem mesmo olhava para elas, apenas arrumava as coisas até finalmente se aproximar com um sorriso amarelo. -- Se quiser, eu te levo em casa.



  Seu comentário saiu contra vontade. Realmente chamara Hinata para que a mesma se sentisse bem, mas nesse instante viu a expressão dela mudar, provavelmente ela pensara estar atrapalhando, e ele percebeu. Mas o que realmente lhe fez dizer isso foi o assunto iniciado, não queria nem em um milhão de anos ser platéia de um diálogo sobre o Hyuuga que ele mais odiava em todo o mundo. Hinata evidentemente sem garça apenas passou as mãos pelos cabelos assentindo com um sorriso mentiroso. O moreno até mesmo diria algo, mas depois disso até entendeu a reação dela, fora como uma expulsão mais cordial, olhou para ela enquanto a mesma nem deixara o contato visual durar.


     -- Você e Itachi tem a mesma mania. Não se deixa uma dama sair essa hora.

     -- Não precisa se preocupar...

     -- Você vai dormir aqui. Se quiser. -- Mikoto comentou decidida enquanto a menor apenas olhou de maneira rápida o moreno parado e meio sem graça. Conseguiu notar que a perolada lhe olhou por meio segundo esperando uma reação, mas apenas manteve o silêncio e engoliu seco.

     -- Pode dormir no meu quarto. -- Sasuke finalmente disse algo enquanto a Hyuuga olhava o chão meio confusa. Não negaria, ainda mais por ter sido Mikoto a sugerir tal coisa.

 

     -- Tud... Tudo bem.










  Enquanto a chuva fina se tornava quase uma tela rasgada sob as janelas, Itachi apenas escutava o barulho da televisão ao fundo fazendo barulho no bar vinte e quatro horad total vazio. Estava um tanto cansado, ainda mais por nesse instante saber que o dia de amanhã guardava o tão esperado início da temporada de nevasca. O proprietário do ambiente apenas pairava seus olhos sobre a revista enquanto vez ou outra subia sua visão para o único cliente presente. Estava tarde, Itachi com um copo de whisky em mãos, então deveria tomar cuidado, mas seria bastante amedrontador para ele saber que esse cliente era um terrorista.


     -- Tinha esquecido do frio dessa cidade.


  Seu estômago sentiu um frio tão gostoso e amedrontador que ele apenas conseguiu olhar para o balcão a sua frente. Sentiria como uma coincidência de filmes, isto é, se ele realmente não soubesse que Ino sempre passava nesse bar após seus turnos no hospital. Estava há mais de vinte metros da residência da Yamanaka, e obviamente sendo a única coisa próxima a uma mercearia nas redondezas. Costumava passar e comprar alguma torta ou coisa do tipo.


     -- O ilustre pretendente não deu uma carona? -- Soou inevitável debochar enquanto a mesma fechava o guarda-chuva. Ino apenas respirou fundo com o comentário do moreno, mas levando em conta o copo em sua mão, estaria bebendo todas. Ou esperando alguém, a mulher que estava em sua casa outro dia. Escutar aquele nome a deixava meio enjoada após o almoço irritante que tivera, Gaara era um homem patético. E propositalmente Itachi tinha que comentar sobre ele justo agora, justo após seu turno atrasar e estar posessa com a falta de compromisso de alguns enfermeiros atrasados.

 

 

     --  Boa noite, Itachi. -- Comentou meio decepcionada em pensar vê-lo com a mesma mulher da outra noite. Passou simplesmente sem olhar para o moreno enquanto se direcionou para as grandes geladeiras ao canto do bar.

     -- Pode olhar no meu rosto, caso queira. -- Soltou o ar quente de suas narinas enquanto rodeava os dedos pela beirada do copo. Ino prezava o silêncio, até mesmo pela ética, odiria causar um estardalhaço colocando seus sentimentos em palavras, tanto por Itachi ser um idiota frio, quanto pelo proprietário de platéia para seu espetáculo.

     -- Precisa voltar e cuidar de sua mãe. -- O homem apenas olhava os dois meio alheio a toda carga de ciúmes que cuspiam em seus comentários de curto período. Tocou a torta que a loira colocou sobre o balcão e a colocou em um saco.

     -- Disse pra olhar pro meu rosto. -- Pontuou aumentando aos poucos a voz enquanto Ino relaxou os ombros respirando fundo. Ele não estava bêbado, conhecia Itachi como a palma de sua mão nesses últimos anos, mas ele se apropriou da situação talvez por conveniência.

     -- Estou olhando...

 

 

  Sussurrou enquanto ele apertava as próprias mãos meio irritado. Tudo o que viera pensando até parar nesse bar, todas as suas frustrações, tudo acabava na mesma situação. Em tantos anos de vida, Ino fora o mais próximo que tivera de alguém a partilhar algo. Olhava ao longo da cidade, em todos os sorrisos, olhares, e somente com a loira que conhecera desde pequena poderia se dizer ter as mesmas sensações. Mas era estranho, na mesma medida de tão errado e cáustico. Suas mãos coçavam de uma maneira irritante enquanto seus olhos cruzavam os azuis dela, somente apreensão vinda dela, era como um julgamento brando que o torturava a cada segundo.



     -- O que aconteceu entre a gente?
 

 

  O sussurro fraquejou seu tom um tanto, um erro pequeno somente, mas vindo dele soava gritante, ainda mais por ser aquele que sempre acertava nas palavras, mantinha a compostura e não vacilava em qualquer questão. Mas não era fácil se manter assim agora, por anos trocaram sorrisos, risadas e segredos, mas atualmente eram distantes, apsnas comentários superficiais sobre a vida do outro, tais como amigos de segundo grau. Odiava, sua mão ardia e o peito também, jamais se importava e se fosse outra pessoa ele acabaria ignorando, mas era a Yamanaka que acabava por chegar cuidando de sua mãe e deixando seu dia um tanto menos melancólico e vazio.



     -- Exatamente, Itachi. -- O sussurro saiu dos lábios da loira que apenas deixou um sorriso cínico escapar. Olhava o moreno enquanto a presença do dono até mesmo sumira em suas lembranças, mas era assim sempre afinal de contas, quando olhava aqueles olhos esquecia até mesmo a própria idade. Tudo. -- Não há nada entre nós... nada.


  Silêncio. Talvez os três passos atrás dados pelo proprietário fossem explicados pelo clima pesado que se instaurou. O tom da voz tão doce caindo aos poucos era difícil de ser digerida, Ino somente disse isso numa meia voz falha e de olhar inseguro. Uma expressão cansada e farta, mista a decepção cruel que tomava sua mente a cada momento que lembrava ser apaixonada por um homem que jamais lhe daria reciprocidade.

  Seus ombros estavam rígidos, sua postura meio exausta pelas horas de pé ao longo do dia, respirava quase que pelos lábios apenas perdido em alguma parte dos olhos azuis. Por um segundo cogitou tocar o rosto da mulher tão atraente e provocante que estava plantada a sua frente. Se o fizesse acabaria se arrependendo, mas se caso deixasse, se arrependeria ainda mais.



     -- Ino, eu... me desculpa.


  Talvez fosse o máximo que um dia escutaria dele, desculpas. Jamais um " preciso de você " ou até mesmo um " fica comigo essa noite ", mas era momento de seguir em frente, sempre soube de sua utopia, e esse sonho poderia ter apenas dois desfechos diferentes, uma conspiração do destino onde terminava com o homem que amava, ou a realidade explícita que ela tanto tentava maquiar, onde precisava superar seu amor estupidamente nutrido  por tantos anos.


    -- Não importa. Esquece.


  Sussurrou de maneira doce com o sorriso calmo, enquanto virou pegando sua bolsa deixada pelo homem. Continuou os passos como naquele dia, mas dessa vez não esperou que ele andasse atrás, apenas se conformou em deixá-lo sozinho, e até mesmo em ficar só. Suspendeu seu guarda-chuva deixando as gotas finas caindo sobre a lona negra do mesmo, sequer escorria de tão fina, a sacola de plástico era molhada pelo vento encharcado que vinha de encontro ao corpo da loira rapidamente. Quase caíra, mas fora sustentada pela mão firme do moreno que pegou a haste de metal do objeto protegendo a menor em meio ao frio. Não seria como aquele dia, se arrependera de não tê-la seguido, e se Itachi odiava alguma coisa, era viver com arrependimentos.


     -- Não precisa de mim?

     -- Preciso? -- Ino perguntou ao lado do moreno enquanto ambos seguim a estrada há poucos metros da casa da Yamanaka. Era uma pergunta retórica obviamente, apenas rumaram silenciosos até a entrada da residência da mesma.



  O barulho da porta finalmente cortou o silêncio da casa largada ao longo do dia, a chave ainda na porta apenas trancou a mesma enquanto o guarda-chuva fora deixado ao canto da porta. Itachi manejou a sacola com cuidado até o balcão da cozinha enquanto a loira colocou sua bolsa na poltrona ao lado do sofá. Se encararam poucos segundos até ele finalmente retirar o sobretudo colocando na cadeira. Ino limpou as mãos na pia tendo os passos do mesmo como gritaria, não só em sua mente, como também pela casa quieta e repleta de barulhos da chuva.


     -- E como andam as coisas no hospital?

     -- Normais, muitos pacientes, muita pressão. -- O moreno inclinou na beirada do balcão a olhando de costas. Finalmente terminara de lavar as mãos colocando a torta na geladeira e abrindo um pacote fechado.

     -- Pretende comer isso?



  Ino o olhou desentendida de imediato. Pensou duas vezes em questionar aquilo, mas era realmente errado, ainda mais se fosse levada em conta a quantidade de sódio que estava ingerindo com lasanhas, macarronadas, tudo oriundos de produtos prontos. Mas era o que poderia fazer, com tanta obrigação no hospital nem tinha tempo para si mesma. Sorriu secando as mãos e deslizando os fios loiros que caíam pelo rosto de maneira chata e repetitiva. Itachi apenas cruzou o balcão balançando a cabeça e pegou o pacote da mão dela colocando na geladeira.


     -- Estou sem tempo ultimamente. -- Ino comentou se justificando enquanto o moreno pegou alguns legumes e lavou as mãos em seguida.

     -- Chegou a hora de alguém cuidar de você. Irônico. -- O moreno comentou sorrindo enquanto puxou a faca de maneira rápida passando em cada legume deixado sobre a pia. Ino somente balançou a cabeça sentando no balcão enquanto o olhava, era surreal se fosse levado em conta o prazer que era ter justo Itachi cozinhando seu jantar. Não apenas prazeroso, mas estupidamente perfeito, afinal o amava. -- Pode tomar seu banho, quando descer o jantar estará pronto.



  Realmente precisava, gostaria de tomar um belo banho e deitar na sala para assistir algo. Era isso o que mentalizava quando caminhava até o bar da esquina, mas não mentiria, era muito melhor jantar uma comida preparada por ele e com sorte terminar essa noite na cama ao lado dele. Balançou a cabeça julgando a última parte, até mesmo debochou sabendo que era sonhar demais, apenas comer estava de bom tamanho. Subiu rapidamente e retirou as roupas rumando até o banheiro, os termômetros caindo pouco a pouco revelavam a queda brusca de temperatura que tomaria Nova York no início dessa manhã, mas apenas saber que não teria plantão amanhã a deixava mais calma.

  Itachi na cozinha de braços cruzados esperava apenas sua obra-prima ficar pronta. Não era como se fosse o melhor cozinheiro do mundo, mas sua omelete era bastante elogiada por dona Mikoto, o que ele vivia cogitando ser apenas o típico amor materno escondendo alguma possível falha. Ficaria pronta nos próximos minutos, pensava na conversa problemática que tivera com ela há alguns momentos, mas seria assim obviamente. Se conheciam muito bem, o laço que existia entre ambos era grande e complexo demais para ser entendido, então discussões eram coisas triviais, que como agora, poderia iniciar em desavença e terminar em risadas e conversas. Pensava em como de iniciara sua noite, pensando em como o rumo de sua vida seguiria, mas era revigorante se perder quando tinha a loira ao seu lado, era como se esquecesse sua preocupações, como se toda a utopia de solidão que criasse mentalmente, não passasse de nada mais que uma dramatização banal e momentânea.



     -- O cheiro não é dos piores. -- O moreno saiu de seus pensamentos olhando o relógio do fogão, cronometrou exatos quarenta minutos, e faltavam pouco mais de cinco. Olhou a Yamanaka que usava um short preto curto e uma camiseta roxa, os cabelos meio molhados eram secados enquanto ele se perguntava até onde aquelas madeixas loiras chegavam. Era lindas, extravagantes de tão perfeitas.

     -- Entendi o porquê do apelido porquinha. -- Comentou sendo recepcionado pela toalha que ela usava. Deu uma risada enquanto enrolou a mesma se voltando até a loira meio envergonhada pela situação em que estavam, afinal, era a primeira vez em que Itachi estava em sua casa, e ainda mais, sentia que o mesmo encarava sua pernas.

     -- Vamos comer ainda hoje?

     -- Pressa é inimiga da perfeição.

     -- O plantão de hoje me deixou exausta. Fala sério, estagiários atrasados me deixam possessa. -- O barulho da televisão ligando era o de menos, Itachi estava animado pelo fato dela falar sobre seu dia, ultimamente não falavam sobre muita coisa, então tê-la falando sobre um assunto espontaneamente era agradável até demais.

     -- Você consegue levá-los nas costas, é incrível demais.



  O moreno sorriu dando o prato na mão da loira que ficou meio vermelha estranhando, e até ele mesmo comprovou estar meio desconfortável com o que dissera, paraceu elegante na mente dele, certas coisas não precisavam ser ditas mesmo. Colocou a travessa de omelete na mesinha de centro enquanto a televisão ligada era efêmera perante a troca de olhares de canto que davam um ao outro. Como gostou de escutar aquilo, ser chamada de incrível era ótimo naturalmente, mas um " incrível " vindo de Uchiha Itachi era delirante de se escutar, mas nada disse, apenas assentiu meio lisonjeada e um tanto vermelha.

  Delicioso. Dos muitos dons de Itachi, cozinhar era mais um na lista extensa. Era tudo na medida certa, muito melhor do que a lasanha pronta que comeria, não negou dessa vez, teve que olhar o moreno que fitava a televisão meio vidrado, a mesma falava sobre a mudança de tempo. Era estupidamente sedutor em tão pouco, sorriu deixando a risada finalmente escapar ganhando um sorriso dele. Lembrava de Gaara, lembrava da face irritada que ele deixara evidente, talvez devesse se preocupar com isso? Provavelmente não, era um covarde pelo visto, e ter ao seu lado nesse momento alguém como Itachi, acabava anulando totalmente o fiasco de um almoço com o Sabaku de atitudes banais
.


     -- E o que fez hoje? -- Ino indagou enquanto o moreno lavava a louça meio pensativo. Ponderou a situação rapidamente. Era Ino afinal de contas, tinha sua total confiança, e além do quê, queria falar a verdade para ela. Sua vida estava vazia, sem a presença de uma pessoa especial, e mesmo sabendo que possivelmente jamais experimentaria um amor, não jogaria fora a chance de uma grande amizade.

     -- Lembra da mulher que estava lá em casa outro dia? Cabelos róseos e olhos verdes?

     -- Sim. -- Estranhou de pronto a voz vinda da loira. Ela arrastou tanto a simples palavra que pareceu desinteressada por demais.

     -- Ela acredita que o marido está tendo um caso com outra. Então me contratou pra ficar atrás do coitado. -- Comentou passando o braço pelo rosto enquanto a espuma do prato espirrou um pouco.

     -- Ma... Marido... ?

 

 

  Como gostaria de dar uma risada. Ela era casada? Se fosse uma piada ele deveria parar agora, porque somente ela sabia o quanto adorou escutar essas palavras. Não sabia quem era, mas adquiriu raiva da mulher apenas por vê-la na casa aquele dia, mas saber disso lhe tirou um peso tão absurdo dos ombros que quase se levantou e agarrou o moreno nesse exato momento. Mas não o fez pelo óbvio, não era nada dele, nada além de como ele dizia, " uma boa amiga ".
 


     -- Uhum. Também não entendi, ela pode arrumar outro e tudo mais. Pelo visto ama ele mesmo, então como preciso da grana resolvi aceitar.

     -- E está se saindo bem? -- Suas mãos esfregavam uma na outra enquanto sentia cócegas nas bochechas querendo sorrir. Escutou a água da pia ser cessada quando o moreno colocou o último prato na pia para secar.

     -- Ele é um canalha, logo consigo algo.



  O comentário saiu baixo enquanto ele bocejou sentando no sofá exausto, passara o dia inteiro de pé atrás de uma prova contra o estorvo. Realmente acreditava ser fácil, ainda mais sabendo da queda de Naruto por estudantes mais novas. O sofá de Ino era macio demais, mas não tão macios quanto a pele que suas costas debruçaram exauridas. Foi um pouco acidental ele diria, mas não voltou atrás, apenas continuou enquanto a mesma permaneceu inerte.

  Por parte da loira restava apenas prezar o silêncio. Sentia as costas dele sobre seus seios enquanto os cabelos dele caíam sobre seu corpo com aquele cheiro estupidamente delicioso inebriado suas narinas aos poucos. Não entendeu, mas não pareceu proposital por parte dele, aparentava estar bem cansado de fato. Suas mãos subiram aos poucos, era errado, mesmo sendo amigos sabia de sua queda, Itachi não era um declínio, era um profundo poço que a deixava sem fôlego, e poderia acabar sendo pior se deixasse seus instintos falarem por seus lábios. Mas não negou a si mesma, seus dedos subiram os cabelos dele, afinal era apenas um cafuné, deslizou suas unhas pelos fios lisos sentindo prazer em assim o fazer, mas não tanto quanto ele que fechou os olhos totalmente anestesiado e deliciado.



     -- Ino. -- Sussurrou o nome dela sentindo os dedos da mesma enrolando em sua cabeleira aos poucos. Os seios dela em suas costas eram confortáveis e bem acolhedores. Se alinhou no sofá até finalmente apoiar a cabeça no colo da menor que sorria vendo todo o cansaço do moreno, mas continuava o carinho.

     -- Pode falar...



  O tom baixinho soou nos ouvidos dele propositalmente vindo dela. Apenas passou os lábios pelo lóbulo dele arrepiando toda a região com o contato da maciez da região na carne quente do moreno. Seu rosto inclinado nas pernas dela sentia a coxa da mesma, a pele quente e branca que as mãos dele apoiavam. Os dedos em seus cabelos, a visão turva, o arrepio que tinha quando os dedos finos afagavam sua nuca aos poucos arrastando a unha, era um bálsamo de calmaria.


     -- Eu sinto muito, por tudo...


 


 

 







     -- Não é o luxo que está acostumada, mas é o que temos.


  Sasuke comentou com as mãos nos bolsos. Hinata usava apenas um roupão branco que lhe cobria após o banho, seus cabelos molhados e sentia um frio absurdo. O moreno apenas deixava seu olhar cobrir a menor um pouco, afinal era quase impossível sentir o aroma dela após o banho e não levar os olhos de maneira instintiva sobre a mesma.


     -- Não queria incomodar, obrigada. -- Sussurrou ainda sem graça com a presença dele. O quarto de Sasuke era apertado, apenas uma cama e o armário, nada nas paredes, uma janela com cortina. Eram sem dúvida alguma pessoas simples, e o moreno parecia até um pouco envergonhado com a situação, afinal conhecia a casa dela, enquanto a sua em contrapartida era tão efêmera.


  O moreno apenas assentiu a olhando por alguns segundos. Estavam envergonhados, tanto um quanto o outro, era evidente que assim seria após a mudança brusca causada por aquela noite onde a perolada finalmente sentiu a confiança necessária de confiar nele. Mas não só por isso, os toques, os olhares, palavras, tudo mudara de uma maneira tão rápida e natural que até mesmo soava traiçoeira e embaraçosa por alguns momentos.

  O silêncio era tudo o que precisavam, afinal Hinata agradeceria aos céus caso ele saísse do quarto sem dizer algo, até porquê estando na situação em que estavam, nem ao menos sabiam tratar um ao outro na devida forma. Suspirou sentindo o peso dos olhos dele sobre si, tentava se manter atenta no vidro da janela enquanto cada músculo de seu corpo parecia vacilar em um tremor diferente, tanto pela doença cruel que a fazia falhar, quanto pelo frio da água que recebera sobre o corpo há alguns minutos atrás.



     -- Não ficaram tão ruins. -- Limpou a garganta meio sem graça, meio tom, o suficiente para ser escutado sem aparentar estar tão nervoso, coisa estranha até mesmo por ser quem era.

     -- Hum?

     -- As roupas, pensei que não caberiam.

     -- Ficaram perfeitas, obrigada por tudo. -- Sorriu olhando o moreno sobre os ombros, queria somente deitar e não errar mais, talvez pelo tom usado por ele há alguns momentos, ele hesitou um pouco quando sua mãe sugeriu que dormisse na casa, então provavelmente estava incomodando.

     -- Por tudo... -- Sussurrou debochado ganhando um pouco da atenção dela. -- Como se fosse grande coisa.

     -- Como assim? -- Hinata indagou a ironia que ele mantinha não só nas palavaras, como também na expressão. Sentou na beirada da cama com as mãos sobre a calça de moletom o fitando.

     -- Nada. -- Passou os dedos pela nuca até afagar os cabelos aparentemente cansado, mas feliz por saber que amanhã teria seu início no trabalho. -- Mas enfim, eu vou te surpreender amanhã.



  Hinata passou a encarar com mais apreensão o tal assunto, agora que ele voltara a falar sobre, até porquê quando o mesmo dissera a respeito, Mikoto acabou acordando e disvirtuando a situação. Mas agora queria realmente saber do que se tratava, mesmo no fundo tendo certeza de que Sasuke manteria isso guardado como mistério. Era do feitio dele.

 

 

     -- O que pretende?

 

    -- Garanto que vai gostar, e muito. -- Comentou sentando na cama com as costas inclinadas na madeira tão gélida que até mesmo causava um arrepio agradável na lateral dos ombros abertos pela camiseta.


     -- Você é estupidamente irritante, sabia? -- Comentou enquanto o moreno de cabeça inclinada apenas sorria. Ambos separados em cada extremidade da cama, o silêncio que acompanhava os olhares era quebrado pelo som da água da chuva banhada pelas rajadas, a neve chegava, e isso era notório pelo piso gelado que os fazia fincar os dedos dos pés nas cobertas da cama.

     -- Já me disseram... -- O sorriso escapava de maneira fraca enquanto o cansaço tomava suas ações pouco a pouco, mas afinal era óbvio que assim ocorreria, acordara cedo e passara a maior parte do dia corrende de um lado para outro da cidade. Escritório de recursos humanos de Sakura, sua nova empresa, eram bem distantes, mas ainda ocupadas no centro. -- Mas vai te deixar feliz... eu prometo.



  Hinata manteve seu olhar sobre o moreno até que o mesmo sem hesitar ou mostrar receio deitou suas costas exaustas se alinhando ao lado dela na cama. Respiração fraca, olhar sobre o teto, estava ao lado da Hyuuga que permanecia sentada meio sem graça. Esfregava as mãos trêmulas temendo voltar a dizer algo, e se sentia idiota por assim estar, afinal era Sasuke, não apenas uma pessoa que aparentemente conseguia dialogar qualquer assunto, como a pessoa a quem havia se aberto há pouco, dito sua doença, e diferente de muitos, ele nem mesmo se importou, e ver Mikoto na sala a fez entender o porquê dele agir assim.
 

 

    -- Essas marcas...


     -- Desculpa.


  Os olhos perolados correram sobre o moreno deitado assim que o mesmo a cortou. Não entendera a atitude dele, tanto o modo como disse abruptamente, quanto o pedido de desculpas sem quaisquer razões. Mas Sasuke preservou um silêncio de poucos segundos somente deixando seu olhar calmo falar por si só. Não voltaria a tocar nesse assunto, mas o fez somente por saber que ela intentava indagar sobre sua marca. Gaguejaria, mentiria, e tentaria inventar algo se enrolando mais e mais, sendo assim optou pelo básico, uma mudança brusca assunto antes mesmo que ele começasse.


     -- Eu sei que ficou chateada comigo há alguns minutos, eu percebi. -- O moreno dizia pausadamente deixando clara sua calma mista ao sono que pesava suas pálpebras e o fazia vagar por palavras errôneas.

     -- Não sei do que está falando.

     -- Você é péssima atriz, essa sua expressão te entrega. Sabe, parece até um cachorrinho magoado. -- Comentou dando uma risada espontânea e leve que fez a Hyuuga ruborizar dando um tapa no peito dele, mas ainda achando delicioso o som que tal gesto exalava vindo dele. Era rouca e meio prepotente, agradável e hipnotizante, mesmo que irritante na mesma medida. -- Mas o caso é que eu não quis dizer que estava incomodando, só não queria começar um certo assunto, foi mal. Sabe, eu até queria que você dormisse aqui! Não... não que eu quisesse sabe, é que tava frio e tudo mais, então não me importaria se aceitasse e tudo mais, até porquê teríamos que andar muito e seria bem complicado com tanta chuva e tão tarde...

     -- Sasuke!



  O moreno parou de falar sabendo que era a segunda ou terceira vez que seu nome fora chamado pela Hyuuga. Se sentiu meio idiota, meio não, completamente tolo com essa atitude apressada e afobada em esclarecer seu ponto de vista, tão estúpido que era inevitável não deixar sua pele branca ruborizar de leve pelos cantos com seu orgulho meio debilitado depois disso. Braços cruzados e postura esticada na cama enquanto fingia encarar os próprios pés tendo de soslaio o sorriso nos lábios da menor que tremulava as mãos nos lençóis da cama.


     -- Está nervoso? -- Hinata sugeriu meio acanhada enquanto sua voz saía como uma agressão de vergonha ao orgulho do Uchiha agora calado. Engoliu seco, sua expressão apenas era gelada enquanto sabia jamais admitir, mas que era mais pura verdade.

     -- Por que eu estaria?

     -- Por nada, deixa.



  Silêncio. Suas respirações eram escutadas no quarto enquanto o moreno apenas fazia caretas consigo mesmo se xingando a cada segundo de algo pior. Obviamente fora tudo culpa de suas palavras apressadas e sem pudor, mas o que poderia fazer? Havia acabado de perceber estar em uma cama ao lado de Hinata, não apenas ótima pessoa, inteligente e especial, mas estupidamente atraente da cabeça aos pés e com uma estranha maneira de ser tímida e também estrategicamente emblemática quando o assunto era o confrontar. Ino fora seu único relacionamento, e nada que ultrapassasse um ou dois beijos, sua rotina nos últimos anos também não ajudou muito, dez anos trancado numa cela sofrendo tortura e tendo apenas a companhia de choros na noite, lamentações e lágrimas. Somente isso, nenhum toque, carícia, olhar, companhia...


     -- Estou feliz que tenga conseguido o emprego. -- Há essa altura ele simplesmente havia decidido parar de falar, até mesmo se julgara um burro sujeito a falhar nas palavras novamente, sendo assim era melhor o silêncio. Hinata em contrapartida percebera e estranhamente temeu que o assunto entre ambos morresse, temeu ainda mais pelo rápido vislumbre que tivera de vê-lo cruzando a porta para deixá-la sozinha. Não que tivesse medo, mas apenas não queria estar sem ele agora, uma estranha sensação de precisar, como chamavam?... Dependência.

     -- Que fofa, me espionando. Parece que a menininha inocente não tão inocente assim! -- Sasuke debochou ganhando mais um soco da perolada enquanto o mesmo a segurou tentando amenizar a atitude envergonhada dela. Ficara vermelha com o tom usado e as palavras.

     -- Você quem disse na estação! Seu idiota! -- Hinata dizia com o rosto ardendo e vermelho enquanto o socava para enfim ser silenciada pelo puxar do mesmo a fazendo deitar. Parou de falar, somente o olhou, estavam alinhados, frente a frente enquanto o mesmo segurou sua mão no meio de ambos os corpos. Tremia, estava gelada e o tremor que era seguido pelos músculos rígidos na subida dos polegares entregava sua doença.

     -- Então anda prestando bastante atenção no que falo.



  Sussurrou passando suas duas mãos sobre as dela enquanto as cobria aos poucos. Somente olhava aqueles olhos perolados sendo recepcionados aos poucos pelos fios azuis que caíam ao travesseiro naquela cama de solteiro apertada. Centímetros os dividam, e esses centímetros eram ocupados pelos dedos dela sendo acariciados. Como naquela noite, tremia e sabia disso, mas era estranho como não importava, como as mãos dele lhe traziam mais paz e calma, ainda tremulas, mas muito melhores e aconchegadas.

  Hinata mordiscou o lábio deixando sua visão já cansada apenas descer pelo boca dele meio ressecada pela noite, sentira o hálito quente soar apenas o necessário para arrepiar de maneira que causasse cócegas em sua face. Sasuke levou suas mãos até seu peitoral enquanto as batidas dele eram mais aceleradas, era longe de ser frenética, mas o suficiente para mostrar seu nervosismo. Suas mãos foram soltas apenas estando sozinhas no peito dele enquanto automaticamente espalmaram a região definda que era recepcionada apenas pelo tecido da regata que usava. Se não fosse pela mesma estaria sentindo a pele dele, a quente pele que parecia emanar calor pela roupa ínfima que era tão desnecessária para ela nesse momento. Peito desalinhado, sorriso simples que a fazia também perder os batimentos para uma arritmia deleitante e frio na barriga, o tocava sentimdo cada detalhe, a definição, o calor, a pele. Seus lábios prensados pelos próprios dentes enquanto nem mesmo percebera, somente se deu conta de suas atitudes quando enfim seu rosto ardera de maneira absurda, intentou retirar as mãos, porém ele não deixou.

 

 

     -- Mas estamos quites... -- Sussurrou meio sonolento com a carícia que sentira nesses segundos demorados, era lindo e tentador saber que Hinata lhe tocou por tanto tempo sem sequer se dar conta, era acolhedor e o fazia relaxar, as mãos trêmulas tão pequenas que o afagava por interiro. Suspirou deixando o ar quente exalar por suas narinas e lábios em seguida, suas mãos subiram até o rosto dela acariciando o rosto fino da Hyuuga em silêncio. Somente a olhou calado por pouco mais de cinco segundos, vira a silhueta perfeita daquele rosto se perdendo na visão turva causada pelo bocejo que dera. -- Porque eu também presto toda a minha atenção... em você.
 


  O sussurro quente e fadado a fez ruborizar agradecendo aos céus pelos olhos dele vendados pelo sono. Olhava o rosto de Sasuke somente sentindo o calor das mãos dele em sua pele, era errado, tão errado imaginar as mãos dele não apenas em seu rosto, mas por todo seu corpo. Continuou ainda o olhando, ele estava exausto e sua expressão agradecida pelo sono bem presente era evidente, calada o notava, cabelos negros, pele pálida, feição serena e lábios entreabertos.

  Suas pernas instintivamente se enrolaram nas dele meio tremulas, errava em se aninhar perfeitamente, mas se manteve até ter êxito, seu joelho se alinhou no meio das pernas dele enquanto desceu a outra mão dele até pairar em seus seios sentindo o que, de maneira que a fazia se envergonhar um pouco, tanto desejava sentir. Sentiu os dedos grossos e a mão quente tocando sua região farta enquanto a outra esquentava seu rosto. Seus corpos quase colados pela cama apertada, enquanto Hinata até mesmo gostaria que fosse ainda mais pequena, suas mãos no peitoral dele e cintura alinhada a dele, olhou a feição dele uma última vez sorrindo, Sasuke era sem dúvida diferente. Naruto, Kiba, todos que ela tanto queria, mas que agora se perdiam aos poucos em sua mente.

  Não era como se estivesse arrependida de tê-los em seu caminho, era até mesmo gratificante para enfim saber como era valioso, o que era ter alguém como Sasuke em sua vida. Um ombro, um apoio, um motivo para seguir sabendo que alguém ainda confiava, era aquilo que ultimamente tanto precisava, sua luz no fim do túnel.



     -- Sasuke... obrigada.

 

  Seu hálito apenas banhava a face dele até suavemente tocar os lábios dele, nenhum movimento, nenhum aproveitamento ou algo do tipo, desejava de maneira absurda envolver seus lábios nos dele e sentir o gosto daquilo de uma vez por todas, excitante, algo que ainda não experimentara, aquilo que nem Naruto ou Kiba conseguiram tentando ao máximo, a deixar excitada apenas com a presença. Respirou sentindo a dele também junto ao seu rosto, talvez outro dia, talvez nunca, poderia ter a sorte ou jamais experimentar. Mas de uma coisa tinha certeza, Sasuke merecia ser feliz, ter uma mulher a sua altura, e nesse momento Hinata sorriu consigo mesma, porquê não negaria a partir de agora estar interessada em tomar posse desse lugar.



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