História Doce Vingança - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Itachi Uchiha, Sasuke Uchiha
Tags Hinata, Sasuhina, Sasuke
Exibições 236
Palavras 6.804
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hoje teremos uma revelação pesadaaaa!!! Hahahah, então podem se preparar ♡♡♡♡

Capítulo 12 - Blood of my Blood


 






     -- Garoto!


  Sasuke em meio a seus pensamentos apenas balançou a cabeça dando a devida atenção a mulher parada e com uma prancheta em mãos. De tanta repetição, seus movimentos acabaram se tornando meio robóticos, descer, pegar caixas, subir, colocá-las no chão. Somente isso, até mesmo se sentia um inútil por ser contratado para algo tão estúpido, mas era um emprego afinal de contas, então faria o obrigado.

  Shizune era o nome da moça. Cabelos negros e meio picotados na medida dos ombros, bastante bela para a idade, afinal possuía seus quarenta e tantos anos. Era não apenas sua encarregada, como braço direito da loira sentada de pernas para o ar com uma garrafa de saquê, bebida alcoólica tradicionalmente japonesa, em mãos. Tsunade. Era difrente de tudo aquilo que presenciou no dia passado, a mulher elegante e de atitudes certas, agora se passava por uma beberrona amante de jogos, que constantemente recebia telefonemas de um certo Hashirama, este que a todo instante a enchia de esporros por perder tantas economias em apostas.

  Mas não importava quantas vezes fosse chamado, justamente nesse dia, justo em seu primeiro dia de emprego, Hinata sequer lhe deixava raciocinar direito. Lembrava a cada instante recebendo uma fisgada gostosa e fria na barriga. O semblante que inaugurou o abrir de seus olhos nessa manhã, a respiração calma com os cabelos bagunçados e totalmente espalhados pela cama, a mão dela em seu rosto enquanto a sua espalmava de maneira fixa os seios dela, o deixando totalmente desconcertado e beirando a cair da cama pelo tamanho e maciez que até o mesmo o fizera pensar três vezes se queria realmente tirar suas mãos. Mas o que realmente lhe deixou pasmo e inerte, mesmo sendo tão fácil de se livrar, o permitiu apenas estar paralizado e quieto por alguns minutos. Seus lábios tocavam os dela, como se não houvessem se mexido, ou mexido o suficiente para que acabassem estando nessa situação. Sua boca roçava na dela a cada respirar, o tecido de textura tão fina e deliciosa que ele conseguiu apenas levar os dedos apreciando toda a maciez desenhando cada lábio por longos momentos.



     -- Coloca isso aqui, desce e tranca a sala.


  O moreno descia os degraus sorrindo de sua total falta de atenção nesse início de tarde. Deixara Hinata na entrada da estação de metrô totalmente sem palavras, apenas quieto e de sorriso que nascia naturalmente a cada segundo. Era inevitável não lembrar da perolada, do calor que ela possuía, e do calor que o transmitia. Talvez a essa hora ela estivesse em casa estudando ou algo do tipo, afinal chegara no trabalho às nove da manhã, e sairia às três e meia.

  Trancou a sala um tanto escura pela ausência de iluminação. O que lhe chamava a atenção era a estranha porta trancada com seis cadeados grossos, correntes e fechaduras enormes, possuía até uma barra de metal encostada na parte inferior. Mas sendo seu primeiro dia, preferiu não fazer muitas perguntas. Porém havia uma questão. Tantos fogos, produtos de pirotecnia, bombinhas, artigos de tanto barulho e fumaça absurda, afinal, a maioria dos produtos eram oriundos da China, uma grande exportadora, e era até mesmo plausível, afinal em questão de fogos o Ano Novo Chinês ultrapassava qualquer um em grande escala. Tudo isso, cada pacote, embrulho, utensílio. Tudo lhe transportava até o dia da tragédia.

  Explosões. Sua cabeça somente vislumbrava o que seus olhos presenciaram dez anos atrás. O atentado que estranhamente acontecera enquanto se dirigia para dentro da agência por convite de Hiaishi. Tudo arquitetado, uma armação que até mesmo Sasuke tinha que tirar o chapéu. Naquele dia, ele fora chamado para resolver de uma vez a situação de Mikoto, que há meses era o maior algoz da relação entre o afoito garoto de quinze anos, e o empresário aspirante a político. Uma armação, um plano, quinze anos de cadeia, e o abandono para sua mãe. Logicamente era tudo o que ele queria, sendo Sasuke o irmão de um terrorista procurado, obviamente os holofotes de uma explosão a céu aberto na zona comercial de Nova York, acabaria caindo tudo em sua conta.

  Seis pessoas mortas. Lembraria dos corpos por toda sua vida. Hiaishi era tão imundo que nem mesmo seus funcionários ele poupou. Para que tudo ocorresse de maneira natural, e alegar ao mundo que Sasuke era um perigo, assim como seu irmão. Um julgamento que na época aconteceu às surdinas, logicamente o poderoso empresário odiaria se envolver em questões de mídia, então um dinheiro sujo aqui, um favor dali, e uma passagem só de ida para o presídio de segurança máxima do estado.



     -- Nem pergunta. Ela tem um abismo pro álcool. -- Shizune comentou riscando algumas coisas em sua prancheta e soltando o ar pelas narinas. Não eram uma empresa de grande porte, visivelmente. Sasuke notara isso de pronto, estavam mais no quesito pequenos negócios, afinal, tirando ele, Tsunade possuía apenas mais três funcionários. O entregador, o atendente, e Sasuke.

     -- Pode me colocar pra deitar se quiser. -- Ela sorriu fingindo embriaguez enquanto o moreno apenas se afastou com um sorriso amarelo, levando em conta os rapazes que trabalhavam no ambiente, Tsunade possuía uma espécie de tara por funcionários mais jovens e belos.

     -- O que mais? -- Indagou enquanto a moça olhava os ombros dele até que o mesmo puxou a camisa fina de mangas longas. Todos pareciam dar extrema atenção à essa marca, isso era odioso. Shizune olhou duas vezes para Tsunade enquanto a mesma apenas virou a face como se percebesse o olhar de Sasuke sobre ambas.

     -- Sabe dirigir?

     -- Sim, por quê?

     -- O entregador acabou de sair e ta muito sobrecarregado hoje, as festas são daqui uns dias, pode ajudar ele? Seu trabalho acabou aqui dentro por hoje.

     -- Claro, mas não tenho carteira.

     -- Quem liga, isso aqui é a América, vai logo! -- O moreno assentiu pegando sua jaqueta sobre a cadeira e a chave do automóvel em seguida. Não mentiria ter gostado, afinal amava a neve, e o dia havia começado com a descida fraca da mesma.



  Um gelo. Logo que pisou fora do estabelecimento sentiu seu corpo contraindo automaticamente pela sensação gélida que o tomava. Não era uma nevasca por assim dizer, mas para o primeiro dia estava bastante forte, o vento era bem forte e as pessoas andavam apressadas enquanto ele apenas entrou no automóvel ao canto da calçada. Logo que entrou olhou um extenso caderno velho e empoeirado largado no painel, aquilo era enorme, cheio de folhas soltas e algumas coloridas como espécie de lembretes, sem qualquer cuidado, deveria ser o caderno de entregas, cada automóvel possuía o seu, isso que escutou Shizune falar mais cedo com o entregador. Olharia depois, mas não faria diferença, afinal tanto o manuscrito quanto automóvel eram bem antigos, então deveriam ter sido usados antigamente. Bufou e botou as mãos no volante, afinal sua primeira entrega ele sabia de cabeça, avenida Broadway.

  Lembrara que a última vez que dirigiu foi há quinze anos atrás, até mesmo acordou sem a presença de Itachi em casa essa manhã, mas seu Opala tão amado estava em casa, o que julgou muito estranho, levando em conta que o mais velho era aficionado pelo automóvel, não saía pra um lugar sem o mesmo. Revirou os olhos com o trânsito a sua frente, gostava de dirigir, mas o tráfego dessa cidade era um caos, obviamente seu dia seria extenso, e até mesmo o deixava bastante ansioso batendo os dedos no volante, afinal não poderia atrasar, teria que sair do trabalho na hora certa, até porquê tinha um compromiso às quatro, veria Hinata.








     -- Ino... Ino! Vamos, acorda.


  O moreno passava as mãos pelo rosto totalmente atordoado pelo horário que era estampado nos relógios da casa da Yamanaka. Onze da manhã, não lembrava de há muito tempo ter dormido tanto, mas levando em conta seu cansaço e o plantão que ela tivera, era até mesmo justificável. O barulho da televisão ligada o fazia ter noção de que adormeceram conversando, ele antes obviamente. Dormiram no sofá, até um tanto constrangedor, acordou deitado no colo dela com as mãos da mesma em seus cabelos, mas a sensação de vergonha sumia ao lembrar do cafuné delicioso que recebera até cair nos braços de Morpheus, e estranhamente, o deus do sono possuía cabelos loiros, corpo delirante, olhos azuis e um cheiro que o fazia beirar a tentação.


     -- Não tenho plantão hoje, é mentira! -- Itachi abriu o sorriso com a tentativa da Yamanaka em se defender. Era linda cobrindo o rosto, se balançava tentando afastar as mãos dele enquanto se enrolava mais e mais no sofá.

     -- São onze horas, estou atrasado. -- Comentou sentando na beirada da mesinha de centro enquanto passava as mãos pelos cabelos totalmente exausto e com os ossos bem contraídos.



  Balançou a cabeça sabendo que a Yamanaka não acordaria tão cedo. Subiu as escadas meio sonolento, tentando achar o banheiro enquanto suas mãos se sustentavam a cada pedaço de parede ao longo do corredor. O chuveiro fora ligado quando finalmente se dera conta pelo basculante do banheiro, toda a neve que esbranquiçava a imagem perfeita da estrada. Mesmo odiando tinha que admitir, era linda. Tomou um banho enquanto a água quente aos poucos acabava embaçando as janelas e o ambiente, era deliciosa a sensação enquanto seus cabelos totalmente encharcados caíam pelas costas, de certo estavam enormes, talvez devesse cortar algum dia.

  Pegou uma toalha e se secou rapidamente. Colocou as roupas enquanto o sono acabara de ir embora de uma vez. Sakura acabaria o matando caso soubesse disso, seu trato era observar o Uzumaki desde bastante cedo, oito horas da manhã. Desceu as escadas meio apressado, provavelmente a Yamanaka ainda estaria dormindo, mas fora nesse seu pensamento que parou ainda no segundo degrau olhando a loira sentada coçando os olhos.



     -- Você é um hóspede bem ingrato. Saindo de fininho assim.

     -- Te chamei várias vezes, seu sono é pesado. Tomei banho, se não se importa. -- O moreno sorriu passando seu agasalho pelos ombros sentindo um ar gelado por estar meio molhado.

     -- Quero café.



  Suas mãos pararam sobre a maçaneta enquanto a loira apenas disse isso de maneira rápida. Se fosse outra pessoa ele apenas soltaria sua típica risada nasal e abriria a porta, mas era Ino, além de dormir na casa dela, ainda era a pessoa mais adorável que conhecia, certamente se fosse ao contrário ela faria. Relaxou os ombros com uma feição meio debochada, a Yamanaka era às vezes bastante abusada, mas ainda mais linda de manhã.


     -- Ninguém pode saber disso. -- Comentou a ameaçando de maneira cômica e a loira apenas fez um gesto de autodefesa com as mãos, não acreditou que ele cederia, talvez tivesse seus momentos de sorte.

     -- Vou tomar banho!



  Definitivamente Sakura arrancaria sua cabeça. Estava mais do que atrasado, onze e meia, ainda atrasado, ainda longe de seu destino. Possivelmente a essa altura já teria perdido alguma oportunidade de flagrar o Uzumaki. Puxou do armário embutido um refil de café, nessa parte não levava muito jeito, mesmo que pudesse ser estupidamente fácil. Esquentou o leite e preparou o café enquanto escutava o barulho do chuveiro, provavelmente ela estava tomando banho de porta aberta, isso era extremamente abusivo para sua mente, pensar na possibilidade... não, absolutamente não.

  Guardou tudo enquanto limpou a leiteira após servir em duas xícaras o café. Pegou o saco de pães de forma e colocou na torradeira por poucos minutos até finalmente a luz vermelha indicar que estavam prontos com o saltar dos mesmos. O barulho do chuveiro havia acabado, para sua sorte e sanidade. Pegou uma travessa de mortadela e uma de presunto, por sorte a loira demorava a se arrumar e secar os cabelos, até porquê eram dignos de demora, lindos, sedosos e cheios de brilho, longos até a medida da cintura e...



     -- Merda!


  Sussurrou ao cortar uma fatia de presunto, quase se cortara também, pensar em Ino estava o deixando aéreo demais. Era melhor prestar atenção, pegou o ralador de presunto e fizera tanto nele quanto na mortadela, o liquidificador fora ligado e recepcionado por tudo de uma vez, junto da cebola até que o barulho, que ele sempre julgou irritante, se iniciou o fazendo esperar saturado. Perfeito, patê de presunto. Estava pronto, misturou a maionese e colocou no freezer da geladeira por alguns segundos, mas levando em consideração essa manhã gelada, fatalmente acabaria ficando boa rápido.


     -- Espero que me surpreenda. -- Limpou as mãos meio gordurosas na água bastante fria. Secou enquanto puxou a cafeteira depositando o líquido quente na xícara da loira que sorria totalmente arrumada. Ela não teria plantão essa manhã, como ela mesma disse, então teria marcado de sair com Gaara? Que irritante.

     -- Não é como se eu fosse um cozinheiro cinco estrelas.

     -- Sei que vou adorar. -- Sorriu bebericando o café enquanto o moreno apenas retribuiu o gesto, porém mais animado com o comentário. Mesmo assim ainda soava repugnante saber que enquanto estaria atrás de Naruto, Ino estaria se divertindo com o rapaz endinheirado.



  Comeram em silêncio, somente se entreolhando enquanto a loira aparentava estar bastante animada, e isso era uma espécie de tortura, mesmo não entendendo o porquê de se importar tanto. Lavou a louça enquanto a Yamanaka agradeceu e rumou até seu celular respondendo algumas mensagens. Possivelmente o riquinho esnobe, Itachi pensava quase quebrando a torneira e a louça. Tentava levar seus pensamentos até Sasuke, seu irmão deveria estar trabalhando e animado, e isso o deixava feliz, mas nem isso estava predendo seus pensamentos com os sorrisos que a loira dava para a tela do celular. O que poderia ser tão engraçado? Que maldição.


     -- Obrigado, Ino. -- Comentou meio entre os dentes pela demora e atenção que ela mantinha na frente do celular. -- Estou indo.

     -- Vamos! -- Disse animada largando o aparelho na estante e colocando o casaco.

     -- Não pensei que tinha plantão essa manhã. -- Não era burro, obviamente jogaria uma indireta para obter a verdade. Era óbvio que ela sairia, mas se sentiria mais feliz consigo mesmo se fosse com uma amiga de trabalho. Ou qualquer pessoa que não fosse Gaara.

     -- Não tenho. -- Pontuou pegando suas chaves do automóvel na bancada. Trancou a residência rapidamente verificando se a chave reserva estava sob a jarra pesada de flores que deixava ao lado da porta. O moreno rangeu os dentes, nem obteve uma resposta esclarecedora. Mas ela estava linda, sempre estava afinal de contas, mas com aquela jaqueta azul e calça preta, era um ultraje para sua mente, ainda mais sabendo que seria o imbecil da alta classe a estar do lado dela. -- Entra.



  Sua atenção fora roubada pela Yamanaka que abriu a porta do automóvel frente a ele. Desentendeu. Permaneceu parado enquanto ela com uma das sobrancelhas arqueadas o olhava paralisado na calçada com as mãos nos bolsos. Bufou sua franja enorme e revirou os olhos com as mãos pegadas ao volante já com o cinto posto.
 

 

    -- Pretende ficar aí parado? Vai pegar um resfriado.


     -- Onde vamos?

     -- Preciso comprar uma árvore de natal, e vou seguir o Naruto, com você.

     -- Hum? Mas nem por um cara...

     -- Olha a boca! É lindo demais pra ficar xingando. Entra logo!



  Ino deu uma risada com a feição dele mais envergonhada. Sabia que a loira sempre chamava sua atenção quando beirava a falar uma palavra de baixo calão, mas era melhor ainda com esse elogio vindo da mesma. Limpou a garganta meio vermelho, era até mesmo ridículo estar nessa situação, sentir o rosto arder, que imbecilidade. Entrou no automóvel olhando a Yamanaka de lado, era uma pessoa sem qualquer noção de vez em quando. Balançou a cabeça em uma negativa quando a loira arrancou com o automóvel o obrigando a agarrar o estofado do banco, das duas uma, ou seria um longo dia, ou com a habilidade de Ino no volante, acabariam mortos em alguns segundos.









  Logo que a porta fora fechada atrás das costas do novo funcionário, Shizune apenas sustentou a chefe pelo braço a puxando para os fundos do depósito agora bem mais vazio que o costumeiro. Eram três e vinte, Sasuke havia acabado de ser liberado de seu primeiro dia, mas com as devidas observações por parte da supervisora de cabelos curtos. Estava frio, a neve era cada vez mais presente naquela sala, ainda mais por ela ser tão úmida e repleta de tijolos e concreto.



     -- Para de fingir estar bêbada. -- Shizune reclamou assim que ajudou a loira a se sentar na poltrona acolchoada no canto da sala interna do ambiente. Conhecendo Tsunade há mais de vinte anos, sabia que era muito mais forte para bebida. -- O garoto... o novato, o que pretende?

     -- Do que você ta falando, Shizune? Não está tão velha pra ficar falando coisas desconexas. -- Retrucou debruçando sobre o braço da poltrona enquanto olhava as paredes do quarto que acabava passando a maior parte dos dias.

     -- Não sou idiota, Tsunade, me diz! Eu vi que jogou fora todas as fichas de candidatos, não leu nenhuma. Contratou o Sasuke só pra tentar dormir com ele?

     -- Não seja burra! Quanta idiotice! Está insinuando que sou o quê?

     -- Não foge do assunto! Por que contratou o Sasuke? Por que me mandou colocá-lo para as entregas? Vai, me diz!

     -- Não te devo explicações... que atrevida! -- Tsunade deu uma risada puxando as bochechas da menor que revirou os olhos, sua relação com a mais velha era bastante animada, mas também era difícil ser levada a sério quando queria.

     -- Trabalho com você há duas décadas, sou o mais próximo que tem de uma amiga! Se não confia em mim... então não sei nem o que pensar de nós duas.

     -- Para de drama, Shizune. Ta! Você venceu! Eu conto.

     -- Obrigada.

     -- Eu não sei o que a Sakura quis quando mandou o currículo desse rapaz e o endereçou para mim. -- Suspirou meio cansada enquanto olhava mais saquê no canto da sala, mas fora interrompida por Shizune que o afastou pigarreando para que a mesma seguisse a explicação. -- Precisa entender que eu não planejei isso. Mas... mas quando ela o enviou até aqui, lembrei que Sasuke foi o rapaz preso há dez anos atrás, aquele que te falei.

     -- O terrorista?

     -- Isso! Mas ele não é terrorista! Ele foi julgado e preso como um, por causa do irmão dele que é bem conhecido por essas coisas, mas não foi o Sasuke quem causou o atentado naquela agência.

     -- Não estou entendendo...

     -- Se calar a boca vai entender! Enfim, eu não sei se o é destino querendo justiça, ou se a Sakura sabe e tem algum plano pra limpar a ficha do Sasuke. Mas a questão é, os explosivos comprados para aquela noite, foram comprados aqui.



  O olhar da mais nova paralisou. Como Tsunade guardou algo tão estrondoso de maneira tão simples? Se era verdade tudo o que estava falando, então isso poderia ter sido usado para que Sasuke não houvesse sido preso há dez anos atrás, como ela mesma disse. Olhava a mais velha tentando entender o porquê de tudo isso enquanto imaginava se realmente Sakura tinha alguma parte nisso, provavelmente não, afinal conhecendo a afilhada de Tsunade, sabia que a mesma agia somente em prol do que era melhor para si mesma. Dificilmente ajudaria um ex-detento, fora que mandara outros currículos, o de Sasuke estava acidentalmente entre eles.


     -- Como sabe que foram comprados aqui? -- O barulho dos passos na loja eram de um cliente, mas seria atendido pelo funcionário que cuidava dos telefonemas. Sua atenção era toda sobre a história da Senju, isso era absurdamente bestial, ainda mais por ela ter guardado isso há tanto. Caso houvesse falado na época, Sasuke seria inocentado, Hiaishi teria sido preso e nem mesmo estaria concorrendo para governador.

     -- O caso foi muito abafado, Hiaishi odiaria que isso fosse a público. Mas meu avô, Hashirama, era comissário da polícia de Nova York na época, dois dias depois do incidente ele veio conversar comigo e me perguntou sobre os explosivos que eu guardo na sala lá embaixo. Falou que os mesmos achados pela perícia no caso, eram os vendidos aqui. Perguntou se Sasuke havia os comprado, e me mostrou a foto dele, era só um garoto de quinze anos na época... -- Sua voz travou na garganta nesse momento, fora por isso que fingiu estar embriagada na frente dele, não conseguiria se manter normal olhando o rosto do homem que fora injustiçado há anos atrás, e em parte, muito disso fora sua culpa também. -- Ele disse que o Sasuke vinha perseguindo o Hiaishi nos últimos meses, segundo ele, a mãe do rapaz estava doente por culpa das indústrias Hyuuga. Então eu... confirmei... me envergonho disso até hoje, mas confirmei que foi o Sasuke quem comprou.

     -- Tsunade... -- Shizune sussurrou de maneira desacreditada. Sabia e conhecia a mais velha, porém isso era de proporções absurdas, até mesmo para ela.

     -- Eu sei... me sinto culpada por tudo isso, mas eu... eu não sabia o que fazer.

     -- Porque não falou a verdade? -- Seu tom aumentou de maneira automática. Era bestial, totalmente incompreensível. Olhava atônita e com a feição pasma, era um absurdo, somente isso, nem palavras tinha ao certo para denominar aquilo.

     -- O homem que comprou me ameaçou! Disse que se alguém soubesse quem os comprou acabaria vindo aqui e me matando.

     -- Você foi ameaçada e não fez queixa? Seu avô era o comissário! Ele tomaria uma atitude!

     -- Eu sinto tanto...

     -- É bom que sinta mesmo! Você acabou com a vida de rapaz! Tem noção da merda que escondeu, Tsunade? Essa foi longe demais, não posso acreditar no fez... destruiu a vida do Sasuke! Eu não sei onde eu to cabeça que ainda estou aqui.

     -- Por isso quero ajudá-lo agora...

     -- Quem era o homem? -- Shizune inquiriu de maneira firme apertando o encosto da cadeira.

     -- O nome dele está no livro de entregas, por isso contratei ele, por isso mandei o Sasuke as fazer. Talvez ele descubra quem fez o pedido, e prove...

     -- O que? Ele vai milagrosamente achar o nome de um pedido feito há dez anos atrás? Você é mais estúpida do que aparenta!

     -- Não posso me envolver...

     -- Se envolveu há dez anos atrás, pelo menos dessa vez faz a coisa certa. Fala o nome do homem que fez a compra dos explosivos. Fala de uma vez! -- Suas mãos apertaram os ombros da loira enquanto a mesma respirava fundo e cansada. Toda sua consciência pesada, sua respiração farta e a mente pensando em mil coisas ao mesmo tempo.

     -- Não lembro bem, era um nome meio fora do comum, egípcio talvez, eu não sei...

     -- Eu sei que se lembra. Me fala de uma vez, e amanhã vamos dizer isso ao Sasuke. -- Seus olhos eram fitos sobre os da mais velha enquanto a encarava de maneira séria. Não importava como o faria, mas Tsunade teria que fazer algo a respeito, mas não agora, esperaria até amanhã, até saber o que Sasuke faria a respeito.

     -- Sabaku no Gaara.












  Todos os olhares dos funcionários caíam sobre as costas largas banhadas aos cabelos negros que cruzavam a entrada do edifício até passar pelos andares. Principalmente os olhares femininos, afinal Neji sempre fora um poço de beleza, logicamente qualquer pessoa que passava por ele acabava quebrando o pescoço para ter mais visão sobre a imagem dele. Era até mesmo deprimente para o ruivo estar ao lado dele, obviamente a aparência de Gaara sempre fora elogiada, mas era difícil se comparada a exuberância do Hyuuga mais velho. Possuía vinte e nove anos, enquanto Gaara possuía apenas um ano a menos.

  Longe de ser como Hizashi ou Hanabi. O Hyuuga, de aparência serena e madura, conquistou seu próprio império com o seu esforço, sem qualquer ajuda de seu tio Hiaishi, ou qualquer mérito que o sobrenome lhe impregnava. Sua esposa, Mitsashi TenTen, ainda permanecera em Seul, afinal passaram a morar na Coréia do sul após o casamento e a construção da sede empresarial. Sua vida girava em torno de negócios, dono de uma seguradora aspirante à grandes investimentos, sendo assim era o que poderia ser chamado de empresário. E sua última grande parceria fora fechada ainda na madrugada anterior, em Paris.



     -- Está mais sério do que nunca.


  O perolado comentou assim que pisou na sala de Hanabi, do outro lado da sala estavam Hiaishi e Hizashi, enquanto estranhamente a presença do alto homem o incomodou, afinal de contas nunca vira Orochimaru, e o mesmo estava na sala presidencial como se fosse uma pessoa bem importante. Seus olhos correram rapidamente sem causar percepção, mas era até mesmo normal vindo dele, afinal sua suavidade nos movimentos era uma espécie de marca registrada.

  Mala de metal. Obviamente essa combinação gerava especulações enormes, ainda mais estando ela acompanhada de uma corrente metálica bem grossa e estrategicamente posta ao lado dele em uma espécie de fácil acesso.



     -- Estamos. Nossa campanha está bem fraca nesse returno, pelo visto perdemos muitos eleitores. -- Hanabi comentou bufando enquanto digitava algumas coisas em seu notebook. Era praticamente a segunda naquela empresa, isso porque Hizashi não ocupava qualquer vaga, aparecia quando convinha, e apenas mantinha suas conversas estreitas com o irmão mais velho.

     -- Não seguiram meus conselhos.

     -- Não te pagamos pra dar pitaco! Faz um favor, vai buscar um café... obrigada.



  O mais velho somente olhou o ruivo trincando os dentes com a postura meio rígida. Gaara aparentava ser bastante nervoso quando testado, e conhecendo sua prima, sabia que o trabalho dele era bastante complicado. Suspirou cruzando os braços, quando mais novo era tratado com euforia, até mesmo recebia longos abraços e muitos sorriros pelas primas, mas atualmente Hanabi estava tão fria que mais parecia um clone feminino do dono daquela empresa.

  Passou a mão pelo osso do nariz rapidamente correndo pela nuca e cabelos, talvez se tivesse sorte a mais velha não se tornaria assim, mas pensando em Hinata, onde ela estaria? Obviamente sempre soube da negligência que ela mantinha para assuntos políticos e capitais, mas às vezes quando passava na empresa ela estava presente auxiliando alguns funcionários, sempre fora muito gentil, coisa que até mesmo o inspirou.



     -- Está muito ocupada? -- Indagou olhando a prima mais nova que parecia bastante atenciosa com o que digitava, talvez movimentando grandes extratos bancários, ou apenas escolhendo qual sapato internacional compraria. Pigarreou reafirmando que falara algo quando enfim ganhou a atenção da menor que sorriu meio sem graça, parecendo ou não Hiaishi, ainda havia alguma pitada de Hikari dentro da mesma.

     -- Rotina... -- Suspirou passando as mãos pelos cabelos se assegurando que estavam bem alinhados, afinal se preocupava muito com a própria aparência. -- Por quê?

     -- Estou com saudades da cidade, vamos dar uma volta!










     -- Eu ainda não acredito nisso...


  Itachi olhou nos olhos azuis da Yamanaka deixando o sorriso bobo sair aos poucos. Sua intenção era ganhar a carona, mas não sabia que a loira realmente estava falando sério, mas pelo visto se enganou, ainda mais agora que estava frente a ela dentro da cafeteria cercada de barulho e estudantes animados. Horário avançado, eram três e quarenta, e pelo visto a flexão de tempo na instituição era enorme, afinal de contas parecia que toda a escola havia descido para passar as horas no estabelecimento.

  Mas mesmo em meio a tudo isso, seu objetivo ainda não saía da cabeça, ainda mais nesse momento crucial e de grande valor para sua tentativa. O Uzumaki estava sentado na mesa mais escondida da cafeteria, frente a ele uma bela jovem de enormes cabelos ruivos. Sorriu quando a mão dele correu pela madeira até tocar nas dela, as pernas da mesma também não mentiam sob a mesa, deslizavam do joelho até o início dos pés, eram carícias carregadas de conotações sexuais, ainda mais carregadas pelos olhares que trocavam.



    -- Pode admitir que assim é melhor, não soa tão óbvio quanto um poste sentado e encarando todo sério.

     -- Eu não ficaria enca... espera, poste?

     -- Assim é mais natural, agora segura minha mão.

     -- Segurar o qu...

     -- Só faz o que eu to mandando! -- Ino sorriu vendo a feição meio perdida do moreno totalmente sem graça. Passou a mão pelos cabelos enquanto o Uchiha totalmente receoso correu os dedos de maneira tão lenta e atrapalhada que ela mesma concluiu o toque.

     -- Quanta bobeira. -- Frisou virando o rosto enquanto segurou as mãos dela sentindo a leveza e maciez que ela possuía, em contrapartida era meio degradante por lembrar que as suas mais pareciam de um pedreiro, pesadas e grossas. Ino deu uma risada boba passando as mãos pelos cabelos fingindo ter recebido um elogio, era uma ótima atriz, tinha que tirar o chapéu.

     -- Você iria adorar isso. -- O moreno fez uma careta absurda enquanto a loira colocava de maneira suave a câmera sobre a mesa coberta com o sobretudo, deixando apenas a lente evidente de maneira impercetível. Se não bastasse atrapalhar sua investigação, Ino ainda o atrapalhara de ter a visão ideal, afinal até o lugar especial ela usurpou. Mas de certa forma era ótimo, afinal ela não estava com Gaara, eram somente os dois, e mesmo que pudesse atrapalhar seu trabalho, ainda era extremamente agradável tê-la por perto.

     -- Loira abusada...










  O barulho naquele ambiente era enorme, mesmo levando em conta que era um local aberto. Muita neve nesse horário, quatro horas, como havia falado. Era uma tarde que escurecia mais a cada segundo enquanto as pessoas correndo, de e para suas rotinas, apenas esbarravam umas nas outras, não se conheciam, e talvez jamais fossem se conhecer, mas se cruzavam diariamente batendo nos ombros umas das outras, alguns ao celular, outros mantendo os olhos apenas na direção em que queriam chegar.

  Seu primeiro dia, mas ainda era bastante cansativo. Por sorte seu horário não era dos mais pesados, até mesmo deveria agradecer pela carga horária suave, tirando é claro a parte de carregar inúmeras caixas ao longo do dia, porém tinha em mente ser um emprego rápido. Talvez uma faculdade, mas antes deveria terminar seu ensino médio, e esse era outro problema. Outra coisa, outra oportunidade tirada por Hiaishi, possuía apenas seu fundamental com metade de um ano iniciado no colegial. Sem dúvida alguma seu currículo jamais soaria atrativo para algum empresário ou gerente, sendo assim, se contentaria com a oportunidade de emprego, terminaria seus estudos e possivelmente daria entrada em uma faculdade. Seria melhor assim, era melhor seguir sua vida.



     -- Dormindo em pé?


  Seus pensamentos rápidos e longos acabaram apenas por se misturar com a voz da Hyuuga que acabava de chegar totalmente coberta por inúmeros panos desnecessários, mesmo que estando em meio a neve, afinal não estava tão frio quanto o costumeiro para a época. Hinata usava um enorme sobretudo fosco com um suéter de igual cor por baixo, jeans e botas peludas grandes, e em volta do fino pescoço um cachecol vermelho com grandes listras pretas, era gigante e a fazia nem conseguir olhar os próprios pés. Sobre a cabeça uma touca preta e felpuda com espécies de orelhas grandes que o fazia dar risada a cada olhar, aquilo era cômico, mas ainda extremamente perfeito estando nela.


     -- Você é o quê? Duende gótico? -- Sasuke debochou deixando a risada anasalar enquanto a perolada apenas o empurrou bufando, realmente odiava usar tantas vestimentas, mas sua fraqueza para o frio até mesmo atacava ainda mais os erros de suas mãos e pernas.

     -- Me chamou aqui pra debochar?

     -- Está atrasada, vamos. -- Comentou enquanto a Hyuuga o seguia mal conseguindo andar. Em boa parte sua doença atrapalhava o perfeito movimento dos joelhos, era como se travasse suas pernas a forçando a arrastar



  Hinata desceu a estação de metrô atrás dele. Toda pessoa que passava olhava para a Hyuuga, apenas aumentando as risadas do moreno que acabava debochando e recebendo tapas conforme seguia. De certa forma, alguns homens não negavam o olhar pela beleza que ela possuía, ainda mais atraente naquelas roupas, mesmo que fossem muitas. Estava lotado, Sasuke ficou ao lado da barra enquanto deixou o lugar vazio para que a Hyuuga sentasse frontalmente.

  Era estanho, mas ainda que estranho, era agradável. Fora em um desses vagões que conheceu o moreno de comentários seguidos e tentativas frustrantes de interação com ela. Fazia pouco tempo, engraçado por estar agora ao lado dele e por vontade própria, naquela noite queria jamais encontrar o estranho intrometido novamente, e agora até mesmo dava risadas das caretas que ele fazia a cada entrada de pessoas e paradas em estações. Finalmente, desceram na estação do Brooklin enquanto a perolada apenas arqueou a sobrancelha se mantendo em silêncio, não sabia que iriam novamente até a casa dele, mas seria até agradável ver Mikoto novamente. Mas definitivamente não a visitaria essa tarde, afinal percebeu a diferença de caminho que tiveram entrando em outras ruas adjacentes.



     -- Chegamos.


  Sasuke se pronunciou enfim a tirando de seus pensamentos. Pulou os degraus entrando naquela varanda de madeira, típica entrada de uma casinha americana dos anos oitenta. Hinata deixou uma risada escapar com o jeito bobo e animado do moreno que apertou a campainha duas vezes bufando, como se já estivessem esperando há horas.

  Estava frio, sua mão tremulava bastante enquanto mantinha certo receio em falar. O que Sasuke pensaria a escutando gaguejar? Sem dúvida alguma seria apenas outra atração do circo de horrores que ela representava naturalmente. Suspiroi meio pesarosa enquanto abaixou o olhar sabendo que ela lhe mantinha sob os olhos diretos e típico sorriso cínico e atraente de canto. Tanta neve fazia seu peito bater fraquejado pelo frio que arrepiava todos os seus poros os eriçando pouco a pouco. Sem dúvida alguma Sasuke era diferente, mas até onde chegava essa diferença? Ele era humano afinal de contas, sabia que soava ridículo sendo trêmula na maioria dos momentos, rastejar as pernas era outro fator, e agora errar até nas palavras. Se sentia meio tola, ainda mais por acreditar que poderia competir com qualquer outra pessoa pelo possível afeto dele. Talvez ele, não, talvez não, obviamente ele estava apenas sendo gentil, nada demais.



     -- Quer quebrar essa po...

     -- Ganhei. -- O tom de voz calmo e audível vindo do lado de dentro, fez o loiro de punho fechado apenas acalmar dando um sorriso imediato. Meio forçado, em parte era agradável ver Sasuke, mas escutar a voz do Akasuna dizendo aquilo o fazia arder internamente.

     -- Olá, Sasuke....

     -- Hina... Hinata! -- Deidara estranhou de imediato a tentativa frustrada da menor em falar com perfeição, era ainda mais óbvia pela reação vencida que ela manteve levando os olhos instintivamente até o moreno parado ao lado.

     -- Olá Hinata! Podem entrar.



  Sasuke passou pela porta enquanto deixou a Hyuuga passar na frente, ela estava estranha, talvez fosse somente timidez. Suas mãos guiraram a cintura da menor que engoliu seco meio envergonhada com a mão dele, mas apenas se manteve quieta e ereta. Deidara por sua vez balançou a cabeça entendendo toda a situação entre os dois, fechou a porta e apontou para o sofá frontalmente a poltrona onde permanecia um Sasori atentento ao livro em mãos e com o óculos de leitura quase caindo do nariz fino. O loiro pegou uma xícara servindo o amante enquanto o mesmo ainda prestando atenção na escrita, deixava um sorriso meio debochado frouxo nos lábios.


     -- Não vai ganhar tão cedo, querido. -- O loiro sussurrou no ouvido dela enquanto o mesmo deixou a risada nasal sair bebericando o líquido enquanto os dedos finos do menor acariciavam seus cabelos. Sasuke estranhou aquilo de pronto, mas eram Sasori e Deidara afinal de contas.

     -- Belas roupas. -- O ruivo deu uma risada olhando para a perolada que sentara meio envergonhada, todos pareciam se conhecer, então logicamente era a única alheia a tudo naquele ambiente. -- Mas sei que o objetivo da visita não é um desfile de moda. Qual seu nome? -- Sasuke ponderou sabendo o quanto o Akasuna era direto nos assuntos, e mesmo maduro, sempre sarcástico.

     -- Hinata. -- Manteve um meio tom agradecendo por não ter errado dessa vez, e automaticamente já levando seus olhos até o moreno e abaixando rapidamente. Fatalmente ele perceberia de errasse novamente.

     -- Desculpa não ter ligado, mas eu perdi seu número. Então resolvi vir aqui pessoalmente. -- Sasuke comentou enquanto Deidara apenas se mantinha atento ao assunto olhando a perolada de soslaio. Era bem bonita, seria namorada de Sasuke? Provavelmente não, ainda mais pelo medo que ela exalava e a maneira como olhava e tentava não olhar, típica atitude de uma garota apaixonada.

     -- Tudo bem. Mas qual o motivo?



  Hinata ainda se mantinha totalmente alheia ao assunto, mas levando em conta a maneira como Deidara olhava o ruivo, eram provavelmente um casal. Somente não entendia ainda o porquê de ser levada junto de Sasuke até aquela casa, permanecia tentando esconder ao máximo as mãos e enrolar as pernas umas nas outras. Percebeu que o moreno lhe olhou de soslaio, não era tola, provavelmente era o motivo da visita, gelou sentindo a troca de olhares e sua garganta secou rapidamente, era incrível o efeito que tinham nos olhos, um sobre o outro. Uma ligação absurda ela diria.


     -- Precisamos da sua ajuda.










  Enquanto a neve caía lentamente, as horas passavam de maneira tranquila e até mesmo impercetível. Estava escuro, então apenas por isso Hanabi sabia que estava tarde, mas era gratificante estar ao lado do primo após tanto tempo, até porquê dessa forma, suas preocupações passavam um pouco, e até mesmo sua feição fria e intransponível. Era apenas a garota de alguns anos atrás.

  Haviam acabado de sair de um trailer de sorvetes, a menor apenas optou pelo seu gosto natural, o de flocos enquanto o Hyuuga mais velho comprara o de morango. Era até mesmo estranho para os que passavam ao lado, afinal estava um fim de tarde gélido, e eles ainda tomando algo tão frio. Mas era uma espécie de tradição entre os três, isto é, Hinata, Hanabi e Neji. Mas com o tempo acabou se tornando bem distante, até enfim acabar por ser morta.



     -- Então, Hiaishi quer entrar pra política também?

     -- Isso faz bastante tempo, duas vezes ele tentou se candidatar, mas somente nessas eleições conseguimos entrar de vez no jogo.

     -- Que estranho. Mas não diria que é repentino. -- O mais velho disse andando lado a lado com a menor. Sempre soube das tentativas de Hiaishi em ser o maior e estar no pináculo do poder, e mesmo sendo seu tio, seria hipócrita dizendo que apoiava seus meios. -- Mas e a Hina? Não estava na empresa.

     -- Nem me fala dela, Hinata está totalmente inconsequente, cada vez pior.

     -- Falou igual Hiaishi. -- Neji comentou dando um sorriso meio falso, era triste ver que a mais nova mudara tanto. Sem dúvida alguma passar tempo demais com o pai acabava passando maus hábitos para os outros.

     -- Eu amo a Hina, mas não posso acobertar os erros dela sempre. -- Hanabi comentou enquanto o perolada sorriu olhando para o alto, em parte pelo comentário dela, afinal ainda acreditava que a pequena Hanabi ainda existia, mas em contrapartida feliz por observar de perto os grandes telões da Time's Square, era ótimo ver tudo aquilo novamente. -- Mas confesso que falhei com ela um dia desses.

     -- O que aconteceu?

     -- Falei algumas besteiras. -- Hanabi sussurrou meio pesarosa enquanto quase nem fora escutada pelo excesso de barulho ao redor. Era terrível saber que vinha sendo tão ruim para Hinata, ainda mais pela situação em que ela se encontrava, mas também nunca fora muito boa em controlar seus excessos de raiva e cansaço, além de estar totalmente sobrecarregada com os assuntos de sua empresa, finanças, vida amorosa totalmente remota, certamente essa era a parte que mais machucava -- Coisas que falei sem pensar. Enfim, me arrependo...

     -- E por que não pede desculpas à ela? -- O Hyuuga pareceu forçar os olhos assim que passaram mais adiante dos telões, Hanabi guiou os olhos até a direção que ele mantinha e em seguida o olhou de soslaio.

     -- Somos adultas, não precisamos mais disso.


 

  Retrucou de maneira cansada enquanto Neji parou imediatamente. Seus olhos finalmente tiveram total visão do que queria realmente vislumbrar, e de certa forma, visualizou o que não desejava. Era Hinata, ao lado de ninguém menos que o homem que fora preso por Hiaishi, o terrorista que fora julgado diante do tribunal, e naquele dia o Hyuuga estava presente, era ele, o homem que matou funcionários por ser apenas irmão de outro terrorista sádico, e agora ao lado de sua prima, era Sasuke.



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