História Dois Mundos: A Batalha Final - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias As Crônicas dos Kane, Os Heróis do Olimpo
Personagens Personagens Originais
Tags Cdk, Dois Mundos, Hdo, Pjo
Exibições 0
Palavras 3.459
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga
Avisos: Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


People, esse caps ficou meio parado, mas meio importante.

Capítulo 3 - Os preparativos


 

Antes de sair do palácio, prendemos Edson e todos os guardas nas celas. Depois, Douglas abriu um portal para a Casa do Brooklin. Olivia ficou encarregada de avisar o lado romano.

Eu estava determinada a parar minha tia antes de saber seus planos, e agora que Edson abrira a boca, ela havia assinado a sentença de morte. Douglas que estava com sangue nos olhos, estava cuspindo fogo quando caímos no terraço de Freak.

Mesmo algum tempo depois, voltar ali ainda me dava calafrios.

Descemos correndo as escadas, e provavelmente, acordando a mansão. Afinal, tínhamos voltado no fuso-horário. Os magos, em sua maioria, passariam esse feriado de ano novo em Nova York, por que as aulas voltariam logo em seguida.

-Acorde o Carter. –Falei para Douglas enquanto corria em direção à porta de Sadie.

Sadie Kane e Thalia Grace poderiam ser melhores amigas, bem de boa, porque elas eram incrivelmente parecidas.

Bati na porta algumas vezes e gritei por seu nome. Cara, quando ela abriu a porta, me protegi, porque jurei que ela fosse me espancar. Fazia tempo que não a via, para falar a verdade. Acho que a última vez que nos encontramos, foi quando ela estava no acampamento, logo após os zumbis.

-Você sabe que horas são?! É duas e meia da manhã! –Ela gritou ao abrir a porta.

Primeiro, tomei um susto. Sadie havia mudado. Estava mais alta, mais bonita, e estava crescendo. O cabelo louro estava repicado nas pontas e todo bagunçado, tinha mechas vermelhas e estava preso em um rabo de cavalo. Os olhos azuis tinham olheiras e ela me encarava furiosa. Agora ela estava da minha altura.

-Villares, o que você está fazendo aqui às duas e meia da manhã do dia trinta e um?! –Ela perguntou batendo o pé e de braços cruzados.

-Jéssica vai matar todos que tem sague mágico. –Falei na lata. Óbvio que ela não entendeu.

-Do que você está falando? –Ela perguntou confusa.

-É complicado de explicar. –Falei nervosa. –Sabe a minha tia psicopata que deu inicio aos zumbis? Ela quer matar todo mundo que tenha sangue mágico, incluindo magos e semideuses. –Falei rapidamente, pois Carter e Douglas vinham descendo o corredor.

Os olhos dela pareceram clarear um pouco depois que viu o irmão.

***

-Precisamos juntar o maior exército possível em menos tempo. –Carter andava pela biblioteca vestindo um pijama do Pokémon, que ficava curto nas pernas.

-Já alertei Amós. –Zia adicionou sentando ao meu lado na mesa. –E ele está saindo do Brasil agora, com a sua mãe.

Suspirei.

-Uma pergunta: só porque minha mãe namora o Amós, ela tem que ficar andando com ele pra lá e pra cá? Tipo, ela não é a primeira dama do Egito. –Comentei, pois estava cansada disso já.

-Claro que não, só que ela vem junto porque quer. Até porque, a primeira dama do Egito é a Zia. –Douglas replicou.

Eles soltaram uma risadinha e percebi Zia corar um pouco.

-Mas ela sempre está junto. Sempre está tomando as decisões. Tipo, ela não é nada de importante, nem líder de Nomo. –Argumentei batendo os dedos na mesa.

-Ela sempre está onde o tio Amós está. –Sadie continuou.

Carter parou de andar e bateu com as mãos na mesa.

-Vocês podem, por favor parar de falar sobre o relacionamento amoroso deles? Temos uma questão mais importante aqui. –Ele disse sério, encarando a irmã.

Ficamos em silêncio, nos encarando.

-Obrigado. –Ele falou sentando-se na ponta.

-O mais lógico é colocar alguém de prontidão em todos aeroportos e maneiras de entrar na cidade. –Falei, tentando ajudar.

Todos me encararam.

-Lú, não existe voo de Porto Alegre para Nova York, nem de São Petersburgo para Nova York um dia antes do ano novo. E ela é inteligente o suficiente para não vir por meios mortais. –Douglas explicou com ar cansado.

-Só que o Edson, teu padrasto... –Falei isso apenas para implicar com ele –Disse que eles estavam chegando aqui naquele momento. Isso é uma dica.

-Ou eles tinham acabado de partir.  E teriam vindo por um portal. –Ele retrucou.

-Seria muita hipocrisia ela vir por um portal, sendo que ela não é uma maga. –Respondi. –Até tem sangue de maga, poderia ser, mas não faz uso. Não é. –Remendei.

-Ela é hipócrita ao natural. Naquela carta que ela me mandou, ela disse que estaria lutando ao lado dos egípcios, mas era mentira. –Douglas retrucou novamente.

-Quando tu vais entender que a tua mãe é uma louca desvairada? –Aumentei a voz.

-Criatura, eu já entendi a muito tempo. Ela tentou ME matar! Ela tentou matar a minha namorada, tentou te matar, tentou matar o mundo inteiro, e matou o Pe... –Douglas parou de falar. Ele sabia que mesmo Pedro não estando morto ainda, era uma questão de tempo até isso acontecer. Era uma questão delicada para mim.

Nós nos olhamos e percebemos a besteira que estávamos fazendo. Jéssica era tão filha da mãe que estava quase conseguindo nos separar.

-Muita obrigada por acabarem com a DR. –Sadie comentou.

-Zia, por favor, mande alguém rastrear todos os portais e pontos egípcios na cidade. Todos os magos ou qualquer coisa do Egito que esteja nos arredores de Nova York. Ela pode muito bem ter ajuda aqui. –Carter deu a ordem. Zia assentiu e saiu da biblioteca.

-E agora? –Perguntei. Agora que tinha parado, percebi o estômago roncando de fome.

-Agora, vocês vão tomar um banho, descansar, comer alguma coisa. Depois, vão ir ao acampamento e alerta-los. –Carter respondeu estalando os dedos.

-E vocês? –Douglas perguntou levantando da cadeira.

Carter e Sadie se entreolharam. Uma conversa silenciosa aconteceu ali.

-Não se preocupem. Apenas vão.

Segui essa ordem sem questionamentos.

Ao subir as escadas, percebi que alguns magos nos observavam. Não dei bola, apenas me dirigi ao meu quarto, no fim do segundo piso.

-Lú. –Douglas me chamou.

Parei de andar. Ele caminhou até mim e parou na minha frente. Douglas me abraçou com firmeza. Sem perceber, encostei meu rosto em seu peito. Permiti lágrimas escorrem pelo meu rosto, afinal.

-A gente vai salvar o Pedro. Vai dar tudo certo. –Ele disse calmamente, tentando acalmar a mim e a ele. –Vamos derrotar a Jéssica, vamos salvar o mundo de novo. Ela não vai fazer nada com ninguém.

Como ele poderia estar falando da mãe assim, tão friamente? Funguei e abracei-o.

-Como tu sabe que vai dar tudo certo? –Perguntei entre as lágrimas.

-Porque eu mesmo vou resolver isso. Não vou deixar aquela maníaca encostar em ti, nem na Bruna, no Pedro, na tia Júlia ou em qualquer outra pessoa. Ela vai pagar por tudo, por ter me abandonado, por ter transformado mais da metade do mundo em zumbi, por ter sequestrado o Pedro. Ainda dá tempo de reverter essa situação.

Ficamos quietos por um tempo, apenas abraçados, tentando absorver as últimas horas. Cara, como é possível em menos de vinte quatro horas, uma pessoa sair de Long Island, ir para Porto Alegre, depois para São Petersburgo, e então para o Brooklin? Isso é o que a magia nos proporciona.

Nos afastamos. Baixei a cabeça e limpei as lágrimas um pouco. Estava com medo, com muito ódio e um pouco confusa, mas sabia de uma coisa: eu estava do lado do meu primo, acontecesse o que acontecer, eu iria ajuda-lo.

Entrei no quarto, e esperei Douglas atravessar o corredor até o dele. Estava igual, só que arrumado.

Procurei no armário algumas roupas, e tomei um banho quente. Vesti um pijama qualquer e me atirei na cama. Sem perceber, fechei os olhos e apaguei. Era três e vinte da manhã.

***

Vi Jéssica caminhando pelo Central Park à noite. Ela usava um casaco comprido marrom e um gorro com pelagem artificial. Enquanto caminhava pela neve, ia murmurando algumas coisas, basicamente xingamentos aos deuses. Finalmente, sentou-se em um banco.

A imagem se modificou, e agora mostrava a mesma Jéssica, só que no saguão de um hotel. Ela caminhou até o recepcionista e pegou a chave do quarto, então foi até os elevadores e subiu até o sexto andar.

Abriu a porta de número 657 e entrou. Era um quarto espaçoso e luxuoso, com uma mesa no centro da sala e uma televisão, com sofás em volta. O quarto ficava do lado direito, atrás de uma porta.

Ela tirou o casaco e o gorro e jogou no sofá. Então foi até o quarto. Ao abrir a porta, soltou um suspiro leve.

-Você não vai conseguir escapar. Não adianta tentar. –Ela disse, encarando Pedro.

Pedro estava amarrado na cama, todo esticado, com a boca encoberta e chorando. Seu cabelo estava seboso e escorrido pela testa, possuía cortes e sujeira por todo o rosto, sangue seco cobria algumas partes dos seus braços e de sua camisa.

Senti uma dor no coração, porque vê-lo naquele estado era deplorável.

-Ninguém vai te encontrar aqui até a hora da festa. Tenho coisas bem legais programadas para hoje. –Ela deu uma risadinha e foi para o banheiro. –Aliás, muito obrigada por se oferecer para testar os novos zumbis. Infelizmente, não pude deixa-lo ser infectado, mas obrigada novamente.

Pedro resmungou, chorou, lágrimas escorreram por seu rosto, fazendo um caminho limpo pela bochecha.

O sonho começava a se dissipar, e tentei desesperadamente encontrar um ponto de referencia, mas nada vi.

-Eu vou te encontrar... –Falei baixinho, tentando me aproximar dele, mas eu sabia que ele não ouviria.

Senti alguém me cutucando, e voltei para a realidade.

Abri os olhos e vi tudo escuro, o que queria dizer que ainda estava de noite. Olhei no relógio da cabeceira: 5h14 da manhã. Um vulto se mexeu, Douglas.

-Nós precisamos ir agora. –Ele sussurrou.

Apertei os olhos na pouca luz. Douglas vestia um casaco preto sintético, uma touca preta e jeans escuros. A mochila vinha pendurada no ombro e usava um Vans preto que eu não sabia que ele tinha.

-Aonde? –Resmunguei me virando na cama.

-Ai criatura. Julian descobriu onde o Pedro está, e precisamos ir agora. –Ele respondeu me puxando para fora.

Caí de bunda no chão, com um baque surdo. Levantei massageando as nádegas e braba por ele ter me derrubado. Peguei algumas roupas quentes no armário e fui para o banheiro me trocar. Saí usando um jeans largo, um moletom preto e um casaco por cima.

Saímos do quarto em direção à varanda, onde Carter e Sadie nos esperavam. Engoli um café da manhã rápido enquanto eles me contavam o plano.

Por mais incrível que pareça, Sadie teve o mesmo sonho/viagem de ba que eu, e reconheceu, de alguma maneira o hotel. Eles haviam mandado Julian para lá, para certificar-se que era o lugar certo.

-Precisamos tirar o Pedro de lá o mais rápido possível. –Douglas disse pela quarta vez enquanto eu comia um sanduiche.

-Estamos cuidando disso. –Carter tentou acalma-lo.

-Eu sei, só que me sinto meio inútil aqui, enquanto eu deveria estar lá. Ela é minha mãe!

-Douglas, você precisa ficar calmo. Daqui a pouco estaremos lá. –Continuou Carter remexendo em algo na mochila.

Douglas bufou e se largou em uma cadeira ao meu lado. Baixou a cabeça sobre a mesa e ficou encarando a parede.

Engoli o último pedaço e levantei. Certifiquei-me que tudo que precisava estava comigo, incluindo o arco e o cajado. Cutuquei Douglas para que ele levantasse.

-Acho que temos serviço à fazer. –Sadie comentou ao me ver em pé.

Ela tirou os coturnos de cima da mesa e levantou. O casaco preto estava fechado até em cima, e parecia estar sufocando-a.

Estiquei a mão para pegar a mochila no chão quando um telefone tocou. Congelei. Não era o meu, pois Jéssica o havia roubado. Também não era o de Douglas pelo mesmo motivo.

Os irmãos se encararam até Sadie tirar um iPhone 4s preto do bolso do casaco. Ela atendeu de cara fechada e virou o rosto, depois caminhou até a borda da varanda para não ouvirmos a conversa.

Carter encarou o topo da cabeça da irmã, com um olhar intrigado. Ele parecia um jogador de basquete, pois é alto e forte como tal, vestia uma calça Jeans folgada e um blazer preto sobre uma camisa branca de botões. Eu não sei quando ele aprendeu a se vestir, mas foi uma grande mudança.

Sadie disse algo ao telefone, e Carter ficava cada vez mais impaciente. Douglas e eu trocamos um olhar, mas não consegui identificar o que ele quis dizer.

Finalmente, Sadie desligou o telefone e se virou para nós.

-Não sei como dizer isso. –Ela parecia nervosa, e muito menos com a Sadie normal. Ela guardou o celular e ficou batendo os dedos nas pernas. –Julian ligou avisando que ocorreu um problema.

-Que problema? –Perguntei ficando nervosa de repente. O simples fato de achar que Pedro poderia piorar de situação me deixava com medo.

-Jéssica é uma maga, certo? E ela tem sangue olimpiano, mesmo que seja muito pouco. –Ela começou. –Esses vestígios conseguiram atrair a atenção de monstros da região e o hotel foi infestado. Julian e Félix conseguiram escapar, mas foi por pouco, e não sabem o que aconteceu com eles.

Se a situação poderia piorar, foi o que tinha acontecido. Monstros atacaram Pedro, sendo que ele estava em uma maneira impossível de se defender. Muito provavelmente Jéssica teria ido embora e não se preocupara com ele.

Fiquei sem reação, apenas assimilando as palavras dela. Movi meus olhos até um ponto qualquer de Manhattan atrás de Sadie, em fiquei divagando.

‘Ela é apenas uma mortal’, disse Edson, ‘e quer vingança pelo que os deuses fizeram...’, juntei as partes do depoimento. ‘Você saberá onde me encontrar’, ‘ela possui sangue olimpiano’, ‘conseguirá formar um exército de demônios e zumbis’, todas informações sobre Jéssica giravam em minha mente, tentando se encaixar, mas nenhum quadro era formado.

Porque ela faria tudo isso? Nenhum louco oficial faria isso de propósito. Ela não era do bem, definitivamente. Para que destruir o Maat que fora tão suado para conseguir reconquistar?! Então, a palavra ‘Maat’ juntou com ‘Caos’, e a verdade me atingiu em cheio.

Levantei da cadeira em um pulo, assustando aos três presentes.

-Carter, Apófis foi banido do mundo? –Perguntei tremendo de adrenalina.

Ele franziu a testa sem entender.

-Sim. Execramos ele junto com os deuses.

-E existiria alguma possibilidade de voltar ao mundo? –Perguntei novamente, sem conseguir parar minhas mãos, que estavam batucando loucamente nas pernas.

-É possível... –Ele arregalou os olhos, entendendo de súbito o que pensei.

-O que tu acha? –Perguntei pra ele.

Carter procurou por Sadie, mas ela parecia muito mais em estado de choque que qualquer um, e saiu correndo para dentro da casa.

-Jéssica pode estar sendo usada por Apófis, para acabar com tudo, e assim, ele poderá assumir o poder, sem nenhum deus por perto. –Douglas verbalizou o que estávamos pensando.

-Exatamente. –Carter murmurou.

-Isso é um problema. –Falei. Minha cabeça pesou com a possibilidade. Que coisa mais insana.

Ouvimos passos no interior da mansão, e Sadie voltou com Walt, vestindo um pijama dos Power Rangers. A cena seria engraçada se não fosse a cara de enterro deles.

-Sadie me contou a suspeita. É totalmente possível. –Percebi que não era Walt falando, e sim Anúbis.

-Mas se for mesmo Apófis por trás de todas as ações de Jéssica, como ele fez isso? –Perguntei tentando entender.

-Nunca subestime o poder do Caos. Apófis pode fazer qualquer coisa para conseguir o que quer, inclusive manipular pessoas. –Carter respondeu, nervoso.

Um clarão surgiu no canto do meu olho e virei a cabeça. O Empire State estava brilhando vermelho.

-É normal isso? –Perguntei já sabendo a resposta.

Os três americanos responderam um sonoro  ‘não’ ao mesmo tempo.

-Então ele está partindo para a agressividade sem mais sutilezas. Atacar o mundo no último dos Dias do Demônio. Bem a cara dele. –Sadie resmungou com raiva. Carter e Walt/Anúbis concordaram.

Eu e Douglas nos entreolhamos. Sabíamos o que fazer.

-Vocês que são magos mais experientes, por favor, tomem conta disso por enquanto. –Douglas começou. –Nós vamos atrás de reforços, mais especificamente, meio-sangues.

Abri a porta para a sala e entrei correndo. Precisava dar um jeito de chegar até o acampamento rapidamente, felizmente lembrei que Douglas sabia aparatar.

-Não sei não. –Ele se defendeu enquanto descíamos as escadas da frente da mansão.

-Como não? Tu és um bruxo, e tem muito mais facilidade para fazer isso. Tu sabe a teoria porque te vi estudando isso! –Gritei com ele.

Douglas parou na escada, me fazendo quase esbarrar nele, e se virou pra mim com um olhar sério.

-Ok, eu sei fazer isso. Mas se fizer agora, o Ministério virá atrás de mim.

-E daí? Tu achas que o Ministério vai se importar com isso? –Reclamei.

Ele respirou fundo e puxou a varinha do cinto. Não tinha ideia de como ele iria fazer, só esperava que desse certo.

Três segundos depois, senti meu corpo sendo puxado para o nada e quase se desintegrar. Gritei a plenos pulmões e ouvi Douglas gritar também. Então, de repente, me vi no meio do refeitório do acampamento.

O sol estava nascendo, mas ninguém estava na rua. Neve cobria a maior parte do terreno, me fazendo tremer. Vi alguns sátiros trotando pela floresta, mas era só.

-Vai atrás da Annabeth, Perçy, ou sei lá quem mais importante tu encontrar. Eu falo com Quíron. –Douglas disse segurando meus ombros.

Assenti e saí correndo.

Tive que me esconder, pois as harpias comem quem estiver passeando fora do horário permitido. Desviei de uma que fazia a ronda noturna e consegui entrar no pátio dos chalés.

O brilho do chalé 7 chamou minha atenção, mas não poderia ir até lá agora. Corri até o 6, de Atena. Subi os degraus e escorreguei no mármore, batendo na porta, o que fez um baita barulho.

Massageei o joelho, até ouvir o clique da porta abrindo. Uma Annabeth com sono e confusa surgiu na minha frente. Ela vestia um pijama de inverno branco, o cabelo louro estava solto e embaraçado, mas só consegui prestar atenção na pantufa de coelhinhos rosa.

-Tu usa uma pantufa de coelhinho? Sério? –Falei tentando não rir.

Ela ficou vermelha e me encarou.

-O que foi? –Perguntou bufando.

Expliquei rapidamente a situação. Sem trocar de roupa, ela passou por mim em direção à Casa Grande.

-Douglas está falando com Quíron. –Falei alcançando-a. Como ela não sentia frio, eu não sei dizer.

Annabeth bufou e continuou seu caminho. Virou o rosto por alguns segundos apenas para me mandar acordar Perçy e os outros conselheiros o mais rápido possível.

Resmunguei e dei meia volta. Fui batendo em todos os chalés enquanto o sol surgia no céu. Passei por todos ocupados, e fiz meu serviço.

Ao passar pelo 3, meu coração pesou. Acordei Perçy e o mandei até lá. Ele me encarou com aqueles olhos verdes e fechou a cara. Entrou novamente e vestiu uma roupa adequada para o clima, e saiu. Mas eu me demorei um pouco mais.

Aproveitei a porta entreaberta do chalé, e entrei sorrateiramente.

Encontrei a cama de Pedro arrumada desde o dia que partimos. Encontrei uma pequena caixa de madeira sobre o travesseiro dele, e fiquei curiosa, mas não abri. Algumas camisetas estavam amassadas sobre uma cadeira, e peguei a flanela verde que ele usava quando fomos a nossa primeira missão.

Lágrimas se formaram em meus olhos, mas reprimi. Segurei a flanela com as duas mãos e apertei contra o rosto. Respirei fundo. Senti o cheiro dele novamente. Aquele aroma leve, de mar com uma pequena pitada de eucalipto.

Sentei em sua cama e fiquei com flanela em mãos. Uma lágrima escorreu pela minha bochecha.

Não tinha percebido como estava ficando sentimental. Eu não era assim, nunca fui de ser tão sensível, mas acho que fui mudando com o tempo. Portanto, respirei fundo e senti o cheiro do chalé penetrar por minhas narinas, renovando minhas forças.

Retirei o casaco preto e vesti a flanela. Se fosse para uma batalha suicida, iria com uma parte dele comigo. Coloquei o casaco novamente.

Andei os poucos passos até o chalé de Zeus, sem acreditar que teria alguém ali. Bati na porta algumas vezes, e então Rafa abriu-a.

Nós duas ficamos surpresas ao ver uma a outra. Finalmente ela viu que eu estava bem, e me abraçou forte.

-Fiquei preocupada! Você está bem? –Ela perguntou ainda me abraçando.

-Sim, mamãe, estou bem. –Respondi com uma risadinha entre as lágrimas que ainda permaneciam em meu rosto.

-O que aconteceu? –Perguntou com preocupação depois de me soltar.

-Muita coisa. Depois eu te conto, agora tu precisar ir para a Casa Grande, vai ter uma reunião do conselho...

Alguém se mexeu atrás dela, e gelei ao ver Thalia Grace parada.

-O que aconteceu? –A Caçadora perguntou de cara fechada.

-Oi Thalia. –Falei. Depois de nossa última briga, eu esperava que estivéssemos bem. –Espero que as duas estejam preparadas para mais uma batalha do apocalipse.


Notas Finais


So what... a treta vai ficar séria hahahahhahah


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