História Domesticidade - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Tags Narusasu, Naruto, Pai Solteiro, Sasunaru, Sasunarusasu, Universo Alternativo
Exibições 424
Palavras 4.902
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hi there!
Então, eu juro que achei que não conseguiria cumprir o prazo, mas cá estou eu. Gente, socorro, não estou sabendo lidar.
Gostaria de dizer que esse capítulo, apesar de mais curto do que o anterior, mexeu demais comigo e eu realmente não sei o que dizer sobre ele. Eu lutei muito com ele e me desentendi muito com ele também, mas agora, vendo o resultado, só consigo ficar muito feliz, sabia? Gostei do resultado e espero que vocês gostem também.
Por causa da conjuntivite, acabei não podendo responder os comentários do capítulo passado com antecedência, mas começarei a respondê-los assim que terminar de postar esse capítulo. Peço desculpas, mas garanto que vou responder a todos.
Quanto a trilha sonora, essa é a primeira vez que eu faço uma playlist que tem realmente a ver com o capítulo. HAHAHAHAHHA Já que estamos em clima de romance, aqui vão as músicas base do capítulo: Somewhere Only We Know - Darren Criss; Entrelaços - Scalene; O Que Fazer - Versalle; King and Lionheart - Of Monsters and Men; X & Y - Coldplay.
Por enquanto é só, desejo a todos uma ótima leitura. :)

Capítulo 14 - Parte XIV


Os segundos pareceram se arrastar de propósito, à medida que Naruto continuava ali, parado e sem esboçar qualquer reação, enchendo Sasuke com a certeza de que, daquela vez, tinha ferrado com tudo. Parte de seu cérebro tentava confortá-lo, insistindo na ideia de que talvez Naruto não tivesse escutado tudo –que ele tivesse chegado no meio da fala e Sasuke quem sabe ainda pudesse inventar uma desculpa muito boa para se safar daquela situação constrangedora–, mas a parte racional e objetiva de seu cérebro sabia que ele estava apenas tentando se enganar. A expressão de puro choque no rosto de Naruto era prova o suficiente de que ali não haveria espaço para desculpas esfarrapadas ou justificativas. Daquela vez, ele não tinha saída.

Sasuke estava fodido. Apenas.

“Naruto-kun, aconteceu alguma coisa?” A voz de Itachi soou pelo quarto, quebrando aquele silêncio constrangedor que recaíra pelo recinto.

O cinismo era palpável no rosto de seu irmão mais velho e em sua voz, ao ponto de fazer Sasuke praticamente tremer de raiva, mas se Naruto percebeu alguma coisa, não deixou transparecer. Talvez o choque fosse forte demais e o estivesse tornando ainda mais disperso do que de costume, ou então ele simplesmente não soubesse o que fazer consigo mesmo. Após alguns instantes, contudo, a expressão surpresa em seu rosto suavizou um pouco –apesar de não deixá-lo de todo– e Naruto sacudiu a cabeça levemente.

“A tia Kyoko pediu pra avisar que tá indo embora. Ela queria falar com um de vocês antes de ir,” ele respondeu e não passou despercebido a Sasuke o ligeiro tremor na voz do melhor amigo.

Ótimo! Mais uma confirmação de que Naruto tinha escutado o que não devia. Sasuke já começava a cogitar as chances de sobrevivência a uma queda do décimo terceiro andar. Havia casos de pessoas que tinham sobrevivido a quedas daquela altura, às vezes até de alturas maiores, não haviam?

 “Hm, obrigado por avisar,” Itachi agradeceu. “Eu vou lá falar com ela.”

Uma luz de alerta acendeu na mente de Sasuke ao ouvir as palavras de seu irmão e ele segurou-o pelo braço antes que o desgraçado pudesse escapar dali.

“Hey! Onde é que você pensa que vai?” perguntou, alarmado.

“Eu acabei de dizer onde estou indo, Sasuke,” Itachi respondeu com um pequeno sorriso. Desvencilhou seu braço do aperto com eficácia e ajeitou a camisa em um gesto teatral. “Vou falar com a tia Kyoko antes que ela vá embora e você vai ficar aqui.”

“Eu acho melhor... avisar que você já está indo, então.” A voz de Naruto era incerta e vacilante, mas ainda assim foi o suficiente para chamar a atenção dos irmãos.

“Espera, Naruto-kun,” Itachi chamou antes que o homem pudesse deixar o local. Ele cruzou o quarto em passos decididos e rápidos e colocou-se ao lado de Naruto em segundos. “Eu falo com a tia Kyoko,” ele afirmou, fixando um olhar significativo no outro. “Acredito que você e Sasuke tem algumas coisas sobre as quais conversar, não? Melhor aproveitar a oportunidade e acabar de vez com isso.”

“Eu...”

“Itachi!” Sasuke protestou, indignado, mas o olhar de repreensão que recebeu do irmão fê-lo engolir o restante das palavras.

“Chega, Sasuke. Já passou da hora de vocês agirem feito adultos e conversarem de uma vez por todas. Eu vou lá para a sala falar com a nossa tia avó e vocês dois vão ficar aqui e vão conversar, vão resolver tudo o que tiver para ser resolvido. Não quero saber como vocês vão se resolver, mas vocês vão e se para isso eu tiver que trancar vocês dois aqui, eu vou trancar.”

Naruto engoliu em seco, olhando para Sasuke com um certo desespero, num pedido mudo por ajuda, mas o próprio Sasuke também não sabia o que responder. O modo como Itachi falava não deixava espaço para contestações e ele sabia muito bem que qualquer argumento que usasse seria descartado na mesma hora. Seu irmão não era um dos melhores advogados do país à toa.

Com um aperto de incentivo no ombro de Naruto, Itachi deixou o quarto. “Conversem,” disse, lançando um último olhar de advertência ao irmão, antes de sumir pelo corredor que levava à sala de estar.

Um grunhido de irritação quase escapou de sua garganta quando viu o mais velho ir embora do quarto, mas Sasuke conseguiu controlar-se no último segundo e, em vez disso, levou a mão às têmporas. A intenção de Itachi era boa, Sasuke sabia disso. Tinha plena consciência de que, de seu modo meio torto e peculiar, tudo o que ele queria era ajudar o caçula a resolver seus problemas para que pudesse ser feliz. Mas o fato de Sasuke estar ciente das boas intenções de Itachi não tornava aquela armação toda menos cretina e também não diminuía a vontade latente de esganar seu próprio irmão.

Era uma verdadeira pena que fratricídio fosse crime, pois Sasuke adoraria cometer um naquele momento. Ainda considerava as diversas possibilidades de se vingar de Itachi por tê-lo colocado naquela situação constrangedora quando seu olhar recaiu sobre Naruto.

Parado junto à porta, Naruto era o retrato da incerteza. Parecia dividido entre a vontade de sair correndo dali o mais rápido possível e a ideia de ter que enfrentar a fúria de Uchiha Itachi, caso viesse a desobedecer a ordem dada por ele há pouco. O choque abismal que tomava conta de seu rosto quando Sasuke o avistou pela primeira vez já não estava mais presente, apesar de sua postura continuar visivelmente tensa e alerta. Naquele momento, Naruto mais parecia um animal encurralado e aquilo definitivamente não era um bom sinal.

Como agir? O que falar? Eram essas as duas perguntas que insistiam em retornar à mente de Sasuke a todo segundo e o deixavam à beira de um curto-circuito. Não tinha a menor ideia de até onde Naruto escutara seu pequeno discurso, tampouco sabia como abordar aquele assunto. Jamais, durante todos os anos de amizade entre eles, Sasuke pensou que estaria passando por aquela situação. Jamais imaginou que chegaria o momento em que precisaria parar e conversar com Naruto sobre sentimentos, mas mesmo assim ali estavam eles. Sozinhos no quarto de hóspedes do apartamento de Itachi, congelados no lugar e completamente perdidos sobre como prosseguir com aquela conversa, uma conversa que nenhum dos dois sabia sequer como começar. Se sua atual situação não fosse tão trágica, Sasuke teria rido do quão ridículo tudo aquilo era.

Ele, Uchiha Sasuke, não sabia o que dizer para seu melhor amigo. Aquilo era patético demais.

Um longo suspiro deixou os lábios de Naruto, de repente, e sua postura relaxou um pouco. Ele entrou de vez no quarto e fechou a porta atrás de si, deixando do lado de fora o barulho das conversas vindas da sala de estar. Qualquer que estivesse sendo a guerra travada em seu cérebro, parecia que a luta tinha chegado ao fim, Sasuke concluiu.

“Teme,” Naruto começou, mas Sasuke o interrompeu antes que ele pudesse tornar a abrir a boca.

“Não, espera,” disse e a firmeza de sua voz o surpreendeu um pouco. Ela não condizia em nada com o nervosismo que Sasuke sentia. “Eu não sei o que você escutou, ou o que acha que escutou. Mas antes que você diga alguma coisa que talvez se arrependa, quero deixar bem claro que não existe necessidade para conversa nenhuma aqui. Itachi é um idiota insistente, mas só isso. O que ele acha ou deixa de achar não interessa, a gente não precisa conversar coisa alguma, tá legal?”

E eu também não quero conversar sobre isso agora, Sasuke completou mentalmente. Porque realmente não queria. Tudo era muito recente e confuso, não sabia qual era a extensão de seus sentimentos por Naruto ainda, apesar da existência deles ser inquestionável. Precisava pensar e precisava de tempo para se organizar. Sempre fora uma pessoa racional e metódica e não deixaria de sê-lo agora, principalmente quando sua relação com Naruto estava em jogo.

“Tá dizendo pra eu ignorar o que eu escutei? É isso?” Naruto perguntou. Sua voz soou um tanto ofendida, mas Sasuke não estava em seu estado mental normal para ter certeza.

“É, é exatamente isso que eu estou dizendo,” ele respondeu.

Aquilo era pura covardia sua, sabia muito bem, mas não se arrependia nem um pouco. Estava dando a Naruto a oportunidade de colocar tudo aquilo de lado e deixar as coisas como estavam. Sem complicações, sem conversas carregadas ou possíveis discussões, apenas a amizade pura, simples e sincera que eles sempre tiveram. Fazia aquilo tanto por Naruto quanto por ele próprio.

De seu lugar perto da janela, Sasuke viu o melhor amigo se aproximar até colocar-se bem à sua frente. Seus olhos azuis brilhavam com fúria e alguma coisa à qual o Uchiha não conseguia compreender e a boca comprimia-se em uma linha fina.

“Não.” A resposta de Naruto foi curta, mas firme e ele parecia desafiar Sasuke a contrariá-lo. “Itachi tem razão, a gente precisa acertar algumas coisas aqui.”

“Itachi é um fofoqueiro manipulador que não sabe parar de dar opinião na vida alheia, Naruto. A gente não precisa acertar nada.”

“Você vai negar o que disse pra ele, então? Vai dizer que era tudo mentira e que nunca quis dizer nada daquilo?”

Estavam próximos demais, Sasuke percebeu então. Perto o suficiente para ameaçar o raciocínio já prejudicado do Uchiha e aquilo fez uma onda de pânico atingi-lo sem aviso. Era difícil pensar com Naruto a menos de um metro dele.

“E o que foi que eu disse, Naruto?” Sasuke perguntou, contendo-se para não jogar as mãos para o alto em frustração. “O que foi que eu falei? Porque até onde eu sei, você pode ter ouvido eu dizer que gosto de bolo de morango ou pode ter ouvido nada.”

“Você sabe muito bem o que você disse.”

Sasuke riu. Uma risada baixa e sem qualquer traço de humor, impossível de reprimir. “Você diz que quer conversar, mas não consegue nem repetir o que ouviu,” ele retorquiu ironicamente. “Sinceramente, Naruto, a gente não tem nada o que resolver aqui.”

Sua mente gritava para que ele sumisse dali. Que deixasse Naruto para trás e colocasse uma boa distância entre eles para que conseguisse pensar e foi exatamente isso que fez. Num rompante, Sasuke deu as costas para o melhor amigo e se precipitou em direção a saída. Não conseguiu, contudo, dar três passos antes de ter o braço puxado com força e, logo, se viu encurralado entre Naruto e a janela.

“Porra, Sasuke, por que você tem que ser tão difícil?” Naruto falou com frustração.

A mão direita do Uzumaki era uma fonte de calor constante no peito de Sasuke, enquanto segurava-o no lugar, e por um segundo de descontrole o Uchiha se pegou inclinando-se de encontro ao contato para aumentá-lo. A irritação presente no rosto de Naruto, contudo, fê-lo recuperar a clareza. Ele afastou as mãos de Naruto sem qualquer delicadeza.

“Eu sou difícil? Você nem sequer consegue responder a minha pergunta, acha realmente que tem o direito de exigir alguma coisa?” disse com raiva, mas não recebeu resposta. “Vamos, Naruto, me diz. O que foi que eu disse? O que você quer tanto conversar? O que? Se é para conversarmos como adultos, então haja como um e fale com clareza, porque eu estou sendo racional aqui. Eu estou te dando a oportunidade de ignorar o que quer que você tenha escutado. Estou dando a oportunidade de deixarmos tudo como está e continuarmos como estamos, mas a decisão é sua.”

Sua intenção fora mostrar a Naruto como eles ainda não estavam prontos para ter aquela conversa e que ambos precisavam colocar a cabeça no lugar antes de que qualquer decisão fosse tomada, mas Naruto não compreendeu o objetivo por trás das palavras do amigo. É claro que não, Naruto era teimoso demais para deixar de lado alguma coisa quando cismava com ela. Desistir tão facilmente do assunto, para ele, não era uma opção e as palavras do Uchiha acabaram tendo o efeito contrário ao desejado. Sinceramente, Sasuke deveria ter previsto aquele tipo de reação do melhor amigo e se sentiu bem bobo por não tê-lo feito.

A determinação que surgiu no rosto de Naruto foi desconcertante e súbita e, em vez de se afastar, ele deu um passo para frente, diminuindo ainda mais a distância entre os dois. Sasuke podia sentir a respiração quente do amigo atingir seu rosto suavemente a cada vez que expirava e a proximidade de seus rostos exigia dele uma força de vontade inumana para que pudesse manter o foco.

“Não vou ignorar o que ouvi, não consigo,” ele disse. Apesar de baixa, sua voz não tremia mais e nem possuía a hesitação de outrora. Naruto, naquele momento, estava resoluto e fazia exatamente o que Itachi pedira para que fizessem desde o começo. Ele enfrentava a situação como o adulto que era. “Não quero ignorar,” completou.

Sua respiração ficou presa na garganta, mas, apesar do coração que batia acelerado em seu peito, Sasuke se manteve firme no lugar. “E o que foi que você ouviu?” perguntou outra vez, num sussurro.

Se encararam em silêncio por vários segundos, mas quando Naruto finalmente falou, suas palavras roubaram todo o ar do Uchiha.

“Você me ama,” ele afirmou.

Sem rodeios, sem meias-verdades e sem qualquer traço de dúvida. Do mesmo jeito honesto e direto com o qual costumava lidar com tudo em sua vida, Naruto disse as três palavras que tiraram de Sasuke todas as possibilidades de fuga. E ao mesmo tempo que sua mente trabalhava furiosamente e gritava que ele ainda não estava preparado para aquilo, parte dele sentia-se aliviado por não precisar esconder aquilo de Naruto ou de si próprio. Sentia-se aliviado por ter o peso daquele segredo retirado de suas costas.

Estava livre.

“Amo.” A palavra deixou seus lábios antes que Sasuke pudesse pensar nas consequências daquela admissão e, quando percebeu o que fizera, já era tarde demais para voltar atrás.

E Naruto, por sua vez, pareceu tão surpreso quanto o próprio Sasuke ao ouvir aquela única palavra, dita tão naturalmente e de maneira instintiva. A surpresa, contudo, não demorou a ser substituída por satisfação e um sorriso largo e sincero surgiu no rosto do Uzumaki e aquilo acabou sendo demais para Sasuke. Incapaz de manter o contato visual por muito mais tempo, ele desviou os olhos na mesma hora e passou a observar, através do vidro da janela, os carros que passavam pela rua.

“Você me ama!” Naruto afirmou pela segunda vez, como se ainda não conseguisse acreditar no que escutara e precisasse daquela confirmação.

“Você já falou isso!” Sasuke falou, desconcertado pela animação presente na voz do melhor amigo, enquanto suas bochechas adquiriam uma tonalidade rosada pelo embaraço. “Por um acaso tá com problema de memória, é?”

Ele continuou olhando firmemente pela janela, mas sentiu quando Naruto deu mais um passo em sua direção, acabando de vez com o pouco espaço que ainda existia entre eles.

Um nó se formou em sua garganta e seu corpo parecia clamar para que olhasse para Naruto, mas não o fez. Ainda que toda a reação de Naruto desse fortes indícios de que seus sentimentos eram bem aceitos, parte de Sasuke ainda receava uma possível rejeição. A voz racional de sua consciência berrava sobre a loucura naquela situação toda, sobre como tudo poderia acabar mal para eles e sobre o erro que Sasuke cometera ao admitir seus sentimentos para Naruto. Era enlouquecedor.

Mas todos aqueles protestos foram extintos de sua mente quando sentiu as mãos de Naruto repousarem em seu rosto e, com surpreendente delicadeza, obrigarem-no a encará-lo. Seus olhares se cruzaram, finalmente, e Sasuke sentiu a maior parte de suas preocupações evaporaram diante da radiância e da certeza refletida no sorriso que o melhor amigo lhe oferecia.

“Eu amo você também,” Naruto falou. Seus dedos afagaram as bochechas de Sasuke com afeto e qualquer resposta que pudesse vir a dar morreu em seus lábios quando Naruto aproximou os rostos deles. Meros centímetros os separavam, seus narizes tocavam-se levemente e as respirações se misturavam no pouco espaço.

Por alguns segundos, contudo, Naruto hesitou. Ele pausou e permaneceu no lugar, como se oferecendo a Sasuke a oportunidade de sair dali antes que fosse tarde demais, mas Sasuke já não tinha a menor intenção de fugir. Não quando Naruto tinha acabado de admitir, com todas as letras para que não houvessem confusões, que o amava. Não quando acabara de descobrir que todos os medos e receios de alguma possível rejeição tinham sido infundados e que seus sentimentos eram correspondidos. Não quando tinha Naruto bem ali, na sua frente, e tudo o que Sasuke precisava fazer era se inclinar levemente para acabar de vez com a distância entre eles.

E foi exatamente isso que Sasuke fez.

Suas mãos agarraram a camisa de Naruto e o puxaram para frente sem cerimônias, finalmente juntando suas bocas em um beijo sôfrego, urgente. Seus lábios se partiram e ele permitiu que o beijo fosse aprofundado assim que Sasuke sentiu a língua de Naruto implorar por passagem. O contato fez com que a mente de Sasuke ficasse completamente vazia. Não haviam mais pensamentos inoportunos, preocupações infundadas ou preocupações inúteis. A única coisa na qual Sasuke era capaz de se concentrar naquele momento era na sensação quente e indescritível dos lábios de Naruto nos seus e na maneira como seus corpos pareciam se moldar em volta um do outro.

À medida que o beijo progredia, as mãos de Sasuke soltaram a camisa de Naruto e ocuparam-se em explorar as costas do melhor amigo, até que, finalmente, repousaram na cintura dele e trouxeram-no para ainda mais perto. Sasuke sentiu quando suas costas foram de encontro a janela, sentiu o contraste um tanto incômodo do vidro gelado às suas costas e a calor intenso do peito de Naruto contra o seu, mas ele definitivamente não se importou nem um pouco com aquilo. Contanto que Naruto continuasse a beijá-lo daquela maneira, Sasuke não teria se importado nem se o quarto tivesse começado a despencar ao redor deles.

Quando o oxigênio em seus pulmões se mostrou insuficiente para continuar, Sasuke, à contragosto, depositou um último beijo casto nos lábios de Naruto e, então, se separaram. Não se afastaram, contudo. Permaneceram onde estavam, seguros nos braços um do outro e com as testas juntas, enquanto recuperavam o fôlego. Sentia o peito de Naruto subir e descer com rapidez junto ao seu e as mãos do melhor amigo massageavam com carinho sua nuca. Seus olhos permaneceram bem fechados, enquanto ele aproveitava a atenção que recebia e o afeto presente em cada toque de Naruto. Sinceramente, Sasuke poderia ter se perdido naquele momento eternamente e não teria reclamado nem um pouco.

“Sasuke,” Naruto o chamou e só então Sasuke abriu os olhos.

Naruto encarava-o intensamente. Com as pupilas dilatadas de desejo, a respiração ainda desregulada e a boca vermelha e ligeiramente inchada por causa dos beijos e Sasuke precisou se controlar para não agarrar o melhor amigo outra vez. Por Deus, estava ferrado demais se a mera visão de Naruto era capaz de deixá-lo daquela maneira. Tornou a fechar os olhos antes que o pouco controle que tinha sobre suas ações acabasse lhe escapando e, com um suspiro, descansou a cabeça no ombro de Naruto.

“Itachi vai ficar insuportável,” Sasuke comentou, numa tentativa de desviar um pouco o foco de seus pensamentos para que sua mente pudesse funcionar com clareza outra vez. “Ele vai ficar jogando na minha cara que esteve certo durante todo esse tempo.”

Naruto riu com vontade, sua voz alta e despreocupada ecoando pelo quarto silencioso e causando uma leve agitação no estômago de Sasuke. “Pelo menos Itachi não é tão direto quanto Ino,” ele respondeu. “Você não tem ideia das coisas que Ino me falava. Ela sim vai ser insuportável.”

Um pequeno grunhido escapou dos lábios de Sasuke e ele afundou ainda mais o rosto no ombro de Naruto. “A gente tá fodido, não tá?”

“Muito. Provavelmente não vamos ter paz pelos próximos meses.”

Aquela última parte chamou a atenção de Sasuke e ele endireitou a postura imediatamente, afastando-se o suficiente para poder encarar Naruto direito. “Próximos meses?”

Naruto franziu o cenho, a confusão causada pela pergunta do Uchiha estampada em seu rosto. “Eu não sei exatamente o que você quis dizer quando confessou pro Itachi que tava apaixonado por mim,” ele começou. “Mas quando eu disse que amava você, quis dizer que quero ficar com você, Teme.”

O coração de Sasuke deu um pulo ao escutar aquela afirmação. Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas as palavras simplesmente se recusaram a sair e Sasuke tornou a fechá-la. A confusão de Naruto só aumentou.

“Estou começando a achar que interpretei suas palavras errado,” Naruto disse, pensativo.

Ele começou a afrouxar o abraço que mantinha ao redor da cintura de Sasuke, mas o Uchiha o segurou pelos ombros.

“Não! Você não interpretou errado,” falou, alarmado, e Naruto estacou no lugar. “Eu só... fiquei um pouco sem saber o que dizer. Não achei que você estivesse falando sobre um relacionamento a longo prazo e fiquei surpreso, só isso.”

“Sasuke, que parte do ‘amo você’ você não entendeu?” A voz de Naruto era leve, com uma nota de divertimento, mas Sasuke podia sentir o quão sério ele estava falando.

Mordendo o lábio inferior, ele sacudiu a cabeça e se desvencilhou delicadamente do abraço de Naruto. Com a distância, sua mente pôde pensar com mais clareza e Sasuke finalmente conseguiu encontrar as palavras certas para se expressar.

“Eu entendi o que você quis dizer, acredite,” ele falou. “Mas você também precisa entender que tudo aqui é muito novo, para nós dois, e eu não imaginei que você fosse querer pular de cabeça em algo mais sério logo de cara. Nós nem tivemos tempo de conversar direito, as coisas não são assim.”

“Eu sei que não são,” Naruto concordou. Ele afastou uma mecha de cabelo que caía no rosto de Sasuke e prendeu-a atrás da orelha dele, seu toque leve e afetuoso. “Também sei que isso tudo é muito louco e repentino, sei que a gente ainda tem muito que conversar e que vamos ter que aprender juntos sobre esse novo lado do nosso relacionamento mas eu quero tentar, Sasuke. Eu realmente quero tentar e ficaria muito feliz se você também desse uma chance pra isso que tá surgindo entre a gente.”

As últimas dúvidas que Sasuke ainda nutria desapareceram por completo. Ele se surpreendeu ao perceber o quanto realmente ansiava por tudo o que Naruto o oferecia naquele momento, o quanto desejava ter Naruto ao seu lado e também se surpreendeu ao perceber que sua decisão estivera tomada desde o momento em que o melhor amigo abriu a boca pela primeira vez. Uma sensação de paz recaiu sobre ele então e, sem pensar duas vezes, tomou as mãos de Naruto entre as suas e as apertou levemente.

“Okay,” disse e, apesar da resposta breve, o sorriso que recebeu de Naruto foi o suficiente para Sasuke saber que o melhor amigo o compreendera muito bem.

Naruto inclinou-se para beijá-lo mais uma vez, mas alguma coisa o fez parar de repente e ele tornou a se afastar alguns centímetros para conseguir encarar Sasuke direito.

“Espera,” ele disse. “Só pra eu ter certeza aqui e não ter mais confusão. Isso quer dizer que a gente tá namorando, né?”

“Idiota,” Sasuke replicou, dando-lhe um peteleco na testa e arrancando uma exclamação de indignação de Naruto.

“Hey! Eu só quero ter certeza que estamos na mesma página. Vai saber, né? O seguro morreu de velho.”

Sacudindo a cabeça negativamente, Sasuke rolou os olhos em sinal de impaciência. O meio sorriso presente no rosto dele, contudo, acabou tornando difícil acreditar em sua irritação.

Ele agarrou a frente da camisa de Naruto e o puxou até que seus narizes estivessem praticamente se tocando outra vez. “Sim, é exatamente isso que significa, Naruto,” sussurrou. “Agora fica quieto e continua o que você estava fazendo, tá bom?”

Naruto assentiu com avidez e não demorou a puxá-lo para um beijo. Daquela vez, nenhum dos dois hesitou mais.

~*~*~

Quando, finalmente, eles emergiram do corredor e apareceram na sala de estar outra vez, pouco mais de meia hora depois, a primeira coisa que Sasuke percebeu foi que a maioria dos convidados já tinha ido embora. Das mais de vinte pessoas que compareceram ao jantar, somente Sakura e os pais de Shisui ainda não tinham ido e ajudavam Itachi a arrumar o apartamento.

A segunda coisa que percebeu foi o olhar superior e o sorriso convencido que seu irmão mais velho lhe oferecia e Sasuke respirou fundo para não deixar transparecer sua irritação. Também ignorou categoricamente ao questionamento silencioso que Itachi lhe fazia. Não daria a seu irmão a satisfação de vê-lo perder a compostura, muito menos lhe daria algum tipo de explicação. Apesar de, no fim, tudo ter dado certo e ele e Naruto terem se acertado, Sasuke ainda não tinha perdoado a armação de Itachi. Ainda precisaria ter uma conversa séria com o mais velho e estipular alguns limites depois daquela noite.

“Precisam de ajuda?” Naruto perguntou, ao ver Shisui e Sakura desaparecerem pela porta da cozinha equilibrando duas bandejas de taças usadas.

Itachi, porém, negou. “Não precisa, temos tudo sob controle aqui,” ele garantiu. “Você e Sasuke podem ir, se quiserem. Vocês têm muito tempo perdido a recuperar.”

Naruto corou furiosamente e acabou incapaz de oferecer qualquer tipo de resposta enquanto que, da cozinha, ecoava uma gargalhada alta, que Sasuke identificou como pertencente a Shisui, junto de algumas risadas mais discretas inquestionavelmente femininas. O próprio Itachi pareceu bastante satisfeito com sua própria insinuação e ergueu uma sobrancelha ao ver a cara feia que o irmão fazia, como se o desafiasse a desmentir o que acabara de dizer, mas Sasuke se recusou a cair na provocação.

Aproveitou, contudo, a oportunidade de fugir do interrogatório que muito provavelmente seria obrigado a responder caso passasse a noite no apartamento de seu irmão. Pediu que Naruto esperasse alguns minutos, enquanto ele voltava até o quarto de hóspedes para buscar suas coisas. Retornou com sua mochila de roupas pouco depois.

“Pronto, podemos ir,” Sasuke avisou, colocando-se ao lado de Naruto e interrompendo a conversa que ele mantinha com Itachi.

“E os seus presentes?” Naruto perguntou.

“Passo aqui para buscar amanhã.” Sasuke fixou um olhar sério no irmão antes de continuar. “Vê se não mexe nos meus presentes, tá legal? São meus.”

A expressão de Itachi era falsamente ofendida. “Você faz um juízo muito ruim de mim, querido irmão. Isso me magoa, sabia?”

“Até parece.”

Com um último olhar desconfiado, Sasuke e Naruto foram rapidamente até a cozinha falar com Sakura, Shisui e os tios de Sasuke. Despediram-se dos demais e então, finalmente, o detetive tomou a mão de Naruto na sua e eles deixaram o apartamento, dirigindo-se em silêncio até os elevadores.

“É impressão minha, ou o seu irmão acabou de praticamente te jogar pra cima de mim?” Naruto perguntou, sua voz carregada de divertimento, assim que as portas do elevador se fecharam e eles se viram sozinhos. “Foi meio perturbador.”

Sasuke revirou os olhos. “Já falei, Itachi é um intrometido e um manipulador,” respondeu com irritação. “Ele está realmente achando que vai conseguir se safar depois do que ele fez hoje com a gente, mas ele está muito enganado. Não vou deixar essa passar, ele precisa aprender a parar de se meter na vida dos outros.”

O divertimento de Naruto só aumentou diante do pequeno discurso de Sasuke, mas ele conteve uma risada. Em vez disso, aproximou-se com cautela até que estivesse invadindo completamente o espaço pessoal do melhor amigo, um sorriso fácil e sedutor adornando-lhe o rosto.

“Mas o plano do Itachi também teve um lado bom, não teve?” ele perguntou e sua voz estava mais rouca do que o normal. “Foi por causa dele que a gente se acertou.”

“Hm, talvez,” Sasuke respondeu. Seus olhos recaíram sobre os lábios de Naruto por vários segundos e ele mordeu instintivamente seu próprio lábio inferior. “Mas ele continua sendo um intrometido.”

“Eu sei, mas até que eu sou um pouco grato por isso. É graças à intromissão dele que, agora, eu posso te beijar a hora que eu quiser, posso te tocar a hora que eu quiser.”

“Pode, é?” Sasuke perguntou em desafio, erguendo as sobrancelhas em zombaria. Ele repousou as mãos nos ombros de Naruto e permitiu que elas deslizassem por toda a extensão do peito dele. “E quem disse isso?”

“Eu estou dizendo. Você é meu, Uchiha, aceite.”

“Hm. Você fica falando aí, mas continua sem fazer nada. Assim fica difícil de acreditar em você, Usuratonkachi.”

Um grunhido baixo deixou a garganta de Naruto e seus olhos brilharam perigosamente, mas o que quer que estivesse passando por sua mente precisou ser deixado de lado quando o elevador apitou de repente e as portas de metal se abriram. Um casal de meia idade se juntou a eles, olhando de maneira desconfiada para os dois antes de entrar no elevador, e Sasuke se viu obrigado de parar as carícias a Naruto.

As portas do elevador mal tinham se fechado, quando o Uchiha sentiu o namorado (namorado!) inclinar-se em sua direção e sussurrar em seu ouvido.

“Assim que chegarmos no meu apartamento, vou te mostrar exatamente o quanto você me pertence,” disse e um arrepio percorreu todo o corpo de Sasuke no mesmo instante.

Não duvidava que Naruto cumpriria aquela promessa e Sasuke mal podia esperar que ela fosse cumprida.


Notas Finais


O Ministério da Saúde adverte, deixar comentários faz bem ao coração, além de deixar uma autora extremamente feliz também. HAHAHAHAHAHAH

E então, coisas lindas da minha vida, quais são os seus pensamentos depois desse momento tão esperado? Quero saber tudo! Por isso não tenham vergonha de falar comigo, okay!? Estou aqui para ouvi-los. Quem preferir, o link do Facebook tá aqui: https://www.facebook.com/ninetailedfoxfanfiction/ Podem surtar lá a vontade, viu? Não vou julgar e vou gostar bastante também. HAHAHAHAHHAH

Por enquanto, isso é tudo. Espero que tenham gostado do capítulo tanto quanto eu. Apesar dos surtos, eu acabei me apaixonando por ele e não me arrependo. <3 Estarei por aqui respondendo comentários e esperando pelas reações de todos. Qualquer coisa, é só gritar.
Sintam-se amados.
Xoxo

Obs: Quem quiser, meu twitter é depptennant. :)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...