História Dominadas ( adaptação camren) - Capítulo 17


Escrita por: ~ e ~Karenmorgado

Postado
Categorias Fifth Harmony
Tags Drama, Revelaçoes, Romance
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Palavras 5.373
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 17 - Capitulo 17


POV LAUREN

 

 

Despertei lentamente, sentindo-me meio zonza. A claridade incomodou os meus olhos assim que os abri, por isso os fechei com força. O calor insuportável que fazia deixava a minha pele com uma sensação pegajosa horrível. Precisei de um segundo para entender que havia alguém embaixo do meu corpo, aumentando ainda mais a temperatura. Pensei logo no Brad, embora não costumasse dormir com ele. Porém, o que vi me deixou estrondosamente mais assustada do que se tivesse dado vacilo a ponto de dormir com o Brad. Camila estava dormindo de barriga para cima, com os braços em volta do meu corpo, boca semi-aberta e completamente nua. Meu coração disparou de tanta angústia não devia ter esperado tanto. Foi um erro tremendo adormecer ao lado dela, em sua cama, em seu quarto, em sua casa. Algo imperdoável, inadmissível. Minha mente articulou todas as espécies de palavrões existentes no mundo, uns até indizíveis. Tentei me mover um pouco, mas Camila me segurava com força. Mantinha-me contra a minha vontade. De novo. Seus braços eram pesados, quentes e me davam uma ideia de conforto totalmente desconfortável. Seria possível? Conforto desconfortável?

 

 

 

Devagar, fui retirando a minha mão, que estava apoiada em seu abdomen. Um lapso de loucura me fez voltar a colocá-la no mesmo lugar, desta vez lhe alisando a via algums pelinhos. Demorou apenas um segundo e retirei a mão bem depressa, arfando alto. Só então notei que estava embriagada pelo cheiro dela. Podia senti-la até mesmo na minha pele. Pensei em mais palavrões. Ergui a cabeça e observei seu rosto por alguns instantes estava sereno, havia até mesmo um resquício de sorriso na expressão. Devia estar imersa em um sonho bom. Os cabelos escuros, desgrenhados e ensebados jaziam no travesseiro branco. Cada contorno do seu rosto perfeitamente arquitetado por alguém que entende bem do assunto e que certamente queria sacanear com as mulheres foi analisado por meus olhos curiosos. Sem pensar em muita coisa, encostei os meus lábios na lateral do seu rosto. Senti a sua pele macia, e, com uma inspirada mais profunda, seu cheiro me tirou das órbitas novamente. Afastei-me depressa, indignada comigo mesma.

 

 

 

Não sabia o que ainda estava fazendo ali. Camila não passava de uma idiota. Sua estratégia de encher a cara havia sido ridícula, isso para não dizer completamente infantil. Claro que, depois que a amarrasse e com certeza a convencesse a transar comigo sob as minhas condições, iria se justificar no dia seguinte usando a desculpa de que estava bêbada, e então a minha capacidade de domínio continuaria abalada pelos seus joguinhos. Ela jurava que eu não havia me ligado na dela, porém, sempre estou à frente. Não preciso embebedar ninguém para ter o que quero. Meu controle precisa ser devidamente permitido, a pessoa tem de estar consciente, sabendo exatamente que está sendo submetida e adorando cada segundo em que estiver sob os meus comandos. É assim que ajo. Camila jamais mudará a minha maneira de conduzir, nem mesmo aquele desejo absurdo que me fazia sentir me tiraria a razão.

 

 

 

– Você é uma idiota... – sussurrei perto do seu ouvido, mas ela sequer se mexeu. Melhor assim.

 

 

 

Movi-me com um pouco mais de jeito e consegui sair de seus braços. Meu primeiro impulso foi alcançar o banheiro estava me sentindo imunda demais para ir embora. Precisava de pelo menos um banho. Retirei a minha lingerie, os meus brincos e o meu bracelete dourado antes de encarar um banho de chuveiro. A água estava uma delícia, mas, quando terminei, não encontrei uma toalha. Saí molhando tudo até perceber que a maldita tinha ficado em cima da cama, enrolada com os lençóis e com o corpo daquela mulher. Não me restou outra saída senão puxá-la, tentando não encarar Camila servida de bandeja, do jeitinho que veio ao mundo. A tentação era tão grande que tive medo de pular em cima dela. Arrastei uma parte do lençol e a cobri da cintura para baixo, suspirando fundo. Só então consegui buscar um pouco de raciocínio. Aquela mulher havia sacaneado feio comigo, merecia uma punição. Não somente eu tinha ficado em desvantagem, como também tive um acordo rompido e ainda fui mantida em seus braços, de novo, durante a madrugada e parte da manhã.

 

 

 

Idiota. Idiota. Idiota! Aquilo não podia ficar assim. Enquanto me vestia, fiquei a observando e pensando em alguma coisa que me fizesse vingar toda aquela palhaçada. Foi quando peguei a minha bolsa que tive uma ideia faria com que entendesse o quanto havia sido uma babaca aquela noite. Tirei a tampa do meu batom vermelho e fiz uma verdadeira arte no seu rosto, deixando-a completamente riscada. Camila nem se mexeu, estava praticamente desmaiada. Por fim, resumi tudo o que ela significava para mim em sua barriga. Ri baixinho quando terminei, tentando não fazer barulho. Ficou hilário. Podia até tirar uma foto, mas achei que seria invasão demais. Não se brinca com essas coisas, se caísse em mãos erradas podia sobrar para o meu lado. Estava virando as costas para ir embora quando encontrei a sua gravata jogada no chão, junto com as roupas que havia usado no casamento. Sorri largamente. A peça me seria útil, enfim. Voltei para a Camila e amarrei sua mão com jeito e suavidade. Depois, amarrei a outra ponta da gravata na cabeceira. Era uma pena não poder prender as duas, mas ela entenderia perfeitamente o recado. Fui embora sem peso algum na consciência. Estava vingada. Ela ficaria puta da vida quando percebesse o que eu tinha feito, além de não saber que havia me mantido e nem desde que horas esteve amarrada. Quem manda beber sem nenhuma dignidade? Eu podia ter feito coisas piores se não mantivesse o pouco da ética que me sobra quando estou com ela.

 

 

 

Peguei um táxi e cheguei à minha casa bem cansada. Jane não estava em seu quarto só para variar, e o Brad só chegaria à noite. Livrei-me das roupas de festa e dormi por pelo menos mais duas horas. Não ia conseguir voltar ao trabalho me sentindo tão sonolenta e arrasada, porém o fiz quando acordei coloquei uma roupa confortável e segui rumo ao escritório. No fim da tarde, enviei para Camila os pontos que discutiríamos no treinamento do dia seguinte. Não retornou ou mandou notícias, nem uma mensagem sarcástica sequer. Uma parte de mim se perguntou se ela estaria bem, mas isso era problema unicamente dela, não meu. Jane chegou quando a noite deixou a casa obscura. Como previsto, ignorou-me e se trancou dentro do quarto. Ligou o som alto, porém não me incomodei por se tratar de MPB. Eu gosto. Brad apareceu sorrateiramente no meu escritório, quase as onze da noite. Ele não tinha permissão para entrar na casa sem o meu consentimento, mas alegou que não queria me chatear com um telefonema, caso estivesse dormindo. Sabia que eu ficaria mais irritada ainda se não avisasse que tinha chegado, portanto resolveu arriscar.

 

 

 

Não engoli muito a sua história, e foi um dos motivos pelo qual não me senti disposta a termos um momento. Dispensei-o, alegando cansaço e muito trabalho acumulado. Brad compreendeu, como sempre fazia, mas vi resquícios de tristeza em seu olhar quando beijou minhas mãos e se retirou de mansinho. Esqueci totalmente de lhe perguntar sobre seus pais, eles não estavam com uma saúde muito boa. Percebendo que já estava cansada o bastante e que já sabia as questões do treinamento de cor, tratei de colocar uma camisola confortável e de me sentar na varanda do meu quarto, observando a escuridão do céu noturno. Desta vez, empunhando o primeiro diário da Jane. Não sabia o que me aguardaria, embora algo dentro de mim estivesse gritando, alertando-me de que aquilo não era uma boa ideia. Ignorei todos os avisos e abri na primeira página, logo após um monte de fotos de bandas e ídolos teen. Dando uma curta folheada, percebi que ela não escrevia muito por dia, só um parágrafo ou dois, no máximo. Ainda bem, odiaria ter de passar a noite lendo lamúrias adolescentes. Novamente, abri na primeira página e comecei a leitura
 

 

"Querido diário,

 

 A minha psicóloga é uma chata. Odeio as sessões, odeio ter que falar sobre a minha vida. Não interessa a ela e nem a você, mas a megera insistiu e me deu você de presente mesmo assim. Ela nem sabe das coisas que gosto, odeio qualquer coisa cor-de-rosa, e ela pega e me dá um diário rosa. Um saco. Mas se quer saber estou me sentindo triste hoje. Como em todos os dias. Lauren continua me evitando, ela nem sabe que amanhã tenho apresentação de teatro na escola. Há dois anos ela não sabe de nada sobre mim. Ela que sempre quis saber tudo, sempre me apoiou. Acho que sinto mais falta das histórias que me contava. Algumas eram para garotas de dois anos de idade, mas eu gostava mesmo assim. Já tenho doze anos e tive a minha primeira menstruação na semana passada. Sabe como ela reagiu? Nada. Isso mesmo, ela só me deu dinheiro para comprar absorventes, esquecendo que eu não faço ideia da diferença entre um absorvente noturno ou sem abas e com abas... Nem sei se posso usar um interno, descobri ontem que uma amiga usa. Aliás, eu nem sabia que existia absorvente que se enfie dentro da... Você sabe. É esquisito e nojento. Mas é a vida. Fazer o quê? Ela está triste e eu tenho que respeitar. Ninguém me diz o que aconteceu de verdade, ficam me tratando como uma criança, me jogando de casa em casa. Eu prefiro estar com ela, ainda bem que me tiraram daquele lugar horrível. Eu sei que foi duro demais, sei que Lauren se machucou e quase morreu. Espero que um dia minha querida irmã entenda que as dores passam e a alegria é bem melhor de ser sentida, né? Eu me considero alguém feliz, mesmo estando triste. É esquisito, diário. Enfim, vou te dar uma personalizada. Esse rosa vai sumir e você vai gostar do resultado, prometo.


Até depois."

 

Fechei as expressões e larguei o diário longe caiu entre uma cômoda grande e uma poltrona confortável, onde atualizo algumas leituras. Observei o céu, que ficava cada vez mais turvo por causa de lágrimas insanas que marejaram meus olhos. Fiquei olhando para cima até elas secarem e o risco de chorar ir embora. Um lado racional do meu cérebro avisou que eu mantivesse aquelas leituras, porém um lado horrível, composto por mais sentimentos do que gostaria de ter, mandou-me nunca mais tocar no assunto. Por hoje é só defini, deixando a varanda e me deitando calmamente na cama. Estava cansada e meus pés ainda doíam pelo uso dos saltos altos demais. Daria tudo por um orgasmo bem gostoso antes de dormir, mas não queria usar o meu vibrador e arriscar pensar na Camila. Também não queria chamar pelo Brad. Ele estava cansado da viagem, sem dúvidas. Sei que ficava à minha disposição poderia exigir um clímax e nada mais, ele jamais negaria, porém me vi incapaz de fazê-lo. Realmente não tive vontade de chamá-lo. Enrosquei-me com dois travesseiros. O meu celular tocou no exato instante em que me encontrei totalmente confortável, pronta para adormecer. Sabia que era a infeliz. Ela sempre me ligava a meia-noite. Parecia que não tinha nada melhor para fazer.

 

 

 

– Oi, bela adormecida – falei sarcasticamente, mas a voz saiu dura.

 

 

 

– Oi, madrasta. Pensei que eu fosse a idiota, não uma princesa da Disney – Camila não parecia tão feliz assim, mesmo fazendo mais uma de suas piadinhas.

 

 

 

– Dá no mesmo.

 

 

 

– Eu não sei quem você acha que sou, Lauren, mas...

 

 

 

– Não sabe? – interrompi – Pensei que tivesse deixado claro como água. Ou como batom vermelho! – Ela não riu. Uma pena.

 

 

 

– Você é estúpida.

 

 

 

– Eu? Olha só você! – apoiei meus cotovelos no colchão, deitada com a barriga para baixo – Quebrou a nossa quinta regra. Avisei para que estivesse inteira – Camila não falou nada. Só ouvi sua respiração pelo celular, e por um instante fechei os olhos e me concentrei nela.

 

 

 

– Ninguém te deu o direito de fazer aquilo comigo, Jauregui – Aquela história já estava me enchendo o saco. Não me arrependo do que fiz, faria de novo sem problema algum. Ela mereceu. Vacilou feio e fez papel de idiota porque quis.

 

 

 

– Não vai me fazer listar as coisas que fez comigo sem ter recebido direito algum, vai? – falei duramente, mas me senti cansada. Não queria que aquele papo ficasse sério demais – Relaxe, Camila. Não abusei de você, só te amarrei, como era o meu direito fazer, e deixei um recado. Por sinal, fiquei impressionada. Que corpo é esse que anda escondendo? Gostosa demais... – Agora sim a Camila riu. Sabia que o faria, ela se acha. Gosta quando a elogio de alguma forma. Aumenta o ego dela, coitada. Bom, não sou de esconder nada a mulher é uma delicinha e pronto, não sou uma garotinha que guarda o que pensa para si.

 

 

 

– Gostosa é você, Lauren. Mesmo bêbada, não me esqueci do que vi. Não sai da minha cabeça... – comentou com uma voz rouca deliciosa. Minha pele queimou de desejo. Como nada respondi, ela continuou – Sabe que pode desfrutar de mim, do meu corpo... Quando quiser – Meu rosto se iluminou drasticamente.

 

 

 

– Quando eu quiser? Bem que podia ser agora.

 

 

 

– Sim, sob minhas condições, não tem problema algum – riu maliciosamente. Fechei a cara de novo e soltei um longo suspiro. Aquele ciclo um dia teria fim?

 

 

 

– Nunca – concluí, sequer conseguindo me imaginar aceitando as condições dela. Meu desejo era enorme, mas não chegava a tanto. Não ultrapassava o meu amor-próprio.

 

 

 

– Nunca diga nunca, gostosa – murmurou, certamente tentando me atiçar. O pior de tudo é que ela sempre conseguia. Terminava com os hormônios à flor da pele toda vez que aquelas ligações tinham fim – Ah, Lauren... É só uma questão de tempo para você ser minha. Escreve o que estou te dizendo.

 

 

 

– Claro que é uma questão de tempo, mas para que você seja minha, Cabello – Ela ficou calada. Eu também. Mais uma vez, concentrei-me na sua respiração, que havia ficado mais pesada do que antes. Sabia o que Camila estava sentindo desejo. Sentia a mesma coisa, e posso afirmar com plena certeza que aquilo só fazia piorar dentro de mim. Parecia uma espécie de doença, algo que não conseguia ser desfeito, um feitiço poderoso e cruel. A situação me deixava, de certa forma, aprisionada a ideia de possuí-la. Não conseguia me livrar daquela vontade, e sinceramente não estava tentando muito. Talvez conseguisse. Talvez me frustrasse. Só sabia que, enquanto o sabor do desafio estivesse doce na ponta da minha língua, continuaria jogando.

 

 

 

– No quê está pensando? – perguntou-me baixinho. Senti um arrepio tão grande, parecia que tinha me perguntado aquilo encostando sua boca no meu ouvido.

 

 

 

– Em você – fui sincera, como sempre. Para a minha surpresa, Camila passou mais um tempão calada. Pensei que soltaria alguma piadinha ou faria qualquer comentário malicioso, no entanto me enganei. Fiquei assustada quando ela mudou de timbre e de assunto.

 

 

 

– Recebi os arquivos do treinamento, obrigado. Está pronta?

 

 

 

– Sim.

 

 

 

– Ótimo. Vejo você amanhã. Até lá... – Desligou o telefone tão depressa que não deu tempo para que a respondesse. A mulher me deixou sem a última palavra de novo. Com raiva e sem entender sua atitude esquisita, mandei uma mensagem de texto

 

 

eu: MINHAS últimas palavras: até amanhã, idiota.

 

 

Não sei se a Camila leu, sequer sei se respondeu. Desliguei o celular e tratei de ir dormir. Aquela mulher nunca me tiraria uma boa noite de sono.

 

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Depois de um café da manhã reforçado preparado pelo Brad, segui rumo à CMD, pronta para mais um dia de trabalho intensivo. O treinamento seria logo pela manhã, a partir das nove horas. Meu relógio de pulso marcava oito horas quando alcancei a minha sala. Allyson Brook, coordenadora do departamento de Recursos Humanos, já estava esperando sentada em um banco de madeira, que jazia naquele corredor da diretoria. Saudou-me quando me viu e foi logo me entregando um monte de papel.

 

 

 

– Desculpe a demora, Doutora Lauren, aqui estão aquelas informações que me pediu. Temo que tenha precisado delas para o treinamento – Por um instante fiquei sem saber do que se tratava, só depois me lembrei de que a maldita ainda não havia me entregado as informações com os contracheques dos coordenadores. Dei uma rápida espiada, sem prestar muita atenção, e enfiei a papelada dentro de uma pasta preta, que tinha trazido comigo.

 

 

 

A sala estava trancada, sinal de que a Camila não havia chegado ainda. Tratei de abrir um pouco as janelas antes de ligar o ar-condicionado. Havíamos decidido que o treinamento aconteceria naquela sala mesmo, pois tínhamos uma mesa enorme própria para isso, além de cadeiras suficientes e a privacidade de que precisávamos. Aos poucos, os coordenadores foram chegando, tomando seus lugares e aguardando o início. Somávamos vinte pessoas, contando comigo e com a Camila cada um cuidava de um departamento específico, dentre eles, treze homens e sete mulheres. Separei um lugar na ponta da mesa, e pensei logo em colocar uma cadeira para a Camila ao meu lado. Como não usaríamos data show, teríamos mobilidade e muito mais dinamismo. Fui xerocando algumas folhas com o conteúdo do treinamento, para que os coordenadores não ficassem perdidos no meio das informações, bem como consegui alguns blocos de anotações com o Simon, quando ele decidiu dar as caras e avisou que também assistiria ao treinamento, a fim de avaliar nosso desempenho. Claro que fiquei puta de ódio disso, detesto ser avaliada, mas compreendo que ele só estava fazendo o que lhe foi imposto pela presidência. Mesmo assim, não deixava de ser irritante.

 

 

 

Camila chegou as oito e quarenta e cinco, desfilando um terno escuro muito elegante. Cruzou a sala com o velho sorriso estampado no rosto ela nunca ficava de mau humor?, cumprimentou todo mundo como se conhecesse de longa data e, por fim, encarou-me longamente antes de perceber que seu lugar já havia sido separado. Sentou-se com charme ao meu lado claro que um perfume delicioso tomou conta dos meus sentidos e abriu a própria pasta, retirando os papéis. Seu semblante amigável se transformou, agora ela era uma profissional pronta para transmitir o que sabia. Percebi cada movimento seu sem desviar os olhos. Demorei séculos a notar que todo mundo meio que estava reparando o meu estado de semi-choque. Não que algumas coordenadoras não estivessem naquele estado, Camila sabia chamar a atenção da comunidade feminina, era inevitável. Isso sem contar na Perrie, que veio atrás dela como se fosse uma babá e se sentou entre os coordenadores, jurando que era alguém importante. Pisquei diversas vezes antes de cumprimentá-la com um "bom-dia" fraco, que foi correspondido com um "bom-dia" alegre e um par de olhos castanhos fantásticos, que só alegraram ainda mais a maldita saudação.

 

 

 

Idiota! Fechei a cara e me concentrei nos papéis, percebendo que todos já estavam presentes. Distribuí as xerox que tirei junto com os blocos de anotações. Assim que cheguei à Perrie, pedi-lhe que providenciasse água para os coordenadores e não lhe entreguei o conteúdo do treinamento. Ela me encarou, fingindo que não tinha se irritado com o meu pedido. Ou melhor, ordem. Sorriu de leve, deixou o rosto pálido corar um pouquinho e se levantou, retirando-se da sala em silêncio. Começamos a trabalhar às nove horas em ponto. Camila e eu estávamos muito bem afiadas e, mesmo sem termos combinado o momento em que falaríamos sobre cada ponto, o treinamento soou natural, espontâneo. Ela deixava muitas brechas para que eu falasse, assim como também fiz o favor de permitir que tivesse espaço. Os coordenadores ficaram todos envolvidos, apenas um ou outro se perdia de vez em quando, mas no geral foi bem proveitoso. Perrie chegou quase vinte minutos depois, distribuindo, além de garrafas de água, café e biscoitinhos de leite. Ninguém podia negar que era prestativa, mas algo em seu jeito sonso me deixava sempre alerta e não conseguia sentir qualquer espécie de simpatia por ela. Quando se sentou novamente, olhou para mim com ar vencedor. Apenas ignorei, afinal, não havia feito nada além de sua obrigação.

 

 

 

Simon permaneceu sentado e com a cabeça abaixada, anotando tudo o que ouvia. Às vezes fazia expressões debochadas, como se estivesse achando tudo muito ridículo ou imaturo. Sua atitude me irritou bastante. Na verdade, deixou-me possessa. Houve um momento em que ele decidiu se meter no que estava sendo discutido, colaborando com ideias errôneas longe do que Camila ou eu acreditávamos. Tentei expor todo o meu ponto de vista, mas ele não concordava e se explicava com ainda mais balelas. Os coordenadores notaram um clima meio esquisito entre nós, porém Camila, do nada, tocou a minha mão por debaixo da mesa e tomou a palavra para si, explicando mais uma vez, expondo sua opinião e o quanto acreditava que eu estava certa. Por fim, Simon se calou e voltou a abaixar a cabeça, fazendo mais anotações. Foi a coisa mais legal que a Camila  podia ter feito. Percebi que formávamos uma equipe do jeito que todas as equipes devem ser ajudando-se, somando-se, ampliando horizontes e se preocupando com a qualidade do todo a partir da união de cada integrante. Foi difícil manter a concentração no restante do treinamento, pois a mulher demorou demais para retirar sua mão da minha. Quando o fez, ainda conseguia senti-la, bem quente, encostando-se à minha pele.

 

 

 

Deixei as palavras finais sob responsabilidade dela e só participei acrescentando algumas informações mais minuciosas. No fim, sentime completamente realizada. Depois de darmos a reunião por encerrada, os coordenadores estavam tão empolgados que permaneceram na sala, discutindo sobre diversos assuntos, que ia da CMD até coisas banais. Cada um foi se comunicando com quem se interessava, de modo que a sala se tornou uma muvuca de informações trocadas, elogios e descontração. Eram raros momentos assim. Mesmo que soubéssemos que devíamos voltar ao trabalho, permiti que a situação se prolongasse justamente porque a ideia de mais comunicação entre os coordenadores era proveitosa para a própria empresa. Fiquei conversando com o Sr. Lopes, do departamento de desenvolvimento, e ele me explicou que mandaria uma pessoa responsável para que atendesse às necessidades do projeto exigido pela presidência. Trocamos figurinhas e muitas informações valiosas, além de que pude conhecê-lo um pouco melhor e, assim, teria mais liberdade para realizar solicitações mais específicas sobre os próximos projetos que fosse desenvolver. Afinal, odiaria deixar de projetar, mesmo assumindo a diretoria.

 

 

 

– Ah, Lauren, quase ia me esquecendo... – ouvi a voz da Camila do outro lado da sala. Soou meio alta, chamando a atenção das pessoas. Ela foi se aproximando, tentando pegar alguma coisa dentro do bolso do terno. Permaneci sentada e acompanhei seu movimento, principalmente seu sorriso bobo perfeitamente desenhado. Nem sei como aconteceu, pois parte da minha mente congelou quando a maldita colocou em cima da mesa, bem na minha frente, o par de brincos dourados da Jane e o bracelete que eu havia usado na festa. Olhei os objetos, atônita – Você se esqueceu disso no meu quarto... – falou em alto e bom som. Peguei-os tão depressa que a minha pulseira fez um barulho horrível ao se chocar na mesa. Foi a única coisa que pude ouvir, pois tudo tinha ficado silencioso dentro daquela sala. Não olhei para os lados, com medo do que veria. Ergui-me e passei pela Camila com a cabeça abaixada, seguindo direto até a minha bolsa, pendurada no canto oposto.

 

 

 

Os coordenadores voltaram a conversar aos poucos. Guardei as joias e, quase sem conseguir respirar, criei forças para fingir que nada havia acontecido. Conversei um pouco com a Allyson, em pé mesmo, mas sem prestar atenção em nada do que ela me falava. Vi quando a Camila deixou a sala, acompanhada pelo Sr. Lopes e outro coordenador. Perrie foi logo atrás, mas, antes de sair, olhou na minha direção. Sua expressão sempre abobalhada havia se transformado em uma quase ferina. Foi então que percebi o que era bem óbvio a vadiazinha gostava dela. E devia estar com ainda mais ódio de mim. Foda-se. Depois da ceninha que ela tinha criado, não queria mais vê-la nem pintada de ouro. Ela que não me aparecesse tão cedo, pois sentiria toda a minha fúria. Eu estava com tanta raiva que quase não conseguia me controlar. Acabei dispensando todos os coordenadores um minuto depois, alegando que precisaria da sala para retomar o trabalho. Todos saíram despejando felicitações, quase não deixando visível que teriam mais uma fofoca para espalhar sobre mim na CMD. Assim que me vi sozinha naquela sala enorme, procurei por uma xícara de café e bebi todo o conteúdo de uma só vez, mesmo estando um pouco quente. Mataria e morreria por um cigarro. Se tivesse um, certamente já teria sido fumado até o talo. Sem saber o que fazer, e com a cabeça nas nuvens, comecei a organizar as minhas coisas para retomar o projeto. Pra quê? Depois de dez segundos tentando localizar a base, percebi que todas as minhas coisas estavam fora do lugar. Os papéis haviam sido revirados.

 

 

 

E isso só significava uma coisa Camila Cabello era mais do que uma idiota. Era uma cínica, uma fingida, uma filha da puta desprezível. Uma mentirosa, falsa, que joga sujo e não possui o mínimo de ética. Como eu queria foder com a vida dela! Minha nossa, a vontade se tornou gigantesca. Ela ia se ver comigo. As coisas não ficariam assim, de jeito nenhum. A maldita não fazia ideia de com quem estava lidando. Depois de ter me feito passar vergonha na frente de todo mundo, ainda tinha a coragem de destruir o meu trabalho? E aquele papo de que estávamos juntas nessa? Depois de ter prometido que jamais me prejudicaria, por que havia feito na maior cara de pau? Enquanto eu tentava controlar a minha vontade de pular pela janela e dar adeus àquela vida deprimente, fazia um esforço absurdo para organizar os papéis e controlar a intensidade do nó que havia se formado na minha garganta. Estava me sentindo derrotada. Usada. Como podia ter sentido desejo por alguém tão repugnante? É nisso que dá tentar confiar nas pessoas. A decepção é inevitável quando nos esquecemos de que nem as nossas sombras são de confiança. Eram onze e meia quando a porta se abriu e a Camila entrou com aquela cara de bocó. O sorriso cínico ainda estava em seu rosto, porém morreu quando olhou para mim. Meu ódio irradiava, eu podia sentir a pressão a atingindo em cheio. Não tinha tempo para disfarçar o meu rancor, marchei batendo os pés no chão até alcançá-la, com os punhos cerrados e os dentes rangendo.

 

 

 

– Como pôde? – rosnei alto. Parecia uma tigresa, um animal feroz. Vi resquícios de medo nos olhos da Camila, mas durou pouco. Ela logo fechou as expressões também, indicando que não se deixaria abater pelo meu ódio. Sua atitude só fez meu corpo reagir rápido desferi-lhe um tapa tão intenso que até a minha mão doeu – Como pôde sua... sua... ridícula? Filha da puta! Eu te odeio, sua infeliz! Maldito dia em que cruzou o meu caminho! – gritei alto, tomada pela adrenalina. Minhas mãos tremiam, tudo tremia para ser bem sincera. Camila colocou a mão no rosto, tornando a virar a cabeça para frente. Fez aquilo tão devagar que só me deixou com ainda mais raiva. Ela não parecia tão firme agora. Acho que devia estar surpresa com aquilo tudo.

 

 

 

– Ninguém me faz de idiota e fica por isso mesmo, Lauren – falou baixinho, soando como um pedido de desculpas – Você pediu. Você me envergonhou, sua atitude foi de encontro a todas as regras do nosso jogo – Arfei, sentindo meu pulmão arder por ter prendido a respiração sem notar.

 

 

 

– FODA-SE ESSA MERDA DE JOGO! FODA-SE ESSE PROJETO, FODA-SE VOCÊ! – As primeiras lágrimas surgiram a todo gás, e então me vi aos prantos, gritando como uma maluca. Absolutamente descontrolada e nervosa. Camila abriu bem os olhos, e desta vez o pavor permaneceu em suas expressões – Você é ridícula, eu te odeio! – continuei gritando. – Não bastava ter me envergonhado na frente de todo mundo, mas também atrapalhar o meu trabalho, não é mesmo, Cabello? Não me importo se o mundo todo achar que estamos fodendo, não ligo, sua infeliz! Só que você NÃO TEM O DIREITO DE DESTRUIR O MEU TRABALHO! – ergui o dedo na cara dela, sabendo o quanto odiava aquela atitude. Dane-se, não tenho medo dela. Não tinha mais nada a perder. Camila estava séria até então, mas abriu a boca, espantada, e balançou a cabeça.

 

 

 

– Do que está falando, Lauren? Não destruí o seu trabalho, não viaje! Jamais faria isso – sua voz saiu dura, firme, decidida, porém seus olhos indicavam pavor ao me ver tão descontrolada.

 

 

 

– Não seja falsa! Não acredito em você! Sua filhinha de papai dos infernos! Não faz ideia do que passei para estar aqui, desgraçada! NÃO FAZ A MENOR IDEIA! – gritei aos prantos, levando minhas mãos à cabeça. Puxei todo o ar que consegui, mas meus braços ficavam cada vez mais trêmulos e a visão, turva. O coração batia tão rápido que pensei que fosse morrer.

 

 

 

– Lauren, não estou entendendo! – Camila se aproximou um pouco, porém recuei, apoiando-me em uma cadeira. Já começava a passar mal de verdade – Não te prejudiquei, pelo contrário! O treinamento foi um sucesso, todos te elogiaram muito!

 

 

 

– Você... – arfei. – Mexeu... Nas MINHAS COISAS! MALDITA! – Camila, de repente, puxou-me pela cintura e segurou o meu rosto. Foi um movimento brusco e impensado. Eu estava tão desesperada que não consegui reagir.

 

 

 

– Presta atenção, Lauren – falou duramente, encarando-me de muito perto – Acho que já sei o que aconteceu. Na sexta-feira passada abri as janelas para tomar um ar e os papéis da sala inteira voaram pelos ares. Tentei consertar, mas não consegui devolver tudo para o lugar certo. Acabei me esquecendo de te contar, desculpe, eu devia ter feito isso – Balancei a cabeça avidamente, e sua mão, que segurava o meu queixo, acabou indo junto.

 

 

 

– Não... Não acredito. Não confio em você – Ela me segurou com ainda mais força.

 

 

 

– Jamais te prejudicaria. Está me entendendo? Se fosse fazer isso não o faria de um jeito tão óbvio e imbecil, vai de encontro à minha inteligência, não acha? Acredite em mim. Por favor, acredite, pois foi o que aconteceu. Sou culpada por todo o restante, mas não por isso – Eu realmente não sabia o que pensar. Estava tonta, os braços e pernas começaram a ficar dormentes e começava a compreender que estava no meio de uma crise muito forte. Sabia que desmaiaria a qualquer momento se não controlasse a minha respiração, por isso comecei a respirar alto e muito depressa. Parecia uma louca. Camila me soltou um pouquinho, só o bastante para me deixar respirar – Lauren? Você está bem? – murmurou. Balancei a cabeça, aquiescendo. – Você está incrivelmente pálida, vem cá... – guiou-me até o sofá e me fez sentar, sentando-se ao meu lado logo em seguida. Passou um braço pelos meus ombros e me apoiou em seu peito. Depois de chorar bastante sem nenhuma dignidade e de ter a respiração controlada, finalmente encarei a Camila. Ela me observava com pesar e seriedade, duas coisas que pareciam opostas, mas em seu rosto combinavam de um jeito impressionante.

 

 

 

– Foi isso mesmo o que aconteceu? – perguntei sofregamente. Mais uma lágrima escorreu.

 

 

 

– Eu juro – respondeu, passando as costas dos dedos no meu rosto – Juro por tudo o que é mais sagrado, Lauren – Suspirei profundamente e me levantei devagar, afastando-me do seu toque inesperadamente suave.

 

 

 

– Tudo bem... Tudo bem... – sussurrei, alcançando a minha mesa. – Certo.

 

 

 

– Acredita em mim? – ela me perguntou, ainda sentada no sofá. Pensei em dizer que não. Depois, em dizer que sim. Fiquei em cima do muro, sem ter ideia de que lado descer.

 

 

 

– Talvez.

 

 

 

– O que posso fazer para que confie em mim? – Parei o que estava fazendo e a encarei.

 

 

 

– Acreditar é uma coisa, confiar é outra, Camila. Posso chegar a acreditar em você, mas nunca irei confiar. Não sou cega, não sou boba e nem nasci ontem. Confiança é algo que ninguém mais conseguirá obter de mim – Ela permaneceu um bom tempo calada, foram longos minutos de silêncio total. Eu já estava fingindo concentração no trabalho, até que, do nada, Camila soltou

 

 

 

– Se eu descobrir quem foi o infeliz que fez isso contigo... Eu juro que o mato, Lauren.

 

 

Havia verdade em seus olhos. Confesso eu acreditei nela.


Notas Finais


heyyy bebês

então oque acharam?
bem tenso ne kkkkkk

Camila foi bem descreta dando os brincos e pulseira da Lauren kkk
Bjs Bebys😘❤


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