História Dominadores. - Capítulo 25


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber, Selena Gomez
Tags Criminal, Jelena
Visualizações 1.509
Palavras 13.024
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Incesto, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi <3

Capítulo 25 - Miss Movin' On.


Fanfic / Fanfiction Dominadores. - Capítulo 25 - Miss Movin' On.

Chicago-Selena Gomez.

Assim que coloquei meus pés em Chicago um sentimento ruim me tomou, mas fiz o possível para disfarçar na frente dos garotos. Querendo ou não, as lembranças que tinha daquela cidade não eram nada boas.           

Ryan e eu estávamos encostados a uma BMW preta enquanto Justin falava ao telefone um pouco distante de nós. Sentia-me muito inquieta e ansiosa. Naquele momento estava acontecendo uma homenagem as vítimas da tragédia e eu queira aparecer lá diante de todos só para acabar com o teatro daquela vadia.

—Pretende ficar por aqui? —E do nada Ryan resolveu puxar assunto.

—Bem que você e seus amigos idiotas gostariam disso, não é mesmo? —Disparei o encarando.

—Você sabe que eu tenho uma arma, não é? —Vi quando ele apalpou o objeto que estava na cintura, me olhando de soslaio.

—E...? —Fingi que não tinha entendido o recado.

—E você pode morrer.

—Grande coisa. —Dei de ombros.

Não sabia bem o que sua expressão dizia. Ele estava sério a me olhar e de repente soltou uma risadinha baixa.

—O que é tão engraçado? —Fiquei confusa e com uma ponta de irritação por achar que ele estava zombando da minha cara.

—Nada. —Ele voltou a rir, balançando a cabeça. —Agora eu entendo.

—Entende o quê? —Fiquei confusa ao quadrado.

—Esse controle todo que você tem sobre o Justin.

—Eu não controlo o Justin. —Falei rindo, achando quilo um absurdo.

—Ah não? E por que será que ele voltaria a Chicago se não fosse porque você pediu? —Ele sorriu de lado e fiquei vermelha. —Isso vai ser interessante!

—Interessante? Como assim?

—O que os dois estão cochichando aí? —Ouvi a voz de Justin que andava em nossa direção com a maior cara de desconfiança.

Justin parou diante de nós e cruzou os braços como se esperasse por uma resposta. Ryan e eu nos entreolhamos e foi nesse momento que uma picape vermelha surgiu de repente cantando pneu e estacionou a poucos centímetros de nós. Confesso que tomei um susto e cheguei a pensar que o carro acertaria a gente, mas Justin e Ryan nem se quer piscaram.

—Minha carona chegou. —Disse Ryan, acenando para nós e entrando no carro em seguida. —Nos encontramos na boate mais tarde? —Justin assentiu e Ryan foi embora com sabe-se lá quem. Não consegui ver quem era o motorista graças aos vidros escuros.

—Qual era o assunto?

—Nada demais. —Tentei fugir da conversa, abrindo a porta do motorista e Justin se atravessou no meu caminho no momento em que eu iria entrar. —Qual é? Você não pode dirigir com o braço assim.

—Mas é claro que posso. Eu ainda tenho outro braço. —E dizendo isso, ele adentrou o veículo e fez um gesto com a cabeça para que eu entrasse também. Cruzei os braços, franzindo o nariz enquanto ele me olhava com a cara mais lisa do mundo. —O que foi? Achou que eu deixaria você dirigir? —Ele riu levemente no final, o que me deixou ainda mais chateada.

—E por que não? Eu sei. Foi você mesmo que me ensinou, esqueceu?

—Não, mas espero que entenda uma coisa, Selena. —Passou a falar pausadamente. —Eu. Não. Vou. Te. Deixar. Dirigir. Isso só vai acontecer em ultimo caso. Em um momento de desespero onde não exista mais nenhuma outra opção. Agora entra nessa porra de uma vez e para de fazer cara feia.

Bufei alto e fiz o que ele mandou mesmo morrendo de raiva. Justin era tão machista e idiota que se estivesse no volante, e o encontrasse no meio da rua passaria com o carro sobre ele.  Assim que ele ligou o veículo tratei de colocar logo o sinto de segurança, pois já conhecia bem a forma que aquele cara dirigia.

Ele passou boa parte da viagem em silêncio, mas não do seu jeito esnobe de sempre. Parecia pensativo e até um pouco preocupado eu diria. Foi quando ultrapassou três carros que estavam a nossa frente que eu me vi obrigada a falar alguma coisa.

—Acho que não estamos em uma corrida de fórmula 1. —Falei em tom de bronca.

—Você pretende ficar aqui em Chicago? —Disparou sem nem ao menos olhar para mim.

Primeiro eu abri e fechei a boca, surpresa por sua pergunta e sem saber o que responder. Então era nisso que ele estava pensando esse tempo todo?

—Como você conseguiu ouvir minha conversa com o Ryan? —Estranhei já que não estávamos falando alto e ele além de distante parecia distraído ao telefone. 

—Sim ou não, Selena? —Dessa vez seu olhar foi direcionado para mim.

—Eu... Eu não sei. —Comecei a ficar nervosa.

—Como não sabe?

—Não pensei em nada disso ainda. Primeiro quero arrancar a Kelly da casa do meu pai e depois vejo o resto. —Olhei para frente, só por não conseguir encará-lo.

—Espero que pelo menos tenha um plano, porque invadir o lugar e começar a falar sem parar não vai ser o suficiente para derrubar a Kelly e o tubarão. No máximo vai levantar algumas suspeitas que serão esquecidas quando eles te enfiarem em uma clínica para doentes mentais. —Ele praticamente cuspiu tudo aquilo na minha cara e o vendo falar daquela forma parecia que meu plano além de absurdo era uma grande idiotice. —Então? Você tem um plano melhor que isso, não é?

Sabe aquela cara de culpado que a gente fica quando é pego no flagra? Pois bem. Eu todinha.

—Espero que não tenha me feito perder tempo em te trazer até aqui para no fim você me dizer que não pensou em um bom plano. —Senti a ameaça em sua voz e tentei não fracassar.

—Mas é Claro que não. —Me fiz de segura e o olhei com um leve sorriso de canto que não sei onde inferno encontrei. —É óbvio que tenho um plano. Um plano bom. Melhor que isso, é um plano fantástico. Espetacular.

—Que é...? —Ele disparou já começando a ficar impaciente.

Porra! Eu estava muito enrolada. Se eu admitisse que meu plano era aquele Justin riria de mim. Claro, isso se antes ele não me matasse por tê-lo feito perder tempo.

—Na hora certa você saberá. —Fiz um suspense e torci para que ele acreditasse.

—Você está mentindo. —Afirmou sem nem pestanejar.

—Espere e verá. —Dei uma piscadela, encerrando aquela conversa.

 

(...)

Cada vez mais que nos aproximávamos do local da cerimonia, meus joelhos tremiam. Saber que iria encontrar Kelly e Akon de novo me deixava apreensiva. Aproveitei a pausa nas discussões com Justin para pensar no que deveria ser feito. A verdade é que eu não tinha ideia do que fazer e preferia morrer a ter que admitir isso para o Justin.

Estávamos a uma distância razoavelmente segura da minha casa. Era a missa de sétimo dia e acharam que não haveria lugar melhor para fazer aquilo do que o local onde tudo aconteceu. Observava a chegada das pessoas em seus carros de luxo sendo que a grande maioria delas eu nunca tinha nem visto na vida. Poderiam ser parentes dos que perderam suas vidas no mesmo dia ou simplesmente pessoas que só compareceram para transmitir solidariedade diante das câmeras que filmavam a tudo.

Bastante nervosa, eu tentava conter o pânico que insistia em tomar conta do mim. Sentia algo entalado na garganta me impedindo de respirar e um friozinho insuportável na espinha. Estar ali a poucos metros da minha casa trazia um flashback daquela noite tenebrosa. Fechei os olhos e podia ouvir os gritos misturados ao tiroteio. Pessoas correndo desesperadas, corpos caídos pelo chão e sangue. Muito sangue.

—Já estamos aqui há quinze minutos e você ainda não falou o que pretende. — A voz repentina de Justin me fez abrir os olhos e sacudir a cabeça despertando do transe. —Não tenho tempo e nem paciência para ficar esperando você tomar alguma atitude.

—Você só vai saber quando eu achar que tem que saber. Até lá fique na sua e pare de me encher. —Achei que nunca tinha falado com tanta hostilidade com ele e seu olhar surpreso comprovou isso.

—Você está me irritando, Selena. —Disse ele espremendo os punhos e me olhando atravessado.

—Você também. —Retruquei.

—Ah é? Então... —Ele começou a dizer com o peito inflamado, mas não lhe dei tempo para terminar.

Avistei um homem de cabelos brancos, alto e esguio deixando a casa. Se não me falhava a memória, ele era delegado e amigo do meu pai. Lembrava bem de tê-lo visto uma ou duas vezes em minha casa.

Com o celular no ouvido e cara de bravo, ele caminhava apressado em direção à fileira de carros estacionados. Não perdi tempo e deixei nosso veículo, correndo em disparada até ele.

—O que acha que está fazendo? —Justin resmungou e ouvi suas passadas logo atrás de mim.

—Você não queria saber o meu plano? Pois bem. Esse é o meu plano. —Parei em frente ao homem, que pareceu ter se assustado com isso. —Oi, delegado! Preciso muito falar com o senhor.

Justin ficou um pouco atrás do homem e me lançava um olhar repreendedor, só que nem liguei.

—Eu não tenho tempo garota. Agora me dê licença que estou resolvendo um assunto sério. —Disse ele em tom de bronca, com o celular um pouco afastado para que a pessoa do outro lado da linha não o ouvisse. Ele passou por mim, destravando a porta do carro e logo em seguida a abriu se preparando para entrar.

—Espera! —Agarrei em seu braço. —É muito importante.

—Qual é o seu problema? —Ele esbravejou, livrando-se de minhas mãos de forma rude e me encarou com a testa franzida. —Eu te conheço por acaso?

Não sabia se estava mais indignada pela forma grosseira com a qual ele me tratava ou por o simples fato de não lembrar quem eu era. Cansei de aparecer em notícias de fofoca e ele era amigo do meu pai. Ele tinha a obrigação de me conhecer.

—Claro que sim. —Tentei não transparecer meu orgulho ferido. —Olhe bem para meu rosto. —Falei convicta que isso bastaria, mas a expressão dele parecia ainda mais confusa e impaciente. —Sou a Selena. —Disse chateada e ele ainda parecia mais perdido do que cego em tiroteio. —Selena Gomez. Filha do senador John Gomes. Seu amigo.

—Não me venha com essa. A filha do John morreu junto com ele. Eu estava no enterro dela e acabei de sair da missa de sétimo dia. Não tente me enganar garotinha ou vou mandar de prender por usurpação. —Entrou no carro e foi quando minha impaciência alcançou o ápice.

O impedi de fechar a porta e o puxei pela fina gravata de seda, fazendo com que olhasse nos olhos.

—Olhe bem. Sou eu.  —Ele me analisou cautelosamente e depois sorriu debochado. —Do que está rindo?

—Da sua insistência em parecer com a filha do John. Desista menina. —Afastou minhas mãos de sua gravata e a arrumou. —Já vi a Selena uma vez e ela era uma jovem linda e graciosa. —Seu olhar desdenhoso me fitou dos pés à cabeça. —Muito diferente de você.

Incrédula, olhei para trás a tempo de ver Justin rindo baixinho. Ele estava quieto, apenas observando e aposto que se divertindo muito com tudo aquilo.

—Se não acredita vai tomar no seu cu então! —Me afastei, bufando alto e Justin riu ainda mais. —Vai se foder você também! —O lancei um olhar mortal. —Quer saber? Eu vou entrar lá e acabar com essa porra toda.

Cega de raiva marchei em direção a casa, só que não pude dar mais que quatro passos já que Justin me puxou para trás.

—Vamos logo embora. Já vi burrice demais por um só dia. —Disse ele.

—Eu não vou... —Comecei a dizer antes de ser interrompida pelo velho.

—Espere! —Ele andou até nós e parou ao meu lado, passando a me olhar de forma avaliadora. —Até que olhando bem... —Vi quando ele focou o olhar nos meus seios que estavam um pouco expostos naquela blusa. —Você lembra um pouco a Selena.

—EU SOU A SELENA! —Gritei o mais alto que consegui e dessa vez até um casal que passava na rua nos olhou.

E mais uma vez Justin não gostou. Ficou me fitando com aquela cara que já sabia exatamente o que significava. "Eu vou te matar!"

—Certo. Certo. Eu acredito em você. Lembro-me do John comentar que a filha tinha mesmo um temperamento difícil. —Ele finalmente pareceu se convencer e eu só revirei os olhos. —Mas como isso é possível? Eu mesmo vi seu corpo caído no chão da sala. Fui o primeiro a chegar na cena do crime junto com minha equipe. Mesmo desfigurada, a senhorita Kelly reconheceu seu corpo e nem precisamos fazer teste de DNA.

—Mas é Claro que ela reconheceu o meu corpo. —Não contive o desprezo na minha voz. A raiva que sentia por ela aumentava só de imaginar que nem mesmo olhou direito para o suposto corpo antes de afirmar que de fato era eu. —Era muito conveniente para ela que eu estivesse morta. Ficou como única herdeira dos bens da família.

—O que quer dizer com isso? —Fui vendo o delegado ficar cada vez mais interessado e aquela podia ser minha única chance.

Ele era um homem com fortes influências. Papai sempre o chamava quando se via com problemas. Quem melhor do que um homem da lei para me ajudar a punir todos os culpados?

—Eu vou contar o que sei sobre o dia da chacina e os culpados por tudo aquilo. —Eu estava decidida, mas Justin não estava muito feliz com isso. Embora estivesse em silêncio, sei que seus pensamentos estavam fazendo muito barulho. Talvez fosse medo de eu acabar falando demais e isso o prejudicasse.

Contei tudo o que lembrava sobre aquele dia terrível. Falei sobre minhas suspeitas do envolvimento da minha tia e do Akon em tudo e ele me pareceu abismado do começo ao fim. Contei por alto como fiz para escapar, pulando algumas partes que não poderiam ser mencionadas e sem tocar no nome do Justin.

—Isso é inacreditável. —O homem diante de mim abriu e fechou a boca algumas vezes, ainda sem palavras. —Você sabe que a acusação que está fazendo é muito grave, não sabe?

—Claro que sei. Eu não inventaria algo assim. —Semicerrei os olhos com sua insinuação. —Eu só preciso que me ajude a colocá-los na cadeia.

—Vai ser sua palavra contra a deles. Eu não tenho muito o que fazer a não ser que tenha provas. —Seus olhos escuros e puxados fitaram os meus com certa apreensão. —Você tem?

—Não, mas podemos arranjar. Só vou precisar de um pouco mais de tempo. —Falei me confiando que Justin me ajudaria com isso. Pelo menos era o que eu torcia.

Fizemos um minuto de silêncio enquanto o delegado parecia pensar. Ele não tirou os olhos de mim nem por um instante e admito que se Justin não estivesse ali eu ficaria assustada.

—Certo. Eu vou te ajudar.

—É sério?

—É sim. É o mínimo que eu posso fazer por um grande amigo como o John. —Me senti mais aliviada quando ele sorriu para mim. —Agora se me permite, preciso retornar a um telefonema. É coisa rápida e já volto para acertamos tudo. —Dizendo isso, discou um número e nos deu as costas com o aparelho no ouvido.

Justin balançou a cabeça em forma de repreensão e logo em seguida arrancou a arma da cintura. Foi tudo muito rápido. Quando vi Bieber já tinha disparado uma, duas, três vezes e o delegado já estava caído no chão.

—Você está ficando louco?! —Me desesperei e fui correndo até o homem. —Olha o que você fez, Justin.

—Já estava ficando de saco cheio com esse Zé ruela. —Ele disse guardando a arma na maior tranquilidade do mundo. —Não me venha com esse olhar de peixe morto. Ele não iria te ajudar em porra nenhuma. Este homem é cúmplice da Kelly e do tubarão. Só alguém muito burro para não se tocar disso.

—Como pode falar com tanta certeza? —Desisti de ajudar aquele homem quando percebi que já não havia nada a ser feito por ele e com toda a raiva do mundo eu me levantei, socando o peito de Justin. —Você matou minha única chance de acabar com eles, agora fala porquê. Como pode ter tanta certeza que ele é cúmplice?

—Simples, eu não sou burro. —Seu cinismo fez meu sangue ferver e quando me preparava para lhe dar outro soco ele agarrou meus dois braços, me mantendo imóvel. —Chega! —Exclamou e eu fiquei em silêncio, apenas com a respiração pesada, engolindo minha fúria. —Antes de chegar a sua casa, eu recebi um dossiê com informações sobre o senador e todos a sua volta. O delegado Adolpho Anderson era um deles e Ryan me alertou que ele era um tremendo duas caras.

—Isso ainda não prova nada. —Tentei me libertar de suas mãos até que consegui.

—Ele vacilou pelo menos três vezes enquanto falava com você, Selena. Conheço um mentiroso quando vejo um e ele com toda certeza iria te trair. —Dando um passo para trás, ele olhava para os lados para garantir que ninguém estava vendo aquela cena em pleno dia no meio da rua. Por sorte, tudo estava um deserto já que todos se encontravam dentro da propriedade. —Vamos colocá-lo dentro do porta-malas antes que alguém veja.

—E por que eu faria isso?

—Porque se eu matei um delegado no meio da rua é culpa sua. —Jogou na minha cara.

—Grande coisa. Você mata um monte de gente o tempo todo. —Retruquei.

—Mas é sempre de caso pensado. —Me olhou como se exigisse que encerrasse o assunto. —Agora fique de olho enquanto eu escondo esse cara.

Completamente aflita, eu fiquei olhando para os lados morrendo de medo que alguém visse a gente. Só de imaginar nos anos de cadeia que pegaríamos por matar um delegado já me fazia suar frio.

Justin parecia muito tranquilo e sinceramente já não me admirava. Ele era acostumado com aquilo, eu não. Quando finalmente o vi fechar o porta-malas, me senti mais aliviada.

—E agora? —Perguntei me aproximando.

—E agora vamos nos livrar do corpo. —Falou como se fosse óbvio.

—Mas como? —Cada vez mais minhas perguntas o irritava.

—Pare de cacarejar no meu ouvido e pegue o outro carro. —Sem aviso, ele jogou a chave sobre mim e desengonçada quase a deixo cair no chão.

—Você vai me deixar dirigir? —Minha boca se abriu. —Logo você que falou todo aquele discurso sobre eu não poder dirigir e que isso só aconteceria em último caso.

—Este é um último caso. Ainda não consegui a façanha de dirigir dois carros ao mesmo tempo. —Disse a contragosto. Só Deus sabe o quanto aquilo deveria estar doendo no ego enorme dele. —Agora vá logo e ver se faz tudo direito.

—Relaxa. Eu dou conta. —Sorri radiante e ele revirou os olhos. —Para onde vamos?

—Para a boate do Ryan que eu sei que você já conhece bem. —Senti uma pontada de acusação na voz dele. —Lá o nerd me ajuda a sumir com o delegado sem deixar rastros.

(...)

 Minha felicidade em estar dirigindo era tamanha que o fato de Justin estar no carro da frente carregando um cadáver já nem me incomodava. Eu não tive problemas desta vez, foi tão natural quanto respirar. Só coloquei o pé no acelerador e a coisa foi fluindo naturalmente.

Estacionei e deixei o veículo enquanto Justin fazia o mesmo só que um pouco distante de mim. Não esperei ele chegar e já fui andando até a porta da boate, quando dois seguranças se colocaram no meu caminho.

—Ah, não. Vocês de novo não. —Resmunguei ao reconhecer aqueles dois armários que sempre me arrumavam confusão quando vinha aquela boate.

—A gente é que tinha que fazer cara feia. Toda vez que você vem aqui nós levamos uma bronca do patrão. —O maior deles me fuzilava com o olhar. —Se manda daqui garotinha encrenqueira.

—É. Caí fora! —O outro segurou em meu braço.

—Se eu fosse você não encostaria em mim. —Falei despreocupada já que Justin chegaria a qualquer momento e foi justamente o que aconteceu.

—Você vai soltar a garota ou eu vou precisar cortar suas mãos? —Senti a presença dele bem atrás de mim. Os caras tremeram na base literalmente.

—Conhece ela?

—Isso não é da sua conta. —Justin passou por nós com toda moral do mundo sem nem ao menos se importar com os dois homens enormes. Ele parou no meio do corredor de repente e olhou para trás quase soltando raios. —Você ainda não soltou essa garota porra?

O grandalhão não esperou que ele falasse mais uma vez e além de me soltar ainda deu dois passos de distância. Justin voltou a andar e fiz o mesmo só que antes dei um sorriso vitorioso para aqueles dois paspalhos e soprei algo para que apenas eles ouvissem.

—Eu avisei. —Para completar ainda dei uma piscadela.

Adentramos a pista de dança vazia e não pude evitar lembrar do dia em que conheci Ashley. Olhar para o balcão de aço daquele bar era mesmo que estar vendo nós duas dançando como loucas. Um sorriso escapou sem que eu percebesse.

—O que foi? —O loiro perguntou já subindo o primeiro degrau que levava até o andar da área vip.

—Nada. Que mania chata de querer sempre saber de tudo. —Rolei os olhos e ele parou de supetão me fazendo esbarrar em seu corpo.

—Se revirar esses olhos para mim de novo eu vou fazer questão de arrancá-los com minhas próprias mãos. —Arregalei os olhos quando o senti segurar meu queixo entre seu dedo indicador e o polegar. —Será que fui claro? —Perguntou e eu apenas assenti de forma robótica e assustada.

Ele sorriu pequeno e me deu as costas, voltando a andar como se nada tivesse acontecido. Passamos por um pequeno corredor até chegar à sala da direção e Justin nem se deu ao trabalho de bater. Foi logo entrando de supetão e eu fiz o mesmo, é claro.

Antes não tivéssemos feito aquilo, pois pegamos Ryan em uma situação bem constrangedora. Havia uma mulher sentada sobre a mesa com um dos seios para fora da blusa enquanto ele os abocanhava arrancando gemidos exagerados da garota.

—Minha nossa! —Gritei cobrindo os olhos imediatamente.

—Ah caralho! —Só ouvi a voz surpresa e irritada de Ryan. —De novo cara?

—A festa acabou. Acho melhor eu ir andando. —A fala agora era feminina e só tirei a mão dos olhos quando a porta bateu anunciando que ela tinha saído.

—Mas que porra, Justin! Já é a segunda vez que você atrapalha meus esquemas.

—Que bom. Quem sabe assim você lembre de fechar a porta da próxima vez. —Justin disse com seu jeito debochador.

—Você também estava com a mão no cu que não podia bater antes de invadir o espaço dos outros? —O nerd se jogou na poltrona de couro atrás da mesa, parecendo realmente chateado. —Puta que pariu! Ela ainda está com você? —Perguntou para o amigo, mas seu olhar não saia de mim.

—Ela tem nome se é que você não sabe. Selena. —Disse irônica. —Se-le-na. Decorou?

Ele olhou para Justin como se esperasse uma atitude, mas percebeu que não estava dando à mínima. Muito pelo contrário, aquilo o divertia.

—Já vamos embora? Eu ainda nem resolvi todos os meus assuntos. —Ryan mexia em algo na gaveta e só vi quando ele jogou um cigarro para Justin.  Ele já agarrou entre os dedos e colocou na boca.

—Nós vimos quais são os seus "assuntos". —Me sentei em uma das cadeiras à frente da mesa e Justin fez o mesmo.

—Um homem não pode ter seu momento de distração?

—Claro. Mas ela é puta. —Falei só pra provocar.

—Eu sei. Gosto de putas. A gente come, usa, abusa e depois joga fora. Tudo fácil e rápido. Sem perder tempo com cantadas desnecessárias ou ter que ligar no dia seguinte se quiser pegar de novo. Melhor puta do que garotas chatas.

Dessa vez fui eu que encarei Justin cobrando uma atitude e ele apenas deu de ombros.

—Você mereceu essa. —Soltou a fumaça para cima.

—Homens. —Cruzei os braços, revirando os olhos.

—Eu só irei efetuar alguns pagamentos antes da gente ir embora. —Ryan abriu seu notebook. —Não vou demorar mais que vinte minutos, não se preocupe.

—Não iremos agora. —Justin disse, fazendo Ryan o encarar. —Temos que fazer o corpo que está no porta-malas desaparecer.

—Outro? —O nerd levantou uma de suas grossas sobrancelhas e eu intercalei o olhar entre os dois.

—Teve mais algum? —Perguntei confusa.

 Nem um dos dois me olhou de volta. Apenas ficaram se comunicando por troca de olhares e isso me deixou ainda mais desconfiada.

—Eu fiz uma pergunta. Qual dos dois irá responder? —Insisti com a voz firme. Algo me dizia que aquilo cheirava mal.

—Então... —Ryan se levantou apressado. —Acho melhor irmos logo para o apartamento e acabar de uma vez com isso. Vamos? —Ele se referiu a Justin, que levantou logo em seguida, alinhando a jaqueta e colocando seus óculos escuros.

—Então vão fingir que não falei nada. Okay. —Levantei-me de cara amarrada. —Eu irei junto.

—Não vai. Nós iremos sumir com um corpo e você espera aqui no escritório. —Disse Bieber, já alcançando a porta.

—Ótimo! —Os acompanhei. —Sempre tive a curiosidade de saber como vocês faziam isso.

—A curiosidade matou o gato. —Ryan soprou em um leve tom de ameaça.

—Não tem problema. Não dizem que gatos têm sete vidas?

—O processo pode levar horas. —Fez mais uma tentativa de me convencer a ficar.

—Temos todo o tempo do mundo. —Olhei de forma cínica para eles. —Não tenho nada pra fazer mesmo. —Comecei a andar e quando já estava muito afastada parei, percebendo que eles não me seguiam. —Vocês vão ficar cochichando aí o dia todo?

 

Point of view Justin Bieber.

—Vai mesmo deixar ela ir conosco? —Fui questionado por Ryan de forma que apenas eu ouvisse.

—E qual é o problema? —Comecei a andar a passos lentos e ele me acompanhou.

—Qual é o problema? —Ele parou de repente, segurando em meu ombro. —Isso é sério? Ela ver a forma como nós lidamos com as provas e evidências dos crimes. Com certeza não é algo bom. Por que não está incomodado com isso? É sempre o mais neurótico de todos. Nunca confia em ninguém. Por que agora está sendo diferente?

 Eu não sabia o que responder. Ryan estava certo. Certo em tudo o que disse. Sempre desconfiei até de minha sombra, então por que com Selena era diferente? Poderia simplesmente obrigá-la a ficar naquele escritório. Não seria a primeira vez que usaria a força contra alguém, só que com ela era diferente. Eu podia, mas não queria.

—Vão ficar cochichando aí o dia inteiro? —Selena nos chama ao longe.

—Vamos logo, Ryan. Não quero passar mais tempo que o necessário nesta cidade. —Saí e foi só depois de um tempo que ele resolveu acompanhar. Deixamos a boate, parando no local onde tínhamos deixados os veículos.

—E então... —Ryan começou a falar, olhando para o carro branco a nossa frente. —Quem temos no porta-malas?

—Mais um traidor desgraçado! —Selena respondeu antes mesmo de eu pensar em abrir a boca. Estava com bastante raiva. Podia perceber isso vendo a apertar de seus punhos e o ringir dos dentes. —Deus que me perdoe, mas esse Adolpho mereceu o que o Justin fez. Estou cansada de tanta gente falsa e mentirosa.

—Adolpho? —Ryan olhou para mim disfarçadamente e já podia imaginar o que se passava em sua mente.

—Podemos ir de uma vez ou vocês iram ficar de conversa mole até anoitecer? —Os interrompi sem sutileza.

—Eu dirijo aquele carro. —Avisou Selena, apontando para o mesmo carro que dirigiu até aqui. Franzi levemente o cenho, não me agradando muito da ideia. Selena ainda não tinha experiência na direção. E se acontecesse algo? —E nem adianta me olhar assim. Eu já provei que consigo dirigir bem. Me deixa aproveitar pelo menos hoje.

—Anda logo. —Falei emburrado, pegando a direção do outro carro e Ryan sentou-se no banco ao meu lado. —E ver se anda devagar nessa porra aí. Se fizer um único arranhão vai se ver comigo. —Gritei antes dela sair na minha frente.

—Você leu todo o dossiê que preparei sobre o senador? —Ryan não demorou nada a me questionar.

—Uhum. —Respondi não dando atenção.

—Selena sabe que você matou o cara apenas para ela não ficar em Chicago? —Disse ele me encarando, mas continuei em silêncio apenas olhando para estrada e fingindo que aquela conversa não estava acontecendo. —Justin? Estou falando com você.

—Não sei do que você está falando. —Voltei a ignorá-lo.

—Adolpho Anderson era um dos aliados mais leais ao senador. Eu sei disso e você também sabe. Ele não o trairia. Todas as provas disso estavam no dossiê. —E ele continuou mesmo percebendo que eu não estava a fim de falar sobre isso. —Ela é tão importante a ponto de você assassinar um delegado no meio da rua mesmo sabendo dos vários problemas que terá? Por enquanto ainda está tendo sorte, Justin. Está escapando dos radares do FBI. Mas e quando isso não for mais possível? Temos gente fazendo vista grossa lá dentro, só que sabemos bem que nada é para sempre. Não quero mandar na sua vida, mas ver se pensa melhor antes de fazer tudo o que te vem na cabeça.

Minha resposta para aquilo tudo foi apenas pisar no acelerador, colocando aquela belezinha para dar tudo o que tinha. Eu estava com a cabeça quente. Odiava quando alguém ficava me dando liçãozinha de moral, e odiava mais ainda quando a pessoa tinha razão em fazer isso.

Tinha que admitir que matar o delegado foi um ato impensado. Mesmo eliminando o corpo, é claro que a polícia vai querer obter respostas sobre seu desaparecimento. Resolver isso iria dar mais trabalho do que pensava.

A verdade é que realmente não queria que Selena se afastasse de mim. Todo o meu corpo pedia para que não a deixasse ir. Ela era viciante como uma droga e conseguia embaralhar meus sentidos como mais ninguém era capaz. Quando dei por mim, já tinha atirado.

Ryan também ficou quieto durante todo o percurso até seu apartamento. Lá fizemos o mesmo processo usado para eliminar todos os outros cadáveres, enquanto Selena esperava impaciente na sala.

—Tem um gambá aí dentro? Cruzes! —Estávamos terminando de eliminar o corpo quando ela abriu a porta do banheiro de vez.

Diferente de tudo o que pensei, ela não gritou, não fez cara feia e muito menos fechou os olhos. Apenas encarava fixamente o corpo que se dissolvia na banheira sem nem ao menos piscar.

—Quem mandou você entrar? —Exclamei já agarrando em seu braço. —Saia daqui!

Saí a puxando de volta até a sala e lá a joguei com certa força sobre o sofá.

—Então é assim que vocês fazem para que ninguém descubra? —Disse um pouco distante, encarando suas mãos apoiadas sobre os joelhos.

—É. Não vai querer ser a próxima, vai? Então fique quieta e pare de me estressar. —Disse em tom de bronca enquanto respondia a uma mensagem do Khalil que tinha acabado de chegar.

—Posso terminar de ver o corpo se desmanchando? —Sua pergunta me deixou boquiaberto. Eu a Encarei de forma estranha sem saber o que dizer de imediato. Ver uma pessoa derretendo não fazia o tipo da Selena.

—Não acha que isso é uma cena um tanto forte para alguém como você? —Sorri de lado, não levando aquilo muito a sério.

—Vi meu pai explodir diante de mim.  —Ela levantou-se com a face dura. —Não acho que exista cena mais forte que essa.

—Já disse que não. —Falei um pouco mais grosso. —Procure algo para fazer enquanto terminamos.

—Tipo o quê? Contar carneirinhos? —Ela foi atrevidamente irônica. —Aqui não tem nada pra fazer. Eu estou entediada.

—Tivesse ficado no escritório como mandei.

—Dez vezes pior. —Revirou os olhos escuros. —Acho que vou dar uma volta por aí e depois venho. —Disse me estendendo a mão a espera de alguma coisa.

—Quê? —Fiquei confuso.

—Dinheiro. Preciso de algum para comprar roupas. As que tenho são emprestadas da sobrinha da Dorothy. —Disse simples e eu sorri um tanto abismado.

—Não vou te dar dinheiro.

—Mas é claro que vai. Não posso pegar um centavo do meu porque estou automaticamente morta e isso é culpa sua, então tem que me bancar até eu conseguir pegar tudo o que é meu de volta.

Fiquei a encarando por alguns segundos e a safada continuou ali, petulante a me olhar nos olhos sem demonstrar um pingo de receio.

—Certo. Eu irei te fazer um pequeno empréstimo que você pagará futuramente com juros quando receber sua grana. —Falei por fim. —E tem mais uma coisa. —Ela sorri, fazendo cara feia como se já soubesse o que eu iria dizer. —Eu vou junto.

—Que seja. —Ela bufou no final da frase.

—Quero garantir que não vai torrar todo o meu dinheiro com suas compras.

—Bom, quem vai ficar esperando enquanto eu demoro é você. Tô nem aí meu bem! —Soltou um beijo e andou em direção a porta me deixando com a cara na chão.

Dirigi com ela até o centro onde ficavam as lojas mais famosas e caras de Chicago.

—Passa o cartão, cheque, dinheiro ou seja lá o que você use. —Pediu, tirando o sinto de segurança.

—Acho melhor você não entrar. Alguém pode te reconhecer e não será nada bom que ocorram boatos de que existe uma sósia da filha do senador perambulando por aí.

—E o que sugere? —Ela cruzou os braços me encarando.

—Eu compro as roupas.

—Tenho uma ideia melhor. —Em um movimento inesperado, ela tirou meus óculos e colocou em seu rosto. —Me passa a sua jaqueta.

—Não.

—É emprestado. Daqui à pouco te devolvo. —Ela insistiu e fazendo cara feia, eu retiro a peça e a entrego. Ela veste logo em seguida e arruma os cabelos de forma que escondessem boa parte do rosto. —E aí, como estou?

A olhei de cima à baixo. A jaqueta ficou muito grande para ela e o óculos escuro lhe deram um aspecto diferente.

—Você está horrível! —Fui sincero.

—Ótimo! —Ela sorriu como se aquilo fosse exatamente o que esperasse ouvir e deixou o carro, me forçando a segui-la.

Entramos em uma loja luxuosa onde os manequins usavam roupas de perua. Haviam quatro vendedoras ali e três delas vieram até nós, deixando os outros clientes que já estavam atendendo.

—Boa tarde! —Elas falaram em uníssono, abrindo suas fileiras de dentes brancos.

—Em que posso ajudar? ­­—A mais baixinha delas chegou um pouco mais perto de mim.

—Pode deixar que eu atendo eles.—A morena de olhos grandes e rabo de cavalo deu um leve chega pra lá na colega de trabalho.

—Eu vi primeiro. —Agora foi a vez de uma magrela alta que parecia a Olívia Palio se manifestar abrindo um sorrisão para mim.

    Revirei os olhos, soltando o ar. Não tinha palavras para expressar o quanto aquilo as vezes me irritava. Quase todos lugares em que eu andava era assim. As mulheres praticamente se jogam aos meus pés. Eu não suportava coisas fáceis. Sentia tédio.

—Sou eu a quem vocês terão que atender meninas. Ele apenas paga a conta. —Selena resolveu se manifestar bastante enciumada. Eu sorri internamente disso.

—Claro senhorita. O que deseja ver exatamente? —A morena estava constrangida.

—Tudo. Comece mostrando as novas coleções. —Selena passou no meio delas propositalmente e antes que pudesse ser seguida por elas, parou de repente. —Só irei precisar de uma de vocês. —Passou o olhar atento pelo rosto das três e fez questão de escolher a mais feia, que era justamente a girafona. —Você vem comigo. As outras podem procurar o que fazer.

   Imediatamente todas acataram as ordens dela e enquanto a garota que Selena escolheu procurava algumas peças na numeração que ela pediu, aproveitei para irritá-la um pouco mais.

—De onde eu venho o nome disso é ciúme. —Falei apoiando meu cotovelo no balcão.

—Você se acha a última Skol Beats do mundo, não é mesmo? —Percebi que suas bochechas incharam.

—Ciúme. —Sorri de lado e ela me acertou uma tapa no braço.

—Cala a boca!

—Aqui está todas as peças que pediu. —A moça aproximou-se trazendo uma pilha de roupa nos braços que escondia seu rosto.

—Ótimo! Vou experimentar. —Dizendo isso as duas se enfiaram em um corredor que provavelmente levava até os provadores.

    Depois de quarenta e três minutos esperando resolvi entrar naquela porra. Ela demorava demais pra quem só estava experimentando.

—Oh minha filha, você está provando ou fazendo um desfile na... —Fiquei sem voz quando a vi com um vestido vermelho que ficou simplesmente perfeito nela. Era longo e marcava bem sua cintura pequena.

—Ficou maravilhoso em você! Está até parecendo uma princesa. Que tal tirar o óculos para você ver melhor... —A vendedora tentou alcançar o objetivo no rosto de Selena, porém a mesma a impediu em um impulso automático.

—Pode deixar. —Falou sem desviar os olhos do enorme espelho diante de si.

       Parecia perdida em seus pensamentos e notei que seus punhos estavam fechados. Gostaria de saber o que tanto se passava na cabeça dela naquela momento ou talvez até já tivesse uma leve ideia do que seria.

—Tudo ficou divino em você. Vou colocar na sacola e... —A moça calou-se quando Selena saiu apressada até um dos provadores. —Algum problema?

—Não vou levar. —Disse ela, batendo a porta.

—O vestido?

—Nada. —Respondeu seca fazendo a vendedora e eu nos entreolharmos sem entender. Ela não demorou a sair e já foi logo se encaminhando até a porta. —Vamos para outra loja.

—Emh? —Murmurei andando atrás dela.

—Fiz algo de errado moça? Por favor, espere! —A magrela gritava desesperada nos seguindo. —Selena nem se quer olhou para trás, apenas entrou no carro e me esperou fazer o mesmo.

—O que foi aquilo? —Perguntei a olhando feio.

—Aquilo o quê? —Ela se faz de desentendida.

—Você me fazendo esperar um tempão naquela porra pra depois sair sem levar nada.

—Não gostei. Não sou obrigada a ficar com o que não gosto, não é? Agora segue para outra loja se não vai escurecer.

         Tive que respirar fundo pelo menos três vezes para não pirar. Preferi não dizer nada e seguir calado. Brigar provavelmente acabaria com minha mão na cara dela e estava procurando evitar isso.

        Paramos em outra loja. Uma que nem de longe se parecia com a anterior. Nessa havia apenas dois vendedores, um rapaz e uma moça que podiam até não ser, mas pareciam irmãos.

—Olá—Eles vieram até nós, mas percebi logo de cara que ele olhou Selena dos pés à cabeça. Foi rápido, mas não o suficiente para que eu não percebesse.

—Fiquem a vontade. —Disse a moça com um sorriso gentil. —Qualquer coisa que precisar é só pedir ao Jason. —Ela foi até o balcão onde voltou a ficar atrás do computador.

—E então, tem algo em mente? —Ele sorriu para ela. Um sorriso desnecessário e que me deixou irritado.

—Jeans número 36, por favor. —Selena retribuiu o sorriso da forma mais descarada possível. Assim que ele saiu, eu puxei Selena pelo braço para um canto qualquer daquela loja.

—É melhor você não ficar flertando com esse bostinha na minha frente. —Falei irritadíssimo.

—O que é isso, Bieber? Se eu não te conhecesse diria que está com ciúmes. —A cretina passou a mão em meu rosto antes de ir até o vendedor.

 Ela experimentou algumas roupas e comprou sapatos também. Milagrosamente não havia nem um salto no meio das coisas que ela separou.

Já estava vendo a hora de explodir com a forma atrevida que aquele imbecil tratava a Selena. Todo atencioso e gentil. Tanta gentileza me deixava com vontade de atirar na cara dele.

—Poderia tirar para mim? —Ela apontou para um manequim que trajava um vestido preto tomara que caia e uma bota toda trançada até a altura dos joelhos também da mesma cor.

—Claro. —O filho da puta pegou a roupa e entregou para ela. —Prove.

—Acho que já comprou coisa demais por hoje. —Disse carrancudo. Ela me Ignorou e invadiu o provador demorando mais cinco minutos até que retornou.

Quando colocou o primeiro pé para fora minha boca caiu literalmente. Não sabia se era coisa da minha cabeça, mas via como se ela andasse até nós em câmera lenta. Aquela roupa de couro era tão colada que tornava suas curvas ainda mais evidentes. Parecia a mulher gato de vestido. Indiscutivelmente gostosa.

—E aí, o que acharam? —Ela ainda deu uma voltinha para terminar de me matar.

—Se me permite dizer... —O tal Jason tentou dizer algo, mas o cortei com os olhos ardendo.

—Não permito. —Voltei meu olhar para Selena, que se divertia com a situação. —E você, ver se tira essa roupa.

—Por que?

—Porque está estranho.

—Então você não gostou? —Ela perguntou e neguei com a cabeça. —Então vou ficar. Por favor, me arruma uma tesoura, Jason. —Pediu e ele foi rapidamente pegar no balcão. Ela cortou a etiqueta e depois olhou em minha direção. —Vou até ficar com ela logo.

—Só está faltando uma coisa. —Aquele vendedorzinho de merda se meteu. —Um óculos feminino e por sorte temos um que vai ficar perfeito em seu lindo rosto.

Ele foi pegar e Selena colocou logo no rosto, jogando o meu logo em seguida.

—Agora pode ficar com o seu. —Disse.

—Qual será a forma de pagamento? —A moça que até então estava quieta em seu canto resolveu se manifestar.

—Resolve com ele aí. —E dizendo isso, Selena apanhou as várias sacolas de compras do chão e deixou a loja soprando um "te vejo lá fora".

(...)

—Que cara feia é essa? —Ela me perguntou quando já estávamos a caminho da boate.

—Eu estou sem paciência então sugiro que fique calada e não piore as coisas. —Avisei sem nem mesmo olhá-la. Até ouvir sua respiração estava me irritando. Ela deve ter percebido isso, pois não respondeu.

Em um determinado momento, ela ficou olhando fixo pela janela, voltando a ficar pensativa. Parecia tão desligada do mundo que poderíamos cair em uma ribanceira que aposto que não notaria.

—Antes de ir embora, quero passar em um lugar. —Falou ainda com seu olhar preso ao nada.

—Que lugar?

—Ao cemitério onde meus pais foram enterrados. —Respondeu e eu diminui a velocidade, olhando de soslaio para ela.

—Francamente, não temos tempo para isso. Já são... —Dou uma pausa para conferir a hora em meu relógio. —Sete horas. Suas compras demoraram mais do que deveria.

—Estou dizendo que vou e não pedindo sua autorização. —Ela respondeu me encarando completamente seria.

—Você anda muito abusada pro meu gosto. —Disse, multiplicando minha irritação em cem.

—É o seguinte. Meu pai morreu e eu não pude nem mesmo ir ao enterro, então acho que me despedir dele em seu túmulo é o mínimo que posso fazer. Não tente me impedir, pois eu vou nem que seja a pé, com ou sem o seu consentimento. —Falou tudo com tanta rapidez que tive certa dificuldade para entender no início. —Eu nem mesmo fui capaz de fazer justiça a ele. —Soprou com mais calma, baixando o rosto e encarando seus punhos fechados sobre as pernas.

—Não existe justiça, Selena.

—Não existe justiça? —Ela me olhou bastante brava. —Está querendo me dizer que eu devo aceitar que eles se safem de tudo?

—Também não disse isso. Há outros meios de você conseguir o que quer, mas não vai ter nada a ver com justiça e sim com vingança.

—Da tudo no mesmo.

—Não. Uma coisa é completamente diferente da outra. Em se tratando de justiça, eles com toda certeza iram se safar das acusações. Tubarão é poderoso. Ele tem contato com pessoas que podem cuidar disso facilmente.

—O que você está sugerindo? —Ela franziu a testa, provavelmente já imaginando onde eu pretendia chegar com aquilo.

—Que eles paguem na mesma moeda.

—Matar? Está louco? Eu nunca matei nem uma mosca. Jamais teria coragem de fazer algo assim mesmo que aqueles mereçam.

—Não seja tola! Não estou me referindo a você e sim a mim. Sei que não seria mesmo capaz, mas eu sou.

—Sabe que não tenho como pagar por seus serviços e mesmo assim faria isso por mim?

—Não é por você. É por mim. Nunca, ninguém escapou de minhas mãos. Não posso deixar que o tubarão seja o primeiro. Digamos que Kelly seja um presentinho extra. —Por sua expressão, percebi que estava considerando minha sugestão mesmo isso fugindo muito de seus padrões. —Pense e depois você me diz alguma coisa. Agora vamos logo até essa droga de cemitério porque o Ryan não para me ligar e mandar mensagem aqui.

E mais uma vez lá estava eu, fazendo algo que já tinha falado que não faria de jeito nenhum. Se Ryan estivesse vendo aquilo seria mais argumentos para usar em seus sermões contra mim. Selena estava mexendo comigo de um jeito que já não conseguia controlar.

—Pronto. Eu já te trouxe até aqui, agora vai ter que entrar sozinha. —Parei o carro em frente ao portão do cemitério.

—Você não vem? —Ela me olhou um pouco tensa.

—Não. Dá última vez que entrei em um cemitério com você tive que te assistir chorar por mais de uma hora. Isso é entediante. Prefiro ficar ouvindo Eminem no carro.  —Coloquei uma das faixas para tocar, jogando os pés sobre o volante e fechei os olhos.

—Okay. —Ela disse em um tom chateado e quando percebi lá estava ela, entrando no lugar escuro e silencioso sem nem mesmo olhar para trás.

Tentei não ligar e continuar ali ouvindo minha música, mas não conseguia. Meu cérebro se esquivava da letra da canção e ficava imaginando o que de ruim poderia acontecer com a garota sozinha.

 Antes mesmo do refrão chegar, eu já estava ultrapassando aquele mesmo portão e me amaldiçoado mentalmente por isso. A vi um pouco distante, pegando um buquê de rosas vermelhas que estava sobre um dos túmulos.

—Roubando as flores dos outros defuntos? —Estalei a língua no céu da boca, me aproximando. —Que coisa feia!

—Não estou roubando. Alguém deixou aqui no túmulo do meu pai. —Ela fechou os olhos, apreciando o cheiro e depois abriu. —Será que foi a Kelly? É muita cara de pau dessa vadia.

—Não conheço a Kelly o suficiente, mas acho que não faz o tipo dela vir aqui e deixar flores. O senador a trocou por outra bem mais jovem e isso a deixou mordida. Era mais fácil Kelly sentar aqui e tomar uma garrafa de whisky para brindar o fim dele. —Mal terminei e fui encarado por seus olhos escuros. Acho que minha sinceridade absoluta não lhe agradou muito.

—Meu pai tinha outra amante? Quem?

—Não sei se devo contar que a Ashley estava dormindo com o seu pai só pra passar a mão no dinheiro dele. Seria desleal e ela ficaria magoada comigo. —Usei todo o meu sarcasmo e ela arregalou os olhos. —Ops! Esqueci que eu não ligo.

—Ashley queria dar um golpe no meu pai e você só disso isso agora? —Recebi um soco no ombro.

—E eu lá tenho obrigação? Se sua amiga não conta os planos secretos dela não venha descontar em mim. —Dei de ombros, me afastando antes que ela voltasse com as agressões.

—Mas que piranha! —Respirou fundo.

—Eu avisei que ela não era de confiança. —Impliquei.

—E nem você, então cala a boca! —Ela me deu as costas, ficando diante das três sepulturas uma ao lado da outra.

        Os nomes destacados nas placas de ouro de cada túmulo eram do John, Cinthia e Selena. A observo se ajoelhar e deitar a cabeça próximo ao nome do pai e aquilo me deixou um tanto confuso.

—Eu sinto muito por tudo o que aconteceu entre nós. Sinto de verdade. —Falou com a voz embargada.

—Você sabe que ele não vai te ouvir, não é? —Tentei lhe dar um pouco de bom senso e só recebi um olhar ameaçador em troca. Levantei as mãos em redenção. —Tudo bem. Não está mais aqui quem falou.

Tive que ter muita paciência para esperar que ela fizesse sua oração ou seja lá o que fosse enquanto eu contava estrelas e não era literalmente. Por fim, a mesma levantou-se e retirou duas rosas do buquê que tinha em mãos, colocando no túmulo do senador e outra no da mãe. Quando eu achava que tudo já tinha acabado, ela jogou o buque sobre seu próprio túmulo e ficou encarando o mesmo com um olhar distante. Era como se desse dando adeus a si mesma.

—Acabou. —Disse baixinho.

—Como assim?

— Olho por olho, dente por dente.  Aqueles vermes tiraram tudo de mim. Eu quero o coração deles em uma bandeja. —Meus olhos se arregalaram de surpresa por a firmeza em sua voz. Ela me deu as costas e passou a andar de vagar. —Escolho a vingança.

—Tem certeza? —Fui atrás dela.

—Quando é que você irá fazer o que disse? —Ela virou-se para mim.

—Calma. Também não é assim do dia para á noite. Precisarei de um novo plano antes de chegar metendo bala no cara.

—E vai demorar?

—O tempo que for necessário. O apressado come cru, sabia? —Me aproximei um pouco mais, tocando seu rosto e acariciando a bochecha com o polegar. Ela olhou dentro dos meus olhos e soltou um suspiro cansado, afastando-se logo em seguida.

—Que seja. Vamos logo embora. —Saiu, me deixando para trás.

Não reconhecia a forma de agir de Selena. Estava amarga e seus olhos não tinham o mesmo brilho de antes. Aquilo me preocupava de certa forma. A Selena que conhecia estava morrendo e sentia que não havia nada que eu pudesse fazer para mudar aquilo.  

 

Pont of view Selena Gomez.

Entrei na boate já ouvindo o som no volume máximo. Parei em frente à porta, vendo a quantidade de pessoas que dançavam ao ritmo da música e senti vontade de fazer o mesmo.

—Com licença. —Um homem alto e de pele morena aproximou-se de mim, o que fez Justin dar um passo á frente como forma de intimidação. Revirei os olhos. Qualquer um podia ver que ele era um dos seguranças do lugar. —O chefe mandou avisar que está em uma reunião importante agora e pediu que esperassem aqui.

—Reunião importante? —Justin franziu o nariz como se duvidasse disso.

—Ele vai demorar? —Perguntei.

—Não sei dizer senhorita. Mas ele disse que vocês poderiam ficar á vontade e tudo o que consumirem será por conta da casa.

—Maravilha! —Falei abrindo um largo sorriso de satisfação e saí dali, já me enfiando no meio da galera na pista de dança.

Meu corpo mexia-se por conta própria sempre que tocava alguma música que eu gostava. Não conseguia evitar. Eu não estava me importando com mais nada ou ninguém naquele momento. Música com certeza era a melhor terapia do mundo para quem desejava esquecer-se dos problemas. Quase sempre funcionava comigo.

Justin como era um grande estraga prazer, preferiu ficar sentado perto do bar, apenas olhando para onde eu estava com o maior carão. Foi só quando comecei a me sentir suada que resolvi ir até ele. O loiro me olhou com cara de poucos amigos e depois virou o rosto em direção à pista de dança.

—Vai ficar só sentado aí? —O questionei, parando em pé ao seu lado e apoiando os braços sobre o balcão. Ele não respondeu. Preferi achar que foi porque não ouviu. —Se divertir um pouco não faz cair pedaço.

—Você está muito soltinha para alguém que saiu a pouquíssimo tempo de um cemitério. —Falou amargo em alto e bom som.

Revirei os olhos novamente com sua insinuação barata de que meus sentimentos não eram verdadeiros. Claro que era só que cheguei à conclusão de que ficar me lamentando em cima de uma cama não era a melhor forma de superar o que aconteceu. Todos precisavam entender que a Selena chorona e frágil morreu e vai ficar enterrada naquele túmulo ao lado de seus pais.

Dei um sorriso amargo e depois chamei o barman.

 —Trás o que você tiver de mais forte aí. —Pedi.

—Se ficar bêbada aqui eu iria te dar uma surra. Não estou com saco para cuidar de ninguém hoje. —Justin advertiu e eu peguei a bebida e parei na frente dele.

—Por que você é sempre tão amargo assim? —Falei, sorvendo uma boa dose de minha bebida, que desceu queimando tudo. Fiz uma careta e Justin deu uma risadinha rápida, debochando de mim. —Ao invés de ficar assustando as pessoas com essa carranca, deveria ir dançar um pouco. Isso te ajudaria a relaxar.

—Estou relaxado e não gosto de dançar.

—Não gosta ou não sabe? —Disse em tom de desafio.

Ele sorriu como quem faz pouco caso de mim e retribui de igual.

—Eu acho que não. É só muito papo mesmo. —Falei.

—Você não sabe de nada. —Seu olhar era divertido e cheio de deboche.

—Ah é? —Virei o copo de uma só vez e nem fiz cara feia.

Sem dizer uma única palavra, voltei para pista de dança no momento exato em que Sexy And I Know It começou a tocar. Agradeci mentalmente ao DJ por aquilo. A música era perfeita para o que eu planejava fazer.

Comecei com movimentos básicos, balançando meus quadris conforme a batida da música. Fiquei com os olhos fixos em Justin, que me olhava de forma curiosa.

Notei um sorriso no canto de seus lábios quando ele sorveu uma dose de seu líquido amarelado, sem me perder de vista nem por um segundo. Mordo o lábio, dando um sorrisinho safado e viro de costas, dançando de forma sexy.

—Olá! Você vem sempre aqui? —Um moreno bonito começa a dançar perto de mim. Levei um susto ao sentir braços fortes me envolverem de repente, puxando-me de encontro a outro corpo de forma possessiva.

—Cai fora! —Justin olhou extremamente feio para o rapaz por cima de meu ombro e o pobre coitado saiu amarelo dali.

—O que você está fazendo? —Me questionou ainda sem desgrudar.

—Me divertindo. —Dei uma risadinha e comecei a me esfregar de costas nele.

Desci de vagar até o chão e depois subi o fazendo de poli dance só para provocar. Em resposta, ele segurou meu quadril e deixou o outro braço em volta de minha cintura, puxando com força e firmeza contra o volume em seu jeans.

Seu corpo passou a acompanhar meus movimentos e aquele esfrega, esfrega estava me deixando louca. A tensão sexual entre nós era tão absurda que Já sentia minha calcinha molhada. A respiração pesada de Justin contra meu pescoço faz com que todos os pelos do meu corpo se arrepiem.

—Êpa, êpa, êpa! Vai com calma garanhão. —Digo de forma divertida, segurando suas duas mãos que insistiam em deslizar de forma bastante safadinha por meu corpo. —Estamos sendo o centro das atenções. —Avisei ao notar alguns olhares nada discretos.

—E daí? —Justin fala entre beijos na região do meu pescoço.

—Então fica aí dando show sozinho que eu vou ao banheiro. —Disse, libertando-me de suas garras. Ele me lançou um olhar de reprovação que eu nem liguei e ainda saí dublando um pequeno trecho da música para ele com um sorriso de vitória. "i'm sexy i know it". Soltei um beijo no final e pisquei o olho, entrando no banheiro.

O cômodo estava completamente vazio, o que era um milagre, se considerar que é um banheiro de boate. Analisei minha imagem no espelho grande acima da pia, molhando bem o rosto. Provocar Justin podia até ser divertido, mas também saia prejudicada nisso. Abanava-me para diminuir aquele calor insuportável quando o vi entrar sorrateiro.

—O que está fazendo aqui? Este é o banheiro feminino, não viu a placa lá na porta? –Falei e ele apenas riu sem se importar. —Eu estou falando sério, Justin. Não pode ficar aqui.

—Vamos terminar a brincadeira. Não gosto de coisas pela metade. —Conforme ele se aproximava eu recuava.

—Alguém pode entrar e te ver. —Gaguejei. Tinha que admitir que estava arregando.

—Você começa e depois quer pular fora, né? Só que hoje não. —E quando dou por mim, já estou entre seus braços.

      Pensei em dizer alguma coisa, mas sou impedida por um beijo rápido e violento. Com as duas mãos em seu peitoral, eu tentei afastá-lo nos primeiros dez segundos e depois fui deixando me envolver por sua pegada firme.

Fui praticamente jogada para dentro de uma das cabines, que ele tratou de fechar a porta logo depois que entrou.

—Estou começando a gostar desse vestidinho. —Disse olhando descaradamente para o meu corpo, passando a língua no lábio inferior.

—Fique onde está e nem pense em tirar minha roupa. —Encostei à parede, olhando para os quatro cantos daquele cubículo a procura de qualquer escapatória.

—Eu não preciso que tire a roupa, só a calcinha. Mas pode ser com ela também. Vai depender da nossa pressa. —Disse ele, praticamente em cima de mim. Fiquei presa entre seus braços, que agora estavam apoiados na parede.

—Para Justin. Eu já disse que não quero. —Falei toda bamba, sentindo seu perfume forte em minhas narinas. Ele dá um sorriso sarcástico e me olha nos olhos.

—Sabia que me enlouquece quando você fala que não quer, enquanto suas pernas simplesmente abrem para mim.

Ele volta a selar nossos lábios, cheio de posse e luxúria. Sinto suas duas mãos em minha bunda e antes mesmo que pudesse piscar, já tinha me erguido do chão. Envolvi minhas pernas em sua cintura para não cair e seguro no pescoço.

Meus ombros recebiam beijos ardentes, que foram do colo até minha jugular. Ele deu um chupão que me fez girar os olhos.

—Para Justin. Já disse que não quero. —Murmurarei entre suspiros e com a voz tão falha que nem sei se ele entendeu direito. —Não vou transar nesse banheiro imundo.

—Ah não? —Ele sussurrou ao pé do meu ouvido. Dava mordidinhas leves naquela área, enquanto eu me encolhia toda. —Tem certeza? —Disse em tom de provocação.

Meu coração já estava a mil. Ele esfregava sua intimidade no meio de minhas pernas, fazendo-me ficar cada vez mais lubrificada. Merda! Eu o queria com tanto ardor que minhas atitudes já não condiziam com as palavras.

—Eu já estou de pau duro e sei que você está molhada, então que tal nós pararmos de enrolação e ir pros Finalmente? —Ele sugeriu, olhando fixo em meus olhos.

        Eu respirava pesado, sem desviar nossos olhares. Estávamos completamente sérios, embora o desejo entre nós fosse nítido. Não sei quanto tempo isso durou, apenas lembro-me da minha boca indo parar na dele com um desespero que nem eu mesma entendia.

Uma de suas mãos perambulou entre minhas pernas e senti quando ele puxou a calcinha um pouco para o lado, deixando parte de minha Intimidade exposta. Também não perdi tempo e fui logo tentando abrir o zíper de sua calça, o que não estava dando muito certo naquela posição em que estávamos.

Ele me colocou no chão e ergueu as duas mãos para o alto, me dando liberdade para terminar o que tentava fazer. Com o zíper já aberto, pude ver que seu pênis já estava quase explodindo dentro da cueca branca. Como sou uma boa pessoa, eu o tirei de lá, enquanto Justin ainda se mantinha quieto, apenas observando.

Enquanto nos beijávamos, Justin segurou por trás de minha coxa esquerda e a ergueu, me fazendo colocar o pé sobre a tampa do vaso sanitário. O vestido subiu quase que automaticamente, deixando tudo preparado para recebê-lo e foi o que ele fez.

A cabeça de seu membro roçou em minha entrada até que finalmente fui invadida com tamanha violência que me fez soltar um grito abafado.

 Não havia sutileza em suas ações. Ele me estocava rápido e com força, parecendo um animal selvagem. Era tão bom que nem dava para explicar. Segurava os cabelos dele com força e arranhava suas costas, louca de tesão. Ele passava a mão por meu corpo, apalpando e me beijando ferozmente.

Ouço o barulho de passos e depois algumas vozes femininas. Quebro o nosso beijo, mesmo contra a vontade de Justin, que me olha com cara reprovação.

—Tem gente aí. —Falei baixinho, mas ele nem deu bola. Continuou me penetrando com a mesma intensidade ou até mais. —Vai de vagar. Elas podem ouvir a gente. —Completo em um tom ainda mais baixo.

—Nada disso. É só você aguentar calada. —Cochichou em meu ouvido. E lá esteva ele, sorrindo e me desafinado de novo com aquele olhar cafajeste. —Consegue fazer isso ou está difícil?

—Você é muito filho da pu... —Não consegui terminar a frase depois que Bieber passou a me penetrar na velocidade dez. Algo com um efeito tão poderoso que fazia meu cérebro pirar com tantas sensações.

Isso continuou até eu ser invadida por uma onda de prazer extrema e o mesmo aconteceu a ele minutos depois, pois senti seu corpo estremecer junto ao meu. Quando coloquei os dois pés no chão, senti as pernas fracas como se tivesse passados cinco dias de fome ou mais. Justin estava apoiado à parede, com a respiração quase parando de tão cansado. Ambos com os rostos lavados de suor e se ele estava descabelado daquele jeito não queria nem imaginar qual seria meu estado.

—Ual! —Foi o que falei me abananando com as duas mãos. Ele apenas sorriu e começou a fechar a calça. Olhei para baixo e ainda havia um monte Everest se destacando entre suas pernas. Coloquei a mão sobre a boca para não gargalhar.

—O que foi? Quer outra rodada? —Ele me puxou para mais perto e fui me esquivando.

—Está louco? Aqui é quente pra caralho, apertado e sem falar nesse vaso sanitário fedido. Não fico nem mais um segundo aqui dentro. —Falei, passando a mão pelos cabelos para tentar controlar os fios.

—Certo. Mas essa sua desculpa não vai valer quando chegarmos em casa.

—Nem vem. Eu já fiz minha parte e você fez a sua. Não te devo mais nada. —Disse rindo, colocando meus dois braços em volta do seu pescoço. Ele segurou em minha cintura com as duas mãos e foi se aproximando até seu nariz encostar ao meu.

      Seu balançar negativo de cabeça, fez os dois roçarem um no outro e eu mordi o lábio de forma provocante só pra ver se seria beijada novamente.

—Isso foi apenas um... Aperitivo.  Uma rapidinha não paga o papel de trouxa que você e sua amiga me fizeram passar. —Ele segurou em meu queixo e deu aquele sorrisinho que deixaria qualquer garota nas nuvens.

—Aperitivo? —Arregalei os olhos. Se o que fizemos foi um aperitivo o que pra ele seria o prato principal?

—Vamos. —Ele afastou-se e abriu a porta. Tinha uma moça retocando a maquilagem no espelho e não sabia quem de nós duas havia ficado mais sem graça ali. Justin nem ligou. Saiu na maior como se nada tivesse acontecido e o segui com o sorriso amarela estampado na cara.

      Logo ao chegarmos no bar, encontramos um Ryan muito puto a ponto de nos fuzilar apenas com o olhar.

—Mas onde é que vocês estavam? Eu mandei os seguranças vasculharem o lugar atrás de você e nada. —Ele gritou para conseguir ser ouvido.

—Eu estava... —Sentia que Justin estava prestes a revelar sobre nossa aventura picante quando eu o interrompi de forma desesperada.

—Na fila do banheiro. Tinha muita gente lá aí demorou.

—Vocês dois? —Ryan arqueou a sobrancelha.

—Sim. Quer dizer... Não. —Comecei a me enrolar toda. —Ele estava no banheiro masculino e eu no feminino, porque ele é homem e eu mulher.

—Unhum. —Ele me analisava enquanto eu passava a mão pelos cabelos toda desconfiada. —Aproveita e arruma o vestido também. Ele está um pouco torto.

Minha face esquentou com o seu comentário. Justin soltou uma risadinha convencida e saiu, Ryan foi logo em seguida. Eu demorei a reagir, pois estava ocupada demais procurando um buraco para enfiar minha cara.

—Eu disse vamos! Você é meio surda, não é? —Senti uma pegada firme em meu braço e logo fui escoltada até a saída por Justin.

(...)

 

Las Vegas.

O retorno à casa de Justin foi tranquilo exceto por vez ou outra, Ryan tocar no assunto do "banheiro" só para me deixar constrangida. Bieber não fazia absolutamente nada. Achava até que estava se divertindo com isso. Pagando de machão encima de mim.

Deixei o jato e andei apressada pelo jardim até a mansão. Só conseguia pensar na coitada da Demi, que deveria estar angustiada por ter ficado sozinha com pessoas que nem conhece.

Subi os degraus até a porta e a abri, sendo seguida por Justin e Ryan. Parei de supetão ali mesmo ao ver algo que me deixou surpresa. Demi, Chaz e Khalil estavam no sofá, jogando videogame. A forma com a qual eles interagiam foi que me deixou confusa. pareciam até íntimos. Eles estavam tão entretidos que não perceberam quando paramos atrás do sofá.

—O que está acontecendo aqui? —Perguntei confusa. Eles não pararam de jogar. Na verdade, nem se quer olharam para mim.

—Oi, Sel! Já chegaram? —Demi disse a primeira coisa que veio a mente. Algo só para não me deixar no vácuo mesmo.

—Mas é claro. Estou bem atrás de você. —Falei, cruzando os braços e abismada pelo descaso dela.

—É agora que você vai perder garotinha! —Chaz gritou todo empolgado, fazendo movimentos malucos com o joystick.

—Ah mas não vou mesmo cabeça de tigela! —Demi fez o mesmo com o seu sem tirar os olhos da TV enorme diante deles.

—Vocês dois vão perder otários! —Exclamou Khalil, fazendo o carro preto ultrapassar os outros dois. —Comam poeira!

—Eu não sabia que você jogava, Demi. —Disse.

—Nem eu. —Ela disparou, ainda sem me dar a menor atenção.

Encarei Justin quando ouvi sua risadinha debochada. Mas é claro que ele iria rir. Eu lá toda preocupada e minha amiga estava me ignorando por causa da porra de um joguinho.

—Ganhei! —Chaz saltou do sofá, comemorando com uma dancinha muito estranha. —Podem até tentar, mas ninguém ganha do papai aqui.

—Grande merda! Queria ver ganhar de mim em uma corrida de verdade. —Khalil bufou, largando o controle sobre o sofá.

—Quero nem saber. Ganhei e pronto. Vocês comeram poeira. Game over. —Chaz debochava. —E nem vem me olhar desse jeito tampinha. Vai ter que comer muito feijão para me desafiar. —Ele disse bagunçado o cabelo de Demi. Ela levantou e começou a dar tapinhas nele, enquanto eu continuava me perguntando de onde tinha saído tanta intimidade.

—Acabou o recreio! —Avisou Justin, desligando a TV. —Agora parem de fuleragem na minha sala.

—Sim, senhor capitão! —Khalil e Chaz bateram continência.

—É. Vejo que as coisas aqui mudaram do dia pra noite. —Falei para Demi, soltando um pouquinho de veneno. —Nem sentiu minha falta, não é?

—Deixa de drama. —Ela me abraçou e deu um beijo na bochecha.

—Drama nada. —Tentei dar uma de difícil.

—Não vai contar pra ela? —Ouviu-se a voz de Chaz, agora sentado no braço do sofá. Demi o encarou extremamente feio.

—Contar o quê? —Intercalei o olhar entre os dois com uma das sobrancelhas arqueadas.

—Tenho que voltar para o colégio amanhã. —Ela analisou minha expressão antes de continuar. —Liguei para a minha mãe e ela surtou querendo saber onde eu estava. Tive que dizer que estava com o papai e liguei para ele dizendo que estava com minha mãe. O bom disso tudo é que eles não se falam. Nem desconfiam que estou mentindo.

—Onde você conseguiu um telefone para ligar? —Justin se meteu.

—Ryan me emprestou o dele. —Ela disse e Justin lançou um olhar reprovador para o amigo. —Tenho que ir antes que minha mentira seja descoberta.

—Por mim tudo bem. —Falei não sendo cem por cento sincera e creio que ela percebeu isso.

—Mas não se preocupe. Estarei por aqui sempre que der. Nos feriados, finais de semana e nas férias. —Tentou me consolar.

—A suíça é um pouquinho longe de Las Vegas, não acha? —Disse Chaz, rindo da gente.

—Eu tenho dinheiro meu bem. E para quem tem dinheiro até a caralholândia fica perto. —Demi pisca descaradamente para o cabeludo, que recebeu uma tapa atrás da nuca de Ryan.

—Deveria ter ficado calado. —Debochou.

—Baixinha afiada. —Disse Khalil fazendo sinal de okay para Demi.

Encarei aquela cena com uma pitada de ciúmes. Como é que a Demi conseguiu toda essa aproximação com eles em apenas um dia?

(...)

Deixei minha amiga tomando banho e fui na cozinha em busca de algo para comer. Para meu azar, Khalil também estava lá com um potinho de Nutella na mão.

—Eu não mordo. —Falou em tom de deboche quando viu que eu iria voltar.

—Eu que não me confio. —Respondi desistindo de sair e o encarei.

—Está mordida assim porque a nanica vai embora?

—Isso não é da sua conta.

—É. Tem razão. Não é mesmo. —Disse passando vagarosamente ao meu lado. —Só tomara que algo ruim não aconteça na viagem, né?

—Como assim?

—Se acha que o JB vai deixar sua amiguinha ir embora sabendo de tudo o que sabe a respeito dele então você não o conhece. —Senti o tom de satisfação na voz dele e me irritei.

—Isso é uma ameaça? —Indaguei com o olhar em chamas. —Não ouse... —Comecei a falar com o dedo quase encima da cara dele.

—Só estou dizendo. —Ele deu um sorriso debochado com as mãos erguidas em redenção.

         Assim que Khalil saiu eu subi a escadaria até o quarto de Justin e empurrei a porta como um furacão. Ele estava parado próximo a cama, apenas com uma cueca vermelha e uma bermuda em mãos.

      Não sei o que me deu, só marchei em sua direção e praticamente o empurrei na cama, me ajoelhando sobre ele em seguida.

—Se encostar em um fio de cabelo dela eu juro que acabo com você. —Gritei feito louca. Ele continuou ali, com a face inexpressiva a me encarar.

—Do que você está falando? —Foi o que ele disse, agora fazendo cara feia.

—Não se faça de idiota. Estou falando sério, Justin. Não se atreva a machucar minha amiga. Eu sou capaz de... —Minha fala foi interrompida quando ele ergueu seu corpo, ficando sentado e a um palmo de distância do meu rosto.

—É capaz de quê? —Disse bastante sério.

—Eu mato você. —Não desviei o olhar do seu. Justin sorriu torto como se duvidasse de mim.

—Isso seria no mínimo engraçado, considerando a última vez que você tentou me matar. —A expressão divertida em sua face desapareceu de repente e ele me agarrou pela gola da camisa e puxou em sua direção. —Agora vamos ao assunto número dois. Ninguém tem autorização para entrar neste quarto. Isso é regra para todos. Você não exceção.

—Você também não gostava de dormir com ninguém. —Ignorei a frieza em sua voz e sorri, provocando.

—Some logo daqui antes que eu pare de ser bonzinho. —Alertou e achei mesmo que estava falando sério, então decidi fazer o que mandou.

—Você já está avisado sobre a Demi. Se algo acontecer a ela eu nunca mais vou olhar na sua cara. —Também deixei meu aviso antes de sair.

Abandonei o quarto dele apressadamente e entrei no meu, encontrando Demi vestida com uma das roupas que comprei.

—Pode usar. Minhas roupas são suas. —Falei meio irônica, encostando perto dele—Você já teve um gosto melhor. —Ela se alto analisava, franzindo o nariz. —Olha só isso.  Camiseta básica e jeans rasgado? Isso não faz o seu estilo.

—Agora faz. —Dei de ombros.

—Desde quando? —Fez uma carinha enjoada. —Você anda meio doida.

   Ri com os olhos cheios de lágrimas e ela me abraçou, percebendo isso. 

—Ohh. Você está triste porque eu vou embora, não é? —Disse com vozinha fofa, beijando meu rosto. —Você me ama.

—Amo nada. —Funguei.

—Ama sim sua vaca. —Começamos a rir abraçadas como duas lesadas.

Depois de um tempo conversando, Chaz veio nos chamar para jantar. Todos estavam sentados no chão da sala, com duas pizzas enormes e uma garrafa de Coca-Cola. Aquilo era no mínimo estranho levando em conta a primeira impressão ruim que tive dos amigos de Justin.

—De novo, Chaz? —Ryan disse quando o cabeludo pegou a terceira fatia.

—Eu estou em fase de crescimento. Tenho que me alimentar bem. —Chaz Ignorou, começando a comer.

—Sua fase de crescimento vai até os cinquenta? Se for, você estará um gordo asqueroso muito antes disso. —Demi brincou com ele.

—Acho que isso é um problema meu, amor. A não ser que você esteja planejando estar ao meu lado quando tiver essa idade.

—Eca! —Ela respondeu, colocando o dedo indicador na garganta. Nós começamos a rir. Pelo menos Ryan e eu, pois Justin e Khalil não tiravam os da TV. Estavam entretidos com um jogo de futebol americano.

—Será que dá para calarem a porra da boca? Queremos ouvir aqui. —Khalil falou todo estressado, mas sem tirar os olhos do maldito jogo.

—Tem mais de uma televisão aqui querido. Os incomodados que se mudem. —Disse, deixando a sugestão no ar. Justin olhou em minha direção como se perguntasse de onde eu tinha tirado tanta marra. —Amanhã eu irei acompanhar a Demi. —Avisei.

—Vai? —Ela me olhou confusa.

—Unhum. —Disse, ignorando a cara que Justin fez. —Quero aproveitar ao máximo cada minuto com minha melhor amiga. Por quê? Não posso não?

—Mas é claro... —Demi começou empolgada e Justin terminou todo azedo.

—Que não. Agora é assim? Você acha que é só ter vontade e vai fazer o que quer? Está completamente enganada.

—E você é o quê agora? Meu pai? —Respondi no mesmo tom.

—Treta! —Khalil disse todo empolgado.

—Escuta aqui... —Ele levantou-se com o peito inflamado e quando iria dar um passo até mim ouvimos duas batidas na porta.

Justin e Ryan se entreolharam, achando aquilo estranho. Como ninguém fez nada, eu levantei e fui abrir. Bieber já estava bem atrás de mim e vi de relance que sua mão estava sobre a arma na cintura.

—Não precisa tudo isso. Pode ser apenas uma visita. —Falei revirando os olhos e destrancando a porta.

—Eu não recebo visitas. —Disse ele um pouco antes das visitas serem reveladas.

Meus olhos piscaram freneticamente tamanha a surpresa. Ashley e Vanessa estavam com as roupas sujas de sangue e pareciam bastante debilitadas. Justin me empurrou para o lado e apontou a arma para elas.

—Precisamos de um lugar para ficar. —Disse Ashley apressada, fazendo uma expressão de dor e pressionando o abdômen.

—É o quê? —Justin estava perplexo pela ousadia dela.

—O que aconteceu? —Ryan passou por mim feito com uma velocidade absurda e fez Ashley apoiar um dos braços em seu pescoço.

—Uma emboscada. Os capangas do tubarão não mataram a gente por muito pouco. —Vanessa tomou a liberdade de falar.

—E por que ele faria isso? —Khalil se aproximou e percebi que não só ele como Chaz também já tinham uma arma em mãos.

—Digamos que a gente pegou uma coisa que ele queria muito. —Ashley explicou por alto e logo me veio a cabeça lembranças daquele dia maluco em que elas me levaram para um roubo.

—Como foi que vocês conseguiram entrar aqui? —Justin estava muito chateado.

—Nós escalamos o muro. —A loira respondeu de forma simples como se fosse algo normal escalar um muro daquele tamanho. —Aliás, a segurança daqui não é muito boa.

—Me dá um bom motivo para eu não te matar agora. —Ele destravou a arma e tinha absoluta certeza que estava decidido a apertar o gatilho.

—Você precisa de mim.

—Eu preciso de você? —Justin riu, debochando.

—Talvez não agora, mas logo, logo. Não é só a minha cabeça que o tubarão quer, Justin. Ele quer a sua. —Ashley passou o olhar pelo rosto de todos ali presentes antes de continuar. —De todos vocês. Vai precisar de aliados quando ele vir atrás de você.

—Isso é besteira. Ele nunca vai encontrar o JB. —Khalil banalizou.

—Ele me encontrou e acho que sou melhor em me esconder do que qualquer um aqui. —Continuou segura disso. —Ele vai te atacar mais cedo ou mais tarde. Esse cara tem poder para mandar revirar Las Vegas se precisar.

—E...? —Justin permaneceu sério a escutar. —Eu não me importo.

—Fale por você, mas e os outros? Você consegue se virar em qualquer situação, mas todos aqui conseguem? —Não sei se foi impressão, mas percebi que o olhar de Justin passou por mim rapidamente. —Eu tenho uma informação quente que pode ajudar a acabar com nosso problema em comum. Só preciso de alguns dias até me recuperar e prometo deixar sua casa.

—Aqui agora virou casa de desabrigados? —Khalil bufou. —Atira logo de uma vez, JB. Essa loira é a maior trambiqueira. Vai saber se isso tudo aí não é caô dela.

—Isso aqui parece armação pra você? —Vanessa mostra seus hematomas.

—A decisão é sua, Bieber. —Ashley e Justin ficaram se encarando. —Qual vai ser?

O clima ficou pesado. Todos ali estávamos apreensivos sobre o que Justin faria. Ashley mesmo sabendo que a qualquer momento poderia levar um tiro, se manteve firme.  Achava até que pedir ajuda a Justin era um sacrifício muito difícil para ela que sempre se mostrou tão orgulhosa. A coisa era realmente séria.

Ele foi abaixando a mão de vagar e depois guardou a arma em sua cintura.

—Guardem as armas. —Ordenou, mas sem tirar os olhos de Ashley.

—Quê? Isso é sério mesmo? —Khalil protestou e recebeu uma rápida olhada do loiro.

—Mandei guardar. —Disse ele, serrando os olhos.

—Escolha inteligente. Não esperava menos de você.

—Eu não confio em você e também não gosto. —Disse Bieber sem sutileza alguma. —Espero que saiba que se sua informação não valer a pena irá morrer da pior forma que possa imaginar.

—Eu não iria brincar com isso. —Disse ela. —A coisa é seria mesmo, Justin. Mechemos com peixe grande e agora ou nós pegamos ele ou ele pega a gente. Agora é guerra. —Assim que ela terminou um sorriso se formou no rosto dele e um brilho estranho em seu olhar me assustou.

—Gosto de uma boa guerra. —Justin colocou as mãos no bolso com uma tranquilidade absurda. —Que vença o melhor. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Desculpem aí se ta meio bostinha.
Bjs e até a próxima.


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