História Don't Forget - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Kookv, Não Tem Morte, No Lemon Squad, Taekook, Vkook, Xkookv
Visualizações 1.536
Palavras 5.050
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


*desvia das pedras*
eu demorei, mas eu cheguei meus amores!~

Normalmente eu falo pra caralho, mas hoje eu tô com falta de palavras oasjosajiosajios
Lembrando que a fanfic está em betagem, por isso esse cap já está com travessão e os demais (exceto o primeiro) ainda não~

Capítulo 15 - Boyfriends


Fanfic / Fanfiction Don't Forget - Capítulo 15 - Boyfriends

“— Eu me apaixonei por você… de novo.”

 

Jeongguk piscou, abriu e fechou a boca algumas vezes. Piscou outra vez. Tentava processar aquela frase dentro de sua mente e falar alguma coisa, mas sua garganta estava seca, seu coração ainda mais acelerado do que antes; um misto de felicidade e desespero incomum tomando conta de cada célula do seu ser.

Talvez estivesse sonhando e logo iria acordar e ver que tudo não passou de um desejo profundo de sua mente simplória.

— Repete, por favor — pediu, tocando gentilmente no maxilar do Kim apenas para tentar constatar se ele era mesmo real. — Eu acho que ouvi errado ou estou sonhando.

Taehyung riu baixo e tocou nos dedos do Jeon com delicadeza, passando a confirmação de que estava ali de fato, embora ele próprio desacreditasse em tamanha coragem para confessar aquilo. Sentia o embaraço fazendo morada na ponta de seu estômago com os dizeres proferidos.

— Não me faça repetir isso — balbuciou vedando os olhos e deixando que as pontas dos dígitos alheios percorressem a sua face lentamente. — É constrangedor.

— Por favor — suplicou e o Kim tornou a abrir os olhos, encarando o moreno a sua frente, tão belo quanto nos dias anteriores. Desacreditava que Jeongguk conseguia ficar ainda mais fofo quando lhe olhava daquele modo, tão desesperado por ouvir novamente palavras que soavam costumeiras a sua língua, embora as lembranças ainda fossem vagas.

Será que em breve seria capaz de recordar todos os belos momentos que tiveram juntos? Sentia seu peito se comprimindo com o pensamento, pois de todas as imagens que surgiam diante de seus olhos como memórias retornando, mostravam o quanto ele e Jeongguk eram felizes, mesmo escondidos de todo mundo.

Eles se gostavam de verdade. Pior, se amavam de uma forma doce e pura, na qual ele desejava sentir outra vez, na mesma intensidade.

Apaixonar-se por Jeongguk novamente fora apenas o passo inicial para que pudesse se permitir sentir tudo isso mais uma vez. No entanto, desejava dar ao moreno de olhar febril muito mais do que só sua paixão.

Tudo tinha seu tempo e esperava que ele fosse ainda mais paciente por não poder lhe dar isso agora.

— Está bem. — Taehyung se aproximou mais de Jeongguk, encostando sua testa na do moreno, unindo os corpos em um abraço de lado totalmente desajeitado, mas o suficiente para acalmar a tempestade dentro de si. A cama tornava-se gigantesca com os dois tão próximos daquela forma. — E-eu… eu realmente me apaixonei por você outra vez.

As íris escuras do mais novo enchiam-se de lágrimas e foi necessário um esforço tremendo para ele não chorar diante das palavras. Emocionou-se com aquilo, claro; achava que nunca mais ouviria Taehyung dizer algo semelhante outra vez. Sentia falta das palavras doces que o mais velho pronunciava para si ou do modo como ele era cuidado, fosse por ser o maknae, fosse por ser o namorado.

Sentia tanta falta dele.

Não culpava o Kim pelo inferno que estava passando, afinal, ninguém tinha como saber que aquele pesadelo aconteceria e tampouco que seria difícil daquela forma. Contudo, pior do que as memórias do acastanhado não retornarem, era o fato de imaginar que ele nunca mais o olharia com aquele brilho nas íris amendoadas que aos poucos retornava; ou que aquele sorriso gentil jamais seria direcionado a si novamente; os toques, abraços, beijos, risadas.

Sentia falta do quanto eles se conheciam e o quanto se queriam, fosse apenas pela companhia — o estar um do lado do outro —, fosse pela vontade de realmente se desejar.

Completavam-se desde o dia que se tornaram amigos e, mesmo que eles não viessem a namorar, o Jeon ainda assim desejaria ter tudo aquilo.

— Então… então você- — O mais novo engoliu em seco, tentando formar uma frase coerente e fazer as perguntas que estavam rondando sua mente, mas parecia impossível.

— Eu quero tentar, Jeongguk. Quero ser alguém especial pra você de novo, mesmo que eu não recupere todas as nossas memórias. Eu… eu queria uma chance. — O Kim respirou fundo, pausando sua frase e pensando se aquilo não era exigir demais do mais novo, afinal, eles não tinham mais nada. — Você acha que-

— Sim! — interrompeu às pressas.

Taehyung ergueu uma sobrancelha diante da interrupção apressada do outro e do modo como o Jeon parecia tremer contra o seu corpo. Não sabia dizer o que se passava em sua mente, apenas que ele parecia segurar todo o tipo de emoção dentro de si para não desabar ali mesmo; fazia-se de forte.

— Mas eu nem terminei-

— Pois saiba que a resposta é sim. — Sorriu pequeno e Taehyung notou que os lábios avermelhados pelos dentes, que antes raspavam na carne com apreensão, agora tremiam. Era difícil ver Jeongguk tão vulnerável. — Não importa o que você vai perguntar; se você está disposto a tentar, então eu também estou.

— Mesmo? — questionou baixinho, recebendo um aceno positivo do mais novo e um sorriso um pouco maior. — Obrigado. Hm… o que nós fazemos agora?

Sentia-se perdido e admitiria isso se precisasse. Não tinha ideia de como recomeçar um namoro entre os dois, pois, para si era tudo relativamente novo, mas para Jeongguk nem tanto assim.

Ou talvez fosse.

— Acho que podemos ir aos poucos. — Jeongguk mordeu levemente o interior de sua bochecha e desviou o olhar para os lábios de Taehyung. — Pelo menos até você estar seguro e eu… bom, eu ainda tenho medo.

— Medo? — A voz do Kim era um sussurro preocupado, só agora se tocando que em momento algum eles pararam para conversar sobre os problemas de Jeongguk em relação a tudo o que aconteceu desde o acidente.

Na verdade, eles tentavam estabelecer uma comunicação que não fluía muito bem, já que o Jeon era um tanto reservado com seus próprios sentimentos. Além disso, acabaram se focando nas memórias que precisavam surgir e esqueceram que o mundo era muito mais do que isso.

— É. — Sorriu fraco, vedando os olhos com certa força e soltando um suspiro cansado demais para o seu próprio gosto. — Eu não possuía preocupações grandiosas antes do acidente, apenas esconder nós dois do mundo por quanto tempo fosse necessário. Ver você e os hyungs bem sempre foi o meu objetivo principal, mas… mas agora…

— Agora você precisa se preocupar com o fato de que seu namorado perdeu a memória e virou seu ex-namorado, mas acabou de dizer que está apaixonado novamente. Além de, é claro, ter revelado para Jimin que nós namorávamos antes disso tudo — completou baixinho.

— Sim. — Os olhos se abriram e focaram no sorriso triste que Taehyung lhe dava, claramente se culpando pelo ocorrido. — Não se culpe por isso, TaeTae. O acidente, tudo o que aconteceu, nada disso foi por um desejo seu. É só que… bom, é difícil não ter medo quando eu já te perdi uma vez, tão de repente.

— Eu não posso pedir que apague tudo isso, Jeongguk, nem quero — a voz havia adquirido um tom mais carinhoso e os dedos finos agora acariciavam gentilmente a bochecha do mais novo —, mas peço que se apoie em mim e confie que nós vamos passar por isso juntos.

— Sei que sim. — O olhar do Jeon voltou a se focar nos lábios alheios, desejando beijá-lo mais uma vez. — Posso pedir uma coisa?

— O que é? — Taehyung lhe olhava com tanta ternura, tanta vontade de apenas mimá-lo de algum modo, mostrando apenas que eram apenas algumas memórias faltando, pois ali na sua frente estava mesmo o Kim pela qual se apaixonou.

— Posso… posso te beijar de novo? — pediu baixinho, aproximando-se ainda mais dos lábios alheios mesmo sem ter a permissão desejada.

— Achei que nunca fosse pedir. — E então o Kim apenas findou o resto da distância entre eles, resvalando a maciez dos lábios acerejados contra os do moreno.

O convite mudo para que Jeongguk os tomasse para si foi atendido prontamente. Beijava-o com a mesma doçura da outra vez, deixando a saudade ainda mais evidente do que conseguia expressar. Os lábios se mexiam graciosamente, fazendo as línguas se encontrarem e ambos suspirarem diante do contato. Uma afobação óbvia dentro do peito e uma vontade absurda de apenas querer mais aquele contato tão íntimo e tão certo.

Poderiam ficar daquela forma por incontáveis minutos, apenas beijando-se sem se importar com o amanhã. Era ainda melhor que o anterior, principalmente porque o mais velho desejava com certeza evidente.

Taehyung afastou-se minimamente, prendendo o lábio inferior do Jeon entre os seus dentes, abrindo os olhos lentamente e fitando as íris escuras a sua frente. Nunca entenderia o que o mais novo tinha que abalava todas as estruturas de seu mundo, mas ao mesmo tempo fazia o Kim se sentir nas nuvens com o mais simples dos gestos e toques.

— Vou agradecer eternamente quem nos colocou no mesmo quarto. — Suspirou, deixando mais alguns selares nos lábios inchados. — E se você me permitir, vou te beijar até amanhã de manhã.

— Nós precisamos descansar. — Riu, sentindo os dedos do mais novo percorrendo as suas costas e trazendo-o ainda mais para perto. Não havia motivo para tanta proximidade, mas ele não tinha pretensão de protestar. — A culpa é sua, sabia?

— O que eu fiz? — perguntou um tanto alarmado.

— Eu não vim até a sua cama na intenção de me declarar e tampouco ser beijado, mas você tem essa coisa que bagunça toda a minha mente e me deixa completamente perdido, como se nós tivéssemos o nosso próprio mundo o tempo todo — resmungou divertido.

Jeongguk riu com o dito e buscou pela mão de Taehyung, entrelaçando os dedos de ambos. Fitava-os um tanto saudoso, lembrando-se das várias vezes em que arranjaram um jeito de poder tocar as mãos em locais públicos apenas pelo prazer de estarem juntos, lado a lado.

— Mas nós temos o nosso mundo particular — confessou.

— Temos é? — Taehyung acompanhava os dedos do Jeon fazendo movimentos circulares contra as costas de sua mão. — E você sempre faz isso comigo?

— Eu? — Jeongguk soltou uma risada baixa, um tanto envergonhada e desacreditada se Taehyung fosse ser sincero. — Você ainda não tem noção de como eu sou com você, não é? Acho que nem antes do acidente você realmente entendia o que me causa.

— O que quer dizer com isso? — Ergueu uma sobrancelha, desconfiado.

— Eu me perco toda vez que te olho, Tae — disse baixo.

— Por quê?

— Você tem um controle sobre mim que eu não sei explicar. Eu me encanto com qualquer coisa que você faça e tudo o que desejo é enaltecer isso de algum modo — explicou, baixando o olhar e sentindo suas bochechas esquentarem de vergonha por confessar aquilo, por mais óbvio que fosse. — Eu não consigo me afastar; eu não quero me afastar. Tem vezes que preciso me controlar e ignorar um pouco a sua presença; focar em qualquer outra coisa ao nosso redor apenas para não ir correndo até você e agarrá-lo.

— Isso soa pervertido — falou em tom de brincadeira, corando levemente com o que ouvia. Jeongguk estava pior em questão de acanhamento, então não se importava tanto assim com a tonalidade de suas bochechas.

— Não é nesse sentido! — O Jeon resmungou e umedeceu os lábios. — É só que… parece um ímã, entende? Eu te procuro constantemente quando faço algo e você faz igual. Mas mesmo quando você não está me olhando, eu dou um jeito de te olhar, te procurar, querer estar perto de você. É ridículo!

— É fofo! — Taehyung confessou baixinho. — Muito fofo.

Jeongguk franziu o nariz. Não gostava tanto assim de ser fofo pelo fato de cobrarem demais aquele lado de sua parte. No entanto, Taehyung lhe dizia aquilo às vezes e não seria ele a discordar.

— Mas, então… por qual motivo você veio até aqui se não foi para se declarar e me beijar a noite inteira? — O tom era divertido e travesso, pois logo os lábios do mais novo estavam ali, roçando no canto da boca do Kim.

Céus! Enlouqueceria facilmente estando no mesmo quarto que ele.

— Ah! — O mais velho acariciou gentilmente a mão alheia, fechando os olhos ao sentir o beijo casto perto de sua boca. — Eu tive essa… essa lembrança boa de dormir abraçado com você e… não sei, na hora parece uma ideia boa a de vir aqui e dormir com você.

— Achei que preferisse o travesseiro — murmurou enciumado.

— Então você viu a hora que eu abracei o travesseiro? — perguntou incrédulo, pois achava que o moreno sequer estava reparando nos seus gestos para chamar sua atenção.

— Claro que sim. — Riu e o Kim abriu os olhos novamente. — Já disse, eu noto tudo o que você faz, mesmo que não perceba.

— Hm... — Taehyung ajeitou-se melhor contra o corpo do moreno, abraçando-o. Sentiu o outro braço de Jeongguk alcançar seus fios acastanhados, descendo para sua nuca e iniciando uma carícia sutil. — Pois saiba que você é muito mais macio e confortável que o travesseiro.

— Ah é? — O Jeon passou a perna por cima das pernas do Kim, trazendo-o ainda mais para perto. Enroscaram de um jeito confuso, porém bastante familiar. — Então aproveite, pois quando voltarmos para a Coreia será apenas você e o travesseiro.

— Eu posso dormir abraçado com o Hobi hyung ou o Jiminnie. — Deu de ombros, provocando-o.

Sentia que podia e devia ousar mais com o mais novo ao menos entre quatro paredes. Conseguia permitir a si mesmo de conhecê-lo ainda mais, como antigamente, principalmente depois de confessar o que há muito tempo havia percebido.

— Você não teria coragem! — Jeongguk estreitou os olhos e viu o sorriso desafiador crescendo no Kim. Começava a se soltar mais consigo, mesmo que sentisse o coração acelerado batendo contra o seu corpo, a face ruborizada e os dentes raspando no lábio inferior a fim de mascarar a vergonha. — Bato em você com os travesseiros se ousar fazer isso.

— Não seja tão ciumento assim. — O Kim encostou o rosto na curvatura do pescoço de Jeongguk, aconchegando-se ali e respirando fundo outra vez; nunca se cansaria daquele cheiro agradável. De algum modo curioso, lembrava-se muito bem dos aromas do mais novo.

— Por que não? — perguntou por curiosidade.

— Ora, não é óbvio? — Taehyung não ousou levantar o rosto, sentindo suas bochechas esquentarem ainda mais diante do que diria a seguir. — Eu me apaixonei por você não uma, mas duas vezes. Acha mesmo que alguém conseguiria competir com isso?

— Bom argumento — comentou, sentindo os lábios do mais velho pressionados na pele de seu pescoço, deixando selares suaves e que o arrepiava inteiro. — Ouvir que você está apaixonado por mim soa como a nossa primeira vez…

— Eu me lembro vagamente disso, é meio bagunçado; mas prometo que vou tentar ao máximo recuperar tudo o que passamos juntos um dia — falou baixinho e um pouco envergonhado. Queria se lembrar, queria saber como era antes de tudo isso com todos os detalhes que o moreno possuía e um dia ele também possuiu.

— Eu sei, mas não importa. Não importa se você se lembre ou não, desde que eu possa estar ao seu lado outra vez — sussurrou, sentindo os dígitos do Kim apertando sua blusa em resposta.

Jeongguk desejava apenas que eles tivessem momentos mais descontraídos como aqueles, mas não exigiria demais do Kim. Havia conseguido uma proximidade por parte do mais velho, além de uma confissão completamente inesperada e que trouxe à tona todas as lembranças do passado. Faria seu máximo para que Taehyung se sentisse cada vez mais confortável com a sua presença e, aos poucos, tentaria fazer o acastanhado amá-lo como antes.

Não seria fácil, tinha noção disso, mas estava imensamente feliz de ouvir que Taehyung havia se apaixonado de novo.

Céus, queria poder compartilhar aquela felicidade com alguém. Talvez Jimin pudesse saber das boas notícias se o Kim concordasse.

Suspirou, fechando os olhos e focando-se no ressonar suave de Taehyung contra o seu pescoço. Queria que as horas passassem bem devagar, de preferência congelassem, apenas para que o dia seguinte demorasse a chegar e eles pudessem ficar daquela forma por muito, mas muito tempo.

 

- B -

 

Não eram nem seis horas da manhã, mas alguém batia na porta insistentemente. Taehyung se remexeu, sentindo os braços de Jeongguk envolvendo seu corpo enquanto dormia tranquilamente, completamente aquém das batidas irritantes e de uma voz familiar chamando por seu nome.

Com muita cautela ele se desvencilhou do mais novo, arrastando-se para fora da cama até chegar a porta de entrada. Gostaria de esganar a pessoa que o acordou tão cedo, ciente que sequer o manager deles havia estipulado um horário tão cruel.

— Sim? — murmurou sonolento, focando os olhos na figura mais baixa a sua frente, mexendo o corpo para frente e para trás de modo apreensivo.

— Posso entrar? — Jimin falou, olhando para os lados como se temesse ser descoberto ali.

— O que houve? — perguntou desconfiado, mas permitindo que o amigo adentrasse o quarto afoitamente.

— Desculpa — disse, caminhando de costas enquanto olhava para Taehyung. — Eu quase não consegui dormir pensando em vocês dois.

— O que tem nós dois? — Taehyung ainda se sentia sonolento demais para pensar com coerência no que diabos o amigo falava e fazia, portanto apenas se arrastou novamente até a cama, deitando-se ali. — Fale logo, Jiminnie.

— Por que você está deitando na cama do Jeongguk? — A voz saiu sussurrada e o dedo indicador apontando para a cena estava trêmulo.

— Hm? — Jeongguk resmungou, abrindo os olhos lentamente e vendo Taehyung ali ao seu lado. Então, puxou o corpo alheio pela cintura, escondendo seu rosto em seu pescoço a fim de se esconder da claridade. — Está falando sozinho, Tae?

— Não, não. — Riu, esfregando os olhos e depois dando tapinhas na mão do mais novo. — Jimin está aqui.

— Sim, Jimin está aqui perguntando por que diabos vocês estão dormindo na mesma cama? — Dessa vez a voz acabou por sair mais forte, enfatizando a pergunta e forçando o Park a se sentar no colchão vazio do outro lado.

— Porque sim — resmungou o mais novo, desejando que as vozes se calassem e ele pudesse dormir mais um pouco. — Agora quieto e volte a dormir também, hyung.

— O que foi que eu perdi?

— Durma um pouco, Jiminnie. — O amigo falou sonolento, fechando os olhos e não conseguindo abrir novamente; pesados demais. — Durma e daqui algumas horas conversamos.

Jimin observou os dois e notou a respiração ficando pesada, indicando que haviam mesmo dormido outra vez. Seu cérebro pareceu dar um curto, tentando entender o que havia acontecido na noite anterior que resultou nos dois daquela forma. De qualquer modo, faria o que lhe foi pedido: se preocuparia com isso quando acordasse dali algumas horas, afinal, ver os dois relativamente bem daquela forma fez seu coração se acalmar e a súbita falta de sono da noite anterior finalmente surgir.

 

- B -

 

Jeongguk e Taehyung estavam de pé, os braços cruzados e a cabeça tombada para o lado, observando e tentando entender o que viam. Desde que acordaram, uns cinco ou dez minutos atrás, eles não ousaram fazer mais nada além de encarar a figura inerte de Jimin na cama ao lado.

— O que ele está fazendo aqui?

— Eu não sei — respondeu Taehyung baixinho, receoso de acordar o amigo. — Talvez a gente tenha deixado a porta aberta?

— Eu conferi depois do banho, estava trancada. — Jeongguk suspirou, olhando o rosto sonolento do hyung e se lembrando vagamente de ter sonhado com aquilo na noite passada. — Tenho a impressão que sonhei algo semelhante a isso ontem.

— Como assim?

— Não sei — murmurou incomodado, esfregando a mão na nuca enquanto estreitava os olhos na direção de Jimin. — Eu te perguntava se estava falando sozinho e você me respondeu algo como “Jimin está aqui” e aí ele falava algo, mas eu dizia para ficar quieto e voltar a dormir.

— Sério? — Taehyung se virou para Jeongguk com os olhos arregalados e a boca levemente aberta. — Isso já aconteceu conosco antes? Por que me lembro de ver o Jimin na minha frente, mas falar para ele dormir e que de manhã conversaríamos.

— Nunca passamos por algo tão bizarro, acredite.

— O que você estão falando tão alto? — Jimin resmungou, remexendo-se na cama vazia enquanto abria os olhos lentamente.

— Jiminnie.

— Hm? — Espreguiçou-se, piscando algumas vezes até conseguir focar nos dois parados à sua frente. — O que foi?

— O que está fazendo aqui, hyung?

— Ué. — Jimin se sentou na cama, dobrando as pernas e tocando as mãos gorduchas nos dedos dos pés. — Vocês não se lembram?

— Não? — disseram juntos, mas um tanto incertos da própria resposta.

— Depois da noite maravilhosa que tivemos? — Jimin colocou a mão no peito, abrindo a boca em descrença e se fingindo de ofendido. — Eu esperava mais de vocês, principalmente de você, Taehyung, meu melhor amigo.

Dizer qual dos dois ficou estático primeiro era difícil, já que quase não piscavam. Jeongguk parecia desacreditado na audácia do mais baixo e Taehyung teve uma pequena pane interna, questionando se haveria qualquer possibilidade de aquilo ser verdade, já que ele ainda não confiava tão bem assim nos seus conhecimentos pessoais sobre cada membro.

— Jiminnie… eu…

— Você tem noção de que eu nunca trairia o Tae, né? — Jeongguk falou depois de alguns segundos. Um sorriso de canto começando a crescer em suas feições. — Ainda mais com você.

— Ora, seu dongsaeng ingrato! — Jimin grunhiu, levantando-se da cama com rapidez e pulando em cima de Jeongguk até derrubá-lo da outra cama. — Eu nunca mais vou fazer nada por você, seu projeto de amigo.

— Ai! — Jeongguk reclamou quando sentiu um tapa ser desferido contra a sua bunda com certa força. — Hyung, desculpa, mas não deu pra evitar.

— Desculpas não vão te salvar disso, Jeon Jeongguk! — disse, mas sequer soava irritado, apenas divertido. Atacava o mais novo com pequenos socos e tentativas de cócegas.

— Para, para! — Jeongguk segurou os pulsos alheios, jogando-o no espaço ao lado e levantando-se até se esconder atrás de Taehyung, ainda estático. — Hyung, você é tão bobo.

— Agora é hyung né? — bufou, sentando-se na cama e, então, finalmente focando o olhar na face perdida do Kim. — Você não acreditou nisso, né, TaeTae?

— E-eu... — Taehyung soltou a respiração devagar, tentando pôr os pensamentos no lugar. Enquanto via os dois, pequenos fragmentos de memória surgiram em sua mente, fazendo-o lembrar do quão costumeiro era para os três se juntarem e facilmente se divertirem juntos. Gostava da sensação que estar com eles lhe proporcionava, principalmente por parecer que não possuíam qualquer restrição.

Definitivamente, era uma amizade que ele gostaria de guardar para sempre.

— Tae?

— Desculpa. — Sorriu, voltando a si e topando com as orbes curiosas do amigo. Sua cabeça latejava um pouco, talvez pelas memórias cada vez mais frequentes, não sabia dizer. — Eu lembrei que nós nos divertimos dessa forma sempre, então me perdi um pouco nas recordações.

— Ufa. — Jimin soltou um suspiro aliviado. — Por um segundo eu achei que você tinha acreditado que nós três transamos.

— Eu nem sabia que você gostava de homens, hyung.

— É, nem eu. — Taehyung franziu o cenho levemente.

— Não gosto. — Jimin foi rápido em responder, tentando não prolongar o assunto sobre sua sexualidade. — Enfim, vocês realmente não se lembram por que eu estou aqui?

— Não — responderam juntos outra vez.

— Eu vim logo cedo para saber como havia sido a noite dos dois — explicou rapidamente e quando viu que ainda assim eles não se recordavam do momento, Jimin apenas suspirou e fez uma careta antes de prosseguir. — O Tae atendeu a porta, me deixou entrar e estava me respondendo mesmo que sonolento. Mas aí, o mais inusitado aconteceu, que foi o Taehyung deitar na sua cama, Jeongguk. E, pior do que isso, você o puxando pela cintura e perguntando se ele estava falando sozinho. Me mandou dormir e o Tae disse que conversaríamos depois.

— Então não foi sonho? — perguntou incrédulo.

— Sonho?

— É. — Jeongguk encostou a testa no ombro de Taehyung, tocando a cintura do mais velho com gentileza, sentindo-o se arrepiar com o toque repentino. — Eu achei que tinha sido um sonho.

— Foi bem real. — Jimin observou Taehyung tocar nos fios escuros e desgrenhados de Jeongguk com cuidado, iniciando uma carícia singela. — Ok, o que caralho tá acontecendo aqui?

— Er… ahn… — Taehyung gaguejou um pouco, abaixando a mão que acariciava os fios alheios e Jeongguk, com isso, acabou levantando o rosto outra vez. — Eu meio que… me confessei.

— Você… você fez o quê? — Jimin arregalou os olhos em um misto de perplexidade e indignação. — Porra! E nem pra me contar primeiro?

— Desculpa, foi sem querer — balbuciou, sentando-se ao lado de Jimin e abraçando-o apertado. — Eu jamais esconderia outra coisa de você de novo.

— Não foi intencional mesmo, hyung — explicou Jeongguk, sentando-se na cama do outro lado de Jimin. — Nós estávamos conversando e… bom, nos deixamos levar.

— Isso quer dizer que… que vocês estão namorando de novo, certo?

— Mais ou menos. — Jeongguk suspirou, umedecendo os lábios e sorrindo pequeno para Taehyung. Não era bem o que ele gostaria de dizer, mas ele não tinha certeza se podia chamá-lo de namorado de novo; não era um tópico que fora discutido noite passada. — Resolvemos recomeçar e ir aos poucos, então…

— O segredo se mantém. — O tom de Taehyung soava triste, um misto do fato de que precisavam manter aquilo escondido outra vez ou se porque ele esperava que Jeongguk dissesse que eles são sim namorados, não um “mais ou menos”.

No entanto, sabia que não podia culpar o mais novo de seu receio.

— Mas do que vocês estão falando? — Jimin se exaltou, empurrando os dois para o lado com suas mãos.

— O que foi?

— “Mais ou menos”, Jeongguk? — zombou com um revirar de olhos. — Você é louco pelo Taehyung e, bom, a recíproca claramente é verdadeira já que ele cometeu a loucura de se apaixonar por você outra vez. Simplesmente admita que estão namorando de novo antes que eu te quebre a cara por deixá-lo triste.

— Mas-

— Sem “mas”, idiota! — Levantou-se, colocando as mãos na cintura e estreitando os olhos. — Ok, eu tive uma ideia. Podem se pedir em namoro aí.

— Como é que é? — Taehyung às vezes achava que Jimin era maluco, embora fosse precioso demais para esse mundo cruel. Seu coração se aqueceu com o fato de que ele percebeu que havia ficado chateado com o dito.

— Houve um pedido de namoro quando vocês iniciaram isso, certo?

— Não — responderam juntos, pois isso o Kim tinha em sua memória. Lembrava-se de quando Jeongguk o chamou de namorado e seus olhos se arregalaram com a palavra. Não teve um pedido oficial, apenas… aconteceu.

— Vocês… — Jimin suspirou, mas entendia que com os dois as coisas pareciam simplesmente rolar, sem preocupações maiores. — Realmente, vocês são perfeitos juntos.

— Por quê? — Jeongguk tombou a cabeça para o lado até, disfarçadamente, tê-la encostada no ombro de Taehyung.

— Não tem motivo, simplesmente são — disse com um dar de ombros. — E quero que saibam que eu estou, oficialmente, declarando os dois namorados.

— Jiminnie-

— Olha a hora! — falou alto, interrompendo qualquer possibilidade de protestos. Já caminhava até a porta do quarto com rapidez, evitando até mesmo de ser impedido pelas mãos ágeis dos dois. — Vamos logo antes que o Sejin hyung nos mate!

Taehyung suspirou e então notou que Jeongguk o olhava enquanto permanecia deitado em seu ombro. A expressão suavizada, em algo doce e completamente bobo, mas com uma pitada de receio e curiosidade talvez.

— O que foi?

— Posso mesmo te chamar de namorado de novo?

— Pode — murmurou, tocando-lhe o maxilar com cuidado antes de deixar um selar nos lábios macios. — Ou melhor, deve.

Jeongguk vedou os olhos com um sorriso bobo em seus lábios. Desejava apenas que as coisas continuassem fluindo daquela forma e logo tudo estaria bem de novo.

 

- B -

 

Após o café da manhã reforçado não houve tempo a perder. Rumaram rapidamente até o espaço em que realizariam o show e tomaram conta do palco para realizar seus ensaios. O Japão era um dos lugares em que mais realizavam concertos, sendo sempre bem recebidos por uma grande legião de fãs.

Estava fora de cogitação decepcioná-los.

 

— Testando. — Namjoon bateu os dedos no microfone até ter o som que desejava ecoando pela casa de show.

— O volume está bom, hyung? — Jeongguk perguntou.

— Acho que está muito baixo.

— Ok. — Jeongguk pegou seu microfone, que já estava preparado como gostaria, e trouxe para perto de seus lábios. — Pode aumentar o som do microfone do Rap Monster, por favor?

 

— Acho que está bom. — Seokjin parou ao lado de Taehyung, sorrindo ao ver que seus passos estavam suaves e ele parecia não ter mais receios. Entregou uma garrafa de água ao dongsaeng, vendo como ofegava. — Você tem se esforçado bastante, TaeTae.

— Obrigado, hyung. — Taehyung aceitou a garrafa, dando um gole generoso e até mesmo fechando os olhos um pouco. Sentia-se um pouco tonto, mas tinha certeza de que logo passaria, portanto não alertaria o demais com algo tão bobo. Já havia causado tantas preocupações para os amigos e eles possuíam um show para realizar.

— Mais uma vez — disse Jimin já a postos e então Taehyung abriu os olhos, sorrindo fraco na direção do amigo e assentindo ao dito.

 

Hoseok fechou os olhos rapidamente, abrindo-os logo em seguida e então começou a mexer seu corpo junto com seus lábios. Treinava sua parte enquanto, ao seu lado, Yoongi fazia o mesmo.

— O tempo está ótimo, Hobi.

— Obrigado. — Suspirou aliviado, apoiando as mãos no joelho para recuperar um pouco do fôlego dispensado no treino.

Yoongi fez uma pequena pausa, buscando pela garrafinha de água a sua frente. Sentia-se fatigado, mas não podia pensar muito no seu corpo; tinha um show para realizar para fãs que desejavam estar ali tanto quanto eles.

— Vamos de novo e- — Yoongi fechou os olhos quando inclinou o corpo para frente e viu tudo rodando. Tornou a abri-los lentamente, apoiando-se em seus joelhos quando percebeu que a tontura não passava.

— Hyung? — Hoseok colocou a mão nas suas costas, notando o quão pálido o Min estava e o quão seco seus lábios pareciam estar apesar de ter acabado de tomar água. — O que você está sentindo?

— E-eu…

 

— Taehyung! — Jimin berrou de repente, assustando a todos os presentes. — Fala comigo, Tae, por favor!

Yoongi levantou o rosto minimamente, olhando na direção da voz do Park e vendo Taehyung em seus braços, desmaiado. Os demais estavam correndo em sua direção, exceto por Hoseok que, neste instante, não fazia a menor ideia do que fazer. Sentiu seus olhos pesarem, vendo o manager deles subir as escadas do palco às pressas, falando algo que seus ouvidos não conseguiam mais captar.

No fim, deixou que suas pálpebras finalmente fechassem e as mãos de Hoseok ao redor de seu corpo fossem a única coisa que ele sentiu antes de desmaiar.


Notas Finais


Peço desculpas desde já pelos erros!
Não me matem pelo final aoijsjsijas

Obrigado pelos 700+ favoritos e todos os comentários! <3
Sério, vocês não tem ideia do quanto isso anima um autor e do quão importante é ler coisas boas e coisas construtivas!


Gritos e xingos é no @xkookv ~


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