História Don't Go - Capítulo 21


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Xiumin
Tags Baekxiu, Baekyeol, Chanbaek, Clichê, Kaisoo, Luhan, Minseok, Sehun, Sookai, Xiubaek, Yoora
Exibições 117
Palavras 7.454
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Me desculpem os erros, a formatação que provavelmente bugou, a demora e toda enrolação mas principalmente me desculpem a demora.

Boa leitura.

Capítulo 21 - You're driving me wild, wild...


"Se lembra daquelas paredes que construí? Bem, querido, elas estão desmoronando e elas sequer resistiram à queda, elas sequer fizeram barulho. Eu encontrei um jeito de deixar você entrar, mas eu nunca tive dúvida. De pé em frente da luz da sua aura, eu tenho o meu anjo agora."




Nossos lábios se encontram em uma sincronia lenta e perfeita, os movimentos são delicados mas não deixa de ser delicioso. Existe um sabor de saudades e promessas, é o gosto de uma paixão que está explodindo por nossos poros, em cada pulsação e nervos.

Deixo escapar um gemido arrastado quando BaekHyun morde meu lábio inferior, o gosto férreo se mistura ao de saliva quando ele passa a ponta da língua em cima da mordida. Meu corpo estremece e a única coisa que quero no momento é não ter controle nenhum. Minha pele eriça quando seus lábios desce e ele morde meu queixo lentamente, beijando e descendo novamente para meu pescoço.


Estamos sentados um de frente para o outro, as pernas dele está embaixo das minhas enquanto rodeio seu quadril de um jeito desengonçado por causa do meu tamanho. Posso sentir seus braços tensionado sob minha palma enquanto sua mão aperta minha cintura com força.


Nossos olhos se encontram e ele não parece o mesmo BaekHyun de sempre, existe um brilho diferente em seu olhar, mais altivo e malicioso. As estrelas brilhavam acima de nossas cabeças e formavam uma espécie de coroa em meu namorado, apesar do cobertor em que estávamos sentados, alguns grãos de areia invadiam nosso pequeno território.

O meu coração acelerava com a ansiedade, batia ao compasso que as ondas do mar iam quebrando um pouco longe de nossos pés. Ele ria de forma contida quando uma gota gelada vez ou outra respingava em sua camisa e eu apenas podia acompanhar. Acompanhava seus movimentos, seus beijos e carinhos.

Sentia a felicidade percorrer meu ser, sentia a paixão e a vibração do meu corpo perdido em êxtase, o calor dos olhos dele percorrendo meu corpo, minha mente, meu eu por completo. Sua íris continha o reflexo das estrelas e iluminava nosso caminho, levava-me para o meu porto seguro. BaekHyun era meu farol, a grande luz que me guiava na direção certa para casa, a minha coragem para enfrentar as grandes tempestades que ameaçava desabar em nosso céu.

Seus dedos resvalaram em meu rosto e meus olhos fecharam automaticamente para aproveitar do carinho singelo, minha pele arrepiava levemente por causa do frio e inegavelmente por causa da atração que sentia pelo baixinho de sorriso retangular, nossos corpos conversavam entre si como se existisse uma força magnética que nos atraía até ficarmos tão perto um do outro que não seria possível distinguir onde começava Byun BaekHyun e onde terminava Park ChanYeol.

No momento eu só precisava ser um com ele, tê-lo tão perto e tão íntimo que seu cheiro ficasse impregnado em meu corpo.

—ChanYeol?— Sua voz é suave embora esteja rouca — Acho que vou ficar maluco.

E eu entendi perfeitamente o recado quando ele sutilmente puxou meu quadril de encontro ao seu, acabei arfando quando o senti duro, pois droga, essa situação toda estava me deixando ainda mais quente.

Minhas mãos viajaram até seu rosto, tocando delicadamente e o puxando para um beijo. Era uma disputa cerrada para saber quem comandava, disputa essa que desisti de boa vontade apenas para ser dominado por ele. E apesar das roupas que atrapalhavam o contato de nossas peles, eu podia sentir seu corpo quente, o suor descendo por sua têmpora e deixando alguns fios de cabelo colados, a língua dele acariciava a minha somente para depois ser sugada de uma maneira audível e despudorada.

Byun BaekHyun estava perigosamente erótico e tentador.

 

Os sinais já batiam na porta.

 Deita um pouco... — Ele voltou a falar quando separou um pouco nossas bocas.

Por um minuto desejei ter voz para rebater mas o silêncio era reconfortante, deixava minha ansiedade disfarçada e meu desejo em obedecer gritante.

Deitei lentamente no cobertor que estava sob nós, um pouco da minha cabeça indo para fora e enchendo meu cabelo com areia. Minhas pernas ainda rodeavam seus quadris e o vi sorrir sacana quando finalmente notou a ereção no meio das minhas pernas, seus dedos foram para a barra da camisa cinza que estava usando, erguendo-a em seguida e jogando-a para longe.

BaekHyun era fodidamente delicioso.

Apenas três coisas eram audíveis no momento:

O mar que não se acalmava.

Meu coração desenfreado.

E nossas respirações que começava a falhar um pouco.

— Bom garoto... Yeollie-ah...

E droga! Gemi sem ao menos perceber porque droga, a maneira em que ele falou tão cheio de más intenções e como o pomo de adão dele subiu e desceu depois da risadinha foi o estopim para que eu mandasse tudo para o inferno.

Os dedos dele apertaram minhas coxas por cima do calção fininho que estava usando e foram subindo, levando consigo um pouco do tecido, até tocarem um pouco minha pélvis. O Byun acariciou o ossinho do começo da minha cintura e novamente sorriu quando encolhi a barriga. Um frio passou por toda minha coluna quando apenas as pontas dos dedos dele tocou-me por cima da blusa, BaekHyun ia deixando um rastro invisível na minha pele enquanto no meu interior uma marca feito a fogo ia sendo deixada para sempre ser lembrada.

Suas mãos voltaram para a barra da minha blusa e sem pressa alguma, ele a ergueu delicadamente e em um sussurro quase inaudível pediu para que eu levantasse o tronco para poder tirá-la de vez.

Realmente, as luzes me guiaram até em casa. BaekHyun me trouxe para a direção correta e me consertava como ele havia dito que faria.

Enquanto ele deitava sobre meu corpo e nossos olhares não perdiam um movimento sequer de todas as expressões que eram delineadas na noite, meus pensamentos voaram até a noite em que dividimos o mesmo fone de ouvido, o mesmo céu e todos os nossos segredos. Foi a primeira vez que nenhum olhar de julgamento foi lançado em minha direção, existia apenas sua compreensão infinita.

Nossos corações batiam no mesmo compasso, eu o sentia como se batesse em meu próprio peito. Sentia tudo em mínimos detalhes, seus batimentos, respiração, calor e até mesmo ansiedade, seus lábios foram até meu pescoço e ele sorriu sobre minha pele quando sentiu-me arrepiar.

Ele ofega quando lança o quadril uma vez, nossas ereções se tocando tão intimamente que chega a ser engraçado como posso senti-lo tão minuciosamente contra mim; minhas pernas abrem instintivamente apenas para que ele se encaixe perfeitamente entre elas, meu quadril ondula quase que imperceptivelmente buscando uma fricção que acabe de vez com toda essa tensão. Um vai e vem cadenciado começa e eu respiro fundo, tentando manter a sanidade que ainda me resta.

— Por um segundo... eu estava no controle... — Sussurrei enquanto segurava sua cintura o incitando a movimentar mais rapidamente — Mas eu perdi para você Byun BaekHyun...

—Você não pode perder algo que nunca teve, Yeollie...—Ele respondeu com os lábios colados em minha orelha—Não se preocupa amor, eu vou te foder a noite inteira. Primeiro, bem lentamente e depois tão rápido e forte que você jamais será capaz de esquecer. O céu essa noite irá ser nossa testemunha.

Xinguei baixinho o filho do mãe, pois novamente droga, ele me colocava a beirada de um precipício que não dava a mínima se tivesse que pular.

Eu estava feito uma bagunça de suspiros, gemidos e sensações enquanto ele despia o restante de roupas que ainda usávamos. BaekHyun tocava minha pele tão delicadamente que por um momento esqueci que um dia fui corrompido, ele a venerava em cada beijo ou marca que distribuía, curando todas as cicatrizes e apenas me amando como se não houvesse amanhã.

E talvez não houvesse.

O tempo esfriava por conta da madrugada, e mesmo sem nossas roupas, eu nunca me senti tão quente como agora. A sua boca me explorava sem pressa, me provando e testando com uma língua atrevida que ia descendo por lugares que me faziam segurar em seus cabelos com força, arrancando da minha boca gemidos e palavras incompreensíveis, seus dígitos o acompanhavam nessa tortura, me preparando aos poucos. O enxergava perfeitamente, seus cabelos colados na testa, o suor descendo por seu tronco e o sorriso de lado que ele lançou antes de tocar meu rosto.

—Você é tão lindo Chan, tão maravilhoso para mim...—Ele beijou meus lábios enquanto encaixava a ponta da ereção e depois a retirou com um ranger de dentes —Que a minha vontade é te deixar maluco, e sabe o que é pior?— Nego totalmente frustado com a situação—Na tentativa em te deixar maluco quem acaba assim, sou eu.

— Baek...— Finalmente minha voz aparece e consigo formar uma frase concreta— Isso é tão clichê...—Ele sorri fraco e repete o mesmo movimento de antes, o de colocar e retirar—Porra... eu amo isso, sabe?

—É? O quê mais você ama, ChanYeol?— BaekHyun sussurra enquanto me deixa sentir seu coração bater contra o meu.

—Eu amo a forma em que nossas mãos se encaixam...  — Respondo e ele logo toma minha mão para entrelaçar nossos dedos— Amo como nossos corpos se correspondem...— Com a mão livre toco sua coluna e desço até as nádegas cheinhas —Eu amo tudo em você, BaekHyun, simplesmente por te pertencer.

—Você me ama ChanYeol?

Afirmo, sentindo meu rosto esquentar —Eu simplesmente amo Byun BaekHyun, não existe explicação para o que sinto.

E quando termino minha frase, ele lentamente me toma.

Tudo desaparece, tudo se encaixa.

Tudo é perfeito.

...

...

...

Quando desperto ainda é cedo, no céu não existe sinais do amanhecer e ao meu lado BaekHyun dorme tranquilo por cima do meu braço, seu rosto é sereno e diferente dele, meu coração não consegue se acalmar dentro do peito. Minha pele ainda está quente e o suor pinga do meu rosto, quando levo minha mão para tocar o rosto adormecido, vejo que ela treme um pouco.

O Byun está alheio à toda minha aflição e confusão e era melhor assim. Uma culpa me consumia por ter sonhado algo tão íntimo quando na realidade, deveríamos aproveitar esse final de semana com nossa pequena filha.

Ser fodido por ele não estava em meus planos, ao menos não no momento.

O pior é que meu corpo reclamava do prazer negado à ele e só me deixava mais maluco ainda ter BaekHyun praticamente por cima de mim, com as pernas entrelaçadas com as minhas, roçando tão perigosamente perto do meio das minhas pernas que minha respiração ficava presa a cada dois segundos.

Eu não queria me tocar, não com ele dormindo no quarto, ter o sentimento de ser um maníaco pervertido que se masturba enquanto o namorado dorme tranquilamente, provavelmente sonhando com algo bem fofo, também não estava no meus planos.

E o fato de BaekHyun gemer no meio do sono não ajudava em nada esse fogo que só parecia aumentar, precisava fugir o mais rápido. possível, antes que o acordasse e fizesse coisas ruins... muito ruins com ele.

A sorte veio quando ele mesmo se desvencilhou  e virou para o outro lado, reclamando baixinho. Com todo cuidado, levantei e logo após me agasalhar apropriadamente corri para fora de casa.

O lugar que o Kim havia me emprestando era uma das poucas construções que ficava praticamente a beira mar, bastou abrir a porta da frente e a grande imensidão se quebrava em ondas bem diante dos meus olhos, o barulho fazendo uma incrível melodia graças nossa mãe natureza. Quando meus pés descalços tocaram a areia, um arrepio involuntário subiu por minha coluna em consequência do frio.

Consequência... É uma palavra bem engraçada se for tirado todo o peso que vem com ela.

Não queria pensar na minha filha como uma consequência do meu erro quando na verdade ela era a melhor coisa que me aconteceu.

E muito menos pensar que BaekHyun era apenas mais uma consequência de desejos libertinos causador de ereções e sonhos eróticos quando na verdade ele era um dos motivos que me fazia sorrir e acreditar em algo bom.

Enquanto apressava meu passos, uma variedade de pensamentos e lembranças vieram para a superfície. Existia uma balança e eu precisava pesar o que realmente valia a pena manter e o que precisava ser esquecido. Recolher para cuidar o que amava e lançar fora aquilo que estava podre.

E se havia algo que aprendi a amar mais do que café puro todas as manhãs, isso foi a risada da minha filha quando brincávamos no comecinho da noite e agora essa nova sensação que era ter BaekHyun deitado ao meu lado, em um contato tão íntimo que nossos corações pareciam conversar.

Aos poucos meus sentimentos, mágoas e conversas pendentes iam se resolvendo. Havia um certo alívio em finalmente ter colocado— ao menos de certa forma— uma pedra nessas divergências de sentimentos com Sandara. No começo foi difícil tentar esquecer as palavras inflamadas de amargura e as ações turbulentas do passado que sempre voltavam para assombrar; não era difícil de enxergar como Dara e eu estávamos magoados e tudo fluía naturalmente para que apenas o rancor fosse trocado, por um pequeno momento foi esquecido todos os bons momentos que passamos lado a lado — e ruins, o que parecia ter uma cota bem maior — quando tudo parecia estar arruinado para sempre, BaekHyun me mostrou uma luz.

Ele me deu a segunda chance que sempre busquei, permitiu que minha família entrasse em sua vida e não importou o quão errado fui, não importou meus vícios e meus vacilos, para ele estava tudo bem ter cicatrizes, porque todo mundo as tem.

Eu mantinha o equilíbrio enquanto BaekHyun me guiava, mostrando o mundo através de seus olhos e sorrisos, através de palavras de incentivo e provocação. E era simplesmente incrível a maneira em que estávamos conectados, como se nossos corpos e mentes estivessem ligados por fios invisíveis.

E foi aos poucos que fui cedendo com a mãe da minha filha. Meio arisco, desconfiado e muito, muito magoado. O engraçado é que sempre tem os dois lados da história e com o papel de ignorante que é difícil largar, era simplesmente mais fácil ignorar e achar apenas um culpado para tudo.

No caso, Sandara.

Dizem que a culpa é um bichinho que vai te corroendo por dentro, aos poucos, tirando pedacinho por pedacinho e deixando o espírito doente. E eu me sentia assim, estupidamente culpado quando a verdade foi jogada na minha cara. Mesmo Dara tentando amenizar os prejuízos, eu sentia de forma angustiante e bem vivida os noves meses que ela passou carregando Eunji e o quanto doeu ter que deixar um ser tão pequeno dependendo da própria sorte.

E ali, sentindo a areia entre os dedos dos meus pés e o vento batendo violentamente contra meu rosto, lembrei a primeira vez que choramos juntos depois de anos.

Choramos juntos sim, e como choramos; ela por ter sido fraca o bastante por ter deixado aquele homem manipular tudo tão facilmente e eu, por não ter pensado um momento sequer de que nossos erros teriam consequências, de não tê-la procurado depois que apenas dei as costas naquela manhã. Não pude escutar seu choro enquanto me afastava furioso demais por ter ido tão longe, frustrado por não ter tido o controle do meu corpo enquanto me deitava com ela e desejava ele, porque eram os toques dele que sentia e tudo isso foi o combustível para que nossa amizade ruísse gradativamente.

Estive tão imerso na recuperação, que não notei quando ela começou a se afastar, porque tudo bem assim, afinal foi um erro e seria estranho voltar as mesmas.

Como eu estava errado.

Se ao menos meus olhos estivessem abertos, mesmo que um pouco, para perceber as mudanças no seu humor, no seu corpo. Se ao menos eu estivesse mais sensível para escutar as mensagens nas entrelinhas e ou lúcido o bastante para sentir que tínhamos alguma conexão; então talvez tudo fosse diferente. Talvez minha filha não tivesse crescido com o sentimento de rejeição, quem sabe ela teria uma personalidade totalmente diferente.

Será que Eunji seria uma criança alegre e esperta assim se tivesse sido criada por algum de nós? Seria demais para uma criança tão sensível como ela crescer no meio de duas famílias tão distintas, onde o pai era um viciado e a mãe uma jovem perdida.

Será que eu seria capaz de encontrar Byun BaekHyun em qualquer outro lugar? Quem sabe na fila do cinema, ou do banco... Será que eu me apaixonaria por ele novamente?

Ficar imaginando como seria se tudo tivesse acontecido diferente era como ficar dando socos repetidos no estômago, doía e me tirava o ar. Afastei todos os "e se" da minha mente e comecei agradecer a Deus por ter possibilitado minha filha um começo de infância saudável, por ter colocado boas pessoas ao seu lado e nunca ter permitido que ela fosse para longe.

Agradeci por ter encontrado BaekHyun no meio da multidão.

Agradecia porque mesmo sem merecer, me orgulhava de tudo o que havia construído, de todas as boas coisas que consegui fazer após me recuperar. Eram nas pequenas coisas que construía minha felicidade, foi nos primeiros traços que fiz bem feito e fui elogiado, ou quando me formei e vi pela primeira vez, mesmo que discreto, um sorriso pequeno do meu pai. Era orgulho.

Orgulho esse que senti na primeira semana de Eunji em casa, quando timidamente ela me perguntou se podia me chamar de papai a hora que quisesse. Ou semanas depois, quando ela sussurrou que me amava enquanto a colocava para dormir. Achei que era impossível para um cara como eu ainda ter lágrimas restantes mas enquanto a ninava no meu colo, o impossível aconteceu e eu tive que me segurar até o final da canção para só então poder correr até meu quarto e chorar como um menino que precisa do colo da mãe. Essas três palavras vieram trazer à tona todos os sentimentos que o ChanYeol do passado havia enterrado e enquanto soluçava e ficava em um estado deplorável, a única certeza era que estaria ali pra ela sempre; sem mais erros ou escorregadas.

Finalmente me sentia seguro, sentia o equilíbrio que tanto busquei. Claro que eu, Park ChanYeol, ainda sou um viciado e nunca estarei livre da tentação de me drogar novamente e não é fácil todos os dias ter que dar um passo de cada vez para não escorregar novamente, mas agora eu tinha motivos para sorrir e ser uma boa pessoa.

Eunji é meu bem mais precioso e se apenas tiver um sorriso dela, tenho o mundo. É por ela que todos os dias que levanto e luto contra tudo.

Havia Eunji, BaekHyun e minha família. Pessoas a quem não poderia decepcionar, pessoas que realmente se importam com o meu bem estar.

Quando dei meia volta percebi um longo caminho de pegadas e o sol já dava seus primeiros sinais. A casa onde deixei minha família dormindo parecia um pontinho minúsculo no meio do deserto.

Com suor na cara e sentimentos no lugar, voltei para meu lar.

***

Entrei nas pontas dos pés, a casa continuava um breu e quando passei no quarto em que Eunji estava dormindo, acabei entrando para apanhar o cobertor que tinha caído no chão e colocar por cima do corpo miúdo.

Sentei por um momento no chão, em frente à sua cama e a observei. Procurava traços meus em seu rosto, achei o formato dos seus olhos e lábios, encontrei até mesmo uma covinha saliente na bochecha direita, o restante pertencia a Sandara. A franjinha recém cortada estava toda bagunçada em sua testa e meus dedos automaticamente me levaram até ali e arrumaram os fios; Eunji mantinha os olhos fixos em meus movimentos, embora ainda estivesse sonolenta, um pequeno sorriso forma-se em seus lábios cheinhos e sua mão segura a minha.

— Ainda é cedo meu amor, pode dormir um pouco mais. — Digo baixinho, acariciando o rostinho infantil.

— Eu sonhei com um jardim, papai — Ela disse fechando os olhos — Eu tinha dois irmãozinho, um era da mamãe e outro seu e do pai Baek.

— Foi? E o que acontecia no sonho? — Perguntei com o rosto apoiado no colchão e fazendo um cafuné nos cabelos dela.

— O tio Soo e o tio Nini tinha dois filhinhos, papai Baek e vocês estavam bonitos, a vovó e tia Yoonnie tinham lágrimas nos olhos enquanto o senhor cantava uma música — A voz dela foi diminuindo gradativamente — Todos sorriam e então...

— E então seremos donos de uma creche no futuro?—  Perguntei divertido mesmo sabendo que não teria resposta.

Ela parou de falar, havia dormido novamente. Beijei sua testa antes de sair do quarto com um sorriso bobo no rosto.

Minha nova missão era encarar Byun BaekHyun;

Quando entrei no nosso quarto, diferente do que pensei que encontraria, BaekHyun não estava dormindo. O que era bem estranho já que ele não é bem uma pessoa matinal, a cama ainda estava bagunçada e o barulho do chuveiro podia ser escutado.

Caminhei vagarosamente até a porta que estava entreaberta, colocando apenas a cabeça para dentro encontrei o vidro do box embaçado por causa do vapor quente da água, BaekHyun estava com a cabeça jogada para trás e os respingos caíam em seu corpo de maneira quase artística.

Céus! Estava me transformando em um ser piegas sem volta.

Ele continuava desligado da minha presença, as mãos desciam vagarosamente tirando a sujeira imaginária do corpo, alisando e tocando de maneira tão íntima que o meu próprio voltava a ficar quente como quando acordei do sonho, arrepiava como se cada toque fosse em minha pele, cada sussurro fosse meu.

Minhas pernas estavam bambas, a adrenalina corria por meu sangue, queimando minhas veias. A minha camisa já colava nas costas por causa do suor e meus pés descalços esfregava um no outro em ansiedade.

— Você não sabe o que significa privacidade, Park ChanYeol? — BaekHyun perguntou ainda de costas, sua voz não continha raiva, apenas, uma leve rouquidão e um tremor — Ah! Que feio! Que feio, Park!

— Feio é o que você faz comigo. — Respondi entrando de vez no cômodo pequeno e sentando no vaso sanitário —Byun BaekHyun brinca com meus sentimentos, certezas e mexe com todos meus sentidos. Que feio... Que feio.

Ele ri soprado e continua sem me olhar, mas eu posso imaginar perfeitamente as suas bochechas rosadas e a vontade em que deve está sentindo em esconder o corpo nu.

Toda essa inocência que ele tinha e mandava para o inferno algumas vezes, me atraía de um jeito estranho, quase sobrenatural.

— Achei que iria tomar banho comigo, você parece estranho hoje ChanYeol.— BaekHyun disse quando o silêncio começou a ser sufocante —Tudo bem, acho que posso aceitar isso.

Era um jogo perigoso, arriscado demais para mim mesmo. Não tinha noção de até onde poderia me segurar, mas levando em consideração o aperto que minha ereção começava a fazer na calça de moletom, não era seguro para ninguém. Com a respiração entrecortada, me segurava ao máximo para não me perder na situação que nos encontrávamos , tinha plena ciência de que uma vez que começasse, seria impossível parar.

Sentia uma necessidade de ter o corpo dele junto ao meu e não só isso, não somente na forma carnal e cheia de luxúria; era uma necessidade de ter certeza que era recíproco, que não estava sentindo sozinho essas palpitações doidas e todas essas borboletas no estômago. Queria saber que não era somente um desejo meu de que ele fosse o meu céu, um lugar onde eu poderia olhar sempre e ter uma luz para iluminar meu caminho.

Deixando meus impulsos me guiarem juntamente com meus desejos, acabei me despindo rapidamente e entrando no box. Suas costas colaram em meu dorso e todas as suas curvas encaixaram perfeitamente ao meu corpo. Não foi preciso palavras ou ações para que algo fosse compreendido no momento, conversamos com nossas almas embora possa parecer loucura. Cada poro de nossos corpos correspondiam-se e os suspiros de satisfação que BaekHyun soltava era o suficiente para me satisfazer.

—Acho que eles tinham razão quando me falaram que você iria me hipnotizar.—Deixei escapar baixo enquanto suspirava pesadamente—Para onde olho só consigo enxergar você, é como se cada pedacinho seu estivesse estampado em todos os lugares.

E não precisávamos de música lenta para curtir o momento pois inconscientemente começamos à balançar nosso corpo em um ritmo próprio enquanto a água caía sobre nós, levando para longe o resquício de sanidade que ainda existia. Ele virou de frente, enroscando seus braços ao redor do meu pescoço e seus olhos miravam os meus como se estivessem passando algo e logo sua boca estava atacando a minha com uma voracidade inusual e eu tentava acompanhar seu ritmo enquanto era imprensado entre o corpo miúdo e o vidro do box, havia um desejo latente que escorregava para fora.

De todos os lábios que um dia experimentei e de todos os corpos que em algum momento aqueceram o meu, nenhum deles trazia a segurança e o conforto que sentia agora. Um sentimentos de paz.

Eu poderia descrever cada beijo, desde a minha adolescência até a minha vida adulta, que experimentei com exatidão; teria detalhes de todas as noites que compartilhei com outros enquanto ficava por cima ou por baixo e mesmo que tenham sido bons momentos, acredito que nenhum deles pode ser comparado com esses meses que passei ao lado da minha nova e pequena família.

Era nas pequenas coisas que me sentia completo.

Todas as vezes que beijava BaekHyun, um estranho e corriqueiro sentimento impregnava no meu corpo e sentidos. Aquela habitual sensação de carinho e respeito, atenção e quem sabe um amor que ainda seria descoberto.

Era as famosas borboletas na barriga que experimentava agora que os lábios dele se moviam com pressa sobre o meu, era a euforia como se sempre fosse o primeiro beijo.

BaekHyun sorriu sem jeito quando nos separamos e um silêncio gritante surgia, uma das mãos que estavam presa em volta do meu pescoço, desceu lentamente até meu peito onde meus batimentos cardíacos começavam a se descontrolar. Nossos olhares seguiram o movimento, com uma fascinação tão grande que era inexplicável.

—Está sempre acelerado.—Ele sussurrou.

É porque essa é a primeira vez que realmente me sinto vivo, BaekHyun, é a primeira vez que ele acelera por um motivo bom.

Minhas palavras saíram como um sussurro, não por causa do habitual clichê da falta de ar depois do beijo e sim porque sentia uma necessidade imensurável de fazer silêncio quando estava ao lado dele. Era como se qualquer barulho fosse cortar a imagem diante de mim e levar para longe todo e qualquer sentimento bom que compartilhamos , talvez fosse egoísmo tentar mantê-lo ao meu lado sempre; pois de uma forma bem sutil começávamos a depender um do outro e realmente não era a intenção.

Quem sabe ele não tenha entendido minhas palavras, sinceramente, nem mesmo eu sabia bem o que elas queriam dizer. Não era palavras soltas ao vento, não! Realmente tinha uma necessidade quase sufocante para despejar tudo que estava guardando à tempos, só não esperava que fosse vim de uma forma tão inesperada.

Hey Baek? Você entendeu minha confissão desajeitada?

Acho que eles estão se correspondendo...—Respondeu por fim, dando a entender que os seus batimentos acompanhavam o meu.

Por um momento busquei na minha memória todas as vezes que consegui ser tão aberto e... amoroso com outras pessoas que não fosse a minha família. Quer dizer, em meses Byun BaekHyun tirou camadas minhas que até mesmo para minha mãe era difícil. Poderia ser feitiço, gratidão ou qualquer nome que alguém quisesse dar, mas eu não seria cego ao ponto de não enxergar que tinha algo mais forte, realmente intenso e sem explicações.

—Queria poder te beijar sem parar.—Sussurrei aproximando meu rosto do dele—Você me faz tão bem... Tão bem. Eu gosto disso... sabe? O fato de você corar com coisas assim. Mas não precisa ter vergonha do seu corpo ou receio de falar o que vier a sua cabeça, BaekHyun.

—Não é tão fácil assim, ChanYeol.—Seus olhos desviaram do meu e eu acabei beijando o cantinho de seus lábios.

—Nós somos um casal, Baek. Confiança é tudo!—Sussurrei contra a pele dele que começava arrepiar aos poucos—Você não pode ligar o "foda-se" agora? Palavras não se comparam ao que fizemos no bar do Junn, no meu quarto, no banheiro...—Arrastei o nariz na sua bochecha que desprendia um perfume totalmente particular—  Ao que quero fazer agora... Você não se sentiu incrível quando me provou no bar? Eu me senti incrível e foda demais quando você se retorcia e gemia meu nome na minha cama, quando minha língua te provava todo.

—E-eu me senti incrível te dando prazer sim... —Ele sussurrou ainda corado e com muito esforço voltou a olhar em meus olhos—E bastante foda quando você disse na frente de todos que nós somos um casal, que eu sou seu namorado. Foi...

—A coisa mais certa que fiz em toda minha vida—O interrompi para depois vislumbrar algo que fez meu coração acelerar e dobrar em milhares de pedaços somente para depois expandir com força dentro do meu peito, BaekHyun mantinha umas poucas lágrimas nos olhos e um sorriso tão brilhante que me mastigava por inteiro—E mesmo que seja um preço alto a pagar, estou disposto a correr todos os riscos se você e Eunji estiverem ao meu lado, se vocês somente estiverem me apoiando e me dando força, sinto que serei capaz de fazer qualquer coisa.

Um caminho molhado se fez no rosto delicado que lentamente comecei admirar com olhos mais singelos e sem a luxúria do começo, com as pontas dos dedos calejados interceptei algumas outras lágrimas que queriam rolar até seu queixo e sorri selando seus lábios delicadamente.

Não existia mais o sentimento de malícia ou o desejo desenfreado, pois assim BaekHyun e eu éramos, uma constante metamorfose quando estávamos juntos. Em um momento poderíamos ser o fogo de uma paixão e no mesmo instante transformar tudo aquilo em algo mais simples, menos impulsivo e ainda sim, profundo. Tínhamos a capacidade de transformar radicalmente o ambiente em minutos.

Inconscientemente, aprendíamos a amar mesmo não sabendo o que era o amor.

O meu "eu" interior apostava todas nossas fichas nele e de uma forma sinistra , sentia que não iríamos perder.

—Você também me faz bem, ChanYeol. Você faz com que eu sinta sensações novas, uma maneira diferente de gostar. —Seus lábios roçavam com o meu e em momento algum nossos olhos desviaram—Mesmo com vergonha agora... Eu quero ir até o fim dessa vez.

Suas palavras me deixaram desconcertado, com medo e ansioso.

Eu tinha a certeza que poderia passar anos, séculos, vidas e vidas apenas aproveitando momentos como esse, porém, existia uma realidade com o nome de Park Eunji, a mesma realidade que batia na porta do banheiro incessantemente.

— PAI BAEK! PAI CHAN! VOCÊS ESTÃO VIVOS?—  Ela gritou —  EU NÃO QUERO FICAR SOZINHA, O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO?

— Acho que já temos nossa resposta... — Falei baixo e rindo um pouco — Calma filha! Não precisa quebrar a porta.

BaekHyun desligou o registro da água mais apressado do que minha noona em dia de reunião e saiu aos tropeços do box para pegar uma toalha e enrolar o corpo, ele olhava para mim como quem pergunta "vai ficar parado ai?".

🐷🐘

Talvez eu não fosse o cara tão controlado que pensei que era, na real mesmo, não sou o ser de luz que todos acabam me classificando.

Eu simplesmente não poderia ser considerado um ser iluminado quando na minha cabeça só passava ideias de como torturar certas mulheres que ficavam rodeando o meu namorado.

Tudo bem que ele estava simplesmente irresistível naquela regata que era tão aberta dos lados que se tornou quase impossível não ficar olhando o abdômen que brilhava como uma placa de neon "olhe para mim! olhe para mim!" , não que fosse um "ABS" bem definido... Mas era meu e somente eu poderia olhar para ele. O que ela estava pensando tocando o braço dele e fazendo barulho de hiena?

Acho que meu ódio era tanto, tanto mesmo, que jurei escutar a areia entre meus dedos chorar. O sol forte na cabeça só piorava meu estado emocional, a sede e a areia que insistiam entrar na minha bunda pelo espaço mínimo que tinha na bermuda só potencializava meu espírito ninja assassino.

Eu que deveria tá' fazendo castelos de areia com eles! Eu é que deveria estar rindo com ele, pegando nele.

Não sei bem o momento mas quando dei-me conta, meus pés já estavam me levando até onde BaekHyun estava com Eunji e uma sem sal que parecia uma barata branca e desnutrida.

—Baek?—Chamei com calma—Baek?

A loirinha desnutrida olhou para cima, tampando os olhos com uma das mãos para o sol não incomodar tanto e sorriu, cutucou o braço dele que estava distraído terminando a última torre com nossa filha. BaekHyun olhou para cima, tendo os olhos ofuscado pelo sol e sorriu, levantou rapidamente, limpando as mãos na bermuda e depois entrelaçando nossos dedos.

A garota pendeu a cabeça um pouco e sorriu de lado, levantou em seguida e limpou a areia das mãos no shortinho jeans e ficou encarando com uma cara de paisagem irritante.

—Chan essa é a Tae...— Apontou para a garota que se curvou—Tae esse é o ChanYeol, meu namorado.

Curvei-me com um sorriso presunçoso nos lábios quando BaekHyun me apresentou como namorado. Não que ele nunca fosse fazer algo assim, mas a maneira em que disse tão convicto sem ao menos gaguejar para falar, me surpreendeu bastante e me encheu de orgulho.

—É um prazer conhecer a pessoa que conseguiu derrubar todas as barreiras de Byun BaekHyun, ChanYeol-ssi...—Ela disse colocando aos mãos para trás do corpo e balançando sobre seus pés— Como você conseguiu? Penetrar a fortaleza que o Baek construiu em volta de si, foi algo que tentei durante o ensino médio quase todo e mesmo assim, não obtive sucesso. Qual o seu segredo?

Puxei BaekHyun para o meu peito, dando um abraço meio desajeitado nele, sorri com a visão de suas bochechas coradas e olhei para a garota que observava a cena com uma mescla de sentimentos e sorri —Para ultrapassar as barreiras do Byun, primeiramente tive que baixar as minhas e deixar que ele se infiltrasse como um inimigo...—Sorri ainda mais abertamente com o tapinha que ele me deu no peito—E então quando ele esteve dentro da minha fortaleza e minha guarda estava totalmente baixa, eu fui capaz de chegar até as barreiras dele e as derrubar.—Olhei para baixo e encontrei os olhos brilhosos dele em minha direção, os lábios não precisavam adornar um sorriso pois seus olhos já transmitiam toda a felicidade que estava sentindo—É um inicio de uma longa caminhada, onde nenhum sabe ao certo como vai terminar e mesmo assim, já percorremos muito para chegar até aqui.

Minhas palavras eram espadas de dois gumes, tanto cortava para mim como para ele. Elas saíram não exatamente para afirmar algo para a garota que estava na nossa frente, e sim, para afirmar algo para nós mesmo. Não era necessário dar uma resposta tão extensa para uma desconhecida, porém, senti a necessidade de afirmar para ele o quão profundo me sentia conectado com seu ser.

—Papai?—Eunji surge ao nosso lado segurando seus baldes, um grande chapéu cobrindo sua cabeça.—Estou com fome, podemos comer algo?

BaekHyun se solta do meu abraço e a pega no seu colo, sorrindo logo em seguida. É engraçado o contraste do maiô rosa cheio de babadinhos com a regata preta e indecente que ele usava.

—Vocês querem almoçar comigo?—A danadinha da amiga pergunta. Não não - Na verdade comigo e meu noivo.—Ela cora um pouco. Não não.

—Se não for incômodo e o Chan concordar, será bem divertido.—Ele responde me deixando em uma situação sufocante. Não não não não — O que você acha, ChanYeol?

—Eu?—Pergunto torpe. Não não não não —Sem problemas, será divertido.

Não não não não, o que eu fiz?

Vejo a garota se afastar um pouco, indo em direção a um grande guarda sol e dialogando com um cara bonito e que parece ser tão novo quanto ela.

—Se for incômodo...—BaekHyun sussurra e eu o olho—Eu posso inventar uma desculpa, você sabe né? Não vou te obrigar a ficar no mesmo ambiente que a TaeYeon... não vou obrigar meu namorado a ficar no mesmo ambiente que a minha ex.

Tento engolir em seco, tanto meu ciúme como meu despeito. Sorrindo o mais verdadeiro possível antes de responder—Não se preocupe, pequeno. Ela é ex e eu o atual, com certeza eu sou bem melhor de cama...—Digo divertido, ganhando um soco no peito e uma careta de BaekHyun, Eunji olhava sem entender bem o que acontecia ao seu redor.

—Que cama é melhor papai?—Ela pergunta com o indicador nos lábios, olhando confusa para nós—A sua cama é dura, a do Baek é fofa demais. A minha é a melhor!—Respondeu convencida.

—Igual a do bebê urso?—Baek gargalha, dando mais um tapa no meu peito—Vamos todos dormir na sua cama Eunnie!

—Papai ChanYeol é muito grande—Seus lábios formaram um bico—Eu quero apenas o Baek.

—Eunnie-ah! O oppa é apenas seu.—Ele falou dando de ombros quando o olhei e neguei com a cabeça—Eunji, seu pai ChanYeol é tão ciumento e bobo, não é mesmo?

—Eu não sei o que é ciumento mas tudo bem.

***

Embora a brisa estivesse fresca, o peixe delicioso e a conversa animada, eu não poderia deixar de lado o incomodo que era ter TaeYeon com o poder de fazer meu namorado rir de histórias do passado que nunca passaram na minha imaginação que poderia ter acontecido. Coisas do tipo: "Ah Baek... você lembra da vez em que KyungSoo nos pegou assistindo um filme e bem na hora em que ele apareceu, passou uma cena imprópria? Ele surtou!" ou "Você sabe bem como o Baek é sensível no pescoço, não é mesmo ChanYeol-ssi? Adorava atormentar ele nas aulas."

Eu queria que ela mastigasse a própria língua enquanto fala e tenho certeza que o tal noivo também, ele não parava de encarar a intimidade dos dois com uma careta no rosto. O que mais me deixava maluco era o fato de BaekHyun está tão sorridente e leve com ela, parecia outra pessoa. Sinceramente, não sabia quanto tempo poderia aguentar essa situação.

Na hora da sobremesa eu já não tinha apetite algum e TaeYeon nenhuma boa lembrança ou piada pelo visto. Graças a repentina interação entre meu namorado, Eunji e o noivo, não ficou um clima estranho na mesa. Claro que existia um clima estranho no meu interior, e não! não era minha puberdade gótica se manifestando.

—  Com licença. — Disse antes de levantar da cadeira e fugir um pouco.

Para o meu azar a mocinha resolveu seguir minha ideia e acabou me seguindo até o lado de fora do restaurante.

—Você está com ódio? — Ela perguntou ficando ao meu lado e olhando para as famílias que brincavam na areia mais a frente — Muito ódio?

— Estou. — Respondi sinceramente — Estou morrendo de ódio e meio decepcionado. Queria que você sumisse.

— Lembre-se desse sentimento sempre... —  Ela respondeu, acabei olhando em sua direção e ela me encarava com um sorriso discreto— A decepção machuca tanto quanto o ódio, antes de fazer qualquer coisa para magoar meu amigo, seja de propósito ou não, lembre-se... esse é um sentimento que você quer que ele sinta? Pode parecer idiotice agora mas eu me importo bastante com BaekHyun para te pressionar assim, ele não precisa de mais merda do que já teve a vida toda para lidar. 

 — Eu não sou capaz de ao menos me imaginar fazendo algo que machucasse ele, não precisa se preocupar. Sinceramente, estou tentando entender toda essa preocupação... você por acaso ainda gosta dele?

Ela riu um pouco.

— Eu não gosto dele dessa maneira se é o que está pensando, Baek é apenas um irmão mais novo. Sou bastante feliz com meu noivo, de verdade. — Mas aos poucos seu sorriso foi diminuindo —  Meu medo não é que você o machuque, pois mesmo não te conhecendo bem ChanYeol, posso ver em seus olhos que BaekHyun é alguém muito especial. O que me deixa com medo é o mundo ao nosso redor, garotos que gostam de outros garotos se machucam...  

— Eu sei bem, acho que mais do que ninguém aqui. 

— Você vai cuidar dele, não é mesmo?

— Sempre.   



  🐷🐘  

Acho que no céu existia uma estrela solitária, que brilhava imensamente mas sentia-se vazia e distante de suas irmãs. Ela era realmente linda mas ninguém podia enxergar sua real beleza, na realidade nem mesmo ela enxergava seu potencial.

Então um dia, um astronauta olhou para o céu e fez seu pedido. Ele viu a estrela ao longe, brilhando solitária e sentiu uma empatia; trocou suas dores e dúvidas com o astro que vivia ali. Suas incertezas que pareciam tão grande tornaram-se pequenas pois em apenas observar seu ponto de luz, sentia que tudo poderia ser esquecido.

E sem perceber o astronauta foi se apaixonando, ficando doente de amores. E quanto mais amor sentia, mais longe sua estrela ficava, apagando-se em tristeza e solidão.

Um dia o homem que sonhava em viajar até o espaço sideral orou aos céus e pediu para que seu amor fosse enviado a terra, onde ele cuidaria e a protegeria de todo mal e jamais iria fazer com que ela sentisse a solidão novamente. E o Pai em sua misericórdia enviou um bem precioso para solo humano, deixou que o astronauta abrigasse sua estrela e a cuidasse com amor.

Eles flutuaram em chamas enquanto brilhavam e se amavam, pois era recíproco. A estrela ganhou um novo céu para brilhar e assim já não era mais sozinha.

Agora a estrela estava ao meu lado na pequena varanda da casa, apenas observando o céu na noite escura.

Eunji estava aninhada em seus braços, dormindo pacificamente. E eu não poderia mudar a direção de meus olhos. Ter BaekHyun descansando em meus braços era algo bom, natural.

— Desculpe por hoje.—  Ele disse chamando minha atenção—  Não tinha ideia que a Tae iria implicar tanto, geralmente ela não é assim. Bom, acho que ela deve ter gostado de você.

—  A culpa não foi sua, ela apenas estava preocupada e eu a entendo bem. —  Respondi tranquilo, trazendo os dois mais para perto e aquecendo-os.

— Ela disse algo quando vocês saíram?  

— Disse que a raiva que eu estava sentindo por ela era um sentimento que eu nunca deveria esquecer, pois a decepção machuca tanto quanto o ódio. —  Olhei para seu rosto confuso e sorri —  É algo que não quero fazer você sentir nunca, embora não possa te proteger do mundo, irei protegê-lo do que estiver ao meu alcance.

Ele assentiu e sorriu minimamente, apertando ainda mais nossa filha em seus braços e cantando para que ela não acordasse.

Quando colocamos Eunji em seu quarto e caminhamos até o nosso de mãos dados, existia uma áurea diferente. Como se tivéssemos evoluído anos luz.

Nessa noite enquanto ele tomava banho e eu continuava sentado na cama, olhando para fora como um idiota apaixonado, as palavras da garota pesaram. Eu não tinha qualquer intenção de machucar BaekHyun mas o mundo era cruel e não importava se alguém se machucaria ou não, era apenas a ordem de seguir as leis.

Eram as consequências de nossas escolhas que refletiam.  É o não medo de ser que os assusta. E eu não teria medo de amá-lo.

Escuto passos e sei que estou sorrindo feito bobo pois o canto da minha boca dói um pouco, uma palma fria toca meu ombro e quando olho para cima encontro BaekHyun enrolado no roupão e com as bochechas vermelhas, os cabelos pigando.

 — Aconteceu algo? —  Pergunto meio assustado com sua feição amedrontada.

— Não, é que... —  Ele tenta falar embolando-se nas próprias palavras —  É que...

— Não precisa ter medo, meu bem, você está sentindo algo? Precisa ir ao médico?

— Não é isso,Chan...

— Então me fale o que está acontecendo.

— Eu quero dormir com você mas sem dormir de verdade.

Seus olhos me encaram assustados e seu rosto já não tem um pingo de cor.

— Como assim?

—  Quero fazer... amor com você?! 




"Eu estava amarrado, mas agora estou solto. Minha cabeça está fora do chão, durante muito tempo eu estive tão cansado; Cansado do som, que eu ouvi antes, o incômodo da noite à porta, assombrado pelas coisas que eu já fiz. Preso entre a luz ardente e a sombra poeirenta. Há algumas feridas que não posso consertar, e eu sei fingir e eu estou livre de todas as coisas..."


Notas Finais


https://youtu.be/j9FfYWp_d5w << música cap ❤


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