História Don't Go - Capítulo 23


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Xiumin
Tags Baekxiu, Baekyeol, Chanbaek, Clichê, Kaisoo, Luhan, Minseok, Sehun, Sookai, Xiubaek, Yoora
Exibições 92
Palavras 3.678
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 23 - Deixar uma marca


"Então vire-se, vá embora, antes que você se confunda com o modo que nos abusamos. Você não está com medo de se machucar e eu não estou com medo do quanto eu te machuco..."

Os garotos corriam à todo pulmão atrás da maldita bola e eu apenas os seguia. Futebol americano nunca foi minha praia, era apenas uma forma de ganhar pontos extras nas aulas.

Porém, desde que Jin — O capitão do time e o garoto que fazia aula de culinária — me pediu para ficar após o treino alegando que precisávamos discutir algumas de minhas jogadas e na verdade me levou para detrás das arquibancadas, me beijando como se o mundo fosse acabar, futebol tornou-se meu esporte favorito.

Ele parecia meio tímido depois do acontecido e sempre desviava o assunto ou fugia quando eu tentava conversar com ele a sós. E a situação ia me frustrando aos poucos.

Era final da tarde e eu ia em direção aos armários, precisava correr para guardar alguns materiais e ir direto para o curso de inglês. Me mantinha tão distraído que só notei alguém ao meu lado quando a pessoa fechou a porta do meu armário e se pôs na minha frente.

Era um garoto aparentemente da minha idade, a tez era morena e não tinha traços orientais. Ele era quase da minha altura embora tivesse bem mais músculos. Engoli em seco quando o estranho sorriu de lado e estendeu a mão.

— Você deve ser Park ChanYeol. — Disse com o sotaque arrastado e as palavras embolando um pouco — Meu nome é Esteban, Esteban Amaral. Sou novo aqui, aluno de intercâmbio... — Continuou falando sem jeito enquanto apertavamos nossas mãos em um comprimento ocidental — Alguns alunos me disseram que você era o representante da turma e que iria me ajudar a me situar nesse novo ambiente.

Essa foi a primeira vez em que Esteban se apresentou — Filho de pai militar, era descendente de coreano com uma mistura ocidental. A família do pai não aceitou bem o relacionamento do filho mais velho com uma mulher qualquer, mas acabou cedendo quando o neto escolheu estudar no país natal do pai.

Ele era um ano mais velho e em pouco tempo me mostrou coisas inimagináveis.









***

— Eu não acredito nisso! — Gargalhei pela enésima vez na noite — Você é maluco ou o que?

Estávamos sentados no capô do carro que ele havia roubado do tio, juntamente com cervejas que agora bebíamos como refrigerante. Meus sentidos estavam levemente entorpecidos, mas ainda mantinha um pé na realidade.

— Eu não sabia que vocês eram tão reservados quando se trata em demonstração de afeto na frente dos outros. — Ele defendeu-se entornando a garrafa para que o líquido descesse goela abaixo, traguei grosso e ele percebeu — De qualquer forma, não fiz nada de mais.

— Você beijou a garota na frente da senhora, Esteban. Como assim "nada de mais"? — Falei desviando o olhar e bebendo mais um pouco de cerveja quente. — Você tem sorte, se fosse eu beijando algum garoto com certeza iria apanhar. — Soltei sem querer.

Droga! Mesmo com nossa aproximação nesses últimos meses, ainda não havia falado da minha opção sexual para ele, uma parte minha tinha medo que ele se afastasse e a outra sabia que não poderia existir com o desprezo dele.

Eu estava apaixonado pelo meu melhor amigo.

Esteban não poderia ser mais um na lista de pessoas que tem nojo de quem eu era.

Um silêncio se formou entre nós dois e eu só queria me bater. Tinha estragado tudo.

— Então eu irei bater em todos que ousarem levantar a mão para você.

— Do que você...

Antes que eu terminasse a frase, Esteban me beijou.

Enquanto Jin era a calmaria, Esteban era a tempestade que me molhava naquela noite quente.

— Eu irei bater em todos, quero te beijar todos os dias, na hora que me der vontade.

E ele me beijou novamente, sugando meu ar enquanto deitava naquele carro e a cidade se estendia aos nossos pés.

Eu tinha 16 anos quando o primeiro garoto se declarou para mim.

Tinha 16 anos quando beijei Esteban pela primeira vez.

🐘🐖

— Você precisa relaxar, cariño. — Ele suspirou novamente.

Esteban estava entre minhas pernas, meu corpo se recuperava do orgasmo de alguns minutos atrás mas tudo foi por água abaixo quando senti a intimidade dele forçando um pouco para entrar em meu interior.

Fazia algum tempo que nosso relacionamento estava sério e como era natural, tentávamos ir para o próximo passo. Nunca era completado, quer dizer, existiam as preliminares e era tudo mil maravilhas. Melhores orgasmos e gemidos da minha vida, nem quando me masturbava quando era mais novo se comparava a sensação dos dedos dele me tocando ou a língua me fodendo. O problema era a maldita hora H, a dor me dava vontade de chorar e meu corpo logo tencionava.

— Eu tenho algo que pode ajudar... — Ele falou após algum tempo — Me espera.

Ele andava pelo quarto nu, sem pudor algum enquanto eu queria enfiar minha cabeça no poço mais profundo por estar nu na cama dele daquela forma. Tentei afastar esses pensamentos quando ele voltou e se ajoelhou entre minhas pernas.

Entre seus dedos ele segurava um cigarro estranho, com cheiro de mato queimado. Ele tragou uma vez, segurando a fumaça um pouco e depois soltando no ar, sorrindo como um bobo.

— O que é isso?

Marihuana ... — Disse simplesmente, colocando o cigarro entre meus lábios e me incentivando a tragar. — É para relaxar, cariño.

Na primeira vez, engasguei com a fumaça.

Na segunda, foi mais fácil.

E quando o cigarro estava no fim, já dividia a fumaça com ele.

Meu corpo estava leve, dormente, minha cabeça pesava e minha vontade era de rir. Esteban me acompanhava em todos os movimentos.

Ele voltou a ficar entre minhas pernas e me penetrou lentamente.

Ele riu feliz e eu ri satisfeito.

Foi a primeira vez em que transamos.

A primeira vez que me droguei — A primeira vez de muitas.

Eu tinha 17 anos quando meus passos começaram a desviar.

🐖🐘

Eu podia sentir Esteban chegando ao seu limite, seus gemidos e movimentos iam ficando intensos, enquanto o sentia por inteiro dentro de mim, esmagando meu corpo contra o colchão e o marcando tão violentamente que ainda teria as marcas na próxima transa.

Eu não sentia prazer, não mais, só esperava que ele acabasse logo para que eu pudesse cheirar um pouco. Meu corpo ainda estava levemente entorpecido por causa do baseado que tínhamos fumado antes de começar a transar. Sentia-me um boneco, que ele apenas chegava e fodia como bem entendia, não havia mais troca e por fim apenas comecei a agir como um — No começo eu fingia orgasmos, mesmo nunca chegando ao ápice, para em seguida nem mesmo uma ereção se formar quando ele me estimulava, de todas as formas, acabava sempre do mesmo jeito... Minha cabeça enfiada nos travesseiros enquanto ele metia como um animal.

Seus dedos seguravam forte em minha cintura e as unhas cravaram em minha pele rasgando-a, fazendo o local arder. Estocou mais duas vezes e algo quente e conhecido me preencheu, acabei gemendo arrastando, jogando a cabeça para trás. Havia chegado ao fim, finalmente.

Esteban se retirou rapidamente, deitando ao meu lado e respirando rápido, a mão no peito, o corpo suado e pegajoso, a ereção ainda acentuada. Ele esticou um dos braços e me puxou para que eu deitasse em seu peito. Estranhei um pouco o ato, Esteban não era carinhoso, não mais, mas não reclamei e apenas aproveitei da afeição que não lembrava sentir falta até o momento.

— Você foi ótimo, cariño. A nossa señora blanca está no bolso da minha calça. — Ele disse de forma arrastada com aquele sotaque carregado que no começo do namoro me deixava excitado — Faça as honras, por favor.

Eu não pestanejei um minuto sequer quando ele propôs, levantei da cama e assim que coloquei meus pés no chão, senti algo escorrer por entre minhas nádegas e em seguida um tapa estalado que ele desferiu enquanto ria.

Nosso apartamento era uma bagunça, as drogas jogadas em todos os lugares juntamente com as embalagens vazias de comida. Quando meus dedos tocaram os dois pacotinhos um alívio tomou conta do meu ser que já começava a ficar agitado, minha mão tremia um pouco e eu praticamente corri de volta até a cama, me jogando em cima do corpo que ainda estava nu.

Esteban fez duas fileiras de cocaína em sua coxa, era um ritual desde que começamos a usar juntos, e esperou que eu inalasse. A droga passou por minhas vias respiratórias tão facilmente, meu corpo saudava a sensação que começava a me acordar lentamente. A euforia tomando conta da minha cabeça e instantaneamente meu corpo pulsando em resposta. Ele acariciava meus fios e falava baixinho que eu era um bom garoto e que iria me recompensar muito bem.

Não era como se eu realmente estivesse dando atenção ao que ele estava falando, eu só queria correr até meus pés cansarem, correr até cair no chão. Não me importava se ele iria me recompensar ou não, eu só queria mais e mais.

Ele empurrou meu corpo com brutalidade de volta ao colchão e fez duas fileiras em meu abdômen, depois derramando um pouquinho em minha virilha, lambendo logo em seguida, me deixando duro e fazendo um gemido alto escapar da minha boca. Seu nariz encostou na minha pele e aspirou lentamente como se apreciasse o cheiro de suor que meu corpo desprendia.

Meus olhos estavam vidrados no teto que pareciam pontos bicolores dançando e se misturando.

Eu vou engolir seu pau, cariño. — O escutei distante, falando palavras sujas como sempre.

E ele faz, me engole por inteiro. Sem cessar, rápido e forte, minha glande tocando sua garganta e vibrando com os gemidos que ele soltava, minha boca estava aberta e eu mal conseguia respirar. A droga intensificava o efeito da felação, era a primeira vez na noite que me sentia excitado, foi a primeira vez na noite que fiquei duro, que tive um orgasmo e que gozei tão rápido quanto o efeito da droga que passava.

Eu me sentia vazio.

Estava quebrado.

Viciado.

E só queria mais e mais.

Foi meu aniversário de 18 anos.

🐘🐖

— Yeol-ah! Yeol-ah! — Minha irmã batia na porta do meu quarto como se o mundo fosse acabar.

Com passos trôpegos, consegui me desvencilhar dos lençóis da minha cama e ir abrir a porta.

— Onde você estava? Mamãe e muito menos eu conseguimos dormir a noite inteira! Você estava com ele? — Yoora jorrou as perguntas, a última sendo proferida com nojo — Papai está uma fera, Yeol, já é difícil para ele aceitar que você gosta de garotos e o fato de você passar noites fora e na farra, não ajuda muito.

À medida que ela falava, eu apenas voltava a deitar na cama e ignorar sua existência. Minha cabeça explodia, o sono apenas ia acumulando.

O colchão afundou ao meu lado e logo uma mão de Yoora pousou em meus braços, acariciando os delicadamente e subindo até meus cabelos. Suspirei pesadamente e fechei meus olhos, aproveitando o carinho gostoso da minha irmã.

Yoora era minha heroína e minha mãe era meu porto seguro, doía vê-las sofrendo no escuro. E mesmo amando as duas mais que tudo, eu não poderia me afastar do Esteban. Virei para minha irmã e tentei sorrir, minha aparência não era uma das melhores, mas eu sabia que ela sempre me trataria como o mesmo garoto bonito.

— Você está muito magro, ChanYeol, não dorme mais, não come. Estou preocupada... — Desculpa noona, me desculpa — As suas notas estão caindo, você não sorri mais, anda agitado e paranóico — Eu queria gritar que já sabia de tudo isso e que não dava a mínima — O que você anda fazendo? Quem é você agora? Quem é você, ChanYeol? Eu não te reconheço mais.

Não houve saída, apenas choramos um nos braços do outro. Ela sabia o que estava acontecendo, sabia perfeitamente, apenas tentava me ajudar. E eu sabia disso, e mais ainda, sabia que era impossível voltar atrás.

— Eu o odeio, ChanYeol, odeio o que esse cara fez com você. Quero voltar no tempo e te impedir de ao menos ter falado com ele. — Ela sussurrou contra a curva do meu pescoço, fungando ruidosamente. — Quero meu garotinho de volta.

— Eu o amo, noona. — Respondi de volta, tentando convencer a mim mesmo que meu amor era pela pessoa e não pelas drogas.

Chorei junto com Yoora, desejando ter 16 anos novamente.

Eu estava ruindo.

Desejando voltar no tempo.

O vazio crescia e parecia me tirar ainda mais o fôlego.

Eu estava perto dos meus 19 anos.

🐖🐘

Era uma segunda feira, dia bem atípico para filmes de romance e comida caseira, ao menos para mim e Esteban.

Eu estava sentado no chão do apartamento assistindo à um programa de perguntas, ou fingindo, enquanto ele corria e vez ou outra derrubava panelas no chão. Uma parte minha queria rir do desastre, mas meu corpo estava entorpecido demais.

Traguei novamente o cigarro comum e soltei a fumaça no ar, esperando que ela levasse fora a angústia que tomava conta do meu peito.

— ChanYeol? Desligue a televisão e venha, por favor. — Por favor... ele nunca pedia por favor — Você lembra que disse que queria comer a minha massa um dia? Eu a fiz.

— Isso faz uns dois anos... —  Disse para mim mesmo, levantando e jogando a bituca de cigarro fora — Já estou indo.

Ao menos o cheiro na cozinha era bom, Esteban vestia apenas uma calça de moletom e tentava arrumar a mesinha de forma agradável. Não resisti e gargalhei, o que resultou em um olhar engraçado na minha direção, um sorriso de canto de boca e uma negação da parte dele. Ele aproximou-se vagarosamente e segurou minha cintura, me puxando para um beijo tão calmo e... doce.

Parecia os lábios que beijei alguns anos antes, em um passado que agora parecia tão distante. Meus braços foram para ao redor do seu pescoço, aproximando-o mais, aprofundando o beijo que foram diminuindo para pequenos selares.

Depois de anos, sorrimos cúmplices.

— Cheira bem... — Falei sentando em uma das cadeiras. — Alguma data especial?

— Hoje é um bom dia para cozinhar, você não acha?

Dei de ombros e servi um pouco do macarrão, provando-o logo. O gosto era realmente bom.

— Está bom? — Ele perguntou, puxando a cadeira para o meu lado e provando do meu prato.

— Muito bom. — Disse tentando sorrir verdadeiramente.

Minha vida era um looping de emoções, existia muitas versões de ChanYeol dentro de mim, cada uma com sentimentos e personalidade próprias. Pessoas que se manifestavam facilmente ao lado dele.

— Existe algo que preciso falar com você. — Esteban sussurrou enquanto tocava minha mão — É importante.

— Você precisa de mais dinheiro? — Cortei já sabendo o rumo da conversa — Tudo bem, eu tenho. Quanto é?

Eu não esperei que ele continuasse e me levantei indo até a sala e procurando a carteira, o ChanYeol explosivo agora tomava conta da situação.

Meu ser não estava somente fisicamente machucado, não eram as inúmeras manchas e machucados em minha pele ou muito menos as olheiras em baixo dos olhos, ia além do que qualquer um poderia ver. Meu interior estava quebrado, retorcido, e a cada momento que passava ao lado dele, era um pedaço meu que ia sendo jogando ao vento.

Mas eu o amava, apesar de tudo, eu o amava.

Foi por causa dessa certeza que voltei arrependido. Esteban continuava na mesma posição que o deixei, a cabeça baixa e as mãos entrelaçadas. Suspirei pesadamente porque a culpa agora caía em meus ombros, ele havia se esforçado tanto para algo legal e eu acabava de estragar por causa de um surto.

— Me desculpe, eu não tinha a intenção de ser grosseiro. — Falei baixinho, sentando em seu colo e abraçando seu pescoço — Eu só me sinto explosivo hoje, você... teria algo para relaxar?

Yo solía pensar que la vida es un juego — Ele murmurou em seu idioma — Y la pura verdad es que aún lo creo.*

E ele não falou mais nada, apenas me beijou com fervor, me segurando tão firme entre seus braços que o ar não parecia circular.

Caminhamos até nosso quarto, ainda sem nos separar, dessa vez tinha um gosto diferente, como se suas ações falassem algo. E enquanto ele me despia, me permiti acreditar um pouco na ilusão de que Esteban me amava como antes, que nosso relacionamento não era apenas cinzas, que a luz de nossos olhos ainda não haviam sido apagadas.

A ilusão de que talvez houvesse um amanhã.

Nossos corpos conversaram como nunca antes, sóbrios, sedentos e necessitados.

Quando terminamos, o sentimento de vazio não existia. Nenhuma barreira ou problemas, éramos apenas eu e ele, e a nossa amiga. Desenhei um eu te amo em sua pele e sabia que ele tinha entendido, pois um sorriso bonito apareceu em seus lábios.

Talvez eu não devesse usar tanto, quem sabe a dose fosse exagerada

Talvez eu não devesse confiar em seu sorriso que me incentivava a ir em frente.

Não existia nada bom em mim.

— Feliz aniversário, Yeol-ah.

Eu sorri e a dor no meu peito pareceu não incomodar.

Estava caindo na inconsciência e era bom.

🐖🐘 

Alguém poderia dizer para meu pai que eu sentia muito?

Era tarde demais, tarde demais. Eles me prenderam nessas celas e eu estava sufocando. Meu corpo estava cedendo, quebrando, cada centímetro doía, ardia como a morte.

Poderiam dizer que desisti de lutar, que entreguei a minha última luta de bandeja para meus inimigos. Era tarde demais para uma última prece? Deus iria me ouvir?

Os insetos subiam em minha cama e atormentavam minha noite, o calor era insuportável.

Ninguém poderia me dar algo em que eu pudesse acreditar.

As paredes brancas me adoeciam, me enojavam, me faziam querer acabar com tudo na primeira hora da manhã.

ChanYeol... ChanYeol... você não é mais que um ser miserável... não acredite... não acredite nas músicas sobre o amor... deixe essa ser sua última luta. — Minha mente não queria calar, não me deixava raciocinar, não me deixava livre.

ChanYeol

1

ChanYeol

2

ChanYeol

3

Os segundos eram tão angustiantes nessas celas, alguém me chamava, mas eu não conseguia focar em quem balançava meus ombros.

4

— ChanYeol! — Por fim alguém gritou e meu corpo pulou no pequeno espaço da cama — Acorde! É apenas um pesadelo.

Pesadelo...

Meus olhos abriram lentamente, a luz baixa não me machucava, mas voltei a fechá-los. Não queria ver Sandara vestida em seu manto de pena e compreensão, não queria que minha garotinha visse o quanto eu estava sujo. Tentei levar minha mão até seu rosto magro para enxugar as poucas lágrimas que já desciam, mas elas estavam presas, os pulsos em carne viva, e a minha voz sumiu, morreu juntamente com o meu espirito.

Minha boca abriu algumas vezes em uma tentativa falha de pedir que ela fosse embora e não olhasse para trás, porém, o único ruído que saiu foi um grito entrecortado, cheio de dor e mágoa. Era meu, pertencia ao novo ChanYeol.

E o novo ChanYeol chorou e se debateu, ele sentia raiva e nojo de si mesmo.

— Shhh! — Sandara tocou meu rosto com uma das mãos, aparando as lágrimas antes que chegassem à minha boca, e com a outra tocava meus pulsos machucados — Vai ficar tudo bem, okay? Não se preocupe, vai ficar tudo bem. Estamos ao seu lado.

— Como ele está, Dara? — Minha voz saiu rasgando minha garganta, baixa e falhando — Esteban está bem, não é mesmo?

— Ele está bem, Chan. — Ela suspirou e continuou acariciando minhas cicatrizes — O seu pai quer fazer com que ele vá embora, mas... o bastardo diz não ter dinheiro.

— Esteban não pode ir embora, ele prometeu que não iria! — Tentei puxar minha mão novamente, o que apenas fez com o que me prendia na cama machucasse ainda mais meus pulsos — Sandara por favor, não deixe que ele se vá! Por favor...

— Tudo bem, ChanYeol. Agora durma, vai ficar tudo bem.

Seus dedos seguiram para meus fios ressecados e massagearam meu couro cabeludo. Eu não queria dormir, mas algo me fazia ficar dormente, inerte nessa posição, minhas pálpebras pesavam e a voz de Sandara sussurrando nossa música foi a última coisa que escutei.

As memórias dessa época se tornaram borradas, embora profundas.

🐷🐘

Talvez esse novo ChanYeol fosse masoquista, quem sabe, ele não tivesse vontade de sair do fundo do poço.

Porque apenas talvez, essa seja a reposta para ele continuar sentindo tanto. Lembrando de coisas que apenas abriam as feridas.

A cidade ainda se estendia aos meus pés, porém, não existia Esteban agora, não existiam cervejas quentes e papo furado. A noite era quase etérea e isso silenciou um pouco meus demônios.

As luzes mostravam a vida do lugar, lembravam que pessoas estavam ali — Algumas tristes, outras felizes — e camuflavam os problemas daqueles que assim desejavam.

Quando olho para o carro estacionado vejo Sandara dormindo no banco do carona, minha jaqueta cobre seus ombros e ela parece distante, perdida em um mundo impossível de entrar. Decido voltar para onde ela está e ir embora, acabar com essa tortura psicológica.

Dara não abre os olhos quando o carro entra em movimento, mas sei que está acordada pois sua cabeça foi direto para meu ombro.

— Queria poder gostar de você como mulher, talvez a felicidade fosse mais real. — Segredei ainda de olho na estrada — Se fosse assim, poderíamos ficar juntos e quem sabe construir uma família.

— Você sabe... Nunca é tarde. — Ela respondeu brincando mas no fundo podia sentir uma pitada de sinceridade.

Eu era o fogo que poderia queimar Sandara.

Eu fui o fogo que incendiou nossas vidas nessa noite.

E ela derretia enquanto eu queimava.




Notas Finais


Yo solía pensar que la vida es un juego . Y la pura verdad es que aún lo creo.*  =  Eu costumava pensar que a vida era um jogo e a verdade é que ainda acredito. (Amaral - Cuando Suba La Marea)



https://youtu.be/TYDDQ0iXXNM << música do cap


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