História Don't Go - Capítulo 24


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Xiumin
Tags Baekxiu, Baekyeol, Chanbaek, Clichê, Kaisoo, Luhan, Minseok, Sehun, Sookai, Xiubaek, Yoora
Exibições 103
Palavras 3.002
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 24 - Tormenta


"... como você quer que eu te esqueça se o seu nome está no ar e sopra entre minhas lembranças; se eu já sei que você não é livre, se já sei que eu não devo te deter em minhas memórias, assim é como eu contemplo a tormenta do meu tormento, assim é como eu te quero..."

A minha nova janela tinha a vista de um mercado, geralmente eu descia até lá apenas para escutar o idioma do meu novo país. Os vendedores ficavam em uma briga frenética e era isso que me fazia ri em algum raro momento do dia.

Eram rostos, problemas e sentimentos de desconhecidos para uma fugitiva.

Não consigo evitar um largo suspiro quando a chuva começa cair. O frio acaba transformando tudo ainda mais solitário. Dou as costas para minha janela mas não antes de fechar as cortinas, a pilha de livros que me espera nunca pareceu tão massacrante quanto agora. Os ponteiros do relógio marcava cada segundo como se gritassem o quão horrível fui. Quando sento a frente da mesinha com meu castigo, já não lembro nem mesmo a última linha que li, o último artigo revisado. Talvez o professor Guo ficasse uma fera por minha falta de jeito nos trabalhos anteriores, mas a minha cabeça só conseguia registrar uma única coisa.

Eunji.

Eunji chorando; Eunji sorrindo, dormindo em meus braços.

Minha cabeça só conseguia registrar a falta que a minha filha me faz, pois mesmo querendo dar atenção a outras coisas, memórias e mais memórias do seu cheirinho, do peso, daquele choro assim que ela nasceu, tudo... simplesmente tudo, invade minhas lembranças sem piedade. Por que no meio da noite sinto falta de tê-la ao meu lado, alimentado-se do meu seio ou até mesmo a respiração calminha contra meu peito.  

Pois as dores do parto ainda assombravam meus sonhos, as cicatrizes ainda estava na minha alma lembrando constantemente da minha fraqueza, dos dias vazios.


3 meses.

Eles ainda não descobriram e mesmo assim não estou em paz, tenho medo que o monstro perceba que existe algo fora do lugar. Não tenho ChanYeol ao meu lado e eu nem poderia reivindicar essa opção, não posso destruir o que ele conseguiu com esforço.

Minha total atenção estava nesse longo caminho que tinha pela frente, caminho esse que deveria fazer sozinha e em silêncio. Existe coisas que me assustam mas a pior delas é o monstro que aterroriza meus pesadelos, eu sei bem que ele irá me fazer desistir.

Quando fico em frente ao grande espelho não resisto em tocar a pequena bolinha que minha barriga está e de repente a ansiedade de conhecer esse pequeno ser me preenche.

Saber como é, que tamanha irá ter. Será menino ou menina? Meus olhos ou o do pai?

Mesmo que um caos tenha se instalado desde a descoberta, era impossível tirar a felicidade que sentia ao ver meu pequeno bebê crescendo, ouvir seus batimentos quase ritmados com o meu.

Sim, apesar de tudo meu sorriso tinha um bom motivo para existir.

4 meses


Hoje ele me descobriu e foi uma grande surpresa ele não ter tentado nada.


Quando acordei pela manhã minha cama estava manchada com muito sangue e isso me desesperou, não tenho motivos coerentes para ter gritado por ele mas foi o primeiro nome que saiu da minha boca quando tive voz para pedir ajuda. 

Por um momento achei que teria um pai normal quando vi o horror estampado em sua face e sua pressa em me tirar dali e correr para o hospital mais próximo da nossa casa. Eu sei que não deveria mas um pouco de esperança me invadiu enquanto ele me sentava no banco do carona e colocava o cinto, parecia que havíamos retrocedido no tempo e eu era apenas a sua princesinha que adorava cantar nas viagens de família.

— Obrigada, papai. —Lembro de ter sussurrado antes de dormir um pouco.





Eu tinha a impressão de que algo segurava minha mão, era quente e apertava forte. Porém não passava da minha imaginação pregando peças, quando abri os olhos havia apenas a expressão emburrada do meu pai. Ele me olhava de um jeito que me angustiava, um pressentimento ruim.

Ele não falou nada, apenas deu as costas e saiu pela porta.

Assim como ChanYeol.

Assim como minha mãe.

Eu não deveria chorar, eu não vou chorar. Garotas grande não choram.

5 meses

SangHyun me seguia por todo corredor fazendo suas piadas infames e vez ou outra me arrancando gargalhadas e olhares feios por parte dos visitantes.

Era a segunda consulta que ele me acompanhava, desde que o homem descobriu minha gravidez fez questão de marcar todo o acompanhamento para saber como o bebê estava. Não iria negar o suporte que estava recebendo mas era bem estranho. 

Não era como se ele estivesse se transformando no pai do ano—claro que não, ele quase não olhava nos meus olhos nas raras vezes que estávamos em casa—parecia mais uma obrigação por eu ainda ser dependente dele. Não sei, nunca irei entender o que se passa naquela cabeça. Claro que seu único decreto foi: sem Park ChanYeol.

Era injusto que meu melhor amigo não soubesse que nosso erro teve um resultado inusitado, mas ChanYeol estava tão concentrado em sua vida agora, que isso foi como uma oportunidade para que eu não atrapalhasse seu caminho. Não existe espaço para nós em sua vida, isso é claro.

O fato importante era que finalmente iria descobrir o sexo do ser que agora caminha comigo e mesmo com a hiperatividade de SangHyun ao meu redor, eu não poderia me concentrar em mais nada, pois meus pensamentos estavam repletos de ideias entre rosa e azul. Pode parecer tão clichê mas era isso que me animava nos últimos dias.

—Dara, você já sabe que nome irá colocar se for menino ou menina?—SangHyun praticamente grita ao meu lado.

—Droga! Não precisa gritar! —Digo escondendo o rosto dos olhares feios que vem em nossa direção —E sim, já pensei em alguns.

Tento apressar o passo para manter uma distância segura desse cara. Meu tênis faz um barulho chato contra o chão encerado e isso acaba me fazendo desistir de correr, de qualquer forma faltava pouco para chegar ao consultório da médica.

— Eunji... - Falei baixo mas sabendo que ele iria me ouvir — Eunji se for uma garota e SungYeol se for um garotinho.

Sinto meus ombros serem abraçados carinhosamente e por um momento isso me aquece um pouco. Tento sorri para meu novo amigo mesmo que o cansaço não ajude muito. Sei que ele fez isso para que eu não me sinta tão patética, porque até agora eu tento lembrar de ChanYeol, tento colocar detalhes dele nessa nova criatura. 

— Vamos lá, aposto que vai ser um garoto!

***

SangHyun parece mais agitado e ansioso do que eu enquanto a médica faz as perguntas de sempre, depois do sufoco que passei mês passado, minha atenção precisa ser redobrada e mesmo que seja difícil, estresse é totalmente proibido.

Irônico.

Ela continua com o questionário de sempre, adicionando uma coisa ou outra e quando ela pergunta se estou preparada ou se tenho vontade de saber o sexo da criança, o meu acompanhante intrometido praticamente grita que sim.

Seguimos os três até a maca que fica ao lado dos aparelhos de ultrassonografia e SangHyun quase pulava ao meu lado, tentei segurar o riso mas era praticamente impossível não ser contagiado com sua felicidade. A médica olhava para nós como quem dizia "é ele não é mesmo?" e  eu neguei disfarçadamente.

A primeira coisa que escutamos assim que a imagem apareceu na pequena tela, foi um bater rápido e forte.

 — WOW! Isso é normal?—  Meu acompanhante perguntou surpreso e assustado — Está tudo bem com a criança?

— É apenas o coração. —  A médica falou animada — Incrível não é mesmo?— E sua atenção voltou para o monitor, seus lábios formaram um meio sorriso quando ela voltou a olhar em nossa direção —  Aqui!—  Ela aponto uma manchinha — É uma menina.

— EU FALEI SANDARA, AGORA ME PASSA O DINHEIRO! —  O homem saiu gritando e pulando no meio da sala —  Eunji! É a nossa Eunji!

  — Deixa de ser falso, você falou que iria ser um menino. — Tentei soar irritada mas estava mais feliz do que ele, o que me impedia de sair correndo era apenas a médica passando o aparelhinho na minha barriga — Alguma coisa errada?

— Não, parece que a bebê gostou dessa euforia. Olha só como ela ficou agitada.



6 meses 

Nevava um pouco e eu deveria ficar mais agasalhada para evitar pegar uma gripe mas ficar na varanda da sala tornou-se meu novo vicio e realmente não sentia frio.

Minhas mãos acariciava a barriga que já se tornava pesada, mesmo deitada no chão coberto sentia o peso da mesma e ainda que fosse um peso novo, me fazia feliz saber que minha filha estava crescendo bem e com saúde.

A cada dia era uma nova experiência e a sentir mexer era algo milagroso.

 — Eunnie-ah... você quer que a mamãe cante?— Perguntei para o volume que era minha barriga e como resposta meu bebê mexeu —  Aigoo! acho que isso é um sim, mamãe não canta tão bem como seu papai... então espero que um dia você possa escutá-lo.

Feche os seus olhos e ouça atentamente a minha história, depois da história terminar você vai sonhar. Pequena estrela hoje à noite durante toda a noite eu vou cuidar de você ... pequena estrela hoje à noite durante toda a noite eu... vou cuidar de você.


Ainda que desafinando algumas vezes me sentia realmente feliz em poder mimar nem que fosse dentro do meu ventre o meu pequeno ser. Minha pequena estrela.

Meus olhos foram pesando e fechando automaticamente, todavia, ao longe escutei a porta principal abrindo e talvez a voz do meu pai chamando meu nome, o cansaço era tão grande que não conseguia sequer falar algo em resposta.

Algo quente cobriu meu corpo e uma palma gelada pousou em meu rosto, era um carinho desajeitado mas ainda sim um pouco reconfortante. Uma voz estrangulada e muito, muito desafinada voltou a cantar minha canção de antes e mesmo sendo desagradável eu não me importei.

Quando eu vi pela primeira vez o seu sorriso, eu senti como se tivesse o mundo inteiro, pequena estrela hoje à noite durante toda a noite eu vou cuidar de você ...


— Eu vou cuidar da minha estrelinha, não é?— Falei sem realmente saber o significado das palavras que dizia e o carinho cessou — Não pare, por favor.

Acho que foi a primeira vez que chorei desde que tudo aconteceu.

Lá no fundo eu sabia que não seria possível ter Eunji e eu só queria que o tempo não passasse tão rápido.



7 meses

 — Estou bem, SangHyun! Não foi nada, apenas um susto. —  Tentei passar confiança para o maluco que não parava de correr para um lado e outro — Sério cara, já estou tonta.

E com isso ele parou e veio correndo sentar ao meu lado. SangHyun havia me trazido ao shopping e estava tudo bem até minha pressão cair um pouco, como sempre ele fez um drama que quase me mata de vergonha e eu tentava explicar que era por causa da fome, o que em parte era uma boa verdade.

Agora ele tinha me arrastado até a praça de alimentação e me empurrava milhares de frutas e sucps que tinha encontrado nas lojas de comida natural.

—  Quero comida do McDonald's — Disse fazendo bico — Um copo de coca e um hambúrguer super super gorduroso.

—   Jamais! Jamais, querida. — Respondeu também com um bico e enfiando algo doce dentro da minha boca — Esse tipo de alimento não é saudável nem para uma pessoa normal, imagina uma grávida! E nem adianta me olhar com essa cara de psicopata, Park Sandara! 

E sem sucesso algum na tentativa de satisfazer meu desejo por gordura, mastiguei a fruta que ele colocou na minha boca imaginando que seria um pedaço de bacon.

Era momentos como esse que esquecia um pouco da minha rotina de ficar dentro de casa, torturando minha mente com pensamentos futuros de que daqui a dois meses talvez eu não teria minha pequena em braços. Meu pai não havia falado nada mas no fundo eu sabia que ele planejava algo, e quando ele faz algo, ninguém é capaz de ir contra.

 — Eu vi uma loja onde vende roupas de ursinhos para bebês, o que acha?—  Disse tentando me distrair daquilo que me aguardava daqui algumas horas — Fico imaginando Eunnie em roupas do rilakkuma .

  —  Vamos lá baby. — SangHyun disse mais animado que antes —  Vamos lá torrar o cartão de crédito do seu pai.

— Você não tem medo de ser demitido?

— E ser livre da opressão? Por favor né Dara, até parece que seu pai vai deixar alguém se livrar fácil assim.

Doeu? Doeu sim, pois apesar de tudo a pessoa que denominavam como "demônio" era meu pai e mesmo ele sendo estranho era ruim presenciar isso. Porque sabia que SangHyun tinha razão e isso implicava no futuro da minha filha e no meu.

  —  Sinto muito, Dara... —  Ele voltou a falar com um muxoxo.

— Náh! Vamos lá queimar o cartão de crédito do velho.

8 meses 

Tempo por favor passe mais devagar, é a única coisa que peço. Ainda não estou preparada para a realidade.

Por favor.

Por favor.

Ninguém podia me escutar apesar dos meus gritos, ninguém poderia me proteger apesar das minha súplicas.

Eu deveria me animar, faltava pouco e Eunji não poderia sentir minha angústia. Ela continuava tão quietinha esses dias que chegava a cogitar ironicamente que era a forma dela me tranquilizar e só voltava a mexer quando ficava dizendo que a amava no final da noite.

Eunji, mamãe te ama.

Eu te amo, minha pequena.

Amo você, amo você.

 — Falta menos de um mês. —  Ele disse entrando no escritório onde terminava minha leitura e foi impossível não arrepiar de medo quando escutei sua voz dura — Depois do nascimento da criança, você irá estudar fora.

Tomei um pouco de fôlego antes de o encarar.

 — Para onde nós vamos?— Perguntei já sabendo a resposta.

Nós?— Assim como eu temia — Não existe "nós", Sandara. Existe você indo para a China estudar seja lá o que deseja. Não acha que já fez bastante bagunça?

  — É apenas um bebê, papai. Um bebezinho e querendo ou não, é sua neta!—  Tentei controlar minhas emoções mas lágrimas já escorriam por meus olhos —  Como você pode ser tão maldoso assim? Eu sou sua filha, isso não importa?

—  Não dificulte as coisas. —  Foi o que ele disse antes de sair.

—  Papai!— Gritei sem sucesso.

9 meses 


Tempo eu te peço, leve embora toda essa dor.

As únicas pessoas ao meu lado é enfermeiras, a médica e SangHyun que continua apertado minha mão.

  —  Um pouco mais de força, Sandara!—  A médica Lee disse ofegante — Já consigo ver os cabelinhos.

Empurrei mais um pouco mesmo sentindo que partiria ao meio. A dor era insuportável, o cheiro de sangue me enjoava, o suor me deixava mais pegajosa do que já estava.

—  Empurre!

E novamente coloquei todas minhas forças para empurrar minha pequena —  sabendo que quando ela estivesse no mundo, não seria minha —  e então um alívio veio, meu corpo não parecia responder mais aos meus comandos e tudo parecia girar. Alguns pontos pretos piscavam na minha visão e a sensação era que algo queria me levar.

Talvez fosse o melhor.

Então me entreguei para a escuridão, para a calmaria e paz.


🍁🍁






Dois anos haviam se passado desde o abandono ou seja lá o que digam. Não importa mais.


Andava no mercado do pequeno vilarejo, era um hábito adquirido com o passar dos meses aqui. A pesquisa de campo estava sugando todo tempo que tinha para descansar e era apenas em momentos assim — fazendo compras — que poderia relaxar.


As pessoas andavam com tanto agasalho que era quase impossível perceber rostos ali.


Sentia a ponta do meu nariz gelada e com toda certeza estaria vermelha mas não era importante no momento.


Um click.


Outro click.


E quando viro na direção do barulho, encontro um homem alto com um sorriso no rosto e uma câmera profissional em mãos. Ele se reverencia em minha direção e vai andando aos poucos, eternizando tudo o que achava necessário.


Mas eu não era necessária.


Quando notei já estava correndo atrás do estranho, corria tão rápido que os velhos do mercado gritavam na minha direção. O estranho parecia escorregar por entre a massa de corpos e sumir vez ou outra.


Então ele desapareceu de vez e mesmo não querendo, comecei a sentir o desespero chegar.


— Está tudo bem? — Uma voz de homem perguntou em um mandarim perfeito — Olá?


Tomei o ar quantas vezes foi necessário e quando virei na direção de quem falava, precisei tomar mais um pouco.


Era o estranho que tirava fotos.


Apagar fotos agora! Não é legal! Minha imagem! — Meu mandarim era tão ruim que quis enfiar minha cabeça na terra quando o estranho gargalhou.


Sinto muito, você parecia bem bonita enquanto pensava. Pensei que poderia guardar essa imagem. — Ele respondeu com um meio sorriso e um pequeno furinho apareceu em sua bochecha — Irei apagar agora, não se preocupe.


Dito isso, o estranho pegou sua câmera e procurou as fotos que havia tirado momentos antes.


Pronto. — Disse mostrando a tela e comprovando que não tinha mais nenhuma foto minha — Desculpe o incômodo.


— Obrigada. — Falei baixo.


Já ia me distanciando quando ele volta a falar.


Eu me chamo Yixing.


Virei novamente para ele e sorri, esse chinês era estranho.


Sandara! — Falei mais alto por causa da distância.


Eu sei.




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...