História Don't Go Away - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Sherlock
Personagens D.I. Greg Lestrade, Dr. John Watson, Irene Adler, Janine, Jim Moriarty, Mary Morstan, Molly Hooper, Mrs. Hudson, Mycroft Holmes, Philip Anderson, Sally Donovan, Sherlock Holmes
Tags Angst, Johnlock, Sherlock, Sherlock Bbc, Teenlock
Visualizações 113
Palavras 3.065
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Esporte, Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oie!

Queria dizer que parte desse capítulo eu escrevi escutando a música Skinny Love, na versão da Birdy. Ela me deu muita inspiração para a parte mais final (com angst), então, se alguém quiser escutar/lembrar enquanto lê, fique a vontade.

De resto, desejo uma ótima leitura pra vocês! :)

Capítulo 8 - VIII


Fanfic / Fanfiction Don't Go Away - Capítulo 8 - VIII

Aquele havia sido o ápice. Moriarty destruíra a única esperança do cacheado.
O homem era muito mais inteligente do que Sherlock julgara... Muito mais perspicaz, manipulador e repugnante.

A pedido de Mycroft, o homem ficara para jantar com eles.
Comentou, de forma muito casual, ser professor de Biologia de Sherlock, tendo ficado envergonhado com a possibilidade do garoto não  se lembrar dele e, por isso, não teria se apresentado devidamente.
O funcionário do governo se divertiu com a presença de James, que sempre sabia como agradar a todos. O tão ranzinza Holmes mais velho ficou mesmo feliz em receber o amigo da adolescência!
Relembraram os tempos nos quais estudaram no colégio no qual Sherlock estava, as tardes em que Moriarty era seu tutor... Uma sessão de nostalgia. Uma noite quase perfeita.
Em breves flashes, o cacheado até duvidava que James era o monstro que apenas ele conhecia. Parecia uma pessoa normal, amável e animada...
Entretanto, quando Mycroft deixou o aluno e o professor sozinhos para chamar um táxi para James, a realidade voltou a atingir o mais novo.
O homem deixara claro que imaginou que o garoto pediria ajuda ao irmão e que se algo desse tipo acontecesse, iria se encarregar de destruir a carreira do mais velho.
Se gabou de inúmeras lembranças constrangedoras, e até transgressoras, do outro Holmes. Afirmou com veemência que seriam suficientes para o mais velho não poder trabalhar em qualquer cargo público!
Ainda, como se não houvesse causado o dano esperado, disse estar completamente cansado da relação de John e Sherlock. Sendo assim, deu um ultimato: Se o cacheado não terminasse com o loiro até a última aula do dia seguinte, consequências ocorreriam.
E dito isso tudo, retornou à sua máscara de normalidade quando Mycroft voltou a companhia deles.
O funcionário do governo percebeu certo desconforto por parte do irmão, principalmente pelo garoto ter se apressado em ir para o quarto, mesmo antes do táxi do professor chegar.

Ele até tentou engatar uma conversa após a saída do antigo amigo, mas Sherlock se recusou. Disse que não havia mais nada para conversarem, que tudo estava perfeitamente bem.
Infelizmente, aquele era apenas o garoto tendo que retomar a postura que tivera o dia inteiro: Fingir que estava bem.
Ele não tinha ninguém a quem recorrer. Ninguém.
 

Tudo pareceu acontecer em um universo paralelo. Era horrível demais para ser realidade.
As palavras de Moriarty rondavam sua mente, colocando-o em um transe. E as que mais doíam eram as relacionadas a John.
Como ele poderia terminar com o garoto? Ele era seu único suspiro, o refúgio que o fazia se sentir bem, sua wonderwall.
Apesar de todo o controle emocional que parecia ter, já era declarado que Sherlock estava desesperado.
E, como há muito tempo não fazia, naquela noite, permitiu que as lágrimas encharcassem o travesseiro.
Não tinha mais o que se fazer, não havia mais saída. Ele teria que aguentar aquele inferno, pelo menos até que conseguisse pensar em outra alternativa.
Mas a esperança estava distante, muito distante. A simples menção em perder John fez seu Palácio Mental colapsar, mostrando que não conseguiria pensar em nada até que conseguisse se recuperar de tal abalo.
E dentro do transe, deixou que o corpo agisse por conta própria.

Foi assim durante toda a madrugada, quando o despertador tocou indicando que deveria se arrumar para o colégio e ao chegar no mesmo.
Não se importou ao enfrentar trânsito para chegar ao local e nem ao menos parou para conversar com John. Apenas acenou em retorno ao “Bom Dia” que o loiro sussurrou e sentiu-se aliviado pelo professor de literatura já estar na sala, não permitindo diálogo.
Estar perto de Watson o deixou nervoso.
Foi como se um aviso luminoso surgisse em sua mente, lembrando-o do que deveria fazer. Ele apertava os punhos, mordia os lábios com força... Tentava de alguma forma exprimir a dor que sentia, a raiva. Esses sentimentos cresciam a cada período de aula, com a proximidade do prazo limite.
Ele não podia terminar com John! Aquela era mesmo uma hipótese? Ele nem sabia o que poderia dizer para afastar o garoto assim, tão abruptamente!

Número desconhecido: Tic toc.
                                        Só restam três aulas.


De que forma ele poderia saber que o cacheado ainda não havia conversado com o loiro? Ele nem estava no colégio!
Mas não adiantava gastar pensamentos com isso. Não agora.

Você: Eu preciso de mais tempo.

Ele precisava de tempo para pensar!
Talvez, se ele fosse bom com James... Quem sabe não poderia manter os dois próximos? Ter até a ajuda do loiro para acabar com a situação?

Número desconhecido: Eu quem quero mais tempo. Quero mais tempo com você.

Ele tinha que convencer Moriarty. Ele até entraria no jogo do homem, se fosse preciso!

Você: Podemos nos encontrar mais tarde? Para conversar sobre isso...

Ele não recebeu mais resposta.
O que deveria entender? Ele teria tempo até que pudesse conversar com o professor?
Bem, Sherlock já fazia suas deduções.

Provavelmente as "consequências" que recairiam sobre John seriam acadêmicas...
A personalidade manipuladora de Moriarty indicava que ele iria se valer da posição de professor para prejudicar as notas do garoto, sua reputação para as faculdades.
Era algo terrível, mas que poderia esperar! Ele precisava se acalmar. Teria tempo, nada seria imediato.
Ele continuou sem receber mensagens, considerando que de fato, teria tempo. James era enérgico e com toda a certeza já teria dito algo.

Na saída do colégio, despediu-se rapidamente do loiro. Ainda não sentia-se vitorioso, sabia que aquele pesadelo permaneceria até que ele conseguisse pensar em outra saída.
Mas o ponto alto do horror era se imaginar longe de John e, por tal razão, esforçava-se para não perde-lo.
Por incrível que pudesse parecer, esperava ansiosamente para se encontrar com Moriarty e negociar a demanda.
 

Passou toda a tarde tocando violino, atendando-se a melodias agitadas, que transmitissem a confusão dentro de si. Esqueceu-se de qualquer necessidade, desejando continuar a prática até que seu corpo não aguentasse mais.
Todavia, ouviu seu telefone tocar. 
Percebeu que não era o "número desconhecido" e estava prestes a recusar a chamada. Entretanto, era uma ligação de Greg.

O grisalho costumava ligar quando tinha algum caso interessante na Scotland Yard sem solução aparente.
Um novo caso seria ótimo para que ele pudesse se distrair, parar de se preocupar tanto com as palavras de James Moriarty. Poderia até usá-lo de desculpa para se livrar das abordagens do professor!
Entretanto, a situação era muito diferente.

O estômago do moreno revirou e seu corpo se contorceu, levando-o a apoiar-se na parede mais próxima. Sua respiração parou por, o que pareceram ser, minutos.

Lestrade não ligou pedindo sua ajuda, mas sim para informa-lo de seu paradeiro e pedindo que Holmes o encontrasse. Ele estava em um hospital próximo, pois John havia dado entrada no local após ser agredido por assaltantes.

A primeira coisa que lhe veio a cabeça eram as malditas palavras de Moriarty! Bem como seu silêncio durante o resto da manhã... Ele era um desgraçado obcecado! Ele ultrapassara todos os limites que Sherlock julgara que ele teria!
O homem era imprevisível!
Entretanto, por mais que houvesse raiva, Sherlock foi dominado pela anestesia do sentimento de desespero. Ele precisava saber se o loiro estava bem, se não corria riscos graves.

- Sherlock? – Greg perguntou, diante do longo silêncio.

- Estou aqui. – sussurrou Holmes, lembrando-se de respirar e resgatar o mínimo de consciência para responder. – Qual o quadro dele, Lestrade?

- Ele está bem machucado, mas se manteve consciente durante todo o tempo e os médicos consideram isso muito bom. – era perceptível que os profissionais tiveram que gastar um bom tempo acalmando o policial. – Levaram-no para realizar alguns exames e ele deve estar de volta daqui a pouco. Acho que gostaria de ver você.
A última frase pareceu esmagar o coração do cacheado.
Só conseguia pensar que o fato deles continuarem juntos causou a situação.
Obvio que tudo era obra de Moriarty!
John era pacífico, não reagiria a um assalto... Por que outro motivo os bandidos bateriam nele a ponto de enviá-lo para o hospital?

- Estarei aí em alguns minutos. – o moreno não esperou resposta, desligando o telefone.
Sentia uma pressão em seu peito, estava perdido.
Por que ele não deduziu isso? Por que não ouviu John quando ele disse que a pessoa anônima era maluca e obsessiva? Ou melhor, por que não ouviu o professor Moriarty?
O loiro estava naquela situação horrível por causa dele! Por ele não ter deduzido o óbvio, em diversos momentos e ter subestimado a insanidade do professor, em outros.

Sua mente estava uma confusão, seu Palácio Mental transtornado.
Felizmente, seus pés souberam guia-lo por conta própria, tomando o caminho para o hospital.
O olhar vazio do garoto mostrava a todos que cruzavam seu caminho o quão desorientado estava. E foi quase um alívio quando este conseguiu alcançar o destino.
Usou o mínimo de palavras para perguntar na recepção sobre John, prestando atenção somente nos números do andar e do quarto.
Todas as ações eram praticamente automáticas.
Por mais que o loiro não estivesse correndo sérios riscos, Sherlock não podia aceitar a ideia dele com um simples machucado sequer.

Ele se esforçava todos os dias para ser uma pessoa boa para o garoto, para não o machucar com seus comentários ácidos e sua despreocupação com as convenções sociais.
Esforçava-se para interagir com Donovan e Anderson com o mínimo de respeito, assistia à filmes de suspense dos quais deduzia o final em minutos, fazia programas nunca imaginados... Tudo por John, para vê-lo sorrir. E agora?
Ele poderia ter se esforçado em tantos outros aspectos. E esses aspectos teriam evitado a situação atual.

A mente do moreno despertou quando olhou pelo vidro da porta do quarto do namorado.
O loiro encontrava-se deitado na cama, distraído com algo que passava na televisão.
O olho esquerdo estava inchado, com um hematoma se formando. O canto direito da boca aparentava ter tido um sangramento estancado e os braços... O que fizeram com ele?
Não que houvesse dúvidas, mas agora, era fato que aquela agressão fora desproporcional a um assalto. Tinha sido ordenada!
Sherlock deu alguns passos para trás, a fim de não ser visto por Watson.
E assim que conseguiu respirar fundo, se arrependeu.
Lembrou-se de que, no dia seguinte, John teria sua primeira entrevista com um reitor de faculdade. Ele não poderia aparecer daquela forma!

Droga, droga, droga!
Já não bastava ter machucado completamente o garoto? Precisava tirar uma de suas chances na faculdade que tanto queria?
O moreno sentiu as pernas falharem e se apoiou a uma das paredes. Deixou o corpo escorregar até que se sentasse, abraçando as pernas contra o próprio corpo e repousando a cabeça sobre os joelhos.
Fechou os olhos com força, torcendo para que quando os abrisse novamente, a normalidade voltasse. Torcia para ser apenas um horrível pesadelo.
Outra vez, suas expectativas foram frustradas.
Ele ainda estava naquele hospital, um desastre ocorreu e não havia como voltar atrás. Não havia nada a se fazer para consertar o erro!

Entretanto, era possível evitar que isso acontecesse de novo. Ele precisava se afastar.

O aperto no peito se aprofundou.
Seu maior medo era ser deixado por Watson e agora, ele quem faria isso. Ele realmente faria.
Aquele era o sinal de James, mostrando que não havia espaço para negociações.
Era difícil imaginar suas tardes sem o garoto, suas noites sem telefoná-lo, passar o dia sem segurar sua mão durante o intervalo do colégio...
Em poucos meses, se tornaram hábitos tão agradáveis que o moreno não conseguia mais idealizar uma vida sem tê-los. Foi fácil se acostumar a ter John em sua vida, mas não seria fácil perde-lo.
Ele não queria! Não era justo!

Mas continuar com o garoto seria muito egoísmo de sua parte. Ele aguentaria se outra agressão ocorresse e John não tivesse forças para resistir? Ele não sabia quais os limites de Moriarty e depois de hoje, não queria testá-los.
Jogou a cabeça para trás, olhando o teto iluminado e branco. Os olhos vermelhos, pela iminência em chorar, e a boca igual, por ser tão mordida. Ele estava se contendo de tantos sentimentos!
Mas sabia o certo a fazer.
 

- Olá. – Holmes sussurrou, ao abrir lentamente a porta do quarto.

- Sherlock! – um sorriso aberto se formou no rosto do loiro.

- Que bom que chegou! – Greg se levantou e foi até o moreno, batendo em suas costas. – Eu vou tomar um café, já volto.

- Finalmente me livrei de você. – John brincou, rindo em seguida ao ver a careta do primo.
Ajeitou-se na cama, fechando os olhos com força ao sentir o corpo todo doer. Apesar dos remédios prescritos, a dor permanecia.

- Vai ficar parado aí? – o loiro chamou o namorado com uma das mãos, indicando que ele sentasse ao seu lado.

- Como você está? – Sherlock disse, tentando não transmitir muita afetividade. Não queria que seus sentimentos atrapalhassem.
Aproximou-se do garoto, porém não se sentou na cama. Desviou o olhar para a televisão a frente, sem nem ao menos prestar atenção.

- Bem. – Watson observava a expressão do outro, estranhando. – Greg deve ter exagerado, não é? Eu estou bem, vou receber alta amanhã a tarde.

- Ele não exagerou, John. Você ainda sente dores, fortes aliás.  – os olhos do moreno finalmente se fixaram nos do namorado. Ele percebera todos os trejeitos do corpo, embebido em dor.

- Sim, mas... Devo ser otimista, não? Poderia ter sido pior.
Holmes respirou fundo, já balançando a cabeça.

- Pior? Você vai perder a entrevista na faculdade amanhã! Pode explicar como poderia ser pior? – o tom alto e irritado do moreno assustou John.
O cenho franzido demonstrava a confusão do loiro.

- Por que... Por que você está agindo assim?
Sherlock tomou outra lufada de ar, passando as mãos pelos cabelos. Ele não devia tratar John assim, mas... Talvez deixar o velho Sherlock Holmes, arrogante e irritadiço, aflorar tornasse as coisas mais fáceis.

- Eu sou assim.

- Não, você não é. – Watson começava a se chatear com a atitude do cacheado. – O que aconteceu, Sherlock? Você usou alguma...

- Não, John, eu não usei nada! – Holmes gesticulou com as mãos, sem acreditar na hipótese imaginada pelo outro. – Eu só não posso mais continuar com isso. Com o que nós temos.

O silêncio se instaurou no quarto.
As expressões de surpresa e descrença surgiram no rosto do loiro, enquanto o coração do cacheado batia rapidamente, sem acreditar no que acabara de dizer.

- Vo-você está brincando, né? - a respiração de Watson era pesada. - Isso não tem graça, Sherlock. É... inapropriado!

- Não é uma brincadeira, estou apenas parando de enganá-lo. Esse sou eu.
O cacheado olhava para todos os cantos do quarto, exceto onde o namorado estava. Ele precisava ser forte, mas não confiava em si mesmo quando fitava aqueles olhos tão queridos. Sabia o quanto aquilo iria ferir John, pois sentia a mesma dor em si.
Àquela altura, todo o corpo do loiro havia paralisado. O assalto, a violência e agora... Sherlock o deixando? Qual a razão daquilo tudo acontecer junto?
Ele esperava encontrar o conforto de sempre no namorado, mas teve exatamente o contrário. Sentia que ia vomitar a qualquer instante.

- Me diz que não é verdade, Sherlock. - choramingou, quando o corpo voltou a responder aos seus estimulos. - Por favor.
Por mais impossível que fosse, o coração do moreno foi ainda mais pressionado. Ouvir aquele tom de voz, aquela súplica... Ele era forte o suficiente?
Céus, o garoto acabou de sofrer um grande trauma e lá estava ele para piorar a situação! Não seria melhor ter esperado?
Holmes estava prestes a voltar atrás, seu corpo pensando em se livrar de toda a tensão e correr até a cama do namorado. Entretanto, uma mensagem de texto chegou a seu celular.
Não precisava de muita dedução para saber que se tratava de James Moriarty... Assim, a tensão se manteve.
Ele precisava fazer aquilo ou John poderia sofrer ainda mais. Ele não poderia deixar a pessoa de quem mais gostava no mundo sofrer! Erros demais já foram cometidos.

- Sinto muito por tê-lo feito acreditar em utopias, John. - Sherlock precisou fechar os olhos com força para dizer a frase. - Creio que seja melhor eu ir.
As lágrimas se acumulavam nos olhos do loiro, que olhava para o outro sem reconhecê-lo. Sherlock nunca usara aquele tom de voz com ele, ou sentenças rebuscadas.
Quem era ele? O que estava fazendo?
Será que estava certo? Enganou-o durante os últimos meses?
Os pensamentos faziam-no derramar as lágrimas acumuladas, sentindo uma dor fora do comum. E inusitadamente, ela não vinha dos machucados adquiridos, mas sim da perda.
Holmes fechou os punhos com força, controlando-se para não puxar John para seus braços, dizendo que tudo ficaria bem. Vê-lo daquela forma era tão devastador que ele sabia que não aguentaria mais tempo.

- Desejo-lhe uma boa recuperação.
As palavras agravaram a crise de choro do loiro, fazendo Sherlock praticamente correr porta afora.

 

Seu limite foi atingido. A quantidade de sentimentos produzidos no quarto de hospital levaram o cacheado a um elevado nível de perturbação.
Assim que saiu do local, sentindo a brisa da rua lhe atingindo, começou a correr.
Queria estar o mais longe possível de John, mantendo-o afastado de sua toxicidade. Ele devia cortar todas as relações com o loiro, deixá-lo ir.

Ele corria, como se, de alguma forma, fosse conseguir se livrar dos pensamentos e sentimentos. Ele deveria se arrepender desde o começo? Se arrepender do momento em que falou com John pela primeira vez e cedeu para que fossem uma dupla na aula de Biologia?
Não.
Para alguns seria egoísmo, mas Sherlock não poderia se arrepender da única luz que teve em sua vida naquele último ano.
Ele poderia sim, se arrepender diariamente, por não ter utilizado toda a ciência da dedução nos momentos corretos. Sua crença de que ciência e sentimentalismo deviam andar separadas acabara de o atingir com um soco no estômago.
Ouvir a intuição de John sobre a pessoa anônima, deduzir sobre ela... Simples ações teriam salvo seu relacionamento, sua liberdade, sua felicidade.
Por que deixou que tudo se esvaísse assim?
Durante os meses compartilhados, ele se lembrava de ser paciente, bom, estável, gentil... Era o que John merecia, era o que tornava Sherlock uma pessoa melhor, era o que fazia ambos felizes.
E agora... Ele tinha destruído tudo. Pior, ele tinha sido obrigado a destruir tudo.


Notas Finais


Bem, foi isso.
Prometo que esse foi o último capítulo com tanta tristeza concentrada. Hahaha A partir de agora, o tempo vai passar mais rapidamente e logo as coisas vão caminhar para que Sherl se veja livre novamente.
E eu não tenho medo de dizer isso, porque finais felizes são a minha religião. Só me propus mesmo a escrever esse angst porque será passageiro!

Obrigada a quem vem acompanhando, comentando, interagindo... É maravilhoso, mesmo! <3 <3 <3


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