História Dont Let Her Go - Capítulo 1


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Minha mãe não sabe quem eu sou.


Fanfic / Fanfiction Dont Let Her Go - Capítulo 1 - Minha mãe não sabe quem eu sou.

Eu odeio a ideia de estar partindo. De novo e de novo. Numa vida e outra. Eu senti falta de um monte de coisas, de pedaços que perdi durante aquela caminhada. Morrer dói. Dói muito. Mas isso me amoleceu um pouco mais.


Justin Bieber POV.
Universidade de Sydney
Sydney | Austrália

Meu corpo reage ao pesadelo que tive na última madrugada. Eu caia, meus braços e pernas balançavam insensivelmente pelo abismo que ali crescia cada vez mais. Agora, posso sentir o suor descer às pressas pelo meu rosto, que parece queimar com os raios solares que entram através da brecha na janela.

Meus olhos rodopiam pelo quarto. A cama de Ryan está vazia e o relógio marca exatamente nove horas da manhã. Lembro-me de uma dor pontiaguda no coração, que se alastrou vagarosamente pelo meu corpo até alcançar as narinas e dali sair a pasta sanguínea com a qual me sufoquei. Talvez tenha sido apenas coisa da minha cabeça, mas agora tudo gira.

Eu estou bem, suponho.

Flexiono o peito para frente e bocejo, logo após dar uma checada completa em meu corpo entre os lençóis de algodão. Um frio horrendo e incomum encapuza minha barriga um pouco antes de eu me sentir estável de novo.

Eu devo ter tido uma longa noite de bebedeira. Essa deve ser a razão da ressaca de hoje.

Dessa vez, passando a ponta da língua no esboço da boca, sinto um gosto enfraquecido de vodca e ferrugem, mas quando decido ranger os dentes no canto dos lábios, percebo o sangue descer pelo queixo e pingar ligeiramente no lençol que uma vez fora branco.

Passo o indicador na região ferida e, num ato automático, assisto à mancha vermelha e pigmentada se afundar entre as linhas quase invisíveis do meu dedo.

A porta é aberta. Logo percebo a correria que há no corredor do dormitório.

— Justin, você está atrasado. — a voz de Ryan deixa o canto distante do quarto para conseguir me pegar do outro lado deste. — Quer mesmo perder uma aula da senhorita Williams?

O rapaz, ao adentrar, tropeça nos próprios cadarços e, para não receber um golpe do chão com tábuas corridas, pousa ambas as mãos no criado-mudo ao lado de sua cama, à direita do quarto.

— Merda! — ele pragueja. — Esqueci meu livro de anatomia. Você o viu por aí?

Digo que “não” e permaneço balançando a cabeça, como se estivesse preso num círculo vicioso.

— Está tudo bem? — Ryan continua revirando seus pertences e só fica quieto quando encontra seu livro debaixo da cama, perto de alguns tênis e meias. — Parece que viu um fantasma.

— Tive um pesadelo. — é a primeira vez que ouço o som da minha própria voz desde que acordei, desde que me livrei daquela sensação de agito constante. — Eu não me lembro, mas sei que não era coisa boa.

— A gente pode falar sobre isso depois. — seus dedos rebeldes jogam alguns fios dos cabelos para trás, deixando os olhos azuis mais evidentes e risonhos. — Você tem dez minutos.

Sozinho, resolvo fazer meus passos anteriores, os que me guiaram até a cama na última madrugada. Apanho minhas roupas do chão, a caminho da porta, e vasculho os livros que costumo deixar sobre a grande mesa na qual estudo em dias turbulentos.

Não tenho tempo para banho, embora pudesse me fazer esfriar a cabeça. O jeans em minhas pernas cai desesperadamente, mas é camuflado pela camiseta branca que decido usar. Olho instantaneamente para o livro de anatomia enquanto ando até o campus.

Ryan está fumando. Ele é um viciado. Pelo convívio, me acomodei àquela roda de fumaça que está sempre presente. Agora, posso notá-lo apreensivo.

— A vagabunda da Denise me deu um fora. — ele lamenta, apesar de soar de um modo meio ríspido. Segundo minha ilimitada experiência com sua personalidade meio esnobe, é apenas questão de tempo até vê-lo fissurado em uma outra garota. — Passei a noite toda tentando convencê-la a me dar mais uma chance.

— Patético! — apoio uma das mãos no tronco da árvore que nos protege do sol desta manhã. — Há muitos peixes no mar.

— Bem, agora eu quero a Benson. — seu cigarro chega ao fim, deixando-o ainda mais irritado com a indiferença que destaco nos olhos. — Ela não é tão inalcançável quanto pensamos.

— E tem uma comissão de frente espetacular. É o mais perto da “garota perfeita” que você há de chegar em toda a sua vida.

— Uma transa não me cairia mal.

— Depois você a deixa livre para mim.

Nós rimos, apenas.

O campus está sendo alvo de uma grande onda de pessoas, e cada uma delas carrega sonhos e ideais distintos, passando por mim como um obstáculo, somente.

Resolvo dar um pontapé enquanto ando até o prédio onde terei a primeira aula de anatomia hoje. Carrego no braço direito, meu jaleco. Na junta entre ele e o antebraço, deixo firme o livro da matéria. Mas um golpe eminente me faz perder a segurança com a qual caminhava e tudo escapa dos meus dedos. Os testes que estavam soltos entre as folhas do livro voam pelo campus como o bater de asas de uma mariposa. Contudo, apenas os olhos pequenos e inocentes dela roubam o meu interesse, me limitando a qualquer ato sequente.

Passo um bom tempo perdido na grande galáxia que Selena Gomez carrega em cada uma das orbes castanhas que circulam suas pupilas. Elas dilatam fortemente com a visão do meu estupendo mau humor. Não percebo quando meus lábios afinam através do sopro de exaustão que escapa dentre eles.

— Você não olha por onde anda, garota? — meus punhos se fecham com o contato da grama. Tento não olhar para um canto acima de seus cabelos escuros, pois o sol forte se infiltra nos fios negros e eles caem pelo seu rosto de boneca.

— Me desculpe. — sua voz não ressoa. Ela invade fragilmente meus ouvidos, quase parando num deles. — Eu não te vi.

— Por um acaso você é cega? — reviro os olhos com a ideia de ter que recolher todos os papéis.

As mãos de Selena passeiam rapidamente pelo gramado, seus dedos se juntam quando recolhem alguns dos testes de anatomia que recebi na última aula.

Agora de pé, passo a mão na calça e penduro o jaleco num dos ombros, apenas para ter acesso aos papéis que Selena tem entre os dedos. Eu os puxo, indelicado. Seu corpo treme diante do sol que o banha essa manhã.

— Idiota! — xingo.

Então, cruzo-a depressa, mas seus cabelos escuros se movimentam de uma só vez, golpeando minhas costas de um modo que chicoteia dolorosamente a pele onde alcançam.

— Por que você me odeia tanto? — ela pergunta, alto o suficiente para me fazer olhá-la outra vez. E isso acontece. Talvez por cinco segundos ou mais.

— Porque você me irrita.

A garota respira fundo, cabisbaixa. Aperto as folhas em minhas mãos, amassando cada centímetro delas, sem um motivo considerável.

Na classe de anatomia, Selena se senta numa das primeiras poltronas. Seus cabelos continuam tampando todo o seu corpo miúdo, circundando uma boa parte dos braços e costas. Ela se vira calmamente quando Ryan arremessa uma bolinha de papel contra sua cabeça. Os olhos de Selena crescem de medo, mas saltitam em direção à senhorita Williams.


*

A caminho do dormitório, continuo com a ideia aleatória de ir à festa que algumas garotas da faculdade darão à noite, numa república próxima ao campus, apenas para festejar o início da primavera.

Encaro o ecrã do celular por alguns instantes, pensando se devo ou não atender à ligação do meu pai. Ele não dá notícias há semanas, mas agora, com uma certa insistência nessa manhã, acredito que há um bom motivo para o seu surgimento repentino.

— Oi, pai? — ele balbucia do outro lado, um pouco antes de responder.

Liguei para te lembrar que hoje é o aniversário da sua mãe. — sua voz chiante parece um tiro certeiro em meu estômago, ou talvez um tanto pior do que isso, a julgar pelo seu tom sério e impaciente.

— Mande lembranças a ela. Diga que a desejo tudo de bom. — tento desvencilhar-me do assunto, mas seu resmungo na linha me deixa incomodado.

Eu não poderei visitá-la, Justin. Estou do outro lado do oceano. — pisco forte, sabendo o que vem a seguir. — É dever seu dar às caras pelo menos uma vez.

— Você sabe que eu odeio ir àquele lugar.

Sua mãe sente a sua falta.

Minha mãe não sabe quem eu sou.

Achei que você fosse maduro o suficiente para entender a situação pela qual ela está passando. — o soluço que escapa dos meus lábios parece ceder ao sermão do meu pai. — Leve flores e seja gentil. Ela te ama.

O que vem a seguir não passa de “tu-tu”.

A casa em que Pattie vive fica há vinte minutos do campus. Um pouco mais distante caso eu abra mão de algum tipo de transporte.

Desço do carro com a imensa vontade de retornar ao banco e fundir o rosto no volante. Eu passei muito tempo escolhendo encarar o pára-brisas, até que a coragem veio à tona e eu decidi sentir a brisa da tarde com mais intensidade.

Relutante, passo pela porta, logo depois de cumprimentar Annie.

Pattie está no segundo andar, sentada próxima à janela enquanto encara o dia lá fora. Está bonito e quente.

Limpo a garganta. Ela levanta seus grandes olhos azuis e sorri.

— Feliz aniversário! — a mulher encara gentilmente o buquê de girassóis que seguro.

— São as minhas prediletas. — ela se movimenta depressa, arrebitando o nariz. — Como você sabe que hoje é o meu aniversário?

— Sou eu. — entorta a boca, ainda sorrindo. — Sou o Justin, não se lembra? Seu filho.

— Justin? — Pattie parece confusa, mas continua admirando os girassóis. — O meu filho está na faculdade. Ele faz medicina.

— Sim, eu faço medicina.

— Você não tem cara de doutor, rapazinho. Como se chama?

— Justin, mãe. — seus olhos azuis se fecham instantaneamente. — Eu sou seu filho.

— Justin... É mesmo você?

— Sim.

Ela sorri de orelha a orelha, então agarra meu corpo com suas pequenas mãos macias e amáveis, me abraçando de um modo reconfortante, admito.

— Eu senti sua falta. — balaço a cabeça, apenas. — Por que você está aqui?

— É o seu aniversário, não se lembra? — ela torce os lábios e nega. — Como você está?

— Bem. — há uma pausa. Mamãe arrasta as mãos pelo meu rosto e acaricia minha bochecha com a ponta dos dedos. — Você está lindo! Sua mãe deve sentir muito orgulho de você.

— Eu não sei. — sussurro.

— Qual é o seu nome?

— Justin.

— O meu filho também se chama “Justin”. Ele está na faculdade. 

Passo a língua nos lábios, então resolvo me afastar aos poucos. Ela nota esse movimento sútil e sorri.

— Eu preciso ir. — verbalizo, agora com a maçaneta da porta nas mãos. — Feliz aniversário!

Desço viciosamente as unhas pelos braços, sentindo os pelos do meu corpo se eriçarem com o nervosismo que invade o meu estômago e cresce até o coração. A sensação é horrível. Quero vomitar todo o desconforto que sinto quando deixo a casa dela. Respiro apenas para saber que ainda estou bem, que sobrevivi àquilo mais uma vez, após muito tempo tentando fugir.


(...)

Minha presença aqui não parece tão formidável assim. Fiquei muito tempo pensando sobre a tarde exaustiva e sufocante pela qual passei um tempo antes do sol se pôr. Agora, é como encarar a escuridão de um vácuo e procurar por alguma brecha de oportunidade e confiança.

Eu estou sobre o muro. Estou entre beber mais um copo de tequila e voltar para o dormitório, escapando de Alisha. Ela pressiona os dedos em meu queixo, mas meus olhos se perdem no vazio da noite.

— O que está acontecendo com você? — sua voz serve apenas para me despertar. Meus braços se enrijecem e eu afasto o taco das mãos, deitando-o na grande mesa de sinuca. — Qual o problema, Justin? Você está tão estranho hoje.

— Não estou com cabeça para festas. — apanho minha jaqueta e vasculho os bolso da calça, em busca das chaves do carro e do quarto que divido com Ryan. — Eu te ligo amanhã.

— Vai mesmo me deixar sozinha aqui? — a morena aperta a própria cintura, depois cruza os braços, impaciente.

— Eu já te deixei sozinha antes, por que não deixaria agora?

O conforto do meu carro me deixa levemente entorpecido. A estrada vazia me faz delirar, mas por alguns segundos. São onze e meia. E o alerta de chamada em meu celular caído no banco ao lado só me deixa a par de um forte latejamento por trás da sobrancelha.

Está chovendo. O tempo fechou repentinamente quando cheguei à república.

Ao levar o olhar até o aparelho, rosno. No entanto, ao retornar os olhos à estrada, todo o meu corpo sofre um sobressalto e é altamente protegido pelo cinto de segurança. Um movimento brusco foi o resultado do pequeno susto que senti. Pisei tão fortemente no freio que meu coração bateu a mil, quase conseguindo saltar para fora do meu peito.

Os faróis iluminam freneticamente o rosto dela. Seus olhos grandes e castanhos estão assustados enquanto meus batimentos cardíacos cessam conforme me acalmo. De segundo a segundo, mais eu tenho a certeza de que estou passando por um momento de instabilidade.

Selena Gomez!

Eu quase atropelei Selena Gomez. E ela continua ali. Parada sobre a faixa de pedestre como se seu corpo estivesse imobilizado pelo momento. Então, seus pés caminham até o outro lado.

Com o tempo, seu rosto vai desaparecendo no meio da noite, até que o carro volta a pegar velocidade e me tira daquele lugar que mais parecia querer me engolir.

Eu poderia tê-la oferecido uma carona. Seu dormitório fica ao lado do meu. Talvez fosse o mínimo que eu pudesse ter feito, mas por que eu iria querê-la no mesmo lugar que eu?

O quarto tem um cheiro forte de mofo. As camas continuam bagunçadas, assim como o restante das partes. Passo algum tempo colocando alguns livros no lugar.

Ainda estou molhado, as roupas grudam em minha pele.

Por fim, eu grito quando uma dor pontiaguda surge em meu peito, como aquela que eu senti num sonho. Essa dor se alastra pelo meu corpo, me deixando trêmulo sobre a cama. A garganta fecha, as narinas entopem e o sangue desce por elas. Parece um ferimento grave que cresce em meu coração, deixando-me vulnerável.

Respiro fundo quando tudo acaba. O travesseiro está ensanguentado, assim como os lençóis que enlaçam a cama. Meu corpo, ainda intacto, prefere continuar estirado sobre o colchão, assim eu tenho a oportunidade de pegar no sono.

Fecho os olhos, e quando os abro, são três e vinte e sete da madrugada. O sangue em meu rosto já está seco, mas atrapalha minha respiração.

No criado-mudo ao lado da cama, vejo quando meu celular vibra, dando espaço para o alerta de uma nova notificação. Passo as mãos no rosto e ergo o corpo, sentindo uma dor muscular crescer com cada vez mais facilidade.

Meus dedos debatem-se rapidamente sobre o ecrã do aparelho, e meus olhos ardem com o que veem.


“SELENA GOMEZ ESTÁ MORTA”


Notas Finais


Olá, galero!
Eu estou me inspirando em três fucking livros para escrever essa história. Ela é um pouco complicada no começo, mas aos poucos vocês vão percebendo as coisas. A sinopse entrega bastantes coisas, mas não tudo. Eu sei que muita gente não “curte” fanfics que caminham num mundo alternativo, mas peço que deem uma chance, pois acho que vocês vão gostar dessa. Eu estou animada. Terão muitos personagens e “vidas” diferentes. Terão 10 capítulos e todos serão narrados pelo Justin.
Eu estou muito ansiosa mesmo para saber o que vocês vão achar, pois é o enredo mais diferente que eu já trabalhei. Então, espero que gostem.
Aguardando minhas leitoras fiéis!
Beijos ❤️

obs: capa paralela.


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