História Don't Touch Me - Capítulo 36


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Bangtan, Bts, Hoseok, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Kookie, Namjoon, Seokjin, Tae, Taehyung, Yoongi
Visualizações 59
Palavras 1.786
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


~Broteii

MEU DEUS!! +70 DE FAVS!! OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA!!
AMO MUITO VOCÊS!!! ❤ ❤

Mas sem enrolação, boa laytura e desculpe qualquer erro ><

Capítulo 36 - The Way Back


Quando abri os olhos, voltando lentamente do sono, ela estava ali.

Não era a primeira vez que isso acontecia – que ela me via dormir e era a primeira pessoa que eu encontrava ao abrir os olhos.

Kaeun.

A menina que eu, de certa forma, quis ter como amiga. Tão parecida comigo e tão diferente.

A menina que não era feita de espinhos, mas sabia rasgar sentimentos com palavras e olhares.

A menina que eu gostava de seguir pelo roseiral anos atrás, tentando entender como era ser normal.

Ela estava agora ao lado de minha cama no hospital.

Hoseok apareceu rapidamente na porta. Tinha a expressão preocupada e, certamente, não queria me deixar sozinho com ela.

-Está tudo bem – eu lhe disse, e ainda relutante, ele afastou-se, deixando-me sozinho com minha visitante inesperada.

Assim como havia sido em nosso reencontro silencioso no roseiral, trocamos um profundo olhar. Desta vez, porém, ela viera totalmente desarmada.

Sem que precisasse dizer, eu sabia que ela não estava ali para me ferir.

Assim como ela sabia que eu a perdoara.

-Eu... Trouxe algumas rosas vermelhas – ela disse meio sem jeito.

Olhei para a mesa que ficava ao lado da minha cama. Havia um lindo arranjo ali, com as rosas vindas do meu – nosso – roseiral.

-Você adivinhou que elas são minhas preferidas.

Rimos timidamente daquilo tudo, um pouco constrangidas.

Kaeun era uma pessoa especial em minha vida em tantos níveis que eu mal sabia o que sentir ao tê-la ali do meu lado. Aquilo significava muito.

O marco em minha – nossa – história não foi quando eu quis ser como ela, sem espinhos, mas quando quis ser diferente. Totalmente diferente.

Naquela vez em que ela me magoou e eu quis feri-la com meu veneno, ela mesma me lembrou da bondade que havia em mim.

E esta história sobre minha vida é também sobre bondade.

Foi Kaeun também quem despertou o mais profundo sentimento de padrão que já vivenciei. É difícil descrever o quanto ele é poderoso. O padrão, sim, remove montanhas.

Kaeun era bonita por dentro e por fora principalmente porque era cheia de falhas, e ela me deixava ainda mais bonito porque sempre foi capaz de despertar sentimentos lindos dentro de mim, intensos e reais (não necessariamente perfeitos), que me ensinariam a viver a vida como deve ser.

Na primeira vez em que a vi, ela me fez sentir algo tão mesquinho quanto a inveja. Mas isso não durara, porque não vinha da minha alma. Já a bondade e o perdão, sim.

Conversamos poucas vezes ao longo da vida, e a maioria das palavras que trocamos foram ofensivas, mas ela havia me ensinado tanto que eu jamais seria capaz de agradecer-lhe à altura.

Eu derramei uma pequena lágrima naquele momento.

E Kaeun sorriu para mim.

Derramei mais lágrimas ainda ao perceber por meio de seu sorriso que já não havia preconceito ali.

-Obrigado por ter vindo – falei.

-Eu precisava – ela respondeu.

-Eu também precisava que você viesse.

Alguns dos espinhos de meu coração pararam de doer e eu respirei em paz. Era uma paz completa e profunda, que durou apenas alguns segundos, mas que marcou um desfecho em minha vida.

Realmente, havia beleza em tudo e em todos, e Kaeun foi uma das pessoas que mais mostrou isso a mim.

Era estranho pensar, mas eu a amava.

Porque nas histórias não devemos amar apenas os mocinhos, é preciso amar também os vilões.

-Você gosta de filmes? – perguntei, ligando a TV.

Ela fez que sim, e puxou uma cadeira para se sentar próxima a mim.

Assistimos dois filmes seguidos, e até mesmo nos momentos em que as enfermeiras me trouxeram refeições ou medicamentos, ela continuou ali me fazendo companhia.

Appa e os meninos, incluindo Jungkook, entraram algumas vezes no quarto para ver se estava tudo bem, mas entenderam que precisavam nos deixar a sós naquele dia.

Quando chegou a hora de nos despedirmos, Kaeun, como sempre, não disse nada.

Ela ficou parada me encarando e nós trocamos histórias inteiras através de nossos olhares.

E quando ela já se afastava e caminhava em direção à porta para sair, eu disse:

-Eu sei por que você veio hoje.

-Por quê?

-Porque você é minha amiga.

-x-

 

Minha saúde piorou consideravelmente nos dias que se seguira e passei a sentir dores cada vez mais insuportáveis.

Mal conseguia fazer alguma coisa sozinho, e precisava que me deslocassem em uma cadeira de rodas nos raros momentos em que deixava o quarto do hospital.

Estava cada vez mais fraco e abatido e o cansaço me dominava, já que era necessário me superar até mesmo para respirar.

Ligado a vários aparelhos, permaneci no hospital por vários dias em sequência.

Obviamente, já não ia trabalhar há várias semanas e, mais que nunca, eu sentia falta das rosas. Sentia falta do perfume invadindo minhas narinas e aquecendo meu coração, das pétalas afagando meus cabelos e dos espinhos reconfortando meus próprios espinhos, como um lembrete de que eu não estava sozinho em minha sina.

As rosas também adoeciam, também partiam deste mundo. Eu não seria exceção.

Por mais doloroso que estivesse sendo minha partida, eu não tinha escolha. E ao ver a tristeza de Appa, dos meus amigos e de Jungkook, comecei a questionar minha própria postura.

Eles estavam tristes porque eu estava triste, e isso era extremamente egoísta da minha parte.

Apesar de todas as dificuldades, eu tinha vivido uma boa vida. E, se podia afirmar essa frase sem titubear, devia isso às pessoas que me fizeram compreender que o amor é mais forte que qualquer pedrada, mais ousado que qualquer espinho e mais que qualquer tristeza.

Eles não mereciam me ver mergulhado num oceano de inconformidade.

Toda rosa foi um dia um botão. E então suas pétalas se abrem, seus espinhos prosperam, sua vida brilha e se glorifica. Perfuma e embeleza. Em seguida, ela murcha e se vai.

Minha vida merecia ser celebrada, e eu ainda podia tirar forças dos sentimentos gigantescos que me habitavam e partir com resignação e amor pleno, apesar das lágrimas, que seriam inevitáveis.

Só que essas lágrimas não precisavam ser carregadas de tristezas e desespero, mas sim de emoção e gratidão, por ter vivido uma vida com espinhos e ainda assim ter sido capaz de sorrir em muitos dias.

Eu era grato pelo amor de Appa, dos meninos e de Jungkook, que fazia qualquer toque parecer totalmente dispensável agora. Era um amor mais reconfortante que qualquer abraço, e eu quase podia sentir que era a pessoa mais amada do mundo.

Essas considerações, que fiz durante uma noite no hospital, sem conseguir dormir devido às dores causadas pelos espinhos, foram suficientes para que eu pudesse esboçar um pequeno sorriso.

No dia seguinte, quando Jungkook despertou de seu sono, na cama improvisada ao lado da minha no hospital, eu tinha algo importante a lhe dizer:

-Como se sente? – ele perguntou, antes mesmo de abrir os olhos.

-Estou bem. Estou feliz – falei com sinceridade.

-Feliz?

-Sim. Por que eu não estaria? Eu recebi mais amor na vida que muitas pessoas, e isso fez valer a pena os momentos de solidão, as pedradas e, acima de tudo, os espinhos.

-Chim, eu não sei o que dizer. Você me inspira. Pena que eu não consigo partilhar de sua resignação.

-Mas eu preciso que você faça isso por mim. Durante minha vida, eu venci em alguns dias e perdi em todos os outros. Mas mesmo perdendo na maioria das vezes, hoje vejo o quanto é bonito estar vivo, e o quanto é bonito conviver com os espinhos. Cada um deles é uma benção e uma maldição, e eles me tornaram mais forte. Eu não sei quem eu seria se não os tivesse. Já quis não tê-los; hoje, só me reconheço por causa deles. Quando me perco dentro de mim, são os espinhos que me mostram o caminho de volta. E muitas vezes eu precisei encontrar o caminho de volta ao longo da vida.

Respirei fundo e continuei a falar. Ele não me interrompeu, ouvia atentamente cada uma de minhas palavras:

-Jungkook, eu preciso de você mais que nunca. Entendo que esteja triste com minha condição de saúde. Eu estaria arrasado se fosse o contrário. Mas, se eu puder lhe fazer um último pedido, eu peço que você se despeça de mim sendo você mesmo.

-O que isso quer dizer, Chim? – notei que ele derramava uma lágrima discreta e solitária ao me fitar.

-Você, Jungkook, é a pessoa mais positiva que eu conheço. Sempre ligado à natureza, à música, à vida calma e harmoniosa, sempre capaz de me fazer rir. E é desse Jungkook que vou me despedir, é dele que preciso agora... No final. De sua essência.

-Me perdoe por não ter visto isso antes. Me perdoe por ter me perdido tanto, Jimin. Eu vou achar o caminho de volta pra você.

Naquela tarde, ele e os meninos apareceram no meu quarto com livros e músicas, de meditação e umas de hip hop, filmes de comédia e jogos de tabuleiro.

-Seu desejo é uma ordem, meu rei – disse Jungkook, fazendo uma enorme reverência no meio do quarto, sendo acompanhado pelos meninos que estavam do seu lado, enquanto colocava uma música alegre para tocar.

Reconheci aquele som imediatamente. Fora exatamente aquela música que me tirara do chalé após dois anos de clausura.

Eu me lembrava daquele dia como se fosse hoje. Não queria sair de meu esconderijo, não conseguia mais deixar de ser o monstro espinhoso que se esconde na floresta. Mas aquela música alegre tinha despertado minha ira e eu precisara ver quem atrapalhava meu retiro.

No fim daquele caminho, encontrara os meninos e Jungkook pela primeira vez e, e com eles, o recomeço de tudo. Mesmo que Hoseok tenha me perseguido com um taco de beisebol, aquele foi um dos melhores dias da minha vida.

Foi como acordar após um longo pesadelo.

E fora aquela música que me conduzira até eles e me fizera voltar a ver a beleza da vida.

-Achar o caminho. É importante sempre achar o caminho de volta – ele me disse, referindo-se aos momentos em que nós dois havíamos nos perdido e então reencontrado o caminho mais uma vez.

Para se achar é preciso se perder. E eu passei por esse ciclo várias vezes ao longo da vida.

Quando reparei, os meninos, meu namorado e meus amigos, estavam dançando em meu quarto e me fazendo rir, como apenas eles sabiam fazer.

Eles executavam passos estranhos e poses de meditação que eu nem ao auge de minha saúde ousaria executar.

Appa entrou no quarto naquele momento e, encabulado, saiu correndo dali.

A felicidade me atingiu ao ver que nós seis, eu, Jungkook e os meninos, ainda tínhamos forças para encontrar o caminho de volta. Tínhamos um ao outro.


Notas Finais


~Saii


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