História Dont Want to be Saved! - Capítulo 19


Escrita por: ~ e ßAnaTheKiller

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 23
Palavras 2.435
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


OE OE!
Demorei de novo, 'né?!
Desta vez foi mais por desmotivação e falta de incentivo do que por falta de criatividade ou bloqueio.
Mas eu não desisti de vocês, e nem vou desistir. Por isso peço que também não desistam de mim.
Este capítulo saiu mais longo. ~ mas espero que não tenha ficado cansativo.
Desculpe mais uma vez pela demora, e por não ter saído exatamente bom, mas espero que mais uma vez, como muitas outras, vocês me perdoem por isso, me perdoem por todos os meus erros e falhas.
Amo vocês as fuck <3
Boa leitura, pessoas lindas SZSZ
Kissus kissus

Ja nee ^^

Capítulo 19 - Just Come


Os dias que se seguiram para Luke foram extremamente calmos. A vida do garoto havia se tornado uma rotina resumida em dormir, acordar, conversar com as pessoas da casa e visitar o hospital. Vez ou outra ainda saía com Vicenzo para fazer as compras, ou jogava algum jogo com os gêmeos.

Tentava não passar todas as vinte e quatro horas do dia olhando para o visor do telefone a espera de Sayuke.

Por mais que soubesse onde era sua casa, e sua escola, e o hospital que frequentava, queria dar um tempo para que o garoto pensasse na sua vida, nas suas escolhas. Queria que Sayuke, que o havia aceitado, o aceitasse de fato. Queria que ele olhasse para o que o loiro o havia oferecido.

E foram necessários cinco dias para que Sayuke fizesse o que ele mais queria que fizesse, o ligasse.

Luke estava deitado no sofá da sala assistindo um desenho animado sem graça quando seu celular tocou.

– Garoto estranho?

O loiro não sabia se era a ligação ou a voz de Sayuke que estava ruim.

– Sayuke?! – Luke respondeu parte animado, parte incrédulo.

– Ah... Desculpe, erro meu. Tchau.

– Não, espera! – levantou-se abruptamente do sofá.

– Você pode vir aqui? – perguntou Sayuke, baixinho.

– Seis da manhã?

– Eu costumo acordar bem cedo. – ele soou seco.

– Precisa ser agora? Estão todos dormindo e... – Sayuke interrompeu-o com algo que pegou o outro despreparado.

– Por favor, por favor, Luke. – ele parecia implorar, parecia prestes a chorar.

Sayuke estava implorando para Luke. Estava o chamando de Luke, e estava pedindo por favor.

– Eu... Chego aí em meia hora.

– Obrigado... – o moreno respondeu baixo, logo então desligou.

Luke distanciou o celular do rosto em um movimento lento, logo então soltou um suspiro. Sayuke havia superado suas expectativas, e isso era algo que ele definitivamente não esperava. O loiro levantou-se sem pressa, tratando de tomar um banho rápido e vestir uma roupa confortável que não fosse largada ou exagerada.

Havia prometido para Rayanne que provaria do novo prato de café da manhã dela hoje, mas ele achou que ela poderia esperar. Chegava a ser uma pena, afinal, estavam todos dormindo e, portanto, não havia nada pronto para comer.

Foi até a cozinha e preparou qualquer coisa simples que sanasse sua fome, e enquanto comia sua mistura de qualquer-coisa, anotava em um pequeno papel que estava de saída. Para prevenir qualquer surto psicótico do irmão, deixou também o endereço da casa de Sayuke e avisou que não teria hora para voltar.

Saiu de casa sem fazer barulho e caminhou pelas ruas da cidade apreciando o clima agradável de todas as manhãs. Sayuke parecia ter pressa por sua presença, mas por algum motivo o loiro tentou não se apressar. Estaria ao lado dele em breve, e era isso que importava.

Caminhar pelas calçadas da cidade fora fácil, porém, encarar a casa do moreno fora algo que lhe trouxe arrepio. Talvez fosse nervosismo pelo que o esperava, ou talvez ansiedade. Mas se tinha algo que ele não apreciava era enrolar em situações como essa.

O garoto avançou até a porta e bateu com delicadeza, esperando por algum barulho vindo da casa.

A tranca rangeu, e logo então a maçaneta foi rodada. Yukko precisou de alguns segundos para encará-lo e raciocinar algo.

– Ah, Luke! Que bom que voltou a nos visitar! – ela tinha a expressão cansada, porém oferecia do seu melhor sorriso para o loiro.

– Bom dia, dona Yukko! Desculpe incomodar a essa hora da manhã... – Luke murmurou, acenando com a mão.

– Que nada, não tem problema! – respondeu, dando espaço para que o garoto entrasse – Sinta-se a vontade!

Luke adentrou em passos curtos, encarando mais uma vez a casa de Sayuke de cima a baixo. Ouviu a porta se fechando e então Yukko caminhou em passos apressados em direção à cozinha, devia estar preparando alguma coisa quando Luke chegou, afinal, um cheiro forte e gostoso de café impregnava cada canto da casa.

– Já tomou café da manhã, querido? – perguntou a mulher, tentando sobrepor a voz esgotada por sobre a distância dos dois – Posso preparar o que você quiser!

O loiro seguiu a voz da morena até a cozinha, onde se aproximou da mesa e encarou a refeição quase pronta.

– Não se preocupe com isso, tive tempo de preparar algo para mim antes de sair de casa! – respondeu com um sorriso largo.

– Ah, claro, tudo bem. – Yukko murmurou, retirando o café do fogo – Precisando de algo, pode avisar! Sayuke já deve estar descendo para lhe ver.

Luke assentiu rapidamente, e logo então uma conversa aleatória se seguiu, com direito a risadas e descontração. Não demorou então para que passos baixos e lentos se fizessem ecoar pela casa. Por mais que Sayuke tivesse pressa em descer as escadas, se sentia impotente para isso; segurava o corrimão com força, a fim de permanecer de pé, e ao que os degraus a sua frente se acabaram e seus pés tocaram o chão da sala, o moreno apoiou-se na parede mais próxima para se manter firme.

Os olhos sem cor de Luke viraram-se para trás, encarando Sayuke de cima a baixo antes de a alegria o invadir em forma de um sorriso.

– Bom dia! – disse animado.

Sayuke não respondeu, apenas forçou uma caminhada para em direção a Luke.

– Não tinha maneira pior de receber visitas? – fora a vez de Yukko se pronunciar.

Luke soltou uma pequena risada, e Sayuke permaneceu calado, com a expressão mórbida e os pés se aproximando do loiro. Quando se sentiu próximo o suficiente, abraçou-o. Luke não hesitou em retribuir; envolveu o moreno entre os braços de maneira entortada por conta da cadeira em que sentava, porém confortável.

– Acho que o moreno esquelético quer roubar minha nova companhia! – Yukko murmurou, com um pequeno sorriso.

Foi neste momento que Luke percebeu que Sayuke não o abraçava de verdade, o garoto na verdade envolveu os braços em sua volta a fim de arrastá-lo da cadeira, fazê-lo levantar e seguir para um lugar longe dali.

O loiro se remexeu um pouco e logo então se levantou, tentando não cair da cadeira. Sayuke não queria soltá-lo. Luke sorriu pequeno para Yukko antes que o moreno o puxasse pelas mãos em direção as escadas, seus passos eram curtos, certo pouco apressados apesar de ainda assim serem lentos.

Sayuke guiou o visitante pelas escadas para em direção a um dos quartos. Luke percebeu muito bem que não se tratava do quarto dele, mas sim do quarto em que o garoto o impedira de entrar outro dia. O quarto de Ayato.

Estava tudo cada vez mais estranho, e Luke mordeu a língua a fim de se segurar e não perguntar o porquê de tudo assim tão de repente, tão silencioso e tão necessitado. As mãos do moreno eram frias e pálidas contra as suas, e sangue seco as contornava em certos pontos; ele não aparentava estar bem, não que aparentasse estar melhor antes, mas neste dia em especial, parecia mais abalado que em qualquer outro que Luke se lembrava de tê-lo visto.

Pior que no supermercado, pior que no hospital, pior que na cafeteria.

Uma das mãos do moreno contornara a maçaneta do quarto do irmão, e o ar frio e empoeirado repleto do aroma de flores atingiu o rosto de Luke com gosto. Sayuke adentrou com pressa, e só depois de estarem dentro do cômodo que o garoto se permitiu encarar o mais velho. Olhou direta e intensamente nos olhos pálidos de Luke, olhou como jamais havia olhado para aqueles olhos. Ele puxou um dos braços do loiro, apressando-o para que entrasse depressa.

E depois de fechar a porta com força e desviar o olhar da direção do visitante, prensou-o contra a parede, a cabeça baixa e os olhos fechados, e então o abraçou. Mais uma vez não fora algo afetuoso, e Luke pôde perceber isso quando sentiu os braços de Sayuke puxando-o para baixo, para que escorregassem pela parede e sentassem no chão de madeira envernizada.

Luke deixou que as pernas se esparramassem pelo espaço a frente, e o outro garoto, por sua vez sentou ao seu lado, esperando que o loiro se acomodasse para então pousar a cabeça sobre seu colo e se encolher como se sentisse frio.

Mais uma vez viram-se ali, sentados no chão de um quarto repleto de lembranças dolorosas, sanando suas próprias dores. Luke pousou uma das mãos sobre os cabelos de Sayuke e acariciou-os com leveza. O moreno fechou os olhos, suspirou e então tomou ar novamente.

– Eu não quero mais chorar. – sussurrou quase inaudível.

Os olhos verdes abriram-se minimamente, e silêncio se seguiu por um momento.

– Não vivo esse dia a um ano e dois meses... Não quero mais isso. – sua expressão era um misto de vazio e nada, ele então deixou que uma de suas mãos pousasse por sobre a de Luke, que acariciava seus cabelos.

– Shiii... – o loiro fez sinal de silêncio, como se algum barulho o houvesse chamado atenção, além da voz de Sayuke.

O garoto mais novo livrou-se de irritação quando percebeu que Luke referia-se às suas palavras.

– Já percebeu que sempre que falamos algo as coisas acabam piorando?! – um sorriso pequeno e acolhedor se formou em seu rosto.

Sayuke desviou olhar, protegendo o rosto com as mãos e se aconchegando em Luke. Eles iniciaram uma troca de carícias silenciosa e delicada, o moreno brincando com os dedos do outro, enquanto o loiro mexia com calma em seus cabelos.

– Sua mão... – Sayuke murmurou – Tirou o gesso. – e levantou levemente a cabeça, a fim de olhar para o rosto alheio.

– Ah, sim, tirei há uns dois dias. – sorriu, mexendo os dedos da mão curada – Morfina e antibióticos servem para mais coisas além de te dopar e diminuir a dor! Quase não sinto mais incômodo.

O moreno levou suas mãos para a de Luke e mexeu nela com delicadeza.

– Foi ele? – perguntou baixinho.

Ele não queria que Luke se sentisse mal, e não queria ser mal e inconveniente, mas queria saber mais sobre Luke; queria saber quem ele era, saber pelo que ele passou, queria conhece-lo. Ele parecia saber tanto a seu respeito, o moreno queria saber tanto dele quanto ele parecia saber sobre si.

Porém ver o sorriso do loiro se desbotar e diminuir fez com que Sayuke se encolhesse.

– Foi. – a voz dele saiu baixa e falha.

Luke encarou Sayuke de cima e pôde enxergar no fundo dos olhos verdes curiosidade e preocupação, e não soube distinguir se aquilo era bom ou ruim. Ver aquele olhar no garoto o alegrou, porém lembrar-se do padrasto o fez sentir-se tonto.

– Ele pisou. – explicou rapidamente – Eu estava no chão, e ele usava um coturno com bico de ferro. Acho que quebraram uns quatro ossos. – sorriu pequenininho.

Era um sorriso horrível.

E Sayuke desejava nunca mais vê-lo de novo.

– Não precisava me explicar, eu sei que você não queria. – Sayuke respondeu, tentando não se importar.

– Mas você queria. – ele soou suave.

– Mas você não queria, isso que importa. – ele encarou Luke nos olhos – Eu quero que você coma terra, você vai comer terra?!

– Talvez eu possa se... – o moreno o interrompeu.

– Seu patético.

Luke soltou uma risada baixa.

Sayuke olhou-o com desgosto e levantou. Espreguiçou-se como um gato e esperou que Luke também se levantasse para então caminharem pelo quarto. O mais novo passeou as mãos pelos próprios braços enfaixados e então se aproximou da janela, o outro garoto logo atrás de si.

Havia uma mesa rente ao parapeito da janela, e dentre todo o monte de coisas enfeitando o móvel, havia apenas um pequeno espaço vazio. Parecia perfeito para que alguém se escorasse ou sentasse, e Luke percebeu que essa parecia ser a real utilidade daquele espaço ao ver Sayuke se erguendo para sentar ali em cima.

O garoto suspirou, logo então cruzou as pernas e olhou janela afora. Luke aproximou-se do moreno, olhando pela janela assim como ele.

– Quando éramos crianças... Eu e Ayato tínhamos problemas para dormir. – sussurrou Sayuke – Nunca tínhamos uma noite tranquila, e sempre que não conseguíamos descansar na cama, vínhamos para esta janela e olhávamos. – sua voz era baixa e falha, rouca – Observávamos a rua, a movimentação da noite, e adorávamos ver o nascer do sol. Era uma vista muito bonita.

Ele então sorriu pequeno, em seguida tirou os cabelos do rosto com as mãos. Luke tocou seu ombro com delicadeza, tentando não aproximar-se muito mais que isso.

– Obrigado por ter vindo, Luke. – o moreno disse por fim.

– Não foi nada, Yuke! – Luke respondeu, o sorriso lhe invadindo o rosto.

Sayuke levou as mãos ao rosto antes de reclinar-se sobre Luke e abraça-lo. Suas lágrimas vieram com um pesar que deixou o loiro desamparado. Era sempre assim, tudo andava bem e de repente desandava; o mais velho teve o garoto entre os braços em um abraço apertado enquanto Sayuke soluçava alto.

– Y-yato... – ele murmurou baixinho, entre um soluço agoniado.

Ele parecia sentir tanta dor quanto se tivesse levado uma facada.

– Ei... Ei, Sayuke... – Luke chamou baixinho, desencostando o garoto de si.

O moreno afastou-se devagar, os ombros tremendo e a cabeça pigarreando a cada estopim de choro contido. Luke segurou-o com delicadeza, mantendo-o equilibrado; o loiro reclinou-se sobre o garoto afrente, aproximando seus rostos até que Sayuke o encarasse.

– Sayuke, olhe para mim. – ele sussurrou – Olhe para mim. – desta vez ele levou uma das mãos para o queixo fino do garoto, guiando-o para de rente aos seus orbes.

O moreno encarou-o olho no olho e viu-se mergulhado na imensidão de Luke. Seus olhos sem cor deixariam qualquer um desatento, e ele parecia saber disso, pois Sayuke viu-se encará-lo quieto, em silêncio.

– Ele odeia te ver chorando... – o loiro murmurou baixinho – Por isso sorria. Não se prenda ao passado, viva agora e para agora. Tenho certeza de que era isso que ele esperava para você, Sayuke. Por isso, tente ser o melhor para ele.

Sayuke ouviu aquelas palavras com uma atenção qual pensara não ter. Luke mostrava um sorriso pequeno, os piercings prateados reluzindo com a luz quieta da manhã de sol; o moreno podia sentir o peso de seu olhar, o calor de seu hálito e a ternura de seu toque.

Ele podia senti-lo.

Em meio a um dos piores momentos de sua vida, Sayuke permitiu que um esboço de sorriso invadisse seus lábios, e um raio de felicidade e esperança transluzisse seus olhos. Por apenas um segundo.

E apesar de segundos serem curtos, faziam toda a diferença; Luke percebeu isso ao ver, naquele espaço de tempo de um mísero segundo, um pouco de sorriso e de esperança. E Sayuke também percebera isso ao ver-se reclinando o rosto para em direção a do loiro a frente, beijando-o novamente.


Notas Finais


Oi oi, de novo!
Espero que tenham gostado!
Próximo capítulo tem surpresinha, ô se tem! e.e
Obrigada a quem leu, obrigada a quem ainda acompanha e obrigada a quem não desistiu de mim.
Vocês são 10/10 <3
Até o próximoooo ~
Kissus kissus

Ja nee ^^


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