História Don't worry anymore child - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Stranger Things
Personagens Chefe Hopper, Eleven (Onze), Mike Wheeler
Visualizações 122
Palavras 4.134
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Quando as coisas começam a sair do controle


Fanfic / Fanfiction Don't worry anymore child - Capítulo 10 - Quando as coisas começam a sair do controle

 

– Eu entendi direito? Você está dizendo que vai nos ajudar?

Assentiu sem muita empolgação. Não estava com animo para demonstrar empolgação. A única coisa que ele queria era resolver as pendências as quais estava atrelado para que, no fim do dia, pudesse cair na cama com a mente em paz. O dia mal tinha começado e ele já queria que tivesse fim. Estava tão cansado que surpreendia-se por não ter caído no sono durante as aulas do dia.

– É isso aí – Parou de caminhar para olhar para os amigos. – Exatamente isso.

Dustin sorriu, exibindo seus dentes definitivos adquiridos nos últimos meses. O sorriso do cacheado era cheio de presunção e dizia "eu sabia que você nos ajudaria, cara!".

Lucas, sempre desconfiado de tudo e de todos, não comprou a história de Mike imediatamente. Quase podia ouvir as perguntas que rondavam a mente do Sinclair "por que alguém tão teimoso quanto Mike estaria se rendendo tão facilmente a uma ideia que, inicialmente, havia ido contra seus pensamentos?". Mike não podia culpar o amigo ou ficar com raiva, ele no lugar de Lucas também ficaria desconfiado.

– Por que você mud...?

– Isso não importa, importa? – Dustin o interrompeu, a alegria evidente em sua voz. – O que importa é que o Mike está dentro do nosso plano. – Ele apontou para o moreno Wheeler. – Ele vai nos ajudar a provar que a Soph e El são a mesma pessoa. Cara, o Will vai pirar quando souber que você está dentro da coisa toda.

Mike recostou-se contra a porta do armário, ignorando prontamente os olhares hostis que os passantes que lhes lançavam e esperando que no meio daquelas pessoas surgissem Will, Max e Sophie. Os três tinham a última aula juntos e, considerando que a velha professora Greenburg – uma senhora conhecida por segurar os alunos depois do horário – provavelmente não iriam aparecer tão cedo.

Brincou com o bloquinho de notas, considerando se o que estava fazendo era certo ou não. Não, claro que era certo. Ontem a noite, após conversar com a mãe, ele tinha tomado duas decisões: Iria ajudar os amigos com a questão Sophie/El, mesmo que isso não desse em nada e ia ajudar Will Byers com o que quer que estivesse afetando-o desde seu retorno do mundo invertido. Ele tinha tomado uma decisão e não era hora de dar para trás.

– Já que você falou sobre o Will... Nós precisamos conversar sobre ele.

Dustin murchou lentamente enquanto Lucas tratou de aprofundar sua carranca. Ali estava um assunto que tinha urgência de ser tratado, mas que todos evitavam a todo e qualquer custo. Falar sobre aquilo era tão incômodo para ele quanto era para os outros – trazia a tona memórias cheias de angústia e tormenta –, mas não era mais possível adiar aquilo. As coisas estavam ficando insustentáveis demais.

– Aquilo não foi normal, vocês sabem disso tão bem quanto eu – Mike disse com a voz inflexível. – e nós precisamos fazer algo a respeito. Sabe, conversar com o Will e entender o que está acontecendo com ele.

Os dois se agitaram diante do ultimato de Mike.

– É, você tem razão, mas...

– Mas ele não quer nossa ajuda. Vamos a realidade, por favor? – Lucas retrucou sem muita gentileza em sua voz. Esse era o pensamento de todos, mas só Lucas era corajoso o suficiente para expor aquilo. – Ele não confia mais em nenhum de nós. Will não nos conta mais nada além do superficial, não nos deixa ajudá-lo e ás veze parece que ele sequer está com a gente.

Mike entendia com aquela linha de pensamento e sabia que Dustin também o fazia. Existiam dias, principalmente quando estavam jogando D&D, que Will parecia não estar enxergando-os. O olhar do Byers tornava-se tornava-se continuamente perdido e, ao voltar ao seu estado normal, ele agia como se nada tivesse acontecido; como se a preocupação dos amigos fosse completamente desnecessária.

– E o que nós vamos fazer? Nós vamos deixar que ele continue fazendo isso? – Indagou com fervor. A voz de Mike soava alta, tão alta que atraiu o olhar de alguns estudantes que passavam. – Nós temos que ajudar o Will, mesmo que ele não queira isso. Ele é nosso amigo.

Lucas fez um barulhinho com a boca. O fato é que era a primeira vez em muito tempo que ele via Mike agir com tanta energia. Era bom bom ter um lampejo do velho Mike que sempre estava disposto a assumir a liderança.

– Certo, e o que nós podemos fazer e como poderíamos fazer? Vocês sabem que isso precisa ser planejado, não é?

Mike considerou a questão com seriedade e mais uma vez viu que Lucas estava com razão a seu lado – Quando esse garoto não tinha razão? As coisas tinham que ser feitas com cuidado. Eles não podiam simplesmente abordar Will e dizer "Hey, cara, o que você tem? Você está morrendo?". Definitivamente não. Aquele assunto exigia sutileza.

– Eu não sei, talvez nós possamos...

Hesitou e nesse momento hesitação conseguiu ver Will e Max se aproximando. Não tinham mais tempo para aprofundar o assunto que discutiam.

Franziu o cenho. Will e Max não pareciam muito bem. Os dois, com expressões de medo, acotovelavam quem quer que estivesse em seu caminho. Will estava pálido, os olhos esverdeados arregalados e Max, que não seguia muito atrás, tinha seus fios ruivos bagunçados para todas as direções possíveis. Jesus, a aula da professora Greenburg devia ter sido o verdadeiro inferno.

Esperou para ver o estado de Sophie, certo de que a menina seguia atrás dos dois amigos. Mas ela não estava atrás de Will e Max; não havia nenhum sinal dela. Certo, algo estava realmente errado.

– Cadê a Sophie? – Max inquiriu roucamente, os olhos azuis cheios de selvageria. – Vocês viram ela?

Gaguejaram negativas, todos com a voz tremula. Estavam ficando nervoso com a agitação de Will e Max.

– Droga! – Will praguejou alto. – Ela estava com a gente, mas sumiu. Antes de sumir parecia que ela estava pirando com alguma coisa – Olhou ao redor, como se esperasse que Sophie surgisse do nada com seu sorriso calmo. – Nós passamos na sala de AV para falar com o Sr. Clark e quando ela o viu simplesmente começou a pirar. Disse que não estava se sentindo muito bem e simplesmente saiu correndo.

Max andou de um lado para o outro, tinha a mochila de Sophie nas mãos e a segurava com força o suficiente para ficar com o nó dos dedos brancos.

– Nós precisamos encontrar ela. E se a Soph desmaiou ou se... se o Troy encontrou ela. Ouvi ele mais cedo e ele estava dizendo que já sabia como se vingar dela. Sabemos que o Troy sabe se vingar de quem ele não gosta e, por mais que a Soph saiba se sair muito bem durante uma discussão verbal, dúvido que ela saiba se defender de um soco ou até dar um.

O moreno Wheeler quase podia ouvir a indisfarçável nota de desespero na voz de Max. Ela realmente se importava com Sophie.

– Vamos nos separar e encontrá-la, ela ainda está na escola – A ruiva olhou para a mochila da amiga ao falar a última parte. – Mike e Will, vocês olham na sala de música e na biblioteca; Lucas, você olha nas arquibancadas e no ginásio de natação, Dustin, eu e você vamos verificar o maior número de salas e o refeitório – Parou para tomar fôlego. – Se dentro de meia hora não a encontrarmos vamos ter que chamar o tio dela.

Não esperou por mais ordens, saiu andando para o destino definido pela ruiva. Will o seguiu em silêncio, ambos estavam apreensivos demais para trocar mais de três palavras.

A sala de música era, basicamente, uma sala colorida e bem iluminada com cadeiras e instrumentos dispostos em círculo. Não precisaram se demorar por ali para saber que Sophie não estava ali.

A biblioteca, ao contrário da sala de música, exigiria dos dois uma busca um pouco mais minuciosa. Era um ambiente amplo, constituído por assentos de leitura e, claro, por diversas estantes de livros. As estantes eram altas, abarrotadas por livros de diversos tipos e autores – um prato cheio para quem quer se esconder de algo.

Will franziu o nariz para o lugar. Ele não era o tipo de nerd de biblioteca e sim o tipo que adorava eletrônicos e HQ's.

– Será que ela está aqui?

Mike não respondeu, encaminhando-se para perto da bibliotecária. Se Sophie estava ali talvez a mulher a tivesse visto, certo?

– Com licença, será que a senhora viu uma garota de cabelo curto passar por aqui?

A mulher, que lia um romance clichê, não ergueu os olhos para responder. Na verdade, para a estranheza do Wheeler, ela já parecia acostumada com aquele tipo de pergunta. Aparentemente era comum alguém procurar abrigo na biblioteca.

– Tem uma garota na seção de romance – Informou sem flexionar a voz. – Não sei se é a que estão procurando. Não demorem muito lá; A biblioteca fecha as portas daqui a trinta minutos.

Como a mulher não havia sido de grande ajuda – Quer dizer, ela podia estar falando sobre qualquer garota; ela não tinha sido nada simpática e muito menos específica – resolveram que não havia necessidade de expressar gratidão a ela. Apenas se dirigiram para o lugar onde ela os havia direcionado.

Já podiam ouvir a pessoa que se escondia por ali duas estantes de livros antes da seção de romance. Sem sombra de dúvidas era uma menina e, a julgar pelos soluços entrecortados que soltava ocasionalmente, ela não estava muito feliz. Desejou que não fosse Sophie a dona daqueles soluços dolorosos – Não gostava de ver ninguém aos prantos, principalmente se esse alguém era uma pessoa que vinha se mostrando tão amigável quanto Sophie.

Infelizmente a garota soluçante era Sophie. Encontraram-na encolhida contra a parede, o vestido violeta claro espalhado ao redor de si sem nenhum cuidado, a cabeça baixa e o cabelo completamente desordenado como se ela não importasse com nada. Havia um livro lilás brilhante ao lado dela, mas ela parecia imersa demais na própria tristeza para notar isso.

– Soph – A voz de Will saiu esganiçada. – Você... Você está bem?

Sophie soluçou como resposta. O Wheeler revirou os olhos e premiou com um soco no braço. Claro que a garota não estava bem.

– Quero voltar para casa – Ouviram-na resmungar roucamente. – Aqui não é o meu lugar. Minha casa...

Mike prendeu a respiração ao compreender o que estava acontecendo. Ela queria voltar para Manhattan, para a verdadeira casa dela. Sophie não estava se adaptando a Hawkins.

Olhou para Will em busca de respostas. Nada. O garoto continuou paralisado, parecendo verdadeiramente aterrorizado diante das lágrimas de Sophie. Mike não podia culpá-lo, na primeira vez em que havia visto Nancy chorar com tanto fervor ele tinha ficado em completo pânico. Naquela época ele simplesmente não compreendia o motivo de tantas lágrimas, o que tinha machucado a irmã dele até levá-la aquele ponto.

– Você não gosta daqui, é isso? – Questionou se sentando ao lado dela e acenando para que Will fizesse a mesma coisa.

Sophie balançou a cabeça em uma fraca negativa.

– Não é isso. Eu gosto daqui, de verdade, mas... Eu não me sinto bem vinda. Todos aqui parecem não gostar de mim e do meu tio. Tudo, absolutamente tudo que nós fazemos é alvo de crítica. – Abraçou a si mesma com mais firmeza. – Não sou burra e nem surda. Ouço os comentários que soltam sobre mim e o meu tio, os olhares... Não sei se as pessoas é que não são sutis ou se elas não se dão ao trabalho de serem sutis.

E isso era Hawkins, era isso o que aquela cidadezinha fazia com as pessoas recém chegadas de quem não gostavam ou tinham curiosidade – as oprimia enormemente sem se incomodar com as sequelas que poderiam surgir a partir daquela opressão. Sophie já estava sucumbindo aos olhares que a acompanhavam onde quer que fosse.

– As pessoas me olham como se eu fosse um animal de zoológico e o modo como olham para o meu tio... Ele é o Xerife, é, pode até ser, mas as pessoas olham para ele com ar de julgamento. Como se ele tivesse feito algo errado – A voz de Sophie se perdeu. – Em Manhattan nada disso acontecia, as pessoas cuidavam das suas vidas sem se importar com a vida dos outros. Nada disso acontecia quando minha mãe ainda estava aqui, quando ela estava comigo...

Estremeceu ao ser tomado por uma nova onda de compreensão. Havia algo por trás daquele "aqui", se não fosse assim Sophie não o teria dito com tanta dor. Agora o motivo da mudança de Sophie para Hawkins já não era mais um mistério; ela provavelmente não tinha mais ninguém além de Jim Hopper.

– Mas aqui agora é a sua casa – Mike afirmou com cautela. Estava lidando com uma garota e garotas eram difíceis de se lidar. – É aqui onde o seu tio está. Você gosta dele, certo? Se você for embora, se voltar para Manhattan não vai mais poder ficar perto dele.Você vai deixar de ser a novidade da cidade, Sophie, principalmente agora que você está andando com a gente. Ninguém presta muita atenção em nós.

Sophie fungou um pouco antes de erguer a cabeça para os olhar. Estava sem os óculos e seus olhos castanhos marejados eram tão expressivos quanto os de El. Expressavam a mesma confusão e angústia que Mike estava acostumado a ver nos olhos de Eleven. Era como se ela estivesse ali na frentes dele. Aqueles eram os olhos da El.

– Você está melhor? – Will indagou com a voz tremula. – Sabe, não vai mais chorar?

Geralmente perguntas assim atraíam uma nova rodada de lágrimas e lamentações em qualquer pessoas, mas Sophie não era qualquer pessoa; Ela era a garota da cidade grande, a garota de cabelo estiloso que surpreendia sem fazer esforço para isso. E assim ela o fez ao soltar uma fraca risadinha do que poderia ser visto como constrangimento.

– Vocês devem achar que eu sou uma bebê chorona – Ela gemeu alto, o tom lamentoso. – Eu sinto muito que vocês tenham presenciado essa... Acho que posso chamar de crise. Eu sou uma idiota por fazer vocês presenciarem tudo isso.

– Não precisa se desculpar.

– É, nós somos seus amigos. Estamos aqui para isso, okay?

Tropeçaram na escolha das palavras fazendo-a sorrir amarelo.

– Vocês são meus amigos – Suspirou cansadamente. – Obrigado por isso.

Mike e Will se levantaram do chão e Sophie, colocando os óculos no rosto e juntando o pequeno livrinho lilás do chão, os seguiu em passos pouco entusiasmados. Ela se arrastava atrás dos dois amigos e por vezes eles precisaram parar para esperá-la. Esse comportamento parecia confundir Will, mas Mike sabia o que estava acontecendo.

Ter parado de chorar não significava que ela estava bem – Significava que ela estava se controlando. Mas, apesar de estar se controlando, parecia que havia algo que estava longe de ser superado, algo semelhante a dor. Diminuiu o passo para que pudesse estar próximo o suficiente para questioná-la a respeito.

– Vejam só quem eu acabei de encontrar, justamente quem eu estava procurando. É isso o que eu chamo de sorte.

Mike gemeu alto recuante até estar ao lado de Sophie enquanto Will, em um ímpeto de coragem, avançou alguns passos, os olhos verdes fixos sobre Troy. O sorriso do valentão tinha uma mensagem clara "vocês estão ferrados, otários!".

Porque uma vez na vida as coisas não podiam dar certo para eles? Era tão simples e sequer era pedir demais. Era só encontrar Sophie e levá-la embora antes que Troy a encontrasse. Nada difícil... Ou pelo menos assim deveria ser.

– Vai embora, Troy – Will ladrou corajosamente. – Vai cuidar da sua vida!

Troy riu alto, nada abalado com o que Will tinha falado. Mike olhou ao redor, desesperado para que algum professor surgisse e tirasse daquela situação. Ás vezes eles podiam ter sorte. Nada. O corredor continuou vazio. Certo, já que eles não tinham sorte o único jeito era enfrentar a situação.

– Você não manda em mim, Byers. Cala a boca e sai da minha frente – Empurrou Will e, em passos lentos, caminhou até onde estavam Sophie e Mike. – Nós precisamos conversar, docinho, sabe, para resolver as coisas entre nós.

Sophie empertigou-se diante da proximidade que havia entre ela e o valentão, a mão voando em direção ao braço de Mike em busca de apoio. Pelo canto do olho, Mike notou que a palidez que Sophie ostentava anteriormente continuava ali mas que, somada a ela, estava o fulgor e a impertinência de alguém que nem mesmo doente se deixaria intimidar. A garota indefesa e chorosa de minutos atrás estava esquecida no passado recente e no lugar dela havia alguém disposta a enfrentar o que viesse pela frente.

– Não tenho nada para conversar com você, Troy, não existe nada que possa ser resolvido entre nós dois, não existe nada entre nós dois. "Não" é definitivamente a palavra da vez e acostume-se com ela; Vai ouvi-la com frequência se continuar insistindo em falar comigo – Apertou o braço de Mike a cada palavra dita. Havia uma súplica no toque apertado dela, um pedido de socorro silencioso. – Agora, se nos der licença...

Troy, com o rosto surpreendentemente calmo, não deixou passar em branco as ações da garota. Ele estava atento a cada movimento dela e de Mike também. Avaliava-os como se fossem a presa e ele o caçador.

– Cara de sapo, você arrumou uma namorada! – Troy sorriu com maldade. – Sempre achei que você fosse gay como o Byers, achei que vocês iam namorar, mas olha você me surpreendendo! Está namorando a quatro olhos. Vocês formam um casal... interessante? É, definitivamente interessante.

Mike o fulminou com o olhar, agarrando o braço de Sophie para dar a ela toda a sustentação que precisava.

– Cala a boca, Troy – Rosnou com o máximo de confiança possível. Sempre que possível Mike evitava se confrontos diretos com Troy mas, desde o ano passado, não temia mais e se necessário o enfrentaria em qualquer que fosse a situação. – Cala a boca ou você pode acabar se mijando de novo. Cuidado.

Ele firmou Sophie sem temer uma reação exagerada como resposta; O braço dela estava coberto por um casaco, não havia contato direto e por isso, sem reações estranhas.

– Susan Eileen – Troy disse de repente, ignorando Mike e a piadinha. Era como se o nome, na boca dele, fosse uma arma perigosa. – Susan Adele Eileen.

Mike sentiu a garota enrijecer, a respiração já não muito ordenada se perdendo em meio a um caos próximo do início de uma hiperventilação Ele não conhecia nenhuma Susan Eileen mas,a julgar pelo sobrenome, a mulher era parente de Sophie. A mãe dela, talvez.

– O-oque disse? Como...? Como você sabe sobre ela?

Troy cruzou os braços, vitorioso.

– Agora quer conversar comigo?

– O que você sabe sobre ela?

– Você tinha dito que não tinha nada para conversar comigo e agora fica me enchendo de perguntas. Um pouco contraditório, não concorda comigo, Cara de sapo?

– O QUE VOCÊ SABE SOBRE A MINHA MÃE?! – Sophie gritou sem se incomodar em controlar o tom de voz.

Então aquele era o nome da mãe dela. Não era preciso ser um gênio para saber que Susan Eileen não tivera o melhor dos destinos e que isso havia abalado a filha dela de modo incompreensível. Mike podia sentir Sophie tremer e quase podia sentir o frenesi de sentimentos que jaziam dentro dela. Sem dúvida algo terrível havia acontecido entre Sophie e a mãe dela antes da garota chegar em Hawkins.

– Vejamos, eu sei que o apartamento de vocês pegou fogo, sei que você foi a única sobrevivente e sei que ninguém, além do Xerife Hopper quis ficar com você. Sua mamãe morreu carbonizada, não restou nada dela para contar história – Ele se inclinou um pouco para frente, o tom cheio de falsa compreensão. – Você matou ela? É, só uma curiosidade, sabe. Olha, se você realmente a tiver matado, eu juro, não vou te culpar de nada. Vi uma foto dela, tinha um jeitinho de vadia, a sua mãe...

– NÃO FALA ASSIM DA MINHA MÃE! NÃO FALA SOBRE O QUE VOCÊ NÃO SABE, IDIOTA!

Teve dificuldade em conter Sophie. A menina, mesmo debilitada, era uma verdadeira força da natureza. De algum modo, ela conseguiu se desvencilhar de Mike, jogou o caderninho lilás e avançou decidida na direção daquele que a confrontava.

Levou alguns instante para que Mike percebesse o que estava acontecendo. Com a fúria que Sophie estava (que não era nada injustificada) estava claro que ela queria bater em Troy. Ela não podia fazer isso, se fizesse poderia ser expulsa da escola. Correu para agarrá-la e impedi-la de fazer a maior besteira de todas.

– Não vale a pena, Soph – Disse desesperado para que ela ouvisse a voz da razão e ignorasse a raiva que a consumia. – É isso o que ele quer, por isso está falando essas coisas da sua mãe. Se você fizer isso vai estar se prejudicando, pode ser expulsa da escola. Will, cara, uma ajudinha aqui, por favor. Vamos lá, me escuta. Você sabe que a sua mãe não era isso, não dá a atenção que ele quer.

Sophie esperneou mais algumas vezes antes de se acalmar. Will, enquanto isso, ocupou-se em pegar o livrinho de Sophie.

– Você tem razão, Mike. Ele não vale a pena – Ela murmurou ofegante. – Simplesmente não vale a pena. Pode me soltar agora, prometo que não vou tentar fazer mais nenhuma besteira... HEY!

Isso pareceu finalmente tirar Troy de sua calma calculada e Mike, ocupado em ver se a amiga estava realmente bem, não viu isso; Não o viu avançar como um pitbull raivoso, não viu o ódio flamejante nos olhos dele – A única coisa que viu foi uma relutante e assustada Sophie sendo arrastada para longe de si sem nenhuma gentileza.

– Me solta – A menina grunhiu girando o pulso em uma tentativa de fugir do aperto que o valentão que lhe infligia. – Me solta, Troy!

– Solta ela, Troy! Ela é uma garota. Vai começar a bater em garotas indefesas? É tão covarde assim?

– Larga ela!

– CALEM A BOCA, OS DOIS! – Troy silenciou a todos com um único grito. – Direitos iguais, não é? Ela vai me pagar e dane-se se ela é uma garota. Falando sério, ela sequer parece com uma garota. Se não fosse por esse vestido eu não saberia que você é uma menina. O Byers é mais feminino que você. Francamente, você é realmente uma menina? Não parece em nada com uma.

Sophie soltou um gritinho de agonia, esperneando mais do que nunca.

– Me larga, por favor... – Ofegou como se estivesse com falta de ar. – Me solta!

– Olha que bonitinho, ela sabe pedir "por favor" – Troy zombou. – Repete para mim, docinho, repete e talvez, eu disse talvez, te solte.

A morena soltou um novo grunhido, desta vez mais desesperado. Mike sentiu o coração apertado ao se ver tão impotente de repente. O que ele podia fazer para ajudar ela?

– Me solta!

– Eu disse que queria ouvir um "por favor", docinho. Sem essas duas palavrinhas não teremos um acordo.

– Solta ela, Troy.

– POR FAVOR, ME SOLTA! ME SOLTA!

Mike, desesperado para calar o som dos gritos de Sophie, levou ambas as mãos até as orelhas. Os gritos dela causavam grande agonia. Ela tinha uma voz alta, aguda e dolorosamente desesperada. Com os olhos semicerrados e sentindo um horror absoluto crescer dentro de si, viu Sophie ter um conjunto de reações desesperadas.

Primeiro houve um chute, em chute em um lugar realmente dolorido e que só meninos tinham. Troy urrou alto, ambas as mãos pressionando o lugar dolorido. O segundo movimento foi completamente inesperado e pegou a todos de surpresa, incluindo Sophie. A mão dela, cerrada em uma pequena bola de raiva, voou para então acertar o nariz de Troy com um soco certeiro.

O mundo parou por alguns segundos, todos estavam perplexos com o que havia acontecido. Troy havia sido socado por uma garota, por uma garota.

– Ah Meu Deus, eu soquei a sua cara – Sophie recuou, atônita. Ela tremia dos pés a cabeça, os olhos fixos sobre sangue que escorria do nariz de Troy. – Eu... eu sinto muito... quer dizer, eu não sinto realmente, eu... você mereceu, sabe... Ah Meu Deus! Droga, droga, droga, droga! Meu tio vai me matar!

– Cala a boca, vadia! Só cala essa sua maldita boca!

Sophie não deu ouvidos a Troy, continuou recuou sem destino certo. Ela não parecia estar ciente de nada ao redor dela; parecia perdida.

Mike balançou a cabeça e correu para o lado dela. Precisavam sair dali com urgência, estariam em uma baita encrenca se algum professor ou monitor os encontrasse ali, naquela situação não muito agradável de explicar. Eles precisavam correr para longe da cena do crime.

– Soph – Murmurou tentando atrair a atenção dela. – Nós temos que i...

– EI, VOCÊS! O QUE ESTÁ ACONTECENDO AÍ, SEUS ENCRENQUEIROS?! JESUS! ESSE MENINO ESTÁ SANGRANDO?!

Mike Wheeler bufou, sem olhar para ver quem era o algoz deles. Merda, estamos tão ferrados.

 


 



 



 


 



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