História Doppelganger - Capítulo 1


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Categorias The Flash
Personagens Barry Allen (Flash), Personagens Originais
Tags Barry Allen, Doppelganger, Sósia, Terra 2, The Flash
Visualizações 116
Palavras 5.055
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Essa é continuação da minha one shot Happy Accident (LINK NAS NOTAS FINAIS). Não é necessária a leitura dela, mas é recomendável. Essa ocorre na segunda temporada, então já aviso que conterá spoilers. Sei que não já é mais na STAR Labs que colocam os prisioneiros, mas esse detalhe era necessário pra história, então apenas sigam o fluxo. Desculpe o tamanho, acabei me animando demais XDD Espero que gostem, pois foi uma das que mais gostei de escrever. Saiu ainda melhor do que planejava.

-- Pietra Montgomery/Sensy e Stinger são minhas criações. Sem plágio, por favor.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Doppelganger - Capítulo 1 - Capítulo Único

Doppelgänger

Capítulo Único

Written by Rocker

 

Não era como se eu fosse uma meta humana perigosa, ao menos não aparentemente. Evitava usar meus poderes e muitas das vezes eu passava despercebida pelas pessoas e por outros meta humanos. Tentei ao meu máximo não atrair atenção para mim mesma, ainda mais quando o velocista Zoom tomou a cidade de Central City e deu duas opções para todos os meta: juntar-se a ele ou morrer. Meus esforços, porém, foram em vão quando fui abordada no caminho do Jitterbugs para casa. Tudo aconteceu muito rápido. Em um momento eu senti minha jaqueta ser agarrada por trás; no segundo seguinte, eu fui puxada para fora de um portal no meio de uma área pavimentada que eu não reconhecia.

- Onde estou? – perguntei, confusa e irritada, levantando-me do chão onde ele havia me jogado.

- Você tem uma única missão. – a figura de Zoom se sobrepôs sobre mim de forma intimidadora, com uma voz monstruosa que causou arrepios em minha espinha. – Mate o Flash e você pode voltar para casa.

Abri a boca para questionar como eu faria isso, mas em questão de segundos ele havia aberto um portão e sumido por ele novamente. Grunhi em frustação. Olhei à minha volta, vendo que não havia muita coisa ali. Não era difícil descobrir que eu estava em um universo paralelo. Corriam boatos entre os meta humanos que Zoom estava sequestrando os mais fortes e levando-os para outra Terra. Eu só não achei que eu seria uma delas, ainda mais porque eu raramente usava minhas habilidades. Além disso, apenas vendo as luzes da cidade não muito ao longe, era claro que aquela não era a Central City que eu conhecia.

Havia um galpão há alguns metros de onde eu estava e, quando entrei para checar, estava vazio a não ser por algumas caixas de madeira. Suspirei, sentando-me em uma delas e tentando pensar em alguma coisa para atrair o tal Flash. Eu não podia ficar ali. Eu tinha que voltar para casa. Não era como se eu tivesse alguém me esperando, mas eu havia prometido a alguém que o manteria seguro.

Estava na hora de fazer algumas pesquisas.

 

 

Passei dias escondida naquele galpão nos arredores de Central City. Eu não sabia como aquele mundo funcionava, então eu fiz o possível para não atrair atenção desnecessária. Passei a maior parte do meu tempo lendo no jornal da cidade qualquer informação sobre o Flash. Aparentemente um velocista – assim como Zoom – em um traje escarlate que decidiu utilizar sua habilidade para ajudar a cidade. Não nego que tal gesto me fez admirá-lo um pouco, mas eu não podia deixar meu senso moralista sobrepor-se sobre minha vontade de voltar para casa. Eu precisava pensar em alguma coisa que o atrairia até mim ao invés de eu ter que ir atrás dele. Ainda mais que eu não tinha habilidades tão incríveis quanto outros. Depois de analisar minhas poucas opções, decidi que meu plano deveria ser o mais simples possível. Quanto mais rápido finalizado, mais rápido voltaria para minha Terra.

Cinco dias da minha chegada, coloquei o plano em ação. Destruí algumas das caixas daquele galpão e rearranjei os pedaços de madeira na forma de um raio enorme no chão cimentado do lado de fora. Com minha habilidade de controlar os sentidos, garanti que ninguém, a não ser o Flash, num raio de dois quilômetros conseguisse enxergar a madeira queimando e a fumaça subindo. Num período de quinze minutos, algumas pessoas e inclusive alguns policiais apareceram, procurando saber o que aconteceu, mas deram meia volta ao não verem nada. Comecei a duvidar se havia sido um bom plano quando não havia sinal do homem mascarado.

Quando vi uma mancha vermelha cruzando o campo isolado, percebi que na verdade havia dado certo.

- Cisco, eu não estou vendo ninguém. – disse o homem.

- Pense de novo, bonitinho. – eu comentei, com a voz alterada pela minha habilidade, saindo do dentro do galpão e estalando os dedos quando ele se virou para mim.

Ele arregalou os olhos por trás da máscara, girando o rosto, como se procurasse por mim. Abri um sorriso, mesmo sabendo que ele não veria.

- Cisco, eu não estou nada! – ele exclamou de novo. – Eu não vejo nada!

- Como assim não vê nada?! – respondeu uma voz pela escuta dele e eu consegui captar graças à minha audição aguçada.

- Quem é você? – Flash perguntou e eu soube que era para mim.

- Aquela que vai te matar para conseguir voltar para casa.

Senti meus olhos clarearem como se fossem luzes brancas de faróis e ele caiu no chão por causa da falta de sensibilidade que causei em sua pele e nos nervos.

- Cisco, eu não sinto nada! – ele parecia desesperado. – O que fez comigo?!

- Tirei sua visão e sua sensibilidade. Não acho que você vai conseguir correr agora. – cantarolei, retirando a faca do meu bolso.

Aproximei-me dele, tentando sufocar meu nervosismo à iminência de ter que tirar uma vida. Mas eu precisava voltar para casa. Haviam pessoas esperando por mim – ou ao menos era isso que eu queria acreditar. Estava pronta para enfiar a faca no peito do Flash quando algo me chamou atenção em seus olhos opacos procurando enxergar novamente. Verdes. Eles eram verdes claros com o que pareciam gotas de chocolate.

E eu só havia visto olhos assim em uma única pessoa.

Puxei a máscara para trás do rosto dele e eu arfei.

- Bartholomew?! – murmurei, sentindo meus olhos lacrimejarem.

- Barry?! – ouvi a voz pela escuta dele. – Barry, o que está acontecendo?!

Cai de joelhos na frente e estalei meus dedos novamente para cancelar sua cegueira momentânea e reconstituir sua sensibilidade. Barth olhou em volta, sentando de forma apressada e arregalou os olhos quando viu meu rosto.

- Pi-Pietra? M-mas...

Soltei uma gargalhada seca ao ver sua pele empalidecendo.

- Claro que você conheceria minha doppelgänger. – murmurei.

- Aparentemente, você conhece o meu.

Joguei a faca aos seus pés, de forma derrotada.

- Conheço. – balancei a cabeça, com o fantasma de um sorriso amarelo nos lábios. – E eu jamais mataria o homem que se parece com ele. Não importa o quanto eu queria voltar.

 

 

Não importava o quanto preparei cada passo do meu plano, não importava o quanto eu estava a apenas um passo de completar a missão que me levaria de volta à minha casa. Quando vi que Bartholomew era o Flash, eu desisti de tudo e me rendi, vindo parar numa cela com porta de vidro reforçada à entrada do acelerador de partículas da S.T.A.R. Labs daquela Terra. Fiquei sentada no chão azul, apenas respirando fundo e sem soltar uma palavra enquanto via Barth em pé do outro lado, ainda em seu uniforme escarlate, com quatro pessoas à sua volta – Harrison e Jesse Wells, que eu sabia que vinham do meu universo, e Caitlin Snow e Cisco Ramon, que eram completamente diferente das versões deles que eu conhecia. Todos pareciam um pouco surpresos – e suspeitos, devo acrescentar – da minha falta de tentativa de me libertar.

- Ainda não entendi como você se rendeu tão fácil. – mencionou Cisco, quebrando o silêncio. – Seus poderes são tão incríveis que você poderia acabar com qualquer um.

Eu não consegui segurar uma risada enquanto os outros lançavam-no olhares cruzados.

- Devo dizer que essa sua versão é muito mais agradável. – eu comentei, cruzando os braços, e percebi que ele estremeceu à menção de seu doppelgänger. – Vejo que conheceu Reverb.

- Péssima experiência, devo acrescentar.

- Cisco tem razão. – Jesse se pronunciou e direcionei meu olhar para ela. – Por quê desistiu tão fácil?

Abri a boca para falar, afinal, não é como se guardar isso fizesse alguma diferença, mas fui impedida por uma voz que me era conhecida entrando no túnel redondo.

- Barry, o que está acontecendo? – a figura de Iris West se fez presente e todas as minhas orações de que a doppelgänger dela e de Barth não se conhecessem nessa realidade se tornaram vãs. – Pietra? – sua voz era de surpresa, mas eu não queria ver seu rosto.

Abaixei meu olhar para meu colo enquanto apertava meus braços com as mãos. Senti uma lágrima escorrendo pela minha bochecha e torci para que nenhum deles percebesse. Saber que Iris e Barth estavam juntos na minha Terra era uma coisa, agora saber que suas doppelgängers também ficavam juntos em outras realidades era ainda mais torturante.

- Não. – ouvir novamente a voz dele acalmava meus nervos ao mesmo tempo que me deixava mais alerta. – É a doppelgänger dela da Terra-2. Aparentemente uma meta humana que controla os sentidos.

- Você tinha que ver, Iris – comentou Cisco, parecendo excitado –, ela deixou ele cego e conseguiu com que ele nem mesmo se movesse e, okay, vou calar minha boca agora.

Houve um momento de silêncio excruciante. Eu conseguia sentir os olhos de todos em mim, como se me analisassem nos mínimos detalhes. Eu estava começando a ficar desconfortável, mas evitei ao máximo qualquer contato visual. Aos poucos fui ouvindo murmúrios entre eles e passos se afastando um a um até que pensei que fechariam a porta e me deixariam ali no escuro. Quando isso não aconteceu, criei coragem suficiente para levantar meu olhar e me deparei com Bartholomew sentado à minha frente, observando meu rosto. Nos encaramos no que pareceram horas, e eu aproveitei essa oportunidade única para decorar suas feições sem receios. Apenas das semelhanças com o Bartholomew que eu conhecia, eu consegui listar várias diferenças, a começar pela falta de óculos de grau.

- Por que se deixou ser presa? – ele finalmente quebrou o silêncio. – Por que reagiu daquela maneira quando Iris entrou?

Abri um sorriso torto. – Pensei que teria descoberto há essa altura, Bartholomew.

- Barry.

- Barry? – perguntei, franzindo o cenho.

- É como sou chamado aqui.

Assenti, permanecendo um pouco em silêncio, evitando propositalmente sua pergunta, até que ele se pronunciou novamente.

- Podemos fazer o seguinte: eu te conto a história de como conheci sua doppelgänger e você me conta sua história de como conheceu o meu. O que acha?

Analisei seus olhos verdes que, apesar de não ser do Bartholomew do que eles chamaram de Terra-2, ainda eram os mesmos. Meu coração falhou algumas batidas só de encarar aqueles olhos, mesmo tendo plena consciência de que era um Bartholomew completamente diferente, e isso me deixou confusa.

Limpei a garganta e respirei fundo antes de começar a contar minha história.

- Conheci Bartholomew quando estava no primeiro ano do ensino médio. Nos tornamos amigos rapidamente, praticamente inseparáveis. Ele era tudo o que eu tinha, já que eu nunca tinha conhecido meus pais. Sempre fui apaixonada por ele e cometi o erro de não dizer nada antes de sair da cidade para fazer faculdade. Quando voltei, eles já estavam casados. Não queria estragar a felicidade deles, mas eu precisava tirar aquele peso do peito, então acabei me confessando. Ele me disse sempre soube que eu o amava, mas que ele sempre escolheria Iris, porque ela era o amor da vida dele. – soltei uma risada amargurada ao dizer aquelas palavras em voz alta e tentei evitar o olhar quebrado que Barry me lançava. – Tivemos uma briga e o expulsei da minha casa. Não perdi apenas o homem por quem havia me apaixonado, perdi meu melhor amigo também naquele dia. Eu chorava muito e meio sem pensar eu tomei remédios para nublar meus sentidos. Foi quando o acelerador de partículas explodiu. Bartholomew só me procurou para saber se eu estava bem, já que muitas pessoas tinham morrido. Não dei muita oportunidade para ele dizer nada, eu só prometi que o manteria seguro mesmo que ele não estivesse do meu lado antes de fugir. Passei a viver escondida e fazendo o máximo para não atrair atenção com meus poderes, até que Zoom me emboscou e me arrastou até aqui. – respirei fundo mais uma vez antes de acrescentar. – E é por isso que não tive e nem nunca terei coragem de te matar. Não quando você tem o rosto do único homem que amei, mesmo sabendo que você não é e nem nunca será o Bartholomew que conheci.

Quando finalmente terminei de contar, nós dois permanecemos em silêncio. Barry mexia com as luvas do uniforme, parecendo ter dificuldades para encontrar as próprias palavras.

- Conheci Pietra há alguns meses, ela trabalhava de balconista no CC Jitters, o correspondente ao que você conhece como Jitterbugs, mas que aqui é apenas uma cafeteria. – ele começou e eu prestei atenção a cada palavra dita. – Conversávamos alguns minutos todos os dias e o que eu mais admirava nela era que mesmo com um pouco de mágoa por ter perdido a oportunidade de emprego no Central City Picture News, ela não se deixava abalar. Eu tinha medo de chamá-la para sair, pois não queria que minha identidade de Flash a colocasse em perigo. Acontece que um dia ela teve que ficar sozinha para fechar a cafeteria e um homem entrou armado. Como eu estava preocupado com ela, eu já estava nos arredores, então não demorei muito a chegar. Ela acabou apagando depois de levar uma coronhada na cabeça e eu a trouxe para cá. Quando ela acordou, ela revelou que já sabia que eu era o Flash por causa de um descuido meu um tempo antes. Nós estávamos bem, felizes, até que... – ele deu uma pausa e eu percebi sua voz falhando ao continuar. – ela morreu há quase três meses. Acidente de carro, nem o motorista bêbado que bateu nela sobreviveu.

Engoli em seco minhas lágrimas. Posso imaginar agora sua dor e a surpresa dos outros ao ver meu rosto.

- Sinto muito. – murmurei, mas sei que ele foi capaz de ouvir. – Depois disso, minha história parece apenas drama adolescente.

Ele soltou uma risada, nem seca e nem rude, apenas vazia.

- Ser rejeitado também é uma dor que ninguém deveria passar. É como perder uma pessoa e, mesmo sabendo que ela está viva e saudável, você não pode tê-la nunca. – ele disse, olhando diretamente nos meus olhos.

Ficamos bastante tempo assim. Quanto eu já não sei. Eu só sei que não conseguia desviar meu olhar daqueles orbes verdes. Já não me interessava mais saber que ele não era o Barth da Terra-2 – aquele era Barry da Terra-1 e ele de algum modo me atraía. Tínhamos mais em comum do que imaginamos antes. Senti que com aquela troca de palavras nós havíamos nos conectado de uma forma inexplicável e, por apenas alguns segundos, senti uma vontade irresistível de beijá-lo. Não Barth, mas Barry. E isso me assustou um pouco.

- Barry?! – a voz urgente de Cisco se propagou por um alto-falante e interrompeu nossa troca silenciosa de olhares. – Precisamos de você no córtex, temos um problema.

Levantei-me juntamente com ele e tratei de chamar sua atenção antes que ele sumisse. Eu não sei o que havia de errado comigo, eu só sentia a necessidade de não o deixar sumir da minha vista.

- Barry! – chamei e ele se virou para mim. – Não sei do que se trata, mas eu quero ajudar. Eu posso ajudar no que for preciso. – fiz o possível para não parecer tão desesperada quanto realmente estava.

Vi seu maxilar travando.

- Melhor não. – sua resposta foi curta e o pensamento que cruzou minha mente fez meu coração doer, o que me deixou ainda mais confusa.

- Não confia em mim, não é? – minha voz não passou de um sussurro triste.

Barry piscou algumas vezes e me olhou com uma expressão indecifrável.

- Não se trata disso. Perdi uma Pietra e agora que tenho a oportunidade, não vou me dar ao luxo de perder outra.

Ele acelerou para fora do túnel antes que eu pudesse responder. Não que eu tivesse alguma resposta. Suas palavras me pegaram de surpresa e, não nego, trouxeram um sorriso para meu rosto. Um que eu não abria há muito tempo.

 

 

Horas se passaram desde que o vi. Despois de cansar de ficar simplesmente sentada, comecei a andar em círculos no pequeno espaço da cela onde estava. A cada poucos segundos eu olhava para a porta, torcendo para que ela se abrisse e Barry surgisse, são e salvo. Eu não conseguia deixar de me preocupar e, depois das palavras que ele havia soltado antes de partir, não achava que isso aconteceria tão cedo. Utilizei minhas sensações e sentidos ampliados para conseguir encontrar ao meu redor uma maneira de sair – não tive muita sorte nisso. Analisei então as palavras ditas por Cisco pelo alto-falante, à procura de qualquer dica do que poderia ter levado Barry para fora e construir possibilidades do que aconteceu após isso. Mas Cisco tinha sido superficial demais para que eu conseguisse captar qualquer informação útil.

Quando me dei conta de acabaria ficando louca de tanta preocupação, comecei a gritar e esmurrar as paredes, na esperança de que isso chamasse a atenção de quem quer que estivesse vendo as gravações da câmara da minha cela. Quando quase pensei que aquilo era inútil, o portão para as celas se abriram e um Cisco muito irritado apareceu.

- O que você quer? – ele resmungou. – Estamos bastante ocupados para nos preocuparmos com você no momento.

- Barry. – respondi rapidamente, quase espremendo-me à porta de vidro da cela. – Como está Barry?

A expressão que cruzou seu rosto respondeu-me à pergunta antes mesmo que as palavras saíssem da sua boca.

- Mal. – ele passou a mão nos cabelos, exasperado, e franziu o cenho quando viu uma lágrima escorrendo por minha bochecha. – O meta humano só tocou nele e ele começou a agonizar, reclamando de dor em tudo. Tivemos que buscá-lo de volta para o laboratório e Caitlin ainda não sabe como ajudá-lo. Nem Harry sabe, mesmo ele dizendo que conhecia Stinger da Terra-2. Aparentemente, não tinham descoberto nada para neutralizar.

Fiz o possível para engolir o nó em minha garganta ao tentar me concentrar no nome que ele havia dito. Stinger. Eu o conheci na Terra-2 e realmente não havia nada descoberto para neutralizar a dor física que ele causava apenas pelo toque. Porque não era para ser descoberto. Porque eu me escondia.

- Agora, se me der licença... – Cisco continuou a dizer, alheio à minha epifania. – Meu amigo está quase morrendo em agonia e eu gostaria de voltar ao laboratório e tentar salvá-lo.

- Espera! – exclamei, mais alto do que pretendia. – Eu sei como curá-lo. Por favor, me deixe salvar Barry.

Cisco analisou minhas feições vermelhas pelo choro, suas próprias suavizando ao perceber o quanto eu fui afetada pelas notícias, mas ainda suspeito.

- Me diga como e eu faço. – ele disse.

- Não, não, não. – eu disse rapidamente. – A dor de Stinger só é neutralizada se eu tirar momentaneamente a sensibilidade de tato de Barry, como eu tinha feito no galpão. – quando ele me olhou ainda com ceticismo, eu implorei. – Por favor. Eu juro que volto para a cela se for preciso, só me deixa salvá-lo.

Cisco tocou o painel logo ao seu lado e as portas de vidro de abriram. Ele pareceu meio receoso quando pisei do lado de fora, mas quando eu fiquei parada, sem qualquer tentativa de escapar, ele pareceu se acalmar e me guiou até o córtex. Quando lá chegamos, vi Barry deitado numa maca numa sala de paredes de vidro, com todos ali à sua volta, incluindo Joe West. Os gritos de Barry eram agonizantes para quem ouvia e eu logo me apressei até ele.

- O que ela está fazendo fora da cela? – perguntou Joe, tirando uma arma do coldre e apontando para mim. – Nem mais um passo ou eu atiro.

- Eu a tirei, Joe, abaixa isso. – disse Cisco.

- Por que faria isso?! – perguntou Iris, franzindo o cenho.

- Ela disse que pode salvá-lo.

Joe abaixou a arma ao ouvir tais palavras e vi tal gesto como minha deixa para me aproximar de Barry. Quando o vi ali, soado e se remexendo como se algo quisesse sair por suas entranhas, minha vontade de chorar apenas aumentou, mas engoli as lágrimas. Não queria que ninguém me visse tão frágil, já bastava Cisco. Olhei para Caitlin do outro lado da maca e ela me lançou um sorriso que dizia que ela confiava em mim. Segurei uma das mãos de Barry entre as minhas e respirei fundo antes de sentir meus olhos se iluminando com luzes brancas e ele se largou na maca, como havia feito no chão pavimentado ao lado do balcão dias atrás. Esperei alguns sufocantes segundos, apenas como garantia, e, ainda segurando sua mão, trouxe de volta sua sensibilidade. Mordi meu lábio inferior à espera de algum sinal de que havia funcionado. Quando aqueles olhos verdes que eu esperei horas para ver novamente piscaram algumas vezes antes de se focarem nos meus, eu soltei um soluço involuntário, assim como um sorriso enorme.

Havia funcionado.

- Barry? – chamei, soltando uma das minhas mãos para passar meus dedos por suas mechas castanhas, sem me importar com o suor.

- Hey, Pietra. – ele murmurou com uma voz rouca, piscando lenta e preguiçosamente. – Obrigado por me salvar.

Isso foi o suficiente para que os outros reagissem e se aglomerarem à nossa volta. Caitlin falou que precisava fazer alguns testes apenas por garantia e senti que essa era minha hora. Olhei em volta à procura de Cisco.

- Cisco, me leva de volta para a cela? – perguntei, fazendo com que todos se calassem e se virassem para mim com olhos arregalados.

- De maneira alguma. – Barry disse, tentando se sentar, mas vários pares de mãos se adiantaram para deitá-lo de volta na maca. – Você não precisa mais voltar para lá. Eu mesmo a tirarei de lá se isso acontecer.

Não achei que meu sorriso poderia ter sido maior.

- Além disso – comentou Harrison Wells –, acredito que Pietra será de grande ajuda para capturar Stinger.

- Mas antes – disse Cisco, chamando atenção de todos ali –, ela precisa de um nome.

 

 

Dias depois e um rascunho de plano para pegar Stinger estava pronto. Cisco havia se animado bastante com o nome que havia me dado – Sensy –, já que eu não tinha nenhum em Terra-2 por poucas pessoas terem conhecimento sobre minhas habilidades. Tornei-me amiga de todos em S.T.A.R., até mesmo Iris, mas eu tinha uma conexão especial com Barry. Eu gostaria de pensar que por função de sua semelhança com o Barth que eu amava, mas eu sabia que já não podia mais mentir para mim mesma. E a tensão no ar estava clara para todo do Time Flash. Quando Cisco e Harry – ainda teria que me acostumar a chamá-lo assim – localizaram Stinger, Barry já estava completamente recuperado do último encontro.

Eu estava pronta para finalmente usar o traje que Cisco tinha feito para Sensy. Barry, no entanto, parecia ter outros planos.

- Você fica. – ele disse em voz firme para mim, mas eu não ficaria ali parada enquanto ele arriscava a vida dele.

- De maneira alguma! – insisti imediatamente. – A ideia é eu ir lá e usar minhas habilidades para que ele não use as dele!

- Barry, esse foi o melhor plano que conseguimos. – avisou Harry.

- Vocês têm que ir logo, ele está se aproximando do banco central. – Caitlin falou, com os olhos grudados na tela à sua frente.

Barry respirava profundamente e se virou para mim. Eu vi no brilho dos seus olhos que eu não ganharia essa discussão, por mais certa que eu estivesse.

- Eu me recuso a te perder. – a voz dele era baixa a ponto de apenas eu ser capaz de ouvi-la e rouca como se tivesse acabado de acordar. Ele trocou suas roupas comuns pelo uniforme de Flash em questão de um segundo e se aproximou de mim. Uma de suas mãos entrelaçou-se em meus cabelos e sua testa tocou a minha, permitindo-me sentir sua respiração sobre meus lábios. Combinação perfeita para enfraquecer meus joelhos e tirar qualquer linha de pensamento da minha mente. – Você pode ficar aqui monitorando, mas eu que vou lá fora hoje. Por favor... – ele pediu com a voz tão quebrada que eu não pude negar.

- Tudo bem, eu fico. – ele suspirou, parecendo aliviado. – Mas eu tenho um plano.

Ele me olhou confuso quando nos separei alguns centímetros e tomei seu rosto em minhas mãos.

- Não desvie os olhos dos meus. – alertei.

Demorei apenas alguns segundos, mas foram suficientes para que ele fizesse uma careta de dor. Quando soltei seu rosto, ele piscou algumas vezes.

- O que você fez? Não sinto nada, literalmente.

- Tirei sua sensibilidade ao toque, apenas a resposta dos nervos. – tentei explicar o mais rapidamente possível. – Será como se você estivesse sentindo seu corpo dormente, mas não como no dia que nos conhecemos. Vai conseguir correr normalmente, só vai precisar de um pouco mais de concentração. Se Stinger te tocar, você não vai sentir nada.

Barry abriu um sorriso de orelha a orelha. – Você é incrível.

Ignorei minhas bochechas coradas e tratei de apressá-lo.

- Vá logo! Nunca tentei isso antes, não sei quanto tempo isso vai durar.

Ele se inclinou sobre mim e, antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, ele selou nossos lábios rapidamente antes de sair do laboratório como um raio. Eu fiquei parada no mesmo lugar como uma estátua, tentando entender como aquilo tudo aconteceu e sentindo ainda a sensação do encostar dos lábios dele nos meus. Saí do meu transe quando um assobio longo soou no silêncio e me lembrei que na verdade haviam mais pessoas no córtex. Quando me virei para ficam os computadores, vi Cisco, Caitlin, Iris, Harry e Jesse me encarando de olhos arregalados até que Jesse quebrou o silêncio desconfortável.

- Isso foi intenso.

 

 

Depois que meu plano improvisado pareceu dar certo, todos se dispersaram. Pelo GPS do traje do Flash, Cisco me disse que Barry já estava novamente no S.T.A.R. Labs e Caitlin disse que os vitais deles estavam normais, eu corri para a entrada da prisão improvisada deles. Eu precisava ver Barry. Eu ansiava por esse momento e respirei fundo antes de finalmente dobrar na entrada do túnel circular. Barry já estava fechando o portão quando entrei e ele se virou rapidamente para mim. Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas não dei-lhe esse tempo. Estalei os dedos para desfazer a falta de sensibilidade e envolvi meus braços em seu pescoço para beijar seus lábios.

Ele não hesitou por um segundo sequer, envolvendo minha cintura com seus braços e puxando-me ainda para mais perto, apertando-me contra seu peitoral. Entrelacei meus dedos em seus cabelos, puxando sua boca contra a minha com mais força e necessidade, angulando minha cabeça para aprofundarmos o beijo. Não foi um beijo calmo como eu sempre sonhei que seria o beijo do Barth que eu conheci na Terra-2. Mas eu não me importava. O beijo voraz, necessitado e apaixonado do Barry da Terra-1 me fez perceber que toda a minha vida eu estava atrás do Bartholomew Allen alguém errado. Quando Barry levou uma das mãos até minha bochecha para acariciá-la sem quebrar o beijo, tudo sobre Barth da Terra-2 pareceu sumir da minha mente e tudo o que eu sentia, via, respirava e experimentava era o Barry que me beijava.

Barry se afastou alguns segundos para recuperar o ar perdido, mas logo colidiu nossos lábios novamente, em um beijo ainda mais profundo e cheio de emoções que o último. De repente eu tive uma ideia e decidi colocá-la em prática. Eu tinha todos os meus sentidos mais apurados desde o dia da explosão do acelerador de partículas, mas que sempre tentei adormecê-los de volta para o estado natural. Mas não hoje, não naquele momento. Deixei-os florescer novamente e concentrei-me no gosto dos lábios de Barry contra os meus, no cheiro de sua colônia misturada com o suor da ação de lutar contra um meta humano, na sensação de suas mãos em meu corpo e senti tudo isso se multiplicando a um nível indescritível. Transmiti isso para Barry através dos meus lábios e das minhas próprias mãos e o beijo se tornou algo ainda mais incrível e mágico.

- Wow. – dissemos ao mesmo tempo ao nos separarmos.

- Definitivamente sua habilidade é muito melhor que a minha. – ele murmurou contra meus lábios.

Eu soltei uma risada, beijando seus lábios rapidamente mais uma vez.

- Pietra, eu... – ele começou e eu decidi permanecer calada, ao mesmo tempo ansiosa e temerosa pelas próximas palavras que ele falaria. – Sei que não sou o Barth que você a-amou e você definitivamente não é a Pietra que eu amei, mas... S-se você estiver disposta, quero tentar a-alguma coisa entre nós. Não posso negar que me sinto atraído por você... E-e não só porque você é idêntica a ela, não é isso, de modo algum... Você é simplesmente incrível, e não digo apenas por causa do lance das sensações, mas o conjunto todo é perfeito e...

- Sim, Barry. – interrompi-o, olhando-o carinhosamente, assim como ele me olhava. – Eu quero isso. Quero que haja um nós.

Ele abriu um sorriso, mas ele enfraqueceu levemente. – Mas você tem gente na Terra-2 que...

- Não tenho. – interrompi-o novamente. – Eu te disse que sou órfã e não é como se eu estivesse nos melhores termos com meu melhor amigo ou algum dia estaremos. Então sim, Barry, estou disposta a ficar aqui.

Barry abriu um sorriso que até o momento que eu não havia visto nele, apenas em Barth quando ele olhava para Iris e isso causou uma falha em meus batimentos. Não com o pensamento sobre Barth, mas saber que Barry me olhava daquela maneira e que era sincero.

- A perda é dele. – Barry sussurrou contra meus lábios antes de cruzar o espaço novamente e beijar-me como nunca fui beijada em toda a minha vida.

Derreti-me em seus braços, sem me importar se o Time Flash estivesse vendo tudo pelas câmeras, sem me importar de que o Flash fosse necessário naquele momento em algum lugar da cidade, sem me importar que eu não era a Pietra Montgomery que ele amou meses atrás e a perdeu em um acidente de carro, sem me importar que ele não era o Bartholomew Allen que conheço há muitos anos e se casou com Iris.

Não me importei com nada disso.

Porque, afinal, mesmo que Iris West da Terra-2 tivesse Barth Allen da Terra-2, eu tinha Barry Allen da Terra-1.

E eu não podia pedir por mais nada.

 

 


Notas Finais




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