História Dos Bastidores - Amor e Algumas Intrigas - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Amizade, Homossexualidade, Revelaçoes, Romance Gay, Segredos, Traição
Exibições 42
Palavras 2.450
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Eu voltei...Sim, eu estou melhor, já me entendi com a minha familia e percebi que é mais fácil lidar com eles quando eu não bato de frente. Estão até me mimando, claro que nem tudo é perfeito, mas a gente vai levando.

Pensei muito esses dias e essas duas semanas foram bem agitadas, mas eu consegui me reencontrar e estou bem tranquila comigo mesma.

Aqui está mais um capítulo pra vocês, beijos e Boa Leitura!

Capítulo 15 - As ironias da vida


 

Contado por Henrique.

Meu namorado não estava brincando quando disse que eu iria sair com ele, eu só não esperava que ele fosse se encontrar com um bando de amigos babacas dele.

Nosso passeio com certeza teria sido mais divertido se Lucas me desse mais atenção ao invés de ficar rindo com os seus amigos, ele podia ser um ótimo namorado, mas era péssimo em dividir sua atenção quando se tratava dos amigos. Sim era ciúme, ele me fez sair junto com os amigos dele e mal conversava comigo, foi uma dádiva quando o meu celular tocou e eu pude dar uma desculpa descente pra sair da roda da qual eu mais parecia um intruso.

-Fala Filipe. - Falei contente por ter alguém que "conversaria" comigo.

No entanto sua ligação estava bem distante de me deixar feliz, e depois dos fatos que se seguiriam toda a cumplicidade que unia Filipe, César e eu ficaria abalada. 

-Cara eu fiz merda, vem aqui agora. - Ele falou desesperado. A última vez que eu recebi uma ligação dessas a notícia foi bem desagradável.

-Não faz nada enquanto eu não chegar, eu já to indo.

Desliguei o celular e voltei para o bar onde meu namorado ria de um comentário sem graça do amigo dele. Me abaixei na altura do seu rosto e avisei que eu tinha que sair, "O Filipe não está bem", foi o que eu disse.

-Qualquer coisa me avisa amor. - Lucas selou nossos lábios e eu fui embora.

Dirigi preocupado, nada de bom me vinha a mente e só a possibilidade do meu amigo ter feito algo irreversível já era o bastante para acabar com o meu emocional, apesar dos últimos meses conturbados na nossa relação eu não podia desprezar tantos anos de amizade, e eu seria um hipócrita se dissesse que não o amava mais que a minha própria família.

(...)

Já fazia quase dez minutos que eu havia chegado e meu amigo não parava de andar de um lado para o outro falando que fez "merda" e eu só queria saber que merda era essa que ele tinha feito.

-Se você não me explicar que merda você fez agora eu juro que vou embora, para de frescura caralho.

Filipe parou e só o seu olhar me arrepiou, ele estava me assustando com aquele jeito dele...Como se tivesse matado alguém e quisesse minha ajuda pra esconder o corpo. Ele não chegou a esse ponto, mas realmente era para se assustar.

-Não me julgue, eu não sei o que deu em mim, não sei mesmo cara...eu fui ver o César hoje e...

Filipe parou no meio da frase...respirei fundo não conseguindo controlar as batidas aceleradas do meu coração, eu só pensava no pior e se ele tivesse feito algum mal ao César seria eu que não conseguiria me controlar.

-Não me diga que você...

-Eu transei com ele a força.

Não consegui disfarçar meu espanto. Isso não podia ser sério, pensei incrédulo, e o que veio depois era apenas o toque da realidade.

A decepção é uma das piores sensações, colocamos expectativas nas pessoas, por isso é tão difícil lidar com a decepção...Eu admirava o Filipe...admirava, contudo a decepção que ele me deu foi maior do que a consideração que eu tinha por ele, por um momento deixei de lado nossa amizade e toda a cumplicidade que tínhamos quando eu soquei o seu rosto com raiva, eu já não usava meu lado racional, na verdade eu mal conseguia pensar, tudo que eu sentia era raiva por saber que ele causou dor ao homem que eu amava, mesmo fazendo questão de desprezar esse sentimento, desprezo do qual teria suas consequências, eu ainda amava o César.

-Henrique eu fiquei com muita raiva, mas eu não fiz por mal...eu nem sei o que eu to fazendo, me desculpa.

A essa altura Filipe já chorava sem ligar para o corte no lábio que eu causei e o sangue que escorria do seu nariz, minhas mãos tremiam, e eu deixava a raiva me dominar, como ele pode fazer isso? Entrei em conflito na dúvida se ia ou não até a casa do César, meu coração me dizia que ele precisava de mim, mas mais uma vez meu lado racional falou mais alto, eu não fui até ele...não fui, e me arrependo por isso.

Olhar para o estado degradante do meu amigo não me ajudava a pensar melhor, e por breves instantes me senti tentado a ir embora e deixa-lo sozinho, mas eu não podia virar as costas para ele, não quando ele esboçava tanta dor no olhar.

-Pode me bater, eu mereço...só não me deixa sozinho hoje.

Por breves momentos me senti desnorteado, esse não era meu amigo, não era. Me sentei no chão, eu estava de mãos atadas. Filipe deitou a cabeça no meu colo, seu olhar tão perdido quanto o meu, a raiva ainda estava lá, mas eu não machuquei mais meu amigo, bater nele não mudaria nada...Ambos erramos com o César, ele por abusar do ex namorado e eu por escolher consolar o Filipe mesmo sentindo que o

César era quem mais precisava de mim, talvez eu tenha ficado do lado errado da história.

-Eu devia te arrebentar por ser imbecil. - Falei sem esconder minha raiva.

Filipe fungou alto escondendo o rosto com as mãos, e por mais errado que ele fosse eu ainda sentia pena...

-Levanta Filipe, vamos cuidar desses machucados. - Cedi, ajudando meu amigo a se levantar.

Decepcionado triste e aflito, era exatamente como eu me sentia em relação ao Filipe depois que aquela raiva momentânea já havia passado.

-Ei vai com calma. - Filipe reclamou de dor enquanto eu limpava o corte que eu mesmo havia feito no seu lábio em um momento de fúria, mas ainda era pouco e ele mesmo reconhecia isso.

Analisei bem aquele rosto, meu amigo de infância estava ali e eu não queria acreditar que ele era capaz de fazer mal a alguém por vontade própria, mesmo que tudo indicasse o contrário..."Foi só um deslize"...e eu tentava convencer a mim mesmo que essa verdade era absoluta.

Terminei de cuidar dos machucados que eu mesmo causei e depois de dar um calmante a ele fiquei observando de longe Filipe dormir e minutos depois eu já sentia os primeiros sinais de cansaço, quando meu corpo tombou para frente da cadeira onde eu vigiava Filipe eu sabia que não ficaria acordado por muito mais tempo. Eu só queria dormir um pouco me esquecendo dos problemas que não afetavam somente a mim, teoricamente eu era o menos afetado nessa história toda...teoricamente.

Eu queria muito ir para a minha casa para deitar na minha cama sem mais preocupações, no entanto ele me pediu para ficar e eu fui incapaz de ir embora, tirei meus sapatos e me deitei de costas para ele...Se o Filipe soubesse que nesse instante dividia a cama com um traidor. Realmente, depois daquela madrugada de sábado em que eu fui egoísta o suficiente para dormir com o namorado do meu melhor amigo nada mais seria igual e eu estava começando a viver esse "efeito borboleta" de uma ação impulsiva que eu não deveria ter cometido, mas que mudou por completo o rumo das nossas histórias.

(...)

Contado por César.

Olhei novamente meu reflexo no espelho com raiva do que eu via, levei alguns minutos para cair na real e a verdade é que eu estava sozinho e com o coração gelado. Me vesti fazendo o possível para não pensar em nada, me lembrar do que o Filipe fez me fazia sentir usado, e de fato eu fui. Mas prometi a mim mesmo que apagaria ele da minha vida...esqueceria todos que me fizeram enxergar a pessoa odiosa que eu sou, nada disso teria acontecido se eu não fosse um canalha. 

A campainha tocava mas eu não tinha a menor vontade de atender, ignorei por um tempo até que ela parou...Respirei fundo, "você não vai chorar", repeti mentalmente algumas vezes, chorar só me faria confirmar minha fraqueza e não era isso que eu queria. Arrumei minhas malas pegando só o necessário, eu não precisava de muito...Deixar aquela casa não devia doer tanto...não, mas no fundo eu estava deixando mais do que uma casa.

Saí levando minhas malas, um bom jogador sabe a hora de assumir a derrota e eu já tinha perdido. arrastei minhas malas cabisbaixo, eu nem sabia para onde eu estava indo, talvez tenha sido impulsivo, mas pensar em situações como essa não eram meu forte, entretanto ainda havia uma luz no meu caminho.

-César?

Virei o rosto procurando quem me chamava, eu estava tão distraído que nem reconheci a voz.

-Pai? o que o senhor faz aqui?

-Não posso visitar meu filho mais, e pra que essas malas, por que não avisou que pretendia se mudar? - Meu pai parecia preocupado comigo, claro, ele era meu pai.

Ele não devia saber de nada, mas era do meu pai que estamos falando...no final eu não tinha outra pessoa para recorrer.

Abri a boca tentando falar com ele, mas o choro que eu segurei quando estava sozinho não me deixava falar...é, não da pra ser forte o tempo todo, chorei feito uma criança quando ele me abraçou, e nem mesmo pensei duas vezes quando meu pai me levou pra sua casa. Mas para minha surpresa meu pai não estava sozinho, uma loira bonita foi quem abriu a porta, pelo visto ela já tinha muita intimidade com o lugar.

-Elisa esse é o filho que eu te falei, ele vai passar um tempo comigo.

Ela sorriu para mim vindo me cumprimentar, eu não quis ser mal educado, mas não estava com humor para ser gentil, passei direto ouvindo meu pai cochichar um "Ele não teve um dia bom hoje", ignorei e entrei no meu antigo quarto, não fazia tanto tempo que eu tinha me mudado, mas já sentia falta.

Sentei na ponta da cama refletindo mesmo a contra gosto, minha mente era um lugar difícil de fugir...no entanto, eu não me lembraria mais do Filipe, estava decidido e esqueceria de vez esse sentimento idiota que eu sentia pelo Henrique, nada de bom saia do amor, disso eu tinha certeza. 

Mas o que eu tanto temia aconteceu, meu pai apareceu para me interrogar. 

Ele se sentou do meu lado e passou o braço sobre os meus ombros.

-César eu posso saber o que aconteceu contigo?

-Eu e o Filipe terminamos. 

Sei que já fazia um mês que não éramos namorados, mas eu ainda não tinha dito isso ao meu pai, por falta de tempo talvez ou eu só havia me esquecido, era fato que o nosso namoro não era mais tão importante para mim.

-Poxa filho então é por isso que você foi embora? Nem precisava ter se mudado, era só me avisar que eu continuaria te ajudando com as despesas. - Meu pai me abraçou de lado, "ele vai perguntar e eu não vou querer contar", eu só queria achar um jeito de escapar das perguntas, mas ele perguntou. - Por que vocês terminaram César, foi algo que ele te fez...espera aí. - Ele segurou meu rosto me analisando, foi só então que eu me toquei. - Esse machucado no seu rosto foi ele não foi, deixa eu ver se te machucou mais. 

Meu pai levantou minha camisa, e pela expressão dele se eu fosse o Filipe não apareceria mais, eu quase tinha me esqueci das marcas que ele deixou na minha cintura. 

-Já faz um mês que terminamos pai, eu não fui embora por isso... - Ele fez menção de me interromper nitidamente confuso, mas eu fui mais rápido. - Ele apareceu hoje querendo voltar e como eu recusei ele acabou me batendo, mas foi minha culpa, eu agredi ele primeiro. - Menti, parecia o certo a se fazer.

Não contei a ele sobre o estupro, antes eu até havia cogitado a ideia de contar, mas cheguei a conclusão de que isso só pioraria as coisas.

-Certo...mas se eu ver esse garoto não espere que eu me controle, quero ele longe de você César.

Abaixei o olhar, meu pai era a última pessoa que eu esperava que fosse me consolar.

-Não fica assim não, você vai encontrar alguém melhor. - Ele beijou meu rosto me deixando sozinho em seguida.

Mas aquele não seria mesmo meu dia, a vida não se cansava de me surpreender.

Chega a ser irônico o jeito que a vida nos faz lembrar do que não queremos, entrei naquele quarto decidido a quebrar todos os laços que eu ainda tinha com o Henrique, mas acho que ela não queria que eu me esquecesse tão cedo, algumas coincidências eram irônicas demais.

Meu pai me chamou alguns minutos depois da nossa conversa para assistir um filme com ele e a "amiga", pelo menos esse foi o jeito que ele se referiu a ela, ele fingia que era verdade e eu fingia que acreditava, era recíproco.

Depois de um tempo com eles ficou mais do que na cara que eles tinham um caso não assumido, o que não fazia a menor diferença para mim, não me importava que meu pai namorasse.

Mas quando ela decidiu conversar comigo para "quebrar o gelo" todas as lembranças chatas e recentes que eu queria esquecer vieram a tona.

-Sabia que eu tenho um filho da sua idade? - Ela comentou tentando chamar minha atenção, não funcionou muito bem, mas eu tentei ser simpático.

-Que coincidência. - Falei ainda olhando para a televisão, talvez simpatia não fosse meu forte.

-Você e o Lucas se dariam bem, quem sabe vocês dois não se entendem, meu filho é um garoto lindo, o único defeito é o namorado, Henrique...só ele pra gostar daquele garoto. - Ela suspirou falando com desprezo o nome "Henrique" e eu torcia pra tudo ser uma grande coincidência, ela não podia estar falando do mesmo Lucas e do mesmo Henrique.

-Posso ver uma foto do seu filho? - Perguntei querendo confirmar que eu estava errado e ela veio toda empolgada pensando que eu estivesse interessado no filho dela, o que era absurdo se estivéssemos falando do mesmo Lucas.

-Ele não é lindo. - Ela dizia enquanto passava algumas fotos no seu celular.

Tenho certeza de que eu fiquei mais pálido que um fantasma, ela estava mesmo me jogando para cima do filho dela e eu só queria me trancar do meu quarto e não sair de lá por algumas décadas...Forcei um sorriso concordando com ela, a vida é mesmo uma grande comédia, quem diria que meu pai estaria tendo um caso com a mãe do Lucas, namorado do homem por quem eu estava apaixonado.

Eu só queria distância de todos, mas isso não seria mais tão fácil.
 



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