História Dr Kuster - Capítulo 14


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alemanha, Brasil, Imigração, Medicina, Nazismo, Polônia, Rio Grande Do Sul, Segunda Guerra Mundial
Exibições 50
Palavras 2.476
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Opaaaaa, olá lindos e lindas do meu coração <3
Gente, muito obrigada pelo feedback, ele é muitooooo importante pra mim nesse momento, é delicado, mas vou conseguir ultrapassá-lo, e sabiam que vocês tem me ajudado muito com os feedbacks a espantar o "dementador" da minha frente.

Perdão a demora, e sem mais delongas, vamos ao capítulo, espero que gostem.

O gif tem relação com o último parágrafo (espero que ele esteja funcionando.)

Capítulo 14 - Neuschwanstein


Fanfic / Fanfiction Dr Kuster - Capítulo 14 - Neuschwanstein

É minha intenção reconstruir a ruína do velho castelo em Hohenschwangau, próximo do Desfiladeiro de Pollat, no verdadeiro espírito dos velhos castelos dos cavaleiros alemães (...) a localização é a mais bela que alguém pode encontrar, sagrada e inacessível, um templo digno para o divino amigo que trouxe a salvação e a verdadeira benção ao mundo."

Olhando para a imponente construção e sua paisagem deslumbrante, era possível esquecer por hora tudo o que acontecia. Esquecer por hora que a quase 1 mês Alegra não me dirigia a palavra após horas de gritos e acusações, de ambas as partes, pois admito, fui cruel até mesmo ao acusá-la de ser uma hipócrita ao fazer-se de cega diante de todos os horrores que as pessoas viviam naquele campo, acusá-la de ser conivente com tudo aquilo, e buscar apenas pela sua própria segurança.

Ainda lembro com ele olhava-me incrédula antes de expulsar-me do escritório de seu pai, ao que de fato saí do local, batendo a porta, como tantas vezes a vi fazer, mas o que achei que seria apenas uma briga momentânea, no ápice da raiva, transformou-se em um silêncio torturante. Perdi minhas manhãs, as quais eram gastas explorando seu pescoço enquanto ela lia o jornal confortavelmente deitava em meus braços. Perdi seu humor ácido, seu sorriso tímido, o gosto de seus lábios.

Alegra não aceitava a presença de Frank, um pequeno menino judeu de 5 anos que eu havia trazido escondido em sua bolsa, que por sorte do destino, naqueles tempos, era uma espécie de mala, vista a quantidade de documentos que os Kuster tentavam retirar da mansão e colocar no escritóirio. Natasha tão pouco aceitara a criança, mas comprometera-se em ajudar-me a escondê-lo do General, o que fazíamos desde então, mas agora não era apenas Frank, era Frank, Lizzy, James e Vincent, todos na faixa de 3 a 5 anos, que conseguiam compreender com rapidez que todos os dias teriam de trocar de quarto, que deviam fazer silêncio absoluto depois das 18h, jamais sair ao jardim, mas podiam aproveitar da biblioteca, os dois mais velhos que sabiam ler por conta de pais professores, enquanto os adultos estivessem fora. Natasha optara por ser uma espécie de governanta dos Küster, o que até certo ponto de minha recuperação eu compreendia, visto as exigências de Alegra para com meu tratamento, mas depois disso, ela ainda seguia no local, me deixando um pouco confuso.


Infelizmente, por mais que tenhamos tomado todos os cuidados possíveis, Alegra parecia ter um sexto sentido afiado, e acabara por descobrir a presença das demais crianças em um dia que retornara a mansão antes de mim, segundo Natasha, arrastando Lizzy pela orelha do closet da falecida Ivana Küster, e por mais horrendo que o gesto tenha sido, conseguia compreender em parte a reticência de Alegra ao deixar alguém adentrar aquele local, onde ela tinha tudo o que remetia a sua mãe, mãe essa que ela por tão pouco tempo pode aproveitar. Ainda segundo Natasha, Alegra olhava as crianças com certa desconfiança, mas em algumas noites preparara o leite quente dos menores, até mesmo trançando os cabelos de Lizzy em uma manhã.


Vincent era o mais curioso, chegando até mesmo a descer de bunda pelo corrimão da escada principal da mansão, quebrando um antigo vaso chinês, que graças a algum tipo de divindade que aparentemente gostava muito dele, não tinha sua ausência notada, principalmente se levarmos em conta a quantidade de vasos e demais esculturas e quadros que a mansão possuía.


Frank e James eram primos, estavam aprendendo a ler e escrever, e divertiam-se com cada coisa que encontravam pela mansão, rindo gostosamente em uma noite onde a temperatura resolvera cair demais, e tive de cobri-los com um cobertor peludo que havia perdido em um dos guarda-roupas do cômodo, até mesmo tinha um certo cheiro de guardado, não chegava a ser mofo, mas também não era o agradável aroma que vinha dos recentemente utilizado, mas a eles, que por meses e meses dormiam no chão de pedra frio, uma cama simples e um cobertor quente, era motivo de riso.


Lizzy era a mais nova, e a última criança que me atrevi a trazer, principalmente pelos horários cada vez mais instáveis do General, que passava as vezes o dia inteiro em casa, segundo Natasha, e o mesmo já tinha conhecimento de minhas crianças, pois James em uma tarde, correndo pelo corredor, certamente imaginando que era apenas um dia como outro, acabara barrado ao colidir contra as pernas de meu sogro, ou seria ex sogro?

- Lindo não é mesmo, doutor?

A voz melosa de Bridget Von Schwartz cortava minha linha de pensamentos, e estava parado no sol a não sei quanto tempo, observando o Castelo de Neuschwanstein. Estávamos em viajem por conta do aniversário de Alegra dali a três dias, mas na verdade a festa era uma fachada para encobrir reuniões do grupo que, cada vez mais estranho, fazia parte das reuniões de ‘Valquíria.’

Pensei, em um primeiro momento, que Valquíria tratava-se de uma pessoa, mas Alegra me contara ser uma organização para tomar as rédeas do governo, trazer o fim da guerra e fechar os campos. No teórico, tudo era lindo, mas as consequências envolvidas em todo aquele projeto não eram calculadas de forma muito coerente. Aldo Raine e Donny Donowitz eram criaturas atípicas, sempre com a barba por fazer, roupas desleixadas, uma aparência de mal encarados de fato, e pelo que minhas poucas observações haviam juntado de informação a respeito dos mesmos, carregavam muitas mortes já nos currículos.


- Sim, é muito belo. – respondia a Bridget, adentrando ao imenso prédio pouco tempo depois.


A primeira pedra do edifício foi colocada no dia 5 de Setembro de 1869. O Neuschwanstein foi desenhado por Christian, um desenhista de cenários teatrais, em vez de um arquiteto, o que mostra muito das intenções do Rei Luís II, e explica grande parte da natureza fantástica do edifício resultante. A perícia arquitetônica, vital para um edifício colocado num lugar tão periclitante, foi providenciada inicialmente pelo arquiteto da Corte de Munique, Eduard Riedel, e mais tarde por Georg Dollman e Leo von Klenze.

O castelo foi originalmente chamado de "Novo Castelo Hohenschwangau" até a morte do Rei, quando foi renomeado como Neuschwanstein, o Castelo do Cavaleiro Cisne, Lohengrin, da ópera de Wagner do mesmo nome. Originalmente, o castelo havia sido Schwanstein, a sede dos cavaleiros de Schwangau, cujo emblema era o cisne.

O castelo compreende uma portaria, um caramanchão, a Casa dos Cavaleiros com uma torre quadrada e um Palas, ou cidadela, com duas torres no extremo oeste. O efeito do conjunto é altamente teatral, tanto no exterior como no interior. A influência do Rei é evidente por todo o lado, tendo este demonstrado um entusiástico interesse no desenho e decoração. 


Meus pequenos adoraram o local, e a pequena Lizzy chegava até mesmo a ter os olhinhos cheios de água ao ver seu ‘novo quarto’, uma imensa suíte, que mesmo dividindo com os ‘irmãos’ parecia mais dela do que de mais ninguém. A viagem era deveras cansativa, para despistar os demais membros de Valquíria, Natasha e as crianças foram enviados a Alemanha quase 1 semana antes, e agora era minha antiga enfermeira quem nos recebia, com um sorriso até largo demais para quem estava em meio a guerra, mas uma leve desconfiança me fazia compreender em parte, o porque de seu sorriso.


Devidamente instalados, observava do alto de uma das torres onde ficava uma espécie de sala de jantar, as crianças a correrem pelo pátio, como crianças normais, sem qualquer diferença dos arianos, apenas crianças sendo crianças, de roupas limpas, mais gordinhos do que quando os resgatara, e ainda sentia uma dor no peito ao pensar nas demais crianças que morriam no campo todos os dias, passavam fome, frio, dor. Archie Hicox e Lummertz ocupavam-se com um jornal local enquanto eu estava perdido em meus devaneios, mas voltavam os olhos assim como eu, para a porta de carvalho barulhenta anunciando a entrada dos demais moradores temporários do castelo de sonhos.

- Quem diria que ficava tão bonita de roupas, tenente. – Hicox bradava para Alegra, que com uma saia de cintura alta e uma camisa branca, havia entrado na sala juntamente com Bridget. Minhas mãos fechavam-se instintivamente, segurando-me para não atirá-lo pela janela, ou talvez o que sentisse fosse vontade de puxar Alegra pelo braço e tirá-la da presença incomoda daquele homem, que claramente observava os seios um pouco a mostra pelo botão aberto da camisa, do que seus olhos, e minha raiva estava em conflito com meus ciúmes, pois ao mesmo tempo e que queria matá-lo, queria caminhar até ela e fechar o maldito botão.

- Não me viu sem ainda. – Retrucava Alegra, para meu total desespero, mas as risadas no cômodo e um leve tom de vermelho no rosto de Hicox, deixavam o placar em Alegra 1 x 0 Idiota.

Natasha entrava um tempo depois, timidamente até mesmo, aproximava-se de mim e observava as crianças com o mesmo sorriso que o meu um tempo atrás. Sua aparência ainda era de exaustão, estava mais magra do que de fato era, quase tão magra quanto Alegra, e um fiapo de gente em comparação à voluptuosa Von Schwartz.


- O que está acontecendo, Natasha? – questionava a ela um tanto baixo, não havia necessidade de alarmar mais ninguém, principalmente, pois tinha uma desconfiança de que seu maior mal, não era físico e sim sentimental.
- Estamos em guerra, Manuel. Não tenho como ficar tranquila.
- Acho que não é só isso.
- Preocupo-me com você. Não quero que perca sua doçura, Manu. Preocupo-me com ela, sabe que por trás de toda aquela fachada, ela é uma boa pessoa, me preocupo com as crianças, com todas as outras crianças, é tão difícil... – seguia ela com a voz um tanto embargada.
- Preocupa-se com ele... – insinuava eu, desviando a conversa dos horrores nos campos, que mesmo não tendo visto de fato, Natasha tinha uma boa percepção do que ocorria.
- Não sei do que está falando. – alarmava-se ela, arrumando a postura e voltando a olhar para o pátio.
- Preocupa-se com o General. Ouso dizer que se preocupa até mais do que deveria.


Natasha não tinha tempo de responder, mas o brilho em seus olhos ao ver a entrada do General na sala, denunciava que sofríamos do mesmo mal.


O grupo estava enfim completo, algumas garrafas de Jagermeister caídas pela mesa, várias cartas atiradas pelo chão, cinzeiros cheios, e General Küster bons 8000 Richspfennig mais rico do que no início do jogo. Sempre antes das reuniões era feita uma espécie de jogatina entre eles, onde muitas decisões eram tomadas de forma informal, muitas ideias apareciam, e o foco inicial do projeto mudara um pouco. Ao invés de Hitler, o foco agora era Himmler, considerado como a mente diabólica por trás das estranhas e ainda inutilizadas câmaras construídas em Auschwitz – Birkenau.


- Karl Fritzsch, 1941 – começava Raine, acendendo outro cigarro. – O filho de uma porca ordenara que 10 pessoas morressem de fome, porque um infeliz qualquer conseguiu fugir do campo. Encontrei com ele sozinho um tempo depois, voltando da igreja ainda, quando ainda estavam abertas. Deve ter morrido no primeiro golpe, mas continuei batendo nele até cansar.

- Foi o subcomandante que ordenou a morte de Franciszek, não? O caso do Frei Kolbe?

- Exatamente, General.

Karol havia me contado da história do frei Kolbe há algum tempo. Na sua cela, Kolbe celebrou a missa todos os dias e cantava hinos com os prisioneiros.

Ele levou os outros condenados em canção e oração e encorajou-os, dizendo-lhes que em breve estariam com Maria no céu. Cada vez que os guardas verificam a cela, ele estava lá em pé ou de joelhos no meio a olhar calmamente para aqueles que entravam. Após duas semanas de desidratação e fome, só Kolbe permaneceu vivo. Os guardas queriam a cela vazia e deram a Kolbe uma injeção letal de ácido carbólico.


Algumas pessoas que estavam presentes na injeção dizem que ele levantou o braço esquerdo e calmamente esperou que o injetassem. Os restos foram cremados no dia 15 de Agosto, o dia da festa da Assunção de Maria.


- Caso Maria tenha a aparência de nossas damas, estarei imensamente feliz de receber a morte como uma velha amiga. – novamente Hicox dava o ar da graça, olhando diretamente para Alegra, e a risada do General podia ser tanto nervosa, quando divertida, não saberia dizer.
Os próximos passos eram decididos. Durante a festa, Hicox e Landa teriam a incumbência de vasculhar os arquivos da sala de Himmler, estrategicamente deixada destrancada por Donowitz na noite anterior. Buscariam qualquer tipo de informação útil, novos ataques, estratégias de campo, qualquer coisa que fugisse da alçada do General. Raine ficaria responsável por averiguar uma informação a respeito do paradeiro de Rees, recebida por um menino de recados naquela semana, mas não tínhamos total confiança no remetente, na verdade, falta dele.


O final da reunião era um alívio, Natasha havia nos deixado cerca de 30 minutos antes, dizendo que se ocuparia com o banho das crianças e verificar se a janta estaria pronta, embora duvidasse muito que algum deles fosse jantar algo. Alegra levantava-se pouco depois da reunião ter sido dada como encerrada, e não conseguia deixar de segui-la. Estava cansado de tudo aquilo, sentia saudades dela, havia passado as últimas 2 horas mais ou menos me remoendo de ciúmes, chorando internamente a cada vez que ela cruzava e descruzava as pernas. Era hora de dar um basta nessa infantilidade!


Com recentes reformas para conforto dos hóspedes, o castelo ganhava na ala sul, que dava acesso aos quartos mais altos, um maldito elevador. Suas portas eram completas, nada de grades, do puxa pra cá e puxa pra lá, do sentir-se parecendo uma galinha enclausurada... o elevador era moderno, tinha um grande espelho em seu fundo e um simpático tapete em seu piso. Alegra erguia a sobrancelha ao ver-me caminhar decidido até ela, que já estava no fundo do elevador, mas não lhe dava tempo de questionar nada, tomando seus lábios até mesmo com brutalidade, mas era correspondido com louvor, Alegra tentava acariciar meu peito, mas erguia suas mãos prendendo-as com as minhas. Novamente ela tentava soltar-se, quando lhe puxava o lábio com mais força entre os dentes, mas não a libertava.


- Manu, me solta. – choramingava ela inquieta entre mim e o espelho.


Não sei dizer que andar está ou se o elevador parou, apenas consigo ver a porta ainda fechada, não sei nem se saímos do local, nem mesmo meu medo de elevador parece ter aparecido.


Não, não vou soltá-la, sabe por que, tenente? Há quase 1 mês não a tenho só pra mim, a quase 1 mês sonho com você todas as noites, há quase 1 mês que quero tocá-la e não posso, agora é sua vez de não poder tocar-me. – respondia-lhe antes de reiniciar de onde havia parado.


Notas Finais


Seguraaaaaaaaaaaaaaa Manu Grey hahahahahhahahaah e então, o que acharam???
Sobre Neuschwanstein: https://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Neuschwanstein


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