História Dreaming Alone - Capítulo 34


Escrita por: ~

Postado
Categorias Grey's Anatomy
Personagens Addison Montgomery-Shepherd, Alexander "Alex" Karev, Alexandra "Lexie" Grey, April Kepner, Arizona Robbins, Bailey Grey Shepherd, Calliope "Callie" Torres, Jackson Avery, Mark Sloan, Meredith Grey, Miranda Bailey, Richard Webber, Sophia Robin Sloan Torres, Theodora "Teddy" Altman, Zola Grey Shepherd
Tags Arizona Robbins, Callie Torres, Calzona, Greys Anaomy
Visualizações 285
Palavras 4.565
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


HELLOU!!!!!!! Como vocês estão nessa linda noite? EU ESTOU SUPER TRISTE e feliz por me despedir de vocês com essa historia :'( não consigo definir meus sentimentos no momento.
Nãoo tenho muito o que dizer aqui, mas quero dizer que vocês são incríveis.
Até já.

Capítulo 34 - Te amo de memória, imperecível


Fanfic / Fanfiction Dreaming Alone - Capítulo 34 - Te amo de memória, imperecível

Eu sempre fui o tipo de pessoa que acreditava fielmente em praticamente tudo que me contavam, se você chegasse me contando mentiras, eu acreditaria nelas como se verdades fossem. Se me fizesse promessas, eu cumpriria até o fim. Eu acreditava em estrelas cadentes e em destinos feito por nós, mas um belo dia uma pessoa me fez mudar tudo. Calliope sorriu para mim e meus princípios e verdades foram por agua abaixo, meus desejos e vontades passaram a andar de mãos dadas com os desejos e vontades dela. Ela mudou minha vida em pouco tempo, me mudou para melhor em pouco tempo. Com ela aprendi que nada acontece sem uma razão e que ela era a minha. Callie era meu destino selado.

Pode imaginar que antes eu passava por ela e não me atingia o cheiro do seu perfume? Ou que eu a cumprimentava pelos corredores do hospital apenas por mera formalidade e educação? Acredita que eu nem ao menos sabia descrever seu rosto antes?

Mas naquela festa tudo mudou, ela passou e ficou. Seu perfume se eternizou em minha memória. Posso descrever cada traço do seu belo rosto, mesmo eles anos mais velhos agora. Ela chegou com um sorriso torto e cheio de dentes brilhantes, seus olhos eram diferentes de tudo que eu já havia visto na vida e eu não me refiro a cor deles, me refiro ao sentimento que eles transmitiam quando me analisavam de forma minuciosa, como se quisessem desvendar cada pedaço da minha alma, cada segredo que eu escondia a sete chaves. E de fato ela queria e conseguiu.

Hoje, não existe um pedaço de mim que Calliope Iphegenia Torres não conhecesse, não havia um sentimento que eu pudesse esconder dela, pois como se estivesse respirando ela desvendaria. Callie era o começo, nossos filhos eram o meio e eu era o fim. Nossas vidas foram tecidas juntas, a mais bela historia de amor já vista e escrita...

-Onde você está? –Sua voz doce invade meus pensamentos e me trás de volta para o momento.

-Pensando na vida. –Digo me ajeitando em seus braços.

-Você tem feito isso com muita frequência, Arizona. –Seus braços se apertam em torno de mim e eu fecho os olhos aproveitando da sensação.

-Estou feliz por tudo que conquistei. –Meus olhos se perdem na cena a nossa frente.

Sofia estava com Katherine em seus ombros e sua linda namorada estava com Anthony, os quatros faziam uma briga de galo dentro da piscina. Risadas ecoavam pelo quintal e invadia a casa o tempo todo. Os mais novos agora com dois anos de idade riam sem parar das palhaçadas e brincadeiras dos mais velhos.

Quando comprei essa casa sabia que ela era grande demais para mim, mas achava que seria o suficiente para um novo recomeço e ela realmente foi. Mas vendo nossos filhos brincando entre si percebia que a casa estava se tornando extremamente pequena.

-Acho que devemos fazer uma obra nessa casa, Calliope. Logo os pequenos vão precisar de espaço. Não acho justo Sofia continuar dividindo seu quarto com Katherine e mais para frente dividir com Emma também.

-O que tem em mente? –Pergunta curiosa e me vira de frente. Meus olhos se encontram com os seus e como sempre me sinto em casa.

-Essa semana conversei com Lauren e ela acha que podemos utilizar a parte de trás do quintal e encaixar uma ligação. –Digo acariciando sua nuca.

-Addison, está na cidade? –Pergunta fechando os olhos. –Bom, eu confio nela, podemos ver isso melhor.

-Sim, chegaram no começo da semana para o aniversario do Marcus. Nem posso acreditar que ele já vai fazer um ano.

-Nossos filhos mais novos já têm dois anos, Arizona. Estamos velhas.

-Você está velha, eu sou como o vinho. Quanto mais antigo mais gostoso fica. –Beijo sua boca delicadamente e ela sorri entre o beijo.

-Tem razão, você está realmente gostosa, não posso explicar o quanto está gostosa nesse biquíni rosa.

-Sempre tão tarada, tão insaciável. –Escondo meu rosto em seu pescoço quando ela me aperta contra si.

-Devemos colocar as crianças para se arrumar, está ficando tarde e daqui a pouco está na nossa hora de ir. –Seus lábios se fecham num beijo casto e rápido em minha testa e por mais que eu concordasse não queria sair de seus braços.

-Tem razão. –Me permito ficar naquela posição por mais alguns segundos até que o choro forte de Emma me deixa em alerta e meus olhos procuram pela pequena.

Callie e eu saímos correndo em direção a piscina e encontramos todos rindo e Sofia triste tentando fazer a irmã parar de chorar.

-Sofia, o que esta acontecendo aqui? –Pergunto preocupada vendo a mais nova se agarrar na irmã de forma desesperada.

-Eu a coloquei na agua, mama, e ela se achou a gigante e saiu do meu colo, fez força e eu não consegui segura-la a tempo. Eu e ela bebemos agua. –Sua voz rouca faz com que os demais voltassem a rir.

-Tudo bem, me de ela aqui. –Callie tenta tirar a pequena da piscina e ela acaba sendo puxada pela mesma, arrancando mais risadas dos presentes.

-Calliope, não acredito que uma criança de dois anos derrubou você na piscina! –Digo para morena ainda rindo.

-Você está rindo, Arizona? Sua filha puxou a você! –Esbraveja com um bico lindo nos lábios.  –Uma semana de guloseimas para quem derrubar a mama na piscina! Valendo!

Meus olhos saltam do rosto quando vejo varias ferinhas correndo em minha direção, saindo as pressas da piscina, corro em direção oposta a deles e sou derrubada por Anthony que ri da minha cara. Katherine logo está em cima de mim, fazendo cócegas em minha barriga e rindo.

-Mana Sofia venha! Pegue ela e jogue ela na piscina. –Procura ajuda de sua irmã mais velha que anda até mim parecendo uma felina.

-Sofia! Eu te proíbo! –Repreendo, tentando controlar a risada. –Você não faça isso.

-Desculpa, mama, mas é uma recompensa muito boa. –Diz ajudando os irmãos enquanto me contorço sem parar. –Kah, venha me ajudar até que a mamãe chegue.

-Kah, você não faria isso, sou sua melhor sogra, ficarei sem fazer sem bolo. –Tento argumentar com a ruiva e ela sorri travessa.

Em poucos segundos todos estavam em cima de mim, lagrimas escorriam pelos meus olhos, os pequenos tinham suas mãos gordinhas em meu pescoço, Emma que chorava até segundos antes está ali junto a Brian e os demais. Não consigo manter meus olhos abertos e muito menos controlar minhas risadas.

-Crianças... –Digo sem folego e de repente tudo para e eu consigo finalmente respirar.

Quando minha respiração começa a se tranquilizar sinto meu corpo ser levantado com facilidade e o corpo gelado de Callie se chocar contra o meu, rapidamente nos jogando na piscina. Quando consigo subir para respirar as crianças riam sem parar todos com cara de culpados e um por um vão se jogando na piscina. Emma corre para Sofia que a pega no ar e Brian para Kah que faz o mesmo.

-Todos vocês vão me pagar. Estão de castigo. –Digo tentando parecer seria e Callie joga agua em meu rosto me fazendo rir.

-Tudo bem, mama. –Kathe diz e vai nadando até Callie.

-Temos que sair, crianças. –A morena diz pegando a filha no colo. –Temos que nos arrumar ou vamos perder o aniversario do Marcus e ninguém quer perder a festa dele né?

-Está bem, mamãe. –Todos dizem em uníssono e vão se retirando.

-Sofia, ajude sua mãe. Kah, posso conversar com você uns minutinhos? –A ruiva me olha assentindo e vejo Sofia sorrindo para mim. Provavelmente já sabendo o que vou dizer.

-Claro, tia. –Ajuda a retirar os pequenos e quando eu vejo que todos já saíram e sumiram pela casa me aproximo dela.

-Sofia me contou o que aconteceu, eu sinto muito. Como você está? –Pergunto me aproximando dela e a vejo sorrir triste.

-Não sei dizer, eu sinto raiva? –Diz confusa. –Minha mãe nunca me contou nada, sempre escondeu de mim, esse tempo todo estive no escuro e quando eu finalmente descobri a verdade eu perdi a chance.

-Você não a conheceu? –Pergunto de forma delicada.

-Sim, quando estivemos no Brasil, ela me levou junto a Sofia para conhecer umas praias. O tempo todo elogiava Sofia e dizia o quanto eu merecia ser feliz. Eu achava que era coisa de tia, sabe? Mas ela era minha mãe. O engraçado foi que sua filha percebeu a semelhança entre nós e eu não.

-Como seus pais estão com isso tudo, amor?

-Sinceramente? Eu não sei, eles estão me dando o tempo necessário para engolir essa mentirada toda. –Seu rosto sempre alegre se transforma numa mascara de dor e meu peito se aperta.

-Temos um apartamento perto daqui, fique nele o tempo que precisar, você é de casa, é da nossa família. E nós protegemos nossa família.

-Não quero incomodar, vocês estão fazendo muito por mim, estou procurando um emprego que consiga conciliar com a faculdade.

-Você faz muito por nós amando e cuidando da nossa filha, não deixe seus estudos de lado, prometa isso. –Digo segurando sua mão e lhe dando meu melhor sorriso. –Eu sei que dói e vai doer por algum tempo, mas passa e você não pode esquecer quem você é e quem está se tornando e buscando ser.

-Eu prometo, tia. –Seu sorriso finalmente atinge seus olhos e meu dou por satisfeita.

–Ótimo. Entre, vá tomar seu banho sua tia Addison irá nos matar pelo atraso.

-Obrigada por tudo. Vocês são as melhores sogras do mundo todo. –Diz beijando minha bochecha e sai rindo da piscina.

-Não corra! –Grito para ela que diminui a velocidade, passando por Callie acenando e a morena me estende a toalha.

-Venha loirinha que agora é sua vez de tomar banho. –Sua voz continha uma pontada de malicia e me faz rir. –Sofia ficará feliz quando descobrir que você conversou com a Kah sobre isso.

-Não posso permitir que ela se perca por perder a mãe e descobrir que é adotada.  –Saio da piscina me enrolando na toalha e me envolvendo nos braços da morena.

-Ela não vai, uma hora vai perdoar os pais por eles não terem contado que ela é adotada e vai perdoar a mãe por não ter ficado com ela e por só contar tudo prestes a morrer. –Sua voz é doce e calma.

-Eu sei, Calliope. –Abraço seu corpo de lado e caminho com ela até a entrada da casa. -Eu te amo.

-Eu te amo.

(...)

A festa do pequeno Marcus estava repleta de crianças e muito animada, havia todos os tipos de super-heróis contratos para animar o local e todas as crianças estavam eufóricas e perdidas.

Addison e Lauren como mães do pequeno aniversariante corriam de um lado por outro tentando manter o filho entretido e tendo a certeza que tudo estava dando certo.

Todos nossos amigos estavam presentes e nos olharam de cara feia quando chegamos praticamente 30 minutos atrasados, ninguém conseguia entender como era difícil dar conta de tantas crianças ao mesmo tempo, mesmo que todos tivessem filhos, nenhum deles tinham a quantidade que nós tínhamos então ficava complicado entender.

Mas logo nos perdoaram e a noite passou de forma leve, tranquila e animada. As crianças estavam se divertindo como nunca e nós também, mesmo que não houvesse bebidas alcoólicas no local.

Aos poucos a festa foi acabando e algumas pessoas indo embora, como sempre só nossa panelinha ficava, as crianças aproveitavam a liberdade de poder dormir mais tarde e curtiam tudo como se não houvesse amanhã.

-Temos uma novidade para contar. –Anuncia Jo e Karev.

-Mais um bebê? –Mark pergunta rindo.

-Sim. –Os dois dizem juntos fazendo com que batêssemos palmas animados.

-Já que a noite é de revelações... –Começa Addison olhando para Lauren que assente. –Estamos voltando para Seattle e estamos num processo de adoção.

-Nosso grupo não para de crescer. –Amélia diz deitando a cabeça no ombro de Owen.

-Logo os mais novos estarão nos dando netos. –Jackson ri e Mark emburra como criança.

-Nada de netos, Sofia e Caroline. –Sua voz forte e enciumada faz com que todos caem na gargalhada. –Se bem que talvez seja Harriet ou Zola.

Derek e Jackson fecham a cara no mesmo instante nos fazendo rir

-Eu gostaria de ter netos. –Callie diz, fazendo todos os olhares caírem sobre ela. –Não agora, meus filhos ainda são pequenos. Sofia é muito nova. Digo no futuro.

A cor volta ao normal no rosto de Sofia e Caroline, e eu rio abraçando minha esposa pelo pescoço.

-Pare de falar besteira, morena, nossa filha ainda tem muito que viver, antes de ter filhos. –Deposito um beijo em sua bochecha e ela sorri envergonhada pelo gesto.

Calliope ainda ficava envergonhada com todos os carinhos que eu proporcionava a ela na frente de nossos amigos e eu amava seu sorriso envergonhado. Os anos se passaram e ela ainda era a mulher mais bonita para mim.

Todos estavam animados e mantinham uma conversa animada. Callie seguiu Addison e Lauren para uma conversa longe enquanto eu permaneci ao lado dos nosso amigos, meus olhos como imãs são atraídos para morena e se perdem na postura irritantemente correta de minha esposa e eu sorrio, seus cabelos estavam grandes, caiam em ondas perfeitas por suas costas, sua calça preta colada deixava suas coxas bem delineadas a mostra, sua blusa azul dava um contraste perfeito no tom da sua pele. Ela era a visão dos céus.

-Mama, pare de babar. –Sofia sussurra em meu ouvido de forma doce.

Mas seu pedido era impossível, a morena sorria e gargalhava de forma livre para as mulheres a sua frente, suas mãos repousavam nos bolsos da calça e seu corpo chacoalhava de vez em quando acompanhados pelo som da sua risada.

Aquele sorriso que ela tinha nos lábios me levava ao céu e ao inferno em segundos. Calliope era sem duvidas a escultura mais bonita que existia, moldada a mão especialmente para mim. Minha latina.

(...)

-Calliope, eu não acredito que você vai no lugar da Jo! –Brigo com a morena pelo telefone. 

-Arizona, já discutimos sobre isso milhares de vezes, eu preciso ir.

-Por favor, fique. Não vá. Não gosto de dormir sozinha, menos ainda quando está chovendo. –Choramingo.

-É uma cirurgia importante e eu sou a melhor no que faço, não seja dengosa sabe que preciso ir. –Sua voz é doce e manhosa e meu coração se aperta.

-Não existe cirurgiã ortopédica nesse maldito hospital? –Bufa irritada. –Eles precisam mesmo tirar minha mulher de mim e levar para outra cidade?

-Não faça isso, você fica linda brava desse jeito. Não resisto. –Ela implora. –Volto antes que você sinta minha falta, meu amor.

-Você sempre diz isso, Calliope.

-E eu sempre cumpro! Eu te amo, Arizona. De um beijo nas crianças por mim.

-Não demora, Callie, por favor. Eu te amo.

 

O dia hoje amanheceu a cinzento. Foi passando lento e sufocante. Ah essa saudade no meu peito! Saudade que machuca a alma, saudade da latina que roubou meu coração para si e dividiu comigo uma vida inteira repleta de sentimentos.

-Mama, vem ver essa noticia! –A voz de Sofia desesperada ecoa pela casa e faz meu coração se apertar. –Um helicóptero caiu a caminho de Bellevue. Vai dar mais noticias.

“Um helicóptero com destino a Bellevue caiu agora a pouco com pelo menos cinco passageiros mais o piloto, não se sabe ao certo se há sobreviventes...”.

-Sua mãe estava indo para lá. –Minha voz não passa de um sussurro e seus olhos estão arregalados.

-O que a senhora disse? –Pergunta incerta e Caroline em segundos esta ao lado da namorada e Gabriel ao meu pronto para me segurar caso eu fosse cair.

-Tia, você tem certeza? –A voz insegura de Caroline atinge meu cérebro  numa velocidade recorde.

-Sim, eu tenho. –Digo num fio de voz.

-Não se tem noticias de quem estava nele. –A voz de Gabriel soa baixa e contida.

-Mãe, isso não pode estar acontecendo. –Sofia resmungava agarrada no pescoço de Caroline e eu me mantinha numa distancia segura dela, ou desabaria como ela e tinha os pequenos.

-Desligue a televisão, os pequenos podem acabar ouvindo alguma coisa. –Ordeno para os três. –Vamos esperar por noticias, não tem muito tempo que eu falei com Callie. Logo ela da noticias.

Bom, assim eu esperava que fosse. O que eu não sabia era que os minutos se transformariam em horas de angustias. Horas sem noticias de Calliope.

Sofia, Caroline e Gabriel estavam numa busca incessante sobre noticias, porem tudo que a mídia online divulgava eram boletins rápidos e incertos.

A confirmação de que era o helicóptero que carregava a equipe de médicos do hospital Seattle Grace veio por meio de uma ligação minha ao hospital. Ouvir a confirmação fez com que todo o sangue que corria por minhas veias sumirem. O celular da morena só dava desligado, os pequenos não entendiam o motivo de sua irmã chorar sem parar.

 Mark e Lexie ouviram da noticia na televisão como nós e acabaram ligando para saber de sua amada amiga, mas assim como eles, aqui em casa ninguém sabia. Ninguém fazia ideia.

Algumas horas depois foi divulgado num jornal na internet que não havia sobreviventes. Sofia estava desesperada, Caroline tentava acalma-la e eu tentava me manter calma por ela. Os mais novos tinham adormecido em meu quarto e Gabriel os vigiava, responsável por todos nós.

-Sofia! –Escuto o grito de Caroline e me viro para elas. –Confia em mim, meu amor, Callie é uma mulher forte logo ela passara por aquela porta.

-Kah, minha mãe...ela não pode fazer isso... –O lamento em sua voz corta meu coração.

-Filha, sua mãe esta bem. –Tento parecer firme, mas por dentro eu estava aos pedaços. –Confie na sua namorada, Calliope é forte. Ela vai dar noticias. Não acredite na mídia.

-Zona, você acha que...? –O murmuro de Gabriel era doloroso.

-Não, Gabriel. Ela não ousaria fazer isso com a gente, não depois de tudo. Não agora que estamos felizes e completas. Vamos esperar por noticias. Vocês precisam manter a calma esta bem?! 

Aqui, frente à janela, assisto a chuva que já começa a cair, e molhar a tarde que aos poucos vai se transformando em noite. Pessoas passam apressadas, rumo às suas casas, rumo à seus lares, suas famílias, seus destinos. Eu aqui tão só, mesmo acompanhada. Penso em você, penso em nós. A chuva me chega como companheira me traz à tona momentos que guardo na lembrança, momentos que deixo fluir. São tantas as lembranças de seus sorrisos aconchegantes que me acalmam o coração neste momento. Lembrei-me do seu sorriso, e confesso que sorri também.

Contemplo a magnitude lá fora, por entre a vidraça embaçada. Admiro a força da natureza, os relâmpagos cortando os céus. O que seria de mim neste momento se não houvesse essa montanha de recordações? O silêncio aqui é ponto marcante, apenas a chuva lá fora me trás certo conforto. Mexo e remexo em nossos portas retratos, e me reencontro novamente nas imagens.

 Mágicas formas de lembranças! Tantas boas lembranças que guardo, em todo o amor que de ti recebo, e muito mais no amor que a ti entrego. Vou ficando aqui sentada, aguardando que o futuro chegue logo, e que possamos viver novamente no presente, todo o amor que vivemos no passado. Abraço-te neste momento, um longo e apertado abraço, que o meu amor chegue até você.

Saudade que chega forte, adentrando as portas da noite como a chuva na vidraça, que mesmo sem que me toque eu a sinto. Teu reflexo na janela vem do fundo do meu pensamento, que vai te buscar a distância e a traz nas asas do vento. Teu olhar no escuro brilha, em cada gota que vejo, e encontra meu olhar que se incendeia tendo em mente os carinhos no qual almejo. A noite vai passando triste  e a chuva caindo lá fora, vem trazendo consigo a saudade que eu sinto. “Por favor, Calliope, volta para mim. Para nossos filhos.” Suplico em pensamentos como se de alguma forma você pudesse ouvir meus pensamentos.

 Vejo as luzes da sirene e meu coração da um nó. Não quero saber, não posso saber. Sofia se esconde nos braços de sua namorada, aflita, perdida e sem chão. Meus olhos transbordam sem ao menos conseguir controlar. Sinto minhas pernas obedecerem meus comandos, comandos que eu não sabia que tinha dado e caminho lentamente até a porta, sempre sendo seguida por Gabriel. O melhor amigo da minha filha estava pronto para me segurar se eu precisasse. E eu precisaria.

Ela não podia ter me deixado, ela não podia ter deixado nossos cinco filhos. Eu não queria acreditar, me recusaria acreditar. Perder Calliope significava o fim de uma vida repleta de amor, companheirismo, paixão, plenitude e todas as milhares de sensações que vinham junto ao seu sorriso, suas palavras doces e magicas. Abro a porta e então meu corpo é suspenso no ar enquanto braços firmes me apertam contra si.

-Eu tive tanto medo, Arizona. –Sua voz era como um bote salva vidas em meio ao mar. –Estou aqui, amor.

-Mãe! –Sofia grita e em seguida nos abraça.

Meu corpo ainda esta colado ao seu, meus braços ainda se mantem de forma protetora em volta do seu corpo gelado posso sentir o tremor vindo dele. Mas o alivio aquecia meu peito. 

-Estou aqui, meus amores. –Sua voz era um misto de felicidade e medo.

-Calliope...ah Calliope...-Finalmente sou capaz de dizer seu nome mesmo que seja apenas sussurros.

-Estou aqui, minhas meninas. –Diz nos apertando mais forte numa tentativa de fundir nossos corpos em um, numa tentativa desesperada de sanar toda dor que sentimos essas horas. Todas nós sentimos.

-Você demorou! –Eu a acuso, fungando em seu pescoço. Sua gargalhada se faz presente e aquece meu coração.

-Mas cheguei antes que você pudesse sentir minha falta, meu amor. –Seus lábios encostam-se aos meus num beijo carinhoso e rápido.

A felicidade de poder contemplar ela em casa, salva e segura era a certeza de que finalmente tínhamos passado por todos os testes possíveis que a vida tinha a nos oferecer.

Eu podia sentir minhas pernas tremerem e meu coração saltitar dentro do peito, não consegui me afastar de Calliope desde que ela chegou, estava tomada pela sensação de abandono que ela deixou em mim durante anos e isso impossibilitava que eu me afastasse dela.

Enquanto ela contava o que aconteceu naquele helicóptero, minha mão passeava pelos fios pretos que tanto amo e a outra segurava firme sua mão, numa tentativa de esquecer o turbilhão de sentimentos existentes dentro de mim.

-Estávamos no alto quando ele perdeu o controle, acho que a péssima condição do tempo o fez perder a visibilidade mais rapidamente e então caímos. –Ela gesticula com a mão livre. –Mas antes que tocássemos o chão o piloto amenizou a queda, porém vocês viram o estado dele, foi um milagre todos sobreviverem.

-Nossa, tia. Então foi um tremendo susto! –Gabriel diz e minha esposa confirma brevemente.

-Não quero que fiquem pensando nisso, mas quando começamos a cair em queda livre eu acreditava que não íamos sobreviver. –Ela beija a testa de Sofia, que mesmo mais calma ainda chorava, e respira fundo. –Porem me agarrei no relicário que Arizona me deu e pedi aos céus para voltar pra vocês.

Seus olhos se encontram com os meus e eu posso sentir cada vibra do meu corpo ser dominada pela intensidade vinda deles, era olhando para aqueles olhos que eu sempre descobriria uma forma nova para a palavra amor.

-O que tem dentro dele, afinal? Vocês duas usam e eu não sei. –Caroline pergunta curiosa.

-Uma foto de todos nós no natal passado e uma frase. –Digo admirando o perfil da minha esposa, era a mulher mais linda que tive o prazer de observar.

-Na verdade não é uma frase. –Ela me corrige rindo.

-Calzona! –Sofia grita e rir pela primeira vez na noite. –Eu, papai, e a ma que inventamos, é lindo né? Vocês querem fazer parte do nosso fandom? Somos muitos, quase vinte...

-Sofia não tem jeito. –Callie murmura para mim enquanto nossa filha fala sem parar sobre nós.

Ela tinha um sorriso diferente nos lábios, era um sorriso tão grande que chegava a seus olhos e atingia até meu coração numa proporção inimaginável.  Aquele sorriso era como luz para meus dias, toda vez que as crianças faziam algo e recebiam aquele sorriso eu me sentia incendiar de paixão e amor. Nunca era suficiente, e eu amava quando aquele sentimento único de mãe a dominava e atingia seus olhos, pois ela diretamente bombeava sangue para meu coração, dando forças para que ele batesse em descompasso.

Mais tarde quando finalmente ficamos sozinhas, me permiti chorar toda dor que senti durante as horas longe, suas mãos afagava incansavelmente meus cabelos e limpavam as lagrimas que teimavam em cair, sua boca continha o gosto salgado delas, já que eu não conseguia manter minha boca longe da dela por muito tempo, segundos longe eram transformados em anos e isso doía.

-Arizona, você vai me sufocar e me matar dessa forma. –Resmunga baixinho enquanto aperto ela contra meu corpo pelo que parecia ser a milésima vez.

-Nunca será suficiente. –Respondo, apertando mais ainda meus braços em torno dela.

-Deixe de ser carente, Zona. –Me repreende. –Me deixe respirar, mulher.

-Você pode respirar do jeito que estamos. –Faço bico e ela rir mesmo não vendo, ela me conhecia.

-Arizonaaaa... –Insiste mais uma vez me fazendo bufar e largar ela, nossos olhos se encontram e senti o ar fugir dos pulmões.

Ao lado de Calliope eu vivi os melhores dias e momentos da minha vida, escrever minha historia com ela foi a decisão mais sábia que tomei em toda minha vida. Escolher ser sua mulher e escolher viver esse amor incondicionalmente era algo que nunca me trouxe e eu tinha plena consciência que nunca iria me trazer arrependimentos.

Vejo nossas mãos brincando num ar, um gesto típico inocente que tínhamos adquirido com o tempo, e fecho os olhos quando minha esposa beija a ponta do meu nariz.

-Você é o amor da minha vida, Calliope. –Sussurro enquanto nossas testas se mantem unidas e nossas respirações entrelaçadas.

-Você é amor da minha vida, Arizona. –Lentamente ela roça seus lábios nos meus. –Você me deu a felicidade.

-Posso vê-la transbordando de seus olhos, minha amada esposa. –Respiro fundo me perdendo no mundo repleto de amor que eram seus olhos.

-Você é meu sonho e me sinto maluca por saber que não estou sonhando sozinha. –Ela diz convicta de suas palavras.

-Você é a estrela cadente em céu estrelado, Calliope. Não existe força maior do que a que você exerce sobre mim quando me olha com esses olhos doces e gentis.

-Você é meu proposito.

Na verdade, nossa historia era o nosso proposito, passar por altos e baixos e tantas coisas no caminho era a nossa historia e eu não me importaria de revivê-la todos os dias, na verdade eu sou grata por tudo que vivemos nesses anos todos, pelos filhos que ela me deu, pela pessoa maravilhosa que ela é. Callie Torres era sem duvidas a pessoa mais linda que eu já tive a oportunidade de conhecer e de amar perdidamente.

E posso afirmar que mesmo com milhões de historias perdidas por ai, a nossa sempre será a minha favorita.

“Tudo que a memória ama, fica eterno. Te amo de memória, imperecível.”


Notas Finais


Entãaao como estamos?
Entãaao chegamos aqui né e eu preciso confessar que estou chorando hahaha
Queria agradecer vocês por tudo que me proporcionaram nesses meses, vocês são incríveis e como sempre digo, morro de vontade de pegar cada um de vocês e colocar num potinho para dar amor e carinho sempre e todos os dias.
Vocês fizeram de pensamentos soltos uma historia maravilhosa e eu sou muito grata a vocês pq sem vocês eu não iria conseguir colocar tudo para fora.
Quero agradecer também por terem abraçado de forma tão sincera a Eliza, sei que por vezes ficaram perdidos, mas era alguém muito especial para mim na fic...alem dos meus amores é claro.
E por fim, obrigada por cada comentário, cada favorito, cada conversa e palavras ditas em relação essa fic. Eu amei e me sentia feliz lendo. Isso inclui tbm quem leu e nunca comentou. Todos são especiais. Obrigada por tudo.


"Uma historia quando é verdadeira não tem ponto final, tem apenas reticencias para continuar no futuro..."
Então isso não é um verdadeiro adeus... é um "até quem sabe"...

twitter: @incapshawheart <3


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