História Driven - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Tags Camila Cabello, Camren, Lauren Jauregui
Exibições 417
Palavras 8.114
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá pessoal...

Bom, Chegamos ao Capítulo do encontro de verdade. Eu vou dividir em três partes porque está MUITO grande como vocês podem ver esse capítulo de hoje tem 7K então é impossível postar tudo de uma vez.

Outro recadinho que não é muito bom... eu vou começar a reformar meu quarto essa semana e pode ser que não consiga postar no final de semana e nem na próxima semana, não fiquem tristes, eu vou escrever os capítulos e quando eu voltar eu posto a parte dois num dia e a parte três no outro, ok?

Espero que gostem...

Boa Leitura ;)

Capítulo 14 - O Encontro - parte 1


Fanfic / Fanfiction Driven - Capítulo 14 - O Encontro - parte 1

Enquanto me preparo para o encontro desta noite, lembro do conselho de Dinah. A música que está tocando – A mesma que Lauren mencionou em sua mensagem – me faz sorrir.

“Vista-se de modo casual. E já que você ainda parece preferir fugir a conversar, usarei seu método de comunicação para transmitir minha mensagem. Taio Cruz, “Fast Car”. Vejo você às seis.”

Dinah mais uma vez lança um sorriso sabichão quando mostro a mensagem e fuço seu iPad para encontra a tal música. Gargalhamos ao ouvir a letra. “Quero dirigi-la como se fosse um carro veloz”. Sem dúvida é a cara de Lauren.

Juntas, procuramos uma música para enviar para ela.

- Tem que ser algo que a faça pensar em você pelo resto do dia e que realmente a surpreenda – diz Dinah, enquanto vasculha em sua enorme lista. Depois de algum tempo, ela grita – Achei a música perfeita, Chancho!

- Qual?

- Apenas ouça – ela diz, colocando para tocar.

Começo a rir imediatamente, conheço-a e gosto da sensualidade que ela carrega. Antes mesmo de nos darmos conta, Dinah e eu estamos dançando no meio da sala, cantando em voz alta. A música é mesmo perfeita! Sexy, sugestiva e confiante. Tudo o que sinto, mas tenho vergonha de colocar em palavras. Antes de perder a coragem, envio a mensagem para Lauren.

“ Ótima música, Ace. É a sua cara. Agora tenho uma para você que diz muito sobre mim. Mya- My Love is Like Whoa! Espero você às seis.”

Poucos minutos depois, recebo outra mensagem:

“Porra! Agora estou empolgada. Seis horas.”

Sorrio ao me lembrar da nossa última conversa e sinto uma espécie de tremor por todo o corpo ao imaginar que exerço tal efeito sobre ela. Olho para o espelho e analiso cuidadosamente a roupa escolhida, atendendo ao conselho de Lauren de vestir algo casual: jeans e uma blusa caxemira na cor preta. Opto por deixar de lado o estilo mais carregado e sofisticado que Dinah costuma utilizar, e cuidar eu mesma da maquiagem e do cabelo. Escolho algo leve bem natural: um pouquinho de blush, brilho nos lábios, lápis esfumado e rímel para alongar os cílios e ressaltar meus olhos. Depois de testar algumas possibilidades para o cabelo, escolho deixar eles soltos e espalhados sobre as costas. Acrescento um par de brincos brilhantes bem simples.

Giro o anel que sempre trago no dedo e penso se deveria ou não usá-lo naquela noite. Examino-o por algum tempo: são três faixas estreitas e entrelaçadas de diamante, que formam ondas. Passado, presente e futuro. Ainda consigo escutar as palavras exatas que Max sussurrou em meu ouvido na noite em que me pediu em casamento. Fecho os olhos e sorrio com a lembrança, surpresa pelo fato de as lágrimas que geralmente ameaçam cair não terem aparecido. Brinco com o anel mais um pouco antes de retirá-lo, ainda um pouco hesitante, admirando-o, e então o guardo no porta-joias. Para logo em seguida pegá-lo de volta, indecisa, um mar de emoções se revoltando dentro de mim.

Novo começo, lembro. Dou um suspiro, controlo minha respiração e volto a guardar o anel. Tenho carregado aquele anel nos últimos três anos e, sem ele, me sinto como se estivesse nua por dentro e por fora. Mexo o dedo e percebo a faixar mais clara protegida do sol. É como se um grande peso tivesse sido retirado dos meus ombros, mas, ao mesmo tempo, estou triste por saber que chegou a hora de segui adiante. Beijo a faixa branca no meu dedo e digo um silencioso “Eu te amo” para Max, parando um segundo para absorver a importância daquele momento antes de cuidar dos últimos retoques na frente do espelho.

Estou calçando minhas botas pretas de salto alto quando a campainha toca. Levo a mão à barriga, considerando muito estranho o fato de estar tão nervosa. Ela já me viu pelada e, mesmo assim, ainda me sinto desconfortável. Dinah dá um berro dizendo que vai abrir a porta. Pego a jaqueta de couro e a bolsa, olho a última vez para o espelho e sigo em direção ao hall de entrada. De um jeito nervoso, esfrego as mãos no quadril, ajeito a blusa. De pé no tapete, o barulho dos saltos que se repete sobre o piso de madeira agora está abafado. Ouço a risada de Lauren no momento em que me aproximo da sala de estar.

Ela está de costas para mim quando entro na sala. Inspiro fundo ao vê-la. Está vestindo jeans, apertados na bunda e nas coxas. Essa mulher sabe bem com preencher suas calças. Sua blusa de manga vermelha. A parte de trás do seu cabelo ondula cobrindo as costas. Sinto vontade de enfiar meus dedos entre aqueles cachos. Lauren exala charme, sua rebeldia irradia calor e autoconfiança. Basta um único olhar naquela mulher para sentir vontade, desejo e medo, tudo ao mesmo tempo. E ela é toda minha esta noite.

Antes que Dinah possa perceber minha entrada na sala, Lauren interrompe o que estava dizendo. Meu corpo se contrai com a expectativa, e o desejo profundo que ela despertou em mim atinge agora novos níveis quando ela me olhar por sobre o ombro. Parece que ela sentiu minha presença. O ar no recinto crepita com a energia provocada pelo encontro de nossos olhos, nossos corpos vibram.

- Camila – Meu nome surge como um suspiro em sua boca, essa única palavra carregando grandes possibilidades para aquele encontro.

- Oi, Camila. – É impossível camuflar o prazer que sinto em vê-la novamente. Sorrio, na expectativa de que ela perceba o quanto quero passar aquele tempo a seu lado e, ao mesmo tempo, temendo que ela consiga ler as emoções ocultas sob minha excitação.

Paramos de frente uma para a outra enquanto ela abre um enorme sorriso. Diante de seu olhar, brinco com a alça da bolsa, ansiosa.

- Belíssima, como sempre – finalmente diz em voz baixa, fazendo-me sentir como se todo o ar do ambiente tivesse sido sugado. Ela estica o braço e desliza a mão sobre meu braço nu. O contato é casual, mas poderoso. – Você está pronta?

Três palavras. É só isso, mas Lauren consegue fazer com que ela soem sedutoras. Aceno com a cabeça e murmuro.

- Uhum...

Neste momento, sou pega de surpresa quando ela se aproxima e beija a pontinha do meu nariz. Um gesto tão simples e, ao mesmo tempo, tão inesperado para alguém como ela.

- Então vamos.

Olho por sobre o ombro e sorriso para Dinah, como que me despedindo silenciosamente. Consigo ver o sinal de positivo que ela faz antes de sairmos.

Lauren coloca a mão nas minhas costas e me leva até a Range Rover. Aquele sutil toque acalma meus nevos. Antes de alcançar a maçaneta do passageiro, ela mova a mão para a minha barriga e gira meu corpo contra o dela. Prendo a respiração. Aquele contato inesperado desperta dentro de mim brasas adormecidas, me incendiando. Ela coloca seu outro braço ao redor dos meus ombros e inclina a cabeça, aninhando-a na curva do meu pescoço. O calor de sua respiração, a intimidade sugerida por aquele toque e o vislumbre do lado afetivo de Lauren fazem com que eu feche meus olhos momentaneamente para me manter firme e aquietar a mistura de sensações que percorre minhas entranhas.

- Obrigada por aceitar meu convite, Camila – ela murmura, antes de beijar abaixo de minha orelha – Agora, me deixe te mostrar ótimos momentos. – Inclino a cabeça contra seu rosto e fecho novamente os olhos, curtindo o calor do seu corpo contra o meu. Num piscar de olhos, ela se distancia de mim e abre a porta do carro, fazendo um gesto delicado para que eu entre.

No momento em que Lauren chega ao volante, o silêncio típico retoma seu lugar. Ela prende o cinto de segurança e olha para mim. A despeito da apreensão estampada em seus olhos, ela estende o braço e coloca a mão sobre meu joelho, apertando-o levemente.

Seguimos em um silêncio confortável enquanto observo as ruas do bairro ficando para trás. A lua cheia e brilhante já ilumina o céu da noite quente de janeiro. Olho para Lauren e vejo as luzes da rua criarem um brilho em seu rosto. Um cacho do cabelo escuro recai sobre seu rosto; observo enquanto seus olhos emoldurados por longos cílios escaneiam a estrada. Seu perfil é impressionante: o nariz é perfeito, a poderosa estatura facial abre espaço para lábios esculpidos de modo sensual. Meu olhar desvia para seus braços e suas mãos hábeis no volante. Aquela combinação entre cabelos escuros, olhos verdes-esmeralda e pele branca e macia, tudo isso mesclado a uma atitude indiferente. Do tipo que faz com que você queira ser aquela pessoa que realmente importa, capaz de exceder o exterior rígido. Isso deveria ser proibido por lei. Ela realmente é de tirar o fôlego de qualquer pessoa.

Quando me concentro novamente em seu rosto, ela me encara por alguns segundos antes de voltar a olhar para a estrada. Um sorriso tímido se forma em seus lábios, numa única demonstração de que está atenta ao meu olhar. De repente, o carro ganha velocidade ao entrar na rodovia, e então dou risada.

- O que foi? – ela brinca, apertando meu joelho.

- Você realmente gosta de ir rápido, não é, Ace? – Percebo a insinuação no momento em que digo aquelas palavras.

Ela me olhar com um sorriso safado nos lábios, prenunciando cada palavra de sua resposta.

- Você nem faz ideia do quanto, Camila.

- Na verdade, acho que faço sim – respondo de modo irônico, enquanto Lauren se inclina para trás e solta um gargalhada, balançando a cabeça – Não, falando sério, o que te atrai tanto na velocidade?

Ela pensa por alguns segundo antes de responder.

- A tentativa de domesticar... – então para, reconsiderando as palavras antes de recomeçar – Ou melhor, a busca por controlar o incontrolável, eu acho.

- Essa é sem dúvida uma ótima metáfora – digo, sem conseguir evitar imaginar se ela está se referindo a algo mais profundo.

- O que quer dizer? – ela pergunta de modo inocente.

- Alguém certa vez me disse que eu deveria pesquisar mais sobre os meus encontros. – Olho para ela e percebo-a erguendo as sobrancelhas diante do meu comentário – Você é bem selvagem e rebelde, não é?

Lauren abre um sorriso mais luminoso que o sol antes de responder.

- Bem, ninguém poderia me acusar de ser chata e previsível – diz, olhando para o retrovisor antes de mudar de faixa. – Além disso, deixar para trás seus demônios acaba fazendo isso com você – Antes que eu possa processar aquelas palavras, Lauren habilmente muda de assunto – Comida ou diversão primeiro?

Quero fazer mais perguntas e entender o que ela quis dizer com aquele comentário, mas mordo a língua e respondo:

- Diversão. Definitivamente, diversão!

- Ótima escolha – ela responde, antes de praguejar ao ouvir o toque do seu celular no alto-falante do carro – Me desculpe – diz, antes de apertar um botão no volume.

A tela mostra um nome familiar – Tawny – e fico furiosa imediatamente. Pesquisar sobre a mulher com certeza me trouxe mais informações que apenas algumas encrencas aqui e ali. Sei quem é a mulher, como ela é, e também que tem sido sua parceira regular em vários compromissos durante anos. E, nos três encontros que tive com ela, é a segunda vez que ela liga. Aquele súbito surto de ciúmes me surpreende, e se torna mais forte quando ouço o modo familiar com que Lauren fala com ela.

- Oi, Tawn. Você está no viva-voz – alerta.

- Oh! – ela diz. Não consigo evitar sentir um pouquinho de prazer ao ouvir a surpresa em sua voz – Pensei que tivesse cancelado seu encontro com a Raq...

- E cancelei – ela responde rapidamente. – O que posso fazer por você, Tawny? – ela pergunta, com um tom irritado.

Que comentário malicioso da parte dela. Afinal, e se a pessoa no carro fosse a Raquel? Sinto como se ela estivesse tentando marcar seu território: Lauren.

Depois de um momento de silêncio, ela responde:

- Bem, só liguei para dizer que as cartas comerciais já foram enviadas hoje mesmo para os patrocinadores. – E como Lauren não responde nada, ela continua – Então...era só isso.

O quê? Ela trabalha para ela? Junto com ela? Diariamente? Era só disso que eu precisava para que o monstro chamado ciúmes colocasse suas garras para fora. Maravilha.

- Ótimo, obrigada por me manter informada. – Com tais palavras, ela aperta o botão e desliga de maneira abrupta. Lauren solta um forte suspiro, e devo dizer que uma parte de mim fica feliz diante sua impaciência.

- Desculpe – diz novamente, e tenho certeza de que está se referindo ao fato de Tawny ter mencionado Raquel. Então elas são um pacote. A loira não era apenas uma vagabunda qualquer que ela encontrou no clube naquela noite. Meu lado felino celebra o fato de que foi comigo que ela saiu aquela noite, enquanto meu lado compassivo recua ao se lembrar que Lauren não é o tipo de pessoa fácil de superar e esquecer.

- Sem problemas. – Dou de ombros ao perceber nossa localização. Estamos saindo da cidade, ou seja, indo na direção contrária à que eu esperava.

Continuamos curtindo um silêncio confortável por mais alguns minutos até que Lauren faz uma curva e para diante de uma enorme e iluminada roda-gigante. Olho para ela e meu coração bate levemente ao perceber o sorriso infantil em seu rosto. Lauren ultrapassa os portões ornamentados do parque e estaciona numa área de terra batida.

Meus olhos se arregalam diante daquela cena. O lugar está repleto de todo tipo de atrações típicas de um parque de diversões. Tem de tudo, desde placas piscantes anunciando as famosas barraquinhas de jogos que ninguém consegue ganhar nunca, até alimentos gordurosos que ninguém merece. Estou animada.

Ela então olha para mim.

- E aí, você gosta? – juro que consigo sentir certo nervosismo em sua voz, mas sei que é impossível. Principalmente partindo de alguém tão confiante e segura de si mesma como Lauren Jauregui. Será mesmo?

Aceno afirmativamente com a cabeça, com o lábio inferior entre os dentes enquanto ela sai do carro e dá a volta para abrir a porta para mim.

- Estou empolgada! – respondo. Ela pega minha mão e me ajuda a sair do carro, fecha a porta e se vira para mim, posicionando-me de costas para o veículo. Seus olhos flamejam de desejo no momento em que me encara e desliza suas mãos pelo meu pescoço, esfregando seus polegares nas minhas bochechas.

Consigo ver os músculos de seu maxilar se contraírem quando ela acena a cabeça, com um leve movimento negativo, respondendo silenciosamente a algum conflito interno que estampa em seus lábios a sombra de um sorriso.

- Eu queria fazer isso desde que saí de sua casa essa manhã. – ela se inclina em minha direção, nossos olhos conectados – Desde que recebi sua mensagem de texto. – ela ergue as sobrancelhas. – Você me deixa completamente intoxicada, Camila...- Suas palavras invadem minha alma, conforme ela estreia a distância entre nós.

Sua boca captura a minha num beijo vertiginoso, tentando-me com seu gosto viciante e fazendo-me lutar para manter o equilíbrio. Sua boca possui a minha como a reclamando para si, mas o beijo é tão recheado de carinho e ternura, de emoções indescritíveis, que simplesmente não quero que termine.

Mas infelizmente termina, e tenho que me apoiar firmemente em seus braços para me manter de pé. Ela dá um beijinho doce na ponta do meu nariz e pergunta:

- E aí, pronta para se divertir?

Não sei como espera que eu responda depois de ter roubado todo o ar que eu tinha nos pulmões, mas, após um segundo, consigo dizer:

- Definitivamente!

Ela me solta e abre a porta traseira, pegando um boné de beisebol preto surrado e com um fio escapando da aba frontal. O logotipo é o desenho de um pneu com duas asas saindo do centro, com as extremidades erguidas.

Lauren o enfia na cabeça com as duas mãos, tentando ajustá-lo adequadamente antes de se virar para mim.

- Desculpa, mas as coisas ficam mais fáceis quando não sou reconhecida logo de cara.

- Não tem problema – digo, estendendo a mão para ajeitar a aba. – Gosto desse boné.

- Jura? – Ela segura minha mão e começamos a caminhar por entre os carros estacionados rumo à entrada.

- É, eu tenho uma queda por pessoas que jogam beisebol – provoco, olhando para ela e tentando me manter séria.

- Não sente nada por pessoas que gostam de corrida? – pergunta, dando um puxão na minha mão.

- Não necessariamente.

- Então acho que vou ter que me esforçar mais para persuadi-la – ela diz, sugestivamente.

- Talvez demore um pouco – Ela tem um sorriso divertido, os olhos escondidos sob a sombra do boné. Balançamos as mãos para frente e para trás. – Você acha que está à altura desse desafio, Ace?

- Ah, Camila... – ela brinca – Não peça algo com o qual certamente não conseguirá lidar. Eu já te disse, posso ser bastante persuasiva. Não se lembra da última vez que me desafiou? – ela me puxa para mais perto e coloca o braço em volta da minha cintura.

Como eu poderia esquecer? Só estou aqui neste momento por conta daquele pseudodesafio.

Nós nos aproximamos da bilheteria e Lauren me solta para poder comprar as entradas e duas pulseiras que nos garantem  acesso a todas as atrações. Entramos no parque e ela volta a ajeitar seu boné, cobrindo ainda mais os olhos, antes de colocar a mão nas minhas costas. O cheiro de óleo, sujeira e churrasco preenche meu nariz enquanto meus olhos se acostumam com as luzes piscantes. Consigo ouvir o som da pequena montanha-russa montada à nossa direita, assim como os gritos de seus ocupantes quando o carrinho despenca das alturas. Crianças pequenas caminham pelo local com os olhos bem abertos e surpresos, segurando balões coloridos com uma das mãos e, com a outra, buscando a segurança dos pais. Adolescentes perambulam pelo local de mãos dadas, achando maravilhoso o fato de estarem aqui sem os pais. Não consigo esconder meu sorriso; apesar da idade, estou muito empolgada. Não frequento lugares como aquele desde que tinha a idade daqueles adolescentes.

- Onde você quer ir primeiro? – Lauren pergunta enquanto andamos vagarosamente pelo caminha central, sorrindo e educadamente recusando as ofertas dos donos das barraquinhas.

- Pelos brinquedos, claro! – digo, olhando para o lado, sem saber ainda por qual atração devemos começar.

- Uma pessoa que compartilha de minhas preferências. – Ela bate levemente com a mão no peito, sorrindo.

- Sua viciada em adrenalina! – digo, enquanto dou um leve empurram em seu corpo.

- Com certeza! – ela ri. Chegamos perto do que parece ser o centro das atrações, pelo menos segundo a informação na placa. – Então, qual deles, Camz?

Olho para todas as opções e reparo que várias pessoas estão olhando para nós. No inicio, me preocupo que alguma delas tenha reconhecido Lauren, mas então percebo que provavelmente estão apenas admirando a mulher charmosíssima que está ao meu lado.

- Hum... – Contemplo todas as opções, e escolho uma de minhas eternas favoritas, apontando para a mais próxima de nós. – Eu costumava adorar essa aqui quando era criança!

- O bom e velho carrossel de xícaras – Lauren diz, rindo e me puxando na direção do brinquedo – Vamos então!

Ela se mostra tão entusiasmada e afetuosa. Uma mulher acostumada a dirigir a centenas de quilômetros por hora em pistas de corrida de verdade, habituada a confraternizar com algumas das maiores estrelas de Hollywood, que poderá estar em qualquer outro lugar mais sofisticado nesse momento, está feliz em entrar numa xícara rodopiante. Ao meu lado. Tenho que me beliscar para acreditar.

Entramos na fila para aguardar nossa vez, então ela me cutuca com o braço.

- Fale mais sobre você, Camila.

- Essa é a parte do encontro que se poderia chamar de entrevista? – provoco – O que quer saber?

- Sua história. De onde vem? Como é sua família? Quais são suas manias secretas? – sugere, pegando a minha mão e levando-a até os lábios. Um simples sinal de afeição sobre a muralha de proteção que construí em torno do meu coração.

- Com todos os detalhes mais sórdidos, não é?

- Exatamente. – Um sorriso ilumina seu rosto, enquanto ela me puxa em sua direção para poder apoiar casualmente suas mãos em meus ombros – Conte-me tudo.

- Bem, eu venho de uma família normal de classe média de Miami. Minha mãe é dona de uma empresa de design de interiores e meu pai é restaurador de objetos antigos.

- Legal! – Lauren exclama, enquanto ergo as mãos para segurar as dela. – E como eles são?

- Meus pais? – Ela acena a cabeça afirmativamente. Aquela pergunta me pega de surpresa, pois vai além de algo superficial. É como se ela realmente quisesse me conhecer. – Bom, o meu pai é um típico pai de família. Tudo tem que estar em ordem, enquanto minha mãe é super criativa. Um espírito livre eu diria. Acho que os opostos realmente se atraem. Somos bem próximos. Eles sofreram muito quando decidi ficar em Los Angeles depois de terminar a faculdade. – Ergo os ombros. – São ótimas pessoas, apenas se preocupam demais. Você sabe, Típicos pais. – Continuamos conversando enquanto um grupo deixa as xícaras e outro toma seu lugar. – Tenho muita sorte em tê-los – digo a ela, sentindo um pouco de nostalgia. Não os vejo já há algumas semanas.

- Irmãos? – pergunta, brincando com os meus dedos e segurando minhas mãos.

- Tenho uma irmã mais nova, Sofia. – Pensar nela me faz sorrir. Lauren ouve a reverencia em minha voz conforme falo sobre minha irmã, e sorri delicadamente. – Ela mora no oriente médio. Na faculdade ela conheceu uma amiga e essa amiga a chamou para trabalhar na empresa de seu pai por lá e então ela que já era bem independente, foi. Ela é correspondente na Associated Press.

Ela percebe minha feição preocupada.

- Bem, esse não é exatamente o trabalho mais seguro nos tempos de hoje, não é? Parece que você se preocupa bastante com ela.

Inclino o corpo na direção dela.

- Sim, mas ela está fazendo o que gosta.

- Com certeza, entendo o que quer dizer – ela diz. Avançamos um pouco mais. – O que acha? Será que vamos conseguir entrar dessa vez?

Eu me viro e dou um passo para frente, ficando na ponta dos pés para observar a fila. Sinto um arrepio quando suas mãos me seguram na cintura. Mantenho meu olhar por mais tempo que o necessário, sem querer que ela encerre aquele toque.

- Hum, acho que só da próxima vez – respondo, repousando os pés no chão.

Em vez de remover as mãos, Lauren me abraça e coloca o queixo sobre o meu ombro. Mergulho o rosto em sua pele e fecho os olhos para absorver aquela sensação. Minha atitude delicada contrasta com sua postura firme.

- Então, continue a me falar sobre você – ela sussurra em meu ouvido, sua pele macia roça em meu pescoço enquanto fala.

- Na verdade, não tenho muito mais a dizer – dou de ombros, sem querer que ela se mova. – Eu era uma negação nos esportes na escola. Fui para a Universidade da Califórnia. Conheci Dinah, minha colega de quarto, logo no primeiro ano. Quatro anos depois, me formei em Psicologia, com um diploma secundário em Serviços Sociais. Consegui esse emprego e tenho trabalhado lá desde então. Uma narrativa normal e bem entediante.

- O normal não é entediante – ela corrige. – Normal é o desejável.

Estou prestes  a perguntar o que ela quer dizer quando a fila anda e somos direcionadas para um tablado irregular, onde entramos em uma xícara gigante, abaixamos a barra de segurança e esperamos que os demais passageiros se acomodem. Lauren desliza seu braço pelas minhas costas antes de continuar.

- E quanto às suas manias? O que você precisa ter a qualquer custo?

Além de você? As palavras quase escorregam da minha boca, mas consigo detê-las antes que seja tarde demais. Olho para ela, estreito os olhos e a alerto:

- Não ria!

Ela solta uma gargalhada.

- Agora fiquei curiosa.

- Muito bem, além das coisas mais óbvias e típicas como vinho, bombons, sorvete de flocos de chocolate e pizzas – interrompo a lista e penso um pouco – acho que teria que acrescentar música. – ela ergue as sobrancelhas e me encara. – Não é nada de tão especial, eu sei.

- Que tipo de música?

Ergo os ombros.

- Todos, na verdade. Só depende do meu estado de espírito.

- E quando você mais precisa disso, que estilo procura?

- Tenho um pouco de vergonha de dizer isso, mas... – cubro o rosto com a mão fingindo estar envergonhada – A lista das quarenta mais tocadas. Especialmente música popular grudenta.

- Não! – ela dá um berro horrorizada e solta uma gargalhada. – Meu Deus, por favor não me diga que você curte essas boy bands – implora de maneira sarcástica. E quando eu apenas olho para ela com um sorriso convencido, começa a rir. – Então você e a minha irmã vão se dar muito bem. Eu tive de escutar muitas dessas merdas enquanto crescia. 

Ela planeja que eu me encontre com sua irmã? Rapidamente, desfaço a expressão de choque estampada em meu rosto e continuo.

- Então ela deve ter um ótimo gosto musical – brinco – Acho que viveria em uma casa repleta de adolescente. Ouço as quarenta mais tocadas o dia inteiro.

- Boa tentativa, Camila, mas nada justifica curtir boy bands.

- Chata você, hein?

- E você preferiria que eu fosse outra coisa? – ela pergunta ironicamente, colocando o dedo na ponta do meu nariz enquanto rio e aceno negativamente. Ela se inclina para frente e olha para o lado para saber quando a aventura vai começar. – Lá vamos nós!

Não passou despercebido que nossa conversa girou única e exclusivamente em torno de mim e da minha vida. Começo a pensar sobre aquilo enquanto rodamos e giramos em círculos. Sou atirada contra o corpo de Lauren, que me segura com força. Ela ri de maneira histérica por causa da velocidade e eu lhe digo que feche os olhos, pois isso aumenta ainda mais a sensação. Juro que a ouço dizer algo sobre me mostrar mais sobre aquele assunto um pouco mais tarde, mas nem tenho tempo de perguntar e a jornada já acabou.

Continuamos a nos aventurar por várias atrações do parque, trocamos um beijinho na fila da Casa dos Espelhos, erguemos os braços durante a descida na montanha-russa e balançamos de um lado para o outro no navio pirata. Quando estamos com o estômago na garganta, Lauren declara que precisamos urgentemente de uma bebida.

Caminhamos até uma barraquinha, e ela compra dois refrigerantes e um algodão-doce gigante. Então olha para mim com toda a serenidade:

- Nenhuma visita a um parque de diversão está completa sem a gente se lambuzar com algodão-doce – ela diz com um sorriso travesso, que derrete meu coração.

Dou risada, e seguimos na direção de um banco. Estamos quase lá quando ouvimos uma voz atrás de nós.

- Com licença?

Nós nos viramos e deparamos com uma senhora de meia-idade.

- Sim? – pergunto, mas é óbvio que ela não poderia estar menos interessada em mim. Seus olhos estão fixos em Lauren.

- Desculpe interromper, mas os meus amigos e eu fizemos uma aposta... Você não é Lauren Jauregui?

Consigo sentir a mão de Lauren gelar e apertar a minha com força, mas seu rosto permanece impassível. Um leve sorriso aparece em seu rosto enquanto ela olha para mim, e então novamente para a mulher.

- Bem, é bastante lisonjeiro ouvir isso, senhora, mas infelizmente vou ter que desapontá-la. Muita gente me pergunta isso. Meu nome é A.C.E. Cabello – ela responde, estendendo a mão para cumprimenta-la. O fato de ela usar o nome falso junto ao meu sobrenome me faz sorrir ao imaginar que, de algum modo, ela está pensando em nós como duas pessoas interligadas. Conectadas.

Ela a cumprimenta de modo um pouco relutante, em voz baixa e uma tanto embaraçada pela interrupção.

- Prazer em conhecê-la

- O prazer foi todo meu, senhora – ela responde, antes da senhora se virar rapidamente e seguir na direção dos amigos. Seus ombros relaxam e voltam ao normal, e continuamos rumo ao banco. Ela solta um leve suspiro. – Detesto fazer isso, mentir assim – ela desabafa – mas o problema é que quando uma única pessoa me reconhece, a coisa não para mais. De repente, surgem os celulares, as postagens no Facebook, Twitter e, antes que a gente perceba, já estamos cercadas de paparazzi. No final, acabo atendendo a todos e deixando você de lado, ignorando sem querer.

O raciocínio dela me deixa surpresa, e fico lisonjeada com a explicação.

- Essa é minha vida – ela diz sem arrependimentos – na maior parte do tempo. Cresci em uma família bem conhecida, e optei por me tornar uma pessoa pública. Aceito o fato de ser sempre seguida, fotografada e solicitada a dar autógrafos. Tudo bem. – ela se senta ao meu lado – Na verdade, eu não me importo. Não estou reclamando. Em geral, gosto de atender as pessoas, principalmente as crianças. Mas essa noite, por exemplo, eu simplesmente... – diz, ajeitando o boné na cabeça. – Às vezes, eu não quero ser incomodada. – ela se inclina para frente e ergue a cabeça de modo que a aba do boné me permita ver seus olhos. – Eu só quero que sejamos só nós duas – completa, roçando seus lábios nos meus, em um beijo rápido e carinhoso, dando ênfase às últimas palavras.

Afasto-me um pouco e sorrio, erguendo a mão e brincando com uma mecha de seu cabelo. Ficamos nos encarando por alguns instantes, trocando palavras silenciosas: desejo, luxúria, prazer, diversão e compatibilidade. Meu leve sorriso se espalha.

- A.C.E. Cabello, né?

Ela sorri de volta e vejo algumas ruguinhas se formarem nos cantos dos seus olhos.

- Foi o primeiro nome que me veio à cabeça – Dá de ombros e ergue as sobrancelhas. – E se tivesse hesitado, ela com certeza perceberia a mentira.

- Com certeza – digo, concordando e pegando um pouco do algodão-doce que ela me oferece. – Meu Deus, esse treco é muito doce!

- Eu sei. É puro açúcar – diz Lauren, gargalhando e arregalando os olhos. – É por isso que é tão gostoso! – ela olha para os brinquedos. – Cara, quando eu era criança...- faz um pausa por um instante. – Depois de conhecer meus pais adotivos, eles me mimaram demais me levando para assistir show, jogos. Eu ficava doente de tanto comer essa porcaria. – Os cantos de sua boca se curvam para cima, formando um sorriso diante daquelas lembranças. Não consigo evitar imaginar como sua vida era antes da adoção.

Ficamos em silêncio, observando as atrações e as pessoas ao nosso redor e pegando pequenas porções de algodão-doce. Eu estou me divertindo de verdade. Ela é tão atenciosa e envolvente. Parece que está realmente interessada por mim. Acho que eu estava esperando um encontro superficial; perceber que estava enganada é muito bom.

Lauren move suas mãos e aperta meu joelho, e então aponta para a única atração que faltava.

- Está pronta para a atração mais animal de todas, Camila?

Empalideço só de pensar naquelas cabines virando sem parar, presas por cabos a uma haste central também giratória. Ser sacudida e empurrada para frente e para trás dentro de um espaço confinado. Engulo em seco.

- Na verdade, acho que não – digo, balançando a cabeça.

- Vamos lá, seja corajosa – ela insiste, brincando.

Já consigo sentir a claustrofobia se apossando do meu corpo. Forço os ombros para trás, tentando afastar aquela sensação ruim.

- Sinto muito, mas não consigo – sussurro, sentindo o calor e o rubor do embaraço tomando meu rosto. – Sou extremamente claustrofóbica – confesso, retirando o cabelo do rosto.

- Já notei – ela diz, de modo irônico. Quando olho e ergo as sobrancelhas, ela continua:  - Você se lembra? Estoque? Bastidores? – relembra, com um sorriso sagaz no rosto.

- Ah, claro. – sinto minhas bochechas queimando, mortificada pela minha atitude na ocasião. – Como eu poderia esquecer daquilo?

- Você sempre teve esse problema ou ficou traumatizada depois que sua irmã esqueceu você trancada em algum armário? – ela pergunta com tom de reprovação, rindo só de imaginar a situação.

- Nada disso.

Desvio os olhos, na expectativa de que ela não perceba as lágrimas se acumulando momentaneamente por causa da lembrança. Embora dois anos já tivessem se passado, quando aqueles demônios mostravam sua face, a dor era a mesma, como se tivesse ocorrido no dia anterior. De modo espontâneo, vou girar o anel que sempre trago no dedo, mas não o encontro. Solto o ar, trêmula, fechando os olhos por um segundo para controlar as emoções. Fico furiosa comigo mesma por reagir daquela maneira a um simples convite para me aventurar em uma atração do parque.

Ela para de rir imediatamente ao perceber minha agitação, e coloca o braço no meu ombro, me puxando em sua direção.

- Ei, olha para mim. Sinto muito, Camz. Eu não queria...

- Não, está tudo bem – digo, inclinando-me para frente e escapando do calor do seu corpo, envergonhada pela minha reação. – Não há motivo algum para se desculpar. Sou eu quem deveria pedir desculpas. – Ela acena com a cabeça, aceitando minhas palavras. Seus olhos me imploram para dizer mais. – Tive um acidente de carro bem feio há alguns anos... Fiquei presa por algum tempo. – Balanço a cabeça tentando aliviar a pressão das lembranças vívidas invadindo minha mente. – Desde então, não consigo ficar presa em lugares fechado. Sinto como se estivesse em uma armadilha.

Ela coloca a mão nas minhas cosas e a desliza, em um gesto encorajador.

- As cicatrizes? – ela pergunta.

- Uhum – respondo, ainda tentando encontra minha própria voz.

- Mas agora você está bem? – A genuína preocupação estampada em sua voz faz com que eu olhe para ela e sorria.

- Fisicamente, está tudo bem – digo, enquanto me inclino para sentir o conforto do seu corpo, apoiando minhas costas em seu tórax. De modo instintivo, seus braços me envolvem. – Mas, emocionalmente... – Suspiro antes de continuar. – Tenho dias bons e ruins. Como já disse, Lauren, tenho algum excesso de bagagem.

Ela beija minha cabeça e mantém os lábios pressionados no local. Praticamente consigo sentir as perguntas que ela gostaria de fazer durante seu silêncio: o que aconteceu? Quão grave foi esse acidente? Por que isso traz tanta bagagem que faz você fugir? Mas não quero estragar a noite com recordações tristes, então pego mais um pedaço de algodão-doce e giro o corpo para olhar para ela. Meu joelho encosta na coxa dela. Coloco o pedaço do doce na frente do seu rosto.

- Quão doce você prefere, Lauren? – flerto com ela antes de lamber o lábio inferior de modo provocativo e enfiar parte do pedaço de algodão-doce na boca.

Ela se inclina na minha direção com os olhos escurecidos pelo desejo e um sorriso lascivo nos lábios.

- Ah, Camila, você já é doce o suficiente.

Ela abocanha a parte do doce que ficou para fora da minha boca e belisca meu lábio inferior, propositalmente, puxando-o um pouquinho com os dentes. A dor da mordida é logo substituída por uma lambida rápida. O som grave de prazer que vem do fundo de sua garganta me excita. Me faz querer sexo. Aqui mesmo. Neste instante.

- Eu definitivamente gosto desse sabor – ela sussurra contra os meus lábios. – Acho melhor embrulharmos o resto e guardar para mais tarde – acrescenta, deslizando os lábios sobre os meus. – Para o caso de você precisar de um pouco de açúcar depois que eu apimentar as coisas.

Consigo sentir um sorriso se formar em sua boca ainda presa aos meus lábios. Suas palavras sugestivas enviam uma vibração até o meu abdome.  A promessa de que a noite está apenas começando me faz ficar molhada, transformando a dor suave que senti em pura lava incandescente.

Solto um suspiro contra seus lábios, sentindo-me completamente enfeitiçada e encantada. Inclino a testa contra a dela e tento me controlar.

- Então – ela diz, se afastando e me dando um beijo suave na têmpora antes de continuar – há duas coisas que precisamos fazer antes de irmos embora.

Ela se levanta, colocando o pacote de algodão-doce fechado de baixo do braço e abrindo um sorriso. Pega minhas mãos e me levanta.

- É mesmo? E quais seriam?

- Bem, nós temos que ir à roda-gigante – diz, dando um leve empurrão em mim – e, em seguida, tenho que ganhar um bichinho de pelúcia pra você.

Solto uma gargalhada enquanto nos dirigimos para a roda-gigante. A fila está curta e ficamos batendo papo, surpresas com tudo o que temos em comum apesar de nossos mundos serem tão diferentes. Discutimos sobre as coisas de que gostamos ou desgostamos. Como nosso gosto para filmes e programas de TV é parecido.

Somos então levadas até a cabine e devidamente presas pela barra de segurança e começamos a nos mover devagar, enquanto Lauren coloca o braço sobre os meus ombros.

- Mas você nunca terminou de me falar sobre você.

- Ei, o que é isso? – digo, sorrindo. – Não pense que não notei que você ainda não disse nada a seu respeito.

- Serei a próxima – promete, beijando meu rosto enquanto me aqueço na segurando de seus braços conforme subimos cada vez mais. Ela aponta para um malabarista no chão – Diga-me, Camila. O que você vê em seu futuro? Uma pessoa legal, uns dois filhos e uma casa com cerquinhas brancas?

- Hum, talvez um dia. Mas, além de legal, a pessoa tem que ser gostosa. – brinco e solto uma gargalhada. – Mas sem crianças.

Seu corpo fica tenso ao ouvir essas palavras. Antes de responder, o silêncio entre nós é ensurdecedor.

- Isso me deixa surpresa. Você adora crianças. Trabalha com ela o dia todo. Não pretende ter seus próprios filhos? – Consigo perceber que está confusa, posso sentir o movimento de sua mandíbula quando ela pousa seu queixo sobre minha cabeça.

- Vou esperar para ver o que o destino me reserva – digo, na expectativa de que ela se satisfaça com minha resposta e não me pressione mais. – Olha! – Aponto para o horizonte, onde a lua cheia já aparece por trás das montanhas, feliz por conseguir mudar de assunto. – É tão linda.

- Hmmmm – ela murmura enquanto observo o luar. – Você sabe qual é a regra quando a roda-gigante chega ao topo, não é?

- Não, qual? – pergunto, afastando-me do calor do seu corpo para olhar para ela.

- Esta – ela diz, antes de me agarrar, selando minha boca com a dela e enfiando a mão por entre os meus cabelos.

A fome em seu beijo é tão real que, por um momento, esqueço até mesmo onde estou e me entrego completamente. Sua língua desliza por entre meus lábios, lambendo-os de modo sedutor. Sinto o suave movimento da roda-gigante, o calor de seus dedos cobrindo meu rosto, e o saber do algodão-doce em sua boca. Ouço quando ela sussurra meu nome. A sensação de que já estamos chegando ao final do passeio faz nos afastarmos uma da outra e controlarmos as chamas que nos consomem por dentro.

- Meu Deus – Lauren diz em voz baixa, distraída, enquanto se ajusta no assento. – Eu me comporto como uma adolescente idiota ao seu lado. – Balança a cabeça, demonstrando todo seu embaraço.

- Pare com isso, Ace – digo, com o ego inflado – Você ainda me deve um bichinho de pelúcia.

Trinta minutos mais tarde, depois de várias vitórias consecutivas e já com fortes dores no abdome de tanto rir dos movimentos engraçados de Lauren, transforme-me na feliz proprietária de um gigantesco e completamente torto cão de pelúcia. Encosto-me em uma das construções fixas do parque, com uma perna dobrada e o pé apoiado na parede, com meu novo amiguinho peludo descansando na altura do quadril, e observando Lauren jogar pela última vez, pegar o pequeno prêmio e dá-lo ao garotinho ao lado dela. Ela afaga o cabelo do menino e sorri para a mãe antes de caminha até onde estou. Seu corpo moldado sob as roupas se tornam ainda mais evidente conforme se movimenta. É simplesmente impossível tirar os olhos dela. Posso ver que não sou a única, ao perceber que o olhar de um rapaz a persegue, com um sorriso de safado.

- Está se divertindo? – pergunta, se aproximando de mim e pegando o cão de pelúcia pela orelha.

Retribuo com um sorriso bobo, como se dissesse que a resposta para aquela pergunta era um tanto óbvia. Estou com ela, não estou?

- Adoro seu sorriso, Camila. Esse de agora. – ela coloca a outra mão embaixo do meu queixo e passa o polegar sobre o meu lábio inferior. Seus olhos, agora transparentes, olham para os meus e procuram algo dentro de mim. – Você parece tão despreocupada e feliz. Tão linda.

Inclino a cabeça para um lado e meus lábios se abrem ao toque do seu polegar.

- Justamente o oposto de você, não é? – pergunto. Sem entender o comentário, ela entorta a sobrancelha e espera um complemento. – Quando você sorri, é sinal de travessuras e problemas.

E corações partidos, penso. Balanço a cabeça quando esse exato sorriso aparece em seu rosto. Passo a mão em sua barriga por de baixo do pano da camisa e ouço sua respiração mais forte por causa do meu toque, vejo também fogo surgir em seus olhos. É como se neles estivessem escritas as palavras “Sou perfeita estereótipo de Bad Girl”.

O sorriso se abre ainda mais.

- Bad Girl, não é?

Nesse instante, não há como resistir aos cabelos desgrenhados, aos olhos cor de esmeralda e ao sorriso dessa mulher. Olho para ela por entre os cílios, com o lábio inferior entre os dentes.

- Você é uma dessas garotas que gosta de bad girls, Camila? – Sua voz está rouca de desejo, seus lábios, a apenas alguns centímetros dos meus, e seus olhos brilham, ostentando ousadia.

- Nunca – sussurro, mal conseguindo dizer alguma coisa.

- Você sabe o que as bad girls gostam de fazer? – ela estica a mão e a coloca na parte baixa da minha cintura, pressionando meu corpo contra o dela. Fagulhas de puro prazer se espalham sempre que nossos corpos se conectam.

Ai, meu deus! Seu toque. Seu corpo prensado contra o meu faz com que eu sinta que preciso de coisas que não deveria precisar. Não deveria precisar de nada vindo dela. Mas não tenho mais forças para resistir. Sem confiar em mim mesma para dizer qualquer coisa, simplesmente inspiro de maneira falha e entrecortada.

- Não – isso é tudo o que consigo pronunciar.

Entre uma respiração e outra, Lauren me beija de maneira avassaladora, revelando um desejo quase violento. Ela me toma como se estivéssemos na privacidade do seu quarto. Suas mãos percorrem meu torso e se escondem na minha nuca e, em seguida, formam uma taça sob o meu rosto, enquanto ela lentamente ameniza a intensidade do beijo.

Ela me dá um beijinho na ponta do nariz, o que já se transformou em sua marca registrada, e então se afasta um pouco. Seu olhar é quente e maldoso.

- Nós, bad girls? – ela continua, enquanto minha cabeça ainda gira. – Nós gostamos de... – ela se inclina e coloca os lábios na minha orelha. O calor de sua respiração faz minha pele ficar arrepiada. Aquela pequena pausa me deixa suspensa no ar: estou preparada para ouvir algo erótico, sujo e libidinoso, algo que está planejando fazer comigo, então ela completa: - Jantar!

Inclino a cabeça para trás e solto uma gargalhada, usando minha mão em seu peito para lhe dar um empurrão. Ela ri comigo, pegando o enorme cachorro de pelúcia do meu braço.

- Peguei você! – ela diz, segurando minha mão enquanto dizemos adeus ao parque de diversões.

Caminhamos até o estacionamento, conversando naturalmente, e entramos no carro. Lauren liga o rádio e nós duas cantarolamos uma canção suave que está tocando.

- Você realmente gosta de música, não é?

Sorrio para ela e continuo a cantar.

- Você sabe a letra de todas as músicas que tocaram até agora.

-É o meu jeito de fazer terapia – respondo, ajustando o cinto de segurança para poder ficar de frente para ela.

- Nosso encontro está sendo tão ruim que você já precisa de terapia? – ela brinca.

- Pare com isso! – digo, dando risada. – Eu falo sério quando digo que é terapêutico.

- Como assim? – ela pergunta, com o rosto bem concentrado ao pegarmos o tráfego mais pesado da rodovia.

- A música, as palavras, os sentimentos contidos ali, o que não está sendo dito – Ergo os ombros – Sei lá. Ás vezes, acho que a música consegue expressar tudo o que, em geral, sou tímida demais pra falar. Consigo transmitir o que penso pela música. Acho que é a melhor maneira de descrever o que sinto. – Minhas bochechar ficam vermelhas e, nesse momento, vejo-me meio idiota por não conseguir explicar melhor.

- Não precisa ficar com vergonha – ela diz, esticando o braço e repousando sua mão sobre o meu joelho. – Eu entendo. Eu realmente entendo o que está tentando dizer.

Retiro um fio de linha imaginário do meu jeans, uma mania que tenho quando fico nervosa. Solto uma risada.

- Sabe, depois do acidente... – Engulo seco, chocada pelo fato de ela me deixar confortável o suficiente para falar sobre isso de maneira voluntária. São coisas a meu respeito que raramente compartilho. – A música me ajudou bastante. Quando saí do hospital e voltei para casa, a pobre da Dinah já não suportava mais ouvir as mesmas músicas, milhares e milhares de vezes. Tanto que ela ameaçou atirar meu iPhone pela janela. – Sorrio ao me lembrar do quanto ela estava de saco cheio de escutar Matchbox Twenty. – Até hoje eu uso essa técnica com as crianças. Quando elas chegam ou mesmo quando estão passando por um momento difícil, quando não conseguem verbalizar como estão se sentindo, usamos músicas para ajudá-las – explico. – Sei que parece bobagem, mas funciona.

Lauren se volta para mim com toda sinceridade em seus olhos.

- Você realmente os ama, não é?

Responde sem a menor hesitação.

- Com todo meu coração.

- Têm muita sorte de você estar ao lado delas, lutando por eles. Essa é uma estrada terrível para uma criança percorrer. Pode realmente estragá-las. – ela balança a cabeça e fica em silêncio.

Posso sentir a tristeza irradiando de seu corpo. Estendo a mão e entrelaço meus dedos aos dela, apertando-os levemente. Fico imaginando o que seria capaz de deixar assombrados aqueles olhos verdes tão penetrantes. O que fez com que ela se tornasse uma pessoa arrogante e decidida a alcançar tudo o que quer a qualquer preço?

- Você quer falar sobre isso? – pergunto calmamente, com medo de pressioná-la, mas, ao mesmo tempo, dando espaço para que ela compartilhe aquele segredo tão bem guardado.

Ela solta um suspiro, bem alto, interrompendo por um segundo o silêncio mortal dentro do carro. Olho e percebo que ela está estressada. As luzes dos automóveis que vêm na mão contrária criam sombras sobre seu rosto, fazendo com que ela pareça ainda mais intocável.

Arrependo-me de perguntar, com medo de tê-la atirado de volta às suas lembranças.

Lauren retira a mão do meu joelho e arranca o boné de beisebol da cabeça, atirando-o no banco de trás. Passa a mão sobre os cabelos e contrai os músculos da mandíbula enquanto pensa.

- Merda, Camila. – Acho que é tudo o que vou ouvir até o final da jornada. Mas então ela decide continuar. – Eu não... – Ela para ao sair da estrada. Posso vê-la agarrar com força o volante, com as duas mãos. – Eu não preciso assombrá-la com meus demônios, Camz. Não preciso encher sua cabeça com o que seria o sonho de qualquer psicólogo. Não quero lhe dar munição e dizer coisas que você certamente vai jogar na minha cara por tudo que eu fizer ou disser, quando eu acabar fazendo merda.

Imediatamente, atenho-me à palavra quando no lugar do se. As emoções dolorosas por trás de suas palavras me tocam ainda mais fundo que sua aparente falta de sensibilidade. Minha experiência diz que ela ainda está machucada, ainda tem de lidar com seja o que tenha acontecido no passado.

Paramos em um semáforo. Lauren esfrega as suas mãos no rosto.

- Olhe, sinto muito pelo que falei. Eu...

- Não precisa se desculpar, Lauren. – Estico a mão e pressiono seu braço – Você realmente não precisa me pedir desculpas.

Ela inclina a cabeça para baixo por um momento e fecha os olhos, para, em seguida, reergue-la. Vira-se para mim com um sorriso reservado e muita tristeza estampada no rosto, e murmura:

- Obrigada.

Lauren volta a se concentrar na estrada e pisa fundo no acelerador logo que a luz fica verde.

Eu preciso descobrir o que acontece com ela... 


Notas Finais


e ai como estamos?

Qualquer coisa me gritem no Twitter e até a próxima ;)


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