História Driven - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Tags Camila Cabello, Camren, Lauren Jauregui
Exibições 548
Palavras 5.457
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá pessoal...

Desculpem a demora, eu estava em época de prova, mas agora já acabou, graças a deus kkk

Queria dizer para vocês que eu vejo todos os comentários e me divirto muito com vocês, Obrigada a todos que estão me acompanhando e sempre comentando coisas bonitas, prometo que vou responder a todos...

Espero que gostem desse capítulo e comentem bastante, adoro saber a opinião de vocês sobre a história

Ah, já ia esquecendo... esse na foto é o Zander.

Boa Leitura pessoal!

Capítulo 7 - Capítulo 6


Fanfic / Fanfiction Driven - Capítulo 7 - Capítulo 6

 

POV Camila

 

Sentada em uma cadeira reclinável no jardim dos fundos de minha casa, relaxo sob o suave Sol da Califórnia e, com a cabeça inclinada, observo os últimos raios antes do anoitecer. As folhas das palmeiras que se alinham à nossa cerca balançam com a brisa sutil e também ajudam a me acalmar.

Os eventos do dia certamente tiveram um forte impacto sobre mim.

E com Josie de cama com forte gripe, terei de retornar ao Lar em menos de 24 horas para substitui-la. Apesar da noite ter apenas começado, eu já deveria estar me preparando para ir para a cama e me livrar de pelo menos parte de minha exaustão. Contudo deixei que Dinah me convencesse a tomar uma taça de vinha e comer um pedaço de pizza que ela mesma está preparando.

Fecho os olhos e inclino minha cabeça para trás, suspirando e permitindo-me acreditar que as novas instalações logo se tornarão uma realidade. Que nossa nova abordagem no atendimento a crianças órfãs poderá ser ampliada e, quem sabe, se tornar pioneira e provocar mudança em nosso atual programa de adoção. Conseguiremos reforçar nossa visão de que a reunião de pequenos grupos de crianças sob o mesmo teto, onde todos possuem regras claras e têm acesso consistente a mentores, conselheiros e à escola, nos brindará com adultos bem ajustados. E assim eles terão um lugar ao qual pertencem de fato.

Sinto um tremor de orgulho tomar meu corpo quando penso em todas as possibilidades e na esperança que poderemos ter ao completar o projeto.

Então, de repente, sinto-me mal ao pensar nela. Ainda não consigo entender seu comentário sobre não namorar. Por que ainda fico me lembrando dela se não existe nenhuma possibilidade ali? Porque existe. Não posso negar que seus olhos são arrebatadores. Definitivamente, não posso agir como se o calor que percorreu meus braços quando ela me tocou tenha sido algo imaginário. Mas não que me envolver com ela e seu estilo mulherenga, especialmente agora, que terei que lidar com ela por questões profissionais.

Solto um suspiro profundo quando ouço a porta da varando deslizar e Dinah aparecer com uma garrafa de vinho, duas taças, uma bandeja de pizza, pratos e guardanapos. Logo percebo o quanto estou esfomeada. Ela caminha até mim enquanto os últimos raios de sol emolduram sua figura alta e iluminam seus cabelos loiros, formando um halo em sua cabeça. Pernas longas e grossas se destacam no shorts cáqui, e seus seios vantajosos estão cobertos por uma camisa transparente de cor laranja. Como sempre, seus acessórios combinam perfeitamente e ela parece perfeita. Apesar de sua incansável perfeição, que faz com que eu me sinta inadequada de várias maneiras, eu a amo como uma irmã que nunca tive.

- Estou faminta – digo, ajeitando-me na cadeira para ajuda-la a colocar as coisas sobre a mesa.

- Eu também estou faminta, mas por informações sobre o que está acontecendo com você. Sobre a razão para você estar aqui fora tão pensativa – ela alfineta, enquanto serve o vinho e eu, a pizza.

- Exatamente como no nosso quarto de faculdade – digo, acenando positivamente para a comida e rindo das recordações.

Dinah foi minha colega de quarto no inicio da faculdade. Jamais imaginei que aquela Barbie dos primeiros dias acabaria se tornando minha melhor amiga. Ela entrou no quarto quase dançando uma valsa, como se fosse modelo de uma campanha da Doce & Gabbana, de tão autoconfiante que parecia, com sua familia perfeita e enorme atrás de si. Ela lentamente observou o ambiente modesto, as paredes de tijolos pintados e o pequeno espaço no armário. Com meus modos desajeitados, fiquei imaginando como seria ter de me lembrar todos os dias do quão inferior eu parecia comparada àquela bela criatura.

Sentei, puxando a bainha do meu vestido enquanto os pais dela iam embora. Ela fechou a porta, virou para mim com um enorme sorriso nos lábios e disse:

- Graças a Deus eles finamente foram embora! – Fiquei olhando para ela pelo canto dos olhos, enquanto ela fitava a porta, aliviada. Em seguida, ela se voltou novamente para mim, como se estivesse me estudando, me medindo da cabeça aos pés;

- Acho que é hora de comemorar! – E correu em direção a suas malas.

Em questão de minutos, ela surgiu com uma garrafa de tequila que trouxe escondida entre seus pertences. Pulou na minha cama, abriu a garrafa e ergueu no ar entre nós duas, fazendo um brinde:

- Ao primeiro ano de faculdade! Um brinde à amizade, à liberdade, aos gostosos e gostosas e à cobertura que daremos uma à outra. – Ela estreitou os olhos enquanto tomava um gole da bebida forte e depois a entregou para mim. Olhei para ela e para a garrafa, nervosa. Tentando desesperadamente parecer com ela, tomei um gole; o calor da bebida provocou lágrimas nos meus olhos.

- Meu deus, nós duas éramos tão ingênuas naquela época. E jovens! – ela se recorda – Passamos por tanta coisa juntas desde aquele primeiro ano de faculdade.

- Tudo o que precisamos é daquela tequila barata pra nos trazer de volta. – rio e então fico em silêncio, enquanto a noite começa a engolir os últimos resquícios de sol – Oito anos é muito tempo, Chee – digo, tomando um gole daquele vinho ácido e deixando que alivie toda a ansiedade que se apoderava de minha mente.

- É, tempo suficiente- diz ela, sentando-se ao meu lado – pra eu saber que algo está lhe incomodando. O que está acontecendo, Chancho?

Sorrio grata por ter uma amiga como ela e, ao mesmo tempo, me sentindo amaldiçoada pelo fato de não conseguir esconder nada dela. Sinto lágrimas queimando meus olhos em uma repentina explosão de emoções.

Dinah se inclina para frente, dobrando as pernas bronzeadas e colocando as mãos sobre as minhas.

- O que é, Camila? O que mexeu tanto com você?

Demorou algum tempo para encontrar minha voz, desejando dizer-lhe tudo e ouvir sua opinião sobre o fato de eu estar sendo obtusa em relação a Lauren. Talvez eu já saiba o que ela vai me dizer depois que eu confessar, e é por isso que tento me segurar. Não quero ouvir novamente que está tudo bem em deixar as coisas para trás e voltar a ter sentimentos. Que estar com outra pessoa não mancha o que eu vivenciei ao lado de Max, tampouco a memória dele.

- São tantas coisas, nem sei por onde começar – desabafo, tentando filtrar tudo o que tenho na cabeça – Estou exausta por causa do trabalho, por conta dos preparativos do evento de sábado e ainda preocupada com a falta de progresso de Zander – Explico, passando a mão nos cabelos antes de finalizar. – E também com o fato de ter de substituir a Josie, que está doente...

- Não tem ninguém que possa fazer isso por você? – ela pergunta, dando uma mordida na pizza – Você trabalhou demais nessa última semana. Eu quase nem vi você por aqui.

- Ninguém pode, não nessa semana. O horário de todos já está estourado por causa das horas extras que fizeram pra dar conta do evento... e, já que sou assalariada... a substituição cabe a mim – explico.

- Entendo porque você faz isso, Camila. Sei que ama seu trabalho, mas não deixe que ele acabe com você, amiga.

- Eu sei, eu sei... Você parece minha mãe! – mordo um pedaço de pizza, mastigando lentamente – A boa notícia é que eu acho que asseguramos o resto do financiamento para as instalações.

- O quê? – ela grita, aprumando-se na cadeira – Por que você não me disse antes? Isso pede uma comemoração – afirma, levantando a taça de vinho – Como foi isso? Conte tudo! Todos os detalhes!

- Ainda estamos acertando os últimos detalhes antes de divulgar a notícia – digo, tentando esconder como conseguimos o patrocínio – então faremos o anúncio oficial – completo, na expectativa de que minha resposta evite mais perguntas sobre o assunto.

- Ok – ela diz lentamente, enquanto me encara e tenta compreender por que não estou mais sociável e positiva – Muito bem, e o que você tem a dizer sobre o que Dane já me contou a respeito do encontro no leilão?

Olho para baixo, girando o anel da minha mão direita. Isso já se tornou um hábito.

- Ainda não sei muito bem – digo, encarando-a e reparando que ela está observando o giro do anel.

- É por seu aniversário estar próximo, não é? – pergunta, com lágrimas nos olhos – É por isso que está tão devastada? – ela diz, me abraçando.

Por um momento, permito-me ceder às memórias e ao pensamentos que cercam a data que se aproxima. Na verdade, eu ainda não tinha associado às coisas. Meus sentimentalismos súbito e meu péssimo estado emocional ante a possibilidade de fazer algo relacionado à inexistente conexão entre Lauren e eu. Acho que, de modo subconsciente, estou tentando ignorar a data traumática, e desejando fechar os olhos diante da amargura que sempre vai habitar as profundezas da minha alma.

Enxugo uma lágrima sobre a bochecha e me afasto um pouco do caloroso abraço de Dinah.

- Sim. É tanta coisa ao mesmo tempo. – embora seja verdade, sinto-me culpada por não contar toda a história a Dinah.

- Bem, irmãzinha – ela diz, devolvendo-me a taça de vinho – vamos beber um pouco mais, nos afogar na autopiedade e rir nós mesmas. – seu sorriso levanta meu astral.

Encostando minha taça à dela, sinto-me agradecida por contar com sua amizade.

- Um brinde, querida!

 

(...)

 

Olho rapidamente para o relógio quando termino de ajudar Ricky a soletrar palavras e então peço para se juntar aos outros para brincar. Tenho mais trinta minutos de trabalho e depois estarei finalmente livre pelos próximos e gloriosos dois dias. Na verdade, terei todo o final de semana e, apesar de ter sido convencida por Dinah a ir na festa de lançamento do mais novo produto de sua empresa, sinto-me entusiasmada por ter algum tempo para me dedicar a mim mesma.

Foi um dia e tanto, para dizer o mínimo.

Mais cedo, a escola ligou pedindo para que fosse buscar Aiden, que se envolvera em mais uma briga. Tive de ouvir uma lição de moral do diretor, que disse que se as coisas não mudarem, outras medidas teriam de ser tomadas em relação à educação do garoto. Perguntei a ele se os demais meninos, os que continuavam a assediar Aiden, estavam recebendo o mesmo tipo de ameaça dele. Ele respondeu com um resmungo descompromissado.

Fiquei feliz em poder trabalhar diretamente com Zander, enquanto os outros estavam na escola. Nossa equipe de aconselhamento achou melhor que nós o ensinássemos no próprio abrigo até ele começar a se comunicar verbalmente. Tentar ensinar alguém que, na maior parte do tempo, não responde é, no mínimo, frustrante. Tudo o que quero é algum tipo de abertura. Algo me diz que ele sabe o quanto me importo com ele. Sabe que adoraria que ele ainda tivesse sua mãe para tranquilizá-lo, abraça-lo e dizer o quanto o ama.

Os meninos estão ocupados enquanto reviso o trabalho de Shane. O turno de Jackson terminou há uma hora e seu substituto, Michael, ainda está em reunião com Connor.

Estou positivamente surpresa com o quanto Shane melhorou na escola, resultado de várias aulas individuais que oferecemos a ele. Dou uma rápida olhada na sala de convivência, para onde Kyle e Ricky levaram a caixa de cartões de beisebol. Eles sentaram no chão, ao lado da mesa de café, e se voltam para o jogo de basquete transmitido pela TV. Zander está agora em seu lugar habitual, com um bichinho de pelúcia agarrado ao peito e os olhos perdidos no tempo e espaço. Scooter está deitado sobre o tapete, colorindo um de seus livros do Homem-Aranha. Atento para a música que vem dos quartos no fundo, que indica que Shane está por lá. Termino de fazer meus comentários em sua lição de casa e reviso a programação para o jantar e as atividades que aconteceriam na semana seguinte, depois das aulas dos meninos.

Ouço uma batida na porta e, antes que eu possa colocar a caneta sobre a mesa, escuto Shane gritar do quarto “Eu atendo!”, então sorrio. Sei que ele está na expectativa de que seja sua nova amiga, que viera na semana passada. O fato é que Shane ainda está nas nuvens por causa daquilo.

- Olhe antes de abrir – digo a ele, levantando e caminhando em direção ao hall. Quando chego no corredor que leva a vestíbulo, Shane passa correndo por mim, todo desapontado. – É pra você – ele diz, atirando-se no sofá.

Sigo rumo à porta imaginando ser alguma entrega. O Lar sempre recebe pelo correio documentos legais sobre a situação de nossas crianças. Chego à porta e, quando abro, dou de cara com Lauren. Apesar dos óculos escuros, sei que ela está me medindo da cabeça aos pés. Um sorriso preguiçoso e torto está estampado em seu rosto.

Maldita respiração que para justo quando olho para ela! Embora eu não a queira por perto e não deseje a complicação daquilo que ela tem a me oferecer “uma trepadinha rápida e totalmente descartável”, fico eufórica ao revê-la. Tal virada no jogo não parece nada boa para mim.

Paro na porta com um sorriso no rosto, sabendo que estou em apuros. Ficamos ali paradas, olhando uma para a outra e avaliando a situação. Ela veste calças jeans bem surradas e uma camiseta preta bem apertada que ressalta seus peitos. A simplicidade de suas roupas apenas ressalta sua beleza devastadora. Seus cabelos escuros e bagunçados pelo vento, a deixam extremamente sexy.

Tudo nela parece gritar: “Você está fodida!”. Ali estou eu, parada feito um cervo na mira de um caçador, sem conseguir me mover. Minha força de vontade não vai durar muito, portanto, sei que estou seriamente fodida.

- Olá, Camila – a mera rouquidão de sua voz ao dizer meu nome me faz lembrar seus lábios nos meus. Suas mãos sobre mim. Sua vibração se projetando em ondas de choque sobre meu corpo.

- Oi, Ace. Desde quando acrescentou “espreitadora” à sua lista de talentos?

Enfio as mãos nos bolsos traseiros dos meus jeans e me encosto ao batente da porta. Ela tira os óculos escuros, seus olhos verdes faiscando ao cruzar com os meus, e os prende à camisa, bem na parte do decote. Desvio meu olhar e volto a encará-la

Ela dá um breve sorriso.

- Eu ficaria mais que feliz em lhe mostrar meus talentos, querida.

Eu reviro os olhos.

- Ser mulherenga não é um talento.

- É verdade – ela concorda, acenando lentamente com a cabeça – mas você ainda precisa ver a real profundidade de minhas outras aptidões – ela ergue a sobrancelha e ostenta um sorriso travesso – mas como você continua correndo de mim, não consigo mostra-las e, consequentemente, não resolvemos aquele nosso probleminha sobre um certo encontro que você me deve. – ela dá um passo à frente em minha direção, com um olhar brincalhão nos olhos. Eu também dou um passo para trás e entro na sala, alerta para a dança em que nos envolvemos – Você não vai me convidar para entrar, Camila?

- Não acho que seja uma boa ideia, Lauren. Já conheço pessoas como você.

Ela sorri e murmura:

- Não, você não faz a menor ideia de quem eu sou. – seus olhos estão fixos nos meus. Aquele sorriso condescendente me enoja. Ela dá mais um passo a frente, fazendo com que minha pulsação acelere.

- O que você quer? Por que está aqui? – bufo.

- Porque quero meu encontro com você – ela diz, pronunciando cada palavra de maneira enfática e cadenciada – E sempre consigo o que quero. – Ela coloca as duas mãos nos batentes, inclinando-se para dentro e encobrindo o sol com sua silhueta, emoldurada pela luz.

Aceno negativamente a cabeça diante da sua audácia e arrogância sem limites.

- Não será dessa vez – discordo. Empurro a porta, me viro e sigo em direção ao hall principal.

Em menos de um segundo, Lauren agarra meu braço, gira meu corpo e me pressiona contra a porta.

- Continue a lutar comigo. Quanto mais mal-humorada você se mostrar, mais forte eu serei. – há um divertimento sombrio no tom de sua voz que me arranha como um espinho e mexe com meus sentidos.

Merda! Como ela consegue fazer com que aquelas palavras soem como um promessa sedutora?

Ela pressiona seus lábios contra os meus, segurando-me firmemente contra a madeira dura. Ambas respiramos com força e já não tenho certeza se é pelo esforço físico ou pela proximidade entre nós.

Lauren solta meu braço e coloca suas mãos em meu rosto, como uma concha, seus polegares deslizando pelo meu queixo. Seus olhos transparentes faíscam contra os meus, e tudo o que consigo sentir é uma luta interior dentro dela.

- Por mais que eu queira afastá-la de mim, Camila, e para seu próprio bem...- ela murmura, a centímetros da minha boca - ... tudo o que mais desejo é sentir seu gosto – seu dedo percorre meu pescoço, deixando minha pela em chamas – Já faz tempo demais que senti seu sabor. Você é... intoxicante. – as palavras dela saem em um ritmo destacado, que combina perfeitamente com a do meu coração.

Cacete! Se aquelas palavras não fizessem com que todo meu desejo viesse à tona em minha pele, nada seria capaz de fazê-lo. Aquela mulher consegue me seduzir meramente com palavras. Ela está me controlando, testando minha força de vontade e fazendo com que eu a deseje mais do que deveria. Nós respiramos uma a outra por um instante, enquanto tento formar palavras em minha cabeça. Retomar uma atitude coerente. Mas sua simples presença impede que eu raciocine.

- Por que você está me alertando – solto, completamente imobilizada pela intensidade de seu olhar – se pretende tomar o que quer de qualquer modo?

Ela sorri rapidamente e logo coloca seus lábios sobre os meus, suas mãos em meu corpo, provando meu ponto de vista e vários outros. O beijo não é gentil. Nossos dentes se chocam e consigo sentir sua fome, sua necessidade. Os lábios e a língua dela se movem em um ritmo alucinante contra os meus, enquanto sua mão agarra meu rabo-de-cavalo, mantendo-me imóvel.

Saboreio aquele beijo tanto quanto ela, toda minha frustração reprimida em relação a ela explodindo de uma só vez dentre de mim. Sou arrebatada por aquele tornado cujo nome é Lauren. Aproveito o momento e coloco meus braços ao redor de seu torso, percorrendo suas costas com as minhas mãos e apreciando a definição de seus músculos conforme ela se movimenta. Belisco seu lábio inferior, excitada pelo gemido que sai do fundo de sua garganta. Pressionamos nossos corpos um contra o outro, mas parece impossível nos satisfazermos. O único pensamento que passa pela minha cabeça é que quero mais.

De repente, a realidade se apodera de mim. Como um anjo que perde suas asas, despenco novamente sobre a terra ao ouvir um barulho dos meninos na sala ao lado, gritando por conta de algo que ocorreu no jogo de basquete. Empurro Lauren para trás, colocando as duas mãos em seu ombro.

Tento respirar e recobrar meu juízo, com as mãos na parede, tentando me manter equilibrada. Que diabos estou pensando? Estou praticamente transando na porta de entrada do meu trabalho? Pela segunda vez. O que essa mulher está fazendo comigo? Quando estou perto dela, é como se perdesse todo o senso da realidade. Não posso. Não posso. Estou abalada. Realmente abalada. Ninguém nunca extraiu de mim uma reação carnal e primitiva assim, o que me apavora.

Lauren está de pé na minha frente, tão calma quanto poderia, apenas observando de maneira penetrante. Por que eu me sinto como se tivesse acabado de correr uma maratona e ela parece só uma espectadora desinteressada?

Finalmente encontro minha voz.

- Você está certa – digo de modo ríspido – tenho mesmo de ficar bem longe de você – olho novamente para o hall quando percebo um leve sorriso em seu rosto – Preciso ver os meninos. Você sabe onde fica a porta – digo, dando-lhe as costa e voltando para minhas responsabilidades. Para a minha realidade.

Entro na sala principal tentando colocar no rosto um sorriso natural, mas fracassando irremediavelmente. Todos os garotos estão onde eu os havia deixado, o que é ótimo. Estou feliz por nenhum deles ter se aventurado no corredor para ver a pessoa responsável por tomar conta deles agindo como uma adolescente em meio a uma explosão de hormônios.

Porém, algo no canto dos olhos atrai minha atenção. Lauren ainda está parada no corredor, com os polegares para fora dos bolsos de seu jeans e o ombro levemente encostado na parede. Seu rosto não traz qualquer expressão, mas seus olhos iridescentes dizem tudo.

Mas o que é agora? Será que ela não consegue me deixar sozinha?

Olho para ela, desejando expressar toda minha raiva em meus olhos. Vejo que Shane notou a estranha de pé dentro do Lar. Ela olha para Lauren e a examina da cabeça aos pés. Seu rosto se contrai enquanto ele olha para aquela mulher, tentando reconhecê-la.

- O que você quer? – digo de maneira áspera, controlando minha voz. A ultima coisa de que os garotos precisam é testemunhar uma discussão acalorada. Percebo que Kyle e Ricky se levantam para olhar por sobre a mesa, como um par de suricates.

Lauren olha para os meninos e sorri educadamente. Embora eu consiga ver a tensão em seus olhos.

- Eu já lhe disse, Camila. Vim resgatar meu prêmio. Pegar o que me pertence. – ela sorri de modo insolente, esperando minha reação.

- O que foi que você disse?

- Você me deve um encontro, Camz.

Nesse momento, todos os meninos estão vidrados em nós, o jogo de basquete ficou em segundo plano. Shane, que já tem idade suficiente para perceber a tensão sexual mesmo sem entendê-la exatamente, ostenta um sorrisinho.

Lauren caminha até onde estou, propositalmente colocando-se de costas para nossa pequena plateia, bloqueando a visão deles de modo que não consiga assistir nossa interação. Fico feliz quando ela para e se mantém a uma distância respeitável.

- Sinto muito, Ace – digo docemente para que só ela consiga ouvir – O inferno ainda não congelou, mas quando acontecer, entrarei em contato.

Ela dá um passo à frente, com a voz só um pouco mais elevada que um sussurro.

- Parece que você sabe tudo a respeito de ser fria, Camila. Mas por que se mostrar frigida quando sabe que eu posso aquecê-la rapidinho?

Desvio meu olhar de Lauren quando algo sobre o ombro dela me chama a atenção. Dou um passo para o lado para ver melhor o que é. Prendo a respiração ao ver Zander segurando seu bicho de pelúcia firmemente e dando a volta no sofá, caminhando em nossa direção. No lugar da sua expressão diária, ele tem agora um olhar curioso enquanto se aproxima.

Lauren se vira para ver a que estou reagindo. Ela começa a me fazer uma pergunta e eu levanto a mão para interrompê-la, pedindo que fique quieta. Felizmente, ela concorda. Todos os outros meninos na sala também se viram para ver o que está acontecendo, com expectativa em seus olhares. É a primeira vez que Zander toma a iniciativa de interagir com alguém.

Zander caminha até nós, olhando para Lauren. Sua boca abre e fecha várias vezes. Seus olhos estão arregalados. Eu me ajoelho para ficar da mesma altura que ele. Vejo Lauren ao meu lado tentando compreender minha reação.

- Olá – ouço Lauren dizer delicadamente.

Zander para e olha para ela. Temo que algo na aparência de Lauren ou alguma coisa que esteja usando tenha desencadeado alguma reação em Zander. Alguma memória negativa que o esteja impelindo a vir até nós e ver por si mesmo. Estou só esperando a gritaria começar e o terror preencher seus olhos.

- Zander, está tudo bem, querido – sussurro, tentando quebrar o transe em que se encontra, mostrando-lhe que uma voz familiar e reconfortante está próxima. Em seguida, viro a cabeça levemente para Lauren, encarando-a – Você precisa sair agora! – ordeno, com medo do que Zander possa ter visto nela.

Contrariando meu desejo, Lauren se aproxima e lentamente se abaixa ao meu lado. Ouço suas botas rangerem sobre o piso, tamanho o silêncio no local. Um dos meninos deve ter tirado o som da TV.

- Olá, amigão – ela diz, com a voz suave – Como vai você? Está tudo bem?

Zander dá um passo em direção a Lauren e um leve sorriso aparece em seus lábios. Meus olhos estão arregalados. Ele não está com medo. Ele gosta da Lauren. Rapidamente, viro-me para ele, com medo de perder qualquer movimento de Zander, e ela olha de volta, balançando a cabeça. Ela compreende que algo especial está acontecendo. Algo importante, sobre o qual ela precisa ser cautelosa.

- Então, o seu nome é Zander? – olhos assustados encontram os de Lauren e o garotinho faz um gesto afirmativo com a cabeça, leve, porém, perceptível. Eu prendo a respiração e lágrimas ameaçam a cair dos meus olhos enquanto vejo algo inesperado acontecer diante de mim – E aí, Zander? Você gosta de corridas?

Posso ouvir os meninos sussurrando entre si, quando percebem quem é Lauren. Eles começam a falar mais alto até que percebem que estou olhando intensamente para eles, então ficam em silêncio.

Lauren estende a mão a Zander.

- Prazer em conhecê-lo, Zander. Meu nome é Lauren.

Pela segunda vez em três dias, fico completamente sem palavras. Minha cabeça está girando ao ver o pequeno Zander lentamente esticar a mão para a mulher ao meu lado.

 Testemunho os primeiro passos de um garotinho que está se libertando dos efeitos de um trauma violento e devastador. É a primeira vez que ele inicia um contato físico com alguém em mais de três meses.

Lauren segura a mãozinha de Zander e o cumprimenta com gentileza. Quando ambos terminam a apresentação, o menino continua com a mão atada à de Lauren, sem demonstrar a mínima intenção de movê-la. Lauren atende e continua segurando a mão do menino, com um sorriso suave no rosto.

Lágrimas queimam meus olhos enquanto tento segurá-las. Minha vontade é de dar pulos de alegria pelo grande progresso de Zander. Quero abraça-lo e dizer quão orgulhosa estou por sua iniciativa. Mas permaneço imóvel. A forca daquele momento é maior do que tudo.

- Vou lhe dizer uma coisa, Zander. Se a Camila concordar em sair comigo em um encontro do que ela está tentando fugir – diz Lauren, sem jamais perder o contato visual com Zander – eu o levarei até a pista de corridas como meu convidado especial. O que acha?

A sombra de um sorriso volta aos lábios de Zander; seus olhos brilham pela primeira vez, enquanto ele faz um sinal afirmativo com a cabeça.

Coloco a mão sobre o coração conforme a alegria percorre meu corpo. Finalmente! E tudo porque Lauren me seguiu até o abrigo. Tudo porque ela não me ouviu. Tudo porque ela está usando uma das minhas crianças para me chantagear e me forçar a sair com ela. Eu poderia beijá-la agora! Bem, na verdade, já o fiz, mas poderia fazê-lo novamente. Naquele instante, eu sou capaz de fazer qualquer coisa que Lauren me pedir, apenas para ver outro sorriso no rosto de Zander.

Lauren segura a mão do garoto e o cumprimenta de novo.

- Muito bem, então temos um acordo, amigão – ela solta a mão do menino e se inclina para ficar ainda mais perto dele, sussurrando – Eu prometo!

Os lábios de Zander se curvam em um sorriso. Pequenas covinhas, que eu nem sabia que ele tinha, se formam em suas bochechas. Ele lentamente solta a mão de Lauren, mas continua a olhá-la com expectativa, como se perguntasse quando o passeio aconteceria. Lauren olha para mim me pedindo ajuda e eu vou até eles.

- Zander, querido – ele se volta para mim – eu e Lauren vamos nos sentar à mesa da cozinha para planejar tudo. Você gostaria de vir conosco ou prefere ficar e terminar de assistir o jogo de basquete com os outros meninos? – pergunto calmamente.

Os olhos de Zander olham rapidamente para nós dois, antes que Lauren o interrompa.

- Ei, amigão, eu vou ficar ali na cozinha com a Camila por alguns minutos. Você poderia assistir o resto do jogo pra mim e me contar qual foi o resultado quando nós terminarmos de conversar?

Zander faz um firme contato visual com a nova amiga, avaliando se ela está sendo sincera, e daí acena de modo afirmativo. Ele deve ter acreditado na promessa, pois apanha seu bichinho de pelúcia e volta para o sofá. Os olhos de Shane cruzam com os meus, sem acreditar no que viu. Ele então aciona novamente o volume da TV.

Eu me levanto do chão, reparando que todos os meninos, exceto Zander, ainda estão olhando para Lauren. Não é todo dia que uma celebridade vem até o abrigo. Lauren repara nos vários pares de olhos que o encaram e abre um grande sorriso.

- Não se preocupem – ela diz – todos estão convidados para ir até o autódromo quando eu levar o Zander.

Todos ficam entusiasmados e começam a falar sem parar.

- Tudo bem, tudo bem – eu os tranquilizo – vocês conseguiram o que queriam. Agora prestem atenção no jogo para que eu e Lauren possamos discutir os detalhes.

Eles obedecem, de certo modo, e seguimos até os bancos da cozinha. Eu convido Lauren a se sentar e dou a volta na ilha para ficar de frente para ela. Noto que Shane ainda nos observa a distância, com um olhar protetor, perguntando-se se Lauren me deixou triste ou algo assim.

Dentre as milhões de emoções que Lauren me fez sentir em apenas uma semana após conhecê-la, a gratidão que sinto por ela naquele momento supera tudo.

Olho diretamente para ela, tentando sem sucesso impedir que lágrimas escorram pelo meu rosto.

- Obrigada – sussurro. É apenas uma palavra, mas o olhar em sua rosto me diz que ela compreende o que está por trás delas.

Ela acena com a cabeça.

- É o mínimo que posso fazer – diz em voz baixa, completando mais para si mesma que para mim – Todos temos nossas próprias histórias.

- Você entendeu – digo, ainda chocada pela situação.

Olho para Zander e sorrio. Ele conseguiu. Ele realmente conseguiu. Ele deu um passo para fora da neblina e, de repente, estou cheia de esperança. Sinto-me animada com todas as possibilidades.

- Lauren! – digo, atraindo-a para fora de seus pensamentos. Ela levanta a cabeça, surpresa pela urgência em minha voz – Sei que vou me arrepender disso mais tarde, mas acho que vou seguir meu instinto, ser impulsiva e agir no calor do momento. Saio em dez minutos – digo, e ela olha para mim como se não estivesse acompanhando meu raciocínio, então continuo – Eu lhe devo um encontro, então vamos. Hoje.

Ela acena com a cabeça como se tentasse se certificar de que realmente ouviu o que eu disse.

- Ah, ok – ela gagueja, e eu adoro o fato de tê-la pego de surpresa. Ela começa a se levantar e sorri – Não fiz nenhuma reserva ou...

- Quem se importa? – faço um sinal com a mão – Não sou uma pessoa acostumada a luxos. Gosto de simplicidade. Ficarei feliz com um hambúrguer, pizza... essas coisas – vejo seus olhos arregalarem demonstrando descrença – Além disso, vocês já pagou o suficiente pelo encontro, quem precisa gastar uma montanha de dinheiro em comida?

Ela olha para mim pensativa, e sinto que ela está tentando perceber se estou falando sério. Quando olho para ela como se estivesse bancando a estúpida, ela continua:

- Você é incrível. Sabe disso, não é? – aquelas palavras simples tocam meu coração. Tenho certeza de que está sendo sincera.

Dou um sorriso por sobre o ombro e saio para pegar minhas coisas e lavar o rosto.

- Volto num minuto.

Quanto retorno à cozinha e dou de cara com Michael olhando assustado e cumprimentando Lauren. Ela se vira para mim quando me ouve entrar.

- Está pronta? –pergunta.

Levanto o dedo indicando que preciso de mais um segundo.

- Bem, estou indo – aviso os meninos, que se levantam para me abraçar. Julgando pela maneira eufórica como me tratam, acho que a presença de Lauren e o fato de eu conhecê-la me elevaram de repente à categoria de estrela do rock.

Enquanto estou recebendo meus abraços, reparo que Lauren caminha até o sofá, se abaixa em frente à Zander e diz algo para ele, mas não escuto o quê.

Ela se levanta e caminha sorrindo para mim. Termino de me despedir dos meninos e logo depois saio do trabalho com a Lauren logo atrás de mim. Minha cabeça começa a trabalhar em várias pensamentos de como será esse encontro tão desejado por ela, mas tem apenas uma única frase que não paro de repetir para mim mesma: “ Que deus me ajude”

 


Notas Finais


e ai? o que estão achando?

até a próxima...


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