História Drunk in Love (Camren) - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui
Tags Camila, Camila Cabello, Camren, Fifth Harmony, Lauren, Lauren Jauregui, Lesbian, Lesbian For Camila, Lesbian For Lauren
Exibições 71
Palavras 8.658
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Festa, Ficção, Hentai, Luta, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 9 - Horas


 

 

 

                                                             

                                                             Capítulo 7 - Horas

                                                                  Camila Cabello



   Eu estava implorando para os meus olhos ficarem abertos, ao menos até o fim daquela reunião.

   Eles não iriam me ouvir, é claro.

   Observava um velho gordo falando sem parar sobre as novas propostas feitas por um grupo de empresários e os riscos delas. Não seria mais fácil negar a proposta e nos poupar desse discurso inútil?

   Desculpe.

   Eu não estava para conversa.

   Não hoje.

   Não depois de dormir ás cinco da manhã, fazendo desesperadamente o folder, o projeto, o gráfico e a maquete.

   Haviam saído impecáveis, mas haviam acabado com a minha vida.

   Ainda havia feito uma lista VIP com vários nomes importantes para um evento pessoal que ela iria organizar em sua casa.

   Eu apoiava meus braços na mesa. Suportava o meu peso, como se fosse grande coisa. Minhas pálpebras pesavam sobre os meus olhos e eu piscava várias vezes tentando afastar o maldito sono. Meu corpo amoleceu e as horas pareciam estar em guerra contra mim.

   Não prestava atenção em nada dito ali.

   Apenas ouvia os meus pensamentos e rezava pra que ninguém me perguntasse nada.

   Minhas costas doíam como se eu estivesse acabado de sair de uma luta daquelas com Royce Gracie. Sem dúvidas, passar a noite preparando e desenhando um gráfico para agradar uma chefe completamente perfeccionista não é algo recomendável pelos ortopedistas.

   Em meu pequeno momento de desatenção, eu havia deixado de notar que o tom de voz era outro.

   Baixo.

   Sério.

   Discreto.

   Rouco.

   Sensual.

   Não era mais o velho gordo.

   Graças a deusa.

    Ergui o olhar.

   O som daquela voz incrivelmente provocante ecoou pela sala, enquanto aquelas pessoas a encaravam como se pudessem despi-la.

   O show iria começar.

   Me endireitei na cadeira, tentando prestar mais atenção no que estava sendo feito naquela reunião.

   Mas eu só conseguia prestar atenção nela.

    Seu corpo se moveu lentamente e ela se levantou ficando diante de um enorme data show - aonde ela apresentava seus futuros projetos para a Jauregui's Group Inc.

   Eu estaria mentindo se dissesse que ela não estava irritantemente sexy naquelas roupas. Meus olhos percorreram discretamente por seu corpo e eu pude perceber alguns detalhes que me chamaram atenção. Como aquela camisa social perfeitamente abotoada e justa o suficiente para marcar aqueles seios fatos e esculturais, uma saia social preta de cós-alta que marcava perfeitamente suas coxas e bumbum. E o que dizer sobre aqueles cabelos pretos que caiam em cascatas por suas costas e cintura?

  Oh céus... a mulher destruía qualquer conceito sobre sanidade quando me lançava aquele olhar intimidador que encharcava a minha calcinha.

    O que? Isso seria algum efeito do sono ou eu estava mesmo tendo esse tipo de pensamento?

   Um homem adentrara a sala, sem ser anunciado. Tinha uma bandeja com água e parecia completamente perdido.

   Era o homem das pipocas.

   Eu estava rindo, mas era de nervoso.

   Senti que devia me levantar e avisar o perigo que era aquele homem.

   Mas me lembrei que, pensando por esse lado, eu também era um perigo.

   As atenções ainda estavam focadas na mulher ruiva á frente. E eu me mantinha em dúvida sobre pra onde olhar.

   O homem olhou perdido para todo o lado, sem saber aonde colocar aquilo. Indiquei a mesa pra ele, disfarçadamente.

   Mas foi quando ele tentou apoiar a bandeja sobre ela, mas tropeçou, que eu vi a merda acontecer.

   Fechei os olhos no instante em que a água sobrevoou como um drone e atingiu a blusa de minha chefe.

   Mas abri quando o silêncio permaneceu por tempo demais.

   Em um minuto o clima estava leve.

   No outro pesado.

   Pesado e cansativo.

   Como o homem que falava antes.

   Estava parada, encarando o homem, sem nenhuma expressão. Enquanto o mesmo repetia muitas desculpas.

   Meu olhar desceu e eu vi o desespero me atingir quando a blusa branca passou a ficar transparente e eu podia ver a forma dos seus seios perfeitam...

   - Senhorita Cabello? - despertei-me de meus pensamentos ao notar que não só ela, como todos os presentes naquela sala me encaravam.

   Mais uma vez.

   Como naquele dia, só que pior.

   O homem não estava mais lá.

   Pela intensidade e frieza do clima, eu poderia sugerir que havia sido demitido no meu pequeno momento de distração.

   Mas por que estavam olhando pra mim?

   Tossi várias vezes, não sabendo exatamente o que fazer.

   O que devia dizer? Se eu pedisse pra que ela repetisse a pergunta, certamente iria deduzir que eu não prestei atenção em nada do que se falavam por ali. Por outro lado, eu não podia ficar ali como uma idiota a encarando sem dizer nada, podia?

   - Errr... eu não sei. - me pronunciei rápido.

   Foi a primeira coisa que me veio a cabeça naquele momento, me arrependi logo quando a vi cruzando os braços e me lançando seu olhar intimidador.

   Aquele olhar.

   Me trazia uma enxurrada de calor e eu me vi apertando as coxas e tentando disfarçar o desconfortável calor entre minhas pernas.

   - Creio eu que a senhorita não tenha ouvido se quer uma palavra do que eu disse, sim? - ela tentava se mantar calma, mas sua raiva era visível no seu tom de voz.

   - M-me desculpe... - disse baixo, quase inaudível.

    Ela cerrou os olhos e cruzou os braços e eu tive a certeza que poderia me matar apenas com o olhar. Aquele olhar, em especifico.

   - Pois bem, vamos encerar por aqui. - ela disse e todos ali se levantaram e foram saindo aos poucos depois de cumprimentá-la.

   Ainda estava sentada, quando senti uma leve pressão contra as minhas costas, uma mão se apoiar ao lado do meu braço e um calor chegar perto da minha orelha.

   - Vá para a minha sala, agora.

 

 

 

                                             ***************************

 

   Eu estava meio caminho de sua sala, mas parei ao ver que ela mesma não estava lá.

   Ela estava na janela. Observando os carros lá embaixo.

   Estava ali a uns dez minutos e eu observava disfarçando, escondida.

   Estava concentrada.

   Me lembro de ter perguntado a razão daquilo á Pam e a resposta foi a pior possível: Ela era a razão.

   A ex.

   Ela.

   Mais uma vez.

   Sempre ela.

   Era ali que ela costumava ficar.

   Ela que estava me apavorando.

   Me apavorando a um nível tão alto que Chloe havia implicado comigo, mais cedo, e eu nem estava conseguindo ligar pra isso.

   Estava incomodada com ela e sabia muito bem o motivo.

   Havia uma criança.

   Eu queria saber o que isso queria dizer e quem era a garota.

   O que pode ter acontecido? Aonde essa mulher pode estar?

   Ela era só uma criança.

   Havia sido dessa forma que a ex de Lauren mencionou a menina.

   Por que ela disse que ela "era"? Não era mais?

   A criança...estava morta?

   Morta...

   Morta.

   Engoli em seco.

   Passei a mão pela testa, respirando devagar para não perder o ar.

   Eu queria saber apenas disso.

   Mas eu sabia mais,

   A cada dia, a cada minuto...eu sabia mais e mais.

   Eu havia ouvido uma conversa hoje mais cedo, antes da reunião.

   Na sala do café. Não sabia quem eram as pessoas. Não sabia o que estavam fazendo antes.

   Mas sabia que, pelo tom de mistério, falavam dela.

   Pareciam ter pavor de pronunciarem seu nome.

   Estavam disfarçando.

   Usando outras palavras.

   Escolhendo bem o que iam dizer.

   O tempo todo a mencionaram como aquela pessoa, ela ou aquela pessoa com E. 

   Agiam como se tivessem medo de recitar seu  nome.

   "Deve estar queimando no inferno á essas horas" uma das pessoas disse e risadas foram ouvidas, preenchendo o ambiente.

   Mas eu...

   Eu permaneci séria.

   Eu permaneci apavorada.

   Meu estômago doeu e eu já podia sentir a queimação.

   Pareceram agiar daquela maneira por ela ter sido uma pessoa ruim o suficiente para que achem que dizer aquele nome lhes traria alguma energia negativa. Ou que alguém ouvisse, de qualquer forma.

   As duas coisas pareciam ruins aos meus olhos, na mesma intensidade.

   Havia ouvido menções a ela poucas vezes. Mas já sabia o suficiente pra descobrir que ela incomoda todo mundo. Não importa como tudo estava antes, se estavam reunidos num jantar alegre e luxuoso ou curtindo um dia no Jauregui's Van Cher (o lugar que Pam havia me mencionada ser "o melhor lugar do mundo", que era oferecido pela empresa para os funcionários), se ela fosse citada, o clima ficava pesado e insuportável.   "A forma como falam dela...parece ser maravilhosa" foi o que consegui dizer quando o silêncio durou e Pam pareceu exigir uma resposta.

   "Ela? Maravilhosa?" Pam riu com gosto. Se demorou, enquanto buscava as palavras e quando achou, eu soube que iriam doer "Camila, só pra você saber, se ela estivesse viva, você estaria morta."

   Não me sentia preparada para aquela parte.

   Nunca estaria.

   Meu lábio inferior tremeu, cheio de sofrimento e eu quis ter tapado meus ouvidos antes.

   Olhei para ela na maior confusão da minha vida e a resposta veio em seus olhos, para depois ser pronunciada em seus lábios.

   O que veio a seguir doeu profundamente.

   Muito mais que antes.

   "Literalmente, não estou brincando. Ela te mataria de verdade. E por prazer."

 

 

 

 

                                                ****************************

 

 

 

 

   Dois segundos.

   Foi o tempo que tive esperar frente á porta, pra que a mesma abrisse automaticamente.

   Nunca antes haviam sido dois segundos.

   Já haviam sido dez minutos, sete, uma vez cinco...mas nunca dois segundos.

   Talvez hoje seja o meu dia de sorte.

   Passei pela porta com cuidado, com as coisas em mãos.

   Mas derrubei tudo no meu segundo passo.

   Minha chefe se virou na minha direção, sua blusa branca molhada e completamente desabotoada. Seu sutiã preto com rendas frente aos meus olhos.

   Pelo amor da deusa Lilly!

   Voltei dois passos, me desculpei por ter entrado de repente, puxei a porta para fechá-la e...

   - Espere. - fechei os olhos quando a voz me abrigou a ter que abrir a porta novamente - Não autorizei que saísse.

   Dei os dois passos muito cautelosamente, voltando a adentrar a sala, a porta se fechando atrás de mim, me fazendo tremer inteira.

   A cada respiração, eu sentia meu coração acelerando.

   - S-s-ssenhorita J-Jauregui...Não acho que s-seja boa ideia e-e...

   - Pare de bobagem e me ajude a encontrar outra blusa. - cortou.

   Fiquei uns cinco segundos estática totalmente imobilizada, até notar que eu era a única ali que estava maliciando aquele momento.

   É claro!

   Senti uma vontade incontrolável de bater contra minha própria testa.

   Me virei, procurando por qualquer coisa que se assemelhasse a uma blusa.

   Vi um pano azul logo abaixo do sofá e o associei imediatamente á blusa azul escuro que ela usava aquele dia. Mas, por que estava justo ali...?

    Me abaixei, tentando alcançá-la por baixo do sofá.

    -...O que pensa que está fazendo?

   - Estou pegando a blusa.

   - Aí? - ergueu uma sobrancelha e eu olhei em sua direção - Quando pedi que procurasse, estava me referindo ao closet... - sua sobrancelha permanecia erguida, como se fosse óbvio.

   Opa...

   Dei uma risadinha sem graça, me sentindo uma completa imbecil.

   Burra, burra, burra...

   Adentrei o closet, vendo roupas e roupas para todos os lados e me perguntando porque tinha tudo isso em sua sala. E...por que ela precisava de minha ajuda?

   Passei as mãos por várias peças, não fazendo ideia do que lhe mostrar. Me agachei, na esperança de ter uma visão melhor das peças ali de baixo.

   Eu tive.

   Uma visão melhor.

   Mas meu conceito de "visão melhor" foi muito além disso.

   Os lados de sua blusa desabotoada se afastando foi a primeira coisa que eu vi. Seus cabelos se afastando de sua cintura devagar, em seu movimento para se agachar, enquanto seu olhar estava concentrado na peça logo á sua frente, veio em seguida. Mas foi quando se levantou, lentamente e com cuidados, e sua saia subiu levemente que eu tive uma leve visão de seu bumbum e da cinta-liga preta que usava por baixo que eu perdi o chão.

    Ela não precisava fazer nada.

    E eu já estava em completo desespero.

    Ai, Deus.

    Eu podia sentir meu coração batendo com força no meu peito, a ansiedade fritando embaixo da minha pele.

    Pareceu não se decidir pela peça, saindo pela porta ao ouvir uma vibração em sua mesa.

    Peguei a primeira peça que vi pela frente.

    Agora eu estava em frente á sua mesa.

    Ela estava focada em nada especial e com o corpo levemente recostado contra a mesma. Lhe entreguei sem muita enrolação, porém nervosa.

    Me mantinha congelada á sua frente, sentindo meu coração martelar.

    Só não esperava que a mesma fosse tirar a roupa na minha frente.

    Tentei engolir em seco, mas minha garganta estava fechada.

     Não me mexi.

    O tecido branco escorregando por seus braços, quando ela puxou a outra, vestindo apenas os braços mais uma vez. Ela estava olhando pra mim. Fez todo o movimento sem desviar o olhar.

    Eram os botões.

    A porra daqueles botões.

    Eram eles que estavam prendendo a minha atenção, me fazendo ter que encarar aquela pele alva e macia por baixo do sutiã preto, os seios cheios, as curvas desenhadas...

    Esperei que fechasse aqueles malditos botões pra que eu pudesse voltar a respirar.

    O instante de silêncio durou e eu estava me esforçando muito para olhar apenas para meus pés.

    Era o melhor a fazer.

    Isso. Continue fazendo isso.

    -...não vai...abotoar? - sugeri, tímida.

    Minhas bochechas deviam estar explodindo.

    - Não. - ergui a cabeça, seus braços estavam cruzados frente aos seios e seu corpo ainda estava levemente encostado contra a mesa - Você vai.

    Dei um passo pra trás e abri meus olhos pra ela.

    Minha cara de confusão indagando se era isso mesmo que ela queria.

    Eu ainda estava tremendo.

    Ela confirmou.

    Meu corpo tremia inteiro.

    Eu não sabia mais respirar.

    Ri, talvez alto demais.

    Era sempre assim quando eu estava nervosa.

    Ela permaneceu séria, mostrando que aquilo não era uma brincadeira, até porque não teria graça.

    - Faça logo, senhorita. - ordenou, umedecendo o lábio inferior - Não tenho o dia todo.

    Abriu levemente as pernas, para facilitar a minha aproximação.

    Só aí eu tive uma leve noção do que estava acontecendo.

    Senti uma onda de arrepios percorrendo cada centímetro do meu corpo.

    Eu não estava respirando a muito tempo.

    O espaço entre os meus dedos estavam suando.

    Eu não tinha ideia do que devia fazer.

    Me aproximei. Meus dedos tremendo.

    Sentia meu coração quente.

    E esquentando cada vez mais.

    Fechei o primeiro botão, sentindo o mundo girar de forma errada.

    Respire.

    Inspire.

    Calma.

    Repeti meu pequeno mantra enquanto já fechava o segundo. Meus dedos próximos aos seus seios e eu me esforcei para demonstrar que não havia notado aquela pequena coincidência.

    - Gosta deles? - sua voz surgiu em meio ao silêncio e eu quase sobressaltei.

    - P-Perdão? -  eu não conseguiria dizer outra coisa.

    Sentia a minha cara vermelha.

    Eu era um pimentão.

    - Adora observá-los. - eu havia engasgado completamente - Deve gostar, não?

    Nunca seria capaz de responder aquilo.

    Nem em um milhão de anos.

    Minha boca não se mexia.

    Nenhum som saía da minha garganta.

    Tentei me focar única e exclusivamente em fechar o terceiro botão e...

     - Vi como observou durante a primeira reunião. - meu problema era aquele tom. Baixo, rouco e lento. A droga daquele tom estava acabando comigo - Não quer tocá-los?

    - S-s-senhorita Jauregui...não acho que seja a-apropiad...

    - Vamos falar sobre coisas inapropriadas agora? - havia me puxado pela cintura, quando eu perdi o foco completamente, juntamente com o equilíbrio. Sua boca estava na minha orelha mais uma vez, meu corpo entre suas pernas. Um frio subiu na boca do meu estômago. Fechei os olhos, tentando não me concentrar na situação ou iria morrer tremendo - Porque ficar se imaginando fodendo a assistente deve ser uma delas.

   Eu segurei a mesa e ofeguei.

   Meu estômago estava dando voltas e eu tive certeza que ia desmaiar.

   Sua voz baixa, como um rouco gemido... estava me causando sérios calafrios.

   Estava fazendo aquilo de novo.

   Me constrangendo. Me deixando envergonhada.

   Nas outras vezes havia outra pessoa no ambiente, o que havia sido o meu fim.

   Enquanto dessa vez...meu olhar passou pela sala e eu senti meu corpo inteiro paralisar.

   Ai, meu Deus.

   Seria...possível?

   Não sabia se era a sala grande demais.

   Ou se eu era a desligada.

   Mas quando cheguei aquela conclusão e me virei, notei que havia alguém ali o tempo todo.

   Alguém que me dava calafrios.

   O cara de olhos azuis.

   Calafrios do tipo ruim.

   - Algum problema? - ela ergueu uma das sobrancelhas, se referindo a minha reação á presença daquela pessoa.

   Alternei o meu olhar entre ela e ele, como um cachorro doido, sem saber o que fazer.

   Ela havia revirado os olhos, me soltando daquele contato. Me perguntei se havia feito algo errado.

   Me perguntei o que aquela pessoa estava fazendo ali.

   - Tem razão, senhorita Jauregui. - ele estava rindo - É fácil deixá-la assim.

   Olhei para ela, a confusão nos meus olhos.

   Era algum tipo de aposta?

   Ou crueldade mesmo?

    Eu estava confusa demais.

    Eu não conseguia me mexer.

    Mais uma vez. Mas dessa vez de uma forma ruim.

    Era dolorido.

    Certo. Quando iria aparecer alguém rindo e dizer que era tudo uma pegadinha?

    Não tinha graça.

    - O-o-o que está acontecendo? - foi tudo o que saiu da minha garganta.

    Estava calada, esperando sua resposta.

    Ela andou pelo ambiente, decidindo se deveria responder ou não.

    Estava totalmente mudada. Em questão de segundos.

    O que estava acontecendo?

    - Hoje é o dia de me mostrar o folder, não é? - disse totalmente seca - Me mostre então.

    O folder.

    Ai, merda.

    O folder.

    Seu estresse e sua raiva foram claros quando eu voltei ao início da sala para pegar as coisas que haviam caído: o folder, o gráfico e a maquete.

    Entreguei-os em suas mãos.

    Estavam impecáveis.

    Haviam sido a coisa que eu havia me dedicado por todos aqueles dias.

    E haviam sido cautelosamente terminados hoje, ás cinco da manhã, com todo o cuidado e carinho necessários.

    Se sentou novamente á mesa. Seus olhos perfeccionistas passaram por ambos e voltaram para mim.

    Engoli a seco.

    Minha atenção estava totalmente focada em qualquer coisa que ela fizesse ou dissesse a partir de agora.

    - Explique-os.

    Inspirei.

    Observei a outra pessoa do ambiente, envergonhada, logo começando a falar.

    Falei por uns dez minutos.

    Ninguém me interrompeu ou opinou. Até que eu terminasse.

    Haviam sido absolutamente respeitosos durante toda a minha fala.

    Tudo aconteceu bem devagar.

    Quando ela se levantou.

    Quando pegou ambos os projetos nas mãos.

    Quando os rasgou.

    Na minha frente.

    - Horrível. - disse, por fim - Minha sobrinha de cinco anos consegue produzir algo melhor.

    Senti o choque subir por todo o meu corpo.

    Ainda não sabia reagir.

    Ainda estava acontecendo.

    Estava sendo horrível.

    Eu não sentia o chão abaixo de mim.

    Não sentia nada. Não era capaz.

    Apenas observava as coisas que haviam roubado o meu tempo por tanto tempo...que eu havia consideradas perfeitas e impecáveis....

    Sendo jogadas na lixeira, bem diante dos meus olhos.

    Eu não queria chorar.

    Não queria fazer aquilo ali.

    Mas não sabia por quanto tempo iria aguentar.

    Sentia tudo se prendendo em meus olhos e tentando escapar...

    - Senhorita Jauregui... - o cara de olhos azuis se sensibilizou - Não a trate assim...não precisa ser tão rude... - tentou me ajudar, me observando.

    Estava entre um soluço contido e um choro.

    Me sentia pra baixo.

    Completamente humilhada.

    Ter alguém olhando era ruim.

    E alguém com pena... era horrível.

    Absolutamente.

    - Por quê? - olhou para ele cruelmente, voltando a falar comigo - Acha que eu vou ter pena de você por causa de sua mãe?

   O choque me tomou.

   Eu estava totalmente incrédula.

   Eu não havia ouvido aquilo, não havia ouvido aquilo, não havi...

   Algo dentro de mim pareceu doer, profundamente.

   Havia me atingido.

   Como um tapa.

   Ou um tiro.

   Disparado diretamente aonde estava ferido.

   Ela havia me atingido, sem me dar uma única chance de defesa.

   E doía...como doía.

   - Pare de expor! - ele havia se levantado, com todo o intuito de me ajudar.

   Mas não adiantaria.

   O meu maior segredo.

   O meu maior ponto fraco.

   A forma como ela havia falado dela.

   Me matou por dentro.

   Eu não tinha reação alguma.

   Não sabia se estava chorando.

   Se havia caído no chão.

   Se apenas estava estática.

   Se meu coração ainda estava batendo ou se havia esquecido de respirar.

   Uma pergunta estava rondando a minha cabeça, enquanto eu sentia que ia vomitar.

   Como ela sabia?

   - Não estou nem aí se ela tem que visitar aquela maluca viciada escondida.

   Foi tudo.

   Aquilo bastou.

   Estava difícil respirar.

   Não queria que ninguém soubesse do meu segredo.

   Não queria que soubessem da minha mãe.

   Não queria que soubessem da minha dor.

   Mas ela já sabia.

   De alguma forma, sabia.

   Tentei me lembrar se havia alguém me espiando enquanto eu estava falando com minha mãe.

   Não me lembrava de nada.

   Lembrei da mulher do mercado. Naquele mesmo instante.

   Ela havia tido acesso a todos os meus documentos com a minha bolsa. E me "devolveu" intactos.

   O que não havia feito enquanto estava com eles em suas mãos?

   Podia ter visitado a minha mãe ela mesma.

   Se estivesse me seguindo...

   Meu estômago embrulhou.

   Eu me sentia seguida.

   O tempo todo.

   Desde que entrei nesta empresa.

   E sempre que olhava para trás...não havia ninguém.

   Havia alguém me seguindo...

   Alguém que Lauren tinha acesso.

   Balancei a cabeça.

   E eu...

   Eu me sentia pequena...

   Me sentia minúscula.

   Vulnerável e sozinha.

   Como havia sido durante aqueles últimos anos.

   Ela sabia.

   E estava expondo. Falando como se não tivesse a mínima piedade.

   Falando abertamente na frente da outra pessoa no ambiente.

   Eu me sentia completamente humilhada.

   Não conseguia me manter de pé, ali.

   Por isso eu havia me virado, totalmente estática e caminhado até a porta. Por isso havia ignorado a sua voz dizendo "não autorizei a sua saída" ou algo do tipo que eu não dei atenção. Por isso havia puxado a minha mão de volta quando ela a segurou, dizendo que se eu fosse, não precisaria voltar. Por isso havia chorado na frente dela, mas me virei, saindo do corredor e da empresa. Chorando na frente de todos, que me olharam confusos.

 

 

 

 

 

 

 

    Estava muito frio.

    Um frio insuportável.

    Joutech Blue não conhecia verões ou alguma temperatura acima de 12 ºC, mas hoje particularmente, estava impossível.

    Senti como se precisasse de um abraço.

    Senti como se precisasse de Dallas.

    Senti como se precisasse de Sam.

    Mas não podia tê-las agora, já que elas jamais podiam saber do meu segredo.

   Enfiei as mãos nos cabelos, chorando copiosamente, desejando voltar a ver minha mãe. Mas logo me lembrando que não poderia ser bem recebida e que biscoitos era tudo o que ela queria de mim.

   Biscoitos.

   Queria a proteção de uma mãe.

   Aquilo fazia falta no dia a dia.

   Doía.

   Era insuportável e horrível.

   Eu não iria mais suportar.

   Era o motivo da minha insegurança. De nunca conseguir fazer nada direito.

   Cheguei no ponto de ônibus sem força alguma.

   E abandonei qualquer bom senso quando me joguei no chão, sentando, sentindo meu rosto arder com as lágrimas.

    Não sabia o que ia fazer dali pra frente.

    Talvez correr um pouco.

    Talvez muito.

   Mas que bela droga! Não dá pra ser forte ao menos uma vez?

    Não, por favor.

   Respirei profundamente.

   Hoje não, obrigada.

   - Moça, não senta assim não, principalmente quando estiver de saia. - ergui o meu olhar com aquele aviso, sabendo que a minha calcinha provavelmente estava aparecendo. Naquele momento não senti vergonha alguma. - E não precisa ficar aí. As linhas estão congestionadas e o próximo ônibus só passa daqui a mais de três horas.

   Tinha os cabelos forçadamente azuis, de um jeito falso e estranho. Havia exagerado no uso da base e do pó, passando tanto que mais parecia estar usando uma máscara. Suas sobrancelhas também estavam marcadas demais. Notou que eu estava chorando e soluçando e se preocupou.

   - Precisa de uma ajuda?

   - Como chego ao meu prédio? - perguntei, passando meu endereço.

    - Você precisa passar por aquele posto de gasolina ali - apontou - Mas o caminho é muito longo, cansativo e deserto. Daqui a algumas horas pode começar a chover, se a previsão estiver correta. Não recomendaria nem que minha pior inimiga passasse por ali. - sorriu, maternalmente.

   Talvez não tenha sido maternal...talvez eu estivesse vendo demais.

   Carente a um nível em que via afeto em tudo.

   Mas de qualquer forma...sorri de volta.

   Era só o que me faltava.

   Eu só queria chegar em casa.

   Deitar em minha coberta, enquanto choro sozinha.

   Não queria atrapalhar, nem estragar o dia de ninguém. Será que é tão difícil conseguir isso?

   Eu havia ouvido o conselho da mulher perfeitamente.

   Não iria correr aquele risco, não era idiota.

   Só precisaria esperar três horas ali, com meus ossos congelando, a vontade de morrer crescendo no peit...

   Ah...dane-se.

 

 

 

 

                                        *****************************

 

 

 

   Longo, cansativo e deserto eram palavras fortes e significativas. Eu havia aprendido.

   Eu sentia ansiedade.

   Sentia tremedeira.

   Rangia os dentes.

   Sentia frio.

   Um frio desagradável.

   E o pior de tudo: me sentia seguida.

   E quando olhei para trás, pasmem: não havia ninguém.

   Parecia algo sobrenatural, bem atrás de mim.

   Algo fantasmagórico.

   Me seguindo por todo canto. E eu não podia reagir.

   O frio era terrível e também haviam os barulhos estranhos.

   Cansativo.

   A mulher tinha toda a razão.

   O céu já estava escuro. Completamente.

   E eu ainda estava andando.

   Nem sinal do meu prédio.

   Mas de certa forma...eu não ligava.

   Aquela caminhada estava sendo prazerosa. Eu estava repensando toda a minha vida naqueles poucos minutos.

    E estava odiando todas as minhas conclusões sobre a mesma.

    Odiava o rumo da minha própria vida. Eu não tinha controle algum.

    Também odiava o fato da previsão do tempo estar certa e de fato ter começado a chover. Uma chuva fina e fraca, mas ainda sim uma chuva.

   Você só descobre o seu verdadeiro valor quando é tratado como um lixo. Lembrei do conselho da minha mãe, tentando apagar aquela mulher da minha cabeça.

   Minha mãe.

   Uma adepta a Luvesher - a religião que só existia em Joutech Blue.

   Uma adoradora de Lilly, a deusa do nome inapropriado, na minha opinião.

   A mulher que seguia a religião á risca, todos os seguimentos, a bíblia deles...

   Mas que negava a própria filha.

   Estava com raiva da deusa, por isso. Se é tão "poderosa" como dizem, por que não faz minha mãe me tratar como...um ser humano? Por que não lhe mostra a injustiça que aconteceu comigo naquele ano maldito? Por que não faz justiça contra a vida da pessoa maldita de olhos escuros e cabelos loiros, que havia me destruído?

    Porque a deusa era inexistente. Essa era a resposta.

    Puxei meu casaco com mais força, a chuva me ensopando levemente.

    Meu buenny tremeu.

    "Você não vai acreditar no que acabei de descobrir."

     Era Dallas.

     Mandou uma mensagem pela rede social que tinha acesso ao buenny.

     "Estou sumida a horas de casa e é isso que veio me dizer?"

     "Aah...é. Achei que estivesse transando. Quer dizer, não queria agir como uma mãe."

     Pensei em fechar a conversa.

     Pensei em jogar aquele aparelho maldito em uma poça-de-lama qualquer.  

     Pensei em queimar uma bíblia de Lilly na frente de um luvesher fanático...

    Sua palavra havia me machucado e ela não fazia a mínima ideia disso.

    "Mas já que insiste...o que está fazendo fora de casa, mocinha?"

    "Transando." digitei.

    "Se não conservasse um cabaço de noventa quilates, eu até iria acreditar"

     "Ha-ha-ha, piada com cabaço, muito engraçado." enviei "O que queria me contar?"

     "É sobre o caso Elizabeth!!!" puxei na memória sobre que caralhos era Elizabeth e me lembrei que era o caso que ela havia visto no jornal e estava acompanhando, já que estava com algum tipo de depressão depois que perdeu a melhor amigo e a coisa toda. "Ela está morta! Tipo...muito morta. Morta pra caralho."

   "Ok, Dallas. Me conte mais quando chegar em casa, sim? Mal posso esperar."

    Fechei a conversa, tendo certeza de que iria vomitar.

    Aquele dia não parava de ficar pior?

    Lembrei da conversa do homem ruivo com o cara de olhos azuis, a algum tempo atrás.

    "Eu te pedi pra...ficar longe dela."

    Eu sabia de quem ele estava falando. Infelizmente, eu sabia.

   Ainda não havia decidido o que fazer com meu queixo.

   Aquele havia sido o primeiro pedido que eu havia ouvido, em relação a isso.

   Não havia sido pra mim. Mas eu senti que devia ter ouvido.

   Prendi a respiração.

   Estava me sentindo infantil e ridícula por toda a situação.

   Fique longe da senhorita Jauregui. Por favor.

   Agora fazia sentido, Pam. Obrigada por tentar abrir meus olhos.

   Talvez eu tenha decidido seguir o seu conselho, a partir de hoje.

   Se eu ainda tivesse um emprego...

   Um emprego.

   Eu não tinha um emprego.

   Ai, Lilly.

   Eu me sentia completamente perdida.

   Engoli em seco e observei o céu.

   Eu sei o que está pensando, mas....eu só quero evitar que...

   Talvez fosse bom, afinal.

   Talvez isso significasse um novo caminho.

   Talvez ter sido demitida tenha sido algo positivo.

   Havia alguma umidade abaixo dos meus olhos e bochechas e eu tentei me enganar dizendo ser chuva. Mas eu sabia que não era.

   Sabia que estava chorando.

   Sabia que estava desesperada.

   Que precisava daquele emprego como a minha vida.

   Que estava perdidamente endividada.

   Não quero que tenha um fim semelhante ao de...

   A ansiedade parecia querer sair do meu corpo através de tremidas na minha perna.

   Chega dessa loucura.

   Chega desses mistérios.

   Chega desses segredos.

   Lauren, por favor, chega.

   






   Havia escuridão, vazio e abandono.

   Não haviam pessoas em lugar algum, eu já estava andando a um bom tempo.

   E bem...havia uma pipa.

   Era colorida e por mais que eu tentasse alcançá-la, ela sempre escapava de meus dedos, como se estivesse sendo puxada.

   Havia surgido no meio do nada, como algo maravilhosamente sobrenatural para me entreter.

   Eu estava entrando naquele jogo aos poucos. Já sabia aonde localizar o meu prédio. Podia vê-lo a uma distância considerável. Por isso a tranquilidade.

   Segui a pipa mais uma vez. A maldita escapando de meus dedos mais uma vez. Parando logo a minha frente.

   Se aquilo era um jogo. Eu iria jogar.

   E iria ganhar.

   Adentrei o beco, a segurando entre meus dedos, sussurrando um "ahá!" desafiador.

   Havia algo escrito em uma etiqueta no meio dela, com uma letra muito bem feita, apenas um pouco borrado por conta da chuva.

   Forcei a vista para enxergar, era difícil, pois o beco estava escuro.

   Mas então, quando eu consegui ler, já era tarde.

   Todos os pelos do meu corpo já haviam arrepiado.

   A aflição que iria me fazer desmaiar me atingindo.

   Eu já havia levado as mãos á garganta, produzindo um som de engasgo. Como se as três palavras tivessem sido a razão daquilo.

   "Drunk in Love."

    Dei um passo atrás.

    Meu coração acelerado.

    As lágrimas brotando no canto dos meus olhos e a palavra "emboscada" foi tudo o que pensei antes de correr, mas ser puxada para trás, uma mão cobrindo a minha boca.

    Eu queria a minha mãe.

 

 

 

 

 

 

   - Shhh. - tinha o sotaque carregado. Uma voz nojenta de ser escutada - Fique quietinha. Não vai querer ser ouvida, han? Isso iria me foder todinho e não queremos isso, não é mesmo?

    Eu conhecia aquele sotaque.

    Só pessoas nascidas em Joutech Blue tinham aquele sotaque. Era o sotaque da própria cidade.

    Sua mão ainda estava segurando minha boca com força e eu não conseguia gritar.

    Queria chorar de desespero.

    Talvez eu já estivesse fazendo isso, sem perceber.

    Não sabia ao certo.

    A chuva chicoteou minhas costas.

    Um nó se formou na minha garganta, por mais que eu respirasse fundo nada acalmaria a velocidade que meu coração batia, meus dedos estavam trêmulos e formigavam, enquanto meu corpo travou por uns bons minutos.

    Me empurrou contra a parede, mas só quando puxou minha blusa, na intenção de rasgá-la, que eu soube o que estava acontecendo.

    Já estava chorando.

    Uma gangue de estupradores na cidade.

    O pensamento veio a minha cabeça de um jeito horrível.

    Estava chorando muito depressa.

    Não iria aguentar.

    Um beco escuro.

    Me sentia doente.

    Me sentia prestes a morrer.

    Eu não conseguia mais suportar.

    Meu corpo tremia inteiro.

    Sozinha.

    O tecido da blusa cedeu.

    Meu chão desapareceu.

    As lágrimas escorreram amargas.

    Um desconforto tomou conta do meu estômago.

    Drunk in Love.

    O sofrimento.

    A dor.

    O incômodo horrível.

    Meus olhos tremeram.

    Expira, inspira, expira, inspira...

    Parei de uma vez.

    Eu não queria morrer.

    Não agora.

    Não assim.

    Estava pensando em todas as coisas que deixei de fazer na vida, por medo.

   Tantas atitudes que poderia ter tomado.

   Tantas pessoas que poderia ter conhecido.

   Tantos lugares...

   Como Dallas ficaria?

   Dallas.

   Aquilo acabaria com ela.

   Já estava com depressão...

   Ficaria arrasada.

    Minha vida. Eu a vi murchar.

    Passando diante dos meus olhos.

    Mas algo pareceu renascer no segundo seguinte.

    - Solte-a. - uma voz vindo de logo atrás me chamou a atenção. Eu ainda tremia. - Agora.

    Vida.

    Vida crescendo dentro de mim, mais uma vez.

    Ouviu a voz atrás de si com um sorriso nojento no rosto. A barba repulsiva crescendo com aquele sorriso podre.

    - E quem você pensa que é pra me pedir algo?

    - Não estou lhe pedindo nada, meu senhor. - suas mãos foram para a sua cintura -  Estou mandando.

    - Ah é, palhaça? Quem você pensa que é?

    Ele estava ferrado. Eu vi em seu olhar: não no dele, mas no dela. Faiscou.

   - Posso ter muitos nomes. - decidiu.

    Ele se virou para ver quem era a nova figura presente no beco.

    O sorriso cresceu.

    E desapareceu.

    Em menos de dois segundos eu vi toda a confiança do homem se esvair. Ele tremia.

    - Jauregui? Ahn...m-me desculpe, eu não sabia que era voc...

    Jauregui?

    Ele a conhecia?

    Quer dizer...não como a grande empresária. Como uma amiga ou...

    - Não quero saber o que sabe ou não. Isso já está obvio pra qualquer ser pensante. Quero que solte-a agora ou... - ela nem precisou terminar a frase.

    Eu sentia medo.

    Sentia euforia.

    Sentia dor.

    E indecisão.

    Sentia muitas coisas e ao mesmo tempo, não queria sentir nada.

    Ela tocou um ponto um pouco abaixo da cintura. Ela tinha uma arma.

    Por que ele a temia? Por que a conhecia? Por que um cara da gague de estupradores que aterrorizavam a cidade temia tanto ela?

    Sentia dor. Uma dor fria, incômoda. Ela estava envolvida com algum tipo de sistema de crimes não estava? Era tão nova e tinha uma empresa tão ampla...

    É uma assassina como eles? Iria matá-lo?

    Fiquei me perguntando qual o envolvimento dela com aquela gangue cruel e apavorante. E foi quando eu ouvi...e preferia não o ter feito.

    - Chefe...m-me perdoe, por favor...eu não sabia que era ela...

    Chefe? Ela era chefe dele? Ou pior, era chefe deles? Tinha ligação com a onda de estupros que ocorriam na cidade?

    Engoli em seco.

    Eu não sabia que era ela.

    Ele me conhecia?

    Me...conhecia?!

    - Nunca havia feito uma ordem a mim, desde que ela....se foi. - grunhiu.

    Agora não falava mais de mim.

    Estava falando da ex.

    Da outra.

    A que me fazia arrepiar quando era citada.

    E eu vi que havia atingido a mulher de alguma forma, que por meio segundo encarou a parede com dor. Mas se recompôs.

    Observei-a com cuidado.

    Eu não a chamei. Mas é aí que está.

    Você não a chama. Nunca. Ela aparece do nada, quando quer ou quando sentir que deve.

    Foi ela quem me chamou.

    Ela é perigosa.

    Eu havia ouvido isso tantas e tantas vezes. Agora fazia sentido.

    Tudo isso.

     O sentido doía.

     Eu engoli em seco.

     Ela chamaria a polícia.

     Sentia a obviedade chegando a minha mente a cada segundo.

     Todo e qualquer aviso sobre esse momento estava me atingindo e me fazendo recuar.

     Eu estava chorando de pavor.

     Eu não respirava.

     Iria vomitar.

     Sentia tudo tremer e revirar.

     Era o que eu devia ter feito. Desde o momento em que ouvi isso.

     Devia ter chamado a polícia.

     Não deveria ter ignorado essa frase.

     Deveria ter feito algo.

     Emoção é mesmo uma merda.

     Machuca.

     É tão rápido e incontrolável.

     Em questão de segundos eu estava revendo tudo diante dos meus olhos e estava tremendo sozinha.

     Agora, eu a via falando com um homem perigoso, confiante e ameaçadora.

     Uma mulher perigosa.

     Calma, mas seu tom beirava ameaça.

     Fazia o homem tremer.

     Misteriosa.

     - O que eu faço com você? - seu olhar foi duro.

     Estava com raiva por ele ter citada a outra.

     Ou pelo seu ataque a mim.

     Eu não saberia dizer. Estava confusa como uma hiena.

     O que ela iria fazer?

     Ei, fique longe dela.

     Quis morder minha língua.

     Quis voltar no tempo e me afastado.

     Quis ter ouvido Pam e todas as outras pessoas.

     Conclusões.

     Muitas delas chegavam a minha cabeça.

     Eu iria explodir.

     Não se aproxime dela. Você vai se arrepender.

     - O que vai fazer comigo? -  o homem tremia muito.

    Ela permaneceu em seu olhar sério, decidindo. A mão acariciando a coisa em sua cintura.

    Acariciando a arma.

    Não quero que tenha um fim semelhante ao de...

    Levei a mão ao estômago em meio a um reflexo incontrolável.

    Ela deu leveza a sua expressão. O absolvendo de qualquer punição.

    Tirou a mão da cintura.

     - Você vai correr. Não o quero por aqui nunca mais. Vai sumir. É uma ordem.

     - S-s-s-sim. Me perdoe, e-eu estou indo. Obrigad...

    - Não agradeça, deixe que eu termine: se eu encontrá-lo no meu caminho novamente, só vou liberá-lo depois que arrancar as próprias orelhas e engoli-las. - seus dedos voltaram a caminhar pela própria cintura - Fui clara?

    Eu havia recuado sem perceber.

    Não era comigo, mas mesmo assim...

    Nada doía mais que o rombo em meu coração.

    Apertei os olhos.

    Minha barriga contraiu.

    Se contraiu e contraiu.

    O cara havia assentido e saído correndo.

    Eu havia ficado tremendo ali na parede.

    Incapaz de fazer qualquer outra coisa.

    Fiquei olhando pra ela, quando ela me olhou também, pela primeira vez.

    Trocamos um olhar por dois segundos, mas eu consegui reparar na profundidade de seu olhar.

    Consegui sentir o peso que ele trazia.

    Reparei na luz fraquinha da lua que iluminava parte de seu rosto.

    No que tentava esconder com tanta dureza.

    Caminhou, como se quisesse que eu a seguisse também.

    Mas eu não me movi.

    Estava com medo.

    Não tinha a mínima vontade de seguir aquele pessoa, pra qualquer lugar que fosse.

    Ela estava indo embora naquela noite fria de Joutech Blue.

    Eu estava com medo de ficar sozinha mais uma vez.

    Mas também estava com medo de ficar sozinha com ela, mais uma vez.

    Presidente e proprietária de uma das maiores empresas do mundo? Uma assassina? Chefe de crimes? Apenas uma pessoa que sofreu uma grande perda?

    Entre tantos mistérios e perigos...

    Quem é você?

 

 

 

 

 

 

 

 

    - Eu segui você. - respondeu na maior naturalidade - E o que mais?

    - É isso...? - minha voz mal saía - Você me seguiu depois que eu abandonei a empresa? Com que direito?

    - O que queria que eu fizesse? Havia me deixado falando sozinha.

    Queria que largasse a porra desse orgulho imbecil e essa necessidade de ganhar sempre.

    Não respondi nada. Não seria capaz.

    Mas tinha muita vontade.

    As luzes estavam apagadas.

    Meus olhos estavam desacostumados á luz, depois dos últimos acontecimentos. E eu senti como se fosse desmaiar caso ficasse em contato com luz forte mais uma vez.

    Seu olhar profundo caiu sobre mim, eu estava tão aflita que poderia desmaiar.

    Estava o tempo todo tentando disfarçar o nervosismo em minha voz.

    Não conseguia.

    Foi muita humilhação para um dia só.

    Muito nervosismo também.

    Eu não sabia como ainda estava viva.

    Devo ter saído completamente de órbita, pois foi só eu me ligar que eu pude ouvir a rouca voz da senhorita Jauregui pronunciando o meu nome.

    - O que foi? - respirei baixo.

    - Precisa de alguma coisa? - eu diria que o tom era preocupado. Se não soubesse que a pessoa que falava era ela.

    Uma pessoa totalmente impiedosa e sem sentimentos não poderia se preocupar com ninguém.

    - Depois de hoje, eu não preciso de mais nada. - disse baixinho, me levantando, prestes a sair.

    Estava tão nervosa que mal havia prestado atenção em sua casa. E em como era extraordinária e impecável.

    E nem ia o fazê-lo.

    Ainda precisava ir para casa.

    Ainda estava sem forças.

    Esgotada.

    - Ainda está com raiva por hoje. - suspirou.

    Eu poderia continuar a andar. Ir direto para a minha casa.

    Foi exatamente o que pensei em fazer e exatamente o que faria.

    Mas estava machucada.

    Hoje de manhã ela havia me feito passar pela pior humilhação da minha vida.

    Ela havia brincado com todos os meus sentimentos da forma mais cruel possível.

    Havia me exposto.

    Havia se aproximado e me deixado da forma como sempre deixava. Mas era só uma aposta.

    Uma aposta.

    Uma brincadeira com o que eu estava sentindo.

    Não tinha graça.

    Queria mostrar pra outra pessoa presente na sala como era fácil mexer comigo.

    É fácil deixá-la assim. Foi o que o cara de olhos azuis havia dito.

    Eu ainda me lembrava perfeitamente.

    Eu me lembrava de muita coisa.

    Acha que eu vou ter pena por causa de sua mãe?

    Meu coração havia parado de bater em algum lugar entre essa frase.

    Eu me sentia totalmente esgotada.

    Não suportaria mais nada depois de todos os acontecimentos das últimas horas. Ou semanas.

    Não fazia ideia de quanto tempo era possível manter a saúde mental trabalhando nesse lugar.

    Eu não tinha mais forças.

    Nenhuma.

    Não aguentava mais ouvir a ex dela ser citada o tempo todo.

    Tinha vontade de chorar de novo, mas já havia feito isso tantas vezes hoje, que não sabia se ainda restavam lágrimas pra mais uma.

    Eu poderia ter feito alguma coisa...quando ela disse aquelas coisas.

    Quando ela falou da minha mãe com crueldade.

    Não estou nem aí se ela tem que visitar aquela maluca viciada escondida.

    Eu poderia ter agido, de alguma forma.

    Mas eu estava pregada no chão. Pesada.

    Sem força alguma depois daquelas palavras.

    Eu sabia que não tinha a melhor mãe do mundo. Mas sabia que ela não estava bem.

    Que aquele lugar havia a adoecido de forma tal, que ela precisava tratar as pessoas assim, pra se sentir melhor.

    Ainda fazia efeito em mim.

    Ainda poderia me fazer começar a chorar no meio daquela sala.

    Ainda fazia meu coração se retorcer.

    Poderia ser pequeno, mas eu tinha algum orgulho.

    Por isso eu intervi.

    Pela primeira vez na minha vida.

    - Isso jamais irá me atingir. - ao ouvir minha voz, ela não se mexeu - Porque eu não quero você.

    O silêncio durou.

    Não sabia se ela estava surpresa.

    Se não esperava uma atitude daquelas.

    Quer dizer...nem eu esperava.

    Ninguém poderia esperar isso de mim.

    E foi por isso, que ao sentir aquela coragem momentânea, continuei:

    - Apenas fingi o tempo todo, para esconder o que eu mais precisava esconder. - dei uma pausa, escolhendo as palavras - Nunca te desejei.

    Quando o silêncio voltou a permanecer depois de minhas palavras, um sorriso de satisfação permaneceu em meu rosto.

    Um sorriso que brilhou no meu rosto por uns cinco minutos.

    Mas no segundo seguinte havia sumido.

    Tudo aconteceu muito rápido ou muito devagar.

    Quando ela simplesmente me jogou contra a parede com brutalidade e sua mão chegou a minha cintura, descendo pela mesma, até chegar no tecido da minha saia e sua voz sussurrar rouca "repete".

    Mas eu não repeti.

    Não seria capaz.

    Mas isso não lhe impediu de se aproximar mais, me pressionando.

    E de continuar.

    Toquei sua mão, os olhos arregalados.

    Tomei uma lufada de ar, puxando sua mão, mais uma vez.

    Me encarou firmemente.

     - Não gostei de seu tom, senhorita. - ergueu a sobrancelha pra mim - Acha que pode me desafiar?

     - Ach...

     O "acho" havia ficado preso na minha garganta no momento em que seus dedos escorregaram mais e sua mão agora estava entre a minha coxa e o elástico da minha calcinha.

    Eu não respirava a muito tempo.

    Mas o que diab...

    - O que dizia, senhorita? - desafiou-me a continuar.

    - E-e-e-e-e-eu....a-a-ac-cho qu... - seu corpo estava mais perto. Meu corpo havia ficado sem saído o suficiente pra que eu ficasse quase sentada contra a mesa atrás de mim. Minhas pernas foram abertas bem devagar - E-e-e-eu dizia q-q-qu...senhorita L-Lo...

    - O quê? - tocou meus joelhos, mantendo-os afastados, ficando estre as minhas pernas - Não estou ouvindo.

    Eu estava completamente sem ar.

    Puxava a respiração, mas de nada adiantava.

    Seus dedos estavam em meus joelhos e subiram devagar...

    Para pouco acima deles.

    Para minha coxa.

    O elástico da minha calcinha.

    Meu corpo estava tremendo.

    Quente.

    Eu estava pegando fogo por dentro.

    Segurei sua mão, quando ela voltou a encarar os meus olhos daquela forma displicente.

    - S-s-s-senhori-ta... - respirei fundo, tentando retomar o controle - E-e-e-ela não p-pode ver isso.

   Minhas palavras haviam saído baixas demais. Mas ela havia ouvido.

   Por isso havia parado.

   Estava perto o suficiente da minha boca para ouvir perfeitamente o que quer que eu dissesse.

   Minha ideia inútil havia adiantado, afinal.

   Ficou em silêncio, até erguer a cabeça e perguntar:

   - Ela?

   Engoli em seco.

   Minha cabeça raciocinando rápido.

   Quando a conclusão mais imbecil chegou.

   A conclusão que eu não devia chegar.

   - A moça de olhos castanhos. - seu olhar havia parado de imediato, logo percorrendo todo o meu rosto de forma incrédula - S-Skye. Eu e ela estamos... - não precisei terminar. Estava óbvio.

   Havia sido o suficiente.

   Eu esperava que ela se afastasse.

   Que risse bem na minha cara, pela minha bobagem e dissesse que eu não tinha jeito.

   Que talvez se chateasse com a minha mentira.

   Esperava muita coisa.

   Mas com certeza, minha mente não havia se atrevido a imaginar que ela fosse me apertar com mais força contra a mesa, seus dedos fazendo o movimento que eu menos esperava, me adentrando.

   Invadindo.

   Agora minhas pernas tremiam.

   Agora eu não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo.

   Agora eu só tremia.

   Eu só sabia fazer isso.

   Ela havia acreditado na minha mentira.

   E por alguma razão estava irritada.

   Com raiva.

   Muita raiva.

   Senti o calor de seus dedos.

   Fazia pressão de diferentes formas, em diferentes áreas e velocidades, enquanto seu rosto se aproximava do meu.

   - Lauren... não... - disse antes que perdesse o controle.

   Toquei seu ombro, na tentativa de lhe parar.

   - Do que me chamou? - sua massagem lenta tocou o meu clitóris. Minhas pernas se contraíram e se fecharam. Mas ela pôs o quadril entre elas, me mantendo aberta com sua mão. Minhas pernas tremeram e fraquejaram.

   Seu dedo ia me invadindo devagar e saindo enquanto lambuzava o meu clitóris.

   Eu não conseguia mais raciocinar.

   Meu corpo inteiro tremia.

   - M-M-M-Me perd-doe... - o calor de sua mão inteira parando entre os lábios da minha vulva. Me afastei levemente para trás, mas sua mão me segurou, me mantendo ali. Fechei os meus olhos, sentindo algo quente explodir dentro de mim, enquanto a ponta de seu dedo tocava um ponto específico, fazendo uma leve contração. Perdi a minha batida ali, eu tinha certeza.

   - Me perdoe o quê? - passou por um ponto úmido, subindo devagar. Seus dedos abriram a minha intimidade vagarosamente, me fazendo inspirar profundamente várias vezes e foram escorregando pelas laterais lentamente.

   O meu coração se acelerou.

   Meus pulmões automaticamente trancaram a respiração.

   Minhas mãos agarraram a mesa com força.

   Eu me sentia aflita e nervosa.

   Mas meu corpo parecia pedir por fricção.

   E aquilo...era maravilhoso.

   Como era possível?

   Seus dedos haviam se movido bem devagar em meu interior. Foram leves, macios, em pequenos movimentos circulares...e eu já sentia o meu coração martelar.

   Disparou.

   Até minha garganta.

   Que estava travada, não sairia som algum pelos próximos minutos, eu sabia.

   Era o que eu esperava.

   Até o segundo seguinte.

   Quando um clarão característico se acendeu, quase me fazendo fechar meus olhos desacostumados.

   Quase.

   Eu consegui os manter abertos o suficiente para ver qual era a terceira pessoa no local.

   Minhas bochechas inteiramente vermelhas.

   A moça de olhos castanhos.

   Ela havia ouvido toda a conversa.

   Havia ouvido a minha mentira.

   Seus dedos ainda se moviam em meu interior, quando ela reparou na luz e observou quem estava ali.

   O olhar que trocaram havia sido o pior possível.

   Mas eu não tive tempo de reparar em muita coisa. Pois quando me fechei totalmente, envergonhada, me levantando para sair dali, sua mão me parou.

   - Não. - seu olhar se fixou nos olhos castanhos por meio segundo, voltando a mim - Não.

   Eu havia sido empurrada para a mesa mais uma vez.

   Seus dedos pousaram sobre minhas coxas sem pudor algum, me abrindo mais ainda, me deixando mais exposta e envergonhada.

   Exposta de uma forma que eu não imaginava que ficaria.

   - Agora diz pra mim... - sua voz estava rouca de uma forma que eu nunca vi antes - Se ela faz dessa maneira.

   Troquei um longo olhar com a outra pessoa do ambiente, perdendo o foco totalmente.

   Skye observou todo o movimento.

   Quando a senhorita Jauregui puxou o tecido da minha calcinha, que cedeu e foi parar no chão. Me deixando de boca aberta.

   Não era possível.

   Me contraí completamente.

   Estava totalmente paralisada.

   Não sabia se conseguiria sentir minhas pernas depois disso.

   Sentia todo o meu estômago se contorcer enquanto os olhos castanhos fixos subiam, não se envergonhando de encarar a cena. Qualquer pessoa sairia dali completamente envergonhada, menos ela.

   Ela permaneceu.

   E Lauren esfregou os dedos na minha entrada, movimentos quentes e furiosos, rápidos o suficiente pra fazerem com que eu não sinta mais minhas pernas.

   Eu havia mordido a língua.

   Minhas pernas me dando a sensação de que eu explodiria ali mesmo.

   Tocou um ponto único e espremeu lentamente. Eu não tinha mais controle do meu próprio corpo, gemia palavras desconexas e sem sentido, respirava e inspiração repetidas vezes, mordia meus lábios e jogava o corpo para trás.

   - Eu deixei você gemer na frente dela? - meu coração me esmurrou por dentro quando ela moveu os dedos por meu interior. Fazendo leves e curtos movimentos circulares, me fazendo fechar os olhos e ofegar. - O que quer que eu faça com você?

   Eu tremia inteira.

   Sentia que já estava fora de órbita a muito tempo.

   A tremedeira me provou isso.

   Senti a necessidade de pedir que a moça de olhos castanhos saísse. Minha boca fez o movimento perfeito para pronunciar seu nome e minha voz saiu no mesmo instante.

   Tudo teria dado certo se a mulher a minha frente não tivesse forçado minha perna, me abrindo só pra ela. Seus dedos concentrados em movimentos precisos, que fizeram todo o meu sangue se concentrar naquela área...minha boca perder o controle das palavras...

   Então o meu "Skye" acabou saindo da forma errada.

   Saiu como um gemido.

   E minha chefe ouviu.

   Ouviu perfeitamente.

   Me olhou de forma imperdoável, abrindo minhas pernas com brutalidade, se aproximando da minha intimidade com seu quadril.

   Esperava sentir meu corpo queimando.

   Esperava sentir tudo tremer.

   Esperava perder o chão.

   Mas nada aconteceu.

   Porque ela se afastou.

   Seu buenny estava em mãos.

   Eu havia ficado tão fora de órbita que nem o vi tremer.

   Havia perdido o controle mais uma vez.

   Eu me odiava.

   Não queria me perdoar.

   Eu vi seu corpo parar e tremer.

   Algo que eu nunca iria saber estava escrito naquele buenny.

   Ela estava indo embora.

   Pronta pra me dispensar mais uma vez.

   Me deixar sozinha.

   Me obrigar a esquecer tudo o que aconteceu.

   Me tratar mal.

   E eu não suportei.

   Me sentia cansada.

   Cansada de ser ignorada.

   Cansada de passar por tudo aquilo.

   Cansada de sofrer.

   Cansada de ter minhas perguntas ignoradas.

   Cansada.

   Foi por isso que fiz o que fiz.

   - O que sabe sobre Drunk in Love? - ela havia parado no meio do caminho, visivelmente pasma - E que relação sua ex tem com tudo isso?


Notas Finais




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