História Dry Style - Capítulo 27


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Drama, J-hope, Mhar, Romance
Exibições 767
Palavras 7.504
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Esporte, Festa, Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hello, hello! ♥

Galeraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa eu tô muito feliz hoje. Tô ao contrário do capítulo passado -q
Gente, para quem quer saber o motivo da demora, dá uma passadinha lá no meu perfil, o título é "Que Trouxa". -qqqqqq
Me desculpem. Sempre que isso acontecer, pra vcs que me acompanham, dá uma olhadinha em meu perfil, tá?

Gente, obrigada pelos comentários do capítulo passado. Eu estou respondendo-os neste momento, não terminei de responder todos aghsjkalsç Porque, tipo, eu disse que postaria esse cap. hoje. Vou responder todo mundo, desculpem por isso, juro que não faço mais. q

Agora, galera, eu vi o MV novo. Eu nem sabia que iam postar MV, dei uma pulada no Youtube e lá estava essas... coisas... lindas, que me matam do coração.
HOSEOK TÁ MUITO GATOOOOOO, EU NÃO ME CANSO DE DIZER, HOSEOK POR FAVOR, ME DÁ UMA CHANCE. :''DDDDD GEEENTE, AQUELE CABELO DELE VOLTOU, AMOOOOOO. Como é que é o negócio? Uni mani mani AGHSJKALÇS -QQQQ

TÁ. Geeente, eu precisava muito desabafar. E O TAE? O JIN? O SHIPP CORRENDO? Cara, fui mostrar pro pessoal aqui e eles basicamente disseram que meus cantores tão se pegando ASGHJAKSLÇ

BOA LEITURA.
Quer dizer, boa leitura. Escolhe um dia para eu postar o último capítulo aí. aghhsjkals sqn
Este é o penúltimo. Não quis prolongá-lo muito porque "o capítulo anterior ficou grande demais". NÉ? Então o último será grande sim e pronto. e-e

Boa leitura, amores. <3333

Capítulo 27 - Difícil e irresistível


 

 

― Larga ele, Suga, isso já passou. ― Eu tentei intervir, mesmo que com medo daquela cara assassina de Suga, e dei uns passos para frente.

Acho que, mesmo dizendo, Suga não estava nem aí para a minha existência. O foco dele era o Eunji e apenas, eu acho. E, acho que foi por isso que ele não fez nada quando peguei no braço dele e puxei com força ― Força entre aspas.

― Você é muito corajoso de vir aqui, Eunji. ― dizia ele, esbaforido, enquanto o meu amigo o olhava assustado. Depois disso, olhou para o meu lado ― Larga do meu braço, Christine!

― Solta ele, Suga, por favor. ― clamei ― Ele estava bêbado quando disse aquilo... Por favor... Por favor, esquece isso.

Soltei seu braço quando vi Suga colocar menos força na mão que puxava a alça da mochila. Ele parecia estar realmente me ouvindo. Caramba, parecia mesmo, senti meu coração palpitar de emoção.

Nesta mesma emoção, continuei:

― Ele não dizia coisa com coisa, você não estava deixando ele em paz aquela noite, e ele só não estava te aturando mais... Você mereceu, vai, estava...

― O quê? eu mereci?! ― Suga cuspiu a pergunta na minha cara. Literalmente.

É, parecia que ele não estava me ouvindo tanto assim. Ele voltou-se a Eunji, e o meu amigo, todo assustado, fechou os olhos em antecipação pelo futuro soco.

― Não, Suga, não bate nele, por favor! ― falei de novo e alguém acabou em acompanhar-me nas palavras.

― Não bate nele, Suga, por favor, não bate nele.

Olhei para o dono daquela vozinha irônica tentando me imitar e encontrei Jungkook atrás de mim. O cara estava todo risonho, achando muita graça daquela situação.

Depois da surpresa, suspirei meio irritada enquanto voltava-me a Suga e Eunji; não dando bola para Jungkook atrás de mim.

― O que está fazendo aqui, Jungkook? ― perguntou Suga, parecendo também irritado pela aparição do outro. Ele ainda segurava Eunji pela camisa, deixando-o solitário com o medo.

― Eu vim aqui... ― O outro me tocou pelos ombros e deu uns passos a mais para frente ― para dizer que você não pode fazer isso, o Hoseok vai te dar um sacode se fizer isso. E ninguém não consegue não ver essa cena maravilhosa acontecendo, né? Não sei se vocês notaram, mas está todo mundo olhando.

― E eu com isso? Vai você e o Hoseok, e todo mundo se foder.

― Você está dando mais razões para a galera achar que estão se pegando, Suga, você não larga dele.

O outro soltou Eunji na hora e virou-se para Jungkook. O cara estava com uma expressão tão assassina pelo que tinha ouvido que eu achei que seria eu a levar um soco agora.

― Jungkook, você...

Ele já ia dizendo, mas a risada de Jungkook não deixou Suga continuar com as palavras. Olhei para Eunji e nós dois ficamos boiando dentre aquela situação.

― Cala a boca, porra! ― Suga pareceu realmente irritado com as risadas, porque elas tomaram conta da cena, deixando-o no vácuo.

 Por mais que aquela cena não pedisse, eu acabei meio que querendo sorrir, porque... Nossa, eu tinha que aplaudir o cara que gargalhava ao meu lado. Parece que a personalidade irritante de Jungkook afeta todo mundo, até seus amigos.

E parece que ele não tinha muito medo de Suga.

Na verdade... Pra falar mesmo a verdade, olhando o Suga agora, eu descobri que ele não dava tanto medo assim. Digo... Ele dá medo sim, mas não quando está com muita raiva. Olhando-o naquele momento, a respiração descompassada, o olhar cheio de fúria para o lado de Jungkook, ele só se torna um descontrolado que não sabe muito bem o que fazer.

Pensando nisso, aproveitei a ocasião para pegar Eunji pela mão e puxá-lo para o meu lado. Eunji veio na hora, sem dar espaço para Suga pegá-lo de novo.

― Ei, você não vai embora não! ― disse o dito cujo e eu me coloquei na frente.

― Você não vai bater nele.

Suga deixou que um sorriso sarcástico desenhasse em seus lábios depois daquilo.

― Olha só, Eunji. ― foi dizendo ― Precisa de uma garota pra te defender. Agora dá pra ver que até a amiguinha é mais macho que você... Sai da frente, Christine, para de defender esse covarde.

Eu não saí. Não achei que ele fosse mesmo me bater. Essa coragem me mataria um dia, quem sabe?

De repente, o barulho das risadas que marcavam a cena terminou. Assisti Jungkook intervir naquele mesmo momento, e, depois de um bufar tedioso, ele tocou um dos ombros de Suga e negou com a cabeça. Continuei com o olhar firme em Suga, torcendo em silêncio para que o outro nos tirasse daquela.

― Ah, Suga, para com isso, cara. ―― foi dizendo Jungkook ― Não percebe? Hoseok sabe que o Eunji é amiguinho da Christine. Se souber que voltou a bater nele, você vai se ferrar, conhece o jeito do Hoseok. Deixa isso pra lá, sério... Além disso, todo mundo já tá te chamando de gay mesmo, não vai resolver muita coisa continuar a bater nele.

Abri a boca.

É claro que Jungkook aproveitaria da situação para fazer um de seus comentários, não é mesmo? Quase me joguei em cima dele pra fazer parar de dizer merda, até porque foi justamente quando Suga já ia baixando toda aquela crista.

Mas as palavras deram certo: Suga baixou os ombros, mordeu os lábios e apontou o dedo em minha direção.

― Você não aparece mais em minha frente.

― Eu? ― Apontei a mim mesma e ele quase perdeu o controle de novo.

― Sai da frente, Christine!

Levei um susto e não deu tempo de pensar em nada. Mas nem foi como precisasse fazer qualquer coisa, Eunji saiu de onde estava e colocou-se ao meu lado, com a cara fechada.

― Não apareça mais em minha frente. ― ditou Suga, agora com o dedo apontado para a direção certa.

Eunji continuou em silêncio, não respondeu nada, e então o outro marchou para longe de nós depois daquela. Ficamos olhando assustados para a direção dele ― Jungkook ficou rindo ― e depois suspiramos aliviados por aquilo ter acabado.

Quer dizer... Vai saber se Suga desistiu ou não daquele desespero? Eu não confiei muito, mas fazer o quê? O melhor agora estava sendo o alívio maior nos olhos do meu amigo.

― Vê se não apronta de novo, camarada. ― Jungkook chamou a nossa atenção, fazendo das minhas palavras as dele. O cara estava agora com um simples sorriso no rosto, parecia estar falando sério, e eu sabia que estava.

Eunji não respondeu, preferiu o silêncio de novo. Dá pra descontar pelo motivo de Jungkook não ser lá um santo com ele e eu acho que entendi.

De qualquer forma, concordei com a cabeça enquanto olhava para Eunji também. Era melhor o meu amigo não aprontar mais uma daquelas porque eu não estava a fim de levar soco, quase havia levado um hoje e já estava de bom tamanho.

Afinal de tudo, para a segurança dele.

― Ele tem razão, Eunji. ― falei e Eunji concordou com a cabeça em um ato rápido e sucessivo.

― Tá, tudo bem, eu entendi. ― disse ele ― Só espero que ele não me incomode mais, só isso.

― É só não ficar na frente dele. ― Jungkook falou, aproximando-se de nós dois e nos abraçando na maior cara de pau ― Ninguém garante que Suga vai cumprir com a palavra, mas não custa nada tentar.

Mesmo com a cara de pau, eu resolvi deixar de lado e agradecer a Jungkook pela força. Era certo que, se ele não tivesse aparecido naquele momento, Eunji levaria a maior surra.

Abri um meio sorriso e disse:

― Obrigada, Jungko...

E também! Não vamos nos esquecer da grande novidade, não é, Christine? Da grande sorte de Eunji te ter como amiga! ― Olhou para Eunji e continuou: ― Hoseok não vai deixar nada te acontecer. Se deixar, ele faz alguma coisa depois, então qualquer surra futura será vingada.

― Ai, meu Deus. ― Eunji revirou os olhos e largou-se dos braços de Jungkook ao ouvir aquilo, fazendo o outro rir um pouquinho.

Eu quase fiquei por ali mesmo devido à quase grande surpresa. Larguei-me dele também e Jungkook olhou para mim com aquela cara de quem já sabia de tudo.

Mas que droga, que droga! Será que Hoseok não poderia esperar um dia para espalhar a notícia para o mundo?

― Não sei do que está falando, vamos entrar, Eunji. ― Tentei sair daquela situação puxando Eunji pelo braço, mas Jungkook impediu.

Ahá! Tentando fugir do assunto! ― disse ele ― Christine, qual é! Eu disse, eu tinha certeza! Mas negue agora, eu estou a fim de ouvir a sua desculpa esfarrapada!

Olhei bem para Jungkook e respirei fundo.

Tudo bem, certo, não era como se fosse um grande segredo que deveria ser guardado, eu mesma disse que não queria mais esconder as coisas de ninguém, mas aquela cara de Jungkook... Embrulhou-me até o estômago de vergonha; ele já havia dito sobre suas certezas antes, afinal.

Mas eu não estava a fim de escutar.

― Eu não tenho nenhuma desculpa esfarrapada. ― respondi e

resolvi dar de ombros.

― Ah, não? Então não vai negar?

― Eu nem sei o que Hoseok disse pra você, Jungkook, que merda. Como vou negar alguma coisa?

Ele soltou uma risadinha pelo o que eu disse.

― E quem disse que Hoseok falou alguma coisa pra mim? Eu estou apenas deduzindo as coisas e agora você me deu certeza. ― Riu de novo, fazendo eu cruzar os braços de tanto tédio (E vergonha) ― Mas fala sério... O Hoseok deve ter visto um passarinho verde por aí, acho que vou pedir uma grana emprestada dele, sabe? ...Pra aproveitar.

― Vamos embora, Eunji? ― Tentei sair e o cara ficou na minha frente.

― Ele só ficava assim quando você aparecia, Chris, é engraçado mesmo. Não, sério, sabe antes? Quando vocês ficavam feito cão e gato, só se amando às escuras? Ele voltava pra nossa mesa como se você tivesse feito o dia dele. Hoje ele está desse mesmo jeito, depois de dias com a cara fechada pra todo mundo. Será por quê, né?

― Jungkook, dá pra calar?

― Chris, estou... ― Voltei meus olhos, já desesperados, para Eunji. Meu amigo apertava a alça da bolsa e estava muito bem desconfortável ― Eu estou entrando, depois a gente se vê.

― Não, espera, eu estou indo também.

― Não, está tudo bem. Sério. ― Ele me jogou um sorriso e não esperou que eu dissesse mais nada, começou a andar ― A gente se vê daqui a pouco, preciso passar na direção ainda.

― Aparece na minha sala. ― falei, meio que sendo convencida. Sem contar no fato de que tive que inclinar minha cabeça para ver Eunji, havia uma irritante parede humana na minha frente.

Quando meu amigo distanciou-se de nós dois, voltei-me a Jungkook, cruzei os braços e perguntei:

― Será que você não dava para esperar? Esperar pelo menos um minutinho até que ele saísse? Por que tem que ser tão indiscreto, Jungkook?

― Por quê? Que drama é esse? Eu salvei a vida desse mané, Christine... E ele nem me agradeceu. ― Jungkook respondeu com uma cara de quem estava realmente ofendido. Mas eu bem sabia que ele não estava nem aí, ao final das contas ― Você também não, teria levado um soco do Yoongi.

― Ah, eu ia agradecer, de verdade. Desculpe não ter dado tempo falar a palavra inteira antes de você me atropelar falando toda aquela bobagem... Estava conversando uma coisa séria com ele, e você o fez ir embora.

― Por quê? ― Jungkook perguntou aos risos de novo enquanto eu suspirava e olhava a entrada da universidade ― O seu amiguinho não parece gostar muito do Hoseok então.

Voltei-me a ele um segundo depois.

― Por tudo que é mais sagrado... Mas não me diga, Jungkook?

Fiz a minha maior cara irônica ao perguntar. Porque Jungkook estava brincando, não era possível!

Será que, em todo esse tempo, ele nunca desconfiou algo semelhante? Por tudo que era mais sagrado mesmo, eu esperava que ele estivesse tirando uma com a minha cara falando uma coisa daquelas.

Continuei olhando para ele de uma maneira irônica, tal como saiu a pergunta. O outro não dignou-se a ficar ofendido.

― É sério. Nem de mim ele parece gostar. ― respondeu logo depois, fazendo eu negar quase boquiaberta.

Depois da surpresa daquela descoberta ridícula, decidi entrar para a universidade. Era muita coisa para a minha cabeça, e olha que eu nem havia entrado ainda.

Soltei um suspiro e fiz menção de querer andar, e Jungkook entendeu.

― Oh, espere, eu te acompanho até a mesa, linda. ― disse galanteador, me fazendo sorrir.

― Obrigada.

Ele deu dois passos para chegar em minha frente. Logo mais, tocou um dos meus ombros e fez menção de querer andar também, fazendo com que eu parasse e olhasse para ele.

― O “obrigada” sou eu dispensando o convite de maneira educada. ― O cara fez uma careta exageradamente indignada quando eu disse. Aquilo fez com que eu soltasse uma risadinha traidora, saída no impulso. Logo depois, tentei ficar séria de novo e continuei: ― Obrigada por ter livrado a gente do Suga, obrigada mesmo. Eu preciso ir para a minha sala agora. Você pode voltar para o que estava fazendo.

― Qual é, não estava fazendo nada.

Nossa, Jungkook estava muito animadinho, dava até para desconfiar. Fiquei meio intrigada, olhando para ele e com uma vontade repentina imensa de perguntar sobre, mas acho que já sabia a resposta.

― Vem, vamos entrar. ― ele continuou ― Seu amorzinho está lá no refeitório, sabia? O seu Hoseok.

Vacilei ao ouvir aquilo. Minhas pernas viraram gelatina.

― Para. ― falei baixinho, sem jeito de dizer e nem olhá-lo. Logo mais, comecei a caminhar e Jungkook veio vindo logo atrás.

Eu consegui dizer aquilo em um tom sério, mas, céus, eu já podia sentir a pulsação forte dentro do meu peito em pensar nele. Estava com saudades de Hoseok; queria ele comigo de novo, minha nossa.

Ao mesmo tempo em que me apertava o coração ao lembrar-me de tudo o que fiquei sabendo mais tarde e agora, mesmo que a primeira descoberta pudesse ser uma chatice criada pela minha cabeça mimada. Sem contar no medo e vergonha que eu comecei a sentir ao pensar que todos os amigos de Hoseok poderiam estar sabendo de tudo. Definitivamente não, Hoseok não faria aquilo comigo.

Continuei a andar e ignorei o outro atrás de mim.

 

[...]

 

Certo, não dava para ignorar: Jungkook tagarelava algo, ele estava muito tagarela. Mas, eu não entendi ao certo sobre o que ele falava. Repetia tudo o que já havia dito, ria, e me pediu, duas vezes, a confirmação de que eu e Hoseok estávamos nos pegando. Eu só tentei firmemente ignorá-lo, aquele idiota.

Idiota porque ele estava muito parecido com o Jungkook de antes. Era certo que ele fez um gesto muito bonito salvando a pele de Eunji, mas, sei lá, aquela animação exagerada dele... Ele não ligando para as minhas petições com relação a me deixar em paz, pelo amor de Deus.

E, à medida em que eu adentrava mais a universidade, mais raiva eu sentia de Hoseok por ter contado para ele.

Por que não ter esperado? Eu me sentia nada mais que um... prêmio agora. Um prêmio muito esperado. Eu sentia isso, era estranho; por mais que estivesse ainda acreditando nas palavras de Hoseok em meu apartamento.

Por ter deduzido aquilo, comigo sozinha com meus pensamentos e Jungkook atrás de mim, cheguei até o refeitório com um receio bem grande. Olhei todo aquele espaço e havia gente pra caramba.

E eu me senti desconfortável. Estavam todos olhando para mim.

Jungkook deu passos para ficar em minha frente e abriu um sorriso maior, pegando-me pela mão e começado a me puxar para a direção de sua mesa, supostamente. Eu não dei nenhum passo, puxei o meu braço de volta com leveza; observando aquele monte de gente e depois tentando alcançar a mesa deles com o meu olhar.

Depois de umas três pessoas saírem da frente, lá estavam eles. Engoli em seco, vendo Hoseok por lá e conversando animado sobre qualquer coisa com os outros meninos.

― Eu vou pra sala, Jungkook. ― falei, não dando espaço para Jungkook dizer qualquer coisa ou me segurar outra vez.

Era o melhor a se fazer, eu acho. Porque aquele desconforto no peito não me deixaria em paz até que eu estivesse sozinha e reorganizasse meus pensamentos.

Ninguém naquele refeitório olhava para mim, eu sabia que era tudo coisa do nervosismo. No entanto, só de imaginar-me indo até a mesa de Hoseok e sentar lá por uma segunda vez, como se nada tivesse acontecido, cumprimentando-os e sorrindo, essas merdas todas... Era como se eu pedisse para ser julgada pelos amigos de Hoseok e por todo o restante do pessoal que ali estava. Eu sentia que seria dessa maneira.

Não havia sentido eu ir lá, certo?

Só para não parecer chata pra caramba, eu sorri pequeno para Jungkook e lhe dei um tchau com a mão livre.

Ele acenou de volta, claro. Mas, não antes de tentar me segurar pela mão de novo.

Eu fui saindo do refeitório e indo direto para as escadas. Os meus passos lentos foram substituídos por desesperados discretos e eu olhei para todo mundo enquanto não chegava no primeiro degrau, com medo de alguém estar me olhando torto.

Quando finalmente cheguei, subi no primeiro degrau e os meus olhos traidores voltaram-se àquela mesa. Hoseok acabou ficando de costas, mas agora ele já havia me notado.

Com um dos braços apoiados nas costas da cadeira, ele me olhava. O meu coração começou a pulsar rápido e eu fiquei sem saber o que fazer. Não sabia se continuava olhando para ele, se sorria para ele, ou tentava fazê-lo entender de que queria ir logo para a sala. Mas, como poderia forçar um diálogo dentre a minha vergonha sendo que agora já era alvo dos olhares de todos aqueles meninos? Não só do de Hoseok?

Hoseok não havia sorrido para mim. Ele fez um gesto fraco com os dedos, chamando-me para ir até lá, mas eu não respondi. Na verdade, ele fazer aquilo sem esboçar qualquer tipo de reação boa ao me ver fez com um pouco da raiva aumentasse.

De qualquer forma, eu já estava ocupada demais vendo os meninos comentarem algo entre si e rirem.  Naquele momento, eu não consegui manter a pose firme e expressei-me triste completamente, mesmo com os olhos de Hoseok ainda sobre mim.

Porque parecia que falavam sobre mim. Eu não sabia onde enfiar a minha cara porque estava claro.

Dei as costas e finalmente subi as escadas.

 

[...]

 

Cheguei na sala com os nervos à flor da pele. Caminhei até minha mesa às pressas e joguei minhas coisas por cima dela de qualquer maneira, sentando-me logo depois e tentando controlar os nervos.

Pelos céus, como eu havia acabado ficando nervosa. Por que eu achei que seria diferente? Que eu ia chegar e ficar normal, de alguma forma? Facilmente, era para eu já esperar algo daquele tipo vindo de mim, mas eu não esperava que fosse em proporções gigantes. Eu estava tremendo.

De vergonha, de medo. Voltei às lembranças no refeitório e a maneira como qual Jungkook me dirigiu. O jeito que os meninos me olharam e riram. Eu estava ficando louca, pareciam que eles estavam me julgando por estar com Hoseok agora; com base no que só Hoseok dissera e que eu prefiro nem imaginar o que seria ― Embora o meu coração ainda confiasse nas palavras de dele, eu repito, mas que grande droga.

Céus, e nem era como se só os meninos estivessem me julgando, era como se todo mundo estivesse me julgando!

Levantei minha cabeça já abaixada e olhei aquele pouco de gente na sala. A aula deveria estar prestes a começar, com certeza. Engoli minha amargura e melhorei a postura, mostrando para a plateia de três pessoas que eu estava muito bem.

Passando a olhar minhas coisas espalhadas, tentei concentrar-me em alguma coisa que eu achasse importante. Mas, o meu coração ainda pulsava forte e minha garganta já parecia apertada, eu não consegui pensar em mais nada. Respirei fundo e resolvi sair da sala.

Encostei as costas na parede do lado de fora, bem ao lado da porta, e olhei para o nada, enquanto recordava-me das cenas anteriores. Havia bastante gente nos corredores, o pessoal conversando por ali, e eu não resisti em tentar pegar alguma coisa; tipo, se falavam de mim ou alguém olhava pra mim.

Aquela vergonha simplesmente me dominou, sério. No entanto, eu não sabia se era bem coisa da minha cabeça e apenas.

Eu acabei respirando fundo e tentando me acalmar. De qualquer maneira, eu deveria me lembrar de que não vim para esta aula com a intenção de ficar triste e ser pessimista, então engoli em seco e pensei, “Não pode ser tão ruim assim.”

E aí?

Olhei para o meu lado quando ouvi a voz de Hoseok. Ele vinha longe, mas já distante das escadas; quase me alcançando e com um sorriso fechado no rosto. Vê-lo tão repentinamente me deixou com o coração acelerado de novo. Vê-lo fez com que a minha vergonha aumentasse.

Mas acho que aquele pouco de raiva acabou aumentando também.

Não soube o que fazer naquele momento. Por mais estranho que parecesse, eu quis voltar para dentro da sala, mas eu simplesmente congelei com as minhas costas na parede. Olhei para baixo e fiquei daquele jeito; meio que olhando minhas próprias roupas e não sabendo nem como me comportar do jeito.

Os barulho dos passos dele aumentaram e Hoseok logo aproximou-se. Ele ficou na minha frente e escorou as duas mãos na parede, me prendendo e esperando que eu o olhasse. Eu olhei para ele por um curto espaço de tempo, preferi ficar olhando para as roupas dele agora.

Pois é, por mais idiota que parecesse, toquei a sua camisa e ela me pareceu bem mais interessante. Uma forma muito engenhosa de não mostrar meu nervosismo, o que eu clamei em silêncio para que desse certo.

― Oi... Você ainda me conhece? ― ele disse, desta vez baixo e só para mim. Eu não aguentei e sorri, olhando para ele e querendo responder, mas a minha língua pareceu ter travado do nada.

Acho que deveria ser o tom de voz de Hoseok o culpado. Ele parecia estar brincando comigo, ao mesmo tempo em que parecia tão nervoso quanto eu ― Não, eu estaria me iludindo muito.

Hoseok aproximou-se de surpresa com um selinho. Demorado, desfazendo-o e me encarando tal como eu fazia com ele.

Ele esperou que eu dissesse alguma coisa e eu continuei calada, apenas esboçando um sorriso fechado. Por esta razão, ele quis me dar mais um beijo e aproximou o rosto do meu novamente, olhando para os meus lábios e mordendo os seus próprios, não se dando conta de minha hesitação e receio. Não sabia o que ele pensava naquele momento, eu queria muito saber.

Deixei que ele me beijasse de novo, mas acabei notando o olhar da galera do corredor para nós. Empurrei fraco o peito de Hoseok e ele afastou-se por próprio querer, me olhando de maneira questionadora.

Sorri sem jeito e cumprimentei-o:

― Oi. ― Passei a fazer traços em sua camisa de novo, desviando meu olhar do dele.

Minha voz nem pareceu minha voz de tão nervosa que eu estava. Amaldiçoei-me por completo, já que Hoseok pareceu notar logo mais:

― Oi. ― Aquele devolver de cumprimento saiu mais como uma pergunta ― Oi, Texas... Oh, foi mal. ― Ele disse, soltando uma risadinha. Eu havia me voltado pra ele no mesmo momento em que ouvi o apelido, então deve ter sido por minha causa ― Você está com uma cara tão fechada quanto como eu te vi pela primeira vez. Você se lembra?

Eu estava com a cara fechada quando entrei aqui pela primeira vez? Palas suas palavras, acho que eu consegui sair de meu transe particular e lembrar que estava chateada pelo o que ele havia feito.

Olhei um pouco o corredor de novo e ainda havia a plateia, e aquilo fez eu acordar por completo.

― Eu só estou um pouco sem jeito, só isso. ― confessei.

Com um sorriso forçado, desencostei-me da parede para que Hoseok saísse de minha frente. Não deu certo, tudo o que consegui foi ficar mais perto dele.

― Hoseok, está todo mundo olhando pra gente agora. ― falei e Hoseok levantou as duas sobrancelhas rapidamente.

― E daí? ― ele perguntou ― Qual o problema?

― Eu disse que estou sem jeito, para com isso. ― Toquei os braços dele e Hoseok abaixou-os no mesmo instante, ainda me encarando. Tomei coragem para falar de novo e suspirei audivelmente ― Eu prefiro voltar pra sala, você quer entrar?

Meu coração ainda estava meio descompassado. Hoseok não ajudou em nada passando a me encarar sério depois de eu dizer o que disse, acho que ele não esperava aquela minha atitude. Não me respondeu, só ficou me olhando daquele jeito ― Ele tinha plena consciência de que ainda me deixava nervosa, só pra citar.

Hoseok concordou com a cabeça logo após o silêncio perturbador.

― Então vem. ― ele declarou o óbvio, logo me pegando pela mão e me puxando para dentro da sala.

Caminhamos para dentro e eu aproveitei para pensar no que diria sem precisar fazer Hoseok surtar. Porque, estava mais claro que água o jeito chateado que ele ficou agora, e olha que eu nem havia pedido nada demais. Era claro que eu estava chateada também, mas eu não queria estragar tudo.

Lá dentro, Hoseok andou mais devagar e esperou que eu passasse a frente, já que não sabia qual era a minha carteira. Enquanto eu guiava, passei a observar de soslaio aquela segunda plateia; aquele povo que nunca parecia ter visto Hoseok na vida. Revirei os olhos, ali não seria muito diferente do corredor.

Paramos frente a minha carteira; com Hoseok logo escorando o braço na mesa e eu me escorando na outra de trás.

― E aí, melhorou? ― ele perguntou sorrindo. Fiquei em silêncio, porque naquele sorriso existia o tipo de deboche que eu conhecia muito bem ― Qual é... Eu não acredito que você vai querer agir como se nada tivesse acontecido, Christine.

― Eu não disse isso. ― falei de uma vez, surpresa ― Só que você é muito famoso, ninguém consegue não te olhar. Não estou mais acostumada.

― Com o quê? Com chamar atenção? ― Ele continuou sorrindo ― Desde quando se importa com isso? ― Deu uma pausa e depois continuou: ― Não deveria achar que sou só eu. Você, infelizmente, chama muita atenção por aqui, Christine, mesmo que não ande sabendo... Mas a questão não é essa, certo?

― É... Pois é, a questão não é essa. ― falei. Concordei com a cabeça depois um tempo. Fiquei avoada por alguns segundos pelo o que o outro acabara de me revelar.

Eu já ia dizer sobre minhas chateações, mas Hoseok logo perguntou:

― Por que não foi até lá? Você disse pra mim que iria.

― Eu... ― Desviei meu olhar para outro lado. Fiquei sem saber muito bem como dizer, a voz dele ficou mais mansa ao me perguntar aquilo ― Eu só não... Eu não estava esperando ser a convidada principal da mesa, só isso.

― Como assim?

― Foi só... ― Engoli em seco, segurando meu nervosismo ― O jeito que todo mundo olhava pra mim, como se eu fosse a melhor piada do mundo.

― O quê?

Hoseok perguntou aos risos aquilo. Era certo de que nem havia se dado conta de todo o meu nervosismo.

Escorei uma das mãos na mesa e respondi a ele:

― Olha, eu nunca vou ter coragem pra ficar perto de um de seus amigos. Você sabe do que estou falando, eles sempre parecem ter alguma coisa para olhar pra mim e rir, sempre existe alguma coisa comigo, não dá pra chegar e fingir que eu não estou vendo. ―Achei coragem para olhar para ele. Hoseok não estava mais achando graça, ele me olhava com expressão nula no rosto e acabou cruzando os braços depois. Eu passei a olhar para a linda mesa, sem saber o que fazer encarando-o ― Eu sei que parece bobagem, mas eu não consigo lidar com isso, Hoseok. Eu mal cheguei no refeitório e eles já me olhavam como se eu fosse...

― O quê?

― Sei lá... Como se eu fosse uma idiota.

Ele franziu uma das sobrancelhas para o meu lado.

― Idiota pelo quê? Por ter ficado comigo? ― perguntou e aquela foi a pergunta perfeita para eu poder desabafar minha frustração.

― Exatamente.

Aproximei-me mais de Hoseok, que esperava por mais de minhas palavras e tentei não falar muito alto após isso:

― Por que contou pra eles, Hoseok? Eu mal cheguei na universidade e Jungkook veio me infernizar depois de anos, coisa que ele já não me fazia mais... E você contou pro Eunji. Ele me disse tudo quando eu cheguei e até agora eu não entendi porque você fez isso, por que você fez isso?

― E o que isso tem de mais?

Arregalei os olhos, não aguentando. Hoseok perguntou aquilo da maneira mais casual possível, pegando-me de surpresa.

― Você não vai nem tentar criar uma desculpa pra isso, Hoseok? ― Não consegui evitar que a expressão frustrada voltasse em cena, ele não estava nem aí para o eu que tinha feito.

Tudo o que observei foi Hoseok abrir os braços minimamente. Meio que mostrando seu desentendimento.

― Era para eu ter contado. Pelo menos pro Eunji.  ― justifiquei, tentando fazê-lo entender com minhas duas mãos sobre o peito.

― E que diferença faz se você conta ou eu conto? Aquele mané ia ficar sabendo de qualquer maneira, Christine. ― Hoseok retrucou mais sério. Depois disso, olhou para o lado de forma breve e soltou uma risada fraca ― Você protege tanto esse garoto que me faz querer dar um soco nele, toda vez que o vejo. Aquilo foi só pra ele se tocar de que deve cuidar da própria vida, e não ficar se preocupando com quem você sai ou deixa de sair.

― Ele só estava preocupado comigo, Hoseok.

Hoseok riu com mais vontade depois daquilo. Não entendi, e ele logo mais disse:

― Demais. Preocupado demais. Sei bem a preocupação... Eunji pensa que me engana. Ele pode enganar o Suga, que é outro mané.

― Do que está falando? ― perguntei a ele, que apenas negou com a cabeça em um sorriso.

― Olha, vamos deixar isso pra lá. Já foi, já era e eu já esqueci. ― disse e pegou-me pela cintura, começando a me puxar para sua direção ― Não quero falar disso agora... Para ser mais exato, Chris, eu não estou a fim de falar.

Olhei para um lado qualquer, ainda um pouco chateada. Lembrei-me dos meninos no refeitório de novo.

― Os meninos não te farão esquecer... ― falei, meio que por falar ― Nem a mim, eu imagino.

― Ah, qual é... Não estavam rindo de você, vai por mim.

Não acreditei em um palmo de qualquer maneira. Ainda mais porque Hoseok não pareceu entender ainda o que eu quis dizer com aquilo. Ele aproximou o rosto do meu e soltou uma risadinha, encarando-me de uma maneira a me deixar constrangida.

― Não disse que o tempo passaria rápido? Eu estou aqui com você de novo.

― O quê? ― eu perguntei baixo, fazendo-o rir de novo.

― Você não queria me deixar ir embora hoje mais cedo, Texas... Mas eu disse que o tempo passaria rápido, já estamos na universidade.

― Muito engraçado. ― Permiti-me sorrir um pouquinho ― Mas você não disse isso.

― Você deve não ter percebido porque já estava sonhando acordada há muito tempo.

Não consegui segurar um sorriso mais aberto, ainda mais por Hoseok ter sorrido junto comigo. Ele mudou de assunto e eu resolvi não me esquentar por aquele tipo de coisa outra vez, seria melhor. Pelo menos por enquanto.

Hoseok estava com os olhos grudados em mim e ele parecia bem em me ver, só agora percebi.

Neguei com a cabeça ao ouvir aquilo e baixei o olhar para o corpo dele. Sendo difícil segurar a barra de ser encarada, eu abri um sorriso meio constrangido e fiquei admirando seu corpo e suas roupas, esquecendo totalmente de minhas chateações agora. Observei parte do que realmente pude ver, na verdade, Hoseok já se encontrava bastante próximo.

Ele estava muito gato, parecia mais arrumado até. Não que eu já não o achasse, embora sempre tentasse negar.

Hoseok estava de blusa de frio aberta, com uma camisa vermelha por baixo. O mesmo perfume, cabelos postos de lado, ele estava ainda mais atraente.

― Você está bonito, sabia? ― falei e ele pareceu surpreso. Antes que pudesse vangloriar-se, continuei: ― Fez isso por minha causa.

― O quê? ― ele perguntou os risos, me fazendo rir também.

― Antes de me encontrar, pode admitir.

Observei o cara rindo na minha frente como se eu tivesse contado a melhor piada do mundo.

Senti-me orgulhosa por fazê-lo rir daquele jeito ― Embora Hoseok estivesse mesmo parecendo surpreso, dando uma razão ao fato dele não saber sobre o que eu estava falando. Mas enfim, eu fiquei nervosa, tentei não tremer por ter dito o que disse.

Os risos de Hoseok chamaram mais atenção do pessoal lá da sala.

Observei-os e tive vontade de revirar os olhos, pensando em como notavam Hoseok em tudo o que ele fazia. Era simplesmente ridículo, vamos falar sério.

Hoseok me pegou de surpresa com seu rosto afundando-se em meu pescoço. Arregalei um pouco os olhos e quase empurrei-o, pelo fato de logo ter me preocupado com os olhares do pessoal que não parava de chegar na sala.

Mas não disse nada. Senti ele me cheirar, logo deixando um beijo ali.

― Quem sabe. ― Sussurrou e me beijou de novo, fazendo-me fechar os olhos por um momento.

Aquele beijo não pareceu suficiente, então ele deu mais outro; passando a língua e depois puxando minha pele com os lábios. Meu corpo logo respondeu com um leve tremor, um arrepio que logo me deixou excitada, então encostei minha cabeça na dele.

― Meu Deus, Christine.

― O quê? ― perguntei em um sussurro, igualmente ao jeito que ele me dissera.

Hoseok começou a respirar mais forte, ele pareceu excitado também. As suas duas mãos me pegaram com apertões mais fortes e mais prolongados, e logo depois ele elevou a boca até meu ouvido, continuando a falar:

― Que saudade eu estava de você. Não consegui me concentrar em mais nada, mas que porra.

Sorri. Desencostei minha cabeça da dele e tentei afastá-lo depois.

― Melhor você ir. ― disse a ele, que apenas sorriu e negou com a cabeça, pronto para me abraçar de novo e beijar meu pescoço. Ele fez isso mesmo, e eu tive que espalmar as duas mãos em sua barriga para que parasse ― Hoseok, não, espera...

― O quê? ― ele perguntou com a cabeça ainda em meu pescoço.

Inclinei minha cabeça, tentado esconder meu pescoço também.

Tudo bem, não seria crime eu confessar que estava amando aquilo e meu corpo já estava correspondendo ao dele, mas o professor estava agora passeado sala adentro.

Com os olhos meio esbugalhados de medo, empurrei Hoseok mais forte e ele finalmente desencostou-se. Eu lancei um olhar pra ele, meio que o repreendendo, mas não sei se deu certo: meu sorriso deveria estar maior que o dele próprio, porque eu simplesmente não consegui segurar minhas saudades dele também.

― Eu preciso assistir a aula. Você não é desta sala. ― falei, prendendo um sorriso ainda maior e o empurrando de novo.

Hoseok mordeu os lábios e olhou para a frente, tentando avistar o professor no meio daquele monte de gente que passava pela frente. Logo mais, voltou-se a mim e deu de ombros, não se importando com o fato.

Ele aproximou-se de novo e deu-me um beijo de despedida.

― Tudo bem. ― disse, por fim, naquele mesmo dar de ombros. Depois disso, olhou pra mim de forma maliciosa e me apontou com o dedo ― Daqui a pouco a gente se vê. Vai na minha mesa mais tarde.

Deixei o sorriso ir morrendo aos poucos ao ouvir aquilo.

― No refeitório? ― perguntei no impulso e não segurando a surpresa.

Por um momento, eu clamei silenciosa aos céus para ter ouvido errado. Porém, logo mais Hoseok concordou com a cabeça e saiu.

Ah, é claro, não antes de eu concordar com a cabeça também.

Mas que burra eu sou, que merda. Olhei para o nada assim que ele saiu da sala e fiquei revivendo os últimos segundos. Olhei para a minha carteira e fui sentando nela mais lenta que... Que uma tartaruga grávida, acho que eu nem sabia mais como me sentar do jeito, a minha cabeça já estava em outro lugar.

Como iria para aquela mesa? Com que cara? Já havia passado por aquilo, mas me encontrava agora na mesma situação. Eu sou de outro planeta? Por que concordei para Hoseok?

Engoli em seco. Tudo bem, eu consigo.

Tentei prestar atenção naquele começo de aula para, quem sabe, esquecer meus problemas que nunca pareciam ter um fim definido.

Mas não deu para prestar muita atenção naquilo também: o pessoal agora me olhava como se eu fosse mesmo de outro planeta. Quer dizer, não todos de uma vez, mas meio que um atrás do outro. Um olhava aqui, depois outro olhava ali, com certeza seria pelo show gratuito que Hoseok e eu estávamos dando.

Eu me comportei feito uma tonta, parando para pensar. Olhei para a minha mesa e abri o caderno, bufando e folheando aquilo com força; tentando jogar minha raiva para fora ao perceber aquele fato.

Oras, eu estava tão chateada e acabou que Hoseok nem notou o que se passava; nem mesmo sentiu um pouco da culpa, aliás. Minha chateação era tão justificável e eu a deixei ir por um... simples sorriso dele.

 

[...]

 

As primeiras aulas demoraram a passar. Talvez fosse pelo simples motivo de que nada me concentrava por causa do bendito nervosismo. Talvez fosse porque, em um momento dado, eu simplesmente tentei ser menos criança e encarar aquilo de frente.

Sei lá, em um momento, olhando para o professor perguntando alguma coisa, eu me perguntei se não estava agindo feito uma criança mesmo. Tipo, acho que eu deveria estar sendo imatura demais com aquele assunto... E esse foi o motivo.

Parei para refletir e voltei ao que Jimin me dissera, basicamente. Eu ainda não sabia que atitude tomar de primeira, eu nem sabia se tomaria alguma, mas eu tinha certeza de que deveria me esforçar com aquela parte dos meninos. Se eles estavam rindo de mim ou não, eu que fosse na própria mesa deles e observasse suas próximas atitudes. Se eles falariam alguma coisa para mim, que seja boa ou ruim, ao menos teria a certeza do que se passava pela mente de cada um e então eu poderia me sentir um pouquinho mais aliviada.

Fechei o caderno com preguiça e levantei meu olhar para o povo que saía da sala. Eu engoli em seco, confesso que já estava ansiosa para o bendito momento no refeitório.

A galera toda finalmente saiu e, depois um grande esforço para forçar-me a levantar, fui andando até a porta de saída e colocando o celular em um dos bolsos de minha calça.

― Christine.

Parei de andar e virei a cabeça para o lado do professor, que me olhava meio preocupado. Eu não sei qual era a minha, mas eu nem respondi, apenas esperei que me dissessem algo mais.

Ele pareceu entender e esboçou um sorriso fraco. Observei-o pegar todos os seus materiais da mesa e logo caminhar até a mim, mencionando querer me acompanhar. Eu logo entendi, então fomos saindo juntos da sala enquanto ele me dizia.

 

[...]

 

Até onde o professor pôde me acompanhar, ele me acompanhou. E até onde ele pôde falar, ele falou. Terminei de descer as escadas com um desânimo tão grande que eu não sabia se estava com vontade de sentar no chão e chorar ou gritar e bater nos primeiros que surgissem na frente.

Mas. Que. Droga. Não, sério, mas que droga, eu não consigo mais lidar com isso. Meu coração já estava... apertado. Parece que ninguém ali gostava de Hoseok a não ser eu e seus benditos amigos!

Meu professor me elogiou, me incentivou, e me aconselhou a escolher minhas companhias. Ele estava por dentro de minha história, da história de meu pai e da minha falta de atenção em sua aula. Que se eu continuasse daquele jeito, seria reprovada.

Parei na entrada do refeitório e suspirei. Logo mais, procurei com o olhar Hoseok e os meninos na mesa de sempre, e lá estavam eles. Dei dois passos para o lado esquerdo, a fim de vê-los melhor, e pude observar que Jin, Suga e Jungkook não estavam por lá. Minha nossa, senti parte de minha tensão sumir por causa daquilo.

Tentando não me afogar naquela vergonha inabalável e no medo, segui até eles. Fui caminhando devagar, observando-os sem nem mesmo desviar a atenção. Hoseok estava quase virado para o meu lado e ele estava ocupado demais mexendo no celular e soltando altas risadas com Taehyung e Namjoon.

No meio do caminho, olhei para a minha mesa do Ninguém Me Enxerga e lá estava Eunji abocanhando algo que parecia um sanduíche. Ele estava sozinho, tadinho, e ele comer aquilo com tanto gosto e olhando pra baixo deu ainda mais drama para a cena em questão.

Olhei para ele, olhei para Hoseok, olhei de novo pra ele e de novo pra mesa de Hoseok, e fui ficando naquela merda. Quando ainda estava parada e pensando, Hoseok acabou me notando. O meu coração palpitou ao vê-lo sorrir para mim e me chamar com a mão; logo mais, os meninos me olharam curiosos.

Como esperado, eles me olharam como se eu estivesse prestes a cometer um pecado. Namjoon me olhava com as sobrancelhas juntas e Taehyung sorria para mim de forma a não estar acreditando.

Apesar de tudo, de qualquer maneira, pelo jeito que Hoseok me pedia para ir até ele, eu acabei andando em suas direções.

Naquele momento e por pura obra do destino, Suga, Jin e Jungkook brotaram de algum lugar, já chegando e também se juntando aos meninos. E, eu simplesmente tracei uma curva imaginária e andei até Eunji quase correndo.

Chegando na mesa dele, reparei que Eunji já estava de olho em mim há muito tempo. Não consegui segurar minhas expressões e ele notou, claro, mas parecia bem mais nervoso que eu. Não entendi muito bem, será que ele percebeu que eu iria me sentar junto a Hoseok? De qualquer forma, sentei na cadeira de maneira rápida e mordi os lábios, desviando o olhar para o meu colo.

Eu era simplesmente uma fraca. Naquele momento, ouvi o barulho do arrastar de uma cadeira e levantei a cabeça apenas para assistir a Eunji se levantando de maneira apressada.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele foi mais rápido e disparou:

― Chris, eu te adoro, tá bem? Tchau, até depois.

Quê?

Abri a boca e o cara saiu dali na maior cara de pau.

Eu poderia ter ficado observando o Eunji se distanciar ― Em busca de outra mesa bem mais longe ― por bastante tempo. E com a boca aberta, até. Mas, segundos depois após ele ter saído, Hoseok apareceu na minha frente, cobrindo minha lisão de visão com uma lata de refrigerante na mão.

O cara estava olhando para o lado de Eunji também, claramente divertindo-se com a cena. Ele sorria enquanto bebia seu refrigerante. Esperei que ele olhasse para mim e, quando Hoseok olhou, fui pega de surpresa com uma mudança repentina de seu humor.

Hoseok olhou pra mim de maneira muito séria. Parecia outra pessoa. E eu fiquei sem saber o que dizer; estava ocupada demais observando o pessoal do refeitório olhando para nós dois agora.

Hoseok puxou uma cadeira para bem próximo da minha e sentou-se, logo me abraçado pelos ombros.

― Se você não tem coragem para ir até a minha mesa, eu venho até a sua. ― disse ele, deixando o tom bem óbvio. Deixou seu refrigerante a nossa frente e perguntou-me ainda mais sério: ― Eu posso ficar aqui ou prefere que eu vá embora?

Engoli em seco, encarando-o nervosa. Eu bem sabia o que ele quis dizer com aquilo.

 

 



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