História Duality - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Bullet For My Valentine, Slipknot
Personagens Alessandro Venturella, Chris Fehn, Corey Taylor, James Root, Jay Weinberg, Matt Tuck, Michael Paget, Mick Thomson, Personagens Originais, Shawn Crahan, Sid Wilson
Exibições 33
Palavras 2.300
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Incesto, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Aqui estamos nós mais uma vez! \o/
Eu não via a hora dos meninos do Bullet chegarem! E já deixo bem claro que, apesar do Matt ser um deuso delicioso, eu percebi que tenho uma coisa inexplicável pelo Paget... Não consigo não adorar essa vibe de tiozão-baby-malvado dele ❤ lol
Bom, vamos ao que interessa! Finalmente algumas coisas começarão a ser reveladas...
Boa leitura :)

Capítulo 7 - Dirty Little Secret


Fanfic / Fanfiction Duality - Capítulo 7 - Dirty Little Secret

“I’ve seen another side to you
I never even knew existed”

O relógio de ponteiros parecia arrastar as horas com lamúria e dificuldade. Susannah tinha sua mochila consigo, mas ainda não se decidira em qual decisão tomar. A loja estava incrivelmente vazia mais uma vez e nem mesmo o som de Perfect Strangers do Deep Purple conseguia matar a aura de solidão do lugar.

Na noite anterior Corey não veio falar com ela no estúdio. Saiu do apartamento depois da conversa que teve com os amigos e não voltou para casa nem mesmo depois que a madrugada virou manhã. Susannah se permitiu derramar algumas lágrimas de desespero e confusão antes de cair no sono. Pela manhã, esperou que a casa ficasse em silêncio para finalmente sair do quarto e seguir para a loja. Não tivera coragem de olhar nos rostos dos rapazes e menos coragem ainda de sumir e deixar tudo para trás. Afinal, sairia dali para onde? – se perguntou repetidas vezes. Mas mesmo assim trouxe a mochila caso mudasse de ideia.

Passou a manhã encarando o relógio e tentando compreender tudo o que ouvira. As peças não se encaixavam e cada vez que ela tentava imaginar alguma teoria sobre a situação sua cabeça começava a arder. O que seria Corey, afinal? O que diabos ele escondia e o que Scarlett conhecia sobre ele, verdadeiramente? Com o quê Susannah poderia ser útil para eles? Ficava se questionando centenas de coisas e era impossibilitada de obter respostas. Também não conseguia ignorar todas as dúvidas e medos que a consumiam. Queria questioná-lo, mas ele não estava ali. Queria saber como agir na situação, decidir que rumo dar a sua vida, mas as duas opções cabíveis eram igualmente assustadoras. Resolveu apenas esperar.

Ela brincava de batucar a ponta de uma caneta no balcão tentando espantar o cansaço de aguardar pelo tempo que passasse quando o sino da porta finalmente tocou, fazendo ela se levantar imediatamente da cadeira.

Pela porta de vidro entraram dois homens completamente estranhos para Susannah. Acreditou que pudessem ser clientes, mas eles a encaravam e vinham diretamente em sua direção. As feições eram sérias e os olhos duros. O que vinha na frente era ligeiramente mais baixo, apresentava o cabelo liso cortado acima dos ombros, barba que começava a ficar grisalha no cavanhaque e olhos pequenos que pareciam nunca sorrir. O outro era mais musculoso, a barba um pouco mais bem aparada, o cabelo mais curto e o queixo apresentando uma covinha.

— Posso ajudá-los? — Susannah olhou confusa para os dois quando eles chegaram até ela e se debruçaram sobre o balcão.

— Onde está Taylor? — o cabeludo tinha uma voz tranquila e um sotaque britânico que ela não identificou imediatamente de qual parte da Inglaterra.

— Ahn, eu não sei. — respondeu se sentindo intimidada pelas presenças. — Sinto muito.

— Ele deveria estar aqui esperando por nós. — o mais alto confirmou aos ouvidos de Susannah que tinha o mesmo sotaque que o parceiro. — Ele não lhe passou nenhuma instrução?

— Não...

— Eu lhe disse que ele era um bastardo e que nós não deveríamos fazer negócios com americanos.

— Paget, eles já pagaram pela metade da mercadoria, se ele não quiser receber não somos nós quem irá perder. — ele se voltou para a garota. — Você não tem como contatá-lo?

— Eu posso tentar... — murmurou sem nenhuma real vontade de fazer aquilo.

— Faça isso, por favor.

Ela discou o número do celular pessoal de Corey no telefone fixo da loja e esperou que a chamada completasse. Os homens fitavam-na com atenção, esperando. Tentou desvencilhar os olhos daqueles dois estranhos enquanto sentia o coração se desassossegar só de imaginar ouvir a voz do chefe do outro lado da linha. Quase suspirou de alívio quando a ligação caiu na caixa postal.

— Ele não atende.

— Como não atende? Faça-o atender! — apesar da forma como falava, a voz do mais velho continuava pacífica e baixa. — Nós não podemos simplesmente voltar para Wales com duas caixas de mercadoria.

Susannah se perguntou por que Corey estava comprando mais mercadoria para uma loja que mal conseguia vender alguns poucos álbuns por dia. Não havia espaço nem necessidade para um pedido de produtos novos. E por que é preciso que dois homens venham entregar o pedido?, ela se questionou mentalmente. Nunca ouviram falar em entrega pelos correios?

— Talvez nós possamos repassar as caixas para revendedores mais interessados.

— Não vai ser preciso, Tuck. — Corey tinha acabado de passar como um jato pela entrada e vinha dando passos largos com suas curtas pernas.

Os olhos azuis dele se encontraram com os dela por questão de segundos. Corey parecia ter perdido a noite de sono e ainda vestia os mesmos jeans e jaqueta surrada do dia anterior, mas agora escondia o cabelo por baixo de um gorro – o que o deixava parecendo mais jovem, segundo Susannah.

— Da próxima vez não nos ligue de madrugada para avisar que estão chegando antes do previsto. — Corey parecia ter controle sobre a situação, apesar de cansado. — Mas então? Onde estão?

— Onde está o resto do pagamento? — o mais alto, Tuck, cruzou os braços. — Dinheiro vivo pelo material.

O americano ficou calado. Chegou a abrir a boca, mas balançou a cabeça.

— Corey...?

— Vocês nos pegaram de surpresa, tá legal? — bufou irritadiço. — Shawn está correndo atrás do restante. Falta apenas mais oito mil para completar.

Susannah sentiu um bolo se formar em sua garganta. Não era ingênua ao ponto de acreditar que aquelas mercadorias pudessem ser produtos musicais. Algo estava errado.

Os ingleses ficaram em silêncio por um longo tempo. Tuck chegou a dar um passo para frente, a tensão nos braços despidos, mas foi impedido por Paget de avançar no outro.

— Não, Matt. — pediu. — Eles são mais numerosos.

— Você está brincando?

— Nós podemos lhe dar um prazo extra. — Paget não desviava o olhar tenso que se focava em Corey. — Aguardaremos até às treze horas. Nos encontre atrás do cemitério Glendale. Ah e, Corey? — ele esperou para que a atenção do cliente voltasse para ele. — Não estrague nossos negócios.

Nada mais foi dito. Eles saíram em silêncio e subiram o beco de volta. As caixas de som pareciam ter ficado repentinamente mais altas e o ar parecia ter uma dose de desconforto. Susannah fitava a tatuagem na nuca de Corey esperando para que ele se virasse para trás.

— E então? — ele perguntou ainda imóvel.

— Então o quê? — Susannah sentiu a voz tremular na sua língua.

Ele suspirou profunda e ruidosamente antes de encará-la.

— Eu sou um traficante de armas. Eu e todos os que você conheceu. Nós somos sujos, podres, mentirosos. Somos pessoas que você não gostaria de conhecer de verdade e, sinceramente, eu lhe aconselharia a fugir enquanto ainda resta tempo. Essa é a minha vida, Susannah. É isso, eu não consegui nem quis guardar esse segredo de você por muito tempo. Estou cansado, sabe? Já não tenho energia e paciência para viver duas vidas paralelas. Sinto muito por não ser a pessoa que você achou que eu seria. Eu fui mal-intencionado, ambicioso, não te ajudei somente por caridade. Então... — ele fez uma pausa e sacudiu os ombros — ou você some agora mesmo da minha frente e esquece tudo o que aconteceu, ou continua aqui e se compromete a fazer parte de muitas das minhas merdas.

Ela sentiu as pernas um pouco fracas e apertou os dedos no balcão para se apoiar. A boca se abriu e o ar que sugou por ela trepidou e ruidou ao passar pelos dentes. Piscou diversas vezes e engoliu em seco tentando diluir o nó sufocante em sua garganta.

— Olhe, eu não tenho tempo para isso. — ele continuava encarando com os olhos sérios e impassíveis.

— O que você quer comigo? — ela conseguiu formular em resposta. — Você acha que eu vou lhe ser útil no quê? Prostituição?

— Eu não sou tão baixo. — ele mal piscava. — E, sinceramente, eu não sei. Mas acho que você é uma das pessoas mais fortes que conheço.

— Você está enganado.

— Estou mesmo? Depois do que vi ontem, Susannah?

— Aquilo foi um ataque de loucura. — ela engoliu outro bolo de medo que lhe atingiu.

— Aquilo foi a expressão do seu verdadeiro eu. Você está deixando eclodir todas as merdas que aguentou durante esses anos. Eu sei como é, passei por isso. Eu deveria ter dezesseis anos quando envenenei meu pai depois que ele “acidentalmente” matou a minha mãe. Depois disso Shawn me tirou da prisão, pagou a minha fiança. Eu não fazia ideia de quem era aquele cara, mas prometi minha vida a serviço dele e até hoje mantenho minha palavra. A questão, Susannah, é que eu não posso pedir para você tentar ter uma vida normal e feliz. Eu não sou tão otimista assim, não tenho fé de que pessoas como eu e você possam levar uma vida comum. — ele fez uma breve pausa, as íris azuis ainda duras sobre a garota. — Me diga: você consegue ter fé de que pode um dia ser uma mulher comum? Ter uma família normal, um emprego qualquer, um marido que teve uma infância tranquila e perfeita, diferente da sua? Você consegue se imaginar escondendo, para o resto da vida, o monstro que te consome por dentro?

Ela sentia que as palavras dele soando firmes, ásperas e doloridas, mas sabia que elas eram, apesar de tudo, sinceras. Susannah sentia os olhos ardidos e seu corpo todo parecia muito mais pesado e tenso.

— Não. — respondeu-o com meia voz. — Não, eu não consigo imaginar um futuro comum para mim, Corey. Não consigo.

* * *

Levou vinte minutos para que o Dodge Charger atravessasse o tráfego, ziguezagueando entre os carros e passando sinais fechados, e chegasse até a casa de Shawn. Susannah não precisou dar uma resposta precisa à Corey, ele sabia que, apesar de confusa e assustada, aceitaria ficar. Ele sabia que ela não teria outra opção. O problema agora seria lidar com todos os outros companheiros.

Os pneus cantaram com a freada brusca e a garota notou que o dono da casa já estava à espera do mais novo com uma mochila de pano na mão e – Susannah estremeceu – uma pistola na outra. Shawn não demorou para grudar os olhos no banco do carona. Demorou-se encarando a garota e esperando que Corey descesse de seu carro. Sua testa larga tinha vincos de estresse.

— Que merda você fez agora?

— O quê?

— A garota, Taylor! — ele não estava nem um pouco pacífico. — O que a porra da garota está fazendo aqui?

— Shawn, nós conversamos sobre isso.

— Você só pode estar de brincadeira. — ele soltou uma risada de escárnio. — Quantas vezes você vai repetir os mesmos erros, garoto?

— Eu pensei que você havia entendido. — Corey estava nervoso, mas rígido.

— O que você fez com Scarlett?

— Ainda não tive tempo...

— Ah, vai se foder, Corey. Eu não estou aqui para continuar limpando sua barra, está me ouvindo? Scarlett não tem nada a perder e pode estar agora mesmo decidindo qual roupa usar para ir à delegacia.

— Eu vou dar um jeito, porra! — berrou por fim. — Me dê um tempo! Só um tempo. — pausou para encher os pulmões de ar e acalmar a voz. — Mas então? Você conseguiu?

— Os Horsemen não quiseram pagar adiantado antes de ver o produto. Tentei fazer o Chris arranjar alguém que pudesse nos emprestar a grana, mas foi impossível. Tive de tirar dos nossos fundos. Daremos um jeito para repor.

— Tem certeza?

— Não faça perguntas, Corey, você não é um homem de negócios. — e empurrou o mais novo para voltar para o carro.

Susannah pulou para o banco de trás assim que notou que Shawn pegaria carona com eles e emudeceu completamente com a presença do homem. O motor tomou vida novamente e saiu roncando rua abaixo. O rádio estava desligado e era possível ouvir a respiração pesada de Shawn. Ele não se moveu, mas o som de sua voz repentinamente quebrando o silêncio fez com que o corpo da garota se sobressaltasse.

— Corey me disse que você teve uma vida fodida.

Ela não conseguiu emitir nenhum som em resposta.

— Você gostaria de dar um jeito nos seus pais, garota?

— O quê?

— Seus pais. — ele continuava olhando para a estrada. — Precisamos de uma prova de que você não vai foder conosco. Deixei Scarlett entrar nesse grupo de uma forma muito fácil e agora ela é uma puta de uma ameaça para nós. Uma vadiazinha louca como ela... Não posso cometer o mesmo erro com você. E Corey quer que você tome o lugar dela.

— Quer? — ela não conseguia ir além das monossílabas balbuciadas.

— Quero. — ele respondeu engatando a quarta marcha assim que o ponteiro passou dos cinquenta quilômetros. — Mas, Shawn, você não pode pedir para que ela mate os pais.

Susannah sentiu algo ruim vindo de dentro dela. O estômago se contorceu a ponto de doer e fazê-la levar a mão até o ventre.

— Bom, então dê um jeito em sua amiguinha também Corey. — reclamou impaciente. — Eu não vou tolerar que você enfie qualquer pessoa dentro da nossa vida ou que comece a trocar de mulher toda vez que se cansar de uma. Você mais do que qualquer outro deveria entender a seriedade disso tudo. Se ela quiser ser uma de nós, se quiser fazer parte desse mundo, deverá se mostrar responsável. Não pedirei menos do que o assassinato dos miseráveis dos pais.

Susannah quis acreditar que tudo não se passava de um teste, mas o silêncio de Corey e os olhos dele buscando-a pelo reflexo do retrovisor confirmou a firmeza daquele trato. Sua cabeça estava assustadoramente vazia de qualquer tipo de opinião. Deveria estar chocada. Deveria pedir para que parasse o carro e fugisse de perto daqueles dois perversos, ou talvez devesse gritar com o velho questionando sua sanidade, mas não fez nada disso. Apenas notou que sua falta de ação ou rebeldia para com aquela ideia era a parte mais intimidante e abominável até o momento.


Notas Finais


Achei que escrita desse capítulo ficou meio corrida, mas espero que não esteja ruim! haha Eu estou muito ansiosa com esses próximos capítulos, então acho que não revisei tanto quando deveria ><
E aliás, estou me divertindo bastante com a trama e toda vez que recebo um comentário me animo ainda mais para continuar! Espero que vocês estejam genuinamente gostando dos acontecimentos, me deixa muito feliz escrever para vocês :)
É isso aí! Nos vemos no próximo~


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