História Duas Pétalas da Mesma Flor - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Escolar, Fluffy, Originais, Original, Yuri
Exibições 29
Palavras 2.562
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Fluffy, Shoujo (Romântico), Yuri

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Ebaa, esse é meu primeiro yuri, não me condenem.
Espero que eu gostem, até lá em baixo.

~avisinho: estou escrevendo pelo celular e não corrigi, então peço perdão por qualquer erro desde já. Boa leitura.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Duas Pétalas da Mesma Flor - Capítulo 1 - Capítulo Único

  Estávamos eu e Safira na varanda de cimento da escola esperando mais gente sair das salas para sermos vítimas de conversas fúteis e falsas preocupações do tipo “Por que seu rosto está vermelho? Estava chorando? Conversa comigo”. O “Conversa comigo” é uma forma de dizer “Eu não tenho nada a te oferecer, mas me conta o que houve pra eu falar para mais alguém”.

  Safira achava isso legal, não importava para ela que as conversas todas que tinha com os “amigos” fossem fúteis e só uma forma de enterrar sentimentos confusos e belos no fundo do coração. Cada conversa destas pesa nesses sentimentos, faz com que fiquem insuportáveis, daí eles machucam e querem sair em forma de lágrimas ou agressivamente. No meu caso, tentam sair das duas formas. Sou uma pessoa descontrolada quando o nível de conversas fúteis me sobe à cabeça.

  Chegaram Amélia, que disse “Vou embora” depois de três segundos conosco e assim o fez, junto de Luan que, para meu azar, ficou na varanda. Odiava sua presença mesmo que a amasse, cada segundo perto de mim era como se meu corpo quisesse matá-lo. Safira sabia o porquê, acho que todos sabiam o porquê, era óbvio, estava na cara, nem mais no nível de só suspeitaram estava já. E era chato porque todos shippavam, me lembravam da minha dor de ser rejeitada. E ainda continuar tão perto de alguém que me rejeitara. Alguém que, mesmo sabendo de meus sentimentos confusos, ainda continuava me abraçando a todo tempo, me dando beijos na bochecha, me enchendo de carinho com aquelas mãos suadas, nojentas e salgadas de alguém que nunca as lava. Não sabia o quão doloroso era para mim aceitar aquele carinho de rejeito. Pesava mais que qualquer conversa fútil.

  A nossa história não era tão longa, dariam somente em mil duzentas e vinte e nove palavras para contá-la, talvez até menos se cortasse os nossos exageros, nossas pequenas inutilidades feitas durante todo o tempo de “história”.

  O sol estava quente, mas eu não estava com calor, demorava a ficar. Enquanto isso, Safira e Luan estavam incrivelmente exaustos de calor, queriam que saíssemos da varanda para procurar sombra, mas tampouco queria levantar e sabia que não havia sombra em local algum naquela escola a céu aberto.

  -Vamos entrar, então. – Safira disse.

  Não pude negar, me agarraram pelas pernas e braços e me levaram até a escadaria gélida e cheia de sombra. Não queria ficar na escola, não dentro do prédio dela. Queria ter continuado lá fora, teria me poupado do que viria a seguir.

  Luan ficou com fome e foi ao Refeitório, nem eu e nem Safira o acompanhamos. Matthew, vagueando pela escola, nem nos percebeu sentadas na escada. Eu deixaria ele ir embora, mas Safira o chamou. Olhei para ela, logo depois para ele, que se aproximou com um certo olhar de raiva divertido.

  -Onde as senhoritas estavam? Por que não estavam lá na frente?

  -Me obrigaram a ficar aqui, não é minha culpa. – falei.

  -A gente queria sair do sol. – Ela falou com a voz dócil e adorável.

  Apertei as bochechas de Safira, mas só porque ela estava incrivelmente fofa com a presilha que dera ontem de presente. Seus cabelos castanhos e enrolados combinavam de jeito cruel com a presilha e com seu corpo amorenado. Me irritava ela ser tão fofa. E mesmo assim, não se achar uma fofa! Como não se achar uma fofa sendo ela?

  Matthew sentou ao seu lado e eu me afastei um pouco apoiando a cabeça no corrimão negro da escada, era um belo corrimão, uma bela escada. Eles ficaram conversando sobre alguma coisa qualquer e eu fiquei olhando a porta do elevador, nunca gostei daquele elevador. Tudo naquela escola funcionava de mal jeito e, mesmo assim, ainda desciam por ele, era como se pedissem para morrer a cada descida ou subida por ele. Eu mesma já fiquei presa naquela droga uma vez. Estava com Luan quando aconteceu, ou seja, eu fiquei nervosa por estar presa em um elevador, fiquei nervosa por estar com Luan e fiquei nervosa de estar sozinha com Luan. Um triplo nervoso, então era obrigatório eu ter medo daquele elevador, era obrigatório que eu ficasse de olho nele para ter certeza de que ele não pararia.

  Logo me chamaram para conversar também. Tudo o que fiz foi negar e assentir com a cabeça de vez em quando sem ao menos prestar atenção no que se estava sendo dito. Não estava nem aí, só queria ir embora. Mas, ei, eu não poderia ir embora! Não, eu não podia, não na sexta, logo sexta-feira... o dia da minha oficina literária de textos, uma maldita iniciação científica que escolhi fazer. Não que não gostasse de produzir textos, eu amava, mas ter de ficar com pessoas até uma hora e meia da tarde todas as sextas-feiras me era ridiculamente parecido com um plano de uma mãe preocupada que quer que sua filha faça amigos. Eu odiava ficar até mais tarde na escola com pessoas. Ah, mas como amava ficar sem elas. Amava o físico da escola, as paredes de fora eram vermelhas num tom gasto, era lindo ver isso todos os dias. Ficar até mas tarde sozinha observando aquilo era mágico. Mas com pessoas, desgastante. Ter de participar de fúteis conversas maléficas ao coração...

  O tempo foi passando, e logo Safira e Matthew esqueceram de e minha existência, levantaram e saíram andando. Ficaria esbaforida se estivesse em condições normais, mas só agradeci em silêncio e fui embora para o pátio principal desistindo de vez da oficina. Fui ao lugar de meu “esconderijo” e, para a minha surpresa, Amélia estava lá. Fiquei com raiva por ela ter me deixado sozinha com aqueles idiotas pra poder fiar sozinha.

  -Eu vou te matar, sua...

  -Você sabe que eu odeio ficar com eles.

  -Ah, e eu adoro, né. Pedia pra eu te acompanhar, a gente fingia que ia ao ponto, sua...

  -Pelo amor, foi tão difícil?

  -Não foi você quem ficou com eles até agora, né!

  -Senta aqui. – bateu a mão no chão ao lado e eu sentei nele mesmo.

  Era um bom esconderijo, pena que não havia um banquinho sequer. O ato de ficar de pé ou sentado no chão era inevitável ali, mas, mesmo assim, era melhor que ficar com pessoas. Só Amélia era suportável e ela pensava o mesmo de mim, melhores amigas tem de pensar assim, senão, do que adianta, não é mesmo?

  -Como foi a sua aulinha? - perguntou.

  -Português, foi até que legal.

  -Ah sim.

  -E a sua?

  -Matemática, foi péssima. Eu não tô entendendo nada.

  -Já disse que pode me pedir ajuda com o que precisar, sua tonta. 

  Amélia, infelizmente, havia de ano repetido, então eu a ajudava a estudar mesmo que eu fosse péssima em algumas matérias... Pelo menos, era melhor que ela, com certeza. Me dá pena e tristeza em dizer isso, mas era verdade. Era triste ter uma melhor amiga em uma turma diferente da minha, em uma série diferente da minha, tê-la longe de mim quase todos os dias, fora que ela faltava quase todo dia, era terrível o sentimento de solidão; ser obrigada a ter conversas fúteis todos os dias por preguiça de acordar e se arrumar por parte da outra, fale sério, era frustrante.

  -Então, vai fazer alguma coisa? A gente ia ver o MV novo pra reagir juntas, né? Quero ver com você lá em casa. – ela disse.

  -Eu vou pra sua casa, não se preocupe, iria mesmo que já tivesse ido embora de verdade. Sua...

  -Para de tentar me xingar. – ela fez biquinho.

  Estava mexendo no celular, vendo fotos do Chanyeol provavelmente. Seu braço parecia massa de pizza, fiquei cutucando-o vendo as marcas de mordida vermelhas por todo ele pelos meus ataques de carinho anteriores. Não era agressiva, só gostava de demonstrar meu amor de forma diferente.

  -Ainda esta doendo, tá? – ela fez expressão de raiva percebendo para onde estava olhando.

  -Fresca.

  -Fresca?! Meu braço tá roxo!

  Ri. Era muito bom ver a coloração diferente na pele dos outros por minha causa. Ver o branco ficar vermelho e depois roxo, o negro virar roxo e mais claro, ou até mesmo as marcas, elas eram a melhor parte, deixar com que todos saibam que as pessoas que eu mordo têm marcas minhas, ou seja, essas pessoas são minhas.

  Com o meu riso, recebi vários tapinhas vindos raivosos de Amélia, que começou a rir depois de um tempo me dando tapas.

  -Melhorou a raivinha, chuchu?

  -Sim. – ela riu.

  -Ótimo.

  Continuou olhando seu precioso Chanyeol enquanto eu, meu amado Taehyung. Ficamos olhando feito viciadas bobas para os celulares, as imagens dos bias nos fazendo não dirigirmos nenhum tipo de contato entre nós duas

  -Ah, cansei, já vi todas as fotos. – ela disse.

  -Já? Senhor...

  -Vamos lá para cima? – perguntou. 

  -Tá bem. – estranhei, ela não costumava querer sair do esconderijo depois de uma vez que lá se estabelecia.

  Fomos andando normalmente pela rampa que levava até a varanda de cima da escola, que estava sempre vazia, fora estarmos de mãos dadas por todo o percurso, mas não era assim tão anormal. Já era costume nossas mãos andarem entrelaçadas pelos lugares. Claro, os olhares pesavam sobre nós sempre que andávamos daquele jeito, mas a gente estava pouco se importando com isso, não íamos deixar de nos amar nem meio por cento por conta de olhares maldosos de possas que nem sequer tem a ver com a nossa relação, que nunca fora maior que uma amizade profunda e bem forjada.

  -Quero que ouça uma música. – disse.

  Também tinha esse costume de estar sempre me mostrando uma música nova, sempre músicas lindas, uma melhor que a outra – exceto quando era muito ruim, não tinha um meio termo – toda hora. Tirou os fontes da mochila ainda andando, os plugou no celular e me deu um. Coloquei no ouvido e logo comecei a ouvir uma melodia familiar, era GOT7, confession song. Era a primeira “meio termo” me referindo a valiosidade melódica, mas mesmo assim, eu amava a música – mais pela letra, óbvio.

  Chegamos na varanda e nos sentamos no chão mesmo, a música já estava na metade quando ela perguntou “Você gostou?”

  -Sabe que eu gosto de GOT7, conheço a música.

  -Ah, sim, verdade. Eu gosto dela, queria que você ouvisse.

  -Aham. Também gosto dela.

  Ela ficou me olhando como se esperasse alguma coisa de minha parte, mas nada aconteceu, Amélia suspirou e pegou o celular. Após ver as horas, o guardou e voltou a olhar para mim.

  -Eu tenho uma coisa pra te falar. – ela disse.

  Não gostava quando isso acontecia. Sempre que queriam dizer alguma coisa, era ruim ou algo que fosse me machucar algum dia. Tive certeza de que seria o mesmo daquela vez, não seria surpresa. Meu estômago já estava se revirando de ansiedade, ela podia dizer qualquer coisa, não me aguentei em não ficar ansiosa.

 -Fala

  -Você... tá bem? 

  -Aham, só fala.

  -Ah sim, eu acho que eu tô gostando de uma pessoa.

  -É mesmo? – me acalmei e virei o rosto. Por algum motivo, aquilo tinha me incomodado. – E...?

  -Não acho que essa pessoa goste de mim, mas ainda quero continuar amando-a e cuidando dela.

  -E quem seria?

  -Nah, você sabe. 

  -Claro, por isso perguntei. – disse irônica.

  -Ah, cara. Sério? – Ela suspirou e olhou para os lados entediada. 

  -Poxa, não sei, você não dá sinais de que gosta de alguém.

  -Dou sim, dou todos os dias.

  -Ah, claro. Acontece que todos os dias você falta, né, amor? Tá gostando de alguém como? Pela Internet? 

  -Ai...

  -Fala logo, droga.

  -De você, sua praga.

  Fiquei sem palavras. Eu realmente fui pega de surpresa, não soube reagir, só fiquei boquiaberta e de olhos arregalados durante uns segundos até que ela me balançou pelos ombros.

  -E...? – falei sem perceber quão rude aquilo foi.

  -Não precisa responder nada se não tiver nada a declarar.

  -Eu... não sei o que pensar. Sinceramente. Eu te amo muito, muito mesmo, mas sei lá.

  -Tudo bem. Só queria que soubesse.

  -Bem, agora eu sei. E estou confusa.

  -Não gosta de mim? Gostar.

  -Não sei! Não me faça essas perguntas, me deixa confusa.

  -Oras, eu quero saber!

  -Cara, eu diria que sim, mas eu não sei, estou confusa.

  -A gente pode fazer um teste. – Ela sugeriu sorrindo.

  -Teste?

  -Claro, aproveitando que não tem ninguém na varanda.

  Olhei em volta só para garantir a certeza de não ter ninguém. Senti que ia me arrepender daquilo, que depois doeria em mim e, talvez, até em Amélia. Não conseguiria ficar em paz com aquilo, mas, mesmo assim, assenti com a cabeça e permitir que o tal “teste” fosse realizado.

  Amélia chegou mais perto de mim e eu, por impulso, cheguei para longe. Ela fez uma expressão triste, mas avançou de novo, desta vez, me segurando pelos pulsos. Colocou uma das mãos em meu pescoço e com a outra se apoiou no chão. Aproximou nossos rostos devagar enquanto que meus olhos já estavam mais cerrados que o possível permite. Estava ansiosa, com certo medo. Eu já tinha imaginado antes que eu e Amélia, um dia, fôssemos nos beijar, mas nunca pensei em como reagiria ou como realmente seria.

  Ela se demorou um pouco até conseguir colar os lábios nos meus, mas assim que o fez, pareceu e paz. Acalmei-me os olhos e ela, a alma. Pus a mão em um ombro e a outra, em sua cabeça. Era estranha e incrível a sensação de beijá-la. Mas não sei se foi algo bom, afinal, perdi meu BV naquele dia, eu não imaginava isso com uma menina em minha relação. Mas eu não me importei na hora, não era para nunca ter me importado na verdade, porque foi ótimo, nós duas parecíamos estar gostando, estar sentindo. Ela já me falou dos beijos dela, Amélia não sentia nada nos beijos com qualquer garoto que já tivesse saído. Mas, no nosso, teve. Ah, e como teve. Tanto teve que ném me conti em dar uma mordida forte em seu lábio inferior, que a fez reclamar e gemer de dor, sorri com aquilo, era ótimo ver a coloração da mordida mudar em relação ao restante dos lábios.

  Logo o ar se fez necessário e encerramos o beijo por ali.

  -O que achou? – perguntou ofegante.

  -Não tenho ideia. – ri e ela me deu um tapa no braço. 

  -Sua ridícula. É sério.

  -Eu... gostei.

  -Eu também. – sorriu e me fez carinho na bochecha.

  -Tá bem... E agora?

  -A gente namora. – riu.

  -Só isso?

  -Queria mais o que? Uma festa em nossa honra com todos que conhecemos? Que eu pegasse uma anel agora, me ajoelhasse e te pedisse em namoro?

  -Chata. – ela riu e me beijou de novo, o que me deixou nervosa, mas feliz.

  -Eu sou mesmo. E você me ama do mesmo jeito.

  -Amo. – sussurrei sem jeito e com vontade de me esconder.

  Nos demos as mãos e fomos embora para a casa de Amélia finalmente assistir o novo MV. Foi um dia como qualquer outro com exceção de que, a partir daquele momento, estávamos eu e Amélia namorando. E eu estava certa a todo o tempo, no futuro, me doeria muito, mas aproveitamos os ótimos tempos que tivemos juntas. Mesmo com todos os olhares e pensares maldosos sobre nós a todo momento, fomos muito feliz e pudemos ignorar tudo aquilo.

  No final, nós fomos felizes e não tinha preconceito que quebrasse essa felicidade, que a fizesse diminuir.


Notas Finais


Foi isso, eu espero que o @Sonny173 goste bastante, afinal, foi por causa dele que eu fiz u.um
Obrigada a quem leu e gostou. Nao esqueça de comentar o que achou :3 aceito críticas, correções e, é claro, elogios! ;)


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