História Dueto - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Hunter x Hunter
Visualizações 32
Palavras 1.216
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hunter x Hunter pertence a Yoshihiro Togashi. Apesar dos longos hiatos, mestre, seus leitores sempre permanecerão fiéis.

Este texto é apenas uma fanfic e não possui fins lucrativos.

A música citada na oneshot é a “Baby Mine” do filme Dumbo, da Disney. Eu me baseei na versão original em inglês em vez de usar a tradução.


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Capítulo 1 - Capítulo único


— Oi — ele sussurra ao telefone.

— Oi — ela sussurra de volta.

Um breve silêncio faz-se ouvir do outro lado da linha.

— Eu não estava conseguindo dormir... — ele diz.

— Eu sei. A sua voz não mente.

O silêncio faz-se presente outra vez.

— Desculpe, não quis incomodá-la. Vou desligar.

— Não é incômodo nenhum.

Ela escuta o som da hesitação.

— Tem certeza? Você estava dormindo, não estava?

— Na verdade... Eu também não consigo dormir.

Um leve roçar de cabelos faz-se ouvir.

— Então, somos dois.

— Somos dois — ela recita.

Uma eternidade transcorre enquanto ela escuta os pensamentos silenciosos dele.

— Eu... precisava de alguém para conversar...

— Você sabe que eu sempre estou disposta a ouvir.

— Sim. — Ele engole em seco. — Você não me julgaria.

O som do sorriso escapa dos lábios dela.

— Quem sou eu para julgá-lo?

Ela espera, paciente, enquanto a respiração dele se acalma.

— Eu matei um homem.

As palavras soam secas, quase frias.

— Era um deles?

— Era...

Ela aguarda as próximas palavras, mas estas não vêm.

— Ele está aí?

O som do suor descendo pelo rosto é baixo, mas não escapa aos ouvidos dela.

— Está... Junto com os outros dois.

Suspiro.

— Seu coração está ferido.

— E eu não sei? — Ela ouve um som sofrido, talvez um arfar. — Eles circulam à minha volta... Como demônios na escuridão...

— Não é desses demônios que estou falando. — A voz soa calma, mas preocupada. — Os verdadeiros estão dentro de você.

— Eu sei... — ele responde, relutante. — Estou com medo.

Ela ouve o coração dele palpitar com a inesperada confissão. É uma música bela que se harmoniza com as lágrimas dentro dele.

— Se você não tivesse medo, seria ainda mais assustador.

Um ruído forte sugere um riso nervoso.

— Irônico, não é? Sentir medo do próprio medo. Sentir medo de não ter medo...

— O sentimento que o mantém humano — ela complementa.

Um novo roçar de cabelos sugere uma negação.

— Existem coisas mais profundas do que ele.

A respiração dela se acalma, tornando-se quase serena.

— Eu só gostaria de ouvir... — ele murmura.

Mais uma vez o silêncio.

— Minha mãe cantava uma música para eu dormir. Você...?

— Adoraria.

Ele respira com dificuldade. A tensão está mais forte do que antes.

Meu bebê... — ele murmura. — Por que chorar? Meu bebê... Não fica assim... Deita-te... perto de mim... e nunca te vá... Meu lindo bebê...

Ela deixa escapar um soluço. Nunca ouvira uma voz tão bela.

— Eu não lembro os outros versos... — ele diz em tom de desculpas.

— Mas o seu coração, sim. — Ela respira fundo, acalmando-se. — Sua mãe tinha uma voz muito bonita.

— Como você...?

— Posso ouvi-la cantando... pela sua voz.

Ela ouve o som de um riso. Um riso acompanhado por lágrimas silenciosas.

— Ela tinha uma voz linda.

Eles ficam em silêncio por um minuto.

— Sente saudades dela?

Ele inspira fundo. Seu coração se quebra.

— Muitas.

Ela suspira.

— Eu sinto muito. Muito mesmo.

— Nunca mais terei de volta... Os sorrisos... Os jantares em família... — Um som semelhante à tosse corta sua voz. — Acho que me lembro de outro verso.

— Cante...

Ele permanece em silêncio. Por tanto tempo, que ela quase chega a pensar que a ligação ficou muda.

Dos teus cabelos até os teus pés... — Ele respira fundo, pesaroso. — Meu doce pequenino és... Mas és tão precioso para mim... Tão doce assim... Meu querido bebê... — Uma risada amarga faz-se ouvir. — Não... Isso está errado.

— Nada está errado quando é nossa alma que canta.

— Não... — A respiração dele soa arranhada. — Eu esqueci... A única lembrança que eu tinha dela... Eu esqueci...

O som de lágrimas é interrompido por um soluço contido. A dor canta sua triste serenata.

— Existe muito mais do que isso em você. Há coisas que o tempo não consegue apagar.

— Eu sei muito bem disso. — A voz dele torna-se dura. — Essa dor... Essa angústia... Eu não consigo... Mãe, eu não consigo...

Ela escuta o sofrimento em silêncio.

— Quantos deles agora?

— Três... — Ele arfa, exausto. — Eles ficam rondando... Eles me fazem esquecer...

— É o ódio que tinham em vida... Um ódio que você conhece bem.

— Sim...

Ela escuta o som da deglutição. Saliva misturada a lágrimas.

— Eu deveria voltar a dormir agora... — ele murmura.

— Eu... — A hesitação tilinta por alguns segundos. — Acho que sei o resto da música.

— Você... O quê?

Ela inspira fundo.

Se eles soubessem quão doce tu és, amar-te-iam também. E esses mesmos que te desprezam, o que dariam para segurar meu bem?

Ele deixa escapar um riso sem humor.

— Que versos inconvenientes.

Ela suspira.

— Não há bondade naqueles corações para tanto...

— Eles dizimaram toda a minha família. — A voz dele torna-se dura, quase perversa. — Não me venha falar em bondade.

Outro suspiro.

— Eu só queria acalmar seu coração ferido. Acho que fracassei.

Ele suspira também. Quando volta a falar, sua voz está terna.

— Eu sei... Mas você não é a minha mãe...

Ela ouve o som das próprias lágrimas.

— E você não precisa carregar tão pesado fardo. É por isso que esqueceu a música. Não sobra espaço para o amor no seu coração quando carrega tanto ódio.

A voz dele se quebra totalmente.

— Mas eu não tenho escolha! Eu não tenho escolha! Não me sobrou nada, entende? Nada!

O sofrimento dele ecoa no coração dela.

— Sobraram seus amigos. Eles sabem quão doce tu és.

— Eles também não são a minha mãe!

A voz corta o ar, feroz, cheia de angústia e dor.

— Ninguém jamais será.

Ele retorna ao silêncio. Agora até sua respiração está quebrada.

Ela consegue escutar os demônios que falam dentro do coração dele.

— No que está pensando?

— Em nada — ele sussurra.

— Mentiroso.

— Na morte.

Um soluço a estremece.

— Na minha morte — ele diz. Um mero fiapo de voz.

— Não faça isso...

— Eu mal consigo lidar com três deles... — Ele suspira. — Imagine com treze... E ainda tenho meus próprios demônios.

— Eu ouço seu coração sangrar. Você está se matando...

— Foi o que eu acabei de dizer...

— Não. — A voz dela soa severa. — Você está matando seu lado humano. Mate mais um deles e não restará qualquer humanidade em você! Então, até mesmo a voz da sua mãe será uma lembrança distante e inacessível! Você está triste porque não se lembra dos versos da música? Se continuar por esse caminho, sequer lembrará que existia uma música!

Ela começa a arfar. Um pedido de desculpas ameaça escapar de seus lábios, mas um som ritmado interrompe seus pensamentos. Ele desligou o telefone.

Exausta, ferida, ela ouve o choro de seu próprio coração. Permanece em silêncio doloroso durante horas.

O telefone toca de novo, e ela atende.

— Oi... — ele sussurra.

— Oi... — ela sussurra de volta.

— Eu ainda não consigo dormir...

— Eu sei... A sua voz não mente...

Silêncio.

— Eu me lembrei do resto da música.

Silêncio.

— E como ela é?

— Eu não sei... — Ele ri. — Não lembro a letra... Mas me lembro dela cantando... Só cantando.

Ela ouve os versos no coração dele. A música mais pura da noite.

— Essa é a lembrança que derrotará os seus demônios.

— Eu sei...

— Você ainda é humano, afinal de contas.

Um riso suave faz-se ouvir.

— Eu ainda tenho medo.

Desta vez, o riso é dela.

— Uma canção de medo e tristeza.

— Sim...

Silêncio.

— Oi... — ela sussurra.

— Oi... — ele sussurra de volta.

— Eu não consigo dormir.

— Eu sei... Sua voz não mente.

— Ela nunca mentirá para você.

Ele ri.

— Uma canção de sinceridade e sofrimento.

Ela ri também.

— Nosso dueto.

 



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