História Dusk Sword: The Last Nara - Capítulo 6


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Categorias Naruto
Personagens Akamaru, Chouji Akimichi, Hanabi Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kiba Inuzuka, Kin Tsuchi, Madara Uchiha, Neji Hyuuga, Sai, Shikamaru Nara, Temari
Tags Akamaru, Akimichi, Asuma, Chouji, Danzou, Dusk, Espadachim, Guerra, Hanabi, Hiruzen, Hokage, Hyuuga, Ino, Inuzuka, Itachi, Katana, Kazekage, Kiba, Kin, Konoha, Konohagakure, Last, Luta, Madara, Nara, Naruto, Neji, Sabaku, Sai, Samurai, Sangue, Sarutobi, Shikamaru, Shikatema, Shortfic, Suna, Sunagakure, Sword, Temari, Tsuchi, Uchiha, Yamanaka
Exibições 46
Palavras 4.190
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Artes Marciais, Aventura, Ecchi, Luta, Romance e Novela, Seinen, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Incesto, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Konoha


Pousado sobre um grosso galho de uma das várias árvores da chamada Floresta do Fogo, o discreto pássaro de olhos pretos aproveitava a suave brisa das três da tarde. A poucos quilômetros dali estava uma das três entradas da bela aldeia de Konohagakure, que emprestava o nome ao próprio país que constituía.

Nem parecia o pequeno pássaro observar o impasse entre cinco indivíduos alguns metros abaixo, no solo:

— São ordens do Hokage — diz um dos soldados aos dois viajantes que trajavam quimonos simplórios e chapéus de palha redondos dotados de tiras de papel ao redor, permitindo apenas que se visse a face. — Tirem os sakkats e se identifiquem. Do contrário, tenho expressas ordens para matá-los! — na última colocação, o soldado eleva o tom de sua voz.

— Você não faria isso com um pobre e velho viajante, não é? — o mais alto entre os dois estranhos levanta levemente a cabeça, a ponto de encarar diretamente o soldado à frente.

O olhar penetrante além daquele chapéu de palha fez o soldado, por um instante, sentir-se intimidado. Ao perceber que os desconhecidos começavam a dar mais um passo, retomou a atitude rígida de exigir a identificação destes:

— Vocês que pediram! Morram! — gritou.

O soldado atacou os dois forasteiros com sua lança, num golpe certeiro perfurante. Porém, a velocidade do mais baixo destes foi o suficiente para segurar com a mão direita a arma cuja ponta metálica estava a centímetros do mais velho e alto. A indignação dos outros militares se resumiu num covarde ataque com suas espadas contra os dois forasteiros:

— Sai, você já sabe o que fazer. — Foi tudo o que o mais velho disse antes do jovem entrar em ação.

As três lâminas dos oponentes atrás do forasteiro mais alto avançavam em direção ao mesmo. Sai, em um curtíssimo espaço de tempo, puxou para si a lança de seu oponente frontal e deu um salto por cima de seu companheiro, Ainda no ar, de cabeça para baixo, manejou a arma de forma a perfurar o crânio de um dos três soldados, causando espanto nos três restantes, incrédulos:

— Mas isso é impossível! — Um dos militares, totalmente confuso, grita aos quatro ventos.

— Ah, tenha certeza que não é. — O não identificado refuta. — Eu treinei Sai muito bem.

Naquele momento, Sai já se encontrava sobre a katana apontada para o forasteiro. Os olhos do soldado que a empunhava estavam arregalados, assim como os de seu companheiro, que sacou a própria lâmina para acertar Sai, ainda em posse da lança. O guerreiro saltou desviando do ataque frontal do soldado à esquerda do desconhecido e, como anteriormente, cravou a flecha da lança no crânio do inimigo, matando-o instantaneamente em meio a grande volume de sangue jorrado.

Os outros dois soldados tremiam espantados. Começaram a se afastar da dupla, viam-se impotentes diante de tamanha habilidade do guerreiro mais baixo. E se o maior o treinara, como afirmara, não conseguiam imaginar o nível em que seus alvos estavam:

— Você não nos viu, entendeu? — orientou o desconhecido. — O Hokage não é aquele que veste hoje o manto com a insígnia de Konohagakure.

— M... mas... quem são vocês...? Eu suplico... — o soldado à frente de ambos se ajoelha —... me diga quem são...!

A dupla permaneceu em silêncio, apenas encarando o militar nervoso. O companheiro deste apenas ficou parado, observando o que se seguia: os dois desconhecidos apenas caminharam lentamente, desviando do soldado:

— Somos aqueles que trarão uma nova era ao mundo. — As palavras do desconhecido mais alto ecoam na mente dos dois militares, até que estes caem atordoados: Sai lhes acertara na nuca para fazê-los dormir. Não queriam que fossem seguidos. — Vamos, Sai.

— Sim, mestre Danzou.

 

* * *

 

A aldeia de Konohagakure era até bem desenvolvida, se comparada com outras de sua região, poderia ser comparada até mesmo a uma cidade. Os muros que a cercavam não eram tão altos, mas garantiam espaço para arqueiros e arremessadores de shuriken, bem como canhoneiros, servirem como uma defesa extra à aldeia.

Ao fundo da vila podia-se encontrar um muro que separava uma gigante mansão vermelha, que contava com belos jardins e uma sólida proteção, do restante da aldeia. Ali se encontravam as instalações militares, uma de cada lado da Mansão Hokage, que não tinha grande altura, mas era ampla o suficiente para ter, em seu interior, jardins, quartos enormes, a sala de treinamento, e outros mimos. Guardas patrulhavam-na de cima a baixo, sempre em duplas, trajando armaduras padronizadas e mais escuras que as normalmente utilizadas pelos guerreiros do exército de Konoha. Outro detalhe eram as máscaras que traziam escondendo seus rostos, dos mais variados estilos, e os pesados elmos de ferro sobre suas cabeças.

Somente guerreiros de elite. Madara realmente sabia escolher uma boa guarda para a Mansão Hokage. A sua Mansão Hokage.

De braços cruzados, perdido em seus pensamentos, Madara observava as carpas no lago do jardim menor, mais escondido que o principal. Seus olhos se voltavam à água e os movimentos dos belos peixes, mas sua mente se encontrava longe dali:

— Senhor Madara... — Itachi se aproxima e lhe chama a atenção —... tenho novas informações.

— Pois diga, Itachi. — Madara não direcionou o olhar ao mais jovem.

— Acabo de saber que o senhor Neji Hyuuga foi encontrado morto na base do desfiladeiro sobre o qual passa a Ponte Tenchi — informa Itachi, mantendo sua postura séria aguardando pronunciamento do superior.

— Isso já era esperado, apesar de me surpreender o local da morte. — Madara toma um longo suspiro. — Mas tudo bem... o que fizeram com o corpo?

— Levamos ao senhor Kabuto, como o senhor nos instruiu a fazer sempre, senhor Madara.

— Perfeito. Mais alguma coisa? — O Uchiha mais velho mal olhava para seu assistente.

— Também fui informado da morte de dois soldados nas proximidades de Konohagakure. Assassinato. Típico de ANBU — Itachi palpita.

— Uma vez ANBU, sempre ANBU, hein? Suas habilidades de reconhecimento me são muito úteis, Itachi — observa Madara ao desviar levemente o olhar para o assistente.

— Obrigado, senhor. É gratificante ser reconhecido como competente pelo senhor.

Perduram alguns momentos de silêncio entre ambos, embalado pelo canto dos poucos pássaros próximos à arvore ao fundo do jardim. Era possível se ouvir até o longo suspiro de Madara enquanto voltava seu olhar para as carpas:

— Minhas suspeitas indicam que Danzou está por trás do assassinato dos soldados — Itachi relata enquanto desvia um pouco o olhar — Talvez esteja se agrupando com alguma tropa em meio à floresta.

— Entendo. Deixe que venham. Eu os extirparei um a um. — Nisso, Madara olha para o próprio punho direito, cerrando-o. Um sorriso discreto se desenhou em seu rosto. Um sorriso de vitória.

Um novo momento de silêncio domina o ar entre ambos, que agora apenas ouviam o barulho do bater das asas dos pássaros, a brisa nas plantas e nas folhas das árvores, e o mover de águas no lago causado pelas carpas. Cada som era rapidamente interpretado por suas mentes:

— Apenas Shikamaru poderia matar Neji Hyuuga. Isso significa que ele deve estar vindo para cá — observa Madara buscando construir uma linha de raciocínio. Nesse momento, o Hokage volta a olhar para o próprio punho direito, fechado. —  Pode se retirar, Itachi.

— Sim, senhor.

Itachi dá meia volta e se põe a caminhar em direção ao corredor que levava àquele jardim, deixando Madara sozinho no calmo espaço. Parecia ele prever que algo iria acontecer naquele dia ainda. O Uchiha mais velho estava confiante em seu poder. Talvez, até demais.

 

* * *

 

A passos calmos, Shikamaru e Temari seguiam pela estrada principal. Logo estariam em Konoha. Andavam mais pelo centro da via possível a fim de evitar quaisquer surpresas desagradáveis que se utilizassem de brechas em suas guardas. O espadachim e a guerreira do leque iam um ao lado do outro, sem, até aquele momento, trocarem uma palavra entre si.

Temari caminhava um pouco pensativa. As imagens de Shikamaru em sua luta contra Neji Hyuuga simplesmente não saíam de sua cabeça: sua velocidade, a aura negra ao seu redor, sua postura e seus golpes. Tudo atuava como um turbilhão em sua mente. Realmente, as lendas sobre o extinto clã Nara não passavam longe das habilidades do homem ao seu lado, podendo até ser verdadeiras:

— Shikamaru, posso... perguntar uma coisa? — questionou Temari, voltando seus olhos para ele.

— Sim, à vontade — respondeu o Nara, sem desviar o olhar para a mulher.

— O que você sente... quando mata alguém?

Shikamaru continua caminhando, sem soltar uma palavra. Temari, que aguardava uma reposta do Nara, volta a lhe encarar:

— Eu não sinto — proferiu o espadachim, sem olhar para a loira de olhos ciano-escuros. — Apenas deixo a lâmina seguir seu curso.

— Ah... — nunca que a jovem esperava uma resposta dessa de Shikamaru —... tudo bem...

Pelos momentos seguintes perdurou o silêncio o silêncio entre ambos, prevalecendo o cantar dos pássaros e a suave brisa que soprou por alguns instantes no alto da colina. Era um novo presságio. Temari o percebeu ao olhar para o rosto de Shikamaru naquele momento, que olhava fixo para a copa das árvores, atento a estas e sério:

— Shikamaru... o que significa isso? — perguntou ela, um pouco acuada.

— Significa perigo à frente. Curiosamente, veja. — Ele lhe aponta um espaço entre a Floresta do Fogo, parecido com uma clareira: era Konohagakure.

— Estamos em apuros — afirma Temari. — Shikamaru... o que vai ser de nós? Se pisarmos em Konoha, vamos morrer...!

— Calma, ninguém vai morrer. Pelo menos não a gente — insinua o espadachim.

— Eu confesso que estou com medo.

Naquele momento, Temari encosta sua cabeça o ombro de Shikamaru, que a abraça, pondo uma das mãos na cabeça da jovem. Vários pensamentos passavam por sua cabeça e lhe subiam. Eram realmente tempos difíceis aqueles, ainda mais quando se tinha um prêmio sobre as próprias cabeças. Então, uma brisa quente e abafada soprou, parecendo levar para longe aqueles sentimentos azedos em seus corações guerreiros e inspirando Shikamaru e Temari a arranjarem forças do desconhecido. O fim de Madara traria o fim de todo aquele pesadelo que já perdurava por mais de uma década. Era nisso que acreditavam. Era nisso que precisavam acreditar.

Passos tranquilos, mas carregados de tensão. Assim desciam pela estrada escura, quando já se caía o fim de tarde, o céu quase todo negro, restando somente um pequeno fio azul mais claro a oeste. Ninguém à vista. Não sabiam se era bom ou ruim, nem importava naquela situação: a morte estava à espreita de qualquer jeito.

Os grilos se faziam presentes à medida que se aproximavam da parte plana do trajeto pela estrada até Konohagakure. As sombras se tornavam ainda mais escuras, alguns pássaros retornavam para seus ninhos em bandos pelo céu. Eram pouquíssimos, os “atrasados”, que logo sumiam. E a tensão voltava como um tiro de canhão no peito de Shikamaru e Temari:

— Shikamaru, estou com... — a loira de olhos ciano-escuros é interrompida pelo espadachim quando este coloca seu braço à frente da jovem, sinalizando para que parasse.

— Cuidado. — O Nara, com a ponta de sua katana, tira algumas folhas do chão, revelando uma armadilha pronta para capturar o primeiro desatento que por ali passasse. Bastava pisar no círculo metálico a centro e a coroa de dentes afiados ao redor se ativaria rapidamente para capturar o alvo.

Temari estava espantada: o senso de observação de Shikamaru era realmente impressionante. Quantas vezes o espadachim já não teria se salvado não fosse sua perspicácia?

O espadachim apenas lhe esboçou um sorriso discreto, transmitindo a Temari ainda mais esperança em dias melhores. Ela tinha total confiança em Shikamaru, entregara-se a ele de corpo e alma, e faria de tudo para ao lado dele estar quando o destino lhes esboçasse o mais belo dos sorrisos.

 

* * *

 

As luzes na cidade eram, em sua maioria, lâmpadas a gás nas ruas principais, enquanto o velho fogo dominava sobre tochas nas de menor circulação. Era possível sentir o medo dominante entre a população, que se movia a passos lentos e pesados, cabisbaixa e melancólica. A desolação e o temor se condensavam nos poucos olhares adultos que se levantavam. As crianças que por ali tristonhas corriam tinham ainda um fio de esperança em seus inocentes olhares.

Tudo poderia acabar naquela noite.

Caminhavam tranquilamente e com paciência, como assassinos à espera de uma oportunidade para matar seu alvo. Uma brisa soprava os sinos de vento pendurados no beiral de uma das construções às margens da rua, trazendo uma atmosfera tensa e desoladora. E a noite se anunciava acolhendo Konohagakure.

Os ânimos de Danzou e Sai para matar Madara estavam à flor da pele. Cheirava a sangue o ar por onde passavam, como pelas ruas escuras e tenebrosas através das quais chegariam à Mansão Hokage. Podia-se sentir a morte à espreita diante dos olhares sinistros e frios que lançavam contra os pouquíssimos que os encaravam.

Seguiram pelas ruas “mortas”, pelas quais raramente se via alguém transitando. Era necessário apenas atravessar o rio por uma das duas pontes que não fossem a principal para que pudessem chegar à Mansão Hokage, fortemente protegida por guardas de elite.

Não precisavam trocar uma palavra sequer: o brilho mortal em seus olhares já indicava o que devia ser feito.

 

* * *

 

A cada passo para dentro de Konohagakure, Shikamaru segurava com mais força a bainha na qual repousava sua katana. Alguns ousavam encará-lo e logo se arrependiam, tanto os que viam sua face bem como os que reconheciam o brasão do clã Nara em suas costas. Surpresos ficavam ao ver Temari, que se mantinha séria e atenta a qualquer movimentação estranha:

— Para onde estamos indo, Shikamaru? — perguntou a loira, ao notar que o espadachim não seguia o caminho até a Mansão Hokage.

— Se vamos até Madara, precisaremos de cobertura. Ele não vai nos receber com chá e bolinhos — respondeu o Nara, voltando rapidamente sua atenção para frente.

Caminharam por mais alguns instantes, até que param diante daquelas dez armaduras pesadas diante de si bloqueando todas as saídas. Uma emboscada? Talvez:

— Shikamaru Nara, Temari Sabaku, entreguem-se! — gritou o de máscara vermelha, aparentemente o líder do esquadrão.

Todos os samurais utilizavam máscaras simples ornadas de acordo com lendas locais. Isso impedia que Shikamaru os intimidasse apenas com o olhar repleto de intenção assassina que adotava naquele momento, mas sua katana falaria por si:

— Saiam do meu caminho. Querem que eu os mande para onde estão seus amigos? — falou friamente o Nara intimidando alguns dos samurais inimigos, que deram um passo para trás.

— Ainda zomba de nós gabando-se de ter destruído metade da Unidade Madara? — replicou o líder dos guardas, que sacou sua katana e a apontou para Shikamaru. — Você está morto, moleque!

Os dez inimigos começaram a fechar o cerco do Nara e da Sabaku. Temari já se preparava para lutar, quando Shikamaru a alerta de sentir algo estranho sobre aqueles soldados, como uma presença desagradável os vigiando. Como uma sombra indesejada. Talvez a Sombra do Fogo. Podia-se ver, também, uma espécie de aura negra ao redor dos samurais. Porém, era uma diferente da natural de Shikamaru: a de seus inimigos parecia ser pura maldade:

— Matem eles! — gritou o líder deles de máscara vermelha.

Dois soldados atacaram Temari que, apoiando-se em seu leque, desviou de ambos os golpes das espadas. Rapidamente pegou ela sua gigante arma e o girou, acertando seu inimigo com uma poderosa estocada. Sem perder o embalo, a jovem avançou dois passos para frente, esquivando-se do segundo ataque inimigo, e golpeou o samurai no queixo, fazendo sua mascara quebrar e seu elmo amaçar. O impacto do golpe de Temari o deixou desnorteado, quase inconsciente após cair atordoado no chão frio de pedra daquela rua.

Três outros soldados avançaram sobre a loira, que deu um salto. No ar, puxou várias agulhas da pequena bolsa bege que trazia presa à perna esquerda. Instantaneamente, abriu o leque e o abanou uma única vez, produzindo uma intensa rajada de vento que levou as agulhas diretamente aos inimigos a uma altíssima velocidade. Algumas chegavam a atravessar as armaduras de ferro dos guardas e atingiam partes do corpo destes, fato evidenciado pelos jatos de sangue e pelos gritos e gemidos de forte dor. Via-os caindo e agonizando até a morte. Temari mostrava suas habilidades ofuscadas pelos ferimentos de dias passados, revelando que sabia ser cruel e sanguinária quando necessário:

— Saiam do nosso caminho, idiotas — Temari os ameaça com um olhar sério e determinado, de semblante mais agressivo que o de Shikamaru.

Alguns soldados que os atacariam se seguraram em suas posições: atacá-los era suicídio. Exceto o líder, deram meio passo para trás, ainda que estivessem com suas katanas em mãos. Restaram apenas cinco dos soldados:

— Estão com medo, covardes? Acabem com eles! Agora! — ordenou o líder.

Todos os cinco remanescentes avançaram ao mesmo tempo contra Shikamaru e Temari, que se encontravam parados apenas analisando a situação. Os inimigos se aproximavam rapidamente, urravam de raiva contra a dupla. O cheiro de sangue e de morte pairava no ar das lâminas.

Shikamaru apenas esboçou um discreto sorriso.

De repente, todos os soldados pararam. As espadas estavam a centímetros do Nara e da Sabaku, que estranhava o ocorrido. O líder do grupo sob ordens de Madara se perguntava o que havia acontecido.

Sentindo algo subir pelas pernas, os soldados olham para baixo: do frio e escuro chão subiam vários caules entrelaçados às vestes destes. Eram fortes a ponto de impedi-los de executar qualquer movimento. Em sua extremidade que passava, por entre algumas outras partes, ao redor do pescoço dos soldados, floresciam rosas vermelhas. Os militares mal sabiam o que esperar daquilo:

— As rosas têm sentimentos, sabe? — uma doce voz soava da dona dos longos cabelos loiros platinados que atraiam a atenção dos militares — Sempre se utilizam de sua beleza estonteante de suas pétalas. Porém, quando se sentem ameaçadas... — a mulher levantou a mão aberta —... elas utilizam seus espinhos.

No mesmo instante em que a loira fechou as mãos, os espinhos nos caules cresceram quase vinte centímetros, muitos deles perfurando os soldados e os fazendo sangrar, condenando-os à agonia até a morte. Inúmeros jatos de sague espirraram por debaixo das armaduras, alguns pelos buracos dos olhos ou do pescoço dos elmos dos soldados. Alguns nem tempo de gritar tinham.

Um mar de sangue se formou ao redor de Shikamaru e Temari, além de cadáveres que, naquele momento, caíram duros no chão frio tomado pelo líquido vermelho escuro. Os caules se desmanchavam aos poucos enquanto a jovem que os evocara à realidade falava aos pés do ouvido do líder dos inimigos, vestindo um quimono azul turquesa simplório. Sua bele branca quase era um reflexo do luar. Não era, porém, de se negar que a loira platinada tinha belos olhos turquesa profundos e que combinavam com seu traje. Era dona, também, de um encantador sorriso. A aparência dócil e delicada escondia na meiguice da mesma uma assassina cruel e sanguinária que não conhecia o termo “hesitar”:

— M... MAS COMO!? — berrou o líder, vendo-se incapaz de reagir com a mulher que lhe falava pelas costas.

— Espero que seja resistente essa tua armadura. — Ino toca de leve no elmo do líder do agora extinto esquadrão.

Ino dá dois passos para trás. O líder finalmente se vira ao ver quem lhe ameaçava. Não deu tempo a ele de perceber os detalhes do rosto da linda jovem: um forte impacto na altura das costelas fez o soldado voar e atingir a parede a alta velocidade. Uma cratera na parede se formou quando suas costas atingiram a alvenaria. Sua armadura se partiu em vários pedaços:

— Eu vou quebrar a sua cara! — gritou o dono da mão que matou o soldado com apenas um soco.

O homem de longos cabelos castanhos, até as costas, e trajado com uma armadura por cima de um sobretudo vermelho, olhava firme para o único guarda restante. Parecia consciente, ainda dava sinais de estar vivo:

— Então essa é a força do pessoal de Konoha... — levantou-se. O espaço de seus olhos emitia uma luz púrpura brilhante, como se recebesse um grande poder. Voltou-se vagarosamente para o grupo que o enfrentava. —... Quem dera se em Sunagakure tivéssemos alguma coisa desse nível.

— O quê? Você é de Sunagakure!? — gritou Temari — Isso é impossível! Traidor!

— Ora, senhora Temari — o ato de pronunciar o nome da filha do ex-kazekage fez a mesma se espantar ainda mais — Não sou eu quem está andando com o homem que matou o seu pai!

Nesse momento, o samurai retira sua máscara vermelha, já parcialmente quebrada. Temari demorou alguns instantes para reconhecê-lo, mas assim que viu aquela feição facial, quase surtou:

— G... general Baki!? — exclamou incrédula a loira de olhos ciano-escuros. — M... mas por quê!?

— O senhor Madara me deu aquilo que eu mais queria: poder! E quando eu derrotá-los, serei o representante do senhor Madara em Sunagakure como Kazekage! — afirmou exaltado Baki. — Era isso o que esse Nara infeliz deveria ter feito: matado o Kazekage e facilitar nosso plano! Mas não, esse idiota não teve competência. Fui eu quem teve que dar um fim naquele miserável do Rasa Sabaku!

— Seu desgraçado! — berrou Temari, já bastante transtornada. Eram muitos sentimentos de tristeza misturados à fúria sentida por ela — Fez tudo aquilo... apenas para se tornar Kazekage... — Temari cerrou os punhos — Eu não vou... TE PERDOAR!

Temari se posiciona para o combate com o auxílio de seu poderoso leque. Shikamaru e os outros dois se afastaram, dando espaço para Temari, que prometia pôr tudo abaixo. Uma forte aura amarelada, quase num tom caramelo, enquanto seus olhos apresentavam aspectos vermelho e verdes, ainda que em menor quantidade, dividindo espaço com o original ciano-escuro. Era mais uma evidência de que a loira detinha naquele momento um poder absurdo, um chakra totalmente diferente do normal.

Tinha ela agora um semblante sério e furioso voltado para Baki, que apenas sorria, apesar da cara ensanguentada. Parecia que o impacto do soco do amigo do Nara não lhe causara danos que o impossibilitassem de lutar, embora a intenção fosse essa. Será que Madara havia mudado seus poderes?

— Você não pode contra mim, Temari. Nenhum de vocês pode! — proferiu Baki, cujo era envolto, agora de uma aura parecida com a que emanava de seus olhos.

— Ah é? Isso vamos ver!

Temari parte para cima de Baki. O primeiro golpe da loira foi segurado com dificuldade pelo antigo general de Sunagakure. O impacto do bloqueio resultou num pequeno tremor, suficiente para derrubar alguns objetos sobre caixas velhas de madeira do outro lado da rua:

— Quer saber como aconteceu... aquela noite...? — perguntou Baki, de forma a provocar Temari, que tinha sua total ira contra ele.

— CALADO! — ela tenta forçar seu ataque sobre Baki.

— Quando Madara mandou a comitiva de Suna de volta, ele me segurou e me ofereceu mais poder. Foi aí que contei a ele que quem matara o Kazekage estava ali bem diante dele. Então, selamos uma parceria para destruir Sunagakure e garantir o nosso poder por todo o mundo! — explicou Baki, com um sorriso psicótico estampado em seu rosto apesar dos fios de sangue escorrendo da testa e da boca.

— Você... é... um fracassado! — brada Temari em repúdio à voz de Baki.

De repente, os dois se repelem: a guarda de ambos estava exposta. Temari gira o próprio corpo mais rápido que Baki e o acerta com o grande leque fechado no rosto. O golpe atordoa Baki, que logo se recupera e desfere um poderoso soco no estômago de Temari. Ele já ria da dor da loira, e riria mais, não fosse por um único detalhe: Temari nem ao menos sentira o golpe:

— M... mas o quê...!? — brada ele, surpreso.

Temari nada disse: apenas estendeu a mão sobre Baki, pegando-o pelo pescoço e o levantando do chão. O poder que o general de Sunagakure utilizava parecia lhe desgastar fisicamente, não permitindo que ele tivesse forças para se libertar da loira. Instantes depois, esta o arremessa para o alto e abre seu leque. Movimenta-se vagarosamente, num movimento de girá-lo em uma volta completa.

Quando Baki, sem força alguma, caiu em direção ao chão, ainda no ar, Temari lhe desferiu um ataque cortante com o abano do leque de baixo para cima. Foi um golpe vertical, causando um enorme e profundo ferimento em Baki, que viu a loira rasgar desde a caixa torácica até um pouco abaixo da barriga. A intensa dor se resumiu num único grito antes da insípida agonia de se sentir afogado pelo próprio sangue. Não havia armadura que parasse um ataque como aquele.

Naquele instante, um muro de sangue se levantou por alguns segundos, sujando toda a rua instantes depois. Gotas deste respingaram do leque de Temari, que agora o punha de lado e fechado. Aos poucos, aquela aura de cor caramelo ao redor da loira se desfazia. Seus olhos voltavam ficar sob o absoluto domínio do ciano-escuro. Mostrava-se ali a verdadeira força de uma guerreira enganada por tanto tempo. Quando a verdade explodiu, Temari a acompanhou. Agora entendia tudo. Os últimos anos de sua vida foram pura enganação, manipulação, e tudo o mais a que aquela estúpida guerra levava. Não queria mais aquilo.

Lágrimas desciam dos olhos da loira. Poria um fim naquilo tudo, nem que fosse necessário entregar a própria vida ao enfrentar Madara. O dia seguinte, jurava ela, seria o início de uma nova era, uma era de paz, uma paz perdida há tanto tempo.
 



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