História E agora? - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Palavras 3.504
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi gente, tudo bom? Já faz alguns meses que comecei a escrever esse conto, vamos dizer assim, que seria apenas um ONE-SHOT, não muito longo. Porém, meu poder de síntese é terrível e ficou maior do que eu esperava kkk daí resolvi dividir esse capítulo em duas partes.

No que consiste, uma pequena passagem RUGGAROL (aviso desde já que qualquer semelhança com o mundo real é MERA COINCIDÊNCIA e não, eu não tenho NADA contra a Candelária, que fique bem claro e o que consta aqui é fruto de minha imaginação), tendo como base a história do Unfollow da Karol no Ruggero, portanto a história partirá desse ponto, basicamente.
Aviso também, que não terá um final determinado e nem uma continuação (pelo menos, não a princípio), por isso vai terminar sem final sim haha.
O "conto" será narrado pela Karol e pelo Ruggero, espero que não fique uma leitura confusa, de verdade, tentei ao máximo que o efeito não fosse esse kkk
No mais, é ler para ver.

Ah! Como está na classificação, +18, tem umas ceninhas mais ousadas, mas eu tentei não ser muita explícita, porque sei que ninguém respeita essa coisa da idade. Porém, ainda assim, se você estiver lendo, é por sua conta ok? Os avisos estão aí!

É isso, espero que gostem e amanhã eu volto para postar a continuação *-*

Capítulo 1 - Capítulo Único - PARTE I


KAROL 

Fui pega de surpresa quando vi a repercussão do fato de eu ter deixado de seguir alguns dos poucos integrantes do elenco que eu ainda fazia questão de acompanhar, principalmente em relação ao Ruggero. Li de tudo: curiosidade em saber o porquê, apoio, críticas me dizendo que eu me afastava de todos e estava querendo me fazer de vítima; até minha mãe chegar ao meu lado e tirar o celular da minha mão. 

Quando aceitei o desafio de sair do meu país, abdicar de toda minha rotina, meus amigos, da minha família, minha vida, não achei que seria tão difícil. Achei no mínimo que aqui encontraria outros amigos, outra vida. De fato, alguma coisa ficou, alguma coisa eu conquistei, no entanto, não da forma que me fizesse sentir em casa. 

Argentina é um bom país para se viver, mas as pessoas com as quais venho convivendo deixam muito a desejar.  

Não deixei de seguir a quase todos porque queria me isolar, deixei de seguir porque estava cansada. Cansada de nunca ser levada em conta, cansada de nunca ser lembrada ou qualquer coisa desse tipo. A turnê foi a gota d'água. Ver todas aquelas fotos, os passeios, as noites do pijama, as comemorações... todos juntos, mas onde estava a Karol? Era o que todo mundo vinha me perguntando e era o que eu mesma vinha me perguntando. Onde eu estava no meio disso tudo? 

Portanto, se já não me querem por perto, não serei eu a impor minha presença. 

O Ruggero, foi um dos poucos a ficar de fato do meu lado. E ele é um cara que realmente considero e talvez esse seja o grande problema. Mas não somos só eu e ele, há outras pessoas, principalmente sua namorada. As vezes vejo que ele se esforça demais para ser diferente do que ele realmente é por ela, até dizer que me beijar havia sido um "asco". Sim, eu entendi o contexto, mas a escolha de palavras foi horrível e para mim... saiu como um tapa na cara. Ainda mais por ter visto, de novo, muita gente comentar sobre o assunto e dar vários tipos de opiniões imagináveis. Decidi então me afastar. Não havia porque eu tumultuar ainda mais o namoro dele e fazê-lo meter os pés pelas mãos, mais uma vez. 

As várias mensagens que me mandou depois do fatídico programa e de tudo que aconteceu, me limitei em responder com um OK e vida que segue. 

O projeto Sou Luna era para me deixar feliz, certo? Pelos fãs e por tudo o que a gente vem conquistando, até que me deixou realmente feliz. 

 Porém, também me fez deixar de acreditar um pouco nas pessoas. 

 

RUGGERO 

Cande estava deitada com a cabeça em meu peito, estávamos amontoados no sofá da sala, assistindo a um filme qualquer que como sempre ela escolhera. Cobertores nos protegiam do frio tenebroso que fazia em Buenos Aires e que o aquecedor definitivamente não estava dando conta sozinho. 

Já fazia alguns minutos que Candelária estava dormindo, respirando lentamente como quem está em um sono profundo. Sempre acontecia no fim das contas, então eu estava para lá de acostumado. O problema era que agora eu realmente precisava dela acordada e todo o falatório que sempre fazia quando estamos juntos, contando todas as novidades, falando sobre nós, a casa, nunca faltava assunto. No silêncio era impossível meu pensamento não chegar onde eu menos queria, Karol. 

Estava difícil de entender porque de uma hora para outra ela resolveu se afastar. Se era pelo lance da entrevista eu já havia explicado o que acontecera. De todo mundo naquele elenco, eu era o que estava com ela, mesmo quando ninguém nem queria chegar perto, então merecia no mínimo um pouco de consideração com meu erro. Que nem tinha sido um erro, eu só... estava contando o que acontecera, o calor e toda aquela droga. Maldita hora que fui abrir a infeliz boca para falar aquilo.  

Mas se havia alguém que tinha ficado com uma pontinha de felicidade era a Cande. 

Fitei seu rosto tranquilo, adormecido sobre mim, o cabelo caindo, escondendo-o. Delicadamente, coloquei a mexa atrás de sua orelha. 

As crises de ciúmes pela minha amizade com a Karol e a intensidade dos fã-clubes em insistir que somos um casal, ocasionando em xingamento à Candelária, resultavam em extensas brigas entre nós dois sobre o que eu sentia ou deixava de sentir por minha colega de trabalho. A princípio, sempre disse com convicção que não havia nada além amizade, mas com o passar do tempo ficou realmente difícil para que eu mesmo acreditasse nisso. 

E na turnê que fizemos a coisa ficou ainda mais intensa. Karol e eu ficamos ainda mais próximos e possivelmente tenhamos ultrapassado uma linha tênue que existe entre a ficção e a realidade.  

Eu deveria estar feliz por ela estar me evitando, deveria parar de pensar em toda essa merda e me concentrar na mulher que estava nos meus braços, que me amava e que eu também amava, apesar de tudo. Não queria de forma alguma magoá-la. Só que o efeito foi contrário, eu estava como um fodido obcecado por esse assunto, pensando 24 horas por dia em como consertar tudo isso e fazer voltar como era antes. 

Sinto falta da Karol? 

 

KAROL 

Havia uns dias que estávamos em Cancún para gravarmos as cenas finais da segunda temporada de Sou Luna. Depois de tudo o que tinha acontecido era realmente estranho estar cara a cara com Michael,  Ruggero e  Valentina. Mas se tem uma coisa que aprendi, convivendo desde que me entendo por gente no meio artístico, é que a gente tinha de ser profissional, então vesti minha cara de "está tudo bem" e segui em frente. Por algumas horas, tudo parecia ser como no princípio, lá no comecinho da série. Até cada um ir para o seu lado e nós não estarmos mais diante dos fãs que estavam ali para nos ver, aí tudo voltava ao normal. 

— Vamos, filha? — Minha mãe entrou no camarim, onde eu estava desmontando todo o look da Luna e ficou em pé, me olhando, esperando a resposta. 

—  Sim, deixa só eu terminar. —  Falei enquanto passava o demaquilante sobre os olhos. 

— Tá tudo bem, Karol? — O tom de preocupação em sua voz estava se tornando corriqueiro e eu não gostava de ver minha mãe assim. 

—  Está sim, mãe. Não se preocupa. — Abri meu melhor sorriso, deixei o pedacinho de algodão em cima da penteadeira e fui até ela para lhe dar um abraço. — Fique tranquila. Eu tô ótima. — Beijei sua bochecha e pela primeira vez sorri com sinceridade aquele dia. 

— Gosto de te ver sorrindo, ouviu? —  Ela me apertou e depois soltou. —  Vou ali fora rapidinho enquanto você se desarruma, se arruma não sei... — Minha mãe sorriu. — ... daqui a pouco eu volto. 

— Sim, senhora! — Bati continência, em tom de brincadeira e minha mãe se foi, fechando a porta atrás de si. 

Sentei em frente ao espelho novamente e dei seguimento ao que estava fazendo. Vendo meu reflexo no espelho me fez perceber que eu estava como um panda, a maquiagem escorrida embaixo dos olhos, fazendo tudo ficar mais preto do que deveria. Me apressei em limpar, porque estava realmente terrível. 

Ouvi quando a porta voltou a se abrir, minutos depois, e fiquei pensando como minha mãe era apressada. Não estava vendo que eu não tinha acabado? 

— Ainda não acabei, mãe! — Resmunguei, mas ela não disse nada, o que realmente era um grande milagre, porque minha nunca não dizia nada. Antes que eu pudesse me virar para ver do que se tratava a resposta veio de encontro a mim. 

— Não é a sua mãe. — Senti minha espinha gelar.  

Rapidamente, sem perceber, minhas costas ficaram eretas e rígidas. Ruggero estava ali. Ainda não tínhamos conversando sem ser de Matteo e Luna ou por umas mensagens pobres pelo telefone. Me virei devagar para vê-lo de pé, com uma mão no bolso e a outra na nuca, me encarando com o olhar baixo, como se estivesse esperando que eu o expulsasse dali. E de fato era isso que deveria fazer, para evitar mais problemas, mas não queria... não queria tê-lo longe de mim. 

—  O-o que quer? — Pigarreei diante minha momentânea gagueira. 

— Nada, só... só queria saber se estava tudo bem entre a gente. — A mão da nuca agora deslizava pelo jeans da calça, para dentro do bolso. 

— Sim, tá tudo bem. — Dei de ombros e me esforcei muito para não começar a chorar ali mesmo.  

Não, não estava nada bem. Era a vontade que eu tinha de gritar. 

—  Não Karol! Não está bem. —  Ele então fez por mim. — Caramba, olha como estamos. Nem nos falamos a não ser para fazer as cenas, não éramos assim. 

—  Não tem como ser como a gente era, Ruggero. — Me levantei me pondo de frente para ele, vi seus olhos me acompanharem. 

— Por que? 

— Por tudo. Por sua namorada, pelas coisas que vêm acontecendo. Eu já entendi meu lugar nessa equipe, já entendi que são todos colegas de trabalho, apenas... e é assim que passarei a me portar. 

— Sabe que comigo nunca foi assim. — E como que em um impulso Ruggero se aproximou de mim. Seu braço segurava os meus, que mantive cruzados, para delimitar a distância que era necessária. —  A gente se dá bem, a Cande não tem nada a ver com isso. Ela não manda nas minhas amizades. 

E aí ele tocou em um ponto crucial. Amizade. Era só isso que eu esperava dele? 

 

 RUGGERO 

Quando disse amizade, senti minha garganta arranhar. Para quem eu estava mentindo afinal? E eu poderia estar errado, mas olhando a expressão da Karol, ela pensava o mesmo que eu. 

— Tá dificultando as cosias. — Sua voz tremida fez com que eu me afastasse. Não seria eu o babaca a fazê-la chorar bem ali. 

— Karol, tá pronta? — A senhora Caro rompeu dentro do camarim e eu me afastei ainda mais. — Desculpa meninos, não sabia que estava aqui Rugge. 

— Tudo bem, senhora. Já tínhamos acabado. 

— É, mãe. Não atrapalhou nada. — Karol me lançou um olhar como se tivesse esperado que eu dissesse outra coisa e eu fiquei confuso. Ela me afasta, mas espera atitudes minhas? 

—  Bom, tô indo. Até amanhã. —  Dei dois beijos na Caro e saí. 

Respirava fundo ao caminhar até o ponto de táxi mais próximo, visto que Mike já tinha ido embora. Meu coração estava acelerado e eu sentia um calor anormal correr pelo meu corpo. Ainda que Cancún fosse quente, não justificava aquela queimação toda. 

Mas que diabos. Onde eu estava com a porra da cabeça quando entrei naquele camarim? O que eu esperava fazer? Karol tinha razão, eu estava dificultando as coisas. Era muito mais fácil que nos tratássemos como meros colegas de trabalho. Mais que isso e não poderia controlar o que está preso dentro de mim. 

(...) 

— E aí, casal! — Sentei ao lado de Mike e Valu, no restaurante do hotel e vi Valentina me fuzilar com os olhos. O que me fez rir. 

— Já conversamos sobre essas brincadeiras. — A voz mau humorada tão familiar me fez rir ainda mais. 

— Relaxa Valentina, um sorriso lindo nessa rosto, por favor. — Ela deu de ombros e Mike uma risada. 

— Fale aí, vai comer o quê? — Mike mudou de assunto. 

— Não sei, estava pensando em sair por aí, para dar um rolezinho em Cancún. Teremos guia turístico? — Direcionei meus olhos ao Mike. —  A noite aqui é badalada? Tem aquela boate super exótica, como é mesmo o nome? 

—  Mandala. — Mike riu. —  Nós dentro da Mandala hoje para recebermos uma cartinha de demissão amanhã. 

—  Rugge e suas ideias maravilhosas. —  Valentina rira pela primeira vez. 

—  Sempre tenho! Obrigado. 

— A gente podia ir a um restaurante fora do hotel, perto da praia. Mais discreto e que condiz com as leis da maculada Disney. —  Essa última parte o Mike cochichou. 

— Se não podemos pirar na Mandala, que seja um restaurante sem graça! 

—  Por mim tudo bem, ainda não pedi nada. — Valentina se manifestou. 

—  Poderíamos chamar a Karol. — Sugeri. Mas não porque eu tivesse programado sugerir aquilo, apenas saiu. 

— Para quê? Ela nunca vai em nada. — Valu deu de ombros. 

— A gente podia tentar. 

— Vai sonhando, Ruggero. —  Valentina se levantou. — Vou lá em cima calçar um tênis e já volto. 

E inexplicavelmente – ou talvez nem tão inexplicável assim – eu perdi completamente a vontade de ir a qualquer lugar que fosse. 

 

KAROL 

Valentina e Michael já tinham voltado para a Argentina, no entanto, Ruggero e eu tivemos de voar mais uma vez, agora à Europa, visto que a agenda de show saíra. 

Essa com certeza era a parte mais difícil, onde tínhamos de estar o tempo todo juntos e pior... sorrindo como se tudo estivesse as mil maravilhas. Sempre deu muito certo, só que agora as coisas simplesmente não estavam as mil maravilhas. 

Vi quando minha mãe estacionou no novo hotel que nos hospedaríamos. Saí do carro quando ela fez o mesmo e entregou as chaves ao manobrista.  

Como sempre era um hotel pomposo. Não podemos reclamar, a Disney nos proporcionava o que havia de melhor. De fato o meu sonho estava se realizando com maestria, eu não poderia pedir mais. Estava trabalhando no que gostava, recebendo reconhecimento e amadurecendo profissionalmente e pessoalmente de modo que nunca pensei que poderia acontecer.  

— Vai entrando enquanto junto nossas malas. O quarto é o 503, toma. — Minha mãe me deu o cartão que deveria ser apresentado na recepção para que pudéssemos pegar as chaves do quarto e eu entrei.  

Milagrosamente não havia nenhuma fã esperando na porta do hotel e eu fiquei agradecida, porque realmente não estava no clima. 

— Oi, bom dia! —  Uma moça com cabelos ruivos me olhou com um sorriso simpático no rosto. 

— Bom dia, senhorita Sevilla. — Na verdade, as vezes era um pouco estranho ser simplesmente reconhecida, sem precisar se apresentar. Todos sabiam quem eu era, mas eu não conhecia ninguém. 

—  Quarto 503. — Falei e mostrei o cartãozinho. — Por favor. 

—  Tudo bem, só um instante. — A menina, que vi no crachá se chamar Guadalupe, sumiu por uma portinha, e eu me mantive esperando. 

—  Senhor Pasquarelli. Bom dia! —  O rapaz ao lado entoou solícito e eu fiquei pensando se os deuses estavam fazendo algum tipo de piada comigo. 

— Bom dia. —  Ruggero cumprimentou com seu sorriso característico. — Quarto 601, por favor. 

Quase respirei aliviada em saber que havia um andar que nos separava. Nos comprimentamos rapidamente, mas antes que qualquer assunto pudesse começar, a ruiva voltou com o cartão magnético que abria a porta. Peguei e me retirando, dando um tchau a todos, como a menina educada que sou. 

 

RUGGERO 

— A gente não pode ficar assim. — Envolvi minha mão na cintura fina da Karol, trazendo-a para perto de mim e gostei demais ter seu corpo tão próximo. Estranhamente senti falta daquele toque, sem ser encenado. 

—  Não estamos de jeito nenhum. —  Ela falou sorrindo entre os dentes, posando para mais um turbilhão de flashes que vinham em nossa direção. 

—  Justamente esse é o problema. — Olhei no rosto da Karol e a tive concentrada em mim por alguns segundos. 

Sem tirarmos o sorriso do rosto, continuamos cochichando sobre nossa relação atual que estava definitivamente patética. 

— O que você quer? — Seu sorriso sumiu em um lampejo, mas logo em seguida voltou a brotar em seus lábios. Ela tinha um lindo sorriso, mesmo quando forçado. 

— Você! — A resposta saiu sem pensar. Não era exatamente "você" que eu queria ter dito, não de modo tão direto. No entanto, não consegui consertar a merda que tinha feito.  

O fotógrafo chegou até onde estávamos e nos separou, dizendo que agora seriam as fotos individuais. Vi os olhos verdes da Karol pregados sobre mim, discretamente arregalados, os lábios levemente abertos. Qualquer um que visse não teria se dado conta que ela estava absorta na porcaria que eu acabara de dizer, mas a conhecia muito bem... foram dois anos convivendo intensamente com aquela mulher, para conhecer cada um de seus trejeitos. 

Se ainda não estava tudo estragado, eu acabara de fazer isso. 

Droga! 

 

KAROL 

Tive de me esforçar muito durante o dia para não pensar no que o Ruggero tinha dito. Como assim queria a mim? Não tivemos oportunidade de conversar novamente sobre aquilo, estávamos sempre sob holofotes, flash das câmeras, diante de repórteres, era impossível manter uma conversa decente. E depois, bom... depois eu estava na fortaleza das paredes do quarto de hotel, com minha mãe, como sempre. 

A cabeça dando mil voltas, desejando que ele não tivesse dito nada daquilo. Desejando que a turnê não tivesse acontecido, mesmo que tenha sido uma das melhores coisas da minha vida. Mas foi nela que o pouco que eu podia me agarrar quanto ao Ruggero se desfez.  

Os olhares de desprezo de Candelaria - quando nos visitou -, as saídas do grupo que nunca me incluíam, a entrevista sobre o beijo... tudo isso culminou no ponto em que estamos agora. No meu caso, perdida em lugar nenhum. 

Enquanto postava uma foto no Instagram, que havia tirado pelas ruas da Itália, a notificação de uma mensagem do Ruggero apareceu na tela. Fiquei encarando seu nome ali por um tempo, até tomar coragem para apertar sobre a barrinha que provavelmente não me traria boas novas. Na verdade eu estava com medo de que ele dissesse: Esqueça tudo o que eu disse. Eu sei que estou soando um pouco confusa, mas era realmente uma situação confusa. Eu queria que ele me quisesse... que nós nos quiséssemos. Mas simplesmente não podíamos. 

Sem pensar muito mais, apertei em seu  nome e a mensagem se abriu. 

Ruggero: Tem como você subir aqui no quarto? 

Como assim? Para que eu teria de ir ao quarto dele? 

Eu: Para quê? 

Ruggero: Acho que ainda não conversamos. 

Eu: Mas sempre que tentamos não sai conversa nenhuma, Ruggero. Para que insistir? 

Ruggero: Por favor, Karol. 

Parei e encarei a última mensagem por alguns segundos. Ir ao quarto dele seria um grande erro. 

Eu: Vou avisar minha mãe e já subo. 

 

 RUGGERO 

Porra! Ela estava vindo. Eu pensei que ela fosse dizer que não, que Karol seria a mente ajuizada naquele furacão, mas não... ela tinha dito que subiria. O que eu iria fazer? Que ideia imbecil foi essa?  

Já sei, quando ela aparecesse na porta eu diria que foi um engano e não deixaria que passasse do corredor. 

E estava convicto nessa ideia, porém quando ouvi as batidas na porta e fui checar pelo olho mágico, para ter certeza de que era ela, me deparei com a Karol espremendo as mãos, ameaçando vez em quando a bater novamente, simplesmente não consegui deixá-la ali.  

— Oi. —  Ela falou sem graça, assim que abri a porta. 

—  Oi, entra. — Saí da frente e deixei que ela adentrasse no quarto. 

Não pude deixar de notar o short jeans que deixava exposto suas pernas branquinhas que com o passar do tempo tinham ganhado formas bem interessantes, diga-se de passagem. Karol evidentemente havia crescido nesses dois anos e de modo a deixar qualquer um que conviva com ela quase que a maior parte do dia, no mínimo, com uma vontade a mais. 

E talvez eu estivesse sendo um cretino ao admitir isso... mas não havia mais o que dizer a não ser que ela me atraía como o inferno. 

— E então, o que queria dizer? — Karol se virou para mim, enquanto eu fechava a porta, e fiquei encarando-a por alguns segundos. 

Eu não sabia o que dizer. 

—  Só acho que a gente não tem condição de continuar assim. 

—   Ah! Que droga, Ruggero. Toda vez que você diz que quer conversar comigo vem com esse mesmo papo. Foram inúmeras mensagens com essa mesma frase e caramba, você acha que isso está realmente resolvendo alguma coisa? Nãot em lugar para sermos amigos na sua vida, Ruggero, essa é a realidade. O que temos que ser é profissionais o bastante para cumprir nosso compromisso com a Disney e nada mais. Assim todo mundo fica feliz, certo? 

Eu esperei que ela falasse, sua voz estava nitidamente alterada e eu a compreendia. Se pudesse também sairia gritando por aí que não aguento mais me manter na situação que estou. Que não aguento mais vê-la todos os dias sem poder tocar um pedacinho que seja se não em função do Matteo. Eu não sou o Matteo. Eu quero ser o Ruggero e poder tê-la enquanto Karol. 

Mas havia a Candelaria nessa história toda. 

—   Está falando isso pela Cande? 

—  O que você acha? A menina me odeia. Na turnê deixou isso bem claro. Você se esforça ao máximo para se pôr distante de mim quando ela tá perto, até chegar ao ponto de dizer que nosso beijo foi um "asco". 

—  Ai, não. Essa porra de novo não. Já falamos sobre isso. —  Eu já estava cansado dessa história. 

— Que seja! A escolha ruim de palavras é porque você não consegue tratar nós dois de maneira normal perto da sua namorada. Quando na verdade nem tem essa coisa do nós Ruggero. — Vi seus olhos encherem d'água. 

Não gostei de saber que não existia um nós. Ainda que isso fosse tão óbvio, quando dito em voz alta fez parecer real demais. 


Notas Finais


Deixem nos comentários suas impressões, será muito importante para mim *-*


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