História E-Book - Capítulo 16


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lu Han, Sehun
Tags Baekyeol, Dika, Hunhan, Jongin, Kadi, Kaido, Kaisoo, Kyungsoo, Lemon, Sookai
Exibições 508
Palavras 4.249
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Dessa vez eu não demorei tanto, rs
Apesar de acreditar que esse é um dos menores capítulos de E-book.... mas é um capitulo de transição e já estava planejado desde o começo kajhsauhs estou desacostumada a fazer capitulos pequenos D;
O nome pode parecer algo pervertido, mas não é viu? kajshaujhsiaushas
Espero não demorar tanto, mas como diz o ditado né......
Enfim, eu tinha mais coisas pra falar, mas eu esqueci D:
Agradeço a todos que ainda estão acompanhando E-book de alguma forma e aos que começaram a seguir agora, muito obrigada pelo apoio. Espero poder compensar com bons capítulos 💖
Perdoem os erros e boa leitura 💖

Capítulo 16 - Sentimentos ocultos sob montanhas de lenços usados


 

 

Em qualquer lugar da cidade, naquele horário, o ambiente seria preenchido por automóveis barulhentos e burburinhos de pessoas perambulando de lá para cá. Edifícios suntuosos até onde a vista pudesse enxergar, atrapalhariam a visão do céu, servindo de distração mesmo quando o sol não estivesse alto, brilhando para expectadores entretidos com seus aparelhos celulares e suas reuniões urgentes.

 

Mas não ali.

 

Jongin precisava se atentar ao caminho, porém sempre se distraia. Segurava o volante com displicência, observando os raios solares vencedores da batalha contra as grossas nuvens, que apareciam para se despedir de mais um dia. O cenário parecia irreal quando apenas o cantarolar de Kyungsoo e o farfalhar suave dos pneus sobre o asfalto eram ouvidos, somados aos pingentes de gelo que brilhavam intensamente, hipnotizante.

 

O chocolateiro queria viver para sempre daquela maneira.

 

Depois de algumas palavras – súplicas do mais novo – conseguiu convencer Kyungsoo a ficarem mais alguns dias na casa de campo. O lugar era bem mais perto de sua fábrica e era como se fosse um mundo apenas seu e do escritor. Mesmo que Ken aparecesse ocasionalmente para fazer alguma piadinha suja ou passar informações de Celeste e Seulgi. Queria sentir um pouco mais do que era viver com Kyungsoo.

 

E por esta razão, estavam a caminho do supermercado mais próximo, pois o estoque improvisado de mantimentos havia acabado naquela manhã. Foi este o único motivo que conseguiu arrancar Jongin do calor dos braços de Kyungsoo e enfrentar o inverno congelante que se apresentava a frente. No entanto, ao menos poderia reclamar, o lugar era bonito o bastante e ter o escritor ao seu lado, suspirando ocasionalmente, aquecia seu peito por baixo de algumas camadas de roupa.

 

Estacionou no pequeno mercado e olhou para Kyungsoo, que sustentava um sorriso divertido enquanto olhava para si.

 

– Está vendo? Não foi tão longe assim, seu manhoso – zombou enquanto brincava com os cabelos macios de Jongin.

 

– Você está certo – observou ao redor, retirou o cinto de segurança e baixou o rosto, selando rapidamente os lábios fartos e rosados de Kyungsoo.

 

O escritor riu brevemente, retirando o cinto que o protegia e abrindo a porta para fugir do olhar de Jongin. Às vezes se sentia sufocado com a intensidade daquele olhar, mesmo que gostasse quando as íris chocolates se prendiam a si e somente a si. O sufocava, pois carregava tanto sentimentos tácitos e que Kyungsoo adoraria que o maior lhe confessasse.

 

Talvez fosse covarde o bastante para não conseguir fazer primeiro. Tinha medo de apressar o que tinham, porque ainda que não parecesse, era tudo muito recente.

 

Logo sentiu Jongin ao seu lado para caminharem até o lugar pequeno. Conversavam enquanto os ombros estreitos do mais velho esbarravam no braço do chocolateiro, uma vez que suas mãos não podiam se encontrar em meio a poucas pessoas. Uma das razões por qual Jongin preferia permanecer em casa, onde podia tocar Kyungsoo livremente.

 

– Tira esse bico agora, parece uma criança – Kyungsoo não conseguia parar de sorrir para a manha do outro, apostava que Jongin nem percebia o tamanho do bico que fazia.

 

– Vamos fazer isso de uma vez – agarrou uma cesta de compras e sorriu de volta para Kyungsoo.

 

Caminharam por entre as prateleiras, enchendo pouco a pouco a pequena cesta. Não sabia por quanto tempo ficariam, então preferiram não arriscar comprando poucas coisas. O céu prenunciava uma tempestade iminente e havia possibilidade de ficarem presos em casa, o que de longe era algo ruim, queriam aproveitar o máximo que conseguissem.

 

– Qual tipo de massa você prefere, Jongin? – Kyungsoo olhava atentamente a prateleira, perdido em pensamentos.

 

– Quem escuta você falando sobre massas – o mais alto se aproximou sorrateiramente do ouvido do namorado. – Nem pode imaginar o quanto essa boquinha é suja – sorriu quando sentiu Kyungsoo estremecer timidamente.

 

– Não comece… – encarou Jongin. – Não me tente, porque agora de verdade, eu preciso de um tempo. Preciso de relaxantes musculares, porque sinto como se tivesse feito milhões de abdominais e milhares de agachamento. Sem falar nas outras dores, acho que preciso de pomada pra assadura – confessou em voz baixa e fez Jongin rir alto.

 

– Me desculpe, Soo – achou graça da situação. – Mas você estava insaciável – não mentiu, mas também não reclamou em nenhuma das vezes que o outro lhe procurou.

 

Sorriram cúmplices e continuaram a fazer as compras, trocando provocações enquanto não havia outras pessoas por perto. Jongin queria aquilo para sempre, aquela rotina em que se encontravam no meio da semana para irem ao mercado, voltarem para casa e cozinharem juntos, deitarem na mesma cama e dormir só após seus corpos estarem exaustos.

 

Ou apenas se aconchegarem um ao outro para sentirem seus cheiros e compartilharem daquele calor que fazia o mundo todo ruir. Queria mais do que qualquer coisa ter aquela rotina de casal com Kyungsoo.

 

Jongin precisou forçar o menor a sair do corredor de chocolates, ciumento ao ver o menor olhar desejoso para algumas barras e bombons que havia ali. Quando passaram pelo corredor de bebidas, convenceu o menor a comprar um vinho, para combinar com o jantar que Kyungsoo estava planejando para aquela noite.

 

Seria a primeira vez que cozinharia para Jongin.

 

Quando percorreram todo o local, resolveram que já bastava. O mercado estava relativamente vazio, por esta razão o caixa também estava. A operadora sorriu para os dois quando deixaram a cesta sobre a esteira, desejando uma boa noite.

 

Terminaram de passar as compras enquanto a operadora ajudava Kyungsoo a guardá-las, e logo Jongin já estava pagando. Kyungsoo aceitou, pois no primeiro dia fora ele quem pagou pelas compras que fizeram.

 

Antes de devolver o troco, a garota do caixa cobriu o nariz para espirrar, se desculpando e em seguida, colocando uma máscara para cobrir o rosto. Devolveu o dinheiro para Jongin e entregou as compras, agradecendo e desejando outra vez uma boa noite.

 

O percurso até o carro foi feito rapidamente, o vento cortante os obrigavam a caminhar depressa até o conforto dos bancos e aquecimento do automóvel. As compras foram deixadas no banco de trás e antes de dar partida, Jongin deixou outro beijo rápido nos lábios doces de Kyungsoo, não podendo resistir a ficar tanto tempo sem contato.

 

– Parece que moça do caixa gostou de você – a voz amarga de ciúme se fez presente, o chocolateiro não conseguiu se conter.

 

– Só que ao contrário, Jongin – e diferente do mais novo, Kyungsoo não tinha se importado. – Ela até te ajudou te entregando as compras – levantou as sobrancelhas, insinuando.

 

– Mas foi para você que ela ficou sorrindo – Jongin tamborilou os dedos no volante.

 

– É uma pena para ela então que eu estava pensando no pênis do meu namorado – e o chocolateiro olhou ligeiramente para Kyungsoo, boquiaberto enquanto o menor ria descaradamente.

 

Jongin esqueceu daquele pequeno momento, e voltou à atenção para a estrada, a noite estava alta e ali não possuía iluminação além dos faróis do carro, precisava de atenção redobrada. A resposta de Kyungsoo fora o suficiente para calar aquele ciúme que insistia em fazê-lo bancar papel de idiota. Tentava se controlar, mas seus esforços pareciam em vão.

 

O escritor voltou a rir ao seu lado e não aguentou em outra vez admirar o pequeno mesmo que rapidamente. O dedo indicador tocava o lábio inferior enquanto este estava esticado em um riso solto, os olhos eram apertados pelas bochechas fofinhas enquanto os dentes pequenos se mostravam de forma adorável.

 

Kyungsoo era bonito demais para quase roubar a atenção de Jongin. Quase, pois, acima de qualquer coisa, a segurança do escritor era sua prioridade.

 

– Por que está rindo agora? – queria chegar em casa de uma vez e poder observar o mais velho sem correr tantos riscos.

 

– Me lembrei de uma coisa que a Ji Yi disse uma vez – Jongin permaneceu em silêncio para que Kyungsoo continuasse. – Ela disse que quando não temos em casa, procuramos no vizinho. Quão irônico essa frase soa para você? – o chocolateiro riu, debochado.

 

– Acho que devo agradecer a Ji Yi muito mais do que pensei – mordeu a língua.

 

Não gostava de se lembrar da mulher, pois se lembrava de que, formalmente, Kyungsoo ainda permanecia casado. Ji Yi havia simplesmente sumido do mundo e ninguém conseguia entrar em contato, os papéis de divorcio permaneciam assinados apenas pelo escritor. Aquilo assustava um pouco a Jongin.

 

Sentiu uma mão pequena apertar a sua e afastou aqueles pensamentos, se concentrando no momento que estava vivendo ao lado do homem que amava.

 

Quando finalmente chegaram, Jongin assistiu aquela rotina da qual sonhava se desenrolar aos poucos. Observava enquanto Kyungsoo servia duas taças de vinho, amarrar o avental na cintura e o pedir para ajuda para cortar alguns ingredientes. Sentia o cheiro delicioso da comida do namorado e a boca aguar de vontade de prová-la.

 

Após o jantar delicioso, fizeram outra parte daquela rotina; arrumaram a cozinha juntos e brincaram com seus filhotes. Tomaram juntos o banho e deitaram na cama espaçosa, conversaram e trocaram carícias delicadas até o sono chegar.

 

Daquela maneira Jongin se sentia em casa como jamais outrora se sentira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Kyungsoo estava desesperado.

 

A tempestade havia chegado com bastante força, às estradas estavam interditadas e cobertas por muitas camadas de neve. Não tinha como simplesmente pegar o carro e sair daquele lugar, estavam presos na casa de campo enquanto Jongin queimava de febre.

 

Observava o chocolateiro tremer embaixo de grossas cobertas, mal conseguindo abrir os olhos. Kyungsoo não sabia o que fazer, pois não havia nenhum remédio para baixar a febre na casa e não havia como sair para comprar. As pernas do escritor tremiam ao ver Jongin tão mal sem poder fazer nada.

 

Olhava seu celular e quando aparecia algum ponto de sinal, seus dedos eram rápidos para discar. Quando finalmente a ligação completou e não caiu antes mesmo de ser atendida, Kyungsoo pôde suspirar aliviado, mesmo que talvez não resolvesse nada.

 

– Baek, me ajude – sua voz soou mais quebrada do que esperava.

 

Soo? – a voz do ufólogo estava sonolenta. – O que houve? – mas despertou de uma vez quando ouviu o timbre do amigo.

 

– O Jongin está queimando em febre e estamos presos na casa. Não sei o que fazer – choramingou, sentindo seu peito se apertar sempre que sentia a pele queimar sob a sua.

 

– Espera, explica direito. A febre começou do nada? – Kyungsoo ouviu uma movimentação e deduziu que Baekhyun estava sentando.

 

Seus olhos estavam grudados em Jongin, que murmurava o quanto seu corpo estava doendo e era como se também pudesse sentir, queria poder arrancar com as próprias mãos o que afligia seu namorado.

 

– Ele começou a reclamar de dor no corpo e cansaço depois que almoçamos. – suspirou pesadamente. – Então eu disse para ele deitar um pouco e depois de um tempo, fui até o quarto e o encontrei assim. Não tenho nenhum antitérmico e tenho medo de não ser gripe como acredito que seja.

 

O rosto do chocolateiro apresentava vermelhidão conforme a febre aumentava, assustando ainda mais Kyungsoo.

 

– A febre só aumenta e estou com medo dela continuar subindo – não queria nem pensar no que poderia acontecer.

 

– Primeiro você precisa se acalmar, Kyungsoo – o ufólogo conseguir prever que o escritor estava a ponto de chorar. – Eu tenho certeza de que você sabe como baixar a febre dele sem um antitérmico, você só precisa se acalmar e pensar.

 

– Pensei em dar um banho com água morna, mas não sei se realmente vai funcionar – respirou fundo, tentando se acalmar nem que fosse um pouco. – Li em algum lugar sobre isso, mas não tenho certeza.

 

– Espera – a ligação ficou muda, para o desespero de Kyungsoo.

 

A tempestade não cessava e era possível ouvir o vento cortar ao lado de fora. Os três filhotes estavam deitados sob a cama, perto de Jongin, como se soubessem que o moreno estava doente. Kyungsoo quase abria um buraco no chão, pois não conseguia manter os pés parados no mesmo lugar, começando a suar de nervosismo.

 

– Kyungsoo? – o escritor segurou o telefone com força. – Faça isso mesmo, banho com água morna e depois o deixe descansar. E também o deixe hidratado, entendeu? – Kyungsoo piscou rapidamente, impressionado com as instruções do amigo.

 

– Como… como você sabe isso? – precisou questionar.

 

– Ah, pesquisei na internet – falou como se fosse obvio. – Agora desligue essa droga de celular e vai cuidar do teu homem – e encerrou a ligação antes que o outro pudesse agradecer.

 

Kyungsoo largou o celular em qualquer lugar e correu até o banheiro. Ajustou a temperatura da água e começou a encher a banheira, não aguentaria o peso de Jongin e sabia que o mais novo não estava conseguindo aguentar as próprias pernas no momento. O escritor sentia a boca de seu estômago queimar, e procurava se acalmar para cuidar do namorado.

 

– Eu vou cuidar de você, Jongin – sussurrou perto do namorado, afastando as cobertas do corpo febril e sentindo pena ao vê-lo se encolher enquanto estremecia.

 

Ajudou o chocolateiro a se sentar, e guiou os braços moles para segurarem em seu pescoço. – Por favor, segure-se em mim, não me solte – circulou a cintura do namorado e passou o braço livre por baixo dos joelhos de Jongin, conseguindo força do seu medo para puxá-lo para seu colo e conseguir levá-lo até o banheiro.

 

O sentou sobre a tampa abaixada do vaso sanitário e correu para desligar a banheira, voltando a tempo para segurar Jongin que caia para os lados. Com cuidado, puxou a camiseta e conseguiu tirá-la, fazendo Jongin se encolher ainda mais. Aos poucos conseguiu tirar toda a roupa e levantá-lo outra vez em seu colo, molhando a calça de moletom que usava ao pisar dentro da banheira para acomodar Jongin ali.

 

– Segure-se um pouco, vou pegar uma toalha – Jongin olhava para o escritor com os olhos quase fechados, reclamando baixinho sobre como a água estava gelada.

 

Correu até o quarto e pegou uma toalha limpa e também uma de rosto, buscando por roupas frescas para o maior vestir. Voltou depressa para o banheiro e encontrou Jongin esparramado dentro da banheira, suspirando audivelmente.

 

– Aguente só um pouco – deixou a roupa sobre a bancada do banheiro e se ajoelhou ao lado da banheira.

 

Não sabia se estava fazendo o certo, não sabia se a água corrente do chuveiro era melhor, mas não conseguiria segurá-lo por muito tempo embaixo do chuveiro. Precisava que a temperatura abaixasse, Kyungsoo estava assustado o bastante para acreditar que a febre pudesse aumentar a ponto de convulsioná-lo – esquecendo-se completamente de que se era realmente um risco ou não. Esse era o seu maior medo uma vez que estavam presos e longe de qualquer hospital, teria que enfrentar a tempestade caso fosse preciso e tinha noção de que não chegaria tão longe naquela situação.

 

Arrepiava-se e seus olhos marejavam de receio, precisava afastar aqueles pensamentos para se concentrar em Jongin. Apenas em Jongin.

 

Soo… – a voz fraquinha quase nem era ouvida.

 

Kyungsoo mergulhava a toalha de rosto na água morna e levava até o rosto bonito, contorcido em uma faceta de dor.

 

– Deita aqui comigo, por favor… – e mais algumas palavras que Kyungsoo não conseguiu entender.

 

A súplica nem deixou tempo para pensar, Kyungsoo levantou-se rápido e retirou toda a roupa, permanecendo com a roupa íntima. Com certa dificuldade, conseguiu ajeitar seu corpo atrás do corpo grande de Jongin, o ajustando entre suas pernas para que pudesse descansar suas costas contra seu peito.

 

Aquela posição não facilitava, porém Kyungsoo estava obstinado a baixar a temperatura de Jongin, conseguindo molhar a toalha e voltar a descansá-la sobre a testa do moreno. Ouvia o gemer e resmungar incoerências, mas sentia que a pele não estava tão quente quanto antes, trazendo alívio para seu peito comprimido.

 

Não permaneceu naquela posição por muito tempo, preocupado com a temperatura da água. Foi um pouco mais complicado tirar o chocolateiro da banheira do que colocá-lo, mas com um pouco de esforço, o mais novo já estava sentado sobre a tampa do vaso sanitário novamente. Kyungsoo deslizava a toalha com cuidado, secando qualquer resquício de água sobre a epiderme dourada, sentindo que a febre havia abaixado consideravelmente.

 

Quando o maior já estava vestido, deitado sobre a cama e ressonando calmamente, o coração de Kyungsoo conseguiu se acalmar. Jamais sentira tanto medo quanto naquele dia, anotando mentalmente que da próxima vez fariam um kit de primeiros socorros e montariam uma unidade móvel do lado de fora da casinha. Tudo para não correr riscos novamente.

 

Deixando o exagero de lado, Kyungsoo trocou a cueca molhada e vestiu a primeira roupa que encontrou, correu até a cozinha para fazer uma sopa nutritiva para o namorado, agradecendo por terem feito compras dias atrás. Encheu uma jarra com água e deixou ao lado da cama, para mantê-lo hidratado.

 

Voltou ao quarto quando a sopa estava pronta e encontrou Jongin suando embaixo dos cobertores, era um bom sinal. Fechou os olhos e sentiu seus ombros doerem pela tensão que o tomara durante aquele dia, sentia-se cansado ou como se tivesse apanhado por horas seguidas. Gostaria de deitar ao lado de Jongin e adormecer sentindo o cheiro natural que exalava por todos os poros do chocolateiro.

 

Todavia, seus sentidos estavam voltados ao mais novo, o impossibilitando de sequer pensar em dormir enquanto não tivesse certeza de que Jongin estava bem. Sentou-se na beirada da cama e observou Jongin pelas próximas horas, esquecendo-se do mundo ao redor.

 

Seu peito ainda estava dolorido, e seus batimentos eram pesados. O medo de perder Jongin parecera tão real que Kyungsoo quase podia tocá-lo, presente enquanto assistia a febre só aumentar a horas atrás.

 

Quando conseguiu se acalmar, lembrou-se vagamente de sua infância, quando um de seus primos estava naquela mesma casa, ardendo em febre. Conseguia ouvir o desespero na voz de sua mãe e então todos saírem apressados com o garoto no colo rumo ao hospital mais próximo. O deixaram sozinho com sua vó, que não possuía filtro e tampouco noção, contando para Kyungsoo sobre como a febre alta levou seu primo a ter convulsões.

 

O escritor, que na época não devia ter seus dez anos, não fazia ideia do que significava. No entanto, quando voltou para sua casa e, consequentemente, para a biblioteca de sua mãe, fora a primeira coisa que pesquisou. O pequeno sentira tanto medo na época, que implorou para sua mãe que o levasse imediatamente a casa de seus tios, para ter certeza de que seu primo estava bem.

 

O temor que sentiu naquela época nem se comparava ao que sentiu naquele momento, muitos anos mais tarde. Não sabia se também causava convulsões em adultos, mas febre alta sempre despertava alerta de perigo no escritor. E por isso acabara roubando sua razão, o escritor não sabia dosar seu estado emocional.

 

Kyungsoo… – a voz soou fanha, evidenciando o nariz entupido de Jongin. – N-não consigo respirar direito – abriu os olhos lentamente.

 

Kyungsoo se curvou sobre Jongin e tocou as bochechas, a testa por baixo dos cabelos molhados de suor e sorriu minimamente ao notar que o estado febril havia retrocedido, sabendo que possivelmente voltaria em algumas horas. Poderia relaxar os ombros tensos por alguns instantes.

 

– Você precisa beber água – acariciou os fios castanhos e ouviu Jongin ronronar.

 

– Minha garganta está doendo – forçou a garganta e fungou. – Acho que estou gripado – lamentou.

 

– Vai ter que fazer um esforço para beber água e se alimentar – observou o corpo se mover e afastar as cobertas. – Vamos trocar suas roupas – completou ao ver a camiseta ensopada de suor.

 

– Acho que vou precisar de lenços de papel também – revelou após espirrar e ver o resultado em suas mãos. – Droga… – sua cabeça parecia pesada, como se seu cérebro estivesse solto dentro do crânio.

 

– Como se sente? – Kyungsoo perguntou depois de entregar a caixa de lenços para o maior.

 

– Como se um caminhão tivesse me atropelado e depois uma multidão me pisoteado sem piedade – respondeu ao mesmo tempo em que sentava para ter sua camiseta trocada.

 

O escritor soube que o namorado estava realmente mal, pois não houve nenhum comentário malicioso enquanto o trocava. Apenas um bico toda vez que o moreno espirrava, trazendo uma lamentação pela dor na garganta. Jongin estava ainda mais manhoso.

 

Houve muitos protestos por parte de Jongin, porém Kyungsoo o convenceu a beber água e agora o observava comer a sopa com uma careta desgostosa sempre que engolia. Os olhos se apertavam, chorosos e o escritor apenas ria, achando graça do jeito manhoso do namorado.

 

– Não to sentindo gosto de nada – Jongin falava lentamente, encontrando dificuldade por causa do nariz entupido.

 

– Parar de reclamar e come – Kyungsoo arrancou o prato das mãos do namorado e guiou a colher até os lábios fartos, recebendo um sorriso antes de Jongin abrir a boca para tomar a sopa.

 

As reclamações cessaram, pois Jongin estava adorando ser mimado pelo escritor. Conseguia enxergar a preocupação nos olhos grandes do namorado e se sentia culpado, mesmo que não tivesse culpa de estar gripado.

 

– Você disse que nunca fica doente, idiota – Kyungsoo reclamava ao seu lado, checando outra vez sua temperatura. – Quase me matou de susto – sua voz denunciava o medo que sentira.

 

Todo o corpo de Jongin doía, e suas pálpebras pareciam pesar toneladas. Mas ainda sim conseguiu rir ao pedir desculpas para o escritor, se ajeitando novamente embaixo das cobertas. Mesmo que parecesse que cada pedaço do seu corpo fosse feito de gelatina e doesse como se tivesse corrido uma maratona, conseguia sorrir torpe ao ter a voz melodiosa através de sua dor de cabeça, lhe insultando incontáveis vezes, mas sem nunca abandonar os carinhos que faziam em seu couro cabeludo.

 

Era muito bom ser cuidado por Kyungsoo.

 

– Você está bem? – Jongin fez uma careta pela voz distorcida.

 

– Chega ser cômico você me perguntar isso agora, Jongin – Kyungsoo revelou entredentes.

 

Não estava bravo com Jongin, jamais se sentiria assim por algo que não podiam controlar. Porém sua irritação incidia do sentimento de impotência perante o momento desesperador que passou, o fazendo se lembrar do quão frágil eram e do quanto gostava do chocolateiro a ponto de maltratar seu coração de medo.

 

– Não gosto de ver essa expressão no seu rosto – Jongin revelou.

 

Arrumou seu corpo e tirou o travesseiro do lugar, batendo no lugar indicando que queria que Kyungsoo sentasse. O pequeno obedeceu, acomodando a cabeça de Jongin em seu colo, mesmo que quisesse aperta-lo com força contra seus braços, mas evitando devido à dor no corpo que o namorado sentia, voltando a acariciar e sorrindo tênue quando o mais novo desenhou seus lábios em um sorriso, de olhos fechados.

 

– Então não volte a ficar doente – implorou com sua voz praticamente nula.

 

Jongin apenas assentiu, se concentrando nas carícias que o embalavam. Elogiou várias vezes a sopa que Kyungsoo fizera, mesmo que não estava com o paladar funcionando corretamente, o simples fato de ter sido feita pelo mais velho – que era um ótimo cozinheiro, pôde constatar nos dias anteriores – já se tornava a melhor de todas.

 

Seu corpo continuava a doer, como se um rolo compressor tivesse feito massagem em si por diversas vezes. No entanto, a forma como Kyungsoo lhe olhava – como se sobre o seu colo estivesse o bem mais precioso de sua vida – era mais eficaz que o melhor dos analgésicos, o induzindo a uma sonolência boa e muito bem-vinda para seu peito cheio que começava a chiar.

 

Estava – realmente – muito gripado.

 

A tempestade havia parado, mas as estradas demorariam a ser liberadas. O escritor conseguiu ligar para Jaehwan e perguntar se o amigo possuía algum remédio que pudesse ajudar. Por sorte, Ken tinha um estoque de antitérmicos e analgésicos. Combinaram de se encontrar no meio do caminho, uma vez que o outro morava nos limites da propriedade.

 

E quando Jongin conseguiu adormeceu outra vez – o chão ao seu lado, uma montanha de lenços usados – o menor conseguiu escapar e encontrar o amigo, o agradecendo infinitas vezes antes de voltar com dificuldade por causa das camadas de neve que cobriam o chão.

 

Sentou-se perto de Jongin, decidido a não sair dali tão cedo.

 

Admirar os olhos fechados e a respiração pesada saindo quente pela boca aberta, o sonido tranquilo e embalado provindos daquela inspiração pela boca escancarada, fazia Kyungsoo rir. Até roncando baixinho, Jongin continuava maravilhoso. O corpo permanecia encolhido, mas irrequieto por algumas vezes, antes do sono pesado começar a fluir pelos membros doloridos.

 

Kyungsoo respirava com dificuldade, seu coração falhando e acelerando como se quisesse matá-lo em confusão, sentindo aquele vórtice de sentimentos tomarem forma dentro de si. A euforia e o medo em proporções idênticas retumbando em seu peito, o sufocando quase como se os olhos do mais novo estivesse sobre si, observando sua alma e lendo seus mais profundos anseios.

 

Percebeu que seu mundo passou a orbitar em volta de Jongin desde o momento em que esbarrara no moreno sem querer, desde o primeiro toque de inspiração que o invadira provindos dos olhos de chocolate. E aceitou quando o mais alto passou a ser aquilo que prendia seus pés ao chão.

 

Mordeu a língua, sentindo a ansiedade lhe corroer lentamente.

 

A cabeça do escritor girou, e o pequeno não reconheceu aquele sentimento, como se estivesse perdendo a mente diante das peças que se encaixava uma por uma em uma exatidão angustiante. Ainda sim tinha plena noção do que era, e isso o amedrontava. Mesmo sem nunca tê-lo sentindo em sua pele antes, sabia muito bem por quais caminhos ele o levaria, e todos os caminhos terminavam com Jongin ao fim da estrada.

 

Todas as reações físicas de seu corpo já o denunciavam há tempos e em seu âmago, Kyungsoo já sabia. Não havia escapatória.

 

Jongin – beijou levemente a testa quente do namorado, sorrindo ao notar o sono profundo se desenrolar. – Acho que te amo.


Notas Finais


Sim..... Kaisoo são dois covardes sobre seus sentimentos e vocês vão começar a entender sobre tudo isso agora. De certa maneira, E-book está chegando em reta da reta final?? E espero conseguir postar bem mais.
E-book completou um ano e isso de certa forma me deixou triste, porque pensei que terminaria ela bem antes disso. Mas me deixou feliz porque é um projeto que eu amo demais.
E eu quero dedicar a todos que leem e me apoiam a continua-la. Sei que sou uma autora e ~amiga~ relapsa, mas estou tentando mudar </3
Vocês sãos os melhores leitores do mundo, sério 💖 Amo vocês muito mesmo 💖

Espero que o próximo capitulo seja mais breve.
Até mais 💖💖💖

P.S.: Peço perdão na demora para responder comentários t~t eu to sem internet e anda complicado....


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