História É Errado Te Amar? (Em avaliação) - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Amor Proibido, Drama, Escolar, Romance Gay, Yaoi
Visualizações 2.181
Palavras 4.067
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Bom, é minha segunda tentativa então vamos lá, resolvi fazer algo diferente dessa vez, então vamos com romance gay... Afinal sei que tem muuuita fujoshi por aqui! (Eu acho) Bom minha história é original mas espero muito q vcs gostem, afinal eu trabalhei e vou trabalhar muito duro pra postar os capítulos e para que eles sejam interessantes! Espero q gostem dos personagens! 💙😌

Capítulo 1 - Ethan


7:45 A.M

Ethan se sobressaltou quando o despertador tocou, ele não estava mais dormindo, mas só de pensar no que lhe esperava dava preguiça de levantar. O quarto estava escuro apesar de já ser manhã, talvez o fato do tempo lá fora estar horrivelmente nublado tivesse alguma parcela de culpa, o garoto suspirou exasperado já se lembrando do que lhe aguardava. Naquela manhã nublada e fria seria seu primeiro dia em um novo colégio, mais um para a sua longa coleção de colégios ridiculamente caros, com pessoas idiotas e esnobes que pensavam que eram melhores que as outras por terem tido a sorte de nascer em uma família rica e isso — na opinião de Ethan — não era motivo pra se gabar, afinal qual era a grande coisa de poder dizer que vinha de uma família rica? Do que adiantava ter tanto dinheiro, mas não ver a cara de seu pai por um mês inteiro por causa do trabalho dele? Ou mesmo poder comprar tudo o que quiser e não ter a quem dar? Quando se é rico assim, não se pode sequer confiar nas pessoas, o que resulta em uma triste e solitária vida e aquilo era algo que Ethan não queria para si. Ele se forçou a sair da cama que era grande demais para apenas uma pessoa e jogou os lençóis de lado se sentindo exausto, arrastou-se até o banheiro e se encarou no espelho, mas imediatamente se arrependeu de tê-lo feito na verdade tinha se arrependido de ter feito o que fez na noite passada. Apenas para fazer raiva ao seu pai que nunca estava em casa, mas quando chegava queria mandar nele saiu passando a noite quase toda fora, havia chegado há apenas três horas atrás e dormindo mais ou menos uma hora e meia, seus cabelos estavam uma bagunça, sua roupa extremamente amassada, com marcas de batom e cheiro de perfume caro que as garotas tinham deixado nele. Pôs as mãos no rosto e massageou as pálpebras doídas com a ponta dos dedos suspirando ainda mais exasperado que antes, parecia que recentemente tudo o que ele fazia era suspirar não importava o quão bom tinha sido a sua diversão, logo após ele continuava se sentindo... Vazio!
Depois de ter certeza de que não tinha mais jeito Ethan se despiu e ligou o chuveiro; não usou a banheira, pois se o fizesse não sairia dali tão cedo e acabaria perdendo o dia de aula. A água quentinha lhe escorria dos cabelos aos ombros e em seguida para todo o corpo, aquilo lhe acordou um pouco e depois de apenas alguns poucos minutos em baixo da água teve que sair, fechou os olhos e ergueu a cabeça passando uma toalha por seus quadris, estava mais magro, sentia seus ossos pélvicos mais salientes que antes! Realmente queria evitar encontrar com seus pais quando estivesse saindo, o que era pouco provável, já que seu pai estava trabalhando em casa aquele mês e sua mãe tinha acabado seu manuscrito há apenas alguns dias.
Ethan pegou a primeira roupa que achou e vestiu, não estava com disposição e nem via motivos para se preocupar com a aparência e ele não se interessava muito por moda, mas a roupa até que lhe caiu bem na medida do possível. Estava apenas de calça jeans preta, blusa branca de algodão com um pano grosso — já que ali era como o freezer do mundo — um casaco preto para se proteger melhor daquele frio ridículo que fazia uma bota marrom e mochila, arrumou os cabelos ou pelo menos tentou deixá-los meio normais já que eles achavam que tinham sua própria vida e continuavam saindo e voando pra onde queriam, então desceu as largas escadas que davam para a sala de visitas e de jantar com cautela para, infelizmente, ver que seus pais já estavam tomando café da manhã na sala de jantar.
Ele ainda não tinha se acostumado àquele local, só fazia uma semana que haviam se mudado e era tudo muito novo, não que a casa não fosse tão extravagante como a antiga, mas o ambiente era diferente. As paredes da sala de jantar eram de um tom de bege bem claro tornando o local arejado, a mesa era feita de mármore negro contrastando com o chão que era de porcelanato também claro combinando com as paredes, em cima desta havia um jarro com um belo arranjo de flores que Ethan desconhecia o nome, as dez cadeiras ao redor da mesa eram de madeira talhada e com acentos e costas acolchoados, o teto era alto apesar de a casa ter dois andares e de lá pendia um lustre enorme com pequenas peças em formato de diamantes que cintilavam quando a luz batia refletindo o arco-íris. Na parede mais próxima a mesa havia um quadro gigantesco da ceia de Jesus com seus discípulos, na outra mais afastada tinha um móvel baixo, como uma arca que servia de apoio para um grande espelho que ia quase até o teto, havia uma prateleira com as taças de sua mãe, as quais ela havia ganhado de presente em seu casamento. Ethan respirou fundo tentando juntar coragem e força de vontade para tentar pelo menos ter um diálogo decente com seu pai, um que não acabasse nele saindo furioso enquanto o outro lhe chamava de inútil. Entrou no cômodo indiferente, como se não houvesse aprontado nada na noite passada e também como se seu pai não existisse ali. 

— Bom dia mamãe — se aproximou lhe dando um beijo na bochecha — Acho que estou meio em cima da hora, então estou indo... Até sexta! — um fato bom sobre o novo colégio era que havia dormitórios e os alunos podiam optar por passar o período de aulas lá e voltar para casa apenas no final da semana, Ethan estava mais do que grato por isso e muito ansioso para sair logo daquela casa.

— Ethan — ele congelou no lugar e girou sobre seus calcanhares roboticamente para olhar para seu pai que estava com a mesma expressão entediada de sempre — espere aí, eu te deixarei.

— Hã... Não precisa, mas valeu mesmo! — ele aproveitou para fazer uma careta já que seu pai estava ocupado demais olhando para o celular.

— Eu não estou perguntando, estou avisando, agora se sente e coma.

— Por quê? — Ethan piscou algumas vezes encarando o pai sem realmente entender o porquê daquilo — Porque perder seu tempo me levando? E não me venha dizer que é por você está preocupado comigo, pois eu sei que não é!

— Nada em especial — seu pai falou finalmente desgrudando os olhos da tela do aparelho e lhe encarando — apenas preciso falar com a diretora Solar, explicar  o motivo de você estar se matriculando tão tarde, no meio do ano letivo.

— Eu posso falar com ela sozinho... Não precisa gastar seu precioso tempo comigo! — Ethan falou aquilo fazendo com que, sem querer saísse com mais veneno do que o esperado, seu pai levantou da cadeira e estreitou os olhos fazendo sua boca secar.

— Eu já decidi... Eu vou com você e ponto final, goste você ou não... Não é como se eu quisesse ir também, então quanto mais rápido formos, mais rápido isso acaba para nós dois, hum?! Não insista em dificultar minha vida!

— Edmund... Isso é jeito de falar com seu filho? — sua mãe encarava seu pai com um olhar severo, mas ele apenas a ignorou.

Bom... — Ethan sabia que não devia começar uma briga com seu pai porque sempre sairia perdendo, mas seu orgulho não lhe deixava engolir as palavras do outro — Dificultar sua vida é a única coisa que tem de legal para fazer na “minha” vida monótona e rotineira. Dificultar a sua vida é a melhor coisa que eu tenho pra fazer e cá entre nós, se a sua vida fosse perfeita em casa também enquanto todo o resto funciona perfeitamente não seria justo com as pessoas que vivem de forma infeliz, certo?! Só estou tentando manter o equilíbrio...

— Chega os dois, comam comportadamente em silêncio ou saiam!

Ethan abriu a boca para falar, mas ao olhar para a expressão facial de sua mãe sabia que a tinha magoado então resolveu parar por ali, mesmo sabendo que não era justo resolveu não falar mais nada, afinal não ia adiantar muita coisa, talvez só servisse pra deixar seu pai mais irritado ainda. Eles seguiram pra o tráfego sem terminar o café, o clima estava realmente tenso no carro, sua mãe tinha permanecido em casa e estavam apenas os dois juntos, o que nunca acabava bem, seu pai só estava fazendo aquilo para puni-lo, Ethan sabia disso e também sabia exatamente o que ele queria dizer com "conversar"... Ia “explicar” a diretora o quanto ele podia ferrar com a vida dela e com a escola caso alguma coisa acontecesse e vazasse fazendo a mídia se envolver. Ia ser uma conversa mais ou menos assim: "Olha aqui, se esse garoto aprontar alguma coisa e aparecer qualquer que seja o comentário na mídia... Eu acabo com vocês". 
Da ultima vez que a mídia se envolveu ele tinha que admitir que as coisas ficaram feias pra sua família por um tempo, mas afinal como ele ia saber que o simples fato de acender um cigarro na escola ia se transformar em uma notícia como aquela?

"O adolescente, mais conhecido como Ethan Fitzgerald — filho do milionário Edmund Fitzgerald e da renomada escritora de best-sellers conhecidos em todo o mundo, Dakota Fitzgerald — foi pego em flagrante usando drogas ilícitas na escola, o garoto descrito pelos colegas como problemático já foi pego praticando coisas semelhantes em suas escolas anteriores, escolas as quais o mesmo foi expulso. Brigas, vandalismo, posse de drogas e instrumentos que poderiam ser usados como armas são apenas algumas das acusações em seu longo histórico de feitos vândalos. Apesar de tais fatos nunca terem sido confirmados o simples fato de terem surgidos não servem como prova de tais atos? Porém as perguntas que não querem calar são: Será que o garoto é um viciado? Porque seus pais nunca mencionaram que seu único filho sofria de transtornos psicológicos...?" 

E assim ele ficou conhecido como um lunático violento e viciado em drogas que envergonhava o nome da família, por isso seu pai perdeu muitos contratos com grandes empresas sócias e muito de seu crédito e fama, por esse motivo tinham se mudado para uma nova cidade onde seu pai tinha conseguido bons sócios para fechar negócios.
Ethan estava tão perdido em pensamentos que nem se deu conta que seu pai estava dirigindo em uma estrada de terra com grama morta dos lados, a estrada parecia infinita; ele não lembrava ao certo quando tinham adentrado ela e não conseguia ver seu fim. A paisagem era quase mórbida com a grama amarelada dos lados e o céu cinza acima deles. Depois de mais alguns longos minutos com o carro sacudindo pela estrada maltrapilha ele finalmente avistou uma enorme construção ao longe; quando seu pai lhe dissera que era grande ele não imaginou aquilo tudo... O colégio parecia mais como o campus de uma faculdade. 
Ao chegarem seu pai entrou em um grande estacionamento de piso lustroso e lâmpadas no teto até onde ele conseguia ver, o que particularmente achou um tanto sem nexo, afinal era só um estacionamento.
Quando finalmente estacionaram ele saiu do carro o mais rápido possível, já era humilhante o suficiente ter ido até ali com seu pai de imagem perfeita, não era preciso que soubessem que ele era seu filho também, não queria má fama assim que chegasse, então começou a caminhar rapidamente sem ter certeza de para onde estava indo, apenas seguiu a claridade natural que vinha de um grande portão nos fundos da construção. 

— Ethan, onde você está indo? — perguntou seu pai erguendo uma sobrancelha perfeitamente delineada.

— Para a minha aula, não é óbvio?

— Seria falta de educação eu ir falar com a Sra. Solar e não levá-lo comigo para se conhecerem! — disse ele com um sorrisinho que Ethan havia aprendido a odiar e temer — Você irá até lá comigo.

Porque eu preciso fazer isso? — ele suspirou exaspero pela terceira vez em apenas uma manhã, estava começando a se alterar — Você está fazendo isso como uma forma de punição?

— Punição? Porque eu faria isso? Não consigo te entender Ethan.

— Por causa da notícia e... Pela noite passada, talvez?

— Nós não vamos falar sobre isso aqui, conversaremos uma outra hora... Mas não pense que sairá impune disso. — Os olhos de seu pai faiscaram ameaçadoramente. 

— Então me deixa ir para a minha sala vai, ninguém precisa saber que você é meu pai, nós dois saímos ganhando, você mesmo disse que não queria fazer isso!

— Já chega Ethan, você vai lá comigo e ponto.

— Porque você sempre faz isso? É só para me ver assim, alterado? Você gosta tanto de abrir ainda mais o espaço gigantesco que existe entre nós?!

— Você não consegue pensar que eu faço alguma coisa por você, porque eu sou seu pai e me preocupo com a sua vida? Mesmo assim quem aparentemente gosta de aumentar mais ainda o espaço entre nós é você fazendo de tudo para me envergonhar e sujar meu nome.

— Sempre a mesma coisa, só se preocupa com seu nome... Desculpe, mas não acho que você saiba o que é amar, respeitar ou se preocupar com mais alguém que não seja você mesmo...

— Ótimo, agora que você entendeu a sua situação podemos seguir...

— O quê? — Ethan não estava acreditando naquilo.

— Você vem sozinho ou quer que eu vá até aí e lhe carregue até a sala da diretora Ethan? 

Seu pai que tinha lhe passado alguns metros — ele havia parado no lugar perplexo — parou e o olhou com aquele sorriso que sequer chegava a mexer em seus gelados olhos, aquele sorriso que Ethan conhecia tão bem, porque era exatamente igual ao seu. Se ele tinha achado humilhante ir até o colégio, imagina ter que entrar sendo carregado por seu pai... Ele odiava aquele fato, mas infelizmente eles se pareciam bastante um com o outro, claro que não do jeito que gostaria que fosse! Se pudesse escolher alguma coisa dele, talvez escolhesse a altura e os músculos.
Seu pai era o tipo de todo mundo, o tipo "bonito e rico de morrer". Era bastante alto com 1,92 de altura, pele pálida, olhos azuis céu e tinha os cabelos que era a principal atração; cabelos ruivos com tons variados do vinho ao laranja, cortados curtos e muito bem arrumados para não ficar nem um único fio fora do lugar. Os fios escuros se misturavam com os mais claros e quando ele andava parecia às chamas de uma vela dançando de acordo com o vento, era hipnotizante olhar para seu pai com seus olhos gelados e seus cabelos quentes, seu sorriso frio e indiferente que mostrava dentes brancos e alinhados contrastando com um cavanhaque perfeitamente feito e nem uma única imperfeição na pele, com um terno caro e bem alinhado e postura perfeita era intimidador olhá-lo, as pessoas queriam ser ele ou queriam ser dele, na sua frente Ethan parecia um experimento que não havia dado certo. Ao invés da altura ou dos músculos, ele herdara apenas os pontos fracos do pai, pelo menos nele eram pontos fracos!
Era uma versão meio destrambelhada do outro... Enquanto seu pai era alto e com a postura perfeita, Ethan era baixo para a média da sua idade, apenas 1,70 de altura e não se importava muito com a postura ou com as roupas, tinha o cabelo ruivo também, mas ele o pintava e por isso era bem mais escuro que o de seu pai e bem maior também, enquanto o de seu pai era cortado curto com apenas um pequeno topete o seu era comprido chegando quase até os ombros; os tons dos cabelos do seu pai eram mais para vermelho e laranja, enquanto o seu ficava mais para o vinho e o castanho por conta da tinta, só dava para notar que era vermelho se estivesse no sol ou em um lugar bem iluminado que desse para ver o reflexo dos fios, mas com a mudança e tudo o que havia acontecido à tinta estava saindo e ele não tinha tornado a pintar o que era estranho já que a raiz era mais clara que as pontas. Seus dentes também eram muito brancos e alinhados, o que o deixava com raiva, a pele também era tão pálida quanto à de seu pai, mas não tão imaculada. Ele tinha vários machucados antigos e cicatrizes de brigas passadas, mas também parecia muito com sua mãe, a estatura baixa e magra, por exemplo, a aparência frágil e élfica quase feminina de características pequenas, rosto pontudo, nariz arrebitado que passava certo ar de superioridade e olhos cinza tempestade. 
Ethan sempre sofrera com o fato de ter a aparência frágil demais, ele lembrava que em seu último colégio fora perseguido até o último dia de aula, os malditos não o deixavam em paz por causa de sua aparência e sempre batiam nas mesmas teclas perguntando se ele tinha mesmo alguma coisa entre as pernas ao invés de um espaço vazio como as meninas... No seu último ano de fundamental os quatro garotos de sempre o cercaram e o arrastaram para um local afastado da escola, o líder do grupo disse que não acreditava que ele era um garoto, insinuou que ele era uma lésbica, isso o deixou espumando de raiva e ele bem que tentou lutar, mas as coisas começaram a dar erradas e tomar um curso diferente o fazendo sentir medo de uma briga pela primeira vez. O garoto que parecia comandar o grupinho de vândalos começou a lhe tocar em lugares estranhos e constrangedores enquanto sussurrava coisas sujas ao seu ouvido como se ele fosse uma garota de fato, Ethan teve que lutar muito e depois de ser molestado por todos quatro e por ter resistido ter sido espancado quase até desmaiar finalmente conseguira fugir, não sabia como, mas tinha conseguido voltar ao colégio e pegar seu carro voltando para casa em choque e completamente detonado... Seu nariz estava quebrado, as costelas machucadas, cortes na cabeça e rosto, sem seus tênis ou a sua blusa da farda. 
Quando entrou em casa e sua mãe lhe viu, veio correndo ao seu encontro perguntando o que tinha lhe acontecido, seu pai chegou perguntando o que era todo aquele barulho com um ar carrancudo e ao lhe encarar sua expressão se transformou de raiva para nojo. 

— Olha só o que aconteceu com seu filho Edmund, isso não pode continuar...

Mas a única coisa que ele fez foi olhar para seu filho, os olhos tão gelados quanto o gelo puro, bufou em desprezo e disse simplesmente:

— Se você não é homem suficiente para ficar e brigar ou para se defender pegue pelo menos o que restou da sua dignidade, se é que tem alguma, e vá a um hospital sozinho, sem precisar vir chorando para a sua mãe... — ele virou para sua mãe e continuou — Satisfeita Dakota? Olha só o que você fez! Criou um covarde, um garoto que não serve para nada, o que ele fará quando você não estiver mais aqui?

Dizendo isso ele se virou e voltou ao seu escritório. Sua mãe chamou o médico da família que arrumou seu nariz e enfaixou suas costelas, Ethan não chorou na frente de seu pai ou dela, muito menos de seus agressores, mas no silêncio do seu quarto enquanto tirava as ataduras para tomar um banho, sentiu a garganta apertar. Enquanto tomava banho e a água tocava seu rosto, ele sentiu as lágrimas descerem calmamente mornas se misturando a água, ele sentou-se no chão sozinho no silêncio e então chorou não que ele se orgulhasse de demonstrar tamanha fraqueza, mas não conseguia segurar, ficou observando seu sangue misturar-se a água e escorrer pelo ralo pelo que pareceram horas, quando finalmente saiu do banho e vestiu seu pijama, deitou na cama e abraçou o travesseiro, momentos mais tarde sua mãe bateu na porta e entrou sentando-se ao seu lado, botou um travesseiro no colo e ele deitou-se em suas pernas, ela disse que lhe contaria uma de suas historias, exatamente como quando ele era criança, ela lhe acariciava os cabelos enquanto suas lágrimas caiam mornas molhando o travesseiro, ela começou e Ethan fechou os olhos ouvindo aquela voz calma e meiga de que era como bálsamo para sua alma, a história dizia o seguinte: 

"Há muito tempo atrás existiu uma pequena aldeia a qual era lar de um garotinho, esse garoto era o mais menosprezado de todos por não ter altura ou porte físico, todos riam e zombavam dele pelas costas até mesmo seu pai lhe desprezava por causa de sua aparência pequena e magra, o pobre garotinho todos os dias chorava no silêncio da noite, mas o que seus colegas não sabiam era que ele vinha de uma linhagem muita, muito antiga e rara. Uma família que tinha poderes sobrenaturais, essa família era um clã, que por acaso era o clã que protegia a aldeia, mas quando o garotinho falou para seus amigos eles zombaram ainda mais dele. Porém, um dia inimigos invadiram a cidade e o garotinho magro o qual todos riam, se transformou em um enorme dragão negro com olhos amarelos que paralisavam quem ousasse olhar, com asas tão grandes e fortes que jogava os inimigos do outro lado do mar, com um poder de fogo tão grande que com um único jato queimou todos os navios, os reduzindo a cinzas. Depois disso todos queriam ser amigos do garoto e ele viveu o resto de seus dias feliz, mas antes ele aprendeu que... "Mesmo coisas pequenas podem se tornar grandiosas".

Ethan no outro dia foi até o centro da cidade e fez uma tatuagem, para lhe lembrar daquele dia, ele gravou aquele dragão da estória de sua mãe na sua pele, porque ele sabia que era como aquele garoto... Aparentemente frágil e covarde para as pessoas, mas por dentro tão forte quanto um dragão. 

***

Quando Ethan finalmente voltou ao presente percebeu que já estavam caminhando em um corredor apinhado de alunos curiosos que sorriam ou faziam cara feia e cochichavam entre si, até que finalmente chegaram a porta onde se podia ler "diretoria" e entraram. A mulher que veio ao encontro deles era alta, por volta de seus trinta e poucos anos, com olhos e cabelos negros, seu cabelo estava preso em um perfeito rabo-de-cavalo alto e bem apertado, tinha cílios grandes e cheios e um estranho brilho nos olhos o que os faziam parecer estar sempre arregalados, usava um terninho cinza, sapatos pretos de salto e um batom excessivamente vermelho... Ela lembrava a Ethan uma vilã ou uma bruxa má dos contos de fadas só um pouco mais moderna, mas com as mesmas características marcantes que eram 1) as unhas, os lábios, 2) os olhos e 3) as sobrancelhas, que eram muito arqueadas. Ela estendeu uma mão pálida, com dedos longos e com grandes e pontudas unhas vermelhas assim como os lábios.

— Olá Sr. Fitzgerald, é um prazer receber você e seu... Filho aqui. — ela o olhou de cima a baixo com desprezo nítido o suficiente para lhe fazer ficar desconcertado.

— Sim, igualmente... Então gostaria de lhe explicar a situação...!

Seu pai conversou com a diretora por bastante tempo e Ethan ficou observando-o flertar com ela, quando ela disse que estava faltando alguns documentos para a conclusão da matrícula ou quando tentou insinuar que Ethan não era qualificado para estudar na escola ou mesmo que já estavam na metade do ano letivo, já haviam passado até mesmo das férias de verão, ele sorriu e falou em como os olhos dela eram admiráveis e ela finalmente cedeu e no final ainda pediu-lhe seu número, vê se pode? Depois de esperar por pelo menos meia hora, Ethan começou a se distrair, ele lembrou que enquanto caminhava pelo corredor algo no meio daquela multidão de rostos tinha chamado sua atenção, não foi bem uma coisa que ele soubesse definir, pois estava muito perdido nos próprios pensamentos para ter prestado atenção, foi apenas uma impressão, como se a parte de seu subconsciente que estava funcionando tivesse prestado atenção por ele, era só uma vaga lembrança que começava a ficar nítida agora, a lembrança de um par de olhos cor de mel lhe seguindo tão intensamente que chegou a tirar-lhe o fôlego.

 

~ C O N T I N U A ~


Notas Finais


Boa leitura fanfiqueiros... 💙


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