História É uma promessa? - Capítulo 1


Escrita por: ~

Exibições 32
Palavras 1.683
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Essa é a minha primeira fanfic Bubbline, e eu espero que esteja boa o suficiente hahah <3
Eu vou tentar ao máximo me esforçar e fazer bons capítulos, então, deixem sua opinião, ok?
Ainda não sei quantos capítulos vai ter, mas eu acredito que será uma short fic.
Boa leitura! Ah, e eu recomento escutar Not On Drugs da Tove Lo, foi a música que escutei enquanto escrevia!

Capítulo 1 - Estúpida.


Domingo, 02:57 am

O tempo passa de um jeito estranho. Alguns dias se vão rápido demais, outros, se arrastam como se puxassem cadáveres. Hoje, está tudo muito lento, e eu sinto que a cada segundo meu corpo se comprime mais. Como se eu fosse uma criança chorona, as lágrimas caem, escorrendo pelas minhas bochechas e pingando do queixo para o peito, meu corpo está cansado, e meu peito arde, sem ar. Eu me aconchego em meus próprios braços, aperto meus joelhos e descanso meu rosto sobre eles, as lágrimas continuam caindo descontroladas, depois de um tempo os soluços saem sem se esconderem, eu não sei mais que horas são, o tempo está lento demais, e meu corpo está cansado demais para contar.

Minha cabeça dói, meus olhos estão inchados, meus lábios sangram, por causa da força que fiz enquanto os mordia, eu já deveria ter percebido, a vida não é um conto de fadas, nenhuma fada madrinha vai me dar um vestido e me mandar ir para um baile encontrar meu príncipe encantado, mas eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer, eu sempre me achei imune a esse tipo de baboseiras, mas agora eu só me sinto frustrada e decepcionada, e a culpa é toda minha, então eu apenas fecho os olhos e deixo o tempo passar do jeito que ele quiser.

Domingo, 11:38 am

Quando abro os olhos, a primeira sensação é a minha dor de cabeça, como se tivesse sido martelada, ela continua latejando, me punindo por ser tão estúpida a ponto de me desfazer em lágrimas do jeito que havia feito. Me levanto, lentamente, apoiando as mãos na parede, ainda sentia o incomodo no peito, como se tivessem roubado uma parte importante do meu quebra-cabeça. A imagem não se completava, continuei andando dando pequenos passos, me apoiando nos objetos do meu apartamento, me mirei no espelho do banheiro, os olhos continuavam inchados, os fios do meu cabelo estavam emaranhados, meu rosto marcado por lágrimas, os lábios, rachados e machucados, as olheiras profundas me oferecem um tipo de sorriso maldoso, eu tento forçar um sorriso bonito, mas tudo que sai é um tipo bizarro de sorriso falso.

Eu ligo a torneira, a água corre lentamente entre meus dedos, eu a jogo no rosto, esfregando-a e tentando limpar a minha pele manchada e podre. Por que eu continuo me humilhando desse jeito? Eu não aguento mais me sentir tão quebrada, porque, tentando te esquecer, eu me vejo caindo em um poço sem fundo, e meus dedos sangram se eu tento parar a queda, então eu vou esperar atingir o chão e escalar até o topo mais uma vez.

Eu olho para a água escorrendo do meu rosto diretamente para a pia, fecho a torneira, tiro minhas roupas de qualquer jeito, tranco a porta, e entro no box do chuveiro, a água, inicialmente fria, acalma minha dor de cabeça, me ajuda a pensar direito, eu não tinha nenhum produto de higiene, então só tentei tirar toda a sujeira usando a água, eu olhava para baixo e podia ver um pouco da maquiagem que restou de ontem e das minhas lágrimas escorrendo pelo ralo, saio do banheiro me secando com uma toalha qualquer, agora é exatamente meio-dia e eu sinto minha barriga doer de fome, visto uma roupa limpa e no caminho para a saída paro na cozinha e tomo um remédio para dor, tranco a porta do apartamento, e assim que me viro vejo algumas caixas espalhadas pelo corredor, provavelmente do novo morador, eu me sinto cansada e dolorida demais para me preocupar em cumprimentá-lo agora, o elevador está parado no térreo, enquanto eu o espero subir olho para as caixas jogadas de qualquer jeito, provavelmente irei me incomodar com ele depois.

Eu escuto o elevador abrir as portas e me viro, algumas caixas estão espalhadas pelo chão, e uma mulher as junta e cuidadosamente empilha junto das outras, isso é até um pouco engraçado, visto que estão todas espalhadas de um modo descuidado, eu espero ela retirar todas as caixas para entrar e apertar o botão para o térreo, ela desce comigo, consigo perceber ela me encarando, provavelmente esperando um olá, mas eu não tenho animo para isso, então a ignoro e saio o mais rápido possível quando as portas se abrem, a cidade está barulhenta e eu ando a passos rápidos enquanto tento ignorar a minha cabeça latejando incessantemente, entro em um café e o sino incomoda meus ouvidos, sento em uma mesa afastada e espero alguém vir me atender, peço um sanduíche e um chocolate quente.

Meus olhos ardem e tenho certeza de que não estou muito atraente, principalmente pela expressão que a garçonete fez ao me olhar e anotar meu pedido, meus cabelos ainda estão molhados e algumas pontas se mostram emaranhadas em cima do meu peito, tenho certeza que o estado completo deve estar bem pior, mas eu não consigo me importar com isso, não agora.

— Seu pedido! — a garçonete faz um esforço considerável para não se mostrar nervosa, provavelmente acha que sou alguma usuária de drogas.

Eu a agradeço com um sorriso fraco e sem olhá-la nos olhos, ela deixa a bandeja na mesa e sai em passos apressados, eu olho para a bandeja e sinto meu estômago se revirando, lentamente começo a comê-la, sem realmente sentir o gosto, eu observo as pessoas passando nas ruas pela janela do café, elas se encontram presas demais em suas próprias rotinas para me perceber ali, as imagens de ontem ainda invadem minha cabeça, dolorosas, caçoando de mim. Eu ainda lembro claramente. Lembro que não foi só ontem, eu lembro, e isso machuca.

“Sábado, 19:03 pm

Sete anos. Sete. Eu nunca o traí, nem sequer uma vez. Mas eu acho que sempre soube que ele o fazia, todas as vezes em que seu pescoço estava marcado quando chegava em casa, ou quando eu percebia alguma mancha de batom em suas blusas. Mas agora foi diferente, eu vi, e ele nem ao menos se importou com isso, era quase como se risse ao me ver naquele estado deplorável, as lágrimas escapavam dos meus olhos e ele apenas sorriu e se sentou na cama — na nossa cama — com um sorriso cínico enquanto a mulher atrás dele dormia, a nossa aliança estava visível em cima do criado-mudo, ele me encarou, abriu a boca e lentamente, quase que segurando uma risada, falou:

— Chegou cedo hoje. — eu já sentia as lágrimas pingando no meu peito, com as mãos tremendo, eu lentamente tirei minha aliança do dedo, com dificuldade, ele me estendeu a mão, coloquei-a no meio da sua palma, engoli em seco e o encarei, seus olhos riam, eu já sabia que isso acontecia, mas eu o amava demais para me importar, e agora eu me sinto tão estúpida.

— Há quanto tempo? — minha voz saia rouca e embargada, ele parecia se divertir.

— Há quanto tempo namoramos? — ele estava caçoando de mim.

— Então por que namorava comigo? Por que pediu para que morássemos juntos? — Eu sentia meu corpo tremendo, eu estava com tanta raiva, e tão quebrada.

Ele deu um suspiro.

— Sinceramente? Eu queria poder me divertir e quando voltasse, ter alguém esperando por mim, e tudo era ótimo no começo, eu até me desleixei um pouco, mas então você começou a ficar paranoica com tudo — e eu tinha razão — sem falar que você me dava uns presentes legais — ele riu, soltando ar pelo nariz, era pelo dinheiro? — nos primeiros anos era divertido, eu realmente gostava de te ter por perto, você é gostosa, Bonnie, mas depois de um tempo começou a ficar cansativo, e eu parei de me importar, então quando você me perguntava sobre as marcas de batom, eu me perguntava se você iria terminar comigo, mas você só falava, e era só eu dizer “eu te amo”, era até divertido, você corria de volta para os meus braços, a gente transava, e era ótimo, então, eu acho que eu comecei a fazer testes com você, mas acho que esse último atingiu o seu limite, você é bem paciente, hein?

E com isso, eu o encarei uma última vez, me culpando por ter perguntado, doía como o inferno ter que escutar aquilo, então eu me virei e andei até a porta, a mulher deitada na cama se mexia, acordando, e eu sentia as lágrimas escorrendo descontroladamente agora, saí correndo daquele apartamento maldito, parei em um bar e lembro que fiquei bebendo descontroladamente, e quando me expulsaram eu fui para outro, continuei bebendo e me humilhando, quando meu celular marcou 02:00, meu cérebro pensou racionalmente e eu andei cambaleando até o meu antigo apartamento, que eu abandonara fazia três anos, eu tentei me lembrar de quantas vezes eu fingi não ver, e eu me senti tão estúpida, por que eu fazia isso?

Estúpida. Ele nunca amou você. Quem amaria?

Eu sempre me perguntei por que não tinha vendido esse lugar, eu apenas o alugava vez que outra, e eu agradeço por nunca tê-lo vendido realmente, talvez eu soubesse que um dia voltaria.

Eu demorei muito tempo para encontrá-lo, talvez porque eu estivesse bêbada, talvez porque eu simplesmente queria esfriar a cabeça, e conforme eu andava o efeito da bebida passava, e as lágrimas voltavam

Eu abri a porta com a chave reserva que eu entregava para quem fosse ficar aqui (e que haviam escondido debaixo de uma planta, por preguiça de me procurar e devolver), e me joguei no chão, joguei a chave no chão e fechei a porta com os pés, trancando-a automaticamente.

Então eu chorei até não poder mais.”

Assim que terminei meu sanduíche e tomei o último gole do chocolate, encarei o fundo da caneca vazia, e em um último pensamento, em desespero, talvez tentando recobrar uma falsa dignidade, talvez querendo vê-lo correr atrás de mim, como em filmes de romance, quando a mocinha acha o cara perfeito e o babaca se humilha atrás dela, pensei, e naquele momento, realmente acreditei.

Ele nunca vai me ver nesse estado.

Mas ele já havia visto, e veria de novo, nesse momento eu não sabia, mas eu estava descendo um caminho direto para o inferno.


Notas Finais


Eu espero que vocês tenham gostado, até o próximo!


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