História Ecos da Libertação - Capítulo 1


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Categorias Ragnarök
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Aventura, Espiritualista, Fantasia, Magia, Ragnarok, Suspense
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Palavras 1.248
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Magia, Suspense

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - As palavras que geram o eco


 A escuridão se adensou a minha volta por um breve momento, mas dispersou-se tão rápido quanto apareceu, revelando novamente o ambiente de meu sonho: uma sala, mas não uma sala comum. Documentos, exames médicos e todo os tipos de anotações encontravam-se espalhadas pelo chão, juntamente com seringas, sangue e lascas de madeira. Uma mesa encontrava-se no centro, uma mesa de madeira com algemas em lugares específicos para conter as mãos e pés de um ser humano, tudo iluminado por um candeeiro técnomágico preso ao teto, que lançava uma tênue luz azul sobre o ambiente.

 A única saída do local era um corredor escuro, com pelo menos 5 metros de altura e 6 de largura, em que não era possível ver a saída. Sons de metais chocando-se e de vapor surdo escapando de canos eram as únicas coisas que podiam ser ouvidas vindo de lá.

 Engoli em seco, e segui pelo caminho, afinal não tinha muita escolha e, quanto antes acordasse, melhor. Meus passos ecoavam pelas paredes de pedra áspera e à medida que seguia, os sons se intensificavam e outros apareciam. Gritos de dor, risadas, sons de serras e martelos se misturaram aos que já citei, formando uma espécie de orquestra, uma orquestra que tinha como sua maior fonte de inspiração o medo e a dor, eles tocavam uma melodia bizarra, soava quase como um réquiem deturbado.

 Continuei seguindo. Caminhei no que pareceram horas, e a cada passo que dava, aqueles malditos sons ficavam cada vez mais fortes, tive a impressão de que ia enlouquecer, até que finalmente cheguei no que era, provavelmente, a saída do corredor, e se Odin fosse bom, daquele lugar. Coloquei a mão na maçaneta e, quase que imediatamente, o barulho cessou. Um frio percorreu minha espinha, senti cada músculo de meu corpo enrijecer, mas mesmo assim, reunindo o pouco de coragem eu tinha, segui, confiante de que aquilo não passasse de mais um pesadelo bobo.

 Girei a maçaneta e me deparei com uma enorme sala, iluminada por candelabros técnomágicos já quase sem energia arcana e janelas que permitiam a entrada de um pouco de luz da lua. Camas sem travesseiros ou lençóis, sujas e encardidas, se dispunham em quatro fileiras ao longo do local. As paredes estavam todas sujas, seja por causa de poeira, sangue, ou por alguma coisa escrita por algum dos habitantes. De onde antes vinha todo tipo de som medonho, o lugar tornou-se assustadoramente quieto.

 Ia dar meu primeiro passo para dentro do ambiente, mas então, na outra extremidade do corredor, ergueu-se das sombras uma figura, parei de imediato ao vê-la. Não precisava ser nenhum Sábio ou Professor para saber quem ele era. Ele era famoso mesmo fora da guilda dos gatunos e mercenários, mesmo fora de Morroc, seu nome podia ser escutado por todas as cidades de Rune-Midgard.

 Tinha cabelos azuis longos e desgrenhados. O negro de sua roupa entrava em contraste com o brilho metálico de suas botas, luvas e ombreiras e principalmente com o vermelho vivo de seu cachecol. Uma aura fantasmagórica exalava dele, e seus olhos eram de um vazio indescritível. Das sombras, ergueu-se mais um de meus nemesis: Eremes Guile.

 - Nos ajude – ele disse. Sua voz era profunda e ríspida, consegui sentir um tom melancólico, mas seus olhos não acompanhavam o sentimento, eles permaneciam imóveis, sequer uma piscada foi feita. – Nos ajude – tornou a repetir, porém dessa vez, soou como se houvesse uma segunda voz repetindo a frase, uma voz feminina, meiga e gentil. Eremes continuou repetindo a frase, e a cada vez repetida, uma nova voz surgia. Algumas eram profundas como a do Mercenário... não, melhor, como a do Algoz Eremes, outras soavam traiçoeiras e mesquinhas, apenas algumas poucas tinham gentileza em seu tom. – Pois bem – disseram as vozes em uníssono – se você não nos ajudará, permita-nos ajuda-lo.

 Neste momento, pude sentir as últimas conexões mágicas dos candelabros esvaírem. Os primeiros a ceder foram os próximos a porta em que me encontrava, e de um em um, eles se apagaram, afundando lentamente a sala num breu profundo. A pouca luminosidade que me deixava com uma visão clara de Eremes extinguiu-se, agora, eu estava a sua mercê. O corredor estava logo atrás de mim, olhei por cima do ombro, e pude ver um ponto azul na escuridão, a sala não desaparecera, diferente da última vez. Aquilo me deu uma vontade imensa de correr de volta todo o trajeto que fiz, mesmo que tivesse que escutar toda aquela maldita sinfonia novamente. Talvez aqueles espíritos não me seguissem para lá, talvez eu acordaria se chegasse lá, porém, algo me impedia, conseguia sentir nas minhas entranhas, uma força maior impunha sua vontade sobre mim, eu simplesmente não conseguia sequer me mover.

 CRA-KOOM

 Um raio irrompeu do lado de fora do local, iluminando brevemente o recinto, e ali eu pude ver brevemente as silhuetas daqueles que juntaram suas vozes ao algoz, naquele pedido de ajuda quase que desesperado. Algumas não consegui reconhecer, mas as poucas que consegui identificar eram figuras tão icônicas quanto Eremes.

 Cecil Damon, Margaretha Sorin, Howard Alt-Eisen, essas e outras dezenas de espíritos prostravam-se de pé ao longo de todo o local, seus olhos brilhavam suavemente na escuridão, como prata refletida na luz do luar, e exibiam o mesmo vazio que os olhos de Eremes, um vazio tão profundo que parece tragar você e toda sua essência. Eles me fitaram por não mais que um segundo, mas foi o suficiente para que um cansaço repentino me abatesse tão forte quanto um tornado abate um descuidado que não acreditou nas previsões dos Sábios e Professores. Senti meu corpo ficar pesado, e por um momento pensei que iria desmaiar, mas consegui resistir.

 A luz do raio começou a esmaecer, e junto com ela, as silhuetas e o brilho dos olhos de todos aqueles heróis, ou o que quer que tenha sobrado deles.

 - Ajude-nos – eles disseram uma última vez. Havia uma carga melancólica poderosíssima em cada palavra, havia a tristeza e aflição de toda uma vida em cada palavra, mesmo a pessoa mais tola notaria isso com facilidade. – Você é o único que pode fazer isso.

 Incrivelmente não foi o vazio de seus olhos que me tragou primeiro, foram as trevas que tomaram aquele lugar. Todo o ar foi expelido para fora de meus pulmões, senti que iria sufocar. Fechei os olhos, porém aquilo de nada adiantava. Abertos ou fechados, havia apenas as trevas.

Acordei num sobressalto. Estava com o rosto salpicado de suor, minha respiração estava irregular e meu coração batia acelerado no peito.

CRA-KOOM

 Um trovão reverberou no alto dos céus e um raio iluminou brevemente Payon, fazendo-a parecer dia por um segundo, mas logo as trevas da noite voltaram a engolir a cidade da floresta num mar de sombras e silêncio.

 Meus olhos reviraram cada canto do quarto nos primeiros minutos depois que acordei, mas por fim acabei por encarar o teto. Meus pensamentos voavam de um lado para o outro em minha cabeça, tudo estava tão confuso, a preocupação e a dúvida me afligiam, mas uma coisa me incomodava mais.

 “Ajude-nos, herói”, não importava o que eu fizesse, essa maldita frase continuava a voltar aos meus pensamentos. “Ajude-nos” eles disseram. Voltei a lembrar da melancolia em suas vozes, antes que aquele sonho acabasse.

 - Ajuda-los? – pensei em voz alta. – Como vou ajudá-los, se sequer sei se existem?

 Naquela noite não consegui dormir mais. O barulho da chuva e do vento, o frio e meus pensamentos foram meus únicos companheiros naquela longa madrugada.



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