História Editora Sharingan - Capítulo 37


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Naruto
Visualizações 136
Palavras 5.453
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Naruto não me pertence e seus personagens também não.
O intuito dessa fanfic é totalmente interativo e sem fins lucrativos.
Por isso, não me processem, por favor. Não tenho como pagar uma fiança e da cadeia não dá pra postar.

Quem tá feliz? Mais unzinho hoje.

Amor!

Boa leitura!

Capítulo 37 - Parte XXXVII


É tão engraçado como, depois que a gente perde o encanto, até as coisas que antes amava, passam a ser maçantes... Pior: elas passam a ter outro sentido e sempre, SEMPRE, tem um sentido negativo.

Eu combino com esse lugar. Porra, combino mesmo! Combino com tudo! Como mais uma das muitas peças chiques de decoração do Kakashi. Aliás, eu com meu cabelo rosa e lindo, sou um objeto muito mais bonito que essas estátuas esquisitas dele. Parecem as que o Deidara faz, mas as do Dei são mais legais.

Tô parada aqui no meio da sala, com uma puta cara de imbecil, percebendo que eu combino mais do que deveria com isso aqui. E não é de um jeito bom...

- Que que foi, Sakura? Tá parada aí, com uma cara esquisita... – da primeira vez que eu entrei aqui ele gostou da minha cara esquisita. – Você quer comer o quê? Vamo pedir alguma coisa logo.

Talvez eu tenha um pedido.

- Kakashi, você ainda acha que eu combino com essa porra toda aqui?

Olha essa cara dele, gente... será que tá tão engraçada porque eu tô meio bêbada?

- Lógico, amor. – “lógico, amor”. – Por que você tá me perguntando isso?

- Porque eu acho que eu não combino não.

Puta merda... desde quando esse homem começou com essas de perder a cor?

- Tá falando do quê, Sakura? Acho que você bebeu demais... – vai por esse caminho mesmo, querido?

Bom, nem eu tô a fim de comer pelas beiradas, nem eu tô com vontade de escolher as palavras.

- Quem fez a lista de convidados do lançamento do livro da Rin, Kakashi? – congelou.

- Que lista? Saky, vai beber uma água. – fugiu, ainda. Péssima ideia, meu bem. Esse maldito apartamento não tem lugar pra se esconder e, se você vai pro quarto, eu vou também. – Eu não sei! Eu não lembro! – não grita não, que é pior.

- Não foi você?

- Acho que sim... Um pouco eu fiz, um pouco a Rin... pra que você tá falando disso agora?

O foda é que eu tô sentindo que, ao mesmo tempo que ele se esquiva, tenta jogar a culpa em mim, como se fosse a tequila ou alguma insanidade. Já te avisei uma vez, Kakashi. Não caminhe por aí.

- Foi você que colocou me colocou como sua “acompanhante”, sem meu nome especificamente? - só o transtorno dele pra mim é uma resposta. Não precisa sair dessa boca que eu beijei tanto. – Por que, Kakashi? Por que não colocar meu nome? Você sabe que isso ia me deixar tão feliz...

E que eu merecia, acima de tudo, afinal, eu tava no meio daquele livro também. Tirando o fato óbvio de que eu tenho um nome e ele não é “acompanhante”. Agora enlouquece, né? Passando a mão no cabelo e andando pra lá e pra cá.

- Eu esqueci, Sakura! Desculpa! Eu só coloquei lá meu nome e mais alguém, e depois eu esqueci de arrumar! Não sabia que você ia se importar tanto! – não. Coisa básica.

- Não me importar?! Porra, Kakashi! Eu também tava naquele livro e eu era a merda da sua acompanhante?!

É a primeira vez que a confusão dele tá me irritando. Sentei até na cama pra ver ele andar que nem um desnorteado de um lado pro outro.

- Você é bem ingrata, sabia? Se eu não tivesse publicado seu conto quando você ainda tava lá se esfregando com o Gaara, jamais a Rin teria te chamado pra escrever a intro do livro dela! Mas ao invés de pensar nisso, tá enchendo o saco por causa de um nome em lista!

PÁRA.

Volta um pouco. Levanta dessa cama, Sakura. Levanta e se prepara.

- Você tá dizendo que, enquanto eu namorava o Gaara, você me fez o favor de me publicar? – e ele concorda como se eu tivesse dito uma coisa boa. – Então você não gostou do conto? Publicou pra me fazer um favor? – ou, como o próprio Gaara disse na época, porque era a arma que tinha?

- Lógico que eu gostei, você tá distorcendo o que eu disse. – tomara. – O que eu quero dizer, é que ao invés de você se ligar na publicação, você tá encanada com lista. Eu não precisava ter te publicado. Eu fiz isso porque eu queria te ajudar.

Ai, ai, ai. Isso vai dar merda.

- E por que você não me publicaria?

- Ué, você tava toda dona da sua vida, esbanjando felicidade com o Gaara... Devia ter pedido pra ele fazer isso! Impulsionar a sua carreira! – strike 1.

- Então você não me publicaria, mesmo que tivesse gostado do que eu escrevi, só porque eu tava feliz com o Gaara?

- Você tá sendo ridícula, Sakura. Eu não publiquei? E não foi por isso que a Rin te chamou pra escrever o texto inicial do livro dela? Você devia ser um pouquinho mais agradecida, ao invés de ficar se ligando em fofoquinha de amiga ou ficar agarrando qualquer cara que aparece na sua frente! – strike 2. E o três tá pertinho.

- Fofoquinha de amiga?! Ficar agarrando qualquer cara?! Você tá perdendo a linha aí, Kakashi!

- Ah, vai me falar que não tá nervosinha assim porque a Ino fez sua cabeça contra mim?! E você fica agarrando sim! Atracada com o Naruto na frente de todo mundo... você sabia que as pessoas comentam, Sakura?! É tudo o que me falta... na minha própria empresa ser comentado de ser corno! – preciso dizer qual strike foi esse?

EU TÔ POUCO ME FODENDO COM O QUE AS PESSOAS COMENTAM! Dessa vez, eu tenho a mais absoluta certeza de que não fiz nada errado. E, pra você, Kakashi... Só lamento.

Catei a primeira mochila que eu achei e soquei uma troca de roupa dentro. Ainda tô meio bêbada, mas vai ter que ser assim. Tomara que a polícia não me pare ou que eu não bata essa merda de novo.

- Onde você tá indo?! O que que você tá fazendo?! – dá pra deduzir, não dá? Tô com uma mochila nas costas. – Saky, não faz isso! Pelo amor de Deus, não vai embora. – solta minha mochila, fazendo favor. Agora sai da minha frente, por gentileza. – Não, amor. Pára com isso, vamo conversar. Não vai embora, não!

Sabe o que eu percebi?

- Eu nunca vim, Kakashi. Te vejo amanhã.

Podia ter ficado assim, né? Porque aí, quando a poeira baixasse, imbecil como eu sou, tem chances enormes de me arrepender de ter saído daqui. Mas não vai. Pela cara de louco que ele tá, não vai mesmo.

- Pára de merda, Sakura! Você tá bêbada, por isso que tá com esses rolos! Pára, amor!

Só desvio. Peguei a chave do carro e o celular. Tá berrando aqui em volta de mim, mas sério... não tô nem escutando.

O foda foi quando eu escutei.

- ... vai lá se tacar na cama do Gaara, não é? – não ouvi nem o que veio antes. E, pelo visto, nem ele. Tá achando que eu tô fazendo isso por causa de Gaara? Ah, Kakashi...

Okay, vida. Todo mundo passou dos limites mas essa do Kakashi, eu não vou deixar passar em branco. Taquei tudo em cima do balcão e fui. Se eu tenho razão ou não, foda-se. Perdi agora. Um tapa só. Um único. E esse não passou em branco. Passou tanto em vermelho, que eu cheguei a rasgar o lábio dele.

- Eu não sou sua puta. Não sou sua peça de decoração. Eu era sua noiva. Mas isso não te dá o menor direito de pensar em me ofender assim.

Sabe que, de todos, dos quatro, o Kakashi é o que mais me surpreendeu? O Sasuke também, claro, mas eu consigo até entender o garoto agora, olhando o cenário do Kakashi. Ele é rancoroso, guarda as coisas pra te ofender do jeito que mais doi. Fiz coisa errada? Talvez. Mas ele sempre soube e sempre passou por cima. Aí, sempre que esteve ao meu lado, aproveitou pra poder tacar na minha cara conforme ia surgindo a oportunidade.

Eu não vou aguentar isso. Não vou aguentar viver esperando a próxima discussão, onde ele vai me julgar por alguma coisa. Eu não preciso disso. Não preciso do seu choro. Não preciso das suas desculpas. Não preciso nem do seu amor. E, se não quiser me manter nem na sua empresa, eu vou entender.

- Sakura, não vai embora... por favor.

Nem respondo. Só catei as minhas coisas de novo e tchau. Entrei no MEU carro, em direção à MINHA casa. Mandei uma mensagem pra Ino, pedindo se eu podia ir pra lá e ela me respondeu que lá sempre vai ser a minha casa. Então, tô indo pra minha casa.

Minha casa. Minha vida. Minha felicidade.

É lógico que doi. Lógico que eu tô quebrada por dentro mas, assim, sinceramente, é mais por perceber que o Kakashi não era um cara que merecia tudo que eu vinha fazendo, do que pelo término. A ideia de dormir na minha cama, no meu quarto, por mais que só tenha um lençol e um travesseiro, nossa... como eu tô feliz.

E, quando eu abri a porta do apartamento, encontrei dois pares de braços prontinhos pra me amparar. Encontrei dois pares de orelhas pra me escutar. E, preciso admitir, aquelas mãos brancas do Sai são bem boas pra fazer massagem no pé. Feliz por a porquinha ter conseguido me substituir à altura.

- Quer recomeçar na tequila? – olha as coisas que essa louca fala...

- Melhor não, Ino. Amanhã tenho que trabalhar e já vai ser punk. Imagina de ressaca.

- Sakura... eu sei que você tá fragilizada e tal, mas eu tô pensando no lado de um amigo meu. – olha esse Sai, comendo pelas beiradas. – Rola avisar que você tá solteira, ou melhor não? Faço o que você quiser, apesar de que a minha mão tá até coçando pra tirar uma foto sua deitada aqui no sofá, em cima da gente, com essa mochila de roupa do lado.

Eu ri dele, não deu.

- Esse seu amigo não curte foto de celular, Sai.

- Ah, mas essa eu tenho certeza que ele revelaria e ainda colocaria do lado da cama.

- Ele também não curte por foto de gente conhecida em casa.

Falei alguma coisa demais? Não, ne? Ele mesmo me disse isso. Por que eles tão se olhando com essa carinha de “sabe de nada, inocente”? Põe na roda, aí.

- Testudinha... a casa do demoninho tá lotadinha de foto sua. Dá até aflição ir lá. Parece que você tá me olhando o tempo inteiro, vendo eu roubar aquelas coisas gostosas que eu como lá porque não posso comer em casa.

Não.

- Sério, isso? – e pára de rir que nem uma tonta, Sakura.

- Vai lá ver. – gente e esse Sai, todo risonho. Não tá me querendo por aqui? – Ou fica, você que sabe. É bem vinda pra caramba aqui.

- Mas lá acho que vai ser mais do que aqui... – demônio loiro não sopra no meu ouvido.

- Não, gente... Não vou pra lá, não. Nem sei o que tá rolando entre o Kakashi e eu...

- Testuda, pelo amor de Deus! Depois de tudo você ainda vai pensar em dar outra chance praquele porco?!

Não pensava nisso. Só falei pra desbaratinar. Só isso. Mas, depois do grito, melhor não.

- Ele não deve tá em casa, Sai. Hoje é aniversário do Naruto. Deve ter saído com ele.

Mano, choquei. De verdade. Porque o Sai é a versão masculina, mais pálida, da Ino. Ele me olhou com uma cara de quem ia fazer merda, que eu cheguei a olhar pra cima pra ver se a porca tinha assumido o corpo dele com algum poder mental de possessão.

- Vou perguntar se ele tá em casa. – vai nada. Porra, sem chance. Em segundos, a cara de puto me olhou com aquele sorrisinho e me mostrou o celular. “Tô. Pq?” Aí meu coração disparou.

- Pára de rolo, Sai.

- Que rolo, Sakura? – fala e ri, o desgraça albino. – Só perguntei se ele tava em casa.

Aí vem o demônio loiro, que tá comigo no colo e me chacoalha. Vai de leve, porquinha... senão eu vomito.

- Vamo lá? – de jeito nenhum! – Nós três! Vamo! A gente fala que foi fazer uma visita!

- Não, Ino! Pára você também!

- Ah, testudinha... vamo sim. Ele trouxe umas coisas gostosas de comer... Uns chocolates belgas, que ó! Delícia cremosa!

Chocolate belga? Olha o problema se instalando...

- Vocês vão também? – bateram palma juntos. Olha a merda que você fez, Deus. Juntou dois psicopatas. – E não é pra me dar perdido e me largar lá, hein? Eu vou voltar pra cá.

- Prometo, prometido, testa! – o Sai também concordou.

- Vou falar que a gente vai levar uma pizza. Vou até fazer uma graça e perguntar do que que ele gosta.

Fácil pra gata.

- Marguerita. – dois segundos pro maluco me olhar rindo e me mostrar o celular. Escrito o quê? Marguerita. – O Gaara gosta de coisa que tem gosto forte. É sempre marguerita ou pepperoni. – Riu de novo. “Ou pepperoni.”

Então eu não conheço o demônio que já foi meu? Tá.

- Beleza, então. Vocês vão assim ou vão querer se arrumar? Aliás, tô perguntando pra Sakura, porque a Ino eu sei a resposta.

Engraçadíssimo que agora ela faz beijinho no ombro pra ele. Nem fico com ciúme. Tô adorando a interação dos dois.

Mas, sobre o que o Sai disse...

- Preciso tomar um banho, tirar esse cheiro de tequila de mim.

- Então vão tomar banho, enquanto isso eu já peço a pizza. Daí a gente pega e vai pra lá. – meio general, também. – Posso falar que você vai, Sakura?

- NÃO! – olha o berro da porquinha. – Vamo fazer surpresa, Michelângelo! Igual em filme. Quando ele abrir a porta... – chega.

- Vem porquinha. Vamo. – preciso dela na primeira noite. – Ino, eu trouxe uma troca só de roupa, pra poder ir trabalhar amanhã. Sobrou coisa minha aqui?

O que eu tenho em mente que sobrou, foram algumas roupas que tavam pra lavar. Deve ter umas duas camisetas e uma calça, o que já estaria excelente. Mas, sendo a Ino, o negócio é sempre mais embaixo.

- Você vai com essas roupas de maloqueira? – que saudade das ofensas. – Apesar de que o Gaara gosta, né?

- Não me arrumo pra ele, porca. – nem pra mais ninguém. – Tem ou não?

- Ih, não estressa... Vem cá que eu vou arrumar uma roupinha pra você! Ai que saudade disso, testudinha!

Até eu tô batendo palma. Também senti falta disso. Me arranjou um shortinho lindo de tecido e uma blusinha soltinha. Mó cara de “não quero nada com você”. E linda. Sempre linda. Cada vez mais foda, essa porca.

Vinte minutos depois, sai eu com uma roupa da Ino, um sapato da Ino, com a Ino e com o namorado da Ino. Quase onze da noite e a gente indo comer pizza na casa do meu ex, que é a perdição da minha vida e que, quando souber que eu não tô mais enrolada, vai fazer do meu tormento seu projeto pessoal.

- Eu nunca consigo abrir essa merda... – ó eu manjando de novo.

- É assim, Sai. Levanta e empurra. – fiz e escondi, né? Escondi atrás da porca que nem ela fazia comigo quando conheceu o Gaara.

Mas, assim, quando ele apareceu ali... uau. Quando me viu... uau. Enfiou aquela cabeça cheia de cabelo vermelho pra fora, pra procurar um alguém que eu espero muito que esteja se lascando, e, quando não viu ninguém além de nós três, abriu aquele sorriso que eu gosto. Aquele que é o meu. O satisfeito. O olho clarinho... tava até brilhando. Faíscando. Naquele misto de sorriso e riso, quando o som da risada escapa sem querer. E eu tô do mesmo jeito.

- Eu achei estranho mesmo que você tivesse conseguido abrir a porta, Sai... – fala olhando pra mim. Sabe que fui eu.

- Você não se incomoda que a gente tenha trazido a Sakura junto não, né? – Sai, terrível. – Senão ela ia ficar sozinha lá em casa e, tadinha, terminou um relacionamento, tá precisando dos amigos.

Senti o meu rosto queimar! Cara, nunca pensei que ele fosse assim! E quando eu olhei pro demônio ruivo que ainda tava estacado no meio do caminho... a vergonha até passou.

- Sai, meu brother... Acho que você nunca chegou aqui em casa tão bem acompanhado.

Pra mim, isso aí? Gostei, hein.

Mas a porca, não.

- Vai se foder, demônio de araque! E eu? – já entrou empurrando ele e balançando o rabo de cavalo. Sai entrou atrás, rindo dela, que foi direto fuçar nas coisas dele. São íntimos.

E sobra eu. E ele. E dois sorrisos discretos. Duas pessoas que tão gostando de estar perto mas que não sabem o que fazer.

- Você tá bem? – demais.

- Por enquanto, sim. Vamo ver amanhã. – tô com medo do amanhã.

Conforme eu fui entrando naquele lugar tão conhecido, meu olho me reconheceu imediatamente. Não são fotos. São artes. As vezes são só os meus olhos. As vezes, meu sorriso. Meio rosto. Minhas mãos. Eu continuo ali. Eu continuo fazendo parte dessa casa. E ele continua agindo como sempre.

- Quando eu não tinha nada pra fazer na turnê, eu ficava mexendo nas suas fotos. – o ar quente batendo no meu pescoço. A voz entrando pelo meu ouvido.

- E pendurou elas? – como se eu não tivesse gostado.

- Eu gosto de ter coisa bonita pra ver, Sakura.

Fala e sai, rindo, como se tivesse me dito bom dia. Como se não fosse nada demais eu entrar aqui e me achar partida em vinte molduras, espalhada pelo loft todo. Será que... oh, Deus. Na área do quarto. Ali, tem uma inteira. A mesma que a Ino usou pra me falar do sorriso.

Okay, Deus... vamo trocar aquelas nossas ideias. Não quero. Entendeu? Não quero. É rolo demais pra eu resolver agora. Não descarto, também, porque aqui entre eu e ele o negócio é pesado. Mas agora, hoje, nesse momento, não quero. Não enquanto eu não resolver tudo com o Kakashi. Porque é um maldito padrão, eu largar dele e vir parar na casa do Gaara, né? É tentação demais, meu pai! Então, ajuda a Saky. Amém.

Acontece que é tudo tão normal, tão natural, que chega a ser difícil não pensar. NÃO VAI PENSAR EM NADA, SAKURA! Só come sua pizza e bebe sua coca que tá bom demais. Espera acabar, ri das besteiras do casal e sai, do mesmo jeito entrou.

Vai rolar.

Vai nada.

A Ino, pelo visto, tem acesso ilimitado às coisas do Gaara e já se enfiou na cozinha pra fazer brigadeiro. Engraçado que, quando morava comigo, eu precisava fazer chantagem pra ela fazer uma panelada de brigadeiro. Não vou reclamar porque, nem eu sou dona da casa, nem eu recuso os doces da porca. Ela é boa disso.

O problema é que sobra espaço pra conversinhas paralelas.

- Que que eu vou ganhar? – oh, Deus... você não ia ajudar?

- Ganhar do que, Gaara?

- Ué, eu ganhei a aposta. Aquela que eu disse que você não ia mais aguentar muito tempo.

Precisa disso tudo? Desse sorriso todo? Desse sibilo todo? Precisa sentar tão perto de mim?

- Eu não apostei nada com você. – amém. – Na última vez que eu apostei, não deu muito certo...

Não ri. E não me olha com essa carinha linda.

- Eu discordo. Acho que o resultado da última aposta deu certo demais. – ele é uma metralhadora ambulante. – E, de novo, você perdeu.

Mentira.

- Na última eu não terminei. Deixei em aberto. – fatão. O jogo nunca se encerrou.

- Quer bater uma sinuca? Eles tão sujando tudo minhas coisas lá, não tão nem dando bola pra gente. – de propósito, né? – E é bom que eu não fico muito perto da porca, porque ela tá me irritando demais.

- De novo? Vocês tão se dando tão bem...

- Até tamo, mas ela tá me enchendo o saco pra tirar umas fotos lá onde ela trabalha e eu não tô nem um pouco a fim. – eu nunca vi o Gaara rolar os olhos e é a coisa mais linda do mundo, aquele monte de verde indo pra cima. Ele joga a cabeça pra trás junto. Puta merda de um homem lindo, gente. OKAY, SAKURA! SEGURA A ONDA! – E aí? Vamo jogar?

- Vamo. Mas sem aposta, dessa vez.

O filho da puta tá me olhando com desdém.

- Desde quando você joga sem valer nada? – desde que a minha sanidade foi colocada à prova depois de um jogo de sinuca.

- Eu sei o que você vai querer apostar, Gaara. E eu não vou topar. – isso aí, Sakura. Mostra quem manda.

- Ih, tá metidinha, hein? Tá achando que eu vou apostar pra você passar a noite aqui comigo? – eu tô. – Mas eu não vou, boba.

Faz tempo que ele não me chama de boba. Tô tentando segurar o sorrisinho mas o maldito escapa. Meu corpo me traí perto do Gaara.

- Então, tá. O que você quer apostar? – eu não devia ter perguntado isso. Não devia. Não devia.

- Não falo. Se eu ganhar, eu peço. Senão, você pode pedir o que quiser.

Jesus Cristo. É, de novo, aquelas benditas apostas onde, se eu ganhar ÓTIMO e se eu perder MELHOR AINDA.

- Posso pedir uma mala de dinheiro? – só pra desbaratinar.

- Poder, pode. Só não sei se eu vou ser capaz de cobrir a aposta. – eita, risada desgraçada. – E eu sei que você não vai pedir isso. Você não se liga nessas coisas.

Não mesmo. Nem em joia, nem em restaurante chique. Se eu tinha alguma dúvida de que eu não ligava, hoje posso afirmar com certeza.

A cada jogada minha ansiedade tá batendo a mil. Porque eu gosto de ganhar, isso é óbvio. Mas eu tô curiosa pra saber o que ele vai pedir. E, assim, o filho da puta é bom, então a cada bolinha que ele mata, mais eu fico dividida se me empenho pra ganhar ou se deixo a água rolar. A questão é que eu tô começando a achar que perdi até a prática nisso. É, não ia dar pra levar o Kakashi num bar de sinuca e muito menos colocar uma mesa no apartamento cheio de móvel de design dele. Tô enferrujadona. E feliz. Enferrujada e feliz, rindo que nem uma desnorteda e comemorando a cada tacada que eu não faço merda, escutando ele tirar sarro de mim, dizendo que eu já fui melhor nisso aqui.

Já mesmo. Mas não tô ligando nem um pouco de passar vergonha, muito menos de perder.

Só que eu tenho que manter a pose.

- Jogar com o dono da mesa é sempre desvantagem. – tenho um arsenal de desculpas que, com ele, não colam. Só me deu aquela risa demoníaca, de quem não ia mesmo me dar descanso.

- Ah, tá. Quantas vezes você ganhou de mim nessa mesma mesa?

Eu fico de boca de como ele é naturalmente sensual. Sentou na beirada da mesa e tá fazendo nada. Nada. Só sentado. E parece uma porra de uma pintura. Tomar no cú viu? Pra que ser bonito desse jeito?

- Fazia tanto tempo que eu não jogava...

- Imagino mesmo. – sei até o que ele tá pensando. O que eu pensei segundos atrás. E agora, como eu conheço esse demônio, tá pensando na aposta.

- Manda na lata. Que que eu perdi?

- Porra, Sakura... Perdeu? Nossa, você fala assim eu até desanimo de falar. – ah, tá. Irônico pra cacete. E lindo.

- Beleza, Gaara. Que que você vai querer? – não tem como isso não sair malicioso.

- Melhor... bem melhor. – ele sacou a malícia. – Eu quero sair com você. De novo. Um encontro.

Okay, aí não.

- Gaara, eu nem sei como tá minha situação com o Kakashi. Eu...

- Você vai voltar com ele? – nem a pau.

- Não, mas não é por isso. Agora as coisas tinham subido o nível e não é só um namoro que eu terminei. É uma porra de um noivado esquisito e eu tava morando lá, cara. Tipo, tô de favor no apartamento da Ino e do Sai, que um dia foi meu. – isso é fato. Não tenho nada além de um carro. Vou dormir dentro dele.

- Eu te chamaria pra ficar aqui mas Deus me livre de uma folgada que nem você me atormentando dia e noite.

Eu sinto falta desse morde e assopra.

- Eu não aceitaria, de qualquer maneira. Se eu fizesse isso, ia dar ainda mais combustível pro Kakashi falar merda. – e não devia ter dito isso. Os olhões verdes já se arregalaram pra mim na mesma hora.

- Que merda, Sakura?! Ele não te ofendeu nem nada assim não, né? – ofendeu. Mas eu não vou te contar porque eu já vi que você ficou nervoso. Dei só um sorrisinho sem graça e ele, sendo ele, sabe que sim. – Porra, Kakashi...

- Relaxa, Gaara. Tem gente que é assim. Que acha desculpa pra justificar a própria merda e taca nos outros.

- Se ele abrir a boca pra falar que você fez qualquer coisa comigo, depois que eu voltei... Puta que pariu. Você não tava nem me olhando direito! Até no telefone! Nossa, se você soubesse a raiva que me dava quando você ficava quieta e parava de falar...

Bom, se eu for à julgamento, coloco o demônio ruivo pra testemunhar à meu favor. Tá vendo? Eu não tava dando pezinho.

- Não é só isso. Eu descobri umas paradas aí.

- Que paradas? Ficou com a Rin de novo? – ô louco.

- Acho que não. Por quê?! Você tá sabendo de alguma coisa? – já põe na roda.

- Não, tô sabendo de nada, não. Só pensei que fosse isso. Que paradas então?

- Ah, no lançamento do livro da Rin ele me listou como acompanhante. E eu...

- Mas você não escreveu o texto lá? Como assim você tava como acompanhante? Eu não manjo muito mas você não tinha um destaque?

Aí o cara mais bruto, mais seco, que eu já conheci entende e o meu ex-alguma coisa, que é delicado, refinado e sensível, acha que eu tava sendo ingrata.

- Pois é. E eu fui falar com ele sobre isso, o negócio enrolou.

Os meus silêncios com o Gaara são sempre excelentes. Mas esse, em específico, tem alguma coisa por trás, porque ele tá me olhando com cara de quem tá pensando se me fala ou não. Arregaça, demônio.

- A Ino te contou que ele ligou pra ela? – nossa, que vergonha disso. Contou. – E você falou sobre isso com ele? – não precisei chegar nessa parte. – Sakura, o negócio foi feio sábado. O Sai tava louco. Ele só não foi lá encher o Kakashi de murro, porque eu e a porca interferimos.

E a Sakura lá, achando que o mundo era cor-de-rosa, comendo rámen e arrumando livro.

- Nossa, Gaara... eu tô tão envergonhada disso.

- Mas você não tem que se envergonhar. – tenho sim. Eu que deixei as coisas chegarem nesse ponto. – Quem tem que ficar com vergonha é o Kakashi por tá agindo feito um moleque. Ele falou que eu liguei pra ele?

WHAAAAAAAT?!

- Quando?

- No sábado mesmo. Falei um monte de merda pra ele. Ele tá com birra de mim, beleza. Agora envolver a Ino e o Sai nisso, não tem nada a ver. Ou, eu cheguei lá aquela louca tava em desespero, chorando sem parar, falando que ele nunca mais ia deixar você falar com ela. Porra, Sakura... coisa de gente escrota isso que ele fez.

Demais.

D.E.M.A.I.S.

- Eu não curto ficar falando mal dos outros, ainda mais pelas costas. Mas eu tô devendo um soco no Kakashi. Por mim, pelas bostas que ele falou pra mim, pela Ino e, agora, por você. – e do tanto que tá nervoso, é perigoso ir fazer isso hoje mesmo.

- Gaara, deixa pra lá. Eu vou me afastar do Kakashi, não vou largar a porquinha nunca e você... – você... e esses seus olhos que tão me olhando com tanto carinho... – você tem seu emprego lá na Editora.

- Eu tô me lixando praquilo lá! Eu nem ia, Sakura. Só fui mesmo pra olhar pra cara de palhaço do Kakashi. Eu nem fui lá pra pedir o emprego, fui pra socar ele. Mas aí você tava lá e...

É. Sentada no colo do Kakashi. Ridículo.

- Aí você falou a primeira coisa.

- Não a primeira. Eu vi que você tentou sair e ele não deixou. Então eu quis ficar por perto. Sei lá... cuidar de você, não sei. Nem que fosse de longe, como antes.

Tá.

É muito errado eu me sentir bem ouvindo ele falar isso? É muito cretino da minha parte gostar de saber que ele se sujeitou às gracinhas do Kakashi não pra atormentar ele, mas pra ficar perto de mim? É muito escroto eu estar me sentindo segura debaixo da asa do demônio, mesmo que ela não esteja visualmente sobre os meus ombros?

Gaara tem mil defeitos. Mas aquele que me tirou de perto dele, esse parece que tá corrigido.

- Como vão ficar as coisas com o seu trabalho, Sakura?

- Não faço a menor ideia. – não duvidaria nada se ele me mandasse embora amanhã e tirasse meu nome do livro. – Mas assim, se o Kakashi me dispensar... sei lá, talvez fosse até melhor, sabe? Eu só vou sentir falta dos meninos.

- Eles também tão chapados com o Kakashi. Aliás, puta merda hein, Sakura? Você me esconder o que o Sasuke fez... – tá até mordendo a mão. – Tinha acabado de desembarcar, ligo o celular e tem uma mensagem do Naruto me contando que o Kakashi tinha batido no Sasuke por sua causa. Liguei pro idiota do aeroporto mesmo e ele me contou. Eu só não embarquei de volta porque... nem sei. Se eu tivesse voltado não tava essa merda toda. – aí porque que eu não contei. Tá até tremendo de raiva. – Mas enfim... eles tão travados com o Kakashi. Parece que ele tá dando uma implicada com os dois.

- Por minha causa?

- Ah, você é esperta demais pra saber a resposta disso, né?

Olha o raio de destruição que o meu relacionamento com o Kakashi gerou. Até nos meninos tá resvalando. Será que eu saí a tempo?

- Eu não sei nem o que falar, Gaara.

E, de repente, a garra. Aquela, que eu conheço tão bem, aparece mansinha, cuidadosa, e levanta meu queixo pra ver um sorriso lindo. Aquele, que consegue a paz no Oriente Médio.

- Eu te disse já, eu te ajudo a enfrentar qualquer merda que apareça. – meu Deus... eu não sei se é tristeza, se é fragilidade, mas não dá pra não sorrir ouvindo isso. – Puta merda, Sakura... como seu sorriso me desmonta, folgada...

Meu corpo assume sozinho determinadas rédeas. Ele tá implorando pelo Gaara. Tá implorando pelo toque dele, pela pele, pelo contato, pelo carinho, pela proteção. E o passo que eu dei pra me encaixar entre as pernas abertas dele foi automático. Foram as minhas pernas que andaram sozinhas, como elas sempre faziam quando eu corria fugindo de alguma coisa e acabava na sala dele. O meu cabelo até suspirou quando a garra se enfiou no meio dele. A minha testa achou o lugar que ela mais ama no mundo, no segundo em que se encostou na dele. A garra que sobrou, solta, enrolou o mindinho no meu, e a minha força apareceu na hora. E aquelas conversas, as nossas conversas, de boca sobre boca, de lábios roçando sem se beijar, de olhos fechados. Tem tanto sentido isso...

- Eu não vou mais deixar faltar palavra, Sakura... Eu te amo, você sabe. Eu vou falar isso quantas vezes precisar até eu ver você sorrir assim... Desse jeito que é o meu. Meu sorriso, minha Sakura, minha folgada... Só fica sorrindo pra mim, meu amor... Só fica sorrindo e eu vou tá aqui com você pra sempre...

Tem como não sorrir?

Lembrei do que eu escrevi na “carta” pra ele:

Ainda estou esperando pra descobrir se há amores que se reencontram...

Não. Não existem amores que se reencontram. Existem amores que nunca se apagaram e que, quando tem a oportunidade, se prometem, com palavras ou sem, que nunca mais vão se separar.

- Me dá um tempinho, Gaara... – eu sei que já pedi isso uma vez e, sendo ele, vai rolar uma pressão.

- O tempo que você precisar, meu amor. Mas eu vou ficar aqui, do seu lado.

Não teve pressão.



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