História Efeito Borboleta - Capítulo 34


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Sakura Haruno
Exibições 104
Palavras 2.534
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 34 - O Reencontro.


Fanfic / Fanfiction Efeito Borboleta - Capítulo 34 - O Reencontro.

 

 

Seu pé escorregou novamente, deslizou entre as folhas caídas no chão, era a terceira queda consecutiva em menos de dez minutos, precisava ser mais cuidadosa ou acabaria sozinha no meio do nada com uma fratura na perna. Praguejou pela milésima vez por sua inabilidade em arquitetar um plano de fuga descente, sua falta de coordenação motora, e total falta de sorte.

Hesitante olhou para traz. Seus olhos vagaram por toda a planície, o verde da vegetação desapareceu por completo sob uma camada generosa e perigosa de neve, a mansão Uchiha era apenas um ponto escuro diminuto na imensidão branca. Suas pegadas carimbadas no chão se pareciam com as migalhas de pão jogadas por João e Maria, denunciavam sua rota. Itachi a encontraria facilmente.

O inverno deixava o ambiente inóspito e os dias eram mais curtos. O sol começava a se esconder no horizonte, precisava apressar-se, a luz natural se extinguiria em pouco tempo, teria que aventurar-se no breu da noite caminhando sem o auxilio de lanternas, em outra ocasião, talvez acampasse em volta de uma fogueira, assasse alguns marshmallows para aquecer a alma e repor suas energias, mas essa ideia tola foi abandonada rapidamente. Descansar não era uma opção.

Outro escorregão, outro tombo, outro gemido, esgotou todo seu repertório de palavras de baixo-calão nessa breve caminhada. Levantou-se rapidamente, mas como manter-se concentrada quando a lembrança dos lábios de Itachi pressionando os seus a perseguia, chamava a si mesma de Judas Iscariotes, traiçoeira, que selou sua traição com um beijo.

Maldito Uchiha. A beijou, e depois... E depois. Nada. Sorriu com sarcasmo deixando-a sozinha na sala. Impossível não confundi-lo com o Sasuke, os mesmos olhos dúbios, o mesmo sorriso, o mesmo sarcasmo.

Ficou parada, permaneceu sentada na mesma posição por minutos, estática igual a estatua de mármore que se estatelou no chão na noite anterior, inebriada tocou o lábio inferior com as pontas dos dedos, contemplando as madeiras na lareira serem consumidas pelas chamas até transformarem-se em cinzas.

Olhou ao seu redor, percebeu que apesar de ser uma fugitiva continuava encarcerada, o local era mais confortável que o manicômio e mais acolhedor que o esconderijo de Hinata, o carcereiro também era mais interessante que os enfermeiros, mas estava confinada, isolada do mundo, sem eletricidade, internet e sem telefone, tendo por companhia um dos Uchihas.

Sakura sabia, pressentia, deduzia que estava literalmente fodida, não no bom sentido da palavra, não conseguia confiar em Itachi, ele parecia um personagem fictício de contos de fadas, lindo, culto e bilionário, que ressurgi das cinzas para salva-la, mas a vida nem sempre imita a arte.

Se os cálculos que fez apressadamente estiverem corretos, em três dias chegara a uma cidadezinha, onde ira procurar uma delegacia e se entregar para a policial local, em alguns dias será extraditada. Não. Você não leu errado, tampouco Sakura perdeu o ultimo parafuso que prendia sua lucidez, ela percebeu que o único lugar que lhe ofereceria segurança era o manicômio, onde privacidade é luxo desnecessário, ela seria monitorada vinte e quatro horas por dia, sete dias da semana até o resto de sua vida.

Não viveria como uma foragida, se escondendo da policia, da Hinata, do Sasuke e talvez do Itachi. Esse seria seu castigo, voltar ao cárcere por vontade própria, onde seu martírio começou, cumpriria sua pena de prisão perpétua mesmo sabendo de sua inocência, afinal, mais vale um covarde vivo do que um herói morto, todo seu esforço para fugir e sobreviver foi inútil, tempo e esforço desperdiçados, mas não poderia sobreviver assim, esperando sempre o imponderado, o próximo ataque, a próxima fuga, o próximo inimigo.

Cansada encostou seu corpo exausto no tronco de uma arvore. A mansão Uchiha não podia mais ser vista, a paisagem foi substituída por uma cadeia de montanhas, apenas alguns pontos amarelados tingiam a brancura do chão, as folhas desbotadas resistiam bravamente ao frio quase glacial.

Precisava orientar-se, não podia correr o risco de andar em círculos, pegou a pequena bussola que surrupiou da mansão Uchiha.

— Vamos Sakura. ‘murmurou’ para si mesma.

Voltou a caminhar, uma colina íngreme repleta de rochedo e obstáculos naturais a esperava. A mochila nas costas se tornou um fardo pesado, fugir com o calcanhar machucado foi uma péssima ideia, não conseguia dar dois passos sem sentir uma fisgada no local do corte, cada passo que dava exigia um esforço maior que anterior, mas a adrenalina e o medo a convenciam a continuar caminhando, não havia tempo para lamurias e arrependimentos. Desistir não era uma opção.

A noite chegou rapidamente, a temperatura despencou, a sensação térmica remetia a era glacial, enxergar com clareza já não era possível, precisava usar os outros sentidos; sentia o ar gélido batendo contra seu rosto, ressecando sua pele, ouvia o vento farfalhar a copa das arvores balançando sobre sua cabeça, assobiando contra as rochas, o uivo de algum animal notívago.

Um passo, mas um passo, dizia a si mesma.

Um ruído de motor chamou sua atenção, deixando seu instinto de sobrevivência em estado de alerta, a luz de um farol surgiu no pé da colina subindo em sua direção, iluminando suas pegadas na neve. Afligiu-se, poderia ser algum morador das redondezas, um policial, mas poderia também ser Itachi, Sasuke ou Hinata, amedrontada colou seu corpo no tronco na arvore.

Uma Snowmobiles passou a alguns metros, era aterrorizante não saber se o condutor do veiculo era um inimigo ou um possível aliado, preferiu não se arriscar mantendo-se camuflada no tronco da arvore esperando que ele se afastasse.

O silencio e escuridão reinaram novamente, ouvia apenas o vento chacoalhando as arvores e chicoteando seus cabelos. Voltou a caminhar. Tateava as cegas o caminho, com o auxilio de pedaço de madeira que mais parecia a bengala do Dr House, arfava, ofegava, gemia, Sakura não tinha preparo físico para essa fuga que era um verdadeiro teste de resistência, as pontas de seus dedos estavam dormentes, os músculos falhavam, mas ela persistia. Arrepender-se não era uma opção.

Sakura estava fadigada, o raciocínio confuso, teve a impressão de ver uma sombra mover-se entre algumas arvores, não poderia confiar totalmente em sua visão, a fadiga e o medo comprometiam seu discernimento, afastou seus temores e continuou a caminhar mais lentamente, tentando passar despercebida.

Sua garganta ressecada doía, precisava manter-se hidratada, parou mais uma vez, pegou a pequena garrafa de agua ao lado da mochila. Através da sua visão periférica Sakura percebeu algo se mover ao seu lado. Paralisou. Temia tanto encontrar um dos Uchihas que se esqueceu por completo que ali também era o habitat de alguns animais.

Tentou enxergar entre as sombras e os relevos, os galhos balançados, potencializava o aspecto fantasmagórico, um arrepio percorreu toda sua coluna vertebral, pressionou o cajado entre as mãos, segurando-os com força, voltou a caminhar, a inércia não a ajudaria em nada.

O estalo de um graveto quebrando fez uma descarga de adrenalina ser jogada subitamente em seu organismo, queria correr, esconder-se, mas não sabia em qual direção deveria fugir. Um baque seco de algo pesado batendo contra o chão ligou o botão. Dane-se.

Correu. Escorregou, caiu, levantou, praguejou, correu. Parou.

Ofegante Sakura chegou ao topo da colina, seu rosto ardia, e suas mãos latejavam, olhou para trás, para certificar-se que nada a seguia, que estava em segurança. O calcanhar machucado a traiu, uma forte fisgada no local do corte, a desequilibrou, Sakura escorregou ribanceira a baixo. Tudo ao seu redor rodopiava, girava em trezentos e sessenta graus, sua cabeça foi golpeada algumas vezes, seu corpo suportou vários solavancos dos desníveis do terreno.

Seus restos mortais afundaram em uma pequena montanha de gelo, a roupa acolchoada amorteceu sua queda, amenizando o atrito contra o solo, a gola da jaqueta cobria parcialmente sua boca. Permaneceu inerte, caída, quase catatônica observando alguns flocos cintilantes caírem em câmera lenta sobre ela, o granizo gelado grudava na pele adormecida do seu rosto formando um mosaico, uma rajada de ar frio atingiu-a na face, despertando-a do transe, a trazendo de volta para a realidade, para os Alpes, o frio, a neve.

O eco de passos apressados se aproximava, estava cansada em demasia para raciocinar, para manter-se viva, já sobreviveu a inúmeras situações extremas que se agora fosse seu suspiro final, aceitaria seu destino sem queixas. Não conseguia se mover, seus músculos estavam paralisados pela dor, pelo medo, uma pressão gradual aumentava sobre sua caixa torácica, o oxigênio faltava em seus pulmões, inspirou o ar gelado devolvendo para a atmosfera gás carbônico aquecido.

O contorno de uma figura robusta surgiu em seu campo de visão, a respiração condensada em névoa à sua frente subia rumo à estratosfera.

Os batimentos cardíacos de Sakura entraram em descompasso, manteve os olhos abertos, esbugalhados a espera do pior, tateou com as pontas do dedo o seu bastão de apoio perdido na neve, por sorte o objeto jazia junto ao seu corpo.

— Senhorita Haruno, salva-la tornou-se um hábito.

A inquietude.

Seu corpo e seus sentidos responderam ao estimulo auditivo, imediatamente um sorriso discreto escondeu-se sob a gola da jaqueta, seus hormônios despertaram depois de adormecidos um longo tempo, Sakura afrouxou os dedos que circundavam o bastão, o pedaço de pau escapou de sua mão, segura-lo não fazia o menor sentido.

Ela se perguntava o que havia de errado com sua personalidade, era portadora de uma índole duvidosa, Sakura Haruno era a contradição personificada, depois de um beijo singelo em Iitachi que mais se assemelhava a um roçar de lábios infantil, decidiu enfrentar uma nevasca para fugir do gêmeo bom, o filantropo que espalhava a paz pelo mundo, porém entrou em êxtase ao reencontrar o gêmeo mau, o Serial Killer, fugitivo da penitenciária.

Ela elaborou e decorou um extenso monologo para declamar se um dia se encontrassem novamente, todos os parágrafos elaborado com frases de efeito, todas as acusações escondidas em cada palavra, desapareceram. Os sentimentos que ela nutria pelo fugitivo não era uma operação matemática, uma equação extada, onde a lógica responde a todas as perguntas, os sentimentos que nutria por ele não poderiam ser explicados, apenas sentidos, então permaneceu estática, extasiada e sorrindo sob o tecido impermeável.

— Senhorita Haruno, devo adverti-la, não se mexa, poderá lesionar sua coluna.

Sasuke abaixou-se ao lado dela, retirou uma pequena lanterna do bolso iluminando o terreno ao redor, os cabelos negros escapavam por baixo do capuz, sua expressão serena aniquilou qualquer vestígio de insegurança, deveria estar apavorada, em pânico, porém não sentia medo, na realidade estava feliz em reencontra-lo.

Mergulhou na retina escura dele, uma imensidão repleta de promessas vazias, sentia saudades dos olhos ônix hipnóticos pousando sobre ela sem pudor, a intimidando, a encurralando, sentia saudades do desconforto que a presença dele lhe causava. Esse era apenas um de seus segredos inconfessáveis.

Lembrou-se da primeira vez em o que viu, do impacto que foi em sua vida pacata encontra-lo naquela cela.

— Não se aproxime. Fique longe. ‘Pediu’.

Ele ignorou a suplica feminina, afastou a roupa acolchoada que cobria parcialmente o rosto, desfez o mosaico branco pontilhado sobre a derme dela, a luva áspera raspava contra sua têmpora, revelando uma expressão cansada.

Ele riu debochado, o riso dele era uma eterna incógnita, Sakura nunca soube se ele ria para ela, ou se ria dela, também sentia saudades do humor negro, sarcástico que tornava a personalidade dele única.

— Quanta insensibilidade da sua parte. Depois de todo esse tempo achei que ficaria feliz em me ver.

Sim. Sakura estava feliz em revê-lo, esperou e desejou por esse momento todos os dias, esse era outro de seus segredos obscuros, algo que ela jamais confessaria em voz alta, porque amar um criminoso, fugitivo que sequestrou sua amiga de infância era algo inadmissível.

— Eu sei de tudo. Sei o que fez. Sei quem é. ‘Acusou’ Sakura.

Outra rajada de vento açoitou seu corpo inerte no chão, os flocos de neve caiam intensamente sobre ela, mais alguns minutos deitada na neve seria fatal para sua saúde. Sasuke apalpou os membros de Sakura a procura de alguma fratura.

— Criança, lamento decepciona-la, porém a ignorância continua a ser sua melhor amiga. Sabe o que fiz, mas nunca se perguntou o porquê fiz?

Os olhos dela procuravam pelo ônix, procuravam por respostas, procuravam por consolo.

— Por quê? ‘Inquiriu’.

Sasuke a fitava em silencio, o deboche, o descaso abandonou seu semblante, a seriedade tão incomum a ele fez lhe uma visita surpresa. Os minutos se passavam e ele permanecia impassível, a observando, Sakura começou a se desesperar porque talvez a resposta fosse que não havia resposta, talvez não existisse um motivo plausível, porque não existe resposta que justifique sequestro e assassinato.

Ele retirou as luvas e tocou o rosto dela com a ponta dos dedos, contornou o desenho dos lábios róseos com o indicador, finalmente a pele de Sakura conheceu seu toque, não havia mais os vidros blindados, nem os alarmes separando-os, não existiam barreiras físicas entre eles. Sasuke fechou suas pálpebras por alguns instantes e finalmente respondeu.

— Por você. ‘Respondeu’.

O toque foi interrompido abruptamente, a luva voltou a exercer sua função de proteger a mão do frio, Sasuke vestiu-a rapidamente.

— Esta mentindo. ‘Retrucou’.

Sasuke curvou-se sobre ela, seus lábios estavam perigosamente próximos, quase se unindo em um beijo, a respiração deles misturavam-se, a proximidade a torturava, a atraia e a repelia na mesma intensidade, a fusão do medo e do desejo eram latentes.

— Tudo sempre foi por você.

Sakura perdeu-se na íris negra, na voz melodiosa. Nesse exato momento todas as atrocidades cometidas por ele não importavam, os crimes, os assassinatos eram pequenos detalhes sem relevância. Ela esqueceria tudo, ela perdoaria tudo se ele a beijasse.

— Você sequestrou, abusou, estuprou uma garota. Como pode dizer que foi por minha causa?

— Queria ter ficado no lugar dela?

Ele pôs se em pé, arrumou o punho da luva em volta do pulso.

— Ela era minha amiga, minha melhor amiga. A única.

O sorriso de puro deboche retornou em seu rosto.

— Senhorita Haruno, se a sequestrada fosse uma total desconhecida não teria problema? Se fosse a filha do padeiro, do taxista, sua vida teria sido melhor? O problema não é, nem nunca foi o sofrimento da sua amiga, o problema sempre foi a falsa culpa que adora carregar. Criança hipócrita, se não fosse a sua vizinha, seria qualquer outra menina que se encaixasse no perfil, a pequena Hinata deu o azar de morar ao lado, não foi nada pessoal, apenas negócios.

— Canalha, monstro. ‘Berrou’.

Ela segurou o bastão com mais força em sua mão, com um golpe rápido tentou nocautear Sasuke, que desviou facilmente da tentativa patética de agressão.

— Senhorita Haruno, abandone a hipocrisia que tanto ama, abandone o falso moralismo que esta impregnado em sua essência e me diga. Diga se não agradeceu por ela estar no seu lugar. Tenho certeza que toda manhã quando acordava, respirava aliviada por eu ter levado sua amiga Hinata em seu lugar, obviamente depois de alguns minutos de felicidade você vestia a mascara da culpa e se arrastava pela casa com os olhos tristonhos pela tragédia que aconteceu, mas no fundo, bem lá no fundo, a pequena Sakura estava feliz.

— O que quer de mim?

— No momento tira-la daqui e fazer uma assepsia em seu pé. Depois eu quero você.

— Vai me matar?

— Porque acha que quero vê-la morta, se tudo que fiz foi para mantê-la viva.



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