História Egoist- O que é meu não compartilho. - Capítulo 6


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Drama, Homossexuais, Lemon, Mistério, Perseguição, Revelaçoes, Romance, Stalker, Yaoi
Exibições 98
Palavras 1.696
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Suspense, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Mudanças


As coisas estavam ficando cada vez mais estranhas. Encontrar o Yuri aqui, era o que menos esperava. Yuri foi um garoto que conheci — e não peguei— que passou um breve tempo na escola. Seu pai era um homem que trabalhava viajando muito, então ele vivia trocando de cidade. Como ele era lindo e enigmático consegui fazer amizade com ele rápido. Para ser sincero, era praticamente o único que ele conversava  por muito tempo. Muitos ex-namorados e paqueras, achavam que rolava um lance entre a gente, mais infelizmente, o Yuri nunca teve esse tipo de sentimento por mim. Depois de três semanas frequentando nossa escola, ele se mudou sem nada dizer novamente, e nunca mais nos vimos.

— Ouvir gritos e vim ver o que era.— disse ele já na minha porta.

— Desculpe, foi somente um desacordo com um antigo colega de escola. — respondi. Será que ele é meu novo vizinho?

— Os problemas continuam te seguindo?— me perguntou, com um leve sorriso no rosto. Nossa, o Yuri ficou muito mais bonito com o tempo.

— O correto seria "continuo sendo ingênuo", e você o que faz aqui? Costuma invadir as casas alheias quando ouve muito barulho? 

— Só que essa casa é minha, vim visitar minha avó  e descobrir que ela arranjou um inquilino novo, resolvi ver que tipo de pessoa ele era. Não imaginava que fosse você. — respondeu já entrando e sentando no sofá.

— Você é o neto desnaturado que mal visita ela então!

— Não me vejo assim, eu sou somente ocupado demais.

— Me explica uma coisa, se sua avó morava próximo, porque você não ficou com ela, ao invés de ficar viajando com seu pai?

— Porque meu pai precisava de mim, além do mais, é um saco morar com pessoas idosas quando se é adolescente. 

— Que coisa triste de se dizer! Você ficará velho também um dia.

— Sim, e não me suportarei.

— Onde mora agora? É próximo?— Eu sei que não deveria, mas uma chama da esperança contava com isso, seria maravilhoso manter contato com ele, como antigamente. Mesmo que ele nunca me desse bola, só em poder está próximo dele, eu fico feliz. Ele é um dos dois amores que me abandonou, eu estava loucamente apaixonado por Yuri na escola, era meu amor unilateral. De repente, ele vai embora, e nem se despede de mim, eu fiquei muito mal quando isso aconteceu.

— Não, eu moro bem longe daqui, por isso não consigo visitá-la com tanta frequência, me tornando o "neto desnaturado". Mudando de assunto, como está você? O que fez depois da escola?

— É tanta coisa, que daria um livro dramático.— respondi me sentando do lado dele no sofá.

— Aproveite meu tempo livre, e desabafe.

— Como começar... Alguns meses depois de você ter se mudado sem me dizer, eu fui expulso da escola. Surgiram um monte de fofocas ao meu respeito, devido meus namoricos no laboratório que foi descoberto pelos professores. Graças aos pais de alguns alunos que fizeram questão de reclamar da minha conduta, eles tomaram essa ação drástica. Meus pais não aceitaram saber que eu sou gay, e que tinha relacionamentos escondidos na escola com outros meninos, então me expulsam de casa. Fui "adotado" pela família da Janaína, uma amiga que fiz também depois que você foi embora. Mas, você já tinha visto ela algumas vezes, sabe uma garota negra de cabelos cacheados, que vivia rodeada de meninas e fazia exposições de quadros nos festivais escolares? Pois, ela é lésbica assumida, inclusive para os pais, e eles se compadeceram de mim.  Moro com eles desde então, mas resolvi que já era hora de achar meu canto. Fim.

— Bem tensa sua história, não sei nem o que falar. — disse ele passando a mão naqueles cabelos escuros lindos, quase um índio americano, um adônis da mitologia grega...— Mas pelo que vejo, está bem, apesar disso tudo. Por que quer se mudar agora?

Sem chance que eu conte sobre o meu perseguidor, não quero que ele fique com pena de mim, ou pior, resolva convencer a sua avó não me alugar o apartamento por medo de um maluco persegui-la também.

— Eu irei fazer vinte anos esse ano, trabalho, tenho meu dinheiro. É maldade continuar me aproveitando do amor da família dos outros.

— Ou seria porque você quer liberdade para sair com seus namoradinhos, como aquele estressadinho de a pouco?

— Eu não sou você, estou solteiro e ele não era meu namorado. Não era nada para ser mais exato. Mas aposto que você não está solteiro. Estou errado? — perguntei, esperando que ele dissesse que eu estava muito errado, que descobriu que também sente atração por homens.

Não me custa nada sonhar. 

—Acertou, eu tenho uma namorada. Faz parte dos meus compromissos que me impedem vim com mais frequência visitar minha avó.

— Ah...Claro. — aposto que estou esboçando o sorriso mais falso do mundo. Ficamos em silêncio depois disso, eu perdi todo interesse de continuar falando sobre qualquer coisa. 

— Voltou a chover, que saco. — disse ele olhando para  a janela.

— Eu que o diga! Mandei minha carona embora, e meu guarda-chuva estava dentro do carro. Aquele maldito... — resmunguei.

— Posso te dar uma carona até sua casa, estou de carro.

— Não, valeu! Eu vou esperar a chuva passar e depois irei para o ponto de ônibus. Trouxe dinheiro de qualquer forma. — disse levantando, ele fez o mesmo. 

— Não seja idiota, essa chuva vai demorar para passar. Vai ficar aqui por um bom tempo se for esperar.

— Acho que eu devo mesmo mudar meu nome para idiota, estou escutando e sendo um demais ultimamente. Olha, eu estou escutando sua avó chamando. Preciso assinar os papeis. 

— Vamos, se não quer ser idiota, aceite minha carona depois de assinar o contrato.

— Tudo bem. — respondi descendo rápido e com cuidado as escadas, para não me molhar muito.

 

 

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Cheguei em casa, não muito tarde. Todos estavam curiosos com minha saída repentina. Depois de passar anos evitando relacionamentos, eles me veem saindo com um cara de carro, claro que já iriam imaginar um monte de coisa.

— Que delicia de volta a vida! Vai com um homem e volta com outro. — brincou Janaína ao abrir a porta para mim.

— De onde está tirando esses maus modos de espionar pela janela? Seria do Egoistboy? — perguntei indo para a sala.

 — Ele perde para mim, te vigio por mais tempo que ele. — respondeu.

— Boa noite, tios. — disse indo beijar a face dos meus queridos.

— Boa querido, se divertiu hoje? — todos estavam com cara de  "finalmente ele está vivendo" estampada na testa. Fiquei um pouco mal, por não ser exatamente isso que iria contá-los.

— Ah, não é nada disso que estão pensando, na verdade ele só me deu uma carona para visitar uns apartamentos que estava interessado em alugar. 

—Alugar? Como assim? — perguntou preocupado o Tio.

— Sim, não me levem a mal, mas acho que está na hora de viver sozinho. Eu sou muito agradecido por terem tomado conta de mim todos esses anos, e tenho vocês como minha verdadeira família, mas eu sou um homem adulto agora, e preciso seguir em frente. — meu coração apertava em dizer essas palavras. O rostinhos deles de tristeza me matava por dentro. Eles realmente me tinham como seu segundo filho, mesmo fisicamente sermos bastante diferentes. Os tios eram negros, e eu super branco.

No inicio quando vim morar com eles, e os outros integrantes da família me viram pela primeira vez, estranharam um menino loiro dos olhos azuis, morando com eles. Mas nenhuma cor de pele, é capaz de superar o amor pelo próximo. E eu fui cuidado como membro da família, do mesmo sangue. Eles são os meus pais, e a Jana minha irmã, isso nunca irá mudar. Mesmo não vivendo mais juntos.

— Filho, por que isso agora? Quem vai cozinhar para você? Cuidar das suas roupas, ou cuidar de você quando ficar doente? — perguntou a Tia ceci, me abraçando.

— Eu sei fazer tudo isso, irei ficar bem prometo. Sempre virei visitá-los quando tiver oportunidade.

— Quem vai assistir futebol comigo? A Janaína não gosta, ela é muito chata para programas em família. — perguntou o Tio, com um sorriso triste no rosto.

— Na verdade, eu só assistia porque achava os jogadores bonitos.

— Eu sabia disso, mas ainda assim, era bom te ter como companhia. — disse ele me abraçando. Me senti naquele momento que  o filho sai de casa para morar no campus de alguma faculdade em outro país. Em um abraço em família, tirando a Janaína, ela não se juntou a nós. Ficou sentada de braços cruzados no sofá, me olhando.

— Você está fazendo isso para me provocar, não é? — perguntou ela, nos separamos, e eu fiquei olhando para ela sem entender o que queria dizer — Foi pelo que eu  disse para você na praça, agora você vem com essa ideia absurda de sai daqui. Eu te disse que foi da boca para fora, que aquilo não significava nada, eu pedi desculpas! — gritou, com lágrimas nos olhos.

— Desculpe, Jana. Mas, isso iria acontecer um dia e você não tem culpa de nada. Não disse nenhuma mentira, são fatos. Na verdade, eu já estava pensando nisso a muito tempo, mas agora criei coragem para finalmente por em prática. — respondi, tentando abraçá-la, mas ela se levantou e se afastou de mim.

— Você é um mentiroso, Gabriel! Não fale mais comigo se for embora daqui!— disse subindo para o seu quarto. Todos ouvimos a porta ser batida com força.

— Você vai embora por causa de uma briga com a Janaína? — perguntou a Tia Ceci.

— Não, a discussão só veio a calhar em um momento inoportuno. Deixa ela ficar mais tranquila, depois converso melhor com ela. Bem, vou arrumar minhas coisas agora, pretendo amanhã mesmo me mudar.

— Como assim? — me perguntaram surpresos.

— Eu aluguei uma kitnet mobilhada, só preciso colocar meus pertences, já está pronta para uso. Então, eu quero aproveitar para usufrui-la, e ver se encontro algum problema na casa para ajeitar cedo. Tenham uma boa noite, tios. Subirei agora. 

Fui para o meu quarto, permitindo dessa vez que as lágrimas caíssem pelo meu rosto. Sentirei muita saudade dessa família, mas é melhor assim. Não sei que tipo de risco o Egoist representa, o que pode causar para mim ou para eles. É melhor deixá-los afastados dessa história. 



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