História Eins, zwei, DREI! - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Sehun
Tags Exo, Sebaek, Yaoi, Yuri On Ice!au
Exibições 119
Palavras 4.174
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Esporte, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá! Demorei, mas um dia ia sair. Quero pedir desculpas pela demora e dizer que YURI ON ICE OFICIALMENTE CHEGANDO NO PATAMAR QUE KUROKO NO BASKET TEM NA MINHA VIDA, virei além da loca de knb a loca de yoi! ENFIM...

Nessas notas iniciais eu quero antes de mais nada dedicar o capítulo a ~KimSeuk que fez aniversário sexta-feira e por motivos de travei e não consegui terminar o capítulo, não pude postar no dia certo. Mas quero dizer *atrasada aqui* parabéns pra minha maravilhosa, que eu desejo tudo de mais maravilhoso que esse mundo pode oferecer a sua vida! Você foi um tesouros que eu podia ter encontrado nesse site, fico muito feliz de te ter agora na minha vida. Obrigada por sempre ser essa menina tão doce e que os anos te concedam ainda mais doçura! Você é muito especial MESMO!

Agora ao capítulo!

Capítulo 3 - Yes, we were born to make history!


 

 

Seu coração ainda estava acelerado demais para conseguir focar no resto de seu trabalho. Correu para a sala de materiais e ao fechar a porta escorregou por ela, deixando-se cair sentado no chão, abraçado a seu esfregão.

Com sua respiração acelerada e seu coração no auge da histeria, sentiu sua visão ficar turva e lágrimas escorreram por suas bochechas.

– Era ele mesmo... Não era? – Ambas as mãos taparam sua própria boca, em completo choque.

Baekhyun tinha certeza. Ele reconheceria a milhas de distância aquele andar, os cabelos loiros, e principalmente aquela aura. Sabia que sem sombra de dúvidas era ele, mas então por que ainda assim parecia uma pessoa completamente diferente?

Aquele olhar não era o mesmo que vira tantas vezes pela tevê. Aquela atmosfera apreensiva ao redor não era a que se lembrava de sentir pela tela.

Então começou a chorar ainda mais. Não sabia explicar ao certo se era de felicidade ou uma estranha angústia. Seu coração ainda que acelerado, também se apertava, era uma dor que ele não conseguia explicar do por que sentia.

Fechou os olhos e deixou que em sua memória imagens daquele que tanto respeitava surgissem. Em cada ramo de lembrança o patinador deslizava lindo, mostrando toda a sua genialidade e leveza. Ele era único, era especial e deslumbrante.

Abriu os olhos assustado. Olhou ao redor notando que apenas a luz do poste da rua adentrava no cômodo. Era noite. Havia caído no sono enquanto chorava pensando no seu recente encontro com aquele a quem mais admirava.

Apurou os ouvidos e notou as últimas vozes deixando o rinque. Era hora de fazer seu trabalho final e logo depois ter sua mais adorada recompensa. Levantou-se e espanou as roupas, passou a manga da blusa pelo rosto, suspirou profundamente e segurou firmemente o próprio rosto. Tinha que seguir em frente.

O rinque estava vazio, as arquibancadas ao redor apenas em uma área em particular precisava ser limpa. Aqueles patinadores sempre faziam questão de deixar uma sujeira especial como presente de despedida. Talvez em partes fosse culpa dele, odiava ser rebaixado e sempre respondia às ofensas se tivesse a oportunidade. Por isso era tão detestado naquele lugar, ele não se calava.

Terminou tudo rapidamente e voltou para a sala de materiais, guardando todos os utensílios e finalmente dirigiu-se ao seu armário. E ali, escondido dentro de sua bolsa estava ele. Seu velho e fiel parceiro. Pegou-o junto com seu celular e voltou para o rinque.

Antes de calçá-los, dirigiu-se até as caixas de som, plugando seu celular e já selecionando a música. Pegou o controle e foi até os bancos mais próximos de umas das entradas do rinque, sentou-se e finalmente calçou-os, amarrando-os firmemente a seus pés, torcendo para que ele suportasse uma última vez antes de serem descartados.

Eram velhos e desgastados, mas tinham sua história, carregavam seus sonhos.

Levantou-se e caminhou até a entrada do rinque, retirando as proteções e largando-as no chão. Um pé de cada vez tocou a superfície congelada.

Seu corpo se arrepiou como se tivesse sentido a brisa mais fria do inverno de Garmisch. Era por aquela sensação que ele vivia, era por aquela euforia que crescia dentro de si que ainda não havia desistido. Avançou pelo gelo, passada por passada, sentindo-o, maculando-o com suas lâminas, reconhecendo-o uma vez mais.

O vento batia em seu rosto, jogando seus cabelos para trás. Sorriu. Era ótimo experimentar a liberdade de desbravar o mundo sobre o gelo. Apenas nesse momento ele tinha a sensação de que estava se conhecendo uma vez mais, se entendendo.

Com agilidade foi até o centro do rinque, rodando rapidamente e parando com os pés unidos. Fechou os olhos e inspirou profundamente, pegou o controle e apertou o botão que faria a música iniciar. E naqueles segundos iniciais tão rápidos antes da melodia começar, para si pareciam durar longos e quase intermináveis minutos.

De olhos fechados ele podia vê-lo diante de si, executando todo seu programa livre da final do Grand Prix, a primeira performance que vira pela tevê.

Mas era diferente. A música original juntamente com a sequencia estabelecida trazia uma carga emocional intensa, era como um conto de fadas repleto de reviravoltas. Originalmente era como magia. Ele não se via no direito de copiá-lo fielmente, por isso dizia apenas ter pegado emprestado e adaptado ao que estava ao seu alcance.

Como era mesmo que ele iniciava? Ah... é verdade! Ele sempre começava pela direita...”

E quando a primeira nota da música alcançou seus ouvidos, inverteu o movimento inicial para a esquerda e ao contrário das feições na apresentação original... Ele sorriu.

Afinal era por isso que havia escolhido aquela música. Cada nota trazia consigo um encanto de paixão e felicidade, a atmosfera única dos anos 60. E apenas com seu sorriso e seus movimentos em conjunto que poderia passar isso para seus imaginados telespectadores.

Copiando os movimentos de seu ídolo, vez ou outra os invertendo de alguma maneira, ele cortava velozmente todo o rinque, sempre carregando em seus lábios o sorriso que causava o efeito da música.

Se alguém fosse capaz de vê-lo algum dia era isso que desejava. Que não fossem capazes de tirar os olhos dele.

Naquele momento apenas ele existia, o gelo e a música. Nada mais.

 

 

 

❄ ❅ ❆

 

 

Sehun dava passos longos, ele apenas podia ouvir a música tocar, não conseguia sequer imaginar o que a iniciara, mas ele queria ser rápido. Precisava ver, porque dentro de si ele sentia que seja lá o que ele descobrisse, sua vida poderia ser diferente.

Foi quando o loiro parou diante da porta de entrada do rinque, estava fechada, a música passava pelas pequenas frestas. Jongin o alcançou e parou a seu lado, sorrindo e olhando-o de forma animada.

– O que está esperando?

– Eu não sei. – Sehun respondeu sinceramente. – Eu apenas me dei conta de que estou esperando algo.

– E qual o problema disso? – Jongin indagou.

– Eu fiquei com medo… Eu percebi que espero encontrar algo que tire de mim esse medo. E isso me assusta, eu aprendi a conviver com esse sentimento, mesmo que eu não quisesse isso se tornou parte de mim. E agora estou assustado, Jongin, porque me dei conta de que não quero mais ser acorrentado a esse medo e por algum motivo eu sinto que o que pode me salvar está atrás dessa porta. – Sehun respondeu, esticando sua mão e tocando no vidro preto. – É patético, não? – Riu soprado.

Jongin tocou na mão do loiro que estava apoiada sobre o vidro, fazendo-o olhar para si e sorriu.

–Nenhum pouco. Já está na hora de você voltar a viver, Sehun, e eu acredito que agora é a hora. Pra vocês dois. – Completou, ignorando o semblante confuso do amigo e apertando o botão que abria a porta.

A música se intensificou, o ar gélido do rinque tocou uma vez mais seu rosto, arrepiando-o. Deu um primeiro passo sendo completamente recebido pela atmosfera animada da melodia. Ouviu o som de patins contra o gelo. Aproximou-se ainda mais do rinque, tudo parecia ficar cada vez mais intenso.

Então ele o viu. Em sua peculiaridade, o uniforme azulado. Cabelos vermelhos. O vento os fazia dançar tão animados quanto à música, ondulavam em contraste à superfície gélida. Ele sorria, um sorriso mais do que real, não era apenas uma encenação. Sehun podia sentir em todas as suas células que aquele sorriso tinha a mais pura sinceridade, a mais pura alegria por estar vivendo aquele momento.

Ele aproximou-se ainda mais, finalmente notando alguns dos movimentos executados pelo rapaz. Vez ou outra estavam invertidos ou executados com uma ordem diferente, mas ele os reconhecia. Aquela sequencia estava gravada a ferro em sua alma.

– Isso é…

– Ainda se lembra. – Jongin comentou sorrindo.

– Eu não poderia esquecer nem se quisesse... – Sehun começou, sentindo cada parte de si reagir aos movimentos tão bem conhecidos. – Esse é meu programa livre. – Então soltou um riso rápido. – Meu primeiro Grand Prix.

Jongin olhou para o amigo e não poderia jamais descrever apenas em palavras o que sentiu ao ver o olhar do loiro Depois de tantos anos, já começava a perder esperanças de ver aquele brilho, de ver vida naquele olhar.

– Mas está diferente... Como posso explicar?

– Adaptado? – Jongin perguntou.

– Eu diria despojado. – Sehun respondeu rindo divertido.

– E o que acha disso? – O moreno indagou com curiosidade no olhar. Estava gostando de ver o amigo permitir que o interesse o dominasse.

– Eu gosto… Eu realmente gosto.

Ao dizer isso, as últimas notas da música preenchiam o ambiente, sendo acompanhadas pelo último e firme movimento de finalização. Braços direcionados para onde Sehun estava como se fossem atraídos inconscientemente. Um primeiro olhar.

A respiração do garoto estava acelerada, seu rosto estava avermelhado, alguns poucos fios de seus cabelos caíam sobre seus olhos sombreando-os. E naquele momento o loiro compreendeu que talvez pudesse ser liberto de suas tão incômodas amarras. Porque naquela performance, em todo o conjunto daquele programa parcialmente modificado, Sehun conseguiu se ver, conseguiu sentir mais uma vez o que era surpreender quem estivesse assistindo.

Baekhyun arfava buscando se recuperar da mais recente atividade enquanto olhava petrificado para os dois homens parados a beirada do rinque.

N-Não pode ser. – Sussurrou para si mesmo.

Seus olhos se cruzaram com os do loiro, e o brilho que não fora capaz de ver naquela tarde – mesmo que a distância – estava presente naquele momento. Virou-se lentamente, ainda buscando convencer-se de que estava tendo mais uma chance de vê-lo tão próximo a si.

 

 

Você quer aprender a patinar? – Seu pai levantou os olhos de seu jornal e olhou rapidamente para a mulher que sorria gentilmente para si. – Por que isso de repente?

Porque um dia eu quero ser capaz de fazer o que ele faz, quero brilhar como ele, pai! – O garoto respondeu animado.

– Talvez seja difícil... Você está preparado para isso? – O homem dobrou o jornal, deixando-o sobre a mesa e virando-se para o filho, segurando ambas as mãos do garoto com firmeza.

– Se for pra um dia estar patinando no mesmo rinque... Mesmo que meus patins arrebentem, eu vou continuar até estar ao lado dele!

– Até que os patins arrebentem? – Seu pai riu divertido. – Acho que não posso mais contestar. Vamos aprender a patinar e um dia vou poder vê-lo ao lado dele, brilhando, não é?!

 

 

Sem perceber impulsionou seu corpo na direção dos dois homens, deslizando desengonçado sobre o gelo, uma aparente corrida. Apenas queria se aproximar, queria estar diante daquele que mais admirava. E embalado pela euforia esqueceu-se do estado que seus patins se encontravam, quando estava alcançando a barricada os cadarços se arrebentaram, fazendo-o desequilibrar-se e seu corpo impulsionar-se para frente, caindo de cara contra a superfície gélida.

Ficou longos minutos ainda de bruços sobre o gelo, desejando apenas voltar no tempo e ter ido em direção aos dois homens com um pouco mais de calma e autocontrole. Lentamente apoiou-se sobre as mãos e impulsionou seu corpo para cima, tentando levantar-se, e ao conseguir levantar sua cabeça deparou-se com um par de olhos castanhos o encarando seriamente.

– Você está bem? – Sehun perguntou preocupado, olhando para o garoto que o encarava de olhos arregalados.

E novamente os braços de Baekhyun fraquejaram e ele estava prestes a cair mais uma vez de cara no chão quando braços o seguraram firmemente.

– Opa... – Sehun o puxou para cima, fazendo-o ficar ajoelhado e assim impedindo-o de cair desajeitadamente de novo. – Vai acabar se machucando seriamente.

– V-Você...

– Sim?! – O loiro olhava-o curioso.

– É realmente você... – E repentinamente o garoto começou a chorar.

– E-Ei – Sehun se desesperou ao vê-lo chorar. – Você se machucou? Está doendo em algum lugar?

– Tsc... Você ainda não entendeu, né? A reclusão te tornou um verdadeiro idiota! – Jongin comentou com voz cansada, ainda que um sorrisinho estivesse em seus lábios.

– O que quer dizer? – O loiro olhava do garoto para o amigo tentando entender o que estava acontecendo. – E-Ei, por que está chorando?

Baekhyun fungou, tentando conter as lágrimas e os soluços que ainda insistiam em sair de si. Respirou fundo e tentou manter o contato visual com o mais velho por alguns instantes, mas isso só serviu para fazê-lo chorar ainda mais.

Sehun notou que naquele estado o garoto não seria capaz de responder qualquer uma de suas perguntas, então apenas suspirou e segurou firmemente o rosto do menor e deu uma não tão forte cabeçada nele, deixando que suas testas ficassem encostadas. Ficou em silêncio encarando o garoto, sendo igualmente observado com certa surpresa e aos poucos as lágrimas pararam juntamente com os soluços.

– Como se chama? – Sehun perguntou quase em um sussurro devido à proximidade, sem em momento algum quebrar aquele contato.

 – B-Byun Baekhyun. – O ruivo respondeu em tom igual.

– Você se machucou?

– Não... – A voz de Baekhyun saiu tão fraca que ele duvidou que o loiro tivesse escutando-o.

– Então por que estava chorando?

– P-Porque... Eu finalmente te encontrei. – Respondeu, sentindo seus olhos se encherem de lágrimas novamente.

Sehun continuou segurando o rosto do jovem, olhando-o agora com surpresa. E aos poucos compreendeu o que estava acontecendo ali. A performance, a queda, as lágrimas. Tudo.

– Você sabe quem eu sou? – Perguntou sentindo sua garganta fechar.

– Eu pensei que nunca mais seria capaz de te encontrar. Mas eu jurei que nem que meus patins se arrebentassem, um dia eu iria conseguir te alcançar. – Baekhyun respondeu, mordendo os lábios com força, tentando conter o choro.

Sehun ficou observando-o e por fim riu soprado.

– Você sabe que eu sou. – Concluiu por fim. – Achei que eu estava esquecido.

– NUNCA! – Baekhyun gritou repentinamente, segurando o loiro pela gola do casaco. – Se não fosse por você eu jamais teria tido coragem de me entregar ao meu sonho, por isso eu vim até aqui... Porque mesmo que você tivesse desaparecido, eu queria te encontrar e te agradecer por ter me feito aprender a sonhar!

O mais velho ficou encarando em silêncio e lentamente o soltou, afastando-se ainda o observando. E então de algum modo compreendeu muitas coisas que até então pareciam nebulosas para si. O porque de ter voltado a Garmisch, o porque de ter tido medo de abrir aquela porta e ver o que aquela música trazia consigo, o porque de naquele momento sentir seu coração se aquecer.

– Por que? – Foi a única coisa que conseguiu pronunciar.

Baekhyun sorriu.

– Porque quando o vi pela primeira vez... Você estava brilhando e eu queria brilhar como você. – Respondeu, envergonhando-se disfarçadamente.

Era esse o porquê. Sehun riu enquanto despenteava seus próprios cabelos. Aquele garoto era a resposta para todos os porquês. Ele seria a razão e a força que o faria se libertar do medo de ter fracassado, do medo de se reerguer e se entregar novamente ao que fazia de melhor. Então se lembrou daquela tarde, dos jovens que zombavam de si e do garoto que o defendera, ele tinha cabelos vermelhos.

Ergueu sua mão e alcançou a cabeça do rapaz, desarrumando os fios avermelhados já desgrenhados.

– Obrigado. – Agradeceu sorrindo com sinceridade.

Uma sinceridade que Jongin nunca vira tão intensa em seu amigo. O moreno sorriu e suspirou como se tivesse acabado de cumprir uma difícil, quase impossível missão. Sentou-se no chão junto aos outros dois.

“Finalmente voltou, Oh Sehun. Te procurei por muito tempo, mas acho que não era eu quem estava com a missão de acha-lo.”

Baekhyun permaneceu em silêncio, apenas olhando para o loiro, gravando cada detalhe daquela existência tão admirada por si. Torcia desesperadamente para que aquilo não fosse um sonho.

– Algo está me intrigando... – Sehun comentou vagamente, encarando o garoto que prestava demasiada atenção em si. – Por que estava patinando apenas agora? Tenho a impressão de que você esperou todos irem embora.

O ruivo engoliu em seco, desviando rapidamente o olhar e coçando a cabeça, indicando claramente seu embaraço.

– Não é apenas impressão... Eu realmente espero todos irem embora. – Respondeu sinceramente.

– Por quê?

– Porque olhe só para mim. – Disse enquanto ria sem graça e olhava para suas próprias roupas. – Eu sou só um faxineiro.

– Você é muito mais do que só um faxineiro. – Sehun respondeu sorrindo. – O que eu vi aqui hoje não foi só um faxineiro. Eu vi um garoto que podia ser o que quisesse, eu vi algo que há muito tempo não via ou sentia.

– O-O que quer dizer?

– Que você não deve se contentar em ser só um faxineiro. Você brilha demais para que só a solidão tenha o privilégio de te ver ser tão livre sobre o gelo. – Sehun respondeu com um sorriso gentil, seus olhos se fechando ligeiramente. – Você me fez lembrar de como eu era. Isso me deixou muito feliz, por isso não quero que você se contente apenas em ser um faxineiro. Você pode e vai ser muito mais.

– Sehun? – Jongin chamou a atenção do amigo, já começando a entender o que havia por trás de tudo que o loiro estava falando.

– Hadrian vai estar aqui amanhã, não é? – Sehun perguntou, desviando o olhar do garoto para o moreno.

– Sim... Parece que chegou de viagem hoje. – Jongin respondeu.

– Amanhã você vai apresentar o garoto a ele. Vai dizer que eu o indiquei e não se preocupe, esse narcisista nunca me esqueceria. – Sehun completou ao ver a cara problemática do moreno.

– E-Espera, eu sou o faxineiro, não–

– Então amanhã você deixará de ser. – Sehun o interrompeu.

– E quanto a você? – Jongin perguntou repentinamente. Sua intenção inicial era fazer com que Sehun voltasse ao seu antigo eu, apoiava o fato do amigo se preocupar com o talento ainda desperdiçado de Baekhyun, mas queria que a mudança fosse na vida do amigo.

– Não se preocupe. – Sehun respondeu rindo, segurando as pontinhas dos cabelos desconfortavelmente compridos que caíam incômodos em seus olhos. Há tempos não o cortava, por esse motivo talvez fosse compreensível os patinadores daquela tarde não terem o reconhecido. – Preciso dar um jeito nisso aqui.

Então se levantou repentinamente, esticando a mão para o garoto de cabelos avermelhados. Baekhyun olhou para cima, o sorriso sincero de seu ídolo, os olhos com o antigo brilho. Segurou aquela mão firmemente e foi puxado para cima.

– Esteja aqui amanhã cedo, já passou tempo demais sendo só um faxineiro. – O maior disse apertando a mão alheia, uma forma de passar uma confiança que há muito não sentia em si.

 

 

❄ ❅ ❆

 

 

Baekhyun realmente estava lá cedo. Aninhando-se no próprio casaco, tentando desesperadamente de aquecer do frio de Garmisch, enquanto esperava sentado nas escadarias em frente ao estádio de patinação. O que iria acontecer consigo assim que ultrapassasse as portas de vidro ele não fazia ideia. Seu corpo tremia todo, pelo frio, pelo medo, pelo nervosismo, pela emoção.

– Ei garoto, por que não entrou? Está tentando congelar aqui fora? – Jongin estava parado diante do ruivo, seu nariz avermelhado e todo empacotado em milhões de casacos.

– Está sozinho? – Baekhyun perguntou, olhando ao redor procurando ao outro.

– É... Por enquanto, ele não gosta de lidar com Hadrian. Aqueles dois se odeiam. – Jongin esclareceu. – Seremos nós dois contra aquele narcisista. Só sairemos daqui com um técnico pra você, garoto. – Completou animado.

– Baekhyun...

– Desculpe! – Jongin riu envergonhado. – Eu estava tentando lembrar.

– Sem problemas.

– Vamos? – O moreno ofereceu a mão para ajuda-lo a se levantar, sendo prontamente agarrada.

Os dois seguiram os degraus restantes e adentraram o estádio, louvando a todos os deuses pelo aquecedor estar em bom funcionamento ainda. Tiraram todos os casacos, pendurando-os nas sequencias de suportes pela parede. Em seguida foram até o rinque.

Muitos outros patinadores estavam ali naquele dia, mesmo com o frio de matar do lado de fora. Aparentemente Hadrian ainda era um dos melhores professores e técnicos que se dispunha a trabalhar em Garmisch. Ele era um homem alto e esbelto, seus cabelos loiros caíam até a altura de seus ombros, seus olhos eram de um azul semelhante aos de Baekhyun. Ele estava em pé diante de vários patinadores que estavam sentados prestando muita atenção ao que ele dizia. Ao se aproximarem, Handrian se calou e fez uma perceptível careta ao ver Jongin.

Hah... Você ainda está por aqui? – O homem olhava com escárnio.

Para sua alegria. – Jongin respondeu em mesmo tom. – Tenho algo importante a tratar com você, Hadrian.

Mas eu não. – O homem respondeu rindo. – Espera na fila, agora estou ocupado.

Achei que teria amadurecido nessa sua viagem, no fim ele tinha razão. – Jongin provocou, sorrindo de canto ao ver que Sehun estava realmente certo. Nem precisou mencionar seu nome e o alemão já estava completamente vermelho de raiva.

O que você quer? – Hadrian perguntou com grosseria.

Jongin então puxou Baekhyun pelo braço, colocando-o alguns centímetros a sua frente e segurando-o pelo pescoço.

Que treine esse garoto aqui. – Simplista como sempre.

O quê? – O loiro olhava-o confuso, sendo acompanhado por alguns de seus alunos. – E por que eu deveria?

Porque é ele quem está indicando esse garoto. – Jongin respondeu dando de ombros.

Hadrian ficou visualmente tenso. Ainda que odiasse Sehun ao extremo, não podia negar que se era ele quem estava indicando, era porque tinha algo por trás. Estreitou os olhos e observou Baekhyun mais atentamente.

Espera... Esse não é o faxineiro? – Perguntou por fim, rindo incrédulo. – Acho que a reclusão não fez muito bem ao seu amigo, Jongin. Por que eu me disporia a treinar um faxineiro que não deve nem saber se manter em pé nos patins? Por que eu deveria confiar na indicação de um covarde que fugiu de tudo e resolveu virar um ermitão? Diga a ele que eu jamais vou treinar esse garoto patético.

O nome dele é Byun Baekhyun. – Uma voz firme veio da porta de acesso ao rinque. – E o ermitão covarde resolveu sair da caverna.

Se aproximava vagarosamente com as mãos nos bolsos de seu sobretudo marrom, óculos escuros e o cabelo recém cortado arrumado em um topete, a imagem exata do homem que fora há quatro anos, não parecia ter envelhecido nem um segundo. Sua aura voltara a ser tão intensa quanto antes.

E-Ei... – Uma garota puxou o braço da amiga.

E-Esse não é... – Um rapaz sussurrou para outro.

Oh Sehun. – Hadrian calou todos os outros que estavam prestes a reconhecer o antigo campeão mundial e um dos melhores patinadores da atualidade. – Detesto a genética asiática, você continua com a mesma cara de quatro anos atrás.

– Ele diz que Hadrian é um narcisista desenfreado, mas quer apostar quanto que ele foi a algum lugar dar um jeito naquela cara de sábio das montanhas?! – Jongin sussurrou apenas para que Baekhyun ouvisse.

Por que não quer treiná-lo? – Sehun ignorou a provocação, tirando os óculos e revelando por completo seu rosto. Baekhyun teve que piscar algumas vezes para ter a certeza de que era o mesmo homem do dia anterior. Ele realmente parecia ser o mesmo de quatro anos atrás. – Sabe que eu não indicaria alguém se não tivesse certeza sobre. Quem é você pra chama-lo de patético sem nem ao menos ter visto o que ele sabe fazer? – Sehun completou, seu tom de voz revelava toda sua irritação.

Ele é um faxineiro, Sehun, o que um faxineiro sabe fazer além de varrer e espanar o pó? – Hadrian debochou rindo.

Esse aqui pelo o menos sabe fazer um Salchow muito mais limpo que o seu. – Sehun respondeu sorrindo de canto, divertindo-se completamente ao ver o rosto do alemão se contorcer de raiva. – Se não fosse eu a indica-lo e se esse garoto não fosse um faxineiro, você ao menos veria o que ele sabe fazer? – Perguntou seriamente.

Hadrian se empertigou como se fosse o maior sábio do assunto e com toda sua arrogância respondeu.

Só de bater os olhos nesse garoto posso dizer que ele não conseguiria chegar a lugar algum. – Respondeu com um sorriso cínico.

O silêncio reinou naquele rinque, apenas as respirações tensas se faziam presentes. Baekhyun olhava para o chão, sentia-se desconfortável, ser obrigado a ouvir aquilo de um desconhecido que nem sequer o vira sobre o gelo era revoltante. Sehun se aproximou, parando ao lado do ruivo. Próximo a si novamente, Baekhyun percebeu o quanto o loiro parecia brilhar, a presença dele era a mais sufocante e ao mesmo tempo a mais leve.

Certo. – Sehun disse repentinamente, sorrindo quase que compreensível. – Você me permitiu constatar de que primeiro: você é mais burro do que eu pensava e segundo: já me decidi.

Seu desgraç

Eu vou transformar esse garoto no melhor patinador do mundo. – Ao dizer isso apertou o ombro de Baekhyun. – Você e todos os outros serão ofuscados por ele.

Você está louco? – Hadrian indagou um décimo mais alto. – Como vai ser o técnico dele? Você nunca ensinou alguém! Você está parado há quatro anos!

– Eu realmente quero retrucar o que esse idiota albino está falando, mas isso também faz sentido. – Jongin comentou pensativo.

Sehun riu e aumentou o aperto no ombro do ruivo.

Eu dou um jeito. Eu sempre dei. – Respondeu dando de ombros.

As coisas não funcionam assim! – O alemão retrucou indignado.

Sehun apenas respirou profundamente e riu divertido.

As coisas funcionam do jeito que nós decidimos. E eu decidi. Eu vou ser capaz porque vou tê-lo ao meu lado e ele vai conquistar o mundo porque eu estarei com ele. As coisas vão se tornar simples se estivermos juntos... Acho que faremos história, não?!

 

 


Notas Finais


Quero pedir desculpas porque esse capítulo ficou enorme e MUITO ruim kakeakeka. Eu realmente tive um bloqueio e não consegui desenvolver de jeito nenhum o que tinha em mente, por isso o resultado final ainda não me agradou :c mas espero que vocês me perdoem por isso e que de algum modo tenham gostado. Prometo me esforçar mais pra trazer o próximo capítulo mais gostoso de ler!

E é isso, Sehun saiu da letargia e decidiu agir finalmente! Baekhyun é sim um chorão, já peço perdão aí quem não curtiu, mas ele é um garoto sensível aqui que vai ter alguns probleminhas com isso E VAI CHORAR MUITO SIM! Espero que ainda que tenha sido lixo vocês tenham se envolvido um pouco mais com a fic e se sentido mais próximos já com os personagens.

Até o próximo ♥


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