História Ela é a Luz do Sol - Capítulo 1


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Categorias Miraculous: Tales of Ladybug & Cat Noir (Miraculous Ladybug)
Personagens Adrien Agreste (Cat Noir), Chloé Bourgeois, Marinette Dupain-Cheng (Ladybug), Nathanaël
Tags Adrinette, Alcoolismo, Drama, Ladynoir, Marichat, Marinath, Nathanette, Vicio
Visualizações 64
Palavras 2.461
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


(link da música na nota final)

Capítulo 1 - Capítulo Único


 

“Se todas as flores sumissem”

If all the flowers faded away”


 

A sineta do bar de boêmia balançou algumas vezes, depois de ser empurrada pela porta aberta, anunciando a entrada do cliente. Isso não chamou o olhar do barman, seu assíduo costume era, não julgar quem entrasse pela porta, ademais naquele horário era sempre o mesmo cliente, com o mesmo pedido e o mesmo silêncio. O homem caucasiano atravessou o salão, sentou em seu banco, pendurando na espalda seu pesado casaco.  Logo foi servido, nem precisou fazer seu pedido, seu roteiro imutável era seguido à risca e com o tempo o próprio barman já sabia de cor. Uma dose de whisky em um copo com gelo. O homem não agradeceu, tomou seu copo debruçou o dorso sobre o balcão, sustentando pelos cotovelos, bebendo em um único gole. O sabor amargo rasgar a garganta não o incomodava, principalmente depois do terceiro copo. Com algumas doses a bebida mudava de sabor, tornava mais doce e mais suaves.

 

 “E se toda as tempestades decidissem ficar”

“And if all the storm clouds decided to stay”

 

Algumas pessoas bebem para esquecer, mas ele bebia para anestesiar suas tensões. Girando o gelo no fundo do copo, recostou-se no espaldo do banco, esfolegou erguendo seu olhar para a televisão ao fundo do bar. Um programa trivial de madrugada, coisas que as pessoas em geral ignoravam, mas os olhos verde esmeralda não desgrudaram da tela. O Programa homenageava aos quinze anos de Ladybug e Chat Noir. Quinze anos desde a aparição milagrosa dos guardiões de París. Nostálgico.

As recordações das antigas aventuras marejaram os olhos esmeralda. Virou outra dose. Inclinou seu corpo sobre o balcão fitando o fundo do copo. Tentou deter seus pensamentos, entretanto pensamentos são como água, quanto mais represados mais devastadores ficam. A barragem de sua mente que detinham os pensamentos rompeu, o poder represado das memórias desaguou em lagrimas, que correram seu rosto afogando o homem em pranto. 

 

“Então você iria me encontrar a toda mesma hora”

“Then you would find me each hour the same”

 

Sim, ele foi um completo idiota, um completo covarde. Naquela época ela não estava preparada para revelar sua identidade. O gato sabia disso, e por um longo tempo foi paciente à sua amada. Mas sempre há um momento em que a paciência se esgota, e naquela noite a curiosidade tomou o lugar vazio. Decidido que não esperaria mais, forçou a confidência de um rosto sob a máscara. As cortinas que cobriam os mistérios da joaninha, tremularam com o vento de imprudência. Mostrando a silhueta que o acompanhava todos os dias. Não o herói, mas o menino estudante. O gatuno apavorou-se com a descoberta. Desejou voltar atrás, esquecer o que sabia. Apagar o que foi iluminado em sua consciência. Mas era impossível. Irremediavelmente tarde. Por culpa de um ato imprudente tomou conhecimento de algo que ele próprio não estava preparado para saber. 

 

“Ela é o amanhã e eu sou o hoje”

“She is tomorrow and I am today”

 

Sempre cogitou sobre o que faria quando descobrisse a identidade de sua amada joaninha, apesar do loiro ser capaz de despir ladybug de suas imaginações em lençóis de libido, era impossível de dar-lhe um rosto, mesmo depois de conhecer a verdade, ainda era incapaz de dar a sua joaninha o rosto de sua amiga. Os orbes azuis cobalto, as falas descontraídas, as pequenas ações afobadas, os traços suaves de liderança. Nunca foram capazes de revelar, por si só, essa realidade ao garoto

O pobre garoto não imaginava que ao se depara com realidade de heroína, determinada, poderosa, que o par cobalto possuía, arrancaria de sua alma pobre e vazia, o resquício de coragem que possuía. Para ele se tornou incabível falar com a mestiça sabendo da verdade. A realidade colidiu com suas fantasias tolas, trazendo à tona a casca oca que ele era. Medo. Insegurança. Covardia. Essas emoções passaram a guiar o garoto modelo.

 

Se amá-la é uma dor para mim”

“If loving her is a heartache for me”

 

O inevitável dia chegou, o dia em que a menina não pode mais deter o seu amor. A menina se declarou.  O loiro foi surpreendido, ela amava sua parte inventada, sua mentira, seu auterego. Chat Noir foi rejeitado. Não era o verdadeiro rosto que ela queria ver, pois os orbes azulados extasiavam-se com a doce mentira. O menino negou seus sentimentos e a negou. Desprezando qualquer palavra que visse depois do não.

Raiva e o medo são um mecanismo de defesa da mente, um purgar a dor de uma ferina intangível, agora como adulto era mais fácil compreender isso, porém ainda enchia sua criança interna de suposições. E se ele não a tivesse ignorado, e se ele não tivesse ido virado as costas, e se ele a escutasse. E se, ele tivesse sido honesto. Talvez as coisas seriam bem diferentes, talvez eles pudessem estar juntos agora ao invés de se anestesiar em álcool.

 

E abraçá-la significa que eu tenho que sangrar”

“And if holding her means that I have to bleed “

 

O distanciamento progredia e a pequena mestiça sentia aquela repulsa, mesmo sem entender o que tinha feito para que fosse odiada.  Em um certo momento, ela desistiu. Desistiu de investir. Desistiu de amar-lo. Em contrapartida estava o loiro, amedrontado e acovardado. Amedrontado com tantas reviravoltas que seu mundinho despreparado, acovardado pelas próprias forças. Fugia, dela, dos sentimentos envolto a ela que cresciam mais em seu peito. Ainda era jovem demais para entender o que sentia de verdade, e custou tempo e esforço para entender que não estaria traindo Ladybug se estivesse apaixonado por Marinette.

 

Então eu sou o mártir e o amor é o culpado”

“Then I am the martyr and love is to blame”

 

No correr dias o garoto loiro acovardava-se mais e mais. Em sua mente projetava todos os fracassos que teve com a menina. Sua mente o atormentava, dia e noite. O sufocando. Como herói era mais fácil fingir que nada sabia. Fingir que Ladybug ainda era um mistério pronto para ser degustado, mas sua forma civil somente ignorava a presença da menina. Assim dia após dia, destruía seus laços de vínculos, simplesmente por dar ouvido as suas suposições ilusórias calcadas à medo e raiva. O ser humano tem a tendência em andar em círculos quando está perdido, A mente é lenta para notar as próprias armadilhas. O Arrependimento rasgou o garoto de dentro para fora, toda a raiva e medo que sentia mostravam a verdadeira face da dor. Sua fidelidade a Ladybug. Ele amava sua joaninha e amava marinete, para ele as duas eram pessoas diferente e quando finalmente entendeu que não eram a mesma pessoa, já havia passado tempo demeias.

O tempo gasto para perceber transformou a distância entre eles muito maior que um simples pedido de desculpa.  Enquanto ele se afastava de sua menina, outros se aproximavam, apesar da lealdade dela em sua esperança romântica, um desse lhe foi compreensivo. Um que realmente era paciente. Um que realmente a ouvia. Um que sofria todos os dias em saber que o coração dela pertencia a outro. A mestiça o tinha perdoado, ou como ela mesma tinha dito, nunca chegou a odiá-lo ou ficar magoada ou qualquer coisa do tipo, ela havia até superado sua paixonite. Outra dose âmbar foi virada na garganta do homem. Ah, aquela dor terrível, voltou a perfurar seu peito.

 

Ela vive em um sonho no qual eu não pertenço”

“She lives in a daydream where I don't belong”

 

O novo problema de Adrien tinha nome e cor. Nathanël o vermelho. A cor era vermelha como incêndios que consomem florestas. Para que um incêndio comesse não se precisa de muita coisa, somente de um ambiente propício e uma faísca. O verdadeiro amante ruivo se apegava a isso. Seu sincero interesse era a faísca que precisava para consumir um coração ressequido. Tudo que possuía por ela, era sincero, paciente, amável, estupidamente doce. Esse amor foi capas de dar a menina uma nova oportunidade. Uma nova esperança e ser consumida por esse amor, diferente do que conhecia, entretanto algo que crescia em sua alma. Nathanaël, o garoto de cabelo tomate, um reles personagem secundário de toda essa história que não teria direto de ter crédito em sua história, passou a atuar como o protagonista, levando mérito por um papel que pertencia a outro.

 

Para o meu coração aprender a esquecer”

“For my heart to learn to forget”

 

Percebera a jovem mestiça já estava longe de suas mãos. No final de tudo ele realmente era apaixonado pela garota debaixo da mascarra antes mesmo de conhecer, um fato que estava terrivelmente tarde para perceber. Apesar de seu coração querer cada dia mais seus tesouros inalcançáveis, sua estupidez era incurável, porque por ciúmes decidira iniciar um relacionamento com outra. Sua amiga de infância e agora única amiga.

 

Amanhã vai ser como sempre foi”

“Tomorrow will be as it always has been”

 

Os anos continuavam sem piedade, sem esperar qualquer tolo. A azulada mudou o corte de seu cabelo, não prendia em suas chiquinhas, se jugava velha demais para tal penteado. Seu corpo torneado pelo tempo e o trabalho, não escondiam as curvas da maturidade que finalmente desabrocharam, seu rosto de traços fortemente asiáticos teciam o manto de desejo de milhares de homens. Dentre esses homens, Adrien. Ainda loiro, mas com um corte sóbrio, continuava com seu charme apesar de não ser mais modelo.

 

Para o loiro estar com sua namorada, amiga de infância, não era desgastante, contudo não era emocionante. Ela não tinha nada de especial, nenhuma característica que o prendesse com a mestiça fazia. Essa sim não saia de sua mente, mesmo quando ele a tentava tirara e ele não tentava muito. Noites acordava gritando os nomes de suas amantes, quando isso acontecia, inventava uma história para Chloé, já que a mestiça agora era sua chefe, ela acabava acreditando ou fingia acreditar. O loiro não se surpreendia pela mestiça ter conseguido a liderança da revista de moda Agreste em tão pouco tempo, as capacidades eram todas muito conhecidas para ele.

 

E eu vou me apaixonar por ela novamente”

“And I will fall to her again”

 

As identidades secretas não eram mais problemas para os heróis, que mesmo depois de deterem Hawk moth, continuaram com as suas vidas duplas. Ambos descobriam um a identidade do outro, mesmo que um fingisse não saber, o que foi divertido para Marinette que se achou maravilhada em saber que esteve ao lado de uma pessoa que ela poderia confiar. Somente isso, alguém com quem podia contar. Um golpe duro para o felino, tentou em vão, seduzir Marinette inúmeras vezes, o gato nunca levou crédito em suas falas e Adrien, muito menos, seria levado a sério.

A roda do tempo não parava de girar e em um dia uma nova faceta de dor se mostrou ao menino. O centro de edição da revista de moda Agreste, foi inundado por um entusiasmo fora do ímpar, quando a azulada de cabelos soltos na altura dos ombros anunciou seu noivado. Todos menos o loiro. O incorrigível enciumado tratou logo de fazer mais um ato impensado. Noivou com a sua amiga de infância. Esse foi o dia que descobriu o caminho para o bar do fim de esquina e tomou sua primeira dose anestésica.

 

“Pois eu sei que eu tenho chegado muito perto”

“For I know I've come too close”

 

Radiante. Era como ficava Marinette Kurtzberg-cheng todos os dias ao mostras sua aliança, a foto de seu esposo no casamento, vestindo um belíssimo Blazer Slim feito por ela mesma. O amor que possuía, fazia questão esfregada na cara do Adrien seu colega de empresa, que aceitava tudo atuando com um sorriso em sua face. De manhã sangrava e de noite estancava sua ferida com uma boa dose e álcool. Outra dose, de anestesia alcançou seu julgamento, não importava se era pecado, se estava tarde, a única coisa que precisava ouvir a voz da mulher que inundava seus pensamentos. Com dificuldade discou os números que sabia de cor. tocou uma vez, ele ansiava ouvir a sua vos. Outra vez na chamada, lutaria por elar. mais um toque, dessa vez ele iria até o fim. Era tarde da noite e não havia motivos para alguém atender o celular, mas o número finalmente respondeu a chamada, ficou mudo e alguns barulhos de fundo como se alguém estivesse se andando.

 

Ela é a luz do sol e o sol se foi”

“She is the sunlight and the sun is gone”

 

— Alo. — Uma voz masculina soou do outro lado da ligação, alguém que ele não reconheceu. — Alo? — O loiro resfolegava para pedir desculpa e dizer que ligou enganando, quando algo na impaciência da voz o recordou de algo. Estava mais máscula e grave, o timbre covarde não passava nem perto do que era no tempo de escola. — Sei que tem alguém na linha, escuto sua respiração. — O homem se acovardou quis desligar a ligação sem dizer nada. — Adrien? — Os seus músculos se contraíram tensos, não conseguiu fazer nada, nem confirmar, negar ou mesmo desligar o telefone. Única coisa que pensava era em como ele poderia saber quem era sem ter falado nada. Deveria desligar, precisava desligar. — Não desliga e me escuta. Imagino quem você queira ligando para minha casa essa hora. Eu não quero que a arraste para a fossa dessa forma, que a leve a se sentir um lixo, como fez antes. — A voz estava grave pesada e decidida, não parecia sonolenta, na verdade estava muito desperta, como se esperasse esse momento a muito tempo. — Eu, Nathanaël estou disposto a lutar por ela, a minha esposa, independente do que eu perca nessa disputa, eu amo Marinette. Amo ela de verdade. Se essa batalha que você sempre adiou vier à tona, eu estou pronto para lutar contra você, por ela.

 

Ela é a luz do sol e o sol se foi”

“She is the sunlight and the sun is gone”

 

Adrien desligou o telefone, como uma casca vazia e covarde. Naquele mesmo momento se deu por vencido. Não tinha foças para iniciar uma batalha por um amor platônico. As oportunidades que teve já haviam sido levadas a muito tempo. O Amor que sentia pela “My Lady” jamais seria apagada pelo tempo. Deixou seu copo meio vazio sobre o balcão. Pegou seu casaco cambaleante, jogou um bolo de dinheiro que cobria duas vezes o que tinha bebido. Saiu pela porta que denunciou com o badalar do sino. Voltando para a vida que tinha escolhido.

O barmen contava o dinheiro extra, sabia que não haveria necessidade de devolver. Homens que choram calados, como ele, eram fregueses fieis e amanhã a bebida já estava paga.

 

Ela é a luz do sol e o sol se foi”

“She is the sunlight and the sun is gone”


Notas Finais


https://www.youtube.com/watch?v=km_JvvizkBc

não esqueçam de comentar

para vocês que gostaram do meu estilo me acompanhem também no "Le petit lâche, Couleur tomate."

beijos açucarados :>


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