História Ele se apaixonou por mim? - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Resolvi dividir os capítulos pq tava muitoooo grande e acaba ficando cansativo neh

Mas eu tô meia triste, não tem ninguém lendo minha fanfic 😟😟

Vou continuar postando mesmo assim, quem sabe não acontece um milagre néh?

Capítulo 2 - Ninguém espera a morte


Fanfic / Fanfiction Ele se apaixonou por mim? - Capítulo 2 - Ninguém espera a morte

Desliguei o celular reprimindo a vontade insana de jogá-lo na parede. Não tive que me preocupar muito com meu barulho já que a tempestade ainda caia forte lá fora. Adormeci enrrolada em um dos cantos da cama, sentindo um enorme vazio se instalar dentro de mim, era tão cruel, que nem eu mesma conseguia acreditar estar sentindo uma dor tão crua. 

   Me senti melhor ao acordar, mas havia algo acumulado dentro de mim, sentimentos que talvez eu pudesse transmitir para o papel. Peguei um caderno velho, minhas canetas e voltei a me deitar. 


                                                                   Querido coração 


    Como posso ser tão burra? O passado já não me ensinou o suficiente? Ele já não pisou em mim o suficiente para que eu aprendesse o meu lugar? Pessoas como eu não encontram a felicidade de uma forma fantasiosa, como em contos de fadas. Não existe príncipe encantado para mim. Nunca existirá. 

    Eu já devia estar acostumada com isso. Mas como me acostumar com a idéia de que eu não posso e nem vou ser feliz?

    Talvez algum dia, apenas talvez, me deixe levar pela maré e aceite o que me oferecem. Mas até lá estou fadada ao fracasso, toda dia, por semanas, meses e anos, sem ao menos tentar. A vida não reservou nada de bom para mim, o destino não foi com a minha cara no exato momento em que nasci. Talvez seja esse o ponto, minha existência. Uma boa hipótese que explicaria as merdas que eu faço e que acontecem comigo, eu não deveria ter nascido. 

    Mas eu nasci. Essa coisa escrota que só leva chute na cara e facadas no coração.

   Como fracassar sem ao menos tentar? 

   Deus, qual o problema comigo? Isso é uma droga sabe, ver todo mundo sendo feliz, seguindo suas vidas tão normalmente, alheias ao sofrimento das pessoas que as rodeiam. Céus! Do que estou falando? Ninguém tem que se importar, o azar de não ser feliz é somente meu, nada pode mudar isso. Está cravado nas paredes do tempo, por mais que eu queira, e eu quero muito isso, se eu não nasci para ter êxito não vou ter. Infelizmente eu sou feita de uma matéria regeitavel que não é interessante para ninguém, nem para ela mesma. 

   Merda, como posso tentar se já sei que vou fracassar? 

   Eu devia ter esperanças não é? Mas o que fazer se elas foram assassinadas desde quando levei a primeira rasteira e até então nunca mais ressurgiu inteiramente bela como era antes? Posso vislumbra-la escondida, com os joelhos junto ao peito, a cabeça baixa, membros trêmulos e cheios de hematomas. Ela está cansada de ficar de pé e logo ser jogada ao chão novamente, está cansada de apanhar, e eu não a julgo, sei da dor que está  passando, sinceramente a esperança pode tirar alguns dias de folga. Enquanto ela não se apresenta para sua árdua disputa diária, eu tomo as rédeas, e enfrento meus demônios.

    O fracasso nas coisas do coração já é meu amigo próximo, nos vemos mais do que amigos de infância e ele está tão presente na minha vida como um irmão. Já me acostumei. 

    Não deveria, mas o que fazer se é tudo que tenho? 


   Aliviada arranquei a folha e coloquei na pasta junto com tantas outras. Aquele era só mais um desabafo, só mais uma vírgula na minha vida conturbada. Me levantei da cama e fui enfrentar o mundo. 

   Não ouvi uma palavra de ninguém no dia seguinte. Cheguei quase em cima da hora e me sentei, não estava muito afim de conversa. Minha cabeça girava só de imaginar que iria ver o Fernando e que ele saberia do barraco que a williane tinha aprontado no corredor. Mas eles não vinheram, seus lugares estavam vazios e assim permaneceram até o fim do dia. 

    Tia Ester e Tamires brigaram feio na hora da saída. Não sei como começou, mas logo a discussão tomou proporções imensas. 

    - Ah, fala sério tia, eu não falei por mal.

    - Não falou por mal?! - A tia Ester faltava soltar fogo pelas ventas.- O que os outros vão pensar se ouvirem você falando assim?! 

   Eu quis entrar no meio e amenizar a briga, mas eu não sabia o que dizer, o que se fala para acabar com uma discussão? A Jéssica veio para o meu lado e agarrou meu braço. 

    - A gente entra no meio? 

   Foi só eu abrir a boca para responder que a Tamires melou com tudo. 

    - Galinhona sim! - Ela gritou.- Foi você quem começou, agora aguenta, galinhona. 

   Eu vi a tia pulando no pescoço da Tamires, por isso eu corri e me coloquei na frente da dela. Chamei sua atenção possessa para mim e a arrastei para longe. A Jessica me imitando foi até a Tamires que parecia ter tirado o dia para infernizar os outros. 

     - O que?! Não era minha amiga até ontem, e agora vai puxar o saco da outra? - Definitivamente, aquela não era a Tamires que nós conhecíamos.- Ficou magoada quando eu disse que você não serve para ninguém? Eu não menti! Você é minha amiga, eu tinha a obrigação de ser sincera! Ninguém sua... 

   Trinquei os dentes sentindo uma raiva imensurável crescer dentro de mim. Me recusei a ouvir suas baixarias, que merda era aquela?

     - Chega! - A voz da Jéssica bradou no meio dos gritos da Tamires.- Cala essa tua boca, que não é por que você está grávida que não pode levar uns tapas na cara! 

    Todos ouviam.

    Eu me senti um verdadeiro lixo. Os ônibus chegando e os estudantes em volta de nós, sedentos por uma distração. Eles queriam mais, que eu ou a tia perdessemos a cabeça entrassemos na onda da neurótica. Não, já era o suficiente para mim. A Tamires nos olhava com os olhos arregalados, como se tivesse acabado de acordar de um transe. 

    Olhei para tia que estava na mesma posição. Se eu a soltasse de qualquer forma ela iria avançar, ao menos um tapa ela ia dar. Avistei os filhos dela e os chamei. 

    - Tia, eu vou embora. Não faça nada, por favor. Seus filhos vão te acompanhar. 

    - Você não ouviu o que ela falou de você? 

   Suspirei. 

    - Ouvi.- Lancei um olhar magoado para a Tamires e segurei as lágrimas.- Mas não vou ceder as provocações, essa irresponsável está grávida, não vou encostar um dedo nela. 

   A Jéssica ia ficar lá em casa para me ajudar a fazer os salgados. Caminhamos em silêncio por alguns segundos. 

    - O que será que deu nela? 

   Era exatamente o que eu estava me perguntando naquele momento. Revisei varias vezes todos os possíveis motivos, mas nenhum deles se encaixava. A única explicação era que ela tinha surtado. 

    - Ah, deixa isso para lá.- Suspirei dando de ombros.- A gente tem que passar no mercado para comprar a farinha de rosca e o olho. 

    - Eu trouxe dinheiro para gente comprar as coisas e fazer um brigadeiro hoje. 

   Fiz uma mesura. 

    - Era o que eu estava precisando.

   Com a Jéssica lá em casa eu evitei pensar nos últimos acontecimentos, expulsei as duas humilhações que suportei nos últimos dias e me concentrei em me divertir com a minha amiga. 

   Fizemos a massa cedo. Enquanto uma preparava os molhos a outra arrumava a farinha no prato. 

    - Agora é só abrir a massa e rechear.- Ela falou. 

    - Os recheios já estão prontos.- Concordei experimentando. 

   Os primeiros quarenta salgados saíram de manhã. Enquanto minha mãe fazia o almoço fomos para a sala ver o que o povo estava fazendo nos grupos. 

    - Será que ela vai ter coragem de aparecer hoje? - A Jéssica perguntou. 

   Dei de ombros. 

    - Não sei. Mas se aparecer o jeito é tratar ela normalmente.

    - Como consegue ser tão boa? 

   Abri um sorriso. 

    - Eu não sou boa. Só cansei de competir para mostrar aos outros que estou certa, eu tenho certeza disso e já é o suficiente. 

   Ela balançou a cabeça com os olhos fixos na tela do celular, se ela soubesse a tempestade que vivia dentro de mim, o desejo insano de fugir e nunca mais voltar. Desaparecer para algum lugar isolado, onde ninguém pudesse me encontrar e viver ali, onde eu não machucaria ninguém e ninguém me machucaria. 

    - Como vai o namoro com o Tauan? - Perguntei cutucando suas costelas. 

    - Melhor do que imaginei.- Ela disse desviando o olhar para mim.- Essa semana a gente tava conversando que depois que nós dois terminarmos os estudos, a gente já pode começar a ajuntar o dinheiro para casar. 

    - Uau! - Bati palmas.- Quero ser madrinha. 

   Tia Érica veio de carro buscar os salgados. E nós fomos juntas. A turma estava naquele alvoroço, uns carregando cadeiras, outros buscando comida, alguns parados mechendo no celular e nós sem saber o que fazer. 

    - Vamos para cozinha fritar os salgados.- Chamei a Jéssica para a cozinha.- Não sei se quero ficar por aqui hoje.

   Quando cheguei a Milena estava começando a preparar o molho para o cachorro quente, o cheiro estava maravilhoso. 

    - O cheiro tá bom.- Elogiei pondo uma das formas com salgado no balcão. 

   O Maique colocou as outras duas formas ao lado da minha e saiu correndo, atendendo ao chamado da Camila no pátio. Hoje seria um dos dias mais corridos que já tivemos. 

    - Ester, você pode me ajudar a fazer o molho? 

   Concordei pegando uma touca e jogando outra para a Jéssica. 

    - Jéssica, pega uma panela na dispensa. E coloca dois litros de olho para esquentar. 

   Enquanto ela fazia o que eu pedi fui socorrer a Milena. Ajudei a despejar a salchicha na panela e logo depois o molho.

    -  O refrigerante tá lá em casa.- Ela murmurou.- Você termina aqui enquanto eu vou lá com os meninos? 

     - Anhran, pode ir lá falta pouca coisa aqui. 

   Ela saiu acompanhada da Bia e da Ellen, me deixando sozinha com uma Jéssica desaparecida. 

   Terminei de jogar o milho na panela e fui atrás da Jéssica que tinha sumido por causa de uma ligação. Depois de constatar que ela estava bem, voltei para fritar os risolhos. Mal pisei o pé na cozinha e dei de cara com os gêmeos no balcão. Quase cai para trás de susto, meu coração parecia que ia saltar pela garganta. 

    - Jesus! Querem que eu tenha um ataque cardíaco? - Resmunguei pondo a mão no coração. 

   Lá no fundo eu sabia que não tinha me assutado de verdade, tinha ficado mais balançada por ver alguém tão especial para mim por perto de novo. Fora que eles estavam bem diferentes, boné e camisas de manga longa e um pouco bronzeados. Ainda mais bonitos. 

    - A gente veio ver se precisam de alguma coisa.

    - O cheiro tá bom.- Thomas murmurou espiando as panelas. 

    Felipe se debruçou sobre o balcão e ergueu uma sobrancelha para mim. 

     - Vai ser a cozinheira de hoje?

   Joguei meus sentimentos em um baú e coloquei o peso dos últimos acontecimentos em cima. Só assim eu teria segurança para lidar com ele sem por os carros na frente dos bois.

    - Na falta de um profissional.- Dei de ombros. 

   Fernando abriu um pequeno sorriso. 

    - Quer ajuda? 

   Contive um espasmo, eu me recusava perder o controle. 

    - Bem, se não tiver nada para carregar lá em cima. Aqui é só comida mesmo. 

   Os três se entreolharam decidindo em apenas um olhar se ficariam ou subiam. Seria melhor se subissem, eu não estava conseguindo tampar o baú com eficiência. 

    - Podem subir.- Abri uma das formas com o salgado e peguei uma fatia de massa que eu tinha trazido para testar a gordura.- Eu e a Jéssica damos conta das coisas por aqui. 

    - Tem certeza? - Fernando perguntou esticando o pescoço para olhar a panela com olho fervente.- Talvez eu... 

   Antes que ele terminasse a Jéssica saiu da dispensa. 

    - Oi, sumidos. 

   Levantei uma sobrancelha para ele. 

    - Estamos bem. 

   Meio a contra gosto ele saiu acompanhando os irmãos que faltavam arrasta-lo de tão impacientes. O olhar que ele me lançou fez com que meu corpo todo estremecesse. O que estava acontecendo ali? 

    Concentrei todos os meus pensamentos em fritar salgados bons e crocantes. Eu não queria pensar nos meus infortúnios naquele momento, mas não evitei uma fraquejada. Assim que me vi livre deles eu quase desabei. 

    - Merda.- Resmunguei. 

    - Eu sei.- Jéssica disse baixinho.- Acredite, eu sei. 

   E devia saber mesmo, mas de uma forma sufocante eu não queria conversar sobre aquilo. Guardar era a melhor opção. Apoiei os cotovelos no balcão e enterrei o rosto nas mãos. 

    Não havia chances de continuar daquele jeito. Eu tinha que fazer alguma coisa, ou não fazer nada, esse era o problema. 

     Fritamos todos os salgados e colocamos na caixa, separei alguns para gente comer enquanto estouravamos a pipoca e a calda esquentava. Me senti estranha ao constatar que mesmo não querendo eu voltava a pensar sempre nele. Caraca, como ele estava bonito e, meu pai do céu, hoje seria o dia que eles não suportariam e cairiam matando nas menininhas. 

    - Ester! - A Camila chegou correndo na cozinha junto com a Ellen.- A pipoca já tá pronta? 

    - Quase. Já vou jogar a calda.

    Fora a pipoca ainda tinha mais uma remessa de salgados e um pouco mais de molho, por isso a Jéssica subiu com elas.

    Era esquisito ficar sozinha. Tinha acabado de dar oito horas e a primeira sessão estava na metade ainda, peguei minha bolsa e desci para o banheiro, se eu ia ficar na cozinha nada mais justo do que vestir algo mais confortável. Tirei meu vestido fininho e um shorts de malha e me vesti, verifiquei se o vestido estava cobrindo o shorts, digamos que atrás ele não era muito longo, mas o que me preocupava mesmo era o decote, mas eu não iria ficar sozinha ali mesmo? Por que não ficar confortável? Prendi o cabelo em um coque e subi de volta.

   Coloquei os fones de ouvido e voltei para o pátio. Me sentei pouco a cima da rampa e suspirei cansada. Para nosso alívio o dia seguinte era domingo, um dia de descanso depois de tanta correria. Fechei os olhos e a primeira coisa que me veio a mente foi que eu estava ali, vestida com algo tão íntimo, por causa de um sentimento bobo, que só me faria sofrer, já que no final das contas eu nunca seria vista. Não da forma que eu queria. 

   Suspirei e abri os olhos marejados. A noite estava fria e o céu totalmente estrelado, uma noite propícia para encontros clandestinos.

   Meus pensamentos foram interrompidos por uma chamada da minha mãe. 

    - Mãe? 

    - Tem como você vir para casa? - Ela disse do outro lado.- Seu avô... Filha, vem para casa rápido... A gente vaibte esperar. 

   Perdi o chão. Sai catando cavacos, desliguei a chamada meio vesga, fechei a cozinha o mais rápido que eu pude, peguei minha bolsa e sai correndo para a quardra. A Jéssica estava descendo quando me viu. 

    - Por que você tá chorando? 

   Coloquei uma mão na boca. 

    - Meu avô... Eu não sei... Minha mãe implorou para mim ir embora.- Solucei. 

    Ela me deixou ir chocada. Fui até a Bia e contei pela metade enquanto enxugava as lágrimas que teimavam em cair. 

     - Meu avô não tá bem eu preciso ir embora, vocês cuidam das coisas? - Sussurrei chorosa, atraindo a atenção das outras meninas.- Eu acho que... 

    Não consegui terminar, dei as costas e sai andando o mais rápido que eu pude, a dor no meu peito me deixava tonta. Cheguei na rua com as pernas bambas, em meio as lágrimas vi um casal se pegando na escuridão, de boné e camisa de manga longa, eu podia jurar que era o Fernando, mais uma merda para minha coleção. 

    Meu avô era mais importante que um coração estraçalhado. 

   O celular estava tocando. 

    - Mãe? 

    - Seu pai está indo para Porto Velho.- Ela falava baixinho, de uma forma tão dolorida.- Seu avô acabou morrendo. 

    - Mãe...- Solucei.

   Poucas coisas são tão importantes quanto a família, quando se meche com ela perdemos o prumo. A minha era tudo que eu tinha, tudo que eu amava, e que era meu, então parte dela foi arrancada de mim, uma parte que eu não via a três anos. 

   E para ajudar a ferida se abrir ainda mais não tínhamos dinheiro para ir no funeral dele. Eu chorei mais do que cheguei a imaginar, era meu avô, me pegava no colo quando eu chegava na casa dele e brincava comigo, era minha família. 

   Desliguei o celular e passei o final de semana todo em casa, no quarto e em silêncio.

   Na tarde de domingo minha mãe me chamou. 

     - Ester, tem um rapaz ai querendo falar com você.

    Balancei a cabeça dolorida. Eu tinha chorado a noite toda e mal conseguido dormir de dia, me levantei vestindo um blusão e um shorts curto. Não deveria ser ninguém importante. 

   Mas era. E era alguém que podia fazer doer um pouco menos, ele só não sabia disso. Fernando estava na área e assim que me viu, sua expressão mudou, de carrancudo para solidário. 

    - Você sumiu.- Ele sussurrou me avaliando com os olhos astutos.- Eu tinha que te ver. 

   Tinha um bolo na minha garganta, eu estava sofrendo pela morte do meu avô e chegava a pessoa responsável por sentimentos que me deixavam tonta, eu não ia conseguir lidar com os dois juntos. Tudo que consegui foi uma leve tremida nos ombros e um manear de cabeça fraco. E lá estavam as lágrimas novamente. 

   Em questão de segundos Fernando já estava com os braços ao redor do meu corpo, ele me conduziu até o sofá e continuou a me abraçar depois de sentarmos. Fernando estava me dando seu peito para chorar, só não tinha conciência da enormidade daquilo para mim. 

    - Shhh, tá tudo bem.- Ele disse esfregando uma das mãos nas minhas costas e a outra seguando uma das minhas.- Eu posso ficar aqui com você? 

   Concordei baixinho, enquanto tentava desesperadamente me controlar. Mas era algo tão forte, tão intenso, que me fazia chorar ainda mais.

    - Por favor.- Consegui sussurrar. 

   Não sei ao certo quanto tempo ficamos abraçados no sofá, mas sei que aqueles minutos foram cruciais para me conduzir a um caminho sem volta. Inconscientemente desci minha mão do seu peito para sua barriga, foi um movimento de conforto mas que fez com que ele estremecesse. 

    - Aconteceu alguma coisa? - Perguntei fungando. 

    - Não, nada. Eu só me assustei.- Ele sussurrou baixinho com um suspiro.- Está melhor?

   Concordei me afastando dos seus braços.

    - Estou. Obrigada.- Suspirei me sentindo mais leve.- Isso foi muito doce.    

   Ele balançou a cabeça enquanto engolia em seco. 

    - Quando você saiu ontem eu não estava na quadra. 

   Claro que não estava. Eu o vi no lado de fora, aos beijos com uma loira aguada, e sinceramente me lembrar daquilo não me deixava melhor. Mas meu filtro tinha estourado e tentar remediar as coisas naquela altura do campeonato era demais até para a guarda tudo que eu era. 

    - Eu sei, eu te vi. 

   Ele franziu a testa. 

    - Como? Eu fui embora depois que a gente conversou na cantina, como você não ia precisar de mim eu voltei para casa.- Vendo minha cara pasma ele continuou.- Eu não ia ficar ajudando ninguém na quadra não, se você não precisava de mim eu não tinha nada que fazer lá. 

   Pisquei confusa. 

    - Eu vi alguém muito parecido com você beijando uma loira perto do muro de saída.- Sussurrei esfregando o nariz irritado.- Não era você? 

   Fernando negou com seriedade. 

    - Deus ruiva, não.- Suas pílulas se dilataram e, me pareceu que meio instintivamente, ele segurou minhas mãos.- Desde que cheguei aqui eu nunca fiquei com ninguém, eu te juro. 

   A força com que ele disse aquilo fez meu coração falhar uma batida, senti o sangue correr por minhas veias com tanta intensidade. Mas não podia ser o que eu estava pensando, um cara como o Fernando nunca olharia para mim com algo a mais que amizade, ele nunca me amaria. Mordi o lábio sentindo meu coração se estraçalhar dentro do peito, novamente. 

    - Não...não precisa jurar.- Falei desviando o olhar, mas sem coragem de puxar minhas mãos das suas.- Eu não tenho nada a ver com isso. 

    - Tem mais do que pensa.- Ele sussurrou erguendo uma das mãos para o meu rosto.- Ester? 

   Resisti a olhá-lo, mas por fim não contive a curiosidade. Ele me olhava com a testa franzida, uma coisa que eu tinha aprendido a amar nele. 

    - Não me olha assim.- Implorei.- Não consigo me concentrar quando faz isso. 

   Fernando sorriu, pondo um pouco de alegria no ambiente. 

    - Adoro quando é sincera.- Lentamente ele acariciou a minha bochecha e suspirou.- Precisamos conversar, mas não pode ser hoje, vou respeitar seu luto. 

   Engoli em seco, havia um conflito de emoções dentro de mim que eu mal sabia esconder. 

    - Talvez eu precise de uma distração. 

   Ele ficou sério. 

    - Tem certeza? 

    Sem fazer cerimônia nenhuma me enclinei e voltei a repousar minha cabeça no seu ombro, sentindo o leve estremecer novamente. Tinha algo errado ali. Ele passou um dos braços por minha cintura e me manteve colada a ele. 

    - Você me faz mais bem do que pode imaginar.- Respondi baixinho. 

    - Acho que estamos em sintonia.- Gentilmente ele beijou meu cabelo e suspirou meio estranho.- Vamos dar uma volta para poder conversar? 

   Pelo visto minha mãe tinha saido, não a encontrei em lugar nenhum. Resolvi deixar para procurar por ela quando fosse sair. 

   Coloquei uma calça e outra blusa, prendi o cabelo em um coque bagunçado e já estava pronta, não que eu fizesse algo a mais normalmente, só não me preocupei com a minha aparência no espelho. Fernando me esperava ainda sentado no sofá, estava mechendo no celular, parecia bem entretido. 

   Quando olhei para fora, não contive o espanto. Tinha uma lamborghini preta na porta da minha casa e eu não tinha visto isso, olhei para o homem sentado no sofá  e associei, era dele? 

    - Esse carro é seu? 

   Fernando ergueu os olhos para mim e, por céus, ele corou. Como, em uma infinidade de opções, ele conseguia me surpreender ainda mais? 

    - Se quiser podemos ir a pé.- Ele murmurou.- Se não se sentir confortável. 

    


Notas Finais


Então, espero sinceramente que estejam gostando por que eu tô amando escrever ❤❤❤


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