História Ele vai voltar? - Capítulo 32


Escrita por: ~

Postado
Categorias Amor Doce
Personagens Alexy, Castiel, Kentin, Lysandre, Rosalya
Tags Kentin
Visualizações 90
Palavras 7.757
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Festa, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Dois capítulos na mesma semana só para me redimir completamente do meu sumiço, mas não fiquem se acostumando não viu! Não é sempre que estou nas pilhas pra escrever ;p

De qualquer forma, queria avisar que o capítulo está bem longo, (o anterior também estava.) o que espero não ser um problema, até porque enquanto eu escrevo eu fico tendo várias ideias de diálogos entre outras coisas aí acaba saindo bem logo, E TAMBÉM, eu decidi realmente deixá-los mais longos porquê não quero que acabe ficando uma fanfic com muito números de capítulos, então acho melhor deixar o capítulo em si longos mesmo.

Pra hoje temos muito Kentin, de novo, recompensando os meses que ele ficou fora, nada mais justo né? E se vocês já shippavam os dois, imagino que agora o otp vai ficar gritante de tanta fofura entre o Ken e a Lily. Me dediquei muito para transmitir de certa forma sensações pra vocês ao lerem, então, como sempre, desejo uma ótima leitura e nos vemos nas notas finais como de costume.

Beijocas :*

Capítulo 32 - Momentos: Relembrando e Criando.


11h38min. – Na manhã seguinte.

O som repetitivo da música Reptilia – The Strokes – começou a tocar pela terceira vez naquela manhã. Uma música ótima, mas quando se ouvia várias vezes seguidas começava a irritar lá no fundinho do cérebro. A voz do cantor estava prestes a ser iniciada quando consegui esticar suficientemente a mão e alcançar o aparelho telefônico acima da cômoda, atendendo a ligação insistente.

— A...lô? — atendi, em meio a um bocejo preguiçoso.

‘Finalmente, Lilith!’ — suspirou a voz em alivio.

A sonolência tão gostosa passou em um passe de mágica. Fazia muito tempo que não escutava aquela voz. Sinceramente, não sabia se achava aquilo bom ou ruim. Nome disso? Rancor, provavelmente.

— Mãe, é você? — perguntei ainda incerta, deparando minha visão com o chão do quarto já que estava de bruços na cama.

— ‘Sim, sou eu filha, você ainda não levantou?’ — questionou desaprovadora — ‘Já é quase meio dia, sabia?’ — alfinetou.

— Ah, é fim de semana mãe. — usei a desculpa mais óbvia.

— ‘Como sempre dorminhoca.’ — riu — ‘Como você está, filha?’

Estiquei minhas pernas na cama, me ajeitando em meio as cobertas.

— Bem, bem. E você? — interroguei-a, sem saber ao certo como proceder a continuidade da conversa.

Era estranho conversar com ela, e para piorar, seria ainda mais estranho se fosse meu pai. Conversávamos muito raramente. Eles sempre estavam ocupados com trabalho e mais trabalho, de fato, me sentia magoada com aquilo. Principalmente nas férias de meio de ano em que pensei que viriam me ver e acabaram indo viajar para um lugar turístico, eu, do jeito que estava, fiquei só fazendo merda nenhuma com Castiel.

— ‘Tudo bem. Como estão as coisas entre você e sua tia Agatha?’ — mais outra pergunta. De novo aquele assunto.

— Vão bem. — respondi diretamente.

‘Mesmo? Não tem muito tempo que sua tia me ligou falando que você andava meio fechada, quase não saia do quarto quando estava em casa.’ — comentou incomodada com minha falta de palavras.

Dedo duro... Pensei assídua.

— Mãe, estou bem, sério mesmo. Acho que só andei tendo aquelas fases confusas de adolescente mesmo. — ri sem jeito, contanto outra desculpa mal lavada.

Ninguém além de Castiel e Kentin saberia de toda verdade, nunca, jamais. Sem contar que tudo estava começando a finalmente se resolver. Poderia deixar tudo bem enterrado no passado, como se nunca tivesse acontecido.

— ‘É? Acho que logo vamos precisar ter aquela conversa então filha.’ — insinuou um pouco risonha.

— Corta essa mãe, já tive aulas de prevenção e sexo quando era mais nova, não preciso disso. — revirei os orbes, mas sorrindo também. As vezes era bom receber essas raras ligações, mesmo que o assunto fosse, tipo, hiperdesnecessário.

— ‘Tá bom, tá bom. Não vou bancar a mãe chata, só queria te desejar um bom dia mesmo, e dizer que eu e seu pai estamos com saudades.’

Sorri um pouquinho mais com aquilo, era bom ter uma mãe de novo às vezes.

— Bom dia, mãe. — desejei o mesmo à ela. — E eu... Também estou com saudades. — admiti verdadeiramente.

— ‘Desculpe ser tão ausente nos últimos tempos... Prometemos que iremos te ver o mais breve possível.’ — jurou com pesar — ‘E levanta já dessa cama!’ — mandou, já mudando totalmente o timbre de voz — ‘Beijos filha, até mais.’

— Tá, já vou, já vou... — segurei o riso. — Até mais mãe.

O “tu tu tu tu” na chamada foi o único som audível, em seguida sessou, sobrando somente o silêncio. Afastei o celular do ouvido, logo vendo as várias notificações na parte superior da tela.

Puta merda, quanto meses eu dormi para ter tanta mensagem assim?! Pensei, arregalando um pouco os olhos.

Comecei a ler as mensagens e respondê-las uma a uma.

Cas: Oe Garota. (2:27)

Caramba, ele nunca aprenderia a ir dormir cedo.

Quem falando né? Fui dormir tarde ouvindo todas as músicas que podia das bandas que Kentin tinha citado no dia anterior, só por curiosidade mesmo, claro. Não era atoa que tinha desmaiado na cama até tarde.

Cas: Só uma pergunta de prova mesmo, você não andou de papo sobre mim com o comando em ação lá né? (2:27)

Cas: Já fiz minha parte, então, nada de fofoquinha! E tenho dito. (2:28)

Prendi o ar dentro dos pulmões junto com a risada alta que queria soltar. Meu Deus, Castiel realmente sentia quando alguém ficava de conversinha sobre ele. Lembrei brevemente do curto diálogo do dia anterior na sala de aula com Kentin, em que eu tinha pensado a mesma coisa. Castiel devia ser médium ou algo do gênero, só podia.

Digitei rapidamente uma resposta:

Lilith: Não, eu?! Imagina, jamais! Vai dizer que suas orelhas ficaram pinicando e vermelhas que nem a cor dos seus cabelos?! Há! (11:57)

Lilith: Aliás, ontem você saiu da aula e nem avisou nada, valeu mesmo pau no cu! -‘- (11:58)

Lilith: Já ia esquecendo também, obrigado por tudo, acabei não agradecendo ontem pela manhã, mas valeu por tudo o que você andou fazendo por mim, nunca vou esquecer, fico te devendo essa, Desbundado. :p ♡ (12:00)

Mandei a última mensagem com um sorriso zombeteiro nos lábios, mesmo sabendo que ele provavelmente faria uma carranca horrível quando lesse aquela coisa sentimentalista, e também por conta do apelido idiota.

Comecei a olhar as outras mensagens:

Lexy: Então senhorita Lilith, ó vossa alteza, quando vai tomar vergonha nessa sua cara e me contar esse lancezinho de novela mexicana que brotou da noite pro dia? -.-‘ (9:10)

Lexy: Só pra constar, eu ainda tô magoado. Tchau! (9:10)

Alexy, Alexy... Você realmente não desiste de saber das coisas. Balancei a cabeça indignada, voltando a digitar.

Lilith: Na hora certa, meu caro amigo. (12:02)

Lilith: Brincadeira, rs, não matuta tanto nisso, eu e ele só estamos recém começando algo. Mas assim que começar a ficar mais sério eu te conto tudo, em detalhes se quiser ^^’ (12:03)

Lilith: E para de birra. Tiau! (12:03)

Desci a caixa de diálogos vendo a última mensagem, meu coração deu uma batida mais rápida e forte, juro que senti ele ter parado por um milésimo de segundo. Era Kentin. Quanto tempo não recebia uma mensagem dele?! Pareciam séculos. Não tardei a ler a pequena e única frase, mas a mais importante de todas até o momento.

Kentin: Bom dia Lilith! Espero que tenha dormido bem. Tudo certo pra hoje? (11:37)

Minha nossa! Era sábado! Sentei na cama tão rápido quanto respirava, feliz e desconcertada. Certamente eu não teria tempo nem de almoçar antes de ir até a casa dele, como pude ser tão descuidada? Devia ter colocado o maldito despertador a tocar, senão fosse minha mãe ligar ia ter dado um bolo e tanto nele.

Respondi sua mensagem antes de me pôr em pé num salto:

Lilith: Ei, oi! Boa tarde, rs. Dormi bem sim, espero que você também. E sim, tudo certo pra hoje, logo mais tô aí! (12:10)

Larguei o celular de qualquer jeito por cima da cama e fui direto e reto até meu armário. Catei uma calça jeans azul clara, uma camisa cinza meia manga e uma outra xadrez vermelha com preto de manga longa para vestir por cima, o fim do ano estava chegando e o friozinho começou a voltar. Isso devia servir, não tinha tempo de ter uma crise existencial procurando algo magnifico para usar.

Depois de pegar minha toalha, zarpei rumo ao banheiro do quarto tomando uma ducha rápida.

Não podia negar que estava feliz e animada, iria ver Kentin em sua casa, e estávamos tipo, juntos! Era muita coisa para absorver.

Enquanto me vestia o celular vibrou algumas vezes indicando novas mensagens. Assim que terminei de colocar as vestes fui visualizar:

Cas: Que eu saiba não tô devendo nada pra ter que ficar avisando as coisas. (12:57)

Cas: Desbundado? Falou cheia de moral a sem-peito! Mas valeu a parte que me toca. (12:58)

Cas: Ai ai, lá vem vc com esses papinhos sensíveis. (12:58)

Cas: Ficar me devendo é? Vou cobrar. ê.é’ (12:58)

Cas: De qualquer forma, não foi nada... É bom saber que você está bem de novo, garota (; (12:59)

Mordi o lábio inferior de leve, pensativa. Estava com dúvidas e talvez ele fosse o único a me ajudar.

Lilith: Preciso de um conselho seu. >.< (13:01)

Enviei a mensagem sem nem ter certeza direito. Castiel estava online e não demorou muito para responder;

Cas: Lá vem você... Diga aí. (13:02)

Voltei a teclar na tela do celular instantaneamente e enviei minha pergunta o quanto antes. Não tinha muito tempo.

Lilith: Kentin me convidou para ir à casa dele hoje, e eu aceitei. Tô um pouco nervosa, vai estar só nós dois e pra ser sincera não sei como agir. O que você acha que devo fazer? ;s (13:03)

Pronto. Falei. Fiquei olhando para o aparelho segurando-o com uma das mãos enquanto a outra livre penteava meus cabelos úmidos. A palavra ‘digitando’ apareceu logo abaixo de seu nome, trocava disso para ‘online’ novamente, como se ele escrevesse e apagasse a resposta várias vezes. Demorou alguns minutos até sua nova mensagem aparecer na conversa:

Cas: Era o que faltava, além de cupido virei conselheiro amoroso. Mas vamos lá, não sei como ainda me presto a ser teu amigo. Normalmente eu diria que levar uma camisinha seria uma boa opção ou diria que não sei, já que nunca aconteceu isso comigo, normalmente são as garotas que vem aqui em casa e não eu que vou na casa delas. xD (13:08)

Bati minha mão contra a testa fortemente causando um som de ‘clap’ bem audível, em total indignação. Talvez não tenha sido boa ideia mesmo pedir conselho logo à ele.

Mais uma mensagem;

Cas: Porém, como eu sou muito legal, o que eu posso te dizer é pra não ficar paranoica com isso, você mais do que ninguém sabe que o garoto é meio lerdo, e já que vocês se conhecem desde crianças como você me contou não tem que temer nada. Acho que é isso. Falei bonito? rs’. (13:10)

— Rá! Você é mesmo um idiota, Castiel. — falei sozinha, enquanto voltava a digitar.

Lilith: Você é a única pessoa que dá respostas idiotas mas que servem pra alguma coisa. Valeu! -_-‘ (13:12)

De certa forma o que o ruivo disse ajudou sim. Até porque eu e Kentin nos conhecemos a muito tempo, iríamos apenas passar uma boa tarde compartilhando a companhia um do outro.

Cas: Sou demais, sei disso! (13:13)

Lilith: É, é, pode ser. Tenho que sair agora, até mais! õ/ (13:13)

Cas: Até mais, tábua :v (13:14)

Lilith: Desbundado! (13:14)

Cas: S-e-m p-e-i-t-o! (13:14)

Lilith: -‘- (13:14)

Cas: Assim me magoa </3 (13:15)

Desliguei a tela do celular enquanto balançava a cabeça, rindo divertida. Agora tudo estava bem. Terminaria de me arrumar e finalmente iria pegar o ônibus até a casa de Kentin.


14h17min. – Em frente à casa de Kentin.


Quanto tempo já estava ali, simplesmente parada perto do portão de entrada da casa dele? Por que diabos eu sempre empacava quando estava perto o suficiente? Aquele lugar era realmente... Difícil dizer que sensação me passava. A última vez que tinha vindo até aqui havia sido meses atrás em busca de respostas sobre quando Kentin voltaria à cidade, obtive apenas uma amarga decepção, logo após tive um mau encontro com um homem encapuzado que tinha um tipo de escuta lhe ordenando fazer atrocidades comigo.

Olhei ao redor de espreita, não podia esquecer que nenhum dos meus problemas estavam completamente resolvidos, nunca podia abaixar a guarda totalmente, o bom era sempre ficar preparada pra qualquer coisa que pudesse vir acontecer.

Abaixei minha vista, encarando meu All Star preto novamente. Kentin estava lá dentro, fazendo sabe sei lá o quê em minha espera, mas eu simplesmente me sentia insegura demais para tocar a campainha. Desde quando eu voltara a ser tão medrosa?

Soltei uma baforada de ar por entre os lábios, não podia ficar ali pra sempre. Ainda um pouco hesitante levantei a mão tocando a campainha cautelosamente.

É agora...

Meu coração começou a pulsar mais forte no mesmo momento em que toquei o botão, que inferno! Por que eu não conseguia controlar aquele órgão maldito sempre que se tratava sobre Kentin? Era um carma na minha vida.

A porta da casa não demorou a ser aberta com Kentin saindo por ela logo após, um sorriso enorme pairava nos lábios do mesmo fazendo eu esquecer porquê tanto medo.

— Lily! — chamou-me contente — Que bom que veio. — caminhou até o portão, abrindo-o e deixando um espaço para que eu passasse. — Vem, entra. — convidou.

— Ok.. — sorri torto um pouco sem palavras enquanto passava por ele, entrando no pátio da residência.

— Por um momento achei que você não viesse. — comentou fechando o portão da frente novamente, girou seu corpo em direção a mim.

— Bom, eu acabei acordando meio tarde, peguei um ônibus quase em cima da hora, hê. — passei ambas mãos sobre meu rosto um tanto envergonhada em admitir que era uma dorminhoca e tanto. Provavelmente ele pensaria que eu era uma preguiçosa de primeira.

— Sério? — riu, começando a entrar na casa, apenas o segui — Por pouco não aconteceu o mesmo comigo, sabia? — olhou-me de canto, me deixando passar por ele novamente. — Sorte que pus o despertador a tocar. — finalizou.

Diferente do que eu esperava, ele admitiu ser tão sonolento quanto eu. Ótimo, achei meu par perfeito pra toda vida.

— Eu devia ter feito o mesmo, fui descuidada. — franzi o cenho, ajeitando alguns fios do meu cabelo para trás da orelha, olhei em volta com certa curiosidade. O ambiente não tinha se modificado muito, parecia quase tudo do mesmo jeito.

— Capaz, não é nada. — balançou a cabeça — Admito que fiquei até tarde ouvindo as músicas daquelas bandas que você tinha me falado, tinha ficado curioso então dei uma boa olhada. — confessou dando de ombros, rumando até a cozinha, fui o acompanhando pelo trajeto.

Um friozinho à contragosto cruzou pela minha barriga. Ah, as malditas borboletas; Nem dava para acreditar que tínhamos feito a mesma coisa coincidentemente.

— Se eu te disser que fiz o mesmo seria estranho? — perguntei crispando os lábios entre um riso tímido.

— Há, é mesmo? Isso é ótimo, na verdade. — sorria, começando a mexer em algumas sacolas que tinham em cima do balcão da cozinha.

— É? — questionei indiferente. Eu diria que eu estava parecendo uma stalker, mas pelo visto para ele não era nada disso.

— Uhum, gosto de saber que fica curiosa sobre as coisas que gosto, assim como fico curioso pelas coisas que você gosta. — falou com naturalidade, tirando algumas coisas de dentro das sacolas — Sem contar que pensamos parecido, me agrada muito.

Perguntar até quando ele iria ficar me surpreendendo desde o dia que nos confessamos um ao outro seria demais? Kentin sabia usar as palavras muito bem, melhor do que isso era sua habilidade em me deixar desconcertada com tão pouco.

Abaixei os olhos, não conseguindo evitar me sentir um pouco constrangida com o que tinha verbalizado.

— Fico feliz com isso também. — admiti rápido.

— Não precisa ficar envergonhada. — riu de soslaio, pegando alguns pacotes de pipocas para micro-ondas — Qual você prefere? — enrugou o nariz levemente começando a ler as opções — Tem natural, amanteigado, de requeijão e por fim um com caramelo.

Me aproximei um pouco, olhando os diferentes pacotes de cores variadas.

— Hm... Caramelo, sem dúvidas. — apontei para o pacote escolhido.

— Sábia escolha, é o que eu mais gosto. — riu — Já estava pensando num mantra do tipo “Que ela escolha este, que ela escolha este.” — fez graça, fazendo-me balançar a cabeça em discordância, Kentin abriu o plástico exterior do alimento, ficando somente o de papel com as pipocas e mais um pacote de alumínio aonde continha o caramelo embalado. — Já ia esquecendo, vou ter que por isso para derreter também. — visualizou.

— Você comprou tudo isso? — perguntei curiosa, olhando para as outras coisas que ocupavam o espaço do balcão.

— Bom, sim, foi por isso que pus o celular a despertar na verdade. — explicou enquanto colocava a pipoca no micro e botava exatamente três minutos para estourá-las — Fui no mercado pela manhã comprar algumas besteiras pra gente. — contou voltando-se à mim.

— Besteiras? — interroguei um tanto irônica. — Você quer me engordar. — estreitei os olhos, pegando um pacote grande de Ruffles e um outro com marshmellows, mostrando para ele, sem contar que também tinha duas barras de chocolate – uma branca com cookies, e outra preta de diamante negro –, mais uma caixa de Bis, duas bandejas com rissoles e bolinhas que eu julgava ser recheadas com queijo. — Vou sair rolando da sua casa, eu suponho. — balancei a cabeça, largando as coisas novamente na bancada e imaginando a cena. Como por exemplo: Eu realmente rolando pra fora do portão da casa dele e coisas do gênero.

Kentin soltou uma gargalhada alta antes de falar novamente;

— Se eu disser que tem refrigerante e uma caixa de pizza para assar caso isso tudo não seja suficiente, você vai pirar? — balançou as mãos, se divertindo logo depois com minha incredulidade.

— Meu Deus! — pus as mãos contra a cabeça, fingindo ser o fim do mundo. — Você comprou o mercado inteiro!

— Nah, nem tanto. — deu um tapa no ar, todo sorrisos.

— Já sinto minhas veias entupindo. — acrescentei bem humorada.

— Que exagero, Lilith. — sorriu se sentando na cadeira alta em frente a bancada de mármore. — Vem cá. — chamou, erguendo com braços e mexendo os dedos juntamente em sua direção para que eu fosse até ele.

— Você me conhece, sabe que eu exagero um monte, deixo tudo com o triplo de drama do que já é. — me aproximei dele passo a passo até ficar em frente ao mesmo, minha respiração pesou quilos só de ter ficado próxima.

— É verdade. — concordou passando os braços sutilmente pela minha cintura e me puxando um pouquinho mais pra perto. Os sons de “poc poc” no fundo das pipocas estourando era a coisa mais audível por ali — Dramalhona. — murmurou enfiando o rosto de leve no espaço entre meu maxilar e ombro, roçando a bochecha no local.

— Não tanto assim, vai. — sorri torto, não conseguindo evitar levantei uma das mãos em direção aos seus cabelos castanhos, mexendo carinhosamente nos finos fios bagunçados e rebeldes.

— Isso é bom... — suspirou num ronronado manhoso, fechando os olhos. — Será que se eu te deixar gordinha com esse tanto de coisa que comprei, aqueles garotos da escola param de te comer com os olhos? — perguntou sugestivo com um sorrisinho ousando brincar nos lábios.

Pausei minha respiração por um instante enquanto absorvia aquelas palavras totalmente inesperadas.

— Da onde isso agora? — perguntei franzindo as sobrancelhas, mas ainda sim sorrindo.

O apito do micro-ondas soou finalmente anunciando que as pipocas estavam prontas.

— Até parece que você nunca se olhou no espelho. — riu levemente, ainda com os olhos fechados, ignorando o barulho do aparelho. — Aposto que se você abrisse uma brecha até Castiel iria aproveitar. — resmungou baixinho fazendo um pequeno beiço.

— Já anda com ciúmes? — questionei me aproveitando da situação, funguei seus cabelos com a ponta do nariz; tinham um cheiro ótimo de shampoo.

As chances de eu ficar com Castiel eram de zero ao cubo, basicamente.

— Talvez...? — arqueou a sobrancelha, fingindo incerteza — Mas Castiel não é o único que me incomoda. — admitiu.

— Ah é? — me fiz de desinteressada — E quem mais te incomoda, posso saber? — sussurrei.

— Lysandre, por exemplo. — confessou sem rodeios, enfiando o rosto um pouco mais fundo no meu pescoço — Eu vi aquela coroa de flores que ele te deu hein, bem suspeitas eu diria.

Como ele sabia?! Depois eu que me achava stalker. Voltou a falar:

— Ele vive te observando na aula, parece querer conversar, mas como sempre eu enfio minha cabeça na frente da visão dele de propósito. — soltou uma risada gostosa perto do meu ouvido.

— Sério? Que maldade! — não evitei rir também.

— É. Só digo verdades, ele tá na tua. — complementou.

— Tá nada, você que vê coisas. — revirei os olhos.

Por um instante o flash rápido do dia da festa da Rosalya passou pela minha mente, e do beijo que Lysandre me deu na hora do jogo de verdade e desafio. Kentin não fazia ideia daquilo, obviamente nem fazia sentido saber já que era apenas um jogo, e eu sai correndo logo após para dar P.T. no banheiro. Mesmo assim, a dúvida sobre Lys não pôde deixar de surgir em algum canto do meu cérebro, de tantas garotas para escolher ele foi logo em mim. Até que fazia sentido vendo por esse ângulo.

— Sou homem, conheço bem os olhares. Sem contar das mensagens que você me enviou enquanto eu estava fora, dizendo que ele sempre te pedia ajuda para procurar o bloco de notas dele, tudo papo furado! — afirmou convicto do que falava, se desvencilhando com cuidado das minhas mãos. — A pipoca, deixa eu pegar antes que esfrie. — lembrou, se levantando da cadeira, fazendo nós dois ficarmos de pé um em frente ao outro, bem perto pra ser mais exata. — Hm... — mordeu o próprio lábio de leve se aproximando de mim aos poucos.

O encarei sem piscar, esquecendo no mesmo instante tudo que ele havia acabado de falar. Kentin inclinou as costas na minha direção encostando a ponta do nariz no meu suavemente; prendi o ar me desconcertando por um instante, um fervor subiu até minhas bochechas. Com cuidado ele encostou sua boca na minha, iniciando um beijo calmo. De olhos fechados agora, levantei meus braços torneando seus ombros largos, as mãos dele que ainda pousavam sobre minha cintura apertaram a mesma gentilmente com as falanges.

Sem parecer pensar muito, Kentin passou a ponta da própria língua por meu lábio de forma circular umedecendo o beijo que trocávamos, aquele contato novo fez com que minhas costas se arrepiassem no ato. Apertei meus braços em torno dele mais um pouco, abri minha boca deixando que a língua dele invadisse ali livremente. E foi exatamente o que aconteceu, assim que nossas línguas se esbarraram, começamos a mexer ambas bocas em sincronismo, sentindo o calor da carne um do outro.

Os dedos do mesmo subiram por minhas costas aconchegadamente, me fazendo soltar uma baforada de ar pesada pelo nariz.

Seria possível que a cada novo beijo, um seria melhor que o outro?

Com certa tardança, Kentin afastou os finos lábios, fazendo-me abrir os olhos novamente.

— A pipoca. — relembrou outra vez, com um riso tímido soando no fundo da garganta.

— A pipoca. — repeti em concordância, o fitando fixamente, deixei por encostar minha testa contra a sua.

Kentin pressionou os dedos contra minhas costas voltando a me puxar outra vez para mais um beijo, desta vez um selinho longo que quando finalizado o som estalado e úmido ecoou na cozinha. Dei um passo atrás para que ele fosse até o aparelho e tirasse a pipoca finalmente dali, caso ao contrário ficaríamos naquela situação o resto do dia, o que na minha cabeça não era uma má ideia.

— Escolhi o filme a dedo pra gente assistir hoje. — comentou enquanto abria o pacote de pipoca, deixando a fumaça quente sair, colocando logo as mesmas dentro de um balde para pipocas.

— Ah é? — estiquei o pescoço curiosa, observando-o fazer tudo com concentração. — E qual é?

Kentin abriu o pacote laminado que continha o caramelo e o pôs também no micro-ondas para derretê-lo.

— Um certo dia... — iniciou, como se estivesse prestes a contar uma história, e de fato realmente estava — Eu fui encontrar uma moça na praça para irmos numa lanchonete, como sempre eu e minha mania de encher ela com comida. — acrescentou o detalhe rindo, mas logo voltando a ficar sério — E essa certa moça estava me esperando em um dos bancos da praça enquanto lia um livro. — levantou o dedo para que eu prestasse atenção no que ele narrava — Eu cheguei por trás dela tapando sua visão, com aquela coisa idiota de fazer ela adivinhar quem era. — não pude deixar de sorrir, relembrando do que ele me contava. — Claro que ela acertou que era eu com facilidade, até porque tínhamos combinado de nos encontrar ali né. — riu, como se risse do próprio ‘eu’ dele do passado, pela coisa boba que fizera — Então, eu sempre curioso perguntei que livro era, só para me fingir de garoto super interessado e culto, sabe como é né, tudo para agradar a bela moça. — deu uma piscadinha pra mim, estufando o peito sonhador, dessa vez eu ri junto. — Aí além dela só dizer o nome do livro ela me contou basicamente o livro inteiro, me dando um monte de spoilers! — arqueou a sobrancelha como se aquilo fosse um ultraje, e de novo eu ri, como esperado.

— Não! Mentira! Spoilers não! — pus a mão sobre a boca, desacreditada.

— Pois é, não é? Também não acreditei. — se juntou na minha interpretação mal feita. — Mas como ela parecia gostar da história, ela acabou sugerindo em assistir a adaptação feita para cinema, já que eu não teria tanto animo para ler aquele livro grosso todo mesmo. — confessou brincalhão. — O nome do livro era...

— Maze Runner. — completei sua frase final. — Lembro bem, bons tempos. — disse com sinceridade.

— Nostálgico, uh? — sorria indo tirar o caramelo agora derretido do micro e o misturando na pipoca com uma colher. — Eu não esqueci, viu só?

— Estou vendo. — apoiei o cotovelo sobre a bancada, toda abobada. Nunca pensei que ele lembraria de algo tão banal como aquilo. Fazia tanto tempo...

— Prontinho. — bateu ambas mãos ao lado das pernas, me estendendo o balde com pipoca — Leva para mim até a sala enquanto eu pego o resto das coisas? — pediu.

Afirmei, pegando o balde de suas mãos. Kentin foi até a geladeira pegando um litro de refrigerante, colocou-o embaixo do braço, logo pegou dois copos segurando-os entre dois dedos de uma das mãos, com a outra mão livre ele segurou as bandejas com os salgados mistos e o pacote com marshmellows. Eu comecei a rir dele.

— Eu falei que era muita coisa. — repreendi com o óbvio.

— Shhh.. Visitas não reclamam. — revirou os olhos, se fazendo de mandão.

— Deixa que eu levo o restante das coisas. Tenho duas mãos também. — segurei o balde com o braço o torneando, peguei a caixa de Bis com a mão do mesmo braço, e com a outra resgatei o Ruffles e as duas barras de chocolate. — Se tivesse mais alguma coisa eu teria que equilibrar em cima da cabeça. — ironizei.

— Quer pôr a caixa da pizza que tá na geladeira aí em cima? Eu te ajudo. — deu ideia.

— Meu Deus, é claro, como não pensei nisso?! — abri a boca, pasma. — Tonto. — bati minha cintura contra o lado do corpo dele, em provocação, ele rebateu de volta da mesma forma, sem muita força para que eu não perdesse o equilíbrio.

— Tonta. — ricocheteou da mesma provocação.

Aos risos começamos a ir em direção a sala com aquela pilha de comida, cuidando para não derrubar e fazer uma bagunça daquelas. Sem dúvidas eu guardaria aquele momento comigo para o resto da vida, fazia muito tempo em que não passava por um momento tão bom e prazeroso como esse.


16h58min. – Após o filme.


— Credo, que inferno era aqueles tais de Verdugos? — perguntou Kentin com os olhos um pouco arregalados se referindo dos monstros meio mecânicos e meio semelhantes a aranhas que apareciam à noite no labirinto do filme, só que eram bem mais... nojentos e feios.

— São monstros criados pela organização da C.R.U.E.L. — expliquei sorrindo, contente pela tamanha curiosidade dele. Agora os créditos finais do filme subiam pela tela da televisão. — Eram testes para ver quem conseguiria sair daquele labirinto vivo, apenas a primeira fase dos experimentos, no caso.

— Qual o significado mesmo dessa sigla que eu me esqueci já? — perguntou outra vez entre um riso culpado.

— Catástrofe e Ruína Universal: Experimento Letal. — contei engrossando a voz de forma sombria.

— Ui, quase me arrepiei aqui. — fingiu medo, apertando seu braço em mim, que durante todo o filme ficou em torno do meu tronco. — Tá sabendo das coisas, geekzinha. — provocou me depositando um beijo molhado na bochecha, fechei os olhos, risonha.

— Assim você me ofende. — fingi desaprovação.

— Capaz mesmo. — sorriu sacana, me encarando sério logo após — Gosto muito de você, sabia?

E mais uma vez naquele mesmo dia o frio passou pela boca do meu estômago, fazendo com que os músculos dos meus braços e costas se retesassem em surpresa. Eu nunca acostumaria com essas coisas repentinas.

— Sabia não. — fiz-me de desentendida encolhendo o pescoço e ombros.

— Pois agora sabe, dona faz-de-conta-que-não-sei. — o sorriso se esticou gradualmente, aproximando o rosto do meu.

— Eu também gosto muito de você. — contei vagarosamente, observando seus olhos enquanto sentia sua respiração quente bater contra os fios da minha franja escura.

— Ah, é mesmo é? — perguntou, só para ter o gostinho de se fazer de desentendido de volta.

— É! — enruguei o nariz, colocando a ponta da língua pra fora, fazendo cara feia ao mesmo.

Num movimento rápido Kentin desfez o espaço que tinha entre nossas faces, beijando a ponta da minha língua que ainda estava pra fora com pressa, minha boca se abriu no mesmo instante tornando-se aquele roubo de beijo em algo intensificado e sério na mesma hora, enquanto eu quase me derretia nos braços dele, assim como as demais vezes. Meus pulmões se espremeram num ar contido quando o senti elevar o corpo sobre o meu, envergando o tronco das costas sobre mim. Passei as pontas dos dedos na nuca do mesmo e apertei de leve a região, em resposta ele suspirou contra meu rosto, fazendo eu sentir o fraco cheiro de chocolate que antes tínhamos comido.

Sorri contra a boca dele um pouco atônica pela presença do seu corpo junto e bem colado ao meu. Com uma calma absoluta ele retirou o braço que antes me envolvia apoiando a mão na escora do sofá, fazendo com que seu corpo ficasse mais um pouco por cima do meu, minha mente nublou enquanto sentia nossas línguas se misturando junto com a troca quente de saliva. A outra mão livre dele percorreu para minha coxa que estava estendida no móvel, e sem parecer se preocupar muito ele dedilhou o lado da minha perna, concentrado tanto ali quanto no beijo.

Incoerentemente ousei abrir um pouco minhas pernas, fazendo com que ele se instalasse entre elas, sua mão firme apertou agora com um pouco mais de força minha coxa a puxando suavemente para cima incitando meu próximo movimento. Em total imprudência acabei por envolver ambas pernas em torno da cintura dele, o prendendo junto à mim. Kentin soltou uma lufada de ar afoito com minha ação e consequentemente ondulou seu corpo sobre o meu friccionando ambos corpos, fazendo com que minha camisa subisse um pouco e parte da minha barriga ficasse à mostra. Me contorci abaixo dele em uma reação automática, soltando um gemido baixo e rouco que venho do fundo da garganta quando senti o volume das calças dele, completamente apertado me pressionando. Uma fisgada desconhecida e muito gostosa em meu baixo-ventre foi o que fez eu acordar daquele transe insano;

Que

Diabos

Estávamos

Fazendo?!

Assim como eu, Kentin pareceu acordar, paralisamos juntos e ficamos nos encarando, tímidos e assustados. Aquilo era desconhecido para ambos, é claro que cedo ou tarde a gente ia retroceder o caminho que estávamos andando.

Como fomos parar assim mesmo? Era esse o significado da expressão adolescência à flor da pele? Possivelmente, porque em todo caso, Kentin e eu estávamos ficando há apenas três dias. Há somente três fucking dias! De onde surgira todo aquele tesão um pelo outro de repente?

— Desculpa. — foi o que saiu em um fio de sua voz.

— Como a gente acabou desse jeito mesmo? — eu ri, tentando não deixar o clima estranho enquanto desenroscava minhas pernas dele e puxava minha camisa para baixo, cobrindo novamente minha barriga.

— Eu não sei. — riu juntamente — Foi... Automático, como se eu tivesse desligado e outro Kentin tivesse tomado conta de mim. — admitiu um pouco envergonhado.

— Você... — reprimi os lábios, estava um pouco constrangida sim, mas a pergunta imprudente saiu mesmo assim: — Aonde você aprendeu essas coisas? — soltei uma risada maliciosa.

Definitivamente eu não valho nem a comida que ingiro.

— Oh, é... — arregalou os olhos um pouco, quase ficando esbugalhados. — Acho que só fiz o que senti vontade de fazer. — sorriu em embaraço.

— Entendi. — segurei a risada. — Nessa velocidade a gente vai casar em menos de um mês. — larguei sem nem pensar direito, quando me dei conta do que tinha falado a quentura subiu por meu rosto inteiro.

— Ah é? — dessa vez ele se divertiu com minha reação. — Não é uma má ideia. — franziu a testa, olhando pra cima, como se pensasse no caso do casório.

— Deixa de ser idiota! — chamei sua atenção, passando a mão em frente do seu rosto.

— Tá, parei já! — riu, apoiando uma mão sobre o sofá ainda sobre mim. — Vamos com calma, certo? — perguntou seriamente. — Digo, fazem apenas três dias que estamos “nisso”. — apontou para mim e para si mesmo com a mão livre.

— Sim, concordo. — balancei o rosto em concordância.

Kentin se inclinou novamente depositando um selinho curto em mim, não arriscando a intensificá-lo, provavelmente por precaução.

— Combinado. — crispou os lábios, virando o rosto. — Vamos levar essas embalagens para a cozinha, de jeito nenhum posso deixar a casa uma bagunça, meus pais voltam ainda hoje. — comentou, se sentando ao meu lado e começando a catar todo lixo que via pela frente, não tardei a ajudá-lo.

Após termos jogado tudo na lixeira, guardado o que sobrou na geladeira e lavado os copos e o balde de pipoca, Kentin foi até o quarto, me puxando pela mão junto a si.

— Logo mais começa a escurecer. — falei olhando de relance para a janela do quarto dele.

— Você tem hora para voltar? — me olhou enquanto abria seu notebook que estava sobre a mesa retangular em um canto do local.

— Hm, na verdade antes da minha tia chegar em casa. — admiti, dando de ombros. Em alguns finais de semana Agatha contribuia como ajudante em um posto veterinário. Esperava que hoje tivesse plantão.

— Não avisou ela que viria pra cá, é? — perguntou já começando a rir de mim.

— Ela não estava em casa quando saí! — levantei as mãos, me protegendo da acusação indireta dele.

— Entendo, telefones hoje em dia não servem pra nada mesmo. — comprimiu os lábios, zombando.

— Vai começar, é? — levantei ambas sobrancelhas, ameaçadora.

— Eu não, jamais. — começou a digitar algo no notebook.

Logo o toque leve de um teclado começou a ser ouvido e em seguida a voz de um cantor.

“Do you feel the same when I’m away from you?

Do you know the line that I’d walk for you?

(Você sente a mesma coisa quando estou longe de você?

Você sabe a linha que eu andaria por você?)”

— Imagine Dragons? — perguntei indiferente, reconhecendo aquela voz.

— Sim, pelo visto você pesquisou mesmo. — sorriu, tirando seus olhos do notebook e se virando para mim. — Vem, sempre quis fazer isso com você, e agora que estamos, “nisso” — fez aspas com os dedos logo apontando para nos dois. — Não vou perder a chance.

“We could turn around, or we could give it up.

But we’ll take what comes, take what comes.

Oh the storm is raging against us now.

If you’re afraid of falling then don’t look down.

(Podíamos dar meia volta e desistir.

Mas vamos enfrentar o que vier, enfrentar o que vier.

A tempestade está furiosa contra nós agora.

Se você estiver com medo de cair, então não olhe para baixo.)”

— Fazer o quê? — franzi a testa, confusa, mas segurei a mão dele que estava estendida em minha direção.

— Dançar, é claro. — riu. — O que mais se faz quando se escuta uma música com a letra que te faz lembrar de alguém que gosta e está junto dessa pessoa? — levantou seus olhos, encarando os meus de forma sugestiva.

“But we took the step, and we took the leap.

And we’ll take what comes, take what comes.

(Mas nos demos um passo, e demos um salto.

E vamos enfrentar o que vier, enfrentar o que vier.)”

Assim que estávamos próximos o suficiente Kentin pousou suas mãos ao lado da minha cintura, naturalmente eu levantei meus braços envolvendo seu pescoço e ombros.

O vento um pouco gélido adentrou pela janela entreaberta do quarto fazendo que nossos cabelos balançassem suavemente, a iluminação era quase inexistente, nublada, o entardecer já estava acabando e o crepúsculo começava a tomar conta.

“Feel the wind in your hair.

Feel the rush way up here.

(Sinta o vento no seu cabelo.

Sinta a adrenalina até aqui.)”

Tanto eu quanto ele não éramos nem um pouco profissionais naquilo, mas só de sentir a intensidade do olhar dele sobre mim não me importei de parecer desengonçada ou algo do gênero. Kentin nos embalava de um lado e outro enquanto dávamos lentas voltas pelo pequeno espaço do quarto.

“We’re walking the wire, love.

We’re walking the wire, love.

We’re gonna be higher, up.

We’re waking the wire, wire, wire.

(Estamos andando pelo fio, amor.

Estamos andando pelo fio, amor.

Ficaremos numa altura maior ainda.

Estamos andando pelo fio, fio, fio.)”

Ele deslizou a mão por meu braço delicadamente, logo segurando a ponta dos meus dedos, levantou o braço se afastando um pouco seu corpo do meu para que eu desse uma volta e logo colocou ambos corpos de novo, voltando ao ritmo de antes. Eu ri alegre, logo sendo acompanhada por ele que colava sua bochecha contra a minha.

“There’s nights we had to just walk away.

And there’s tears we’ll cry, but those tears will fade.

It’s price we pay when it comes to love.

And we’ll take what comes, take what comes.

(Há noites em que precisamos nos afastar.

E há lágrimas que vamos chorar, mas elas desaparecerão.

É o preço que pagamos quando se trata de amor.

E vamos enfrentar o que vier, enfrentar o que vier.)”

Não pude deixar de lembrar do dia em que dancei com Alexy naquela festa de meses atrás, que por reflexo ou pura imaginação vi Kentin comigo, a falta que ele me fazia na época era imensa, gigantesca, tão gritante que fazia eu me sentir como se tivesse um rombo dentro do peito. Imaginar que agora estava com ele, dançando de verdade dessa vez, fazia com que minha garganta se fechasse instantaneamente e meus olhos ardessem um pouco, não conseguindo evitar de me emocionar e pensar nos trancos e barrancos que passei – assim como ele também – para chegar até aqui.

“Feel the Wind in your hair.

Feel the rush way up here.

(Sinta o vento no seu cabelo.

Sinta a adrenalina até aqui.)”

Encostei meu queixo sobre o ombro dele, sorrindo com o canto dos lábios, fechei os olhos enquanto ele nos guiava calmamente na dança improvisada.

Logo o refrão da música voltou a ser cantado e junto com a emoção que nos passada Kentin apertou as mãos com mais firmeza nos meus quadris, sua respiração batendo descompassadamente em meu ouvido, acarretando arrepios involuntários por todo meu corpo.

“We’re walking the wire, love.

We’re walking the wire, love.

We’re gonna be higher, up.

We’re waking the wire, wire, wire.

(Estamos andando pelo fio, amor.

Estamos andando pelo fio, amor.

Ficaremos numa altura maior ainda.

Estamos andando pelo fio, fio, fio.)”

Ficamos nessa situação por todo o resto da música, apenas nos movendo com tranquilidade e sentindo tudo o que o momento nos proporcionava. Quando ela acabou, ele afastou seu rosto do meu pescoço para me fitar, me pegando de surpresa no mesmo instante.

— Ken...tin? — chamei-o pausadamente, hesitando, conseguindo enxergar somente seus olhos que no momento estavam avermelhados. — O que foi? — perguntei preocupada.

— Nada não. — balançou a cabeça, negando. — Só estou feliz demais. — sorriu.

Minha boca se abriu em um “o” antes de conseguir achar minha voz outra vez.

— Eu também estou. Muito. — confessei, levantando minha mão até seu rosto e fazendo carinho com as juntas dos dedos. — Obrigado por nunca ter desistido de mim. — larguei o agradecimento, pensando nas coisas que tive que fazer para mantê-lo afastado de mim, e ainda assim ele nunca virou às costas para mim.

— Sei que você nunca fez nada por mal. A culpa não foi sua, de nada do que aconteceu. — confortou-me, me puxando para um abraço carinhoso que foi correspondido no mesmo instante.

Ficamos em silêncio enquanto trocávamos aquele longo e genuíno afeto. Sabíamos que nenhuma palavra mais precisava ser dita. Ninguém estava mais magoado com ninguém, por nenhum deslize, erro ou qualquer outra coisa que antes acabou nos machucando.

Nunca, em qualquer mundo eu vou entender como me deixei levar por pensamentos alheios, por julgamentos sobre Kentin envolvendo aparência e coisas do gênero. Também nunca vou me perdoar por ter deixado ele de lado várias vezes, por ter demorado tanto para perceber que eu... Que eu o amava profundamente. Porém sabia que nada me faria ficar longe dele outra vez. Eu o queria por perto, pra sempre se for possível, e eu vou fazer que seja, custe o que custar.

— Então... — ele se afastou de mim, agora tanto eu quanto ele estávamos extremamente calmos. — Pizza?

— Claro. — concordei — Mesmo que eu saiba que no fundo é só um pretexto para me engordar, eu aceito.

— Alguém descobriu o enigma. — ironizou, entrelaçando seus dedos nos meus e começando a me puxar para a cozinha.

O restante da noite passou-se agradavelmente, tanto eu quanto ele éramos dois zeros à esquerda quando se tratava de cozinhar, mas conseguimos assar a pizza sem que ficasse queimada. Jantamos juntos na mesa da cozinha, sem música, sem televisão, somente eu e ele em nosso pequeno mundinho cheio de linhas imperfeitas que com o tempo ajustávamos juntos.

Claro, eu não pude deixar de caçoar dele quando o queijo derretido da pizza ficou grudado em seu queixo, em vingança ele aproveitou um momento de distração minha enquanto eu bebia o refrigerante e deu um tapa na parte de baixo do copo, fazendo com que quase eu me virasse. Obviamente ele riu muito de mim, e eu me esforcei bastante para não enchê-lo de tapas e pontapés por baixo da mesa, mesmo que no fundo acabasse por rir junto.


21h20min. – Voltando para casa.


— Você vai voltar pra casa como, se depois não tem ônibus? — questionei, encostando minha cabeça em seu ombro, não me importando com o restante de pessoas ali presente.

— A pé. Assim eu perco as calorias que já ganhei. — riu, juntando nossas mãos sobre sua perna.

— Você é louco. — esfreguei meu rosto suavemente sobre o local em que apoiava.

Em que mundo eu imaginaria aquela cena? Eu e Kentin sentados no banco do ônibus lado a lado, como um casalzinho cheio de açúcar. Era bom demais.

— Faço questão de te levar até em casa e é assim que sou tratado? — fingiu mágoa, mas sorrindo de lado levemente.

— Ok, ok, peço perdão. — fechei os olhos, me aconchegando àquela posição agradável, apertei levemente seus dedos contra os meus, e automaticamente ele reagiu ao toque fazendo o mesmo.

— Está perdoada. — murmurou só para que eu escutasse.

Depois de alguns minutos descemos no ponto de ônibus logo à frente da minha casa, ainda de mãos dadas. Olhei para as janelas de onde eu morava e meu coração gelou no ato, vendo as luzes ligadas.

— Parece que você chegou depois da sua tia. — comentou ele — Quer que eu entre com você para explicar que estava comigo? — perguntou verdadeiramente, se importando de acabar me causando algum problema.

— Não, não, tudo bem, eu me viro. — sorri. — Nós vemos na segunda?

— Sim, segunda. — afirmou ficando de frente pra mim e passando a mão no meu cabelo distraidamente.

— Obrigado por hoje... Foi ótimo. — agradeci contente, o fitando.

— Eu que o diga. Vamos fazer algo assim de novo outro dia. — balançou o pescoço, já afirmando o que dizia.

— Com certeza.

Sem dizer mais nada, ele se inclinou para baixo e me deu um beijo curto de despedida.

— Até mais, Lily.

— Até. E toma cuidado na rua. — pedi.

Kentin fez apenas um sinal de concordância e se afastou de mim, começando a ir embora.

Agora era só enfrentar minha tia. Um puxão de orelha de leve valia totalmente apena depois do dia ótimo que tive.

Subi os degraus de entrada e abri a porta de casa devagar, evitando fazer quaisquer barulhos possíveis. Quando fui subir de fininho às escadas para o segundo andar, Agatha me enxergou da sala.

— Você! — falou já apontando pra mim e se levantando do sofá. — Aonde estava que não deixou nenhum bilhete e nem me ligou avisando?

A olhei claramente com a expressão de que fora pega no flagra, apenas sorri amarelo encolhendo os ombros culpadamente, levantando as mãos como se já dissesse “Foi sem querer.”.

Sabia que nem o sermão que estava prestes a ouvir sobre responsabilidade e falta de consideração estragaria meu dia. Tudo estava entrando nos eixos, finalmente.


Notas Finais


Música do toque de telefone da Lilith: (Reptilia – The Strokes)
https://youtu.be/FN0V0jDGL_Q
Acabei usando essa música pq é a mesma que tá no meu quando alguém me liga –q xD
Música que Kentin e Lilith dançaram juntos: (Walking the Wire – Imagine Dragons)
https://youtu.be/1nv9br7P7g0
Eu acho que essa música passa uma emoção e tanto, principalmente no refrão e sem contar que a letra combina muito com a situação desse nosso casalzinho, então, quem ficou curiosa pra saber o ritmo e o jeito da música ta aí :p

Novamente, desculpe pelo capítulo enorme, não consegui evitar escrever tantos momentos fofos. Eu até tinha outras coisas na cabeça pra por a mais, mas vão ficar pra mais além.

Até o próximo capítulo :3


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