História Elycia: por trás das câmeras e da realidade - Capítulo 17


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Categorias Alycia Debnam-Carey, Eliza Taylor-Cotter, The 100
Personagens Alycia Debnam-Carey, Clarke Griffin, Eliza Taylor-Cotter, Lexa
Tags Alycia Debnam-carey, Clarke Griffin, Clexa, Eliza Taylor, Elycia, Lexa, The 100
Exibições 432
Palavras 14.395
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi Gente! tudo bem?

Este capítulo atrasou mais do que o esperado. O motivo? Eu não podia dividi-lo. Aliás, eu não quero ter que dividir mais nenhum daqui para frente (encerro a fic em 4 capítulos). Então eu posso atrasar na atualização um pouco mais nos próximos que serão bem extensos como este! Outra razão é que não tenho mais quotes delas para titular os capítulos, então, recado dado! Obrigada, de nada!

Boa leitura! Até o próximo!

AH! Já estava esquecendo: adorei os comentários fofos e sem xingamentos do capítulo anterior! hahahah Também adorei a conversa da nathfleming e da cacaulexa nos comentários, os quais não poderei responder para não dar spoilers, mas leio tudinho! Obrigada!

Charlotte.

Capítulo 17 - Not ready to be with anyone... yet.


Fanfic / Fanfiction Elycia: por trás das câmeras e da realidade - Capítulo 17 - Not ready to be with anyone... yet.

Not ready to be with anyone... yet.

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Alycia voou para o México por volta das 13h. Horário em que Eliza estava levantando do sono pesado a que se propôs depois do péssimo amanhecer daquele dia. Ao descer para beber um copo d’água esbarrou em Matt que ao olhá-la perguntou se estava tudo bem.

Eliza apenas levantou os olhos inchados a dizer “Estou completamente quebrada por dentro”. Abaixou a cabeça a conter novas lágrimas. Matt quis saber o que houve e perguntou se era só mais uma ressaca. Eliza foi sucinta em dizer “é quase isso. Uma grande ressaca (respirou fundo) eu só preciso esperar a  maré me levar... seja lá para onde for!”. Era a primeira vez que Matt observava a amiga naquela situação, da mesma forma que nunca houvera visto tão feliz como nos últimos meses “Vocês terminaram?”. A loira fechou as pálpebras lentamente, apertou os lábios e balançou a cabeça em sinal de positivo. O amigo apenas a abraçou com afeto em sinal de conforto. Permaneceram em silêncio por alguns minutos até Matt dizer que ficaria tudo bem, tudo se resolveria em seu tempo. Eliza não conteve as lágrimas. Matt ofereceu mais alguns minutos de um abraço apertado e consolado, antes dela decidir voltar ao quarto.

A loira passou o dia na cama, não atendeu as ligações da mãe, mas se prontificou a enviar uma mensagem “foi feito, mãe. Eu vou me recuperar, só preciso de um dia sozinha, ligo assim que me sentir mais fortalecida e explico-lhe tudo. Obrigada. Amo você. bjs.”.  Depois de receber um “cuide-se, meu bem, estou esperando sua ligação a qualquer hora”, a loira desligou o celular porque era doloroso demais olhá-lo e saber que não receberia as mensagens apaixonadas de Alycia ou receberia, até algumas suplicantes, mas não poderia retribui-las.

Lucy conhecia a filha e sabia que ela não falaria enquanto não conseguisse controlar suas emoções, mas também estava ciente das eventuais crises de pânico da loira. Então ligou para Rhys e pediu que se fosse possível ficasse de olho nela. Tanto Matt quanto Rhys se comprometeram a cuidar dela naquele dia.  Eles se revezaram em tentar fazê-la comer alguma coisa durante todo o dia. Os dois sempre ofereciam alguma coisa, começaram por coisas saudáveis como frutas e cereais, mas diante da situação, o mais atrativo seria o preferido de Eliza: chocolates. Ela recusou. Passou o dia apenas no suco e leite entre sonos amargos.

Somente  na manhã seguinte ela ligou para a mãe. Entre uma explicação e outra, ela continha o choro, o soluçar e o bufar de irritação. Deu detalhes do quão duro foi vê-la partir. Esclareceu que havia arranjado alguns motivos medíocres para terminar, mas que seriam aceitos, porque Alycia era insegura demais para acreditar que a loira a amava, realmente. Alycia era ingênua demais para perceber que é naturalmente inevitável amá-la. Falou da saudade que já atingia fisicamente seu corpo. Cada membro, cada parte, cada órgão estava dolorido, o corpo inteiro gritando por ela. Então Eliza lembrou-se da última vez que elas fizeram amor: talvez a sensação que elas tiveram de que fosse eterno era só o destino avisando que tudo duraria exatamente o tempo  necessário para se tornarem inesquecível uma para a outra. Prometeu que se reergueria, mas não naquele dia. Garantiu se alimentar diante da ordem materna e recebeu um pedido de “volte para casa, meu bem, volte para o colo da sua mãe”. Durante a chamada com a mãe seu telefone não parou de avisar que havia outra chamada e ela sabia de quem era. Descrever seu sofrimento para a mãe ao som desesperado das chamadas de Alycia era torturante demais. Ao finalizar a chamada, uma mensagem da ex-namorada.

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Alycia passou a viagem toda mais aérea do que o próprio voo. Buscava entender como foi do céu ao inferno em questão de dias. No início da semana ela tinha em seus braços a mulher que amava a compartilhar seus sonhos, suas metas, seus beijos mais doces, sua voz mais delicada, seu sentimento mais puro. E agora, agora, apenas um vazio. Os seus pensamentos estavam tão confusos que ela não sabia se pressionava Eliza a fazê-la enxergar a asneira que estava fazendo ou se mantinha distância para que ela sentisse que elas não conseguiriam mais viver longe uma da outra. O pior disso tudo é que ela não poderia se aconselhar com a melhor amiga, a qual não sabia do seu relacionamento e ainda por cima, estava interessada na loira. Ela teria que decidir e agir sozinha. Quando chegou ao hotel, não resistiu, discou para, agora, ex-namorada. Do outro lado da linha apenas o comunicado de indisponibilidade seguido de um bip para deixar recado. Depois da décima tentativa em menos de 12 horas ela resolveu desistir, fechou os olhos a prender as lágrimas dentro de si e caiu no sono em algum momento em que assistia aos vídeos que mantinha da loira em seu celular.    

Pela manhã, o término do namoro era secundário, no momento, ela só queria saber que Eliza estava bem. Nada nas redes sociais. Nada nos grupos em comum do telefone. Lembrou-se de Matt, mas também que não tinha o telefone dele. Tentou por rede social, mas não obteve respostas. O seu desespero só aumentava. E ela ainda precisava se concentrar para iniciar as tomadas.  Tentou mais uma vez ligar. Dessa vez chamou até cair na caixa postal. Na tentativa seguinte, linha ocupada. E continuou assim por quase uma hora. Então ela mandou uma mensagem, primeiro pensou em um áudio, mas não conteria o timbre de voz trêmulo, então apenas escreveu “Liz, eu só preciso saber que está bem. Responda-me, por favor. Deixe-me saber que você está bem. Apenas um sinal”. Passando algum tempo o sinal vem por escrito: “Hey, estou viva (emoticons de sorrisos) não se preocupe. Vai doer por um tempo, mas tudo ficará bem. Precisamos nos afastar para ficar mais fácil, você precisa se concentrar no seu trabalho, fique bem, eu sempre amarei você, mas agora... eu sinto muito Aly”. 

Ao ler a mensagem Aly só conseguia pensar emVocê não pode estar falando sério, Liz! (colocou as duas mãos sobre a cabeça a movimentá-la em sinal negativo) Como é que você me ama, mas me abandona!?”. Foi trabalhar com mil e um questionamentos torturando sua cabeça e seu coração. Novas inseguranças surgiam e que racionalmente eram comparadas a tudo que elas viveram nos últimos quatro meses. O discurso de Eliza era incompatível com cada minuto que elas ficaram juntas. Buscou razões. Argumentos que a fizessem entender a necessidade da loira em estar “livre” dela. Ficava cada vez mais confusa. No final do dia, decidiu que a loira teria que ser mais convincente em abandoná-la. Mandou o primeiro áudio a aguardar uma respostaOi Liz! Ahmm, eu ... eu.. não consigo entender... por que ... por que você não pode  nos dar uma chance de consertar tudo... eu a amo... eu posso melhorar por você também... mas eu preciso que me dê uma chance para isso. Eu não quero perdê-la”.

 **

No final da tarde Eliza  percebeu que ficar entre os lençóis que continham o perfume de Alycia era mais doloroso. Buscou ficar na sala tentando se concentrar em um filme aleatório, mas se lembrou do dia do seu aniversário que elas fizeram amor no sofá. Foi à cozinha e buscou distração ao preparar um sanduíche, olhou para o balcão, para a mesinha e para a geladeira, cada centímetro daquele espaço lhe traziam lembranças das vezes que se entregaram. Desistiu do lanche, respirou fundo e seus olhos caíram sobre o piano perto da escada. Falou para si “Tudo nesta casa lembra ela!”. Matt acabara de chegar à área comum e presenciar a conclusão da amiga. “talvez você precise de alguns dias fora, que tal ir para casa?” sugeriu o amigo. “Ainda estou envolvida com uns projetos, não dá para fazer uma viagem tão longa”. Justificou a loira, que obteve outra sugestão de Matt: “David Anders está de folga das gravações, por que você não passa um tempo com ele? Quem sabe ele a anime?”. Eliza gostou da ideia e se comprometeu a ligar para David mais tarde, porém, antes precisava dar uma volta e sair daquele ambiente. Foi a uma confeitaria, pediu cupcakes e café, mas em seguida desistiu do pedido. Pela rua em um quiosque qualquer pediu suco e rosquinhas, continuou sua caminhada sem destino. Viu-se na frente do Dolby Theatre. Lembrou se do discurso de Alycia, dos seis filhos e do “Obrigada”. Fechou os olhos e respirou fundo, pegou o telefone e pediu abrigo na casa de David. Voltou a casa, pegou algumas coisas para alguns dias. Despediu-se carinhosamente dos amigos e quando estava saindo, o áudio de Alycia. Ouviu, ignorou e saiu pela porta. Novos áudios foram chegando, quase todos com o mesmo teor e a mesma apreensão no timbre de voz. Depois do sétimo, parou.

**

Alycia conhecia muito bem Eliza para saber que ela não responderia, mesmo que sua caixa postal estivesse lotada de mensagens. Mesmo que suplicasse. Eliza sabia como ninguém se tornar indiferente. Depois das últimas 48h em investidas e do término, Alycia desistiu de manter contato com a loira e resolveu aproveitar a visita de sua família ao set de gravações no México. Enquanto eles (mãe e irmão) estivessem por perto, nos próximos cinco dias, a ex-namorada seria apenas o pensamento noturno que encharcava o travesseiro. Teria dado certo, se uma conversa por áudio não a tivesse desestruturado por inteiro.

E (áudio): “Hey, Aly! Ahmm, eu sinto muito não ter respondido antes, mas... mas.. eu precisei de tempo para elaborar e organizar as palavras.... eu não quero magoar você... então, ah.. hmmm., será mais fácil seguirmos em frente se não mantermos contato.... eu gostaria que você me entendesse... então, cuide-se! Bjs.”

A (áudio): “Não quer me magoar? Sabendo que eu odeio a sua indiferença, você resolve simplesmente me ignorar. Eu só quero entender como que.. que  você diz que vai  me amar para sempre e não quer ficar comigo? Que tipo de amor é esse? O que eu fiz para afastar você?”

E: “Você não fez nada, Aly. Eu apenas .. eu apenas .. eu apenas ... preciso me encontrar  Amm, eu não quero machucá-la, por favor...eu só não quero mais”.

A: “Como eu fui perder você da noite para o dia, Liz? Eu preciso de algo mais convincente. Você não pode simplesmente ir embora... me deixar...”

E: Eu não consigo dizer, eu não encontro palavras para me expressar (áudio interrompido) (segundos depois) “Sabe aquele música ‘already gone’ da Clarkson? Acho que ela pode explicar.”

A: Oh, shit! (Uma bufada de Alycia) Você realmente está me dispensando! Pior que você nem se deu ao trabalho de compor algo para mim... (risada irônica) Que parte da música vai me fazer entender (áudio cortado) (segundos depois) entender que ... que eu mereço isso de você?

E: Nós sempre fomos destinadas a dizer adeus. Começou com um beijo perfeito. A perfeição não conseguiu manter esse amor vivo. E eu quero que você saiba. Que você não poderia ter me amado melhor. Mas eu quero que você siga em frente. Então, fui embora”.

A: Você não pode fazer isso comigo, conosco! (Alycia não consegue esconder o choro nos áudios)

(Alycia escutando a música)

Lembra-se de todas as coisas que queríamos?

Agora todas as nossas memórias estão assombradas
Nós sempre fomos destinados a dizer adeus
Mesmo sem punhos levantados, sim
Nunca teria dado certo, sim
Nós nunca fomos destinados a lutar ou morrer

Eu não quis que nos queimássemos
Eu não vim aqui para te machucar
Mas agora eu não consigo parar

Eu quero que você saiba
Que não importa
Onde tomamos essa estrada
Alguém tem que partir
E eu quero que você saiba
Que você não poderia ter me amado melhor
Mas eu quero que você siga em frente
Então, já fui embora

Olhar para você torna tudo mais difícil
Mas eu sei que você irá encontrar outra pessoa
Que não irá fazê-la sempre querer chorar
Começou com um beijo perfeito
Então, nós pudemos sentir o veneno entrando
A perfeição não conseguiu manter esse amor vivo

Você sabe que eu a amo muito
Eu a amo o suficiente para deixá-la ir

Depois de alguns minutos para que pudesse se recompor do último áudio de Alycia e esconder as lágrimas e o nó na garganta:

E: eu sinto muito...

A: Explique-me porque termina assim algo que começou com um beijo perfeito? Somos perfeitas juntas! Como é que você me ama tanto e está me deixando? Eu só quero entender, Liz, você está sendo incoerente! Você quer assumir para todos que estamos juntas? Eu assumo, assumo você para todos, para o mundo!

Enquanto Eliza ouvia o áudio gesticulava de um lado para o outro da sala de David a resmungar em prantos “Não!! Não!! Para Alycia, você não fez nada! Eu passaria a vida inteira as escondidas com você! Eu só precisaria de você!

A Loira se recompõe para responder.

E: Aly, eu nunca quis que me assumisse. Não quero me expor e muito menos expor você! Eu simplesmente não quero mais, não quero um relacionamento, não quero este tipo de vínculo.

A: Você quer eventualidade? Seus casos esporádicos? É o casual que você quer? Eu posso ser isso para você... Liz...

Novamente Eliza desaba do outro lado “OMG! Aly, por favor, não faça isso, não faça isso! Não se diminua por ninguém! Não faça me sentir ainda pior... isso já é tão duro... não se submeta a nada que não seja no mínimo amor... você não é casual, você não é transitória na vida de ninguém, você é permanência.,... você é eterna... Oh, céus!” Eliza se recompõe e precisa tirar forças para soltar as próximas palavras.

E: Aly... eu... realmente quero a minha vida de volta de casualidade... sem amarras... e e sem você! Afinal, como você mesma diz, sou Eliza Taylor!

Alycia levou por volta de cinco minutos para que se recompusesse do pranto que se misturava com toda a decepção que estava sentido. Então respondeu com a voz firme e sem resquícios do mundo que acabara de desabar sobre ela.

A: Ok. Eliza. Sinto muito pela minha insistência. Prometo não a procurar novamente. Cuide-se.

Eliza fechou os olhos e relaxou os ombros a sentir um calafrio percorrer cada célula do seu corpo. Era como se até o ar estivesse pressionando todos os seus órgãos contra a parede que mais uma vez serve de apoio para aquele desabar estrutural de sua existência.

**

(25 dias depois)

No período que não se falaram, Alycia continuou com as gravações no México. Buscou no trabalho uma forma de superar aquele infortúnio jogado de paraquedas em seu colo. Ela sempre interagia com o elenco, ficou expert em manipulação de canivetes e nas horas vagas entre uma tomada e outra auxiliava os amigos numa disputa acirrada de xadrez.  Assistiu ao seu filme preferido. À noite, buscava chegar ao hotel cansada o suficiente para apenas tomar um banho e desabar na cama, que dia a dia deixa mais seca a fronha do travesseiro.  Durante 25 dias ela cumpriu sua palavra em não procurar Eliza.

A loira, por sua vez, precisava se manter coerente em cada palavra pronunciada naquela última ligação. Então, postou vídeo com David Anders, o qual Alycia sempre julgava colocar Eliza em “mau caminho”, saiu para uma balada com a Rhys e a namorada, foi a jantarzinho e depois ao Boliche com o amigo Max e a namorada. Com nenhum brilho nos olhos ela tentou mostrar nas redes sociais, na verdade, para Alycia e para si, que as duas precisavam seguir em frente, independente do coração partido. Eliza finalmente pode ir ao encontro de um abraço materno. Postou foto com os irmãos. Aproveitava o sol, o mar e todo calor que a Austrália podia lhe proporcionar e, quem sabe, substituir a fria sensação desde que teve que abandonar Alycia.

**

(20h – Austrália)

Eliza está reunida com a família em uma disputa de “Monopólio” quando seu telefone toca e na tela “Alycia chamando”. Em segundos o coração acelerou, a respiração descompassou e todas as memórias fragilmente guardadas preenchem seus pensamentos. Ela leva alguns segundos olhando a tela até decidir atender. Já faz quase um mês e o que acontece para ela ligar tão tarde em L.A. O instinto preocupado sequer fez com que ela lembrasse de que havia pedido distanciamento.

- Hey , Aly! (Eliza se afasta da sala para conversar reservadamente)

- Oiiii, Eliza Taylor! (Alycia estava extremamente bêbada) Eu sei que prometi não ligar, mas... mas Liz, eu preciso de você! Eu preciso de você. Você assistiu ao episódio?  A edição ficou tão linda... nós estávamos tão cheias de inseguranças e desejos naquela época... Eu achei ... eu achei que você jamais seria minha....

Eliza já sentia um nó na garganta de conhecer o estado vulnerável de Alycia ao telefone. De todas as lembranças das gravações do 307 e, mais ainda, da primeira entrega entre elas ao final das gravações. Respirou fundo e secou a garganta.

- Sim, Aly! Claro que assisti ao episódio.... Ficou perfeito... Emocionante e comovente... A repercussão de tudo isso é prova que fizemos um bom trabalho...

- Você escutou a parte que disse que preciso de você? Que achei que jamais seria minha? Você pode vir ao meu apartamento? Estou sozinha...

- Quanto você já bebeu? Por que está sozinha? Cadê as suas amigas?

- Algumas doses.. talvez, meia garrafa... Você vem? Elas estão trabalhando... Você vem?

- Aly... eu.. eu não posso...

- Por que não? Eu merecia uma despedida.... você me deve uma... Ademais, nem... Nem é tão ruim assim ir para cama comigo....

Eliza só pensava “OMG! Aly, pare, por favor!”

- Aly.. eu realmente não posso ir porque (Eliza foi interrompida)

- Porque você não me quer! Eu já sei de tudo isso, mas... mas eu tentei ... eu juro que tentei seguir.. Liz, mas... todas as músicas que ouço fazem sentido para nós e me lembro de você.. E assistir a este episódio não ajudou nada.... eu eu sinto saudades dos seus lábios.... do seu queixo.... eu senti o úmido do seu beijo só em assistir nós duas na tela da TV...Eu preciso de você!

Na chamada Alycia só conseguia ouvir um silêncio da linha que é causado pelo encostar de mão de Eliza no microfone do celular para que a ex-namorada não perceba o choro preso da loira, anestesiada demais por saber do sofrimento de Aly e emitir qualquer som que não seja de um desesperado respirar.

- Aly... eu .. eu sinto muito, Ammm, eu gostaria de ....(Novamente Alycia interrompe a loira com uma voz acelerada e atrapalhada com a língua por causa  da bebida).

- Espera... um minuto.. vou cantar uma música para você, não desliga... (Alycia apertou o play da música como fundo musical e totalmente embriagada, desafinada e enrolada tentava acompanhar a letra da música)

Picture, perfect memories

Fotos, memórias perfeitas
              Scattered all around the floor

Espalhadas por todo o chão
Reaching for the phone 'cause

Alcançando o telefone porque
I can't fight it anymore

Eu não consigo lutar mais
And I wonder if I ever cross your mind

E eu me pergunto se eu já passei pela sua mente
For me it happens all the time

Para mim isso acontece o tempo todo

It's a quarter after one

São uma e quinze
I'm all alone and I need you now

Estou completamente só e preciso de você agora
Said I wouldn't call

Disse que eu não ligaria
But I lost all control and I need you now

Mas perdi todo o controle e preciso de você agora
And I don't know how I can do without

E eu não sei como sobreviver
I just need you now

Eu só preciso de você agora

Another shot of whisky

Outra dose de uísque
               Can't stop looking at the door

Não consigo parar de olhar para a porta
Wishing you'd come sweeping

Desejando que você entrasse arrebentando
In the way you did before

Da maneira que fazia antes
And I wonder if I ever cross your mind

E me pergunto se eu já passei pela sua mente
For me, it happens all the time

Para mim, isso acontece o tempo todo

(Need You Now -Lady Antebellum)

Eliza tem uma espécie de confusão de sentimentos ao ouvir a ex-namorada cantar. O jeito enrolado e delicado até mesmo quando está bêbada a cantarolar só inunda o seu maior desejo de poder ficar com ela, para sempre. Por outro lado, sentir tão de perto o sofrimento dela é insuportavelmente doloroso. E, por um instante, ela gostaria de estar em L.A. e, por impulso incontrolável do seu coração ir até o apartamento daquela mulher e dizer que... dizer que não há nenhum dia.. nenhum minuto que Alycia não tenha passado por sua mente. Contudo, ela não pode fazer isso nem confessar o seu desejo.

Com uma risadinha tímida a loira interrompe a cantoria “Aly? Aly? Babe? (Foi neste instante que Alycia silenciou)Aly, eu estou na Austrália, não posso ir ao seu encontro....(disse a loira com carinho como quem dizia implicitamente que se não fosse isso iria ao apartamento dela).

- AAAaaaa! Você ainda está na Austrália? Deve estar bronzeadinha com tanto sol, mar, aliás, você ficou linda no jet-ski. Você está mesmo a aproveitar tudo o que nossa terrinha pode proporcionar... (Alycia era cada vez mais suave em seu timbre de voz) Você fica linda de biquíni, aquele que lembra o arco-íris é o meu preferido. (risadas acanhadas)

Com tantos detalhes e o “ainda” na frase de Alycia só fazia a loira ter certeza de estava sendo stalkeada.

- Os gêmeos ficam! Isso que você quer dizer né? (Eliza esquece completamente que precisa manter-se afastada de Alycia)

- É impossível não pensar nos “gêmeos”... (risos). Na verdade, em todo o conjunto...

- Você fala como se você não ficasse mais linda do que eu em um biquíni. Não é?

- Fico mais bonita nua, acho... o que você me diz?

-Muito mais, é claro!

Eliza percebe que se perdeu na conversa e está inconscientemente flertando com Alycia.  E ela faria isso à noite toda por dois motivos: saudades e para ter certeza que Aly estaria segura enquanto provavelmente terminar a outra metade da garrafa. No entanto, há mais motivos para encerrar essa vontade imensa de cortejá-la e convencê-la do quão amável é. A loira busca mudar o foco da conversa. Enquanto se perde em seus pensamentos Aly continua na linha:

 - É impossível não pensar no jeito que seus lábios se juntam antes de um sorriso tímido.... Liz, eu sinto tanto a sua falta....Você sente a minha?

Eliza pensa “todos os dias!”, mas responde,Claro, Aly .. Claro... você .. você FOI muito importante na minha vida....”

- Foi? Eu não acredito que você já me superou Liz... Eu .. eu não (Breve silêncio)  Eu fui só mais uma na sua lista...

Um breve silêncio, enquanto Eliza pensa que Alycia foi única em sua lista: “Aly...  não vamos voltar neste assunto...”.

Durante esse novo silêncio, Alycia ouve uma mulher chamando por Eliza. A voz é doce, carinhosa e afável. Eliza não se omite em falar afetuosamenteJá estou indo Kylie, dois minutinhos”.

Isso foi suficiente para Alycia criar vários questionamentos em sua cabeça e buscar interromper a ligação:Desculpe-me, Liz... eu não quero estragar a sua noitada...sua diversão.. sua... Eliza tenta se explicar. “Aly, não .. não é isso... “ Alycia a interrompe “Eu queria não me lembrar de você!”. Eliza continua “Aly, promete que vai ficar bem? Com uma pergunta áspera a ligação vai chegando ao finalPor que eu faria isso? Você me fez tantas promessas e quebrou todas, praticamente!”. Depois de um breve silêncioFoda-se, Eliza! Eu não preciso de você, eu só preciso terminar esta garrafa... boa noite, Liz!” (Ligação cortada).

Na manhã seguinte Eliza tentou sem sucesso falar com Alycia para saber se estava tudo bem. A ligação era sempre recusada. Depois de um tempo Eliza recebe uma mensagem “eu vou ficar bem. Não se preocupe.”

**

Alycia teve uma manhã recheada de ressaca moral e física. Resolveu passar o restante da manhã agarrada ao copo d’água. À tarde tem a insistência de Maya buscando tirá-la de casa. Só no final do dia ela se convence que ficar entre os lençóis não vai trazer Eliza de volta e nem fazê-la esquecer-se dela. Aceita o convite das amigas. Vai a um bom restaurante, depois à casa de show, ao chegar ao apartamento desaba de cansaço e de alívio por ter se permitido seguir em frente.

Três dias após a fatídica ligação, Alycia recebe um convite da Vogue Australiana para fazer umas fotos: na Austrália. Por um lado ela torce que Eliza já tenha partido de lá e voltado a L.A. Por outro, ela deseja que um encontro casual, por forças do destino às coloquem frente a frente e ela possa sentir que, definitivamente, tudo esteja acabado entre elas.  

**

Alycia chega à Austrália para fazer as fotos para Vogue Australiana. A aproveitar as folgas de FTWD e o período que não vem a casa, ela decide passar em torno de uma semana. Alycia mantém sua promessa de não procurar Eliza, apesar de saber que ela ainda está na cidade. Ela revê alguns amigos, visita a escola que estudou e novos restaurantes, relembra antigos hábitos, vai à praia e a alguns pubs. Estes últimos locais são carregados de desejos que em um deles ela esbarre ocasionalmente com a loira. Sem sucesso.

Na manhã de véspera de seu retorno para L.A, Alycia é questionada pela mãe sobre seu comportamento quieto.  

- O que você tem filha? Tem acordado tão... tão... tristinha nos últimos dias. Parece tão distante de tudo. Está assim desde que estávamos no México com você, sabe que pode contar comigo, não é Alycia? (Disse-me de maneira maternal a alisar meus cabelos num abraço afetuoso na cozinha, enquanto eu remexia sem finalidade a colher na xícara de café).

- Tenho saudades mãe, mas uma hora passa não é? Se até uva, passa! (Risos para disfarçar a minha vontade de fazer vigilância em qualquer porcaria de Bar no centro de Melbourne e aguardar que o universo fosse bonzinho comigo e levasse Eliza até lá para quem sabe, num encontro ocasional, eu pudesse ao menos ver a forma delicada de ela colocar a língua entre os dentes quando sorri, por alguns segundos, ouviria aquela gargalhada gostosa que me completa por inteiro). 

- Droga! Esqueci-me de comprar os temperos para o nosso jantar! (Disse minha mãe ao arrumar as compras do supermercado). – Vou ter que voltar lá, isso só acontece comigo...

- Não, mãe! Eu vou para você, assim me distraio um pouco, aproveito para tomar um Flat White (uma camada de espuma de leite com o café) na cafeteria do centro, que ainda não tive tempo.

**

Alycia aguarda o café que pediu enquanto pensa nas saudades do local e do clima australiano. Foram várias as vezes que ela havia sentado naquelas mesas em meio a dois ou três diferentes tipos de cafés para memorizar os textos de gravação ou alguns deveres musicais para o colégio. Entre um texto e outro, do lado de fora, através do vidro sempre havia um grupo de estudantes andando de meia ou até mesmo descalço, coisa que só aconteciam ali. É tão bom se sentir em casa. Talvez eu devesse fazer mais isto: retomar minhas origens, e quem sabe, esquecer os últimos dois anos;

- Obrigada, querido! Disse ao atendente quando me entregou o café que havia pedido. Então, decidi apreciá-lo caminhando pelas ruas a observar as mudanças surgidas desde a última vez, inclusive, a me certificar que a floricultura ainda continua no caminho do mercado de especiarias. Ao passar em frente a uma loja de roupas íntimas, uma risada familiar me chamou a atenção, mas pensei que fossem apenas minhas melancolias se manifestando.

- Aly? (Não era minha melancolia, mesmo de costas, mesmo distante, eu reconheceria aquela voz em qualquer circunstância. Não fiquei surpresa ao me virar e encontrá-la).

- Liz! (OMG! Universo, eu não falava sério! Eu não queria vê-la, porque... porque ela tão linda e tão desejável aos olhos, à alma, e eu não posso tê-la, não posso tê-la). “tudo bem? Não sabia que estava por aqui ainda” Disse-lhe com um timbre de voz falho e inseguro, principalmente depois de notar que ela estava acompanhada, com os braços envoltos em uma mulher, de estatura média, olhos grandes, lábios bem contornados, cabelos claros e, ambas, exalavam intimidades.

- Sim, estou com o tempo livre, sabe como é?!

- Ah sim, é sempre bom retornar a casa por um tempo! (e ficamos caladas por míseros segundos de forma constrangedora, porque eu não conseguia pensar em nada para falar e, inconscientemente, meus olhos ficavam oscilando rapidamente a fixar sua boca e seus olhos e somente parar em seu queixo, a me lembrar das tantas vezes em que pude beijá-lo com um toque leve após nos entregarmos. Passei a língua sobre os lábios. Veio-me à memória a delicadeza da sua pele na minha boca).

O silêncio foi quebrando quando Eliza percebeu que não havia feito as apresentações devidas, então, deixou o braço livre para que pudesse me apresentar sua acompanhante: “Alycia, esta e Kylie” e ao olhá-la, “Kylie, esta é Alycia”.

- Uau! Alycia Debnam-Carey! É um prazer conhecê-la, adoramos FTWD e seu papel como Lexa, nossa, foi espetacular! Parabéns! E você é mais linda pessoalmente...

- Oh! Obrigada, você é gentil! (Adoramos? Parece que Eliza realmente havia me superado, para assistir ao meu seriado com a namoradinha, que Droga! Pensou Alycia).

Em seguida alguém chama por Kylie de dentro da loja que elas acabaram de sair, que a faz ir em direção ao chamado, mas antes, ela dirige-se a mim revelando o prazer em me conhecer e envolve novamente seu braço no de Eliza, a convidá-la também para partir. Eu me encolho na minha mais insignificância do momento (coloco minhas mãos nos bolsos do casaco, levanto os ombros e suspiro gravemente a me preparar para vê-la partir com alegria nos braços de outra pessoa).

- Hummm, você pode ir à frente eu a acompanho depois, preciso de um cigarro. (disse Eliza à Kylie, que seguiu sozinha).

- Você está bem mesmo Aly? (Eu sabia observar quando Alycia deixava de lado seu jeito doce para dar lugar às manifestações vazias e indiferentes, apesar de sempre manter-se educada em qualquer situação constrangedora).

Estou seguindo...” novo silêncio constrangedor, até que não contive minha insignificância para mim mesma; levantei meus olhos até os dela “eu não precisava disso, não é? Dessa causalidade do destino”. Passei a língua sobre meus lábios para minimizar o seco da minha garganta e desviei o olhar para um lado qualquer que não fosse aquele profundo oceano azul de Eliza até retornar meus olhos sobre os delasa última coisa que eu precisava neste momento era vê-la acompanhada. Como você faz para seguir em frente? Como eu faço para seguir em frente Eliza?”.

De um jeito bastante afetuoso e com um sorriso leve, acrescido de um levantar de sobrancelhas cativantes, Eliza suavemente disse: “Aly, Kylie é minha prima, e eu... eu... não segui em frente, com ninguém, não... ainda.”               

Com um sorriso envergonhado eu concluo:Ok, agora é a hora que eu me jogo no Rio Yarra? Desculpe, eu só continuo ... você sabe.. eu sou essa confusão... é só .. só, enfim, comigo mesma, sem dimensões... (Alycia tentava amenizar o constrangimento, porém, mostrava-se mais fragilizada com o término).

Eliza dá uns tímidos sorrisos a dizer “Você está muito parecida com Clarke, que pede desculpas o tempo todo (risos)”.

(O gelo do reencontro havia se quebrado)

Então Eliza puxou o isqueiro de um dos bolsos da jaqueta de couro, tão característica dela, o maço de cigarros no bolso do jeans apertado e, sensualmente acendeu seu cigarro. OMG! Como pode uma pessoa ser tão sexy mesmo fazendo a si tanto mal com aquela bomba de substâncias tóxicas! A maneira como ela traga o cigarro, o movimento dos seus lábios a pressionar o charuto, a forma leve quando ela exala a fumaça para fora. Qualquer um teria vontade de fumar, muito mais, em tragar do mesmo cigarro da boca de Eliza, do toque dos seus dedos em transferir o fumo. Tudo era tão sensual e adequado. Eliza transformava a mais banal rotina numa cena inesquecível.

Enquanto conversávamos sobre assuntos estritamente profissionais, eu me perdia nos meus pensamentos a admirar aquela jovem garota se entupindo de porcaria. Logo depois, Kylie retornou:

- Liza, você pode seguir sozinha? Preciso voltar ao Buffet e sei que já a incomodei demais por hoje! (risos).

- Claro, já resolvemos o mais importante: sua lingerie de noite de núpcias. Kylie se casa no domingo, aqui em Melbourne. (Disse Eliza ao apontar para Alycia).

- OMG! Parabéns! Felicidades!

Tão doce o jeito de parabenizar minha prima pelo casamento que nem parece que há três minutos estava querendo pular no pescoço dela a pensar que estivéssemos tendo um relacionamento amoroso! (Kylie se despediu).

- Do que você está rindo, Liz?

- Há três minutos você estava querendo matar minha prima! (Risos seguidos da última tragada no cigarro, que foi ao lixo. Alycia virou o rosto e tentou não sorrir da observação da loira).

Eliza colocou as mãos no bolso na jaqueta, deitou com leveza sua cabeça a aproximar dos seus ombros levantados:Fui abandonada, o que farei agora, perdida em Melbourne, sem nenhuma companhia”.

Nossos olhares se cruzaram e Alycia tinha um sorriso tão leve, sincronizado em suas extremidades, era a primeira vez que ela sorria naturalmente naqueles 10 minutos que nos reencontramos e como milhares de vezes quando estávamos juntas.

Quer tomar um café ou sei lá, talvez, almoçar?” perguntou Alycia com um tom inseguro como quem não quisesse passar por mais um constrangimento, caso Eliza viesse a dizer não ou que estava apenas quebrando o gelo da conversa antes de se despedir.

Isso é um convite, Srta. Carey ou...”, então Eliza chegou mais próxima do meu rosto que de tão perto me fez suspirar indisfarçavelmente com o perfume do seu corpo, misturado com o do cigarro, e o sussurro de sua voz a dizer: “Você só está sendo gentil com uma pobre abandonada?”

- Boba! (Alycia deu um leve tapa nos ombros de Eliza). Claro que é um convite e também porque você é uma pobre australiana perdida na própria cidade que nasceu e viveu por anos. (Risos).

- Ok, eu aceito o almoço!

**

Embora tentassem, nenhuma das duas conseguia esconder o quão apaixonado era aquele almoço. Durante aquelas duas horas elas esqueceram, definitivamente de tudo, e aproveitaram cada minuto daquele encontro.

Eliza sugeriu um restaurante que sabia ter excelente comida europeia e australiana e que também fosse um lugar pouco movimentado, aconchegante e de certa forma bem reservado. Alycia não o conhecia e ela não colocaria qualquer objeção às vontades da loira, mesmo porque ela não estava acreditando que – depois do último mês – elas voltariam a ter um almoço sem pretensões (ou com, vai saber!).  

Alycia não continha os sorrisos, os olhos nos olhos, na boca, no queijo da ex-namorada. A mania de passar a língua sobre os lábios estava cada minuto mais aguçada. Os olhos brilhavam cada vez que ouvia a gargalhada da loira a qual colocava a língua entre os dentes, de propósito.  Eliza estava descaradamente flertando com ela! Era a voz suave, o sorriso no olhar, as lembranças que vinham à tona no meio da conversa. O toque de mãos “acidental” em pegar o cardápio para pedir uma nova taça de vinho. Os segundos em silêncio precedidos de um sorriso tímido e apaixonado uma para outra. O fato era que Eliza estava mais incoerente que qualquer outro dia desde que terminaram, fazendo encher o coração de Alycia de esperanças.

Já Eliza estava perdida no tempo e no espaço. Nem se lembrava da promessa que fez a si mesmo em proteger Alycia e a carreira dela. Simplesmente deixou se levar pelos olhos verdes esperançosos, pelo hidratar de lábios com a língua seguida de uma leve mordidinha neles sempre que Alycia sorria. Pelo perfume dela, pelos movimentos leves e em câmera lenta característicos da ex-namorada. Pela conversa sincronizada de palavras, olhos e sorrisos.

- Soube que você foi escalada para um filme policial. Parabéns! (Disse Alycia ao se lembrar de ter lido a notícia nas redes sociais)

- Sim! Começamos a gravar em maio. Fui escalada assim que voltamos de Vancouver. 

- No final das gravações de The100? (Eliza exaltou um “aham”) Estávamos juntas ainda, por que não me contou? (disse Alycia com tom decepcionado).

Eliza respirou fundo e tentou dizer de modo doceEu tentei, babe, mas você desmarcou todos os nossos encontros naquela semana”.

- Eu sinto muito... Foi uma semana agitada. E acabou ... (breve mordida de lábios receosa) acabou de uma maneira que eu jamais teria imaginado...

(Breve silêncio compartilhado por olhos verdes e azuis enchendo-se de lágrimas)

Com aquela típica levantada de sobrancelha Eliza propôs: “Não precisamos falar sobre isso, certo?”.

Alycia acenou com a cabeça e, para mudar de assunto, afirmou a quão surpresa estava com a repercussão da morte de Lexa nas redes sociais.

- OMG! Realmente. Acho que o Jason vai se torturar por muito tempo por aquele tiro. O mais interessante é que a repercussão não foi pela morte da Lexa, já que era algo previsível, mas sim a forma como foi feita e... e.. (Eliza começa a gaguejar) enfim, você sabe... depois de Clexa... finalmente... consumar....

Alycia soltava sorrisinhos zombando o jeito constrangido de Eliza mencionar o sexo Clexa. Depois acrescentou que no dia da exibição do episódio mandou um e-mail para Jason. Eliza perguntou se o conteúdo do correio eletrônico era xingamentos em quatro idiomas. Depois de sorrisos recíprocos, Alycia explicou que, embora quisesse muito xingá-lo em todos os idiomas, a mensagem foi bem cordial, apenas agradecendo a oportunidade e que estaria aberta para novas propostas de trabalho, incluindo, voltar para the100.

- Será que Jason ressuscitaria Lexa? (Pensou alto Eliza)

Depois de um breve silêncio as duas se entreolharam e responderam juntas: “Não! Óbvio que não!” Eliza ainda completou “ele é orgulhoso demais para dar voz ao público, ainda mais a um representativo”.

Eliza ainda quis saber se Alycia voltaria mesmo à série. Ao responder ela suspirou e com um leve movimentar de cabeça para baixo disse delicadamente que sim, sem expor as razões por trás daquele desejo.

- Eu gostaria de contracenar com você, novamente, (Eliza engoliu o nó da garganta) um dia, quem sabe...

- Quem sabe FTWD não contrata você para ser Elyza Lex! (risos) Você já viu as fanarts que estão surgindo? São espetaculares, são fãs tão talentosos, tão criativos. (Disse Alycia empolgada).

- Sim, são maravilhosos e muitoooo criativos. Eu já havia visto algumas Clexa, inclusive em algumas Lexa era bem dotada, se é que me entende! (Disse Eliza ao se referir as criações G!P e a trazer em suas memórias momentos íntimos inesquecíveis).

Alycia ainda disse que era difícil se acostumar com tantas histórias, imagens e artes mostrando a sexualidade tão explícita e que no início sentiu-se realmente invadida em sua privacidade.

- Eu sei, babe, o quanto você ... (os olhos da loira começam a umedecer e a garganta ficou seca) o quanto você protege a sua intimidade, sua vida privada. O quanto você ficaria destruída se... se algo explícito atingisse você diretamente.

Os olhares afetuosos e cúmplices são interrompidos com a entrega da sobremesa. O que permite Eliza esconder as lágrimas que já saltavam aos olhos.

Quando a loira leva à boca a colher com um pedaço de torta de chocolate e sorvete, Alycia retoma em sua memória o jantar no hotel em Vancouver em que Eliza prometeu esperar que ela resolvesse suas pendências para ser definitivamente sua. Por um minuto ela quis voltar no tempo e ter tudo de novo, fazer diferente, aproveitar melhor o tempo em que estiveram dividindo o mesmo corredor. Noutro instante, ela só queria ouvir novamente a promessa da loira que a esperaria, que sempre esperaria por ela. Os olhos verdes medicantes se encontram com o límpido oceano azul, a pintinha sobre os lábios, os quais estão agora, com sabor gelado de chocolate. Ela só queria ter mais uma vez o gosto daqueles lábios nos seus.

Depois de servidas, uma última taça de vinho para encerrar aquele momento.

Alycia inconscientemente pergunta: “o que fazemos agora?”.

No impulso, Eliza responde:não sei, talvez, um quarto de hotel?” Alycia fixa rapidamente seus olhos nos da loira, surpresa com a resposta. Eliza decide recuar, porque não era certo, com ela, com Alycia, com as duas: Brincadeira, eu disse brincando, sabe né!? Vinho a esta hora da tarde, não é legal Finalizou com uma piscada de olhos, para tentar quebrar a serenidade de Alycia, que se pronunciou: “E depois do quarto de hotel Liz, como ficamos? Depois de olhar vagamente no fundo da taça de vinho sobre a mesa e circular seus dedos sobre a borda dela, Eliza retoma a olhar naqueles expressivos  olhos verdes: “Depois, talvez, continuássemos a tentar colocar nossas carreiras em primeiro lugar, novamente?”. Alycia sorriu.

**

Eliza foi à frente para reservar o quarto de hotel na recepção e eu a aguardei por um sinal para que não fôssemos vista entrando juntas, aliás, o meu casaco com capuz caiu feito luva nesta ocasião. Meu coração estava explodindo em felicidade enquanto minha cabeça, em guerra, porque seria apenas mais um breve aperitivo dos nossos sentimentos difundidos nos lençóis de outro quarto de hotel qualquer. OMG! Meu peito estava ardendo de saudades daquelas curvas; dos sussurros; dos gemidos; das suas costas nuas; do jeito doce de relaxar sua cabeça no meu ombro e de apoiá-la em seu próprio braço, só para fixar melhor nossos olhares; da sua voz, pronunciando que é minha. Droga! Sou totalmente vulnerável ao lado desta loira.

**

Enquanto aguardava aquela eternidade em fazer o check-in (mentira, levou apenas cinco minutos), eu só conseguia pensar que estaria com ela mais uma vez e, talvez, eu conseguisse tirar o gosto salgado das lágrimas que ficaram no meu rosto desde a última vez que nos despedimos, até então, para sempre.  Eu não conseguia conter o meu nervosismo juvenil, apesar de já ter estado com ela diversas vezes, aliás, ser capaz, inclusive, de identificar quais toques em sua pele provocara mais alvoroço em seu corpo.  Eu só queria estar com ela, mais uma vez, talvez, eu a quisesse mais uma vez... todos os dias....pela vida inteira.

Discretamente peguei as chaves do quarto e fiz sinal de positivo com a cabeça para Alycia me seguir, para juntas, pegarmos o elevador, evidentemente, sem causar qualquer alarde. Quarto 69, o destino realmente trabalha a nosso favor”. Disse Eliza, com o tronco e cabeça eretos e olhos fixados na sinalização dos andares à medida que o elevador seguia até seu destino. Ao ouvir o som abafado do sorriso de Alycia, Eliza não resistiu e virou sua cabeça para direita a encontrar um brilho inconfundível naqueles olhos verdes de quem dizia: “Eliza, eu ainda sou sua”!

**

Ao entrarmos no quarto, entre mãos descontroladas em nossos corpos; desencontro de bocas urgentes em se reencontrarem, seguido de um rápido bater de porta, Alycia segurou meu rosto com as duas mãos, deixando seus polegares à frente dos meus ouvidos, cujas pontas dos dedos davam para sentir acima da minha nuca: eu preciso olhar para você Liz”. E o tempo congelou; nunca esteve tão límpida a íris dos seus lindos olhos verde; nunca suas pupilas estiveram tão dilatadas; nunca seu beijo foi tão suplicante: seus lábios procuravam simultaneamente por inteiro minha boca; de maneira delicada ela afastava seus lábios; olhava-me e logo estava sugando meus lábios novamente; sua respiração urgente e o tremor da sua boca eram incapazes de soltar qualquer som que não fosse o ofegar do seu corpo querendo colidir com o meu. E o cheiro dela na minha narina incendeia cada movimento de meus toques sobre o seu corpo. Minhas mãos, apesar da urgência de saudades, querem ter cada arrepio de sua pele.

- Eu... eu... sinto tanto sua falta Aly. A sua pele... o timbre da sua voz, eu prec.... preciso dos seus dedos em mim (neste instante puxo a mão de Alycia para dentro de minha calça). “eu preciso de você .... dentro de mim”.

**

Oh céus! Eliza estava tão molhada, tão entregue; só conseguimos deixar nossos corpos caírem sobre a cama; entre uma tirada e outra de roupa atrapalhada pela urgência de ficarmos nuas, pele sobre pele; meus dedos já voltavam para o sexo dela; nossas bocas separadas apenas para obter mais fôlego e seus dedos procuram incansavelmente o úmido do meu sexo, a  penetrar simultaneamente os dois dedos. O jeito maravilhado que ela me olha, com tanto desejo e ao mesmo tempo tão doce. Direciono minhas mãos em cada um dos seios dela a pressioná-los e levantá-los delicadamente, e ouço a gargalhada sexy da loira por não me controlar e exaltar com saudades com minha boca entre eles: “Geeeêmeos”. Ela gira meu corpo e agora tenho o peso do dela sobre mim. Ela interrompe a pressa do reencontro por alguns instantes e, apenas, olha-me e desliza sua mão pelo meu antebraço até entrelaçar nossas mãos. Eu me sinto a obra artística mais idolatrada do mundo naqueles segundo que ela foca seus olhos sobre o meu corpo, aperta firme minha mão e segundos depois retoma a urgência do calor dos nossos corpos em busca um do outro. Seus lábios já descem pelo meu corpo ao encontro do centro das minhas pernas. Eliza sussurra dizendo que precisa daquele encontro antes que eu goze. Impulsivamente eu digo que também preciso dos meus lábios no sexo dela. Ela retorna o rosto para frente ao meu e sugere “69?”. Fazemos, matamos as saudades daquele ato. Estamos novamente de rostos colados, mãos entrelaçadas, respiração sincronizada, olhos nos olhos. Em meio aquela urgência de corpos, dedos e bocas era previsível que gozaríamos rápido e, por sorte, ao mesmo tempo.

Com um sorriso bobo e a respiração ofegante, Alycia não se omite em elogiar a loira - Você é tão gostosa com a boca entreaberta depois de ter um orgasmo. (risos). Dá vontade de mais e mais...

- Quero reforçar, babe, que isso é uma fresta para você me beijar, depois de me levar ao paraíso e se quiser fazer tudo de novo! (Finalizou Eliza com leve gemido satisfeito, ao receber a língua de Alycia em sua boca novamente).

- Acho que depois de extravasar toda a saudade, podemos nos comportar como duas pessoas educadas e civilizadas que sabem conversar, humm? (Disse Alycia).

Neste instante, Alycia frente a mim e com vários beijinhos suaves passou a cumprimentar cada parte do meu corpo: “oi peitos... oi boca de Liza... oi língua de Liz. Oi, meu bem”. Retruquei ironicamente “Isso foi extremamente grosseiro, Srta. Carey”, Alycia cerrou os lábios  e então pediu desculpas e disse-me que recomeçaria:oi, Eliza. (silêncio para deixar apenas os olhares se falarem) Oieee meu queixinho favorito. (um beijo nele) Oi olhinhos (disse-me ao beijar minhas pálpebras); ao deslizar suas mãos pelo meu corpo continuou o seu tour de toques e beijos: Oi pernocas. Oi. bumbum.. Oi cintura. Oieee xoxota de Eliza, saudades suas! (risos).  Disse-me como se estivesse conversando com minha parte íntima – e, pasme, ela estava!”.

- Oh! Isso foi extremamente sexy. Você está perdoada pela grosseria anterior! (Gargalhou Eliza e, ao final, docemente, pediu para que Alycia não a olhasse daquela maneira tão doce, mas abatida). 

- Não consigo, desculpe! (disse Alycia antes de um profundo suspirar)A sua gargalhada é a melodia mais harmoniosa que já pude ouvir e sentir. Eu sinto tanto a sua falta.... sua voz rouca pela manhã a me dar bom dia; dos seus áudios insanos a me fazer sorrir sozinha; do seu ‘hey, babe, dorme bem, logo estaremos dividindo o mesmo espaço’. Eu... eu .. est... estou em pedaços, Liz. É como se eu não conseguisse respirar. Você tirou meu fôlego e eu não consigo recuperá-lo, se não for nos seus braços”. (Os olhos de Alycia já se mostravam emotivos).

Eliza contém as lágrimas que já inundam seus olhos e no grito desesperado do seu coração diz: Nunca foi minha intensão fazer você sofrer, Aly... Eu nunca quis que sofresse.... eu.. eu.. (a  loira não consegue terminar a frase..)

Com um tom de voz suave e suplicado, Alycia a questiona Então porque terminou comigo? Como você pode dizer que não me quer depois de fazer amor comigo desse jeito? Todos os seus toques agora pouco foram como se... como se você estivesse tocando o bem mais precioso que existisse.... Como pode dizer que não me quer Eliza? Como?”.

A vontade de Eliza é abrir o jogo, detalhar todos os argumentos que a fazem manter distância de Alycia, mas ela quer isentar esta decisão sobre ombros de Alycia. Ela engole o choro e encontra em The100 a justificativa.

- Aly, a morte da Lexa tomaram proporções que jamais imaginávamos. Sua carreira vai dar um salto tão grande com essa mobilização. Assumir o que sentimos irá afundar de vez a minha carreira e emperrar a sua. O seu agente tem razão....

Com um exaltar doce, a loira ouve “O meu agente é pago para arrumar trabalho  para mim e não decidir com quem eu durmo!”

- Ok, Aly. Contudo, com quem você dorme torna o trabalho dele mais difícil...

- Ah, sim! Então tornar o trabalho dele mais fácil consiste em tornar a minha vida mais difícil? (um breve silêncio) Liz, eu não quero ter uma vida sem você... Eu troco de agente e pronto! Problema resolvido!

- Para Aly. O problema não é seu agente. Você me entendeu.... (Depois de uma bufada) Podemos falar sobre outra coisa? (Eliza solta um sorrisinho malicioso)

- Se você acha que vou plagiar Clarke e dizer “que não precisamos falar”, você está redondamente certa! (Alycia sorriu e jogou o corpo em cima de Eliza para uma nova carga de emoções a amenizar as saudades).

**

Levantei meu tronco para encostar meus seios nos de Alycia. Agarrei sua cintura. Lentamente subi minhas mãos sobre as costas dela a encaixá-las em seus ombros para pressionar seu corpo sentado sobre meu quadril. Meus lábios estão entre seus seios e eu só consigo sentir a respiração ofegante dela e seus sussurros de “quero você” e “amo você”.

Nossos corpos mantêm a sincronia de sempre. O dançar de seu quadril e a união de nossos lábios só reforçam a afinidade com que sempre nos entregamos. Delicadamente encosto seu corpo sobre a cama. Deixo meu tronco afastado a observá-la. Meus olhos acompanham o deslizar das pontas dos meus dedos em sua clavícula, entre os seios, diafragma, faço uma leve parada sobre sua pintinha logo acima do seu umbigo, retorno meus olhos para os olhos dela, sorrio maliciosamente, volto a movimentar as pontas dos meus dedos pelo seu ventre, clitóris até sua abertura já umedecida de desejo. Penetro o primeiro dedo e a vejo fechar os olhos lentamente, penetro o segundo e ela morde os lábios, os gemidos são mais altos, seu abdômen se comprime, seus seios estão firmes a convidar meus lábios a encostarem-se a eles. Eu a tenho de novo em meus braços, eu a tenho inteiramente entregue a mim, eu registro em minha memória cada arrepio de sua pele. Eu ouço um leve “amo você”. Neste instante, eu tenho a melhor sensação do mundo: a reciprocidade de amar.

**

Com os corpos exaustos, Alycia enterrou seu rosto no meu pescoço logo após receber minha proposta de tomarmos um gostoso banho em câmera lenta.

- Acho que eu não nunca mais quero tomar banho, assim eu terei em minha pele seu cheiro para sempre Liz.

- Babe, acho que depois de três dias sem tomar banho você não terá um cheiro muito agradável (risos). Por que não fazemos assim: toda vez que você quiser meu cheiro no seu corpo, você me liga e eu vou ao seu encontro. Assim você não precisa ficar sem tomar banho, a imitar a Clarke! (Gargalhadas).

- Você estará disponível todos os dias?

- Ah! Alycia! Não explora também! É claro que eu vou estar disponível diariamente! (Risos seguidos de muitos beijinhos na testa de Alycia).

**

Depois do banho, novamente a cama, Eliza com um leve beijinho e o puxar pela cintura do meu corpo, pede que eu passe a noite com ela.  Eu afasto meu rosto e lhe explico “Hum, não sei se consigo, preciso de uma justificativa para faltar o jantar que minha mãe está a preparar para mim esta noite.... A loira pressiona os próprios olhos a dizer: “hum... espera um pouco... preciso pensar...” Eliza começou a expor seu corpo, propositalmente, a deixar amostra seus seios e ventre; posicionou sua cabeça em um dos cotovelos e colocou sua outra mão na cintura “Acho que não teremos dificuldade em encontrar uma justificativa, justificável”, jogou uma das sobrancelhas para cima, sorriu e aguardou meu longo beijo.

Depois das últimas horas regadas a banho; sexo; declarações, mais sexo e mais banho, não necessariamente nesta ordem, arrumávamo-nos para deixar aquele quarto de hotel. Quando questionei Alycia com tom de voz piedoso: “Você realmente precisa ir, babe?”.

Então ela se aproximou, deixou nossos narizes se encostarem levemente e me beijou: Liz, minha mãe está organizando isso há dias; eu pediria para cancelar, mas eu volto no final da tarde a L.A, ainda tenho gravação de FTWD com um olhar caído eu só conseguia resmungar algo do tipo vai voltar tão cedo...”.

- Eu sinto muito, meu bem.

- E se eu a esperasse aqui no hotel, a diária vence amanhã mesmo. Passa a noite comigo, Aly, por favor? Eu quero amanhecer ao seu lado...

- Você realmente me esperaria? (Alycia com sorriso de canto de boca).

- Yes! O que disse sobre ficar a sua disposição diariamente. (Disse Eliza sorrindo e com aquele levantar de sobrancelha ímpar ao receber uma resposta positiva de Alycia). “Então, o que sua mãe está preparando de tão especial e que provavelmente não ficará perfeito porque sua querida filha saiu para comprar os temperos, mas só vai voltar na hora do jantar servido?” (brincou Eliza com os fatos)

- Ah! Nada especial, apenas Meat Pies (tortinha de carne) e outras habilidades dela. Mesmo eu estando há quase uma semana aqui, pouco nos curtimos por causa do trabalho dela, então, ela quis fazer um jantarzinho, que não posso faltar, apesar de (Alycia jogou seu corpo sobre o de Eliza na cama) querer ficar aqui, perdida entre os seus beijos, seu cheiro (deslizou a ponta do nariz no pescoço de Eliza), entre seus peitos (risos e um beijo sutil entre eles).

- Hum, que gostoso... (Disse Eliza com timbre de voz cochichado)

- Você gosta de Meat Pies?

- Gosto, mas eu estava me referindo aos seus beijinhos nos meus seios.... (risos) 

- Você quer jantar comigo, quero dizer, conosco?

- OH! Aly, melhor não! Não podemos ser vistas juntas! Você vai, babe, estarei esperando por você aqui, na volta.

- Você não quer mesmo? Minha mãe adoraria conhecer a Clarke pessoalmente, eu falei com ela ao telefone agora pouco, enquanto você terminava seu banho; Será um jantar íntimo, nós e meu irmão, apenas. Aliás, disse-lhe que o tempero atrasou porque perdi a hora conversando com você (Risos). Eu preciso de um álibi! E também... eu.... eu pensei.... que você pudesse dormir lá em casa, digo, você não está dirigindo, certo? Então, eu poderia esquecer que lhe dei carona, beber algumas taças de vinho e alegar que não quero arriscar dirigir depois de beber. Tenho certeza que minha mãe não vai deixá-la pegar um táxi, sozinha, tão tarde da noite. Então ela vai convidá-la a ficar conosco.  Você dormiria no quarto de hóspedes ou ao menos fingiria que dormiu lá. (Eliza sorriu feito moleca ao ver a habilidade de Alycia em esquematizar uma forma de passar a noite com ela em sua casa). O que me diz? (Alycia suavizou de forma ímpar o timbre de voz) Encerra a conta do hotel, vai? Vem pra casa comigo?

**

- OMG! Não acredito que vou finalmente conhecer a menina Clarke! É um prazer conhecê-la, Eliza! Seja bem-vinda! (Disse Leone ao receber a loira em sua casa)

- OMG! O prazer é todo meu!

Eliza havia apenas esticado a mão para cumprimentar Leone, quando surpreendentemente recebeu um abraço afetuoso. Olhando para Alycia, a loira fez um gesto agradecido e, bastante maravilhado com a recepção tão calorosa na porta de casa.   

- E você mocinha? Isso são horas de chegar? (Leone dá um abraço enérgico em Alycia ao fitá-la por alguns segundos sem dizer absolutamente nada; depois sai gentilmente empurrando as duas até à cozinha).

**

Finalizando as saladas que, segundo Leone, seriam as entradas do jantar, ela pediu à Alycia que servisse uma bebida para Eliza. Automaticamente e sem perguntar à loira, ela preenche duas taças de vinho e a entrega uma delas, juntamente com um sorriso malicioso, como quem aprecia o plano dela sendo colocado em prática.

Nesse meio tempo Leone questiona Eliza sobre algumas curiosidades de the100 a resmungar ainda que Alycia nunca lhe dá spoilers. A filha se defende dizendo que não gosta de estragar a surpresa do telespectador e ainda, não sabe exatamente o que ocorrerá porque Jason deixa muitas cenas de fora do episódio. Acrescenta ainda que algumas muito melhores poderiam ser exibidas (dá uma piscada para Eliza que solta um leve sorriso). Tudo observado com atenção por Leone.

Enquanto Alycia arrumava a mesa para o jantar, Leone avaliava o fato delas nunca terem se encontrado em um trabalho na Austrália. Também elogiou o trabalho de Eliza em Neighbours, fazendo a loira contar toda a sua trajetória na telenovela e também como chegou a L. A., ao final do seu resumo profissional, a loira brincou ao dizer que roubou o papel de Clarke de Alycia, que ao ouvir fez um leve sinal devocê me paga, logo mais!”.

Tudo estava pronto, aguardando apenas o irmão de Alycia para o jantar. Em sua última ligação ele havia informado que já estava a caminho. Leone aproveitou para colocar Alycia em maus bocados ao contar as histórias travessas da filha na infância. Eliza gargalhava com cada história narrada sempre a olhar docemente para amada. Já Alycia ignorava o conteúdo e apreciava aquele som único do sorriso da loira. Leone nunca havia visto a filha tão hipnotizada.  

Com a chegada do último convidado, todos sentam a mesa. Antes disso, o irmão de Alycia fica maravilhado com a beleza e simpatia da loira, fazendo a irmã pensarEfeito Taylor-Cotter em mais um Debnam-Carey não, por favor!”. E novas conversas sobre Clarke retornam a conversa. Ele comenta que optou por não assistir o episódio em que a irmã morre, mas que sabe superficialmente sobre a repercussão na mídia e que isso pode ser muito bom para a carreira das duas.

Leone acrescenta que “talvez isso trouxesse Lexa de volta”. As duas protagonistas se entreolham, sorriem e exaltam juntas: “Lexa não volta!”. Leone ao preencher a taça de vinho de Eliza diz ironicamente: “conte-me mais sobre isso!”. Sentada a frente da loira está Alycia que retruca: “Liz minha mãe está tentando embebedá-la para que fale sobre os próximos episódios. Fique esperta!”. (risos)

Enquanto enchia mais uma taça para si, Alycia foi repreendida pela mãe: “Mocinha! Você é a carona da Eliza, como vai dirigir bebendo desse jeito?”. Alycia soltou um “ops” a levantar os ombros e sobrancelhas e com a taça na mão fixando os olhos nos de Eliza a soltar um sorriso auspicioso. Leone então disse que pediria ao filho para levá-la a casa. Neste instante Alycia recolheu o sorriso e pensou Fodeu! Não era para ser essa a sugestão”. Eliza percebeu o desespero dela e logo retrucou “Não, Leone, por favor, não quero incomodar, eu vou de táxi, mesmo”. O rapaz do jantar disse que seria um prazer levá-la. As duas então percebem que o plano está indo por água abaixo, mas Leone ajuda as duas meninasNão, não! Está tarde para você pegar táxi sozinha. Não deixarei! Suas opções são aceitar a carona do meu filho ou dormir aqui”.  Um breve silêncio. “Eu aceito dormir aqui então”. As duas escondem os largos sorrisos dados na taça de vinho que imediatamente vai à boca após Eliza aceitar o convite. Leone apenas admirou a cumplicidade das duas em relaxar os olhos uma na outra. Logo em seguida ela lembra que o quarto de hóspedes está interditado por ter virado praticamente um depósito de tralhas. Pensa altoEu a convidei, mas não temos onde colocá-la”. O irmão de Alycia logo dá soluçãoEu posso emprestar minha cama para você, Eliza. Sem problemas!”. A loira logo retruca “Não! Por favor! Não quero tirar ninguém de seus quartos, aquele sofá está ótimo” Disse ao apontar para a sala. O moço foi ainda mais ousado “Quem disse que eu sairia do quarto?” Todos riram e ele se retificouEstou brincando, Eliza! Não me importo em lhe conceder o quarto, aliás, depois posso me gloriar que Eliza Taylor já dormiu na minha cama, eu só não preciso dizer que eu estava do lado de fora do quarto!”. Novas risadas que são acompanhadas de um tapa carinhoso da irmã em seu braço a dizer para que ele respeite Eliza para não assustá-la. Alycia ainda sugeriu gaguejando: Acho que Eliza pode ficar no meu quarto. Já dividimos a cama várias vezes nas festas de the100”. Leone questionou com ironia para Eliza se havia problemas. A loira, é claro, não se opôs.

Após o jantar os quatro decidiram jogar “imagem e ação”. Formaram as duplas. Leone e Eliza contra os irmãos. Entre novas risadas e taças de vinho era mais visível a maneira doce e íntima das duas, mesmo estando em lados opostos do jogo. Sempre que podia Eliza ajudava Alycia e vice-versa, o que fez Leone pedir para trocar de dupla, pois, do contrário, o jogo terminaria empatado ou jamais acabaria. A proposta foi recusada pelo filho que pediu para encerrar o jogo dizendo-se muito cansado para continuar. Despediu-se e foi dormir. Leone aproveitou a desculpa do rapaz e também se despediu, pedindo a Alycia que acomodasse bem Eliza em seu quarto. Pedido que foi ratificado por um “Sim, senhora!” bastante irônico e sorridente.

As duas permaneceram no sofá da sala até terminarem a garrafa de vinho que estava aberta. Quando finalmente estavam a sós, Alycia jogou seu corpo no colo da loira a passar os braços no pescoço dela já deixando seus lábios encontrarem o de Eliza, que, no primeiro momento, recuou com medo que alguém as visse. Depois, a saudade daquela boca sequer a fez lembrar-se de onde estavam. Entre um beijo e outro, elas avaliavam o jantar. A loira se disse encantada com Leone, diante da simpatia e carinho com alguém que estava conhecendo pela primeira vez. Comentou do cavalheirismo do irmão, apesar de bem jovem, muito educado e carismático. Alycia ainda completou que ele tinha a quem puxar. (risos). Elogiou a comida,  muito bem preparada e apetitosa. Enalteceu também a astúcia de Alycia em fazer com que Eliza dormisse no quarto dela. Aliás, Eliza questionou a ex-namorada sobre seu conhecimento de que não havia quarto de hóspedes. Alycia soltou uma longa gargalhada de quem tinha plena consciência de que não havia quarto extra na casa para a loira dormir. Eliza deu um leve beliscão seguido de: “safada!”.

**

Finalizada a garrafa. As duas subiram para o quarto de Alycia. Ao entrarem Eliza deu uma rápida passada de olhos pelo ambiente “Achei que fosse mais de humanas seu quarto, Babe!”.  As duas sorriram e a loira recebeu um abraço seguido de um giro corporal a caírem sobre a cama. As duas se olharam por alguns segundos, deram uma alta gargalhada e Alycia disse ainda sorrindo “Eu quero você!”. Eliza a respondeu soltando também uma gargalhada “Eu também quero muito você”. Aly voltou a dizer “Sim, eu realmente preciso que você saiba que eu quero muito, muito mesmo, você”. A loira retrucou “Eu sei, compreendo e espero que você entenda que a recíproca é verdadeira”. Nova gargalha e as duas simultaneamente falam “mas podemos...”  A loira diz “Sim, claro, por favor!” (Risos) e Alycia completou “Estamos cansadas.... e já é tarde (Risos), vamos apenas dormir?”. Eliza finalizou, “por favor!”.

Então Alycia puxou o corpo de Eliza da cama e disse que pegaria uma camiseta para ela dormir mais confortável. A loira retrucou dizendo que dormiria nua mesmo. Sem objeções, obviamente, Alycia deu um leve beijo na loira e indicou no banheiro produtos de higiene que ela precisasse, enquanto arrumava a cama para elas dormirem. Em frente ao espelho do banheiro, Eliza ainda brincoutodas essas escovas dentárias novas são para as amiguinhas que você traz em casa?” (Risos). Alycia foi ao encontro da loira e ao segurar na cintura dela deixou sua cabeça repousar no ombro esquerdo do ombro dela e disse: “sou uma pessoa prevenida!” (risos).

Enquanto Alycia terminava sua higiene no banheiro, em frente à cama, Eliza tirava a calça jeans a jogar na cadeira da escrivaninha. Quando suas mãos pegaram na barra da blusa para tirá-la, a loira sentiu as mãos de Alycia em sua pele seguido de um sussurro na orelha “Deixe-me tirar o restante”. Ela só conseguia sentir o arrepio da sua pele com o toque suave das mãos de Alycia. As duas se ajeitaram na cama de frente uma para a outra. Alycia aproximou seu rosto junto ao ombro de Eliza a cochichar brigando com o sono: “Eu não queria adormecer”. Eliza movimentou seus lábios para um leve beijo na testa dela a dizer Está tudo bem, babe, eu vou estar aqui quando acordar”. Com a voz risonha e cochilando Alycia inclinou seu rosto mais próximo aos seios de Eliza: Eu tenho a melhor visão daqui”. (Risos)

Alycia se deixava cair no sono com a cabeça sobre os seios de Eliza, a qual buscou o entrelaçar de sua mão direita com a esquerda da de Alycia que contornava a cintura da loira. Com as mãos entrelaçadas elas finalizaram aquele dia tão maravilhoso.Boa noite, minha Liza-LooDisse Alycia ao corresponder o entrelaçar de dedos a ouvirBoa noite, minha Leashy-Loo”.  

Pensando consigo, Eliza admirava tudo que tinha ali naquele momento: a própria pele conexa a de Alycia; o sono leve dela; a respiração tranquila da ex-namorada preenchendo o vazio entre os seus seios; o silêncio perturbador de sua consciência se questionando: “Como vou protegê-la assim? Se estou tão vulnerável a enlouquecer de amor? Como protegê-la se meu único desejo é cair nos seus braços eternamente? Como me afastar se você é tudo que eu sempre esperei?”. Os questionamentos eram o que ainda mantinham Eliza acordada para não perder qualquer minuto daquele momento. Tempo depois ela finalmente deixou se vencer pelo sono.

**

- Bom dia, Alycia! (Leone chegou à cozinha e viu a filha preparando uma bandeja de café da manhã).

-Bom dia, mãe! Estou preparando um café para a Eliza, não sei se ela ficou bem acomodada no meu quarto, então, achei que um café seria bem vindo.

- Aham, sei! Tenho certeza que Eliza dormiu perfeitamente acomodada, filha. Mesmo assim, é muito atencioso de sua parte levar café na cama para ela. (Leone disse com ironia ao segurar a xícara de café próxima à boca e notar Alycia desviar seu olhar para a bandeja). - Então quer dizer que a sua saudade tem nome, sobrenome, cabelos loiros e sorriso levado?  (Disse Leone diante da reação de Alycia).

- Oh céus!! Não, mãe!  (Alycia, buscando ignorar o assunto, segurou a bandeja e se encaminhou para fora da cozinha).

- Alycia Jasmin, volte aqui! (Alycia parou na porta e girou seu corpo a olhar sua mãe). “Você saiu no meio da manhã para comprar tempero e só voltou no final do dia, com o cabelo molhado, um sorriso de orelha a orelha e uma loira a tira colo, aliás, sem o tempero. Não sei a quem você está querendo enganar, minha filha, mas com certeza não será a mim”.

Alycia apoiou a bandeja sobre a mesa e com os ombros relaxados disse “ Eu a amo!”

- Que lindo, meu bem! A mim ou a ela? (Risos)

- Ambas! (Disse Alycia, que recebeu um abraço e um beijo carinhosos de Leone).

-Bom, então é melhor você se apressar. Amor e café devem ser quentes. E o de Eliza já está esfriando.

- O amor ou café?

- O café! Óbvio! Ninguém que olhe da maneira que ela faz para você estaria com o amor esfriando, pelo contrário, salta aos olhos que ela está explodindo de amores por você. (Disse carinhosamente Leone com tom de aprovação dos sentimentos da filha).

**

Alycia chegou a passos leves no quarto para evitar acordar Eliza de forma abrupta. Repousou a bandeja à mesa de estudos que ficava paralela a porta e ao retornar seus olhos sobre a cama pode apreciar as curvas descobertas de Eliza: deitada de bruços, o lençol cobria apenas parte de seu quadril a deixar amostra parte do bumbum, perna e cintura; seu braço esquerdo escondia seus seios; seus cabelos cobriam parte do seu rosto que revelava um sono tranquilo. Então Alycia, quase como um direito, repousou seus joelhos sobre a cama ao lado de Eliza de forma a ter total visão de seu corpo adormecido entre os lençóis; com toques suaves deslizou seus dedos: começou pelo calcanhar; panturrilha; joelho, coxa; quadril; cintura; costas, ombro e braço. Todo esse caminho foi percorrido seguido de suaves beijos; Então retirou o cabelo que cobria o rosto de Eliza a finalizar com um longo beijo delicado em sua bochecha. “Bom dia, meu bem!”.

- Bom dia, babe. Que saudades dos seus beijinhos matinais. (disse Eliza com a voz falhando ao enterrar seu rosto no travesseiro como quem não quisesse sair daquela cama);

- Eu trouxe seu café e alguns biscoitinhos...

- Você é um amor! Café é vida!

Café e amor na mesma frase em menos de 5 minutos, acho que é o destino conspirando a nosso favor, pensou Alycia enquanto Eliza sentava-se na cama a puxar o lençol para cobrir até a altura dos seus seios e esconder seu rosto com as mãos resmungando que há muito tempo não dormia tão bem. Fixou os olhos em Alycia que já trazia a bandeja de café para apoiar sobre a cama e num tom de voz seco a perguntou o horário do seu voo: “Às 17h”.

- Está indo direto para o México?

- Não, fico por dois dias em L.A. a trabalho de divulgação de FTWD e depois “arriba”, mais uns vinte dias experimentando tequilas. (risos envergonhados)

- Hum...sei... (resmungou Eliza ao encolher seus joelhos e encobrir seu rosto com a caneca de café). Gostoso o café, você quem fez, não é?! (Alycia afirmou com a cabeça). “Eu reconheceria esse café em qualquer lugar” (Soltou um sorriso pálido já prevendo o rumo da conversa).

- Nossas carreiras já são prioridades novamente? (Questionou Alycia)

- Acho que podemos esperar eu entrar no táxi e ..e.. deixar que sua imagem pela janela seja minha última lembrança dessas 24h.

- Quando você parte?

- Agora. Eu sinto muito. Preciso ajudar Kylie com os preparativos para o casamento e você... você precisa se arrumar para voltar para L.A, não é?

Com o levantar dos ombros e um movimento leve da cabeça para esquerda, Alycia disse suavemente: Não sinta, sabíamos que, no final, teríamos que nos separar”.

Depois de um breve silêncio, Eliza fixou seus olhos no de Alycia a dizer: “Talvez, um dia nós duas não precisemos mais nos despedir”.

Assim espero”, disse Alycia com o timbre de voz trêmulo e falho que foi interrompido por um longo encontro dos seus lábios com o de Eliza. Com movimentos pensados, Eliza repousou a caneca de café à mesa ao lado da cama sem desgrudar seus lábios dos de Alycia, que jogava seu corpo cada vez mais em cima do dela:Eu já estou com saudades de você”, Eliza ouviu Alycia sussurrar dolorosamente entre um beijo e outro.

**

Senti as mãos de Eliza segurarem firme meu quadril. Com beijos cada vez mais intensos, eu deixava mais clara a minha intenção de me entregar para ela novamente: “Aly, sua mãe vai estranhar estarmos até esta hora no quarto” Sussurrava Eliza. “Liz, meu bem! D. Leone soube de nós no momento em que você atravessou aquela porta ontem”. Eliza deixou a boca entreaberta e franziu a testa “OMG! Eu não vou ter cor... (Eliza foi interrompida por Alycia), “Eliza Taylor, cala a boca e me fode!?” Alycia aproveitou a boca entreaberta de Eliza para passar sua língua nos lábios e dentes de Eliza. “seu pedido é uma ordem!”, disse Eliza.

Senti as mãos de Eliza segurarem firmes o meu bumbum a pressionar meu corpo próximo ao dela. Eu estava sentada sobre ela, agora a usar a cabeceira da cama como apoio do meu corpo para empurrar o meu sexo no seu. Ela segurava com mais firmeza minha cintura e nossos corpos dançavam de maneira a deixá-los cada vez mais suados. Eu ainda estava sentada em seu sexo quando Eliza sutilmente ergueu seu próprio corpo para apoiar minhas costas nos lençóis. Minhas pernas entornaram seu quadril e ela sussurrou algo “Você é tão flexível...”. E nossas bocas continuaram nas mesmas sintonia dançantes dos nossos corpos.

Nossos corpos se esfregavam com frenesi numa sintonia apressada de quem só tem poucos minutos. Cada vez mais intensos nossos movimentos, eu só conseguia emitir apenas ordens do tipo “Foda-me Eliza! Coma-me! Eu quero mais... e mais..” Eliza já tinha dois dedos dentro de mim, mas ainda assim eu pedia mais, incontrolavelmente. O som dos meus sussurros tornara-se cada vez mais altos, o som dos nossos gemidos se misturava ao barulho da cama a encostar-se à parede e arranhar o chão. Nossos seios pareciam colados entre si, diante do suor do nosso corpo e dos movimentos cada vez mais intensos, então senti Eliza enfiar mais um dedo, levando-me ao ápice do prazer: Liz.. me... me... fode... tod..., OMG! Ammm.. Ammm, LIZ!”

**

“Goza para mim Aly, goza para mim” Entre gemidos eu sussurrava ao ouvido de Alycia. Eu sentia seu corpo cada vez mais grudado ao meu, pedindo por mais prazer. Alycia sussurrando sacanagem em me ouvido era verdadeiramente minha fraqueza sexual. Eu me perdia por completo e minha vontade era comê-la em todas as posições e ângulos possíveis. Eu a queria de quatro para mim, de forma que eu pudesse jogar meu corpo sobre o dela; fazê-la sentir meus seios em suas costas; minha mão a penetrá-la com o braço rente ao seu quadril e ventre a usá-lo para pressionar seu bumbum no meu sexo; minha outra mão seguraria seus cabelos cacheados a puxá-los suavemente permitindo levantar seu tronco e nos deixar de joelhos sobre a cama. Foi o que fiz, antes de tê-la gozando nos meus dedos, novamente. Deixei meu corpo cair sobre o dela a aguardar nossas respirações normalizarem.  

- Desculpe, machuquei você, Aly? Acabei me empolgando... na verdade, muito mesmo...e

- Você se superou! Foram quantos dedinhos? (Eliza enterrou seu rosto no meu pescoço e carinhosamente pediu desculpas de novo).

- Aly, eu só fiz o que você pediu, a cada segundo você pedia mais e mais, eu não me controlei, perdi ... me perdi... eu sinto muito....

- Tudo bem, Liz. Vou me controlar na próxima vez para evitar que você enfie o braço inteiro (Gargalhadas em meio a xingamentos carinhosos!). “Porque vai ter próxima vez, não é?” (Eliza balançou a cabeça positivamente). Ainda bem que vou passar 14h dentro de um avião, porque ficar caminhando com as pernas abertas em decorrência do desejo incontrolável de Eliza Taylor não seria nada fácil na minha vida! Acho que você merece essa sensação, não acha?! (Alycia virou seu corpo para cima de Eliza a deixá-la de costas sobre a cama);

- OMG! Não! Você já comparou o tamanho dos nossos dedos? (Então elas colocaram suas mãos palma com palma para verificar realmente que Eliza poderia ter uma hemorragia se Alycia fizesse o mesmo que ela).Olha isso, Aly! Seus dedos têm uns 2 metros, (Alycia resmungou um ‘exagerada!’) três dedos eu sentiria dor e não prazer, já pensou? Faz do jeitinho que você faz sempre. Já está mais do que gostoso!”.

- Sendo assim, vou fazer mais que gostoso, mas pode ser no chuveiro? Quero aproveitar que você está aqui e testar algumas fantasias que já me passaram pela cabeça.... (Risos).

- Você já me imaginou no seu banheiro? (risadinhas irônicas da loira)

Alycia tentava se explicar enquanto puxava Eliza para dentro do banheiro “é.. assim, uma vez... ou outra... amm, ou... ou talvez, várias vezes” (RISOS)

Nota ao leitor: Volte ao capítulo 09 ou 10 desta fanfic ou apenas use a imaginação. Obrigada, de nada!

**

Eliza se vestia para, infelizmente, despedirem-se. Alycia rodou o corpo da loira a jogá-la sobre a cama ainda desfeita pelas entregas daquela manhã ensolarada. “Eu posso ver você em L.A. quando eu voltar do México?”. Eliza sabe que isso não vai ser possível, diante da promessa que fez a si mesmo, então, sem dizer não diretamente, ela busca acalentar o coração de Alycia e com um arrastar debaaabeela se justificaNão podemos ser vistas juntas... deixemos passar esse alvoroço pela morte de Lexa e quem sabe... depois....” Alycia apenas cerrou os lábios e deu um leve consentimento desapontado. “Posso ligar para você de vez em quando, ao menos?”. Eliza sorriu e disse que não haveria problemas:Todos os dias?” Retrucou Alycia. A loira realmente era incapaz de dizer não a Alycia, gargalhou e deuok”. Contudo, isso não era suficiente e ela teve que prometer que enviaria vídeos insanos também. “Ok”. As duas se entregaram para um beijo longo já cheio de saudades, olhares úmidos e corações apertados. “Eu amo você”. Disse Alycia sussurrando dolorosamente. Eliza queria retribuir, mas encher o coração de Alycia de esperanças era cruel demais, então ela apenas disseObrigada!”. Alycia fechou os olhos lentamente fazendo as lágrimas caírem e resmungounão era isso que eu queria ouvir”. Eliza se partiu em mil pedaços, seu coração disparouEu a amo, eu amo... eu a amo tanto... (um fervoroso beijo) você jamais vai conseguir mensurar o quanto eu a amo... e você... mas você merece mais.. Aly... muito mais.... eu não sou a pessoa certa para estar com você....”. O táxi acabara de buzinar em frente a casa fazendo Eliza levantar da cama rapidamente. Alycia enxugava as lágrimas com a palma dos dedos dizendo que nunca iria entender esta forma de amar de Eliza.

Elas desceram. Eliza foi até a cozinha ao encontro de Leone e, envergonhada (pelos barulhos no quarto), agradeceu a estada e o jantar maravilhosos. Recebeu o convite devolte sempre. Você é muito bem vinda aqui”. Despediram-se.

Aly levou Eliza até o táxi, abriu a porta do carro, viu a loira entrar  e levar  junto com o fechar de porta suas esperanças de novamente ter aquele romance tranquilo e seguro que tiveram nos primeiros quatro meses. Embora Eliza tivesse feito tantas promessas naquela manhã, foi ao ver os olhos azuis cheios de despedidas acompanhados do típico apertar de lábios e bochechas da loira que ela sentiu que tudo aquilo foi apenas uma mera despedida entre elas.  Os olhos de Eliza estavam carregados de receio e tristeza. O beijo salgado na porta do carro com o vidro abaixado era um “adeus” e não um “até breve”.

O carro se afastava e na janela traseira eu assistia a mulher que eu amo desaparecer no campo da minha visão. Eu estava deixando o que eu amo para que ela pudesse ser o que ela mais ama. As 24h significaram a despedida que nosso romance merecia. O último dia nos braços dela constituiu a certeza de que eu jamais amaria alguém tanto quanto eu amo Alycia.  

**

Alycia volta para dentro de casa, com olhos ainda lagrimejados, tenta se esquivar de uma conversa privada com a mãe, ao subir as escadas clandestinamente anunciando em alto som que vai preparar as malas para viajar. É impedida por uma voz imperativa a dizer “Alycia Jasmin Debnam-Carey! À cozinha, agora!”

Depois de um leve bufar ela dá meia-volta e vai até a cozinha ao encontro de Leone. Ao chegar, nota a mãe colocando café em uma xícara com o olhar deé para você, sente-se!”. Enquanto termina de preparar o almoço, Leone pede que a filha, resumidamente, coloque-a a par de Elycia. “Até você é shipper de Elycia, mãe?!” Disse Alycia a arrancar suaves sorrisos de ambas. “Ora, eu só shipava Clexa, mas agora, depois de todo aquele barulho no quarto!” Brincou Leone ao sentar-se próxima a filha e questioná-la sobre os olhos vermelhos e a tristeza durante toda aquela semana. “Resumo da obra?” Perguntou Alycia à mãe que deu um balançar de cabeça em sinal de positivo. “Ok! Eu tentei não me envolver com ela, mas é humanamente impossível não se apaixonar por Eliza Taylor! Contracenar, beijá-la em cena, só torna a atração mais encantadora. Eu já estava apaixonada quando terminamos a segunda temporada, mas Eliza me achava heterossexual demais para sentir alguma coisa por ela. Então ficamos assim, por mais de um ano, fingindo que não havia algo explodindo dentro dos nossos corações. Quando fomos gravar a terceira temporada, aconteceu. Estávamos juntas desde setembro, mas no início do mês passado ela terminou comigo, porque minha carreira estava roubando tempo demais e ela estava se sentindo sozinha. Fim”.

Leone olhava a filha intrigadaPor que você não queria se envolver com ela, que me parece uma ótima companhia e uma mulher de caráter” (Risos). Alycia deu uma murchada de ombro e resmungou algo “Ela não é esse anjo todo não! Ela não se envolve, não assume nada sério. Outras do elenco de The100 já fizeram parte da lista. (Leone soltou um irônico “inclusive você, querida!”) É como se ela fosse feita para voar, sabe? E eu sabia que.... que se me apaixonasse eu iria querer “prendê-la” tecnicamente falando”.

- E não prendeu? Afinal, estão juntas quase seis meses. Tiveram uma briguinha boba por causa de carreira e falta de tempo... Isso é normal... E, por favor, Alycia, só você não vê que ela está aos seus pés! Responda-me uma coisa Clexa: O beijo do 307 foi real? (Alycia soltou um sorrisinho confirmando) O choro também?

- Não. O choro foi Elycia. Eu estava perdendo-a antes mesmo de tê-la. Foi depois das gravações daquele episódio que notei que precisava ser dela. Ela precisava ser minha, do contrário, Elycia jamais aconteceria.

- Vocês são lindas juntas. A cumplicidade, os olhares. Elycia aconteceria de qualquer maneira, filha. (Para descontrair e fazer com que a filha entendesse que ficaria tudo bem Leone brincou) Falando nisso, minha filhota é .... como vocês dizem quando é passiva?

- Bottom! Chega! Eu não quero ter esse tipo de conversa com a minha mãe! (Alycia levantava da cadeira enquanto sua mãe sorria e segurava em seu braço impedindo que ela saísse)

- Eu estou brincando, meu bem, afinal, vocês voltaram certo?

- Não sei! Acho que não. Eliza diz que não podemos ser vistas juntas em L.A. E que a repercussão da morte da Lexa só dificulta tudo. Ela tem medo que nossas carreiras afundem se descobrirem que Elycia é real.

- De certo modo, ela está certa. E no fundo você sabe disso! A exposição de vocês agora, no início de sua carreira pode direcionar os seus papéis futuros a apenas um tipo de filme. Conhecemos o jeito conservador de Hollywood.

- Você acha que devemos terminar mesmo?

- Não! Só... só devem ser mais cuidadosas. Até você se firmar e ela também.

- Foi o que ela disse: que preciso me firmar em FTWD, aproveitar que é um papel diferente de Lexa, é como se, Alicia Clark fosse meu engatinhar na carreira, um papel adolescente. Lexa em breve será esquecida, já que o personagem morreu na trama. Clarke logo se envolve com Bellamy e eles anulam a bissexualidade do personagem. É que... eu tenho tantas saudades dela... É um querer sem precedentes. Ficar com ela sempre... eu nunca senti isso antes....

- Isso é amor! E ela está sendo racional na relação, meu bem. Faça seu trabalho. Firme-se em FTWD. Alavanque sua carreira e logo ela não terá mais motivos para pedir distanciamento. Agora, responda-me mais uma perguntinha....

Antes que a mãe viesse com questionamentos indiscretos, Alycia levantou-se e saiu da cozinha argumentando em voz alta que precisava arrumar as malas.

**

Eliza chegou de mansinho em casa. Passou pela varanda e deu bom dia aos irmãos e aos primos reunidos em uma tarefa para o casamento do dia seguinte. Ao buscar na cozinha um copo de suco viu sua mãe com um sorriso irônico de “por onde a loirinha andou nas últimas 24h?”. Eliza sorriu apaixonadamente fazendo sua mãe dizer “Alycia?”. A loira abaixou lentamente as pálpebras em sinal de positivo a responder logo em seguida para mãe queNão, não voltamos. Eu não posso ficar com ela em L.A. Não é seguro. Mom, foi .. foi tão maravilhoso eu achei... achei que... que nunca mais sentiria tudo isso. E ela.. ela está sofrendo tanto...eu não queria que ela passasse por isso... Eu não consigo me afastar quando estou próxima a ela... Então, eu só prometi que poderíamos tentar, mas eu sei.. sei que não posso vê-la em L.A., muito menos depois da morte de Lexa”.

- Liza, você não acha que está exagerando? Quero dizer: se o romance de vocês viesse à tona, não é como se Alycia fosse expulsa do meio artístico, as coisas só ficariam mais difíceis. Talvez os papéis, inclusive os seus, mocinha, ficariam limitados a personagens representativos LGBT, mas isso também não é o fim do mundo. Ademais, ela é super talentosa... acho que você deveria arriscar...

- Eu sei o que a Senhora está fazendo. Eu não posso falar, desculpe! Eu não estou exagerando. Eu sei o que estou protegendo. E não serei eu a dificultar a carreira dela. Kylie está por ai? (Perguntou Eliza a se retirar da cozinha em direção à varanda para se enturmar com os familiares).

 


Notas Finais


Então? Capítulo longo, mas necessário!

Uma observação: Eu sei que Alycia é de Sidney e Eliza de Melbourne, mas ignorem isso porque ficaria difícil menina Alycia percorrer quase mil km atrás de uns temperinhos para D. Leone preparar o jantar. Foi só uma adaptação de roteiro, viu?

May we meet again


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