História Em Busca de Sakura - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Sakura Haruno
Tags Amor, Drama, Mistério, Narusaku
Exibições 108
Palavras 2.142
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Hentai, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Demorei um bocado, me desculpem. Mas está aí a continuação da fanfic.

Capítulo 4 - De volta Para Casa


 

 

Fui para o aeroporto e peguei o voo seguinte de volta para casa. O que mais eu podia fazer? Acho que poderia ter me aproximado da pobre viúva, ao lado da sepultura, e lhe perguntado por que, seis anos antes, seu adorado e falecido marido Neji Hyuuga havia se casado com o amor da minha vida. Mas, naquele momento, isso pareceu inadequado. Sou um cara muito sensível. Assim, com uma passagem não reembolsável – e um salário de professor –, tendo que dar aula no dia seguinte, além do atendimento aos alunos, entrei relutante num desses aviões comerciais, pequenos demais para caras do meu tamanho, dobrando as pernas de um jeito que os joelhos quase encostavam no queixo, e voltei para casa. Moro no campus, num alojamento impessoal de tijolos desbotados. Com um pouco de generosidade, a decoração poderia ser chamada de “funcional” . Era limpo e confortável, com um desses conjuntos de estofados encontrados em lojas de beira de estrada. O efeito geral, na minha opinião, era mais patético do que feio, mas isso pode ser apenas o que digo a mim mesmo. A pequena cozinha tinha micro-ondas e forno elétrico – havia um forno convencional também, mas acho que nunca o usei – e a máquina de lavar louça estava sempre com defeito. Como não é difícil imaginar, não recebo muita gente em casa. Isso não quer dizer que eu não namore nem tenha relacionamentos sérios. Mas a maioria dessas relações têm prazo de validade de três meses.

Alguns poderiam achar significativo o fato de eu e Sakura termos ficado juntos pouco mais de três meses, mas eu não acho. Não vivo com dor de cotovelo. Não choro antes de dormir nem nada disso. Digo a mim mesmo que já superei, mas minha consciência e coração entendem que é apenas mais uma mentira que venho contado a mim mesmo durante seis anos. Sinto um vazio, por mais sentimental que isso possa parecer. E – gostem ou não – ainda penso nela todos os dias. E agora? O homem que havia se casado com a mulher dos meus sonhos era, ao que tudo indicava, casado com outra, no caso, Tenten – sem contar que agora estava morto. Em outras palavras, Sakura não estava no funeral do marido. Isso parecia exigir algum tipo de reação da minha parte, não? Lembrei-me da promessa que eu fizera seis anos antes. Sakura tinha dito: “Prometa que vai nos deixar em paz.” Nos. Não a ele ou a ela. Nós. Mesmo com o risco de parecer frio e excessivamente literal, não existia mais essa história de “nós” . Neji estava morto. Isso queria dizer que a promessa (se é que ela ainda existia, uma vez que não havia mais “nós”) deveria ser considerada nula e sem efeito.

Liguei meu computador velho e digitei Sakura Haruno na ferramenta de busca. Apareceu uma lista de links. Comecei a abri-los, mas logo desanimei. A antiga página de sua galeria ainda mostrava algumas pinturas. Nada havia sido acrescentado em... bem, seis anos. Encontrei alguns artigos sobre inauguração de exposições e coisas assim, mas também era tudo antigo. Cliquei no botão de mais resultados. Havia duas entradas de um catálogo de endereços. Um era de uma mulher chamada Sakura Sato, de 79 anos, casada com um homem chamado Hakiro. A outra tinha 66, e o marido se chamava Toko.

Havia ocorrências comuns que podemos encontrar para quase qualquer nome – sites de genealogia, páginas de colégios e de ex-alunos de universidade, esse tipo de coisa. Mas, no fim das contas, não encontrei nada de relevante. Nada, nada, nada. O que teria acontecido com a minha Sakura?

Resolvi procurar Neji Hyuuga no Google e ver o que conseguia descobrir. Ele de fato era
médico – cirurgião, mais especificamente. Impressionante. O consultório ficava em Savannah, Geórgia, e ele era membro do Memorial University Medical Center. Sua especialidade era cirurgia plástica. Eu não sabia dizer se isso significava a solução de casos sérios de lábio leporino ou apenas implantes de silicones nos seios. Também não sabia que importância isso poderia ter.  O Dr. Hyuuga não se interessava muito por redes sociais. Não tinha conta no Facebook ou no Twitter. Havia algumas menções a Neji Hyuuga e a esposa, Tenten, em vários eventos de uma obra de caridade chamada Novo Começo, mas a maioria delas forneceu pouquíssimas informações. Tentei fazer uma busca com o nome dele e de Sakura. Não consegui nada. Recostei-me e pensei por um instante. Depois me inclinei para a frente e pesquisei o filho, Katu Hyuuga. Ele era só um garoto, então achei que não encontraria muita coisa, mas ele devia ter um perfil no Facebook. Comecei por ali.

Era comum que adultos optassem por não ter uma conta no Facebook, mas ainda não encontrei um estudante que não estivesse na rede. Em poucos minutos encontrei: Katu Hyuuga, Savannah, Geórgia. A foto do perfil, muito comovente, mostrava Katu com o falecido pai, Neji. Os dois tinham sorrisos largos e tentavam segurar alguma espécie de peixe enorme e pesado. Pai e lho pescando, imaginei, sentindo uma pontada típica de quem quer ser pai. O sol se punha atrás deles, os rostos na sombra, mas era possível sentir a alegria irradiando pela tela do computador. Um pensamento estranho me ocorreu. Neji Hyuuga era um bom homem. Sim, era apenas uma fotografia e sei como as pessoas podem fingir sorrisos ou cenários familiares completos, mas senti bondade ali.

Examinei o restante das fotos de Katu. A maioria era dele com os amigos – afinal, ele era um adolescente! – na escola, em festas, eventos esportivos, etc. Por que hoje em dia todo mundo faz biquinho ou sinais com as mãos para tirar foto? O que isso significa? Pensamento idiota, mas a mente vai aonde quer. Havia um álbum intitulado apenas FAMÍLIA, com fotos de vários anos. Katu Hyuuga era bebê em algumas. A irmã também aparecia. Depois tinha a viagem à Disney, outras pescarias de férias, jantares de família, cerimônia de crisma, jogos de futebol. Vi tudo. Neji não aparecia de cabelo comprido em nenhuma delas. E estava sempre de barba feita. O que isso significava? Eu não tinha ideia. Cliquei no mural de Katu, ou seja lá como se chama aquela página principal. Havia dezenas de mensagens de condolências. 

Seu pai era o melhor, sinto muito. 

Se houver alguma coisa que eu possa fazer... 

Descanse em paz, Dr. Hyuuga. Você era o máximo. 

Nunca vou me esquecer de quando seu pai cuidou da minha irmã. 

Depois vi uma que me fez parar: 

Que tragédia mais sem sentido. Nunca vou entender a crueldade dos seres humanos. 

Cliquei em “mostrar postagens mais antigas” . Depois de seis publicações, encontrei uma que me chamou atenção: 

Espero que peguem o infeliz que fez isso e acabem com ele. 

Abri uma ferramenta de busca e tentei descobrir mais sobre o caso. Não demorei a deparar com um artigo: 
 

HOMICÍDIO EM SAVANNAH Cirurgião local assassinado 

Popular cirurgião e filantropo local, o Dr. Neji Hyuuga foi morto em casa, na noite de ontem. A polícia acredita que foi um assalto frustrado. 

 

Alguém tentou abrir a porta, mas estava trancada. Ouvi o barulho do capacho sendo levantado – com uma originalidade ímpar, escondo a chave reserva embaixo dele. Logo em seguida a tranca foi acionada e a porta se abriu. Sasuke entrou.

— Ei —  disse ele.— Surfando na internet para ver pornografia?

Franzi a testa. —Ninguém mais usa a palavra “surfando”.

 — Sou das antigas. —  Sasuke foi até a geladeira e pegou uma cerveja. —  Como foi a viagem?

— Surpreendente — respondi.

—  Conte tudo.

Contei. Sasuke era um ótimo ouvinte. Era do tipo que presta atenção em cada palavra, concentrado em você e em mais nada – e não interrompe. Isso não é forçado nem algo que guarde apenas para os amigos mais íntimos. As pessoas o fascinam. Eu diria que esse é o ponto forte de Sasuke como professor, porém seria mais apropriado dizer que é seu ponto forte como conquistador. Mulheres solteiras dispensam muitas cantadas, mas nunca dão um fora em cara que realmente leva a sério o que elas dizem. Candidatos a garanhão, tomem nota.

Quando terminei, Sasuke tomou um gole de cerveja surpreso com tudo o que me aconteceu. – Uau. Quero dizer... uau. É tudo que posso falar.

Levantei as sobrancelhas.

— Uau?

—  É.
       

 — Você tem certeza de que não é professor de inglês?

 — Você sabe —  disse ele, devagar —  que, muito provavelmente existe uma explicação lógica para tudo isso, certo?

 — Por exemplo?— Eu não sabia o que esperar.

Ele coçou o queixo.

—  Talvez Neji seja um desses caras com mais de uma família, que uma não sabe sobre a outra.

 — Hum?

— Devassos inescrupulosos que têm um monte de esposas e filhos. Uma mora em Denver, por exemplo; a outra, em Seattle. Ele divide o tempo entre elas, que não sabem de nada. Vemos isso no Dateline o tempo todo. São bígamos. Ou polígamos. E conseguem levar a farsa durante anos.

Fiz uma careta. — Se essa é a sua explicação lógica, adoraria ouvir a absurda.

— Está certo. Mas o que você acha de ouvir a mais óbvia?

Inclinei a cabeça. — A explicação mais óbvia?

 — Sim.

Suspirei gesticulando os ombros.—  Vá em frente.

Sasuke abriu os braços. – Não é o mesmo Neji.

Não falei nada. Absolutamente nada. Sasuke continuou, sendo muito preciso com suas palavras:—  Você não lembra o último nome dele, certo?

Realmente, não lembro. Confirmei levemente com a cabeça. – Certo.

—Tem certeza de que é o mesmo homem? Neji não é o nome mais incomum do mundo. Pense nisso, Naruto. Você vê uma foto seis anos depois, sua cabeça lhe prega uma peça e, voilà, você acha que é seu arqui-inimigo.

Sorri.— Ele não é meu arqui-inimigo.

— Não era seu arqui-inimigo. Ele morreu, lembra? Isso o coloca no passado. Mas, sério, você quer a explicação mais óbvia? —  ele se inclinou para a frente. —  Tudo isso não passa de um caso de homônimos. É claro que eu já havia pensado nisso. Tinha até considerado a hipótese da bigamia. As duas faziam mais sentido que... O quê? Que outra explicação poderia haver, fosse ela óbvia, lógica ou absurda? – E aí? – perguntou Sasuke.

Mesmo relutante, os pontos de alguma forma parecia ter ligação.  — Faz sentido.—  Respondi meio fraco.

 — Viu?

Sasuke tomou outro gole da sua cerveja, e eu pendurei a pé numa perna, pensando comigo mesmo. Falei:

— Esse Neji Hyuuga, médico, parecia diferente do Neji de Sakura. O cabelo era mais curto. O rosto bem barbeado.

— O que eu falei?

Olhei para o lado quando Sasuke me indagou, usando sua famosa expressão de que ele tinha razão. Provavelmente, minha cara não estava uma das melhores, e Sasuke percebeu. 

 — Que foi Naruto?

— Não sei se acredito nisso.

 — Por que não?

— Para começar, ele foi assassinado.

 — E daí? No máximo isso apoia a teoria da poligamia. Ele conheceu a garota errada e fim de papo.

—  Ora, convenhamos, você não acredita mesmo que essa seja a explicação.

Sasuke se recostou. Apertou o lábio inferior entre os dedos. — Sakura trocou você por outro homem.

Esperei que ele dissesse mais alguma coisa. Como não o fez, falei:

— Sim, doutor. Óbvio, isso eu sei. Sei disso todos os dias da minha vida.

— Foi difícil para você.— Continuou Sasuke, como se tivesse tomado minha dor. Ele parecia triste agora, nostálgico. Voltando também para o passado, o lugar o qual formos felizes com as pessoas que deram sentido a nossas vidas. 

— Eu entendo. Entendo melhor do que você imagina.— Comentei, com o maxilar enrijecido.

Pensei na fotografia, no amor que Sasuke perdera, em como tantas pessoas andam por aí com algum tipo de mágoa e nunca demonstram, como eu.

— Vocês dois estavam apaixonados.—   Prosseguiu Sasuke. — Então você não consegue aceitar isto: como ela pôde trocar você por outro?

Franzi a testa outra vez, mas sentia um aperto no peito. Queria que fosse fácil falar disso, mas não é. Os sentimentos transbordam pelo peito.

 — Você tem certeza de que não é professor de psicologia?—  Tentei brincar.

 — Você quer tanto isso, essa segunda chance, a oportunidade de redenção, que não consegue enxergar a verdade.

—  E que verdade é essa, Sasuke?

— Ela se foi —  disse ele, apenas. —  Largou você. Nada vai mudar isso.

Engoli em seco, tentando aceitar aquela realidade cristalina.

– Acho que não é só isso.

– Como assim?

– Não sei – admiti. Sasuke pensou por um momento.

– Mas vai tentar descobrir, não vai?

– Sim – Tomei um gole de cerveja. Claro que vou, ou viverei nesse desassossego, sem ter ideia do que aconteceu. Se Sakura está viúva, ou se exista alguma outra explicação para o que eu ainda não sei. – Mas não hoje. E provavelmente nem amanhã.

Sasuke deu de ombros, levantou-se e pegou outra cerveja.

– Então vamos em frente. Qual é o próximo passo?

Realmente, Sasuke era um bom amigo, e compreendia o quanto eu precisava entender com clareza o que estava acontecendo de verdade, ou eu me afundaria em todas as suposições que poderiam ou não ser.

 

 

 

 



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