História Em Nome do Anjo - Os Filhos da Luz - Capítulo 3


Escrita por: ~ e @Riezan

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Demonios, Filhos Da Luz, Nefilins
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Palavras 4.204
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Perdão a demora, por conta disto estarei postando dois ou três capítulos.

Capítulo 3 - Capítulo DOIS - Stephen Chevalier


Merda.

Era a primeira palavra que me vinha na cabeça ao chegar na entrada daquele colégio. A escola era gigante, bem maior do que estudava nos Estados Unidos. Observei a movimentação dos alunos, indo e vindo pelos corredores. Cada um tinha o seu armário naquele lugar. Todos pareciam extremamente animados e felizes com o retorno das aulas.

Merda. Mil vezes merda.

— Eu vou com você até à secretaria, Ellie. – avisou Melanie, me tirando do mar de pensamentos em que eu estava.

A encarei, acenando de leve.

Fomos diretamente até à secretaria. Falei rapidamente com a encarregada, que me deu o horário, uma caixa com todos os livros e um “boa sorte” com um lindo sorriso nos lábios. Saí de lá sem dizer nada. Melanie ajudou-me a carregar a caixa até meu armário, deixando os livros que não usaria ali e foi comigo até a sala que eu teria minha primeira aula. Ela sorriu, me desejando sorte, antes de se virar e ir em direção à sua própria sala de aula.

Por um momento permaneci encarando a porta. Poderia passar a manhã ali, detalhando-a, contando quantos furinhos de cupim ela tinha e tentando descobrir quantas vezes ela foi pintada desde que fora colocada ali. Como eu sou patética! Revirei os olhos e respirei fundo, batendo na porta. Um grande homem surgiu logo em seguida.

— Bom dia. – sussurrei, meio em choque. Geralmente os professores são um pouco menos intimidantes fisicamente. Esse homem não passava por esse estilo, de jeito algum!

— Você deve ser a aluna nova, certo? – perguntou, indo direto ao ponto.

— Hum, sim...

— Entre. – ele deu espaço para que eu entrasse.

Todos na sala observaram a minha entrada. Maravilha, era o que eu precisava no momento plateia para me observar mancar até algum lugar que eu deveria me sentar.

— Eu me chamo Matt Dupont, seu professor de química e de física. Você pode sentar-se ali. – ele me indicou.

Eu olhei para a sala. O professor havia indicado o um dos poucos lugares vago que havia ali. Quase soltei um palavrão ao perceber que as carteiras eram duplas. Caminhei em direção do lugar e me sentei. Olhei de esguelha, para o rapaz que estava ali, sentado ao meu lado. Era o mesmo que dava comida aos pássaros na casa vizinha a minha, hoje mais cedo. Ele parecia não ter me reconhecido, pois simplesmente me ignorou. Suspirei fundo, acho que seria melhor assim. Peguei o livro e o caderno, tentando me concentrar na aula.

— Bom. – começou o professor – Eu quero um trabalho bem detalhado sobre dinâmica. Ele deve ter pelo menos dez páginas, com início, meio e fim. – houve um alvoroço na sala. O professor pigarreou para fazerem silêncio – Para ser entregue daqui há vinte dias. O trabalho deve ser feito em dupla. E não tem de escolherem com quem farão, pois será o colega do lado. E nem reclamem, não será nada difícil. Apenas será uma revisão do que vocês aprenderam no semestre anterior.

— Então se vai ser uma revisão, o senhor não vai dar nota? – perguntou um rapaz que estava sentado à minha frente.

— É claro que vai valer nota! – resmungou o professor. Ele parecia irritado com a pergunta óbvia – Nós teremos mais duas aulas esta semana. Irão começar a fazer o trabalho hoje e se não der tempo de terminar nas próximas aulas, vocês poderão terminar em casa. – o cara mal fechou a boca a o pessoal caiu matando em cima – Chega! – gritou ele e todos se calaram – Eu não quero mais reclamações. A única que pode reclamar é a colega nova de vocês.

Eu me encolhi na carteira, lógico que não iria reclamar, já tinha estudado a matéria então não teria muitos problemas, assim esperava. Pelo menos com ela. Eu olhei para o rapaz sentado do meu lado. Ele continuava calado, olhando para frente, todos estavam reclamando, menos ele.

— Podem começar. – resmungou o gigante, antes de se sentar e se esconder atrás de uma revista cientifica.

Suspirei, pensando que teria de fazer o meu sozinho, pela maneira como as coisas estavam. Olhei para o rapaz mais uma vez e precisei conter um palavrão, pois o cara estava me encarando.

— Meu nome é Stephen. – ele falou. O encarei, meio chocada, pois não esperava sua interação. Mas pude olhá-lo com mais atenção, sem me constranger por olhar alguém sem termos uma certa comunicação. Cabelos castanhos, bagunçados. Olhos cor de avelã, rosto bem feito. Rapaz, o moço era bonito.

— Helene. – respondi, meio sem graça.

— Vamos começar o trabalho agora? – perguntou.

— Sim. – resmunguei. Não sabia como reagir a ele. Era estranho estar conversando com o cara que havia visto nos jardins alimentando os pássaros. Não me pergunte o porquê.

— Você já estudou essa matéria?

— Já.

— Ok, então.

Continuamos discutindo sobre o assunto do trabalho até a hora do sinal tocar. Pelo menos via que não iria precisar fazer tudo sozinho, o carinha era inteligente.

— Você tem que aula agora? – ele perguntou quando eu estava juntando minhas coisas.

Eu tive de olhar na folha que tinham me dado na secretaria.

— História. – eu respondi.

Ele se levantou e jogou a mochila nas costas.

— É a minha também. – respondeu caminhando em direção à porta, me deixando ali, encarando-o como uma trouxa. Ele parou e olhou para trás. Eu continuava ali, parada, parecendo uma mosca tonta, olhando para ele – Você não vem?

— Humm... – foi tudo que eu consegui dizer.

Que coisa tonta de se fazer.

Meio minuto depois estávamos nos encaminhando para a próxima aula.

— Deixe-me ver seu horário. – ele pediu quando estava caminhando pelos corredores.

Eu peguei a folha e lhe estendi.

— Todas as suas aulas são comigo. Vai se sentar sempre perto de mim também, pois eu sou o único que não tem parceiro nas aulas. – respondeu ele, indiferente.

Peguei a folha de volta, guardando em meio aos meus livros. Nada disse com relação ao seu comportamento, pois ele me parecia bipolar. Mas quem era eu para julgar os outros, não é mesmo? Deveria ser por isso que ninguém se aproximava dele... Não sou tão tapada que não percebesse os olhares furtivos que ele recebia de quem passava por ele. E da maneira como as pessoas ficavam mais afastadas, como por exemplo, não sentar ao seu lado no horário da aula. Certo, pelo visto sempre ficaria um sem companheiro na aula, mas ele seria aquele que fica em todas? Isso que me refiro.

— O que você está pensando? – ele perguntou, me tirando dos meus devaneios.

— Oi? – eu murmurei piscando. A pergunta havia me pegado de surpresa.

— O que você está pensando? – ele perguntou novamente, mostrando impaciência no tom de voz.

— Onde você mora? – eu não sei o que me deu para perguntar uma coisa dessas. Eu corria o risco de levar uma patada do ser ao meu lado.

— Onde eu moro? – ele repetiu minha pergunta me olhando bem nos olhos. Isso por que nós tínhamos chegado à sala de história. Estávamos parados na porta da sala de aula – Eu não moro naquela casa que você me viu hoje de manhã. – respondeu abrindo a porta. Ainda não tinha chegado quase ninguém no local. E, opa! Ele havia me reconhecido... – Eu moro do outro lado da cidade.

— Você... – eu comecei sem nem saber o que eu iria falar.

— E eu não invadi a casa se é isso que você está pensando. – respondeu ele, num tom mais irritado – Eu vou lá quase todos os dias de manhã alimentar os pássaros. Aquele terreno é da minha família.

— Desculpe se eu dei a entender isso. – respondi sentindo meu rosto corar. Ele parecia irritado. Andamos por entre as classes, até chegar à carteira dele – Apenas fiquei curiosa...

— Eu não gosto de pessoas curiosas. – ele resmungou sentando. Eu fiquei de pé olhando para ele, estava começando a perder a paciência com aquele cara – Não vai sentar?

Sentei ao lado dele, largando a bolsa na mesa, agora verdadeiramente irritada. Em silêncio, peguei meu caderno e livros, me concentrando no que fazia. Só o que eu queria era sumir daquele lugar e voltar para minha cama.

— Por que você veio para essa escola? – ele perguntou, de repente.

Eu me virei, para encará-lo. E mais uma vez ele estava me observando.

— Vim morar com meu pai. – eu respondi, voltando minha atenção para o que estava fazendo.

— Por quê?

— Minha mãe morreu e como eu não tinha mais ninguém, ele teve de me trazer para cá. – respondi, sem encará-lo.

Ele não responder na hora. Até achei que não diria nada.

— Eu sinto muito. – foi tudo o que disse, depois de alguns instantes em silêncio.

— É, eu também. – resmunguei, na hora que o professor estava entrando, seguidos pelos alunos que estavam no corredor ainda.

A aula passou sem que nós déssemos uma única palavra, e quando o sinal tocou, eu levantei a cabeça e olhei para Stephen. Eu contive um resmungo de surpresa. Ele estava me encarando de um jeito estranho.

— O que foi? – eu perguntei, sem me conter.

— Seus olhos... – ele murmurou ainda me encarando daquela maneira – Que cor eles são?

— Verdes, eu acho. – eu tinha dificuldade em distinguir determinadas cores. Azul e verde era as piores.

— São bonitos. – ele falou isso se levantando e pegando a mochila – Eu nunca tinha visto olhos assim.

Nem preciso dizer que eu virei um tomate humano depois dessa. Deveria ter ficado um lindo contraste com os meus cabelos. E dificilmente acreditava no que ele dissera, já que boa parte do mundo tinha olhos verdes. Ou azuis. Se não fosse loucura, diria que ele estava flertando comigo.

Eu me levantei e saí da sala com ele, me mantendo quieta. Todos que passavam olhavam para nós e eu tinha algumas hipóteses para isso. Ou era por que eu era aluna nova, carne nova no pedaço, ou por que estava andando com ele. Ou então por ser a carne nova no pedaço, que estava andando com ele.

— Não se preocupe. – ele disse me olhando de canto – Não é por causa de você que estão lhe encarando. Eles fazem isso por que você está andando comigo.

— Por quê? – eu perguntei andando um pouco mais rápido para acompanhá-lo.

— Eles me acham estranho.

— Por quê?

— Eu não costumo dar atenção para essa gente, isso é um motivo. O outro é por ter dado toco em várias líderes de torcida desse lugar. Não pretendo ficar com nenhuma garota dessa escola, embora elas corram atrás de mim. Sempre ando sozinho e não me meto em brigas ou vou a festas. E por que eu moro sozinho no maior casarão da cidade.

— Só por isso? – ironizei.

— Só! – ele respondeu ignorando minha ironia.

— E seus pais? – eu perguntei entrando em uma outra sala.

— Moram na França. – respondeu se sentando na última carteira.

— E te deixam aqui sozinho? – eu tornei a perguntar me sentando.

— Não, eu moro com o meu mordomo. Você é curiosa!

— É, eu sei.

— Ellie! – alguém me chamou.

Eu me virei, ainda absorvendo a rápida conversa que havia tido com aquele ser.

— Melanie. – eu falei, ao ver quem era.

— Você a conhece? – ele sussurrou no meu ouvido, fazendo os pelinhos do meu pescoço eriçarem.

— Ela é minha irmã. – respondi, meio incomodada com a ação dele. Mas me senti bem em dizer aquilo, ainda mais vendo os olhinhos de Melanie brilhar de alegria quando ela ouviu.

— Você é irmão dos Steiner? – ele sussurrou novamente no meu ouvido.

Eu me virei para ele e quase que lhe dei uma cabeçada. Nossos rostos estavam a centímetros um do outro.

— Meu pai é casado com a mãe dela. – eu respondi em um sussurro também.  O nariz dele estava quase tocando no meu.

— Então vocês não são irmãos. – ele retrucou com um ar divertido no rosto.

— Mas eu a considero como tal! – retruquei, no mesmo tom. Estava me irritando com os comentários debochados dele. E surpresa comigo mesmo em pensar daquela forma com relação aos Steiners.

— Ellie? – Melanie me chamou – O que vocês tanto cochicham?

Eu olhei para ela.

— Eu estava perguntando pelo professor. – menti. Não estava com vontade de dar corda para aquele assunto.

— Ah! Ela não vem.

— Como?

— Essa aula é de literatura. – ela me respondeu – Ela está doente e não tem ninguém para substituí-la, então temos dois tempos sem aula.

— E depois que aula você tem?

— Matemática. E você?

Eu fui para pegar o meu horário, mas não foi preciso.

— Geometria. – ele disse no meu ouvido.

Eu dei um pequeno pulo na carteira, respondendo automaticamente.

— Geometria. – senti minha voz esganiçada, ao respondê-la.

— Quer almoçar comigo hoje? – ele perguntou, antes que eu conseguisse me recuperar.

Eu olhei para ele com incredulidade. O leve sorriso nos seus lábios mostrava que Stephen se divertia com as minhas reações.

— Não foi você quem me disse que costuma andar sozinho?

— Você é diferente. – ele respondeu me lançando um lindo sorriso e encolhendo os ombros.

Eu abri a boca e fechei. Esse cara é louco! Só podia ser!

— Por que eu sou diferente? – eu sussurrei encarando-o.

— A sua aura. Ela é mais brilhante do que a das outras pessoas.

— O que? – por que todas as pessoas que costumavam se aproximar de mim, tinham de ter um sério problema mental?

— Vai almoçar comigo ou não? Sua irmã é a garota mais popular dessa escola. Ela vai te levar direto para as garras daquelas patricinhas histéricas. Tenho certeza de que ela já fez propaganda de você paras as meninas. Vão querer conhecer o irmã gatinha da Melanie Steiner.

Eu tive de sacudi a cabeça para ver se eu pensava em algo coerente.

— Hey, Ellie... – Melanie me chamou. Me virei, inclinando-me para ficar mais próximo dela – Você quer almoçar comigo? Todas as minhas amigas querem te conhecer.

Eu olhei para ela.

— Desculpe Melanie. – comecei. Eu não acredito que vou dizer isso – Mas eu vou almoçar com o Stephen.

Melanie piscou.

— Com ele? – sussurrou para que somente eu ouvisse. Ela estava realmente surpresa. Melanie olhou para Stephen e eu também. Ele estava distraído de cabeça baixa, escrevendo alguma coisa no caderno, mas eu tinha certeza de que tinha visto os lábios dele se mexerem. O maldito estava sorrindo.

— É. Ele me convidou, então...

— Ele o que? – a voz dela agora saiu mais alto.

Eu percebi que quando chegasse a casa, eu teria de interrogar Melanie, e possivelmente ela faria o mesmo comigo.

Eu me inclinei para mais perto dela, para o que eu fosse dizer somente ela ouvisse. Não queria que o serumaninho ali do meu lado me ouvisse e ficasse se vangloriando.

— Teremos de conversar, mas em casa.

— É! Temos de conversar – ela repetiu me olhando.

O resto dos dois períodos se arrastou de tal maneira, que parecia não ter fim. Quando o sinal tocou, o pessoal correu para o refeitório, pareciam todos mortos de fome.

Eu me levantei da classe, devagar. Juntei minhas coisas e coloquei tudo na mochila, calmamente. Quando ergui a cabeça lá estava o príncipe de olhos azuis estava me olhando.

— Vamos? – perguntou.

Eu não disse nada, somente o segui para fora da sala.

— Você realmente não é muito apreciado. – comentei com uma pontada de ironia na voz, quando entramos no refeitório, na fila. Eu peguei uma bandeja e continuei a observar o pessoal no local.

— Eles não gostam de mim por que eu os ignoro. Quando entrei na escola, as garotas viviam atrás de mim. Eu não gosto muito deste tipo de coisa.

— Como assim? – eu perguntei.

— Para mim quando uma pessoa fica com outra, tem de ser para a vida toda. Amor verdadeiro. Esse tipo de coisa que eu vejo por aqui é só pegação.

Aquele papo estava cada vez mais estranho. Eu peguei o que comer, enquanto pensava no que ele dissera. No tempo de escola que tive em New York eu só havia ficado com duas pessoas.

Esse menino tinha o pensamento meio ultrapassado, sei lá. Mas eu não era uma pegadora, mesmo que fosse um pouco popular por conta do basquete.

Fomos para uma mesa vazia, após pegarmos o nosso lanche.

— Qual o seu sobrenome? – eu perguntei quando desembrulhava um sanduíche.

— Chevalier. Meu nome é Stephen Chevalier. – respondeu ele. Stephen tinha se sentado do lado oposto, ficando assim de frente para mim – E o seu?

— Helene Walker. – respondi, ainda desembrulhando o sanduíche. Minha coordenação motora era um desastre. Ergui o olhar, para encará-lo e senti o rosto esquentar com a maneira dele me encarar – O que foi?

— Nada. – ele respondeu sacudindo a cabeça – O que você fazia quando morava nos Estados Unidos?

— Jogava basquete. Curtia ir ao parque, com o meu skate... Lia, via filmes, jogava games. E você? O que gosta de fazer quando está em casa?

— Quando não estou alimentando os pássaros? – ele deu um sorriso, com a própria piadinha – Eu ajudo ou devo dizer, tento ajudar o meu mordomo. Ele muitas vezes me bota pra correr...

Eu acabei rindo do jeito dele.

— É a primeira vez que você sorri. – ele comentou me deixando sem graça mais uma vez – Deveria sorrir mais vezes, Helene.

— Eu não tenho motivos para sorrir nos últimos tempos. – foi tudo que consegui falar.

— Por quê?

— Eu não estou a fim de falar nesse assunto agora, ele é meio doloroso para mim.

Ele dever ter visto em meu olhar que era melhor não tocar naquilo, no momento, pois mudou de assunto rapidinho.

— Que idade você tem, Ellie? – não comentei o fato de ver ele me chamando daquela forma. Contive um sorriso antes de me entregar.

— Dezesseis, quase dezessete. E você?

— Dezessete. Está adiantada na escola.

— Minha... Minha mãe me colocou um ano mais cedo na escola. Agora não estou tão adiantada, perdi um ano, por conta do acidente... Acho que já está na hora de voltarmos para a sala não é? O refeitório já estava quase vazio. – resmunguei, mudando de assunto novamente.

— Sim. – respondeu, se levantando.

O restante do dia se arrastou de maneira torturante. Tive de aguentar aulas chatas e as perguntas estranhas e comentários indiscretos do meu novo “amigo”. No fim, consegui sobreviver ao meu primeiro dia de aula. E a minha nova rotina.

— Como você conseguiu virar amigo do Stephen Chevalier? – Melanie me perguntou, quando eu embarquei na caminhonete, após a última aula. Ela nem havia deixado eu fechar a porta.

— Ele puxou conversa. – respondi, meio tensa.

— Aquele garoto é muito estranho. – comentou Tyler, dando marcha ré no carro e se arrancando com ele – Os garotos da minha turma não vão muito com a cara dele.

— É claro que vocês não vão com a cara dele! – exclamou Melanie me olhando. Ela piscou e continuou, sabia que iria começar uma provocação fraternal – Por que quando ele está por perto, garota nenhuma olha para vocês, somente para ele.

— Precisa falar dessa maneira Melanie? – Tyler resmungou, olhando para ela.

Melanie soltou um risinho.

— Desculpa se eu ofendi o teu ego.

Tyler somente bufou, balançando a cabeça.

O resto do caminho eles continuaram discutindo. Eu me desliguei do assunto, apenas olhando pela janela, com o olhar perdido no que passava rapidamente enquanto retornávamos pra casa.

­­— Oh mãe! – Melanie gritou quando abriu a porta da sala – Já chegamos!

— Estou na cozinha! – ela gritou de volta.

— Eu vou subir. – falei para Melanie.

— Já estou indo atrás de ti. – ela respondeu, dando um sorriso para mim.

Eu acenei. Subi as escadas e entrei no meu quarto. Troquei de roupa rapidamente, colocando qualquer coisa. Guardei meu lindo uniforme no closet e me atirei na cama. Pouco depois ouvi uma leve batida na porta.

— Como você conseguiu fazer Stephen Chevalier ter uma conversa amigável com você? – perguntou Melanie entrando e se sentando na minha cama. Pelo o que parecia, ela já não tinha tanto medo das minhas reações.

— Eu não sei. – respondi – O que você sabe sobre esse garoto?

— Não me diz que você ficou a fim dele? – ela perguntou.

A encarei, meio sem jeito com a maneira como ela falou.

— Ah, Ellie! Eu percebi o seu olhar para ele.

Suspirei fundo, mordendo o lábio.

— Você vai para o inferno... – resmunguei, por fim.

Ela acabou rindo.

— E então? Está a fim dele ou não?

— Não. – respondi. Acho que não – Só que a maneira como ele me tratou... Ele é estranho...

— A família dele é bilionária. Bom para dizer a verdade à mãe dele é bilionária. O pai morreu quando ele era pequeno. Ela mora na França.

— E por que a mãe não o leva para morar com ela? – eu perguntei.

— Eu não sei. – ela disse simplesmente – O rapaz é bem estranho. Mas é um gato!

Nisso eu tinha que concordar.

— Como é o nome da mãe dele?

— Sophie Chevalier. Eu nunca a vi, mas dizem que ela é muito bonita. Quase não vem para esta cidade.

Eu fiquei em silêncio, pensando na minha manhã, eu odiava Twilight, mas agora poderia dizer que tive um momento no corpo da Bella, com relação ao meu novo amiguinho. Balancei a cabeça, aborrecida por me ver no lugar daquela coisa sem sal. Não tinha muito mistério por trás do garoto, ele só parecia ser um mauricinho rico e mimado, que se achava um máximo.

Como a maioria é. Questão que ele demonstrava abertamente.

— Ele nunca quis ficar com nenhuma garota lá da escola. – comentou Melanie deitada ao meu lado mirando as estrelas no teto do meu quarto. Da forma que nós estávamos, parecíamos até velhos amigos. Surpreendentemente eu me sentia assim com ela.

— Você alguma vez quis ter ficado com ele? – perguntei, curiosa.

— Não. Eu apenas o acho bonitinho. – ela respondeu – Ele não faz o meu tipo.

— Ele me disse que jamais ficaria com alguém só por ficar. Que tem que existir amor, que um relacionamento tem de durar a vida toda.

— Ele te disse isso?! – ela perguntou se erguendo nos cotovelos para me olhar – Gente, ele se abriu pra você!

— Disse.

— Você, logo no primeiro dia de aula, virou o centro das atenções do garoto mais lindo da escola! – ela comentou soltando uma risadinha – Minhas amigas vão morrer de inveja.

— Eu não acho que seja isso. – eu falei, já na defensiva – Ele parece ser bem solitário.

— E necessitado de uns beijinhos! – completou com um sorriso travesso no rosto. Eu atirei um travesseiro nela. Melanie soltou uma gargalhada – Vai me dizer que se ele pedisse para ficar com você, não ficaria?

Eu pensei por um instante.

— Eu não sei. Não o conheço.

— Ele conversou mais com você em um dia, do que com o pessoal da escola durante o ano!

— Mas não quer dizer que ele queira me beijar.

Nossa conversa foi interrompida por uma batida na porta. Logo depois a cabeça do meu pai apareceu por ela. Quando viu a forma que nós dois estávamos deitados, ele me lançou um grande sorriso. O velho parecia... orgulhoso.

— A Sam mandou avisar que tem um lanche esperando por vocês.

— E vai sobrar lugar para o jantar? – eu perguntei me sentando na cama, quando meu pai sumiu da porta.

— Vai ser três e meia, agora. – ela comentou, sentando do meu lado e olhando para o relógio – Para o jantar ainda falta muito tempo. Fazer uma boquinha não faz mal para ninguém.

Nós descemos e fomos para a sala de jantar.

— Papai vem sempre há essa hora para casa? – eu perguntei num sussurro, estranhando ele estar em casa naquele horário.

— Ele quase sempre está de plantão. – ela respondeu no mesmo tom – Assim como está em casa já está no hospital.

Eu me sentei e Melanie sentou-se do meu lado. Meu pai olhava para mim, como se eu tivesse ganhado a copa do mundo para ele.

— Como foi o dia de vocês? – ele perguntou.

— Bom. – respondeu Melanie.

— E você querida? – ele perguntou olhando para mim – Como foi seu primeiro dia? Gostou da escola nova?

— Sim. – foi tudo o que eu disse. Eu olhei para ele, deveria ter dado uma resposta mais longa. Não gostaria de passar algumas horinhas contando da minha vida para um estranho mais do eu já fazia. Foi por isso que eu segui falando, tentando demonstrar algum entusiasmo – A escola é linda. E eu sou colega da Melanie em algumas aulas. Os professores são legais, e já tenho trabalhos e temas de casa para o resto da semana.

Pelo jeito que ele ficou, eu percebi que ele adorou ouvir meu pequeno discurso.

A conversa seguiu amistosa. Eu decidi após o lanche caminhar um pouco. Fazia mais de duas semanas que eu estava naquela cidade, e não tinha caminhado pela rua uma única vez.

— Eu vou dar uma caminhada. – eu disse me levantando. Meu pai parecia nas nuvens com a minha reação – Ainda não conheço a vizinhança e vai fazer bem para minha perna.

— Pode ir filha. – ele disse olhando para mim com crescente alegria.

— Você quer ir comigo Melanie? – eu perguntei olhando para ela. Tyler havia desaparecido. Segundo Melanie, ele curtia fazer um som no porão.

— Claro! – ela disse se levantando.

Saímos de casa conversando alto. Só não andávamos mais rápido por causa da minha perna. Fomos para a praça e para o horário tinha muita gente lá, brincando com os cachorros, passeando com as crianças.

Quando voltamos, já era quase cinco horas. À noite após o jantar eu fui para o meu quarto. Fiz alguns deveres, li um pouco e me distraí, jogando game no computador.

E horas mais tarde, após ter me deitado e adormecido, meu pai me acordava, dizendo para eu me acalmar por que era só mais um pesadelo que eu estava tendo.


Notas Finais


Eu logo responderei todos os comentários atrasados e os novos. Agradeço os que não me abandonaram e espero que gostem.


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