História Em Nome do Anjo - Os Filhos da Luz - Capítulo 4


Escrita por: ~ e @Riezan

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Demonios, Filhos Da Luz, Nefilins
Visualizações 116
Palavras 2.529
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Mais um, como prometido <3

Capítulo 4 - Capítulo TRÊS - Irmãos do Mal


Os dias, assim como as semanas estavam passando lentamente, mas eu não reclamava disso, até gostava dessa calmaria que as coisas se encontravam. A cada dia que passava, me sentia mais animada, mais comunicativa, indo à escola, saindo com Melanie e Tyler, caminhando para movimentar a minha perna e fazendo coisas que antes eu relutava para fazer. Me sentia inclusa, como parte da família e aquela pequena luz que queimava por dentro em perceber que eles realmente gostavam de mim e não estavam me apoiando por obrigação. Isso era o que mais importava, ter o apoio real deles, bem como seu carinho. Também estava criando uma rotina, o que segundo minha psicóloga, isso era algo bom para o meu tratamento. Ela e o fisioterapeuta estavam satisfeitos com a minha reação, assim como o meu pai e a sua família.

A escola tinha se tornado um fato importante para a minha melhora, assim como a minha estranha amizade com aquele garoto. Eu não tinha mais amigos, além de Melanie e Tyler, somente eles e Stephen, mas era o suficiente pra me colocar pra cima e ver algum futuro no horizonte. Ainda não era fácil ter me desligado de toda a minha vida nos Estados Unidos, perder a pessoa que foi o meu pilar desde sempre, mas eu precisava seguir em frente. Eu sabia que ela não iria gostar de me ver mal e lutava para que ela, onde quer que estivesse, sentisse orgulho de mim.

Já havia se passado alguns meses, desde o retorno das aulas, eu passava praticamente o tempo inteiro com aquele rapaz, só almoçava com ele, na escola era tudo ele. Isso estava incomodando Melanie, que andava chateada comigo por esse motivo. Ela estava doida para me apresentar as suas amigas e amigos, o que não me deixava nem um pouco animada com isso. Não curtia a ideia de ver um bando de patricinhas e mauricinhos sentados na minha volta, fazendo perguntas idiotas e rindo de um “ai” que eu dissesse. Só de pensar nisso, sentia como se elas fossem me devorar vivo. Outro motivo pelo qual estava fugindo disso, era que certamente Stephen não se sentaria ao meu lado, como sempre fazia.

E por algum motivo eu que desconhecia ou tentava ignorar, essa ideia não me agradava em nada.

Melanie tinha certeza de que eu estava apaixonada por ele. Eu resmungava que aquilo era maluquice da cabeça dela, que ele era só meu amigo, que gostava da companhia dele. Somente por isso.

Como disso, eu não sabia ou tentava ignorar.

Naquela tarde, depois da escola, nós fomos para a mesa comer o tradicional lanche das três e meia da Sam.

— E vou dar minha caminhada. – eu disse me levantando, após o lanche – Você vem, Melanie?

— Desculpa, mas não vai dar. Eu tenho de terminar o trabalho que o professor de geografia deu.

— Ah, ele deu para você também?

— Sim. Você já terminou o seu? – ela perguntou subindo um degrau da escada.

— Ainda não, faltam mais algumas coisinhas.

— O meu falta tudo. – Melanie bufou – A gente se vê depois então.

— Boa sorte. – resmunguei.

Saí de casa, descendo lentamente os degraus, andando pelo jardim. Observei a fachada da casa em que morava. Era algo rústico, mas muito linda. Ela era a maior do quarteirão, poderia perder para a casa do lado, a do Stephen, mas não sabia dizer ao certo qual delas era a maior. Eu dei a volta no jardim, admirando os carvalhos que ali se encontravam. Eram gigantescos, lindos e com toda a certeza bem antigos. Segui caminhando, até parar diante do lago. Gostava de me sentar na sombra das árvores na beira do lago para fazer os deveres de casa. Os balanços que ali existiam eram a minha distração.

Virei o rosto, olhando para perto da porta dos fundos. Vi uma enorme casa de cachorro. Caminhei até ela, meio apreensiva, pois não iria querer parar no hospital por ter sido mordido por um pit bull. Na real, eu nem sabia que tínhamos um cachorro. Um lindo São Bernardo, que gostou muito de babar minhas roupas, e sujar meus all stars com suas gigantescas patas me felicitou quando criei coragem pra me aproximar.

Como eu não sabia da existência desse gigante por aqui?!

Após alguns minutos de pura babação, segui andando, em direção à praça que costumava ir com Melanie. Caminhei pela calçada, sentindo fracos raios de sol no meu rosto. Fui para a praça e me sentei abaixo de uma árvore, olhando para o céu. Embora fosse mais frio que o meu país de origem, eu gostava do clima frio da Europa.

— Você vai pegar um resfriado sentada neste chão gelado.

Apesar de saber quem era eu não pude deixar de soltar um suspiro de surpresa ao ver Stephen parado na minha frente.

— Stephen. – foi o que eu consegui dizer, ele estava com um labrador gigante na coleira – Está tapando o meu sol.

Ele se sentou ao meu lado. Eu me endireitei e encostei as costas na árvore.

— Melhorou agora, senhora dona do sol? – perguntou, me olhando.

— Você vai pegar um resfriado sentado neste chão gelado. – eu repeti usando uma pontada de sarcasmo, ignorando a pergunta.

— Nunca peguei uma gripe, nem se quer um resfriado em toda a minha vida. – ele respondeu, acariciando o cão.

— Como é o nome dele? – eu perguntei passando a mão no bichinho.

Bichinho. Quase maior do que eu.

— É ela. – ele me corrigiu – O nome dela é Vika.

— Vika. – eu repeti, na hora que recebi uma grande lambida na bochecha pela cachorra.

— Ela gostou de você! – ele comentou, sorrindo.

— É, eu percebi! – eu disse recebendo mais uma lambida da cachorra – Você traz ela com frequência? Eu venho todo o dia e nunca te vi por aqui.

— Eu também venho todo o dia, mas eu fico do outro lado. Não gosto de deixá-la em casa. Mesmo o quintal sendo grande, eu sempre a levo para passear. Você tem cachorro?

— Um são bernardo. Mas não me pergunte o nome, fiquei sabendo que tenho um cachorro foi hoje.

— Mas já faz meses que você está por aqui, e não sabe que tinha um cachorro?! – ele perguntou, enquanto ria da minha cara.

— Não. – disse me sentindo um pouco rabugenta com o deboche dele. Eu olhei no relógio e comecei a me levantar – Eu vou indo, já está ficando tarde. – não fazia dez minutos que havia chegado, mas a presença dele me incomodava. Perturbava, seria a palavra certa.

Eu me levantei e olhei para ele.

— Até amanhã. – resmunguei, lhe dando as costas. Não entendia o motivo, mas ele havia me irritado.

— Espera! – Stephen me pegou pelo braço. Eu o encarei e então meu olhar pairou em sua mão, era uma pegada delicada, mas firme – Não vá agora.

— Por quê? – eu perguntei. Ele não me soltou, continuou a me prender.

O rapaz me olhou, olhou dentro dos meus olhos, parecia que olhava para além de mim.

— Bem... – ele parecia procurar as palavras para falar – E-eu gostei de você, Ellie. – murmurou, por fim – Durante os dois anos naquela escola, você foi a primeira pessoa que eu realmente... – Stephen me encarou. Eu sentia um certo conflito dentro dele, mesmo conversando, o rapaz não havia soltado do meu braço – Que eu realmente gostei de conversar. E eu gostaria que você fosse minha amiga...

Ele corou. Pela primeira vez, desde que havia conversado com ele, eu o vi corando por algo, mostrando algum sentimento, alguma ação humana, que não fosse indiferença ou arrogância de sua parte.

Passado o impacto de ver as suas bochechas coradinhas, me dei conta do que ele havia dito.

Nós já não éramos amigos?

— Você quer ser meu amigo? – eu perguntei me endireitando, ficando de frente para ele. Meu rosto estava muito próximo ao do rapaz, que havia baixado o rosto pra me mirar – Nós já não somos amigos, Stephen?

O rapaz me avaliou por um momento, soltando um leve sorriso ao ouvir a minha resposta. Stephen parecia um pouco aliviado ao meu ouvir dizer aquilo.

Estranho? Muito.

Mas o que dizer, Stephen era um cara estranho.

Muito mais do que estranho. Estranhamente estranho.

— Que bom que você já me considera seu...

Mas ele não pode terminar o que dizia. Seu corpo endureceu e sua postura mudou completamente, algo que eu não havia visto ainda.

— Ora, ora! – resmungou alguém, por trás dele, me fazendo dar um pulo de susto ao ouvir que era para nós. Stephen soltou o meu braço e olhou para o lado. Ao ver quem era, seu olhar mudou completamente, parecendo ameaçador. Eu não saberia descrever, apenas posso dizer que não era uma presença que ele estava curtindo ter por perto – Mas se não é Stephen Chevalier? – comentou. O ser me encarou. Eu me senti incomodada com o olhar que me lançavam, como se estivessem me avaliando, até mesmo cobiçando – Pelo o que eu saiba você não pode namorar Chevalier! Ou esqueceu das regras?

A expressão risonha que ele mantinha desapareceu. Stephen mudou por completo, colocando diante de mim, parecendo na defensiva, como se estivesse prestes a atacar a qualquer momento.

A pessoa que falava, era uma garota que com toda a certeza tinha a nossa idade. Ela era linda, de tirar o fôlego, era negra e seus cabelos cacheados, volumosos, do tipo que se vê em modelos de TV. Os olhos eram negros. A maquiagem realçava o olhar forte que carregava. A garota era um pouco mais alta do que eu, mas isso não a deixava menos intimidante. Estava me sentindo cada vez mais incomodada com a presença daquela garota. Ao seu lado, surgiu um rapaz muito semelhante. Que mostravam sua descendência afro e olhos negros. Alto e magro, tendo tatuagens pelo corpo, pois via-se saindo da gola da blusa e piercing pelo rosto e orelhas. Muito parecido com ela, se não fosse irmãos, certamente eram sósias de sexo diferente.

— O que vocês querem aqui? – Stephen perguntou olhando para os dois. Rapaz, o cara falava de uma maneira que dava medo, até a Vika mostrava-se aborrecida e rosnava para os dois.

Estava com a sensação que havia perdido algo, tinha alguma coisa acontecendo entre aqueles três e certamente eu iria descobrir o que era.

— Nada. – o rapaz respondeu com um sorriso, que eu classifico como cruel – Estava passando e aí eu vi você, com... ela! Aí decidi vir falar com os namoradinhos, só pra não perder a oportunidade... – ele gargalhou, enquanto fazia um sinal obsceno com as mãos. Eu senti meu sangue ferver, aquele tipo de atitude me deixava irada. Senti meu corpo começar a tremer, o que sempre acontecia quando me enfurecia. Meu rosto esquentou, me dando a confirmação de que estava vermelha. Eu sempre ficava vermelha, quando sentia raiva, vergonha ou quando chorava. E ficar daquela forma diante dos dois em nada ajudava eu a me acalmar.

Stephen pegou meu pulso, apertando de maneira delicada, mas com firmeza. Eu o encarei de esguelha. Ele continuava a mirar a dupla de ruivos que estava a nossa frente. Seu maxilar estava travado, demonstrando sua irritação.

— Não fale assim maninho! – retrucou a garota – A moça é uma gracinha! Gostaria de conhecê-la melhor... mas é claro, que se seu namoradinho permitir isso, né?!

Os dois soltaram mais uma risada, que fez os pelos do meu braço arrepiar. Eu senti que o aperto de Stephen estava ficando mais intenso. Olhei para ele, o rapaz que agora estava com os dentes trincados olhando ferozmente para os dois.

— Onde você mora? – ele perguntou ainda rindo para mim.

— Vamos embora. – Stephen resmungou para mim.

Stephen se virou e me puxou para eu caminhar com ele. Eu não estava andando direito por conta da minha perna, então eu saí meio que tropeçando pela grama e raízes que pareciam surgir diante de nós. Eu olhei para trás, o rapaz me atirou um beijinho e ela me deu um tchauzinho debochado. Stephen tinha soltado a cachorra, e ela vinha ao meu lado, como um cão de guarda.

Eu não estava mais entendendo merda nenhuma. Aqueles dois seres estranhos e mais a reação agressiva de Stephen haviam me deixado completamente confusa com tudo aquilo.

— O que foi isso? – eu perguntei – Quem são aqueles dois?

— Ninguém. – ele respondeu secamente, ainda me segurando. O aperto no meu braço estava ficando cada vez mais dolorido. Eu continuava a caminhar aos tropeções, mas ele parecia não perceber isso.

— Stephen... – sussurrei, tentando me livrar de sua mão.

Ele continuou a caminhar, cada vez mais rápido.

— Stephen, você quer se acalmar? – resmunguei, tentando puxar minha mão.

Mas ele parecia surdo, me ignorando por completo, enquanto caminhava.

— Stephen! – eu quase gritei – Meu braço! Você está me machucando!

O rapaz parou de caminhar e me puxou para eu ficar de frente para ele. Acabei me desequilibrando e quase caindo. Minha perna doía demais com o esforço que havia feito para não cair e ser arrastada pelo garoto. Antes que me estatelasse na calçada, ele me segurou pelos ombros, me equilibrando.

— Não comente nada do que aconteceu com ninguém! – ele murmurou para mim, foi aí que eu percebi que estava na frente de casa. Eu olhei novamente para o rapaz, Stephen continuava me segurando pelos ombros – Nem para a Melanie! Helene você está me entendendo? – recebi uma bela sacudida, enquanto ele falava a última frase.

— Ok! – exclamei.

— É sério!

— Você não vai me contar? Do que eles estavam falando? – perguntei olhando em seus olhos.

— Não. Não há nada para você saber, Helene.

— Mas...

— Esqueça isso! – murmurou ele, de forma feroz – É o melhor pra você.

— Stephen, eu não tenho direito de saber quem são aquelas pessoas que me ofenderam?! E o que eles significam pra ti...?

— Não tenho que te dar satisfações, ok?! – Stephen retrucou, secamente.

Abri a boca, sentindo o corte que ele me dera mais forte do que achei que deveria sentir.

— Pensei que fossemos amigos! – resmunguei, irritada – Amigos contam as coisas uns para os outros!

— E sou. – respondeu olhando para trás, nem parecia que estava me ouvindo. Stephen parecia completamente irritado. Irritado e preocupado.

— Mas não o suficiente para me contar o que está acontecendo? – perguntei, sem deixar de encará-lo – Por que pra você agir feito um ogro comigo, algo está acontecendo!

— Já disse! Isso não é da sua conta, Helene! Pare de ser curiosa e de fazer perguntas pelo menos uma vez na vida! – Stephen praticamente gritou, com rispidez, ao voltar me encarar.

O mirei nos olhos, sentindo-me mais magoada do que irritada, pela forma como falava comigo. Respirei fundo, me controlando.

Como odiava quando sentia vontade de chorar diante dos outros.

— Você não precisa se preocupar com isso. – respondi, sentindo meus olhos arderem – Não vou contar nada para ninguém. – ergui meus braços, com estupidez, me livrando de suas mãos.  Limpei as lágrimas que começaram a escorrer, e dei as costas para o rapaz.

— Ellie! – ele me chamou. Eu segui mancando para casa, fingindo não ouvi-lo – Ellie, é melhor você não saber de nada, para o seu próprio bem!

Fingi que não o ouvia.

Adentrei em casa, indo direto para meu quarto. Precisava de um banho. Após a ducha quente, me atirei na cama, pensativa. Aquilo que aconteceu tinha sido muito estranho, e eu sentia que as coisas iriam piorar.

Boca maldita.

Eu não imaginava o quanto.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...